Psiquiatria - Estudos Fundamentais

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Psiquiatria | Estudos Fundamentais é um tratado completo e abrangente, que contempla os principais transtornos e tratamentos psiquiátricos, apresenta os exames e instrumentos de avaliação mais relevantes para a psiquiatria, discute questões clínicas importantes (como suicídio, obesidade e educação para a morte) e bastante atuais (síndrome de burnout, dependência da internet, cyberbullying), além de avaliar as particularidades de grupos especiais de pacientes, de crianças a idosos._x000D_
Com texto claro e objetivo, fundamentado nos critérios mais atuais da APA e da Organização Mundial da Saúde (inclusive discutindo as mudanças propostas pela CID-11 em 2018), este livro é referência indispensável a médicos e estudantes de Psiquiatria.

47 capítulos

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1 - Aspectos Históricos da Psiquiatria

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1

Aspectos Históricos da Psiquiatria

Walmor João Piccinini  Alexandrina Maria Augusto da Silva Meleiro

Introdução

Sofrer algum tipo de deficiência ou doença mental é um infortúnio que traz consequências terríveis para o paciente. A possibilidade de que a doença seja acompanhada por irrupções de violência complica ainda mais.

O “louco” inspira medo e, consequentemente, é vítima de toda sorte de agressões. Ser doente mental significa ter uma vida dura, brutal e curta em muitos casos. O estigma, o preconceito e o tabu que o cercam têm atravessado séculos.

Compreender a história da psiquiatria e, principalmente, a maneira como a sociedade atua com relação ao doente mental não é tarefa fácil. Primeiramente, vamos estabelecer o que é um psiquiatra. Segundo Sonenreich e Estevão:

Os psiquiatras são médicos que exercem uma profissão regimentada por leis e normas, com um mandato social obtido pela realização de estudos específicos adquiridos, completando um currículo exigido. Fazem parte de organizações de vários níveis (no Brasil, Conselhos Regionais e o Federal), associações profissionais (Associação Mundial de Psiquiatria e Associação Brasileira de Psiquiatria), tendo direitos e obrigações legalmente estabelecidas.1

 

2 - Influência da Cultura na Doença Mental

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Influência da Cultura na Doença Mental

Luciana de Andrade Carvalho  Janaí­na A. S. Cruz  Francisco Lotufo Neto {

Alexandrina Maria Augusto da Silva Meleiro

Introdução

A cultura é produto do desenvolvimento dos grupos hu­ manos ao longo do tempo, assumindo um importante papel na formação de uma pessoa. Chegar a uma defi­ nição única do que é cultura permanece sendo um desa­ fio para as ciências sociais. Entendemos, todavia, que ela é formada por padrões compartilhados de valores, crenças e sentimentos, caracterizados por distintas for­ mas de entender o mundo.1 A cultura também pode ser vista como um conceito semió­tico, “um padrão, histori­ camente transmitido, de significados incorporados em símbolos, um sistema de concepções herdadas, expres­ sas em formas simbólicas, por meio das quais os homens se comunicam, perpetuam e desenvolvem seu conheci­ mento e suas atitudes acerca da vida”.2

No campo da psiquiatria, a percepção de que há uma relação entre cultura e transtornos psiquiá­tricos é antiga; veja a clássica descrição da jornada de Emil Kraepelin, no início do ­século XX, a diferentes comunidades de

 

3 - Religiosidade, Espiritualidade e Transtornos Mentais

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Religiosidade, Espiritualidade e Transtornos Mentais

Vívian Hagen Antônio Oliveira  André Stroppa  Homero Vallada  Alexander Moreira-Almeida

Introdução

Ao longo da História, religião e cuidados com a saúde sempre estiveram intimamente ligados. Na Antiguidade, hábitos de higiene e saúde foram incorporados aos ri­ tuais religiosos entre judeus, egípcios, persas e gregos, e os sacerdotes eram responsáveis por conduzir os ofí­ cios religiosos e o atendimento aos doentes. Na Idade

Média, mosteiros destinavam parte de seus aposentos ao abrigo de enfermos, o que deu início às enfermarias e também às farmácias e hortas medicinais. Ao final des­ se período, surgiram as primeiras universidades para o ensino de filosofia, teologia e medicina e várias ordens religiosas foram fundadas com o objetivo de prover cuidados a pessoas enfermas.1 As relações entre insti­ tuições religiosas e saúde se mantêm até a atualidade tanto no Brasil, a exemplo da Pastoral da Infância, das

 

4 - Aspectos Genéticos em Psiquiatria

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4

Aspectos Genéticos em Psiquiatria

Leandro Michelon  Humberto Correa  Gustavo Turecki  Homero Vallada

Introdução

As evidências epidemiológicas e a compreensão de mecanismos moleculares subjacentes às funções mentais elevaram a genética a um patamar de grande relevância na psiquiatria. A concentração familiar dos transtornos mentais, independentemente de especificidade nosológica, revela-se surpreendente. Mais ainda, a coexistência de transtornos mentais em um mesmo indivíduo mostra-se também elevada.

Entretanto, a aplicação prática das descobertas rea­ lizadas ao longo das últimas décadas ainda não se concretizou devido a obstáculos próprios da complexidade da área. Questões em torno da definição diagnóstica e de fenótipos apropriados, de interações de diversos circuitos neuronais e vias moleculares na produção de fenômenos psíquicos, da modulação da dinâmica do genoma por fatores ambientais e metabólicos, além de limitações metodológicas dos estudos, tornam o impressionante progresso obtido ainda distante da clínica.

 

5 - Estudos Epidemiológicos dos Transtornos Mentais

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5

Estudos Epidemiológicos dos Transtornos Mentais

Maria Carmen Viana  Débora Costa Sena Pereira  Rafael Bello Corassa

Introdução

Ao longo do último século, o mundo tem passado por um acelerado processo de mudanças dos padrões demográficos e epidemiológicos das populações, com crescimento da população global, aumento da expectativa de vida, redução da mortalidade por doenças infecciosas e aumento da morbidade por doenças não comunicáveis.1,2

Consequentemente, verifica-se a crescente necessidade de estudar as condições de saúde nas doenças crônicas e incapacitantes, como é o caso dos transtornos mentais, bem como identificar sua distribuição e seus determinantes.3 Apesar disso, as dificuldades de mensuração de sintomas e determinação de critérios diagnósticos para a identificação das doenças mentais vem constituindo grande desafio para a inclusão nas agendas de saúde pública.

Com a publicação do estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), The Global Burden of Disease (GBD),4 que avaliou a carga de doenças como uma combinação de anos vividos com incapacitação (DALY, do inglês disability adjusted life-years) e de anos perdidos por morte prematura, os transtornos mentais se apresentaram como importantes causas de morbidade, incapacidade e mortalidade prematuras. Essa estimativa só foi possível com os avanços nos métodos de classificação diagnóstica dos transtornos mentais, como o Manual

 

6 - Diagnóstico e Classificação em Psiquiatria

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Diagnóstico e Classificação em Psiquiatria

Frederico Navas Demetrio  Fernando Fernandes

Introdução

As descrições de transtornos psiquiátricos como doenças no Ocidente iniciaram-se na Grécia Antiga. Antes disso, tanto na literatura quanto na prática xamânica, as alterações comportamentais e psíquicas decorrentes dos principais transtornos psiquiátricos eram atribuídas a causas externas (um alimento, por exemplo) ou a influências malévolas sobrenaturais. Para apaziguar ou controlar tais forças, a abordagem envolvia rituais mágicos e religiosos, de expurgação, penitência ou oferenda. Visto que a prática dos rituais de cura, em diferentes culturas, era exercida por pessoas que também eram autoridades morais e normatizadoras da comunidade, quando pertinente, havia orientação para mudança de conduta da pessoa acometida. Práticas mágicas ou religiosas eram empregadas para combater doenças psiquiátricas.

Na Grécia, no período pré-socrático, a explicação das doenças médicas e das alterações psíquicas e comportamentais ainda era essencialmente mitológica, como no exemplo literário do encantamento de Atenas sobre o guerreiro Ájax, provocando sua crise de loucura e fúria.

 

7 - Análise Crítica da Classificação Diagnóstica em Psiquiatria

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Análise Crítica da Classificação

Diagnóstica em Psiquiatria

Acioly Luiz Tavares de Lacerda  Luciana Sarin

Introdução

O diagnóstico é de suma importância para a medicina, pois é a base para a escolha do tratamento; informa o prognóstico do paciente; é essencial para a educação médica; possibilita a comunicação entre colegas; e é necessário para a realização de pesquisas. Um diagnóstico confiável também é essencial para a determinação de estimativas das taxas de prevalência das doenças, planejamento de serviços de saúde e informações de saúde pública, como morbidade e mortalidade de uma condição.1 O desenvolvimento de sistemas de classificação de doenças médicas foi fundamental para o desenvolvimento da medicina e o avanço da ciência médica.

A diferenciação entre as várias condições é igualmente importante na psiquiatria, como nas demais áreas da medicina. O diagnóstico psiquiátrico, com toda sua complexidade, tem uma longa história, com períodos de mudanças, instabilidade e controvérsias.2 Atualmente, o diagnóstico psiquiátrico é fundamentado em categorias definidas com base unicamente em critérios sindrômicos. No entanto, observamos com frequência fenômenos contínuos, nos quais a aplicação de um ponto de corte entre o normal e o patológico nem sempre é precisa, dificultando a decisão sobre a necessidade de tratamento.

 

8 - Instrumentos de Avaliação em Psiquiatria

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8

Instrumentos de Avaliação em Psiquiatria

Elaine Henna  Wang, Yuan Pang  Clarice Gorenstein

Introdução

Tradicionalmente, os fenômenos mentais são agrupados em síndromes clínicas, e a avaliação inicial dessas síndromes ocorre por meio de entrevista livre. Em psiquiatria, essas avaliações estão sujeitas à experiência subjetiva e à formação teórica do entrevistador. Com isso, os diagnósticos psiquiátricos podem variar, dependendo do avaliador, e dificultar a aplicação de intervenções adequadas. Visando diminuir a interferência do avaliador e melhorar a precisão diagnóstica, foram propostos critérios operacionais de sistemas de classificação e instrumentos de avaliação que uniformizassem os diagnósticos clínicos. A disciplina de psicometria forneceu alguns fundamentos teóricos para consolidar essa prática em psiquiatria.

A introdução de psicofármacos, como os neurolépticos e os antidepressivos, na segunda metade do século XX, estimulou o desenvolvimento de medidas fidedignas para documentar os efeitos dos medicamentos nos estados psíquicos. Por exemplo, as Escalas de Avaliação de Depressão de Hamilton (HAM-D, do inglês Hamilton Rating Scale for Depression)1 e de

 

9 - Avaliação Neuropsicológica em Psiquiatria

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9

Avaliação Neuropsicológica em Psiquiatria

Ednéia de Paula  Pedro Fonseca Zuccolo

Introdução

A neuropsicologia clínica é uma ciência que se preocupa com a expressão comportamental das disfunções cerebrais.1 Entre suas inúmeras aplicações, a prática da avaliação é a mais comum e consiste em uma investigação minuciosa das funções cognitivas, tendo por objetivo compreender e explicar a relação destas com o comportamento e o sistema nervoso.

O objetivo deste capítulo é apresentar brevemente os usos da avaliação neuropsicológica em psiquiatria. Para tanto, será feita uma breve apresentação de funções cognitivas mais comumente investigadas por neuropsicólogos. Tais informações serão usadas como base para fornecer alguns exemplos práticos do uso da avaliação neuropsicológica na clínica psiquiátrica, como: (1) diagnóstico diferencial; (2) avaliação evolutiva de pacientes;

(3) planejamento de programas de reabilitação; (4) perícia médica/forense; e (5) pesquisa. O capítulo é encerrado com algumas informações relevantes quanto à seleção de pacientes, à sua preparação para o exame e à formulação de objetivos e perguntas a serem respondidas pela avaliação neuropsicológica.

 

10 - Exames Laboratoriais em Psiquiatria

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10

Exames Laboratoriais em Psiquiatria

Ricardo Barcelos-Ferreira  Sérgio Tamai  Alexandrina Maria Augusto da Silva Meleiro

Introdução

Os psiquiatras, mais do que os médicos de qualquer outra especialidade, dependem do exame clínico e dos sinais e sintomas dos pacientes. Não há teste laboratorial em psiquiatria capaz de confirmar ou descartar diagnósticos como os de esquizofrenia, transtorno bipolar e transtorno depressivo maior. Contudo, com os contínuos avanços na psiquiatria biológica e na neuropsiquiatria, os testes laboratoriais têm-se tornado cada vez mais

úteis, tanto para o psiquiatra clínico quanto para o pesquisador biológico.

A principal aplicação dos exames laboratoriais na prática psiquiátrica é a exclusão de transtornos mentais secundários a uma causa orgânica. A identificação de causas orgânicas para transtornos mentais consiste em uma etapa fundamental da avaliação psiquiátrica, já que o tratamento correto dessas condições subjacentes

 

11 - Exames de Imagem em Psiquiatria

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11

Exames de Imagem em Psiquiatria

Marcelo Camargo Batistuzzo  Marcelo Q. Hoexter

Introdução

Ao contrário do que ocorre em outras especialidades médicas, no diagnóstico e no tratamento de transtornos psiquiátricos os exames de imagem não ocupam papel essencial. O diagnóstico psiquiátrico e o planejamento terapêutico mantêm-se eminentemente clínicos.

A aplicação de exames de imagem na rotina clínica psiquiátrica restringe-se a possíveis diagnósticos diferenciais cujas apresentações clínicas manifestam-se por sintomas psiquiátricos e/ou neurológicos. Não há evidência de que os achados de imagem tenham sensibilidade e especificidade suficientes para justificar seu uso na prática clínica como instrumento de diagnóstico e prognóstico dos transtornos psiquiátricos primários.

Algumas razões para isso podem ser atribuídas à grande variabilidade da apresentação clínica desses quadros, incluindo subtipos distintos dentro da mesma categoria diagnóstica, duração, fase e idade de início do transtorno e influência do uso de medicamentos. No entanto, o crescente aperfeiçoamento das técnicas de imagem cerebral observado nas últimas três décadas tem possibilitado grande avanço no entendimento dos correlatos cerebrais dos sintomas psiquiátricos, da progressão das alterações cerebrais e dos mecanismos de ação de di­ferentes tratamentos.1 Assim, a melhor compreensão da  fisiopatologia dos transtornos mentais propiciada cada vez mais pelas sofisticadas técnicas de imagem torna essas modalidades de investigação cerebral promissoras para auxiliar no diagnóstico, na prevenção, no prognóstico e no tratamento dos transtornos mentais no futuro.2

 

12 - Entrevista Clínico-Psiquiátrica

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12

Entrevista Clínico-Psiquiátrica

Renato Luiz Marchetti  Jose Gallucci Neto

Importância

Os avanços recentes da psiquiatria no que diz respeito

às bases neurobiológicas dos transtornos mentais e a tratamento psicofarmacológico levaram uma parcela dos psiquiatras a uma atitude de negligência com o estudo da psicopatologia e o consequente empobrecimento da prática clínico-psiquiá­trica.

No caso das doen­ças somáticas, um médico clínico que examine mal o seu paciente ao menos tem alguma esperança de encontrar resposta às suas perguntas ao solicitar diferentes exames subsidiá­rios. Entretanto, no caso das doen­ças mentais, é extremamente rara essa ocorrência. Nessas situações, as alterações neurobiológicas são de natureza tal que apenas raramente se mostram presentes em exames de pacientes in­di­vi­duais e com poder de diagnóstico significativo.

O adoecimento psíquico deve inicialmente ser apreendido e abordado de acordo com diferentes métodos psicopatológicos.1 A psicopatologia é, ainda hoje, a principal base conceitual e científica para a psiquiatria, e os achados da anam­ne­se psiquiá­trica e do exame psicopatológico são os principais elementos que conferem confiabilidade e validade para nossos diagnósticos.

 

13 - Psicopatologia do Exame Mental

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13

Psicopatologia do Exame Mental

Rodrigo Coelho Marques  Catarina de Moraes Braga  Lorena Lins Interaminense

Introdução

O exame do estado mental (EEM) está para a psiquiatria assim como o exame físico está para a medicina em geral. O EEM é um procedimento semiológico complexo que exige apropriado treinamento prático e conhecimento teórico, embasando-se em um campo do co­ nhecimento  denominado psicopatologia. O presente capítulo tem como objetivo expor conceitos básicos necessários para a realização do EEM e aborda aspectos psicopatológicos essenciais para o reconhecimento das alterações do funcionamento psíquico.

Semiologia psiquiátrica e psicopatologia

O EEM é um dos itens da avaliação clínica global, de importância, sobretudo, no contexto de atendimento em psiquiatria e neurologia.1 Sua aplicação remete aos conhecimentos da semiologia médica em geral e, em particular, à semiologia psiquiátrica.2 A realização do

EEM consiste em uma das mais relevantes habilidades especializadas da psiquiatria e, junto com a anamnese, compõe os dois eixos principais de uma avaliação psiquiátrica.3,4

 

14 - Transtornos Mentais Secundários a Doenças Orgânicas

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Transtornos Mentais Secundários a Doenças Orgânicas

Lucas de Castro Quarantini  Gabriela N. Diniz  Gustavo Carneiro Gomes Leal 

Alexandrina Maria Augusto da Silva Meleiro

Introdução

A nomenclatura orgânico remete a uma abordagem dicotômica dos transtornos psiquiátricos, na qual haveria divisão nítida entre quadros ditos funcionais, de origem psicológica e “localizados” na mente como depressão, esquizofrenia entre outros, e quadros orgânicos, decorrentes de lesões anatomopatológicas e localizados no cérebro.

Essa separação é, de certo modo, derivada de análise simplificada da visão do filósofo René Descartes, na qual corpo e mente seriam “substâncias” distintas (res extensa e res cogitans), teoria conhecida como dualismo cartesiano.1

Do século XVIII ao início do século XX, houve grande expansão do conhecimento das bases anatomopatológicas de diversas doenças neurológicas, mas não dos transtornos mentais clássicos, ao passo que se expandiram novas abordagens psicodinâmicas como a psicanálise, o que aprofundou a cisão funcional-orgânico, bem como a separação da psiquiatria e da neurologia como especialidades distintas.2,3

 

15 - Esquizofrenia e Outros Transtornos Psicóticos

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Esquizofrenia e Outros

Transtornos Psicóticos

Antonio Peregrino  Luciana Valença Garcia  Rodrigo Coelho Marques 

Alexandrina Maria Augusto da Silva Meleiro

Conceitos básicos e história da psicose

Antes da descrição clínica dos transtornos psicóticos propriamente ditos, apresentamos um histórico e bases conceituais da psicose desde os primórdios na

Antiguidade Clássica até as concepções dos psiquiatras no século XIX, que constituem o grande esteio para o entendimento atual da questão.

Surge na Alemanha, na década de 1840, o termo psicose: com “doença da psique” encerrando em seu sufixo “ose“ a ideia de doença crônica e/ou degenerativa.

Tornou-se oposição ao conceito de neurose: “doença dos nervos”, e carrega em si a ideia de maior gravidade.1

Hoje em dia, o termo psicose é considerado uma síndrome clínica que inclui, como característica principal, vivências patológicas de alheamento e distorção da realidade, principalmente na forma de alterações das crenças e julgamentos (delírios) e da sensopercepção (alucinações). Constitui os quadros que mais se aproximam do conceito coloquial de “loucura”.

 

16 - Transtorno Bipolar

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Transtorno Bipolar

Raphael de Oliveira Cerqueira  Melina Teixeira  Angela Marisa de Aquino Miranda Scippa 

Elisa Brietzke  Alexandrina Maria Augusto da Silva Meleiro

Introdução

O transtorno bipolar (TB) é uma doença mental de elevado impacto no indivíduo, na família e na sociedade.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é considerada a sexta causa de incapacidade em indivíduos na faixa etária entre 15 e 44 anos ao redor do mundo. Caracteriza-se pela alternância de episódios de humor depressivo e maníaco (eufórico ou irritável) com períodos de humor relativamente inalterado (chamados de eutimia). Além do humor, esses episódios também afetam ou podem afetar o sono, o nível de energia, a atividade psicomotora, o apetite e o processamento das informações sobre si mesmo e o ambiente.

Existe uma variabilidade importante na maneira como o TB se apresenta nos seus portadores, mas as classificações nosológicas na Psiquiatria reconhecem duas formas principais: o TB do tipo I e o TB do tipo II. O

 

17 - Transtorno Depressivo

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Transtorno Depressivo

Nicolas Lauxen Konrad  Maicon Bonaldo Dias  Tássia Callai 

Cassiano Lopes de Castro  Flavio Milman Shansis

Introdução

Empregado de modo amplo na medicina, o termo “depressão” significa “redução do funcionamento” e é usado em várias disciplinas médicas. No entanto, hoje se tornou um termo mais comumente associado à depressão mental. Emil Kraepelin, no século XIX, popularizou e disseminou o conceito ao descrever os estados depressivos.1

Estudos em diversos países demonstram que a prevalência da depressão unipolar é estimada em 12%, sendo o transtorno psiquiátrico mais comum na população em geral.2

Entretanto, apesar de ser um transtorno bastante prevalente, uma metanálise realizada a partir de 41 estudos

(que resultaram em um n > 50.000 pacientes, oriundos da atenção básica) demonstrou que a depressão era diagnosticada em apenas 50% dos casos.3 A esse dado, pode-se adicionar o fato de que muitos dos indivíduos diagnosticados com depressão acabam por não receber o tratamento adequado ou, ainda, aderem de modo incorreto ao que foi prescrito.4

 

18 - Transtornos de Ansiedade

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Transtornos de Ansiedade

Alan Campos Luciano  Antonio E. Nardi  Márcio Antonini Bernik 

Alexandrina Maria Augusto da Silva Meleiro

18-Meleiro.indd 215

Desempenho

Não é difícil inferirmos que, durante a evolução, os mais ansiosos tomaram mais cuidados para que não fossem atacados por outras espécies e garantissem, de maneira cuidadosa, alimento para si. Os menos ansiosos, provavelmente, ficaram mais expostos à predação e à privação de alimento, o que comprometeu sua sobrevivência. Logo, ao falarmos de ansiedade, estamos tratando de uma característica humana que foi selecionada durante a evolução da espécie e adaptada em níveis moderados.

Em 1908, Yerkes e Dodson1 descreveram um modelo que demonstra a relação entre ansiedade e desempenho.

Inicialmente, o aumento do nível de ansiedade (excitação) provoca aumento correspondente do desempenho do indivíduo. Essa correlação positiva atinge um platô quando um incremento de ansiedade resulta em piora de percepção de novas informações, redução da capacidade de seu processamento e redução das habilidades motoras, ou seja, prejuízo no desempenho geral. Podemos entender que, ao ultrapassar esse platô, a ansiedade torna-se patológica, como demonstra a Figura 18.1.

 

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