Além do Consultório

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O que um psiquiatra diria sobre...?  Essa pergunta já lhe ocorreu alguma vez? Vendo um filme? Brincando com os filhos? Lendo uma notícia sobre política? Em Além do consultório, Daniel Martins de Barros – psiquiatra e professor da Universidade de São Paulo – aborda diversas questões do nosso dia a dia a partir da perspectiva das ciências do cérebro, mente e comportamento. Ao analisar eventos do cotidiano, esta obra nos leva do comportamento humano aos fenômenos da cultura de massa, passando pela relação entre pais e filhos, a política e, claro, a própria psiquiatria, trazendo um olhar atento e propondo reflexões sobre a rica temática que é a vida.

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Capítulo 1. A trabalhosa felicidade

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A TRABALHOSA

FELICIDADE

É difícil acreditar, mas muitas vezes o trabalho duro nos faz mais felizes do que a folga.

Tive a prova disso quando, há alguns anos, fiz uma viagem em família.

Atravessando o Reino Unido de carro com minha esposa e meus pais, indo das Terras Altas da Escócia até o sul da Inglaterra através de ­cidades pequenas e estradas minúsculas, esse tema passou por minha cabeça quando, notando que o carro alugado fazia grande parte do trabalho sozinho, já que era equipado com GPS, meu pai fez um comentário com o qual concordei imediatamente: “Viajam com GPS perde um pouco da graça, não é?”. Concordei, mas não sem certo conflito: se nem ele nem eu somos saudosistas que acham que tudo era melhor antigamente, tampouco tecnófobos, desconfiados de qualquer coisa que use pilhas, por que sentíamos que outras viagens (com mapa no colo, estudando pontos de referência e debatendo qual via seguir) foram mais recompensadoras do que as mais recentes, guiadas por satélite?

 

Capítulo 2. Efeitos colaterais do amor

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EFEITOS COLATERAIS

DO AMOR

“Eu não sou elitista, só acho que existem dois grupos: nós e o resto”, ­dizia o ímpar professor Juarez Montanaro, figura inesquecível para os que com ele estudaram medicina legal. A piada, como muitas outras, disfarça uma tendência comum a todo ser humano: julgar melhor os que são do

“nosso grupo” (qualquer que seja ele) do que os que são de fora. Esse é um viés cognitivo chamado de viés intragrupo e pode ser considerado um efeito colateral do amor. Isso mesmo, depois de tratarmos das belezas da ocitocina e dos vínculos que ela ajuda a criar, vale a pena dar uma olhada num outro lado dessa história.

Do ponto de vista evolutivo, foi um desafio explicar por que somos al­ truís­tas – se os genes são selecionados na medida em que ajudam a perpetuar a si mesmos, como seria possível o sacrifício em favor dos ­outros? Isso aparentemente contradizia a seleção natural. Embora o próprio Darwin já tivesse discutido a questão, foi na década de 1960 que o biólogo William

 

Capítulo 3. “Como” esperar quando se está esperando

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“COMO” ESPERAR QUANDO

SE ESTÁ ESPERANDO

Ainda era adolescente quando tive um insight na fila do McDonalds. De repente me dei conta de que era inútil preencher, ainda na fila, um papelzinho dizendo qual era o meu pedido – se, na hora em que eu chegava no caixa, a pessoa ainda me fazia outras perguntas, por que raios o papel?

Ele não acelerava o processo nem facilitava a compra. Foi necessária uma nova camada de compreensão, tempos depois, até entender a estratégia

– aquele funcionário que percorre a fila perguntando o que quero comer, se desejo sobremesa, etc., tem o propósito de me fazer sentir atendido: assim que ele me aborda, eu mudo de patamar – finalmente comecei a ser atendido e, portanto, não estou apenas esperando. Mas eis que descubro, anos depois, que a coisa não para por aí. Mais um nível de compreensão se abriu quando notei que, além de reduzir minha percepção de espera, a estratégia diminui bastante a chance de eu desistir da minha compra e abandonar a fila. Sim, agora me parece bastante óbvio, mas eu nunca havia pensado nesses termos nem me deparado com uma prova objetiva.

 

Capítulo 4. Academia versus biblioteca. O papel do estudo na expectativa de vida

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ACADEMIA VERSUS BIBLIOTECA.

O PAPEL DO ESTUDO NA

EXPECTATIVA DE VIDA

Pergunte a um médico, um nutricionista ou um educador físico o que fazer para viver mais e provavelmente você receberá respostas com as seguintes recomendações: exercite-se regularmente, tenha uma alimenta­

ção saudável e faça check-ups. Embora todas sejam importantes, poucos se lembrarão de dar o conselho que comprovadamente mais aumenta a expectativa de vida: estude.

Há abundantes evidências mostrando que cada ano a mais de estudo não só aumenta o salário, mas também melhora diversos índices de saúde independentemente do dinheiro – mesmo descontando o efeito da melhora financeira, quem estuda mais adoece menos e demora mais para morrer.

Um dos principais motivos para isso, especula-se, é que, com mais estudo, as pessoas desenvolvem mais atitudes saudáveis. Norte-americanos só com o ensino médio ou menos fumam três vezes mais do que os universitários, por exemplo, e o estudo correlaciona-se também com mais atividade física.

 

Capítulo 5. Nervosismo no trânsito

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NERVOSISMO NO TRÂNSITO

Ficar nervoso no trânsito é quase inevitável. As duas situações mais comuns em que as pessoas perdem a calma ocorrem em contextos opostos. Quando o trânsito está muito congestionado, reduzindo a mobilidade e criando a sensação de enclausuramento, o sistema de alerta do nosso organismo tende a ficar mais ativo, nos deixando propensos a ter reações de luta ou fuga. É nesses momentos que uma batida boba ou um esbarrão no retrovisor podem ser o estopim de uma reação agressiva súbita, não raramente desproporcional à gravidade do acontecimento. Como são grandes as chances de que a outra pessoa envolvida também esteja estressada, ao se sentir ameaçada ela também pode se tornar hostil, criando o cenário para as lamentáveis brigas de trânsito, por vezes bastante violentas.

No entanto, também ocorre o fenômeno inverso: quando a fluidez do tráfego é maior, como no início do dia, as brigas decorrem geralmente de uma escalada de violência. Após uma ultrapassagem que alguém julga indevida, uma fechada ou qualquer atitude que seja encarada como provocação, um dos motoristas tenta tirar satisfação e reparar a injustiça da qual se julga vítima. Se a reação do outro envolvido for também de hostilidade, pode ter início uma cadeia crescente de atos de agressão de parte a parte que tem ainda mais chance de culminar em violência física.

 

Capítulo 6. Dietas da moda ou baseadas em evidências?

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DIETAS DA MODA OU

BASEADAS EM EVIDÊNCIAS?

Provavelmente você já deve ter ouvido falar da dieta mediterrânea.

É aquela proposta de cardápio baseada nos hábitos de consumo dos povos situados ao redor do Mar Mediterrâneo, como gregos, espanhóis e italianos, sobretudo ao sul desses países. Ela sugere o grande consumo de óleos vegetais, frutas, legumes, grãos integrais, consumo moderado de peixe, queijo, iogurte e vinho e baixo consumo de carne.

O problema é que as recomendações dietéticas são tão fugazes que às vezes temos a impressão de que o alimento saudável de hoje é o vilão de amanhã. Atualmente, por exemplo, já não sei se o ovo faz bem ou mal.

Entretanto, há um motivo pelo qual a dieta do mediterrâneo me chamou a atenção: um grupo de universidades na Espanha resolveu fazer um dos maiores estudos desse tipo de que já ouvi falar. Os cientistas dividiram milhares de pessoas com alto risco cardíaco pelo país todo em dois grupos, um recebendo a dieta mediterrânea, e outro, uma dieta com pouca gordura.

 

Capítulo 7. O bullying de hoje e os prejuízos de amanhã

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O BULLYING DE HOJE E OS

PREJUÍZOS DE AMANHÃ

Eu lembro que na pré-escola havia um menino que aterrorizava todos os colegas de classe. Eu devia ter uns seis anos, e lembro do medo que todos tinham daquele que foi o primeiro valentão que conhecemos. Felizmente, ele não encrencou com ninguém em especial, e acho que depois de algumas semanas ele se acalmou, pois não tenho mais qualquer lembrança dele. Já na adolescência, por dois anos seguidos estudei com garotos com quem se deu o oposto – eles eram alvos preferenciais de zombaria dos colegas. No primeiro ano, entrei na “brincadeira” e cheguei a fazer piadas com um deles; mas, no seguinte, talvez por estar mais velho, percebi que aquilo era um pouco cruel e me abstive de provocar o rapaz. Sentia-me realmente mal por ele.

Poucos anos depois, um deles teve um surto, precisando ser internado.

Até hoje não sei se o que ele sofreu na escola foi causa ou consequência de sua condição, mas estudos mostram que o bullying tem impactos reais e de longo prazo na vida das pessoas.

 

Capítulo 8. Divertidas lembranças – como o humor melhora a memória

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DIVERTIDAS LEMBRANÇAS –

COMO O HUMOR

MELHORA A MEMÓRIA

Há algum tempo, adotei um critério bastante rigoroso para avaliar a qualidade das minhas aulas: as risadas. Hoje ninguém mais pode se arro­gar detentor de determinado conhecimento; as informações estão aí, disponíveis e acessíveis para quem quiser e, por isso, é muita inocência achar que eu tenha algo a dizer que as pessoas só obterão por meio de minha pessoa.

O que procuro fazer é organizar parte dessa infinidade de informações, traduzindo-as em alguma forma de conhecimento, e transmiti-lo da maneira mais divertida possível. Sempre acho que a aula foi ruim quando as pessoas não riram, por mais conteúdo que tenha sido passado.

Descubro agora que aparentemente isso ajuda de fato as pessoas a se lembrarem do que aprenderam. Não apenas pelo componente afetivo que acompanha o riso – já que lembramos mais das coisas afetivamente significativas –, mas por uma ação fisiológica da risada. Em 2014, foi apresentado um trabalho no congresso Experimental Biology que tratava sobre a capacidade de aprendizado, memorização e reconhecimento visual de idosos. Esses elementos foram testados antes e depois de os indivíduos assistirem a um vídeo de humor. Dois grupos, um de idosos saudáveis e um de diabéticos, viram um vídeo de humor, e um grupo-controle não teve a mesma oportunidade de rir. Testes neuropsicológicos foram aplicados em

 

Capítulo 9. As bem-vindas mudanças

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AS BEM-VINDAS MUDANÇAS

O ser humano é um poço de contradições. Quer coisas opostas ao mesmo tempo, ama e odeia pelos mesmos motivos, não quer ficar velho nem morrer jovem. E, intrigante, não gosta de mudanças, mas não tolera rotina.

Como escreveu C. S. Lewis, o homem conjuga o “amor à mudança com seu amor ao permanente” e, por isso, gostamos da fusão das duas coisas

– mudança e constância – “que chamamos ritmo”, completa ele.

Por que não gostamos de mudar? Porque dá trabalho. Gasta energia.

E aparentemente é um desperdício investir energia para desfazer um processo que o cérebro realizou justamente para economizá-la. Funciona assim: quando um comportamento – seja uma ação, um comportamento verbal ou mesmo mental – se prova eficaz, ele é marcado pelo cérebro, sobretudo por meio do neurotransmissor dopamina, como algo a ser repetido.

Enquanto estamos aprendendo, várias áreas cerebrais ficam ativamente envolvidas, monitorando a ação, registrando os detalhes, refletindo sobre o que acontece. Conforme o comportamento é repetido, no entanto, ele vai se tornando automático, formando um pacote ou bloco único de ação.

 

Capítulo 10. Faça uma mulher feliz: mande-a trabalhar (e lave você a louça)

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FAÇA UMA MULHER FELIZ:

MANDE-A TRABALHAR

(E LAVE VOCÊ A LOUÇA)

Você se sente mais feliz no trabalho ou em casa? A resposta depende: se você é mulher, provavelmente é mais feliz... no trabalho! Pois é. Acaba de ser publicado o resultado de um experimento que traz mais informações para enriquecer – e complicar – o debate sobre o até hoje mal equacionado balanço entre carreira e família que desafia a sociedade, em particular as mulheres.

No final da década de 1990, a socióloga Arlie Russell Hochschild publicou um livro apontando uma transformação social que borrava os limites entre trabalho e casa, com as pessoas dedicando progressivamente mais energia a seus empregos do que a seus familiares. E isso apesar de continuarem dizendo que a família era prioridade. Não era só o meio que empurrava nessa direção, mas os próprios indivíduos começavam a se sentir mais seguros, competentes e valorizados nas empresas do que nas suas casas.

Pois bem, cientistas norte-americanos convidaram 122 pessoas para medir, ao longo dos dias, seus níveis de felicidade e estresse não apenas de forma subjetiva, perguntando como eles estavam se sentindo, mas medindo as taxas de cortisol, um hormônio que sobe quando estamos biologicamente estressados. Os resultados foram que, a não ser em situa­

 

Capítulo 11. Anotar à mão ou no computador? Tanto faz para quem usa a cabeça

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ANOTAR À MÃO OU NO

COMPUTADOR? TANTO FAZ

PARA QUEM USA A CABEÇA

Recentemente fez sucesso a notícia de que, para o aprendizado, anotar a aula à mão é melhor do que no computador. Os brados de “eu sabia” se fizeram ouvir ao redor do mundo, claro que via internet e em m

­ ensagens escritas no computador. No entanto, como outros tantos casos, uma análise mais profunda do estudo que trouxe essas conclusões mostra que o problema não está na tecnologia em si, mas no uso que fazemos dela.

O objetivo da pesquisa era comparar o quanto os alunos aprendiam em aulas sobre temas diversos caso fizessem as anotações com o tradicional meio “papel e caneta” ou em um computador. Após assistir às palestras, os estudantes realizavam uma atividade para distrair e só depois respondiam à prova. Os cientistas fizeram dois tipos de perguntas: algumas sobre informações objetivas e fatos e outras sobre questões conceituais e ideias transmitidas. Não houve diferença na taxa de acerto sobre as perguntas factuais, mas, com relação aos conceitos, quem havia anotado à mão se saiu muito melhor do que aqueles utilizando laptops. Esse padrão também se manteve quando a prova foi aplicada uma semana depois, quando os alunos podiam consultar suas anotações.

 

Capítulo 13. As dez comidas mais viciantes – e como fugir do vício

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PEDIR E RECEBER PERDÃO

É difícil pedir desculpas? Talvez uma cena deletada do premiado seriado

Louie, escrito, dirigido, interpretado e editado pelo brilhante comediante norte-americano Louis C. K. – o cara da comédia, atualmente – possa ajudar (http://www.dailymotion.com/video/x1evo1s). Ao ensinar a filha mais nova a se desculpar, mesmo que tenha sido “sem querer”, a vinheta mostra bem a genialidade de C.K., que parece um maestro capaz de orquestrar nossas diversas emoções, choro, riso, raiva e até Schadenfreude – palavra que os alemães inventaram para descrever a satisfação que temos com as desgraças alheias – com harmonia e precisão.

Se soubéssemos o poder real do pedido de desculpas seríamos mais dispostos a utilizá-lo. Ano passado foi publicada uma pesquisa m

­ ostrando como desculpar-se interfere na decisão da pessoa ofendida. A taxa de perdão foi duas vezes e meia maior entre as pessoas que receberam uma mensagem com pedido de desculpas. Mas é interessante notar que elas demoraram mais para tomar sua decisão – exames de ressonância magnética mostraram que mais áreas do cérebro foram recrutadas pelas pessoas que decidiram perdoar, o que levou mais tempo. Quando alguém se desculpa, não pensamos mais apenas racionalmente para decidir se aquilo foi justo;

 

Capítulo 13. As dez comidas mais viciantes – e como fugir do vício

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AS DEZ COMIDAS MAIS

VICIANTES – E COMO

FUGIR DO VÍCIO

Sim, finalmente a ciência se deu conta de algo que todo mundo já s­ abia: comida vicia. O padrão que algumas pessoas desenvolvem no consumo de alimentos é muito parecido com aquele que vemos nos dependentes químicos: sabem que estão exagerando; tentam se controlar e não ­conseguem; irritam-se com as críticas alheias; mesmo tendo prejuízos à saúde, não são capazes de reduzir o consumo; o fracasso em se controlar leva à frustração, que aumenta o risco de exagero. Poderíamos estar falando tanto de cocaína como de chocolate; de tabaco ou de bolo.

Uma pesquisa publicada em 2015 tenta explicar quais comidas são mais viciantes e por quê. Então, sem mais delongas, eis os alimentos que foram classificados como os mais difíceis de resistir:

1 – Pizza

2 – Chocolate

3 – Salgadinhos

4 – Biscoitos

5 – Sorvete

6 – Batata frita

7 – Cheeseburger

8 – Refrigerante não diet

 

Capítulo 14. Entre a preguiça e a ansiedade

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ENTRE A PREGUIÇA

E A ANSIEDADE

Você se lembra dessa piada que rodou pelas redes sociais há algum tempo?

“Se um homem diz que vai consertar alguma coisa em casa, ele vai! Não precisa ficar lembrando a cada seis meses.” Acho que é uma das mais precisas e divertidas traduções do conceito de procrastinação: adiar a realização de tarefas necessárias indefinidamente ou até que elas sejam inadiáveis.

Muita gente confunde procrastinação com preguiça, mas, embora sejam semelhantes, elas não são sinônimos. A falta de motivação suficiente para se engajar numa atividade, geralmente chamada de preguiça, explica por que deixamos algumas coisas para depois, mas não explica tudo. Há tarefas que adiamos por medo – acreditamos, conscientemente ou não, que somos incapazes de dar conta e, por isso, pospomos o quanto podemos.

Ainda na esfera inconsciente, podemos simplesmente não querer ajudar as pessoas que precisam daquele trabalho e as punimos com uma espera de

 

Capítulo 15. “Acalme-se!” – o difícil e necessário exercício de controlar as emoções

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“ACALME-SE!” – O DIFÍCIL E

NECESSÁRIO EXERCÍCIO DE

CONTROLAR AS EMOÇÕES

Você com certeza já ouviu, ou falou, a famosa frase: “Não manda eu me acalmar!”. No calor de uma discussão, a pior coisa que pode ser feita é pedir para algumas pessoas se acalmarem. Isso acontece por dois motivos:

é difícil mesmo controlar as emoções. Elas ocorrem automaticamente e alteram o funcionamento do corpo inteiro antes mesmo de termos consciência do que está acontecendo. Além disso, dependendo de como é dita, a ordem para se acalmar pode ser interpretada como um ato hostil, o que só faz a raiva aumentar. No entanto, antes que alguém mande você ficar calmo novamente, é bom entender a importância de controlar as emoções – principalmente as negativas.

Já é um fato muito bem estabelecido que as pessoas que são mais nervosas, agressivas e irritadas (a chamada personalidade tipo A), bem como aquelas com mais tendência a emoções negativas, como tristeza e ansiedade, têm risco aumentado para infartos, hipertensão, alergias e menor expectativa de vida. Só por isso já valia a pena tentar se controlar.

Só que tem mais: todo mundo sabe também que hostilidade gera hostilidade, violência gera violência e assim por diante. Então, quem responde

 

Capítulo 16. Escolha bem no que você acredita – o poder das crenças para o bem e para o mal

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ESCOLHA BEM NO QUE VOCÊ

ACREDITA – O PODER

DAS CRENÇAS PARA O BEM E

PARA O MAL

Muitas profecias têm a irritante mania de não se cumprir, mas, se você quiser aumentar a chance de que se cumpram, experimente acreditar nelas. Em 1948, o sociólogo norte-americano Robert K. Merton publicou um artigo tão famoso que seu título se tornou uma expressão popular

–  Self-Fulfilling Prophecy, algo como “profecia autorrealizável”. O conceito é simples: quando acreditamos piamente que determinado evento ocorrerá, passamos a nos comportar como se ele fosse mesmo acontecer.

Com isso, sendo ou não a profecia “verdadeira”, nossas atitudes criam condições para que a previsão dê certo. No entanto, isso serve tanto para o bem como para o mal.

Para bem não faltam exemplos interessantes. Existe o chamado efeito

Pigmaleão, no qual, quanto mais se espera das pessoas, melhor p­ erformance elas apresentam. O nome faz referência à mitologia grega: Pigmaleão esculpiu uma estátua da mulher ideal, apaixonando-se então por sua obra.

 

Capítulo 17. Meu mundo caiu – como reconstruir mundos caídos

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MEU MUNDO CAIU –

COMO RECONSTRUIR

MUNDOS CAÍDOS

Recentemente fui convidado para dar uma palestra com o sugestivo título

Meu mundo caiu – reconstruindo mundos caídos. O desafio é enorme, porque, como diz a famosa abertura do romance Anna Karenina, de Tolstói,

“Todas as famílias felizes são iguais. As famílias infelizes são infelizes cada uma à sua maneira”. De fato, quando estamos bem, contentes, remando por águas tranquilas, nem paramos para pensar em nada – aceitamos os momentos de felicidade como naturais e não questionamos suas razões.

“Quando a gente está contente nem pensa que está contente [...] A gente quer é nem pensar, a gente quer é viver”, como bem apontou Gilberto Gil na canção Barato total. No entanto, quando as coisas vão mal, paramos para pensar no que deu errado. Por que o mundo caiu? E aí as variações são imensas. Poderíamos parafrasear Tolstói dizendo que os mundos erguidos são parecidos, mas, quando caem, cada um cai de um jeito diferente.

 

Capítulo 18. Controlando as emoções negativas (Meu mundo caiu, Parte 2)

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CONTROLANDO AS EMOÇÕES

NEGATIVAS (MEU MUNDO CAIU,

PARTE 2)

Esta é a segunda parte do artigo sobre alguns caminhos que podemos percorrer quando nosso mundo desaba. Uma das formas, como vimos,

é não nutrir ilusões a respeito da vida. Agora falemos do manejo das emoções negativas.

Simplificando bastante: seu chefe malcriado não tem o poder de entrar no seu cérebro e virar alguma chave lá dentro, deflagrando raiva, tristeza ou medo. Seus pensamentos em relação a ele é que fazem isso. Mais ou menos como disse Sartre: “Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você”. Para a teoria cognitiva, a sequência de eventos que levam às emoções pode ser descrita assim: ocorre uma situação, ela mobiliza nossa atenção, nós fazemos uma avaliação do ocorrido e, por fim, temos a expressão emocional. E, em cada uma dessas fases, podemos agir para controlar as emoções.

Como estamos falando de adversidades, partamos do princípio de que o pior já aconteceu, não dá mais para mudar a situação. O segundo passo então é agir sobre a atenção. Aqui o que gera emoções negativas são a ruminação e a preocupação. Na ruminação, a nossa mente insiste em lembrar as coisas ruins, mesmo contra nossa vontade – quando nos damos conta, lá estamos nós remoendo os pensamentos negativos. Já

 

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