Neuropsicologia Geriátrica: Neuropsiquiatri cognitiva em idosos

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Apresentando desde os temas fundamentais até os modelos de avaliação e reabilitação mais recentes, este livro proporciona uma aproximação entre a neuropsicologia, a neuropsiquiatria e as neurociências, constituindo-se em referência fundamental para todos os profissionais da saúde que atendem pacientes geriátricos.

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Capítulo 1 - Modelo integrado para avaliação neurocognitiva no idoso

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Modelo integrado para avaliação neurocognitiva no idoso

LEONARDO CAIXETA

ANTONIO LUCIO TEIXEIRA

Somos seres complexos, multifacetados, compreendendo diferentes dimensões, tradicionalmente categorizadas em biológicas, psíquicas e socioculturais. Qualquer sistema de avaliação que se pretenda eficiente deverá englobar o conjunto dessa realidade da maneira mais abrangente e equilibrada possível. Impõe-se ao clínico/examinador, portanto, uma formação ampla nos domínios biomédico, psicológico e humanístico.

Ainda nessa perspectiva, a abordagem multidisciplinar, compreendendo visões complementares, deve ser buscada como método preferencial na avaliação neurocognitiva do paciente, particularmente no idoso (Caixeta, 2012a).

Uma boa avaliação neurocognitiva em idosos se associa primeiramente ao entendimento da complexa interdependência dos sistemas funcionais. O bom funcionamento cognitivo depende não apenas da integridade do sistema nervoso central (SNC), mas também da homeostase dos demais sistemas orgânicos. Por exemplo, um idoso com infecção do trato urinário ou do aparelho respiratório, sistemas aparentemente sem conexões diretas com funções cognitivas, poderá desenvolver um quadro de declínio cognitivo agudo (delirium) em decorrência do desequilíbrio orgânico (Eriksson, Gustafson, Fageström, & Olofsson, 2011). Em outras palavras, o idoso, como a criança, responde frequentemente de forma sistêmica diante

 

Capítulo 2 - Antropologia, neuropsicologia transcultural e o idoso

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Antropologia, neuropsicologia transcultural e o idoso

LEONARDO CAIXETA

DANIELLY BANDEIRA LOPES

Se as características próprias de um povo se manifestam em sua religião e costumes, nas suas produções espirituais e artísticas, nos seus feitos políticos e desenvolvimento histórico, da mesma forma essas características se expressarão na frequência e forma clínica dos distúrbios mentais. (Kraepelin, 1904)

A população mundial está envelhecendo rapidamente. Em poucos anos, já haverá no mundo mais pessoas acima dos 60 anos do que crianças menores de 5, segundo a Organização Mundial da Saúde. E o fato não se restringe aos países ricos.

Os países com renda média ou inferior são os que passam pelos processos de envelhecimento mais rápidos. Em 2050, haverá 2 bilhões de pessoas idosas no mundo, e 80% delas viverão em países classificados como emergentes ou em desenvolvimento.

O atendimento a idosos de diversas culturas e etnias é uma realidade no Brasil, um dos países mais ricos do mundo em termos étnicos e culturais. Desse modo, são necessários o entendimento e o conhecimento das peculiaridades que envolvem essa temática antropológica para melhor assistência ao indivíduo idoso, respeitando seus costumes.

 

Capítulo 3 - Reserva cerebral, plasticidade e o cérebro do idoso

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Reserva cerebral, plasticidade e o cérebro do idoso

LEONARDO CAIXETA

PEDRO HENRIQUE PINTO

O sistema nervoso central (SNC) não é estático e imutável, porém plástico e adaptativo, tanto no nível pré como no pós-sináptico. A plasticidade cerebral é tanto maior quanto mais jovem é o indivíduo. Crianças e recém-nascidos apresentam formidável capacidade de rearranjo e de transferência de funções cognitivas para outras áreas não originalmente dedicadas àquelas funções quando diante de lesões em sua estrutura cerebral. Não se pode, contudo, restringir esse fenômeno a um segmento etário, posto que mesmo indivíduos mais idosos apresentam plasticidade cerebral. Em uma mesma faixa etária, há diferenças individuais em como as pessoas, cada uma com sua história de experiências e aprendizados, processam cognitivamente as tarefas e enfrentam doenças degenerativas (Stern, 2006).

O SNC do idoso saudável sofre o paulatino e inexorável processo de envelhecimento de suas estruturas, mas esse processo não atinge todo o sistema de forma homogênea. Apesar de se observarem redução do volume cerebral total e dilatação ventricular difusa, existem gradientes de perda celular (neuronal) diferenciados de região para região neuroanatômica (p. ex., maior perda no córtex pré-frontal e nas áreas mesiais dos lobos temporais) e redução da atividade metabólica em circuitos específicos

 

Capítulo 4 - Neuropsicologia geriátrica: relevância e atualidade do método anatomoclínico

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Neuropsicologia geriátrica: relevância e atualidade do método anatomoclínico

VITOR GERALDI HAASE

ANDRESSA M. ANTUNES

GIZELE ALVES MARTINS

GIULIA MOREIRA PAIVA

GUILHERME M. DE O. WOOD

A neuropsicologia é uma importante ferramenta no diagnóstico neuropsiquiátrico, contribuindo para refinar a interpretação dos achados clínicos por meio de modelos conceituais das correlações estrutura-função, desenvolvidos pelos pesquisadores e clínicos ao longo de mais de 150 anos

(Haase et al., 2008; Haase et al., 2012; Haase,

Wood, & Willmes, 2010). Da tradição neurológica herdamos um modo prático de operacionalizar o diagnóstico neuropsicológico

(Barraquer-Bordas, 1976), o qual pode ser sistematizado em uma sequência lógica de passos: n O diagnóstico funcional consiste em des-

crever os sintomas e sinais em termos de padrões de associação de sinais e sintomas (síndromes) ou dissociação entre funções comprometidas e preservadas, as quais são interpretadas no contexto de modelos de processamento de informação. n O diagnóstico topográfico procura localizar as lesões em um referencial anatomofuncional. n A conexão entre as associações/dissociações sintomáticas ou funcionais e as localizações lesionais identificadas permite formular hipóteses quanto ao

 

Capítulo 5 - Particularidades da avaliação neuropsicológica do idoso

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Particularidades da avaliação neuropsicológica do idoso

REJANE SOARES FERREIRA

SANDRA BARBOZA FERREIRA

A população idosa tem crescido significativamente no mundo, e, ao mesmo tempo, aumenta o número de casos de doenças degenerativas que interferem na ativida­ de laboral, funcional, social e na quali­dade de vida dessa população. As queixas de perda cognitiva podem se tornar frequentes, e a demanda de uma avaliação detalhada dessas funções geralmente se faz presente

(Welsh-Bohmer & Attix,­2007).

Bottino e colaboradores (2008) apontam que, no Brasil, as demências e o transtorno depressivo são as patologias neuropsi­ quiátricas mais comuns nessa fase da vida.

Reconhece-se que uma avaliação física, cognitiva, comportamental e emocional viabiliza a melhor descrição da patologia, apesar de o diagnóstico definitivo das síndromes demenciais depender do exame anatomopatológico.

Conforme Charchat-Fichman, Caramelli, Sameshima e Nitrini (2005), critérios clínicos são cruciais para esse provável diagnóstico, uma vez que a identificação dos sinais remetentes às demências possi­ bilita a intervenção terapêutica, a orientação aos familiares, a redução de riscos de acidentes e a reorganização ambiental, bem como pode prolongar a autonomia do paciente ao se retardar a evolução da doença.

 

Capítulo 6 - Entrevista clínica e relação profissional com o paciente geriátrico

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Entrevista clínica e relação profissional com o paciente geriátrico

KARLA CRISTINA GIACOMIN

GUSTAVO VAZ DE OLIVEIRA MORAES

ANTONIO LUCIO TEIXEIRA

Com frequência, o encontro entre o clínico e o paciente revela o encontro de duas expectativas distintas. O primeiro, munido de um aparato técnico-científico, está interessado em reunir pistas que lhe mostrem os prováveis diagnóstico e prognóstico do segundo. Este, muitas vezes acompanhado de seus familiares, traz em linguagem própria suas vivências, seus sintomas, seus medos e suas experiências anteriores com outros profissionais, além do desejo ou do receio de confiar no outro.

Na velhice, esse encontro revela-se ainda mais desigual, pois, um profissional, via de regra não idoso, observa uma pessoa idosa. O que ele vê? O que ele experimenta ao cuidar de um ser humano na etapa final de sua vida?

Com quem o profissional se encontra? Consigo mesmo em um futuro antecipado, por vezes temido e indesejado, que evoca as irremediáveis fragilidade e finitude humanas?

 

Capítulo 7 - Rastreio cognitivo em idosos na prática clínica

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Rastreio cognitivo em idosos na prática clínica

LEONARDO CRUZ DE SOUZA

ANTONIO LUCIO TEIXEIRA

A reunião da Societé d’Anthropologie de

Paris ocorrida em 18 de abril de 1861 representa um marco na história das neuro­ ciências. Nessa ocasião, o francês Paul Broca apresentou seus achados clinicopatológicos de Monsieur Leborgne, um homem falecido aos 51 anos e que apresentava uma dificuldade de linguagem desde os 30. Ao demonstrar a associação entre o déficit cognitivo do paciente – uma afasia hoje denominada com o epônimo do médico francês – e uma lesão neuroanatômica, Broca lançou as bases do método de correlação clinicoa­ natômica, estabelecendo um pilar fundador da neuropsicologia. Embora o conhecimento neuropsicológico tenha evoluído de uma perspectiva puramente localizacionista para o reconhecimento da importância da participação de amplas redes neurais nas diferentes funções cognitivas (Catani et al.,

2012), o exame neuropsicológico na prática clínica ainda tem como paradigma a tentativa de correlacionar os déficits cognitivos do paciente a uma lesão neurológica subjacente.

 

Capítulo 8 - Testes neuropsicológicos no idoso

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Testes neuropsicológicos no idoso

CLÁUDIA MAIA MEMÓRIA

PATRÍCIA HELENA FIGUEIRÊDO DO VALE CAPUCHO

MÔNICA SANCHES YASSUDA

A avaliação neuropsicológica é um exame que avalia o funcionamento cerebral, podendo ser útil para definir a natureza e a gravidade de problemas comportamentais e emocionais resultantes de lesões ou disfunções cerebrais (Fuentes, Andrade, &

Baise, 2011). Tem como finalidade o estabelecimento de diagnóstico e prognóstico.

É composta por testes que avaliam: atenção, funções executivas, memória, linguagem, praxias, gnosias e demais habilidades associadas ao desempenho cognitivo, como a concentração, a compreensão, o raciocínio, a aprendizagem e a inteligência.

Com o aumento da expectativa de vida, é crescente a preocupação com os déficits cognitivos durante o envelhecimento, sobretudo aqueles que se associam a quadros patológicos. No envelhecimento patológico, as perdas cerebrais são de maior magnitude e resultam em incapacidades e limitações.

 

Capítulo 9 - Avaliação neurolinguística do idoso

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Avaliação neurolinguística do idoso

LETICIA LESSA MANSUR

ELIANE SCHOCHAT

MARCELA LIMA SILAGI

CAMILA MAIA RABELO

A neurolinguística ocupa-se do estudo da linguagem e suas bases neurobiológicas, em condições patológicas, como nas afasias, mas também em normais, como nos processos de envelhecimento.

O estudo do envelhecimento tem merecido amplo destaque na literatura mundial, impulsionado pelas mudanças de perfis populacionais, que se expressam tanto pelo aumento do número de idosos quanto pelo aumento de expectativa de vida (Mansur & Radanovic, 2004).

Assim, a necessidade de se conhecer o envelhecimento tem se manifestado em seus múltiplos aspectos e também na neurolinguística. O objetivo deste capítulo é analisar o envelhecimento do ponto de vista da neurolinguística, situá-lo no cenário da população brasileira, levantar métodos de avaliação e resultados disponíveis aplicados a dois casos clínicos e, finalmente, esboçar tendências na avaliação neurolinguística do idoso.

 

Capítulo 10 - Avaliação da motricidade do idoso

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Avaliação da motricidade do idoso

LEANI SOUZA MÁXIMO PEREIRA

DANIELE SIRINEU PEREIRA

MOTRICIDADE HUMANA

E ENVELHECIMENTO

A motricidade humana pode ser compreen­ dida como o conceito primordial de expressão corporal, tanto do ponto de vista orgânico como do psíquico. É caracterizada pelo movimento intencional e significativo no espaço-tempo objetivo, envolvendo consciên­ cia, percepção, aprendizagem, memória e aspectos afetivo-emocionais (Kolyniak Filho, 2002). De acordo com Pereira (2006), a motricidade é constitutiva do ser humano, uma vez que é sinônimo da intencionalidade motora a partir da sua relação dinâmica com o meio em que vive. Isso significa que

é resultado da relação recíproca e dinâmica entre fatores genéticos, funções orgânicas e cognitivas, condições ambientais e processos psicoafetivos e sociais na historicidade do indivíduo.

O envelhecimento fisiológico, a senescência, constitui um processo biológico, dinâmico, progressivo e irreversível, no qual ocorre o declínio das capacidades físicas, psicológicas e comportamentais do indivíduo. Além disso, a passagem do tempo traz consigo uma gama de experiências que determinam uma singularidade na maneira de envelhecer de cada um. O idoso pode apresentar o envelhecimento bem-sucedido

 

Capítulo 11 - Princípios de localização anatômica e neuroimagem em neuropsicologia geriátrica

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Princípios de localização anatômica e neuroimagem em neuropsicologia geriátrica

PATRICIA RZEZAK

GERALDO BUSATTO FILHO

Métodos de neuroimagem contemporâ­ neos permitem a obtenção de imagens tridimensionais, mostrando diferentes aspectos anatômicos estruturais e funcionais do cérebro humano in vivo e com grande nitidez anatômica. Tais métodos têm tido grande utilidade na ampliação do conhecimento sobre as bases neurais do declínio cognitivo observado em idosos, tanto na normalidade quanto em transtornos neurodegenerativos, como a doença de Alzheimer (DA).

NEUROIMAGEM E NEUROPSICOLOGIA

NA DOENÇA DE ALZHEIMER E NO

COMPROMETIMENTO COGNITIVO LEVE

A ressonância magnética (RM) é, hoje, a modalidade de neuroimagem mais utilizada para a avaliação in vivo de quadros demenciais, pois fornece informações detalhadas sobre a estrutura cerebral e permite uma distinção clara entre substância cinzenta (SC), substância branca e líquor. Com ela, é possível caracterizar a atrofia cerebral regional subjacente aos sintomas da DA e descartar a presença de outras lesões que podem estar na base do declínio cognitivo. Em estudos de RM, quando pacientes com DA são comparados a controles idosos

 

Capítulo 12 - Neuropsicologia do envelhecimento normal e do comprometimento cognitivo leve

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Neuropsicologia do envelhecimento normal e do comprometimento cognitivo leve

FÁBIO HENRIQUE DE GOBBI PORTO

RICARDO NITRINI

O conceito de que existe redução da capacidade cognitiva com o envelhecimento tem sido aceito como verdadeiro há muito. Entretanto, muitas doenças antigamente desconhecidas, e que causam declínio cognitivo, manifestam-se sobretudo durante o envelhecimento, de modo que se torna muito difícil discernir o que é fisiológico, decorrente do próprio envelhecimento, do que é patológico.

Existe mesmo o declínio cognitivo próprio do envelhecimento ou são as doenças que disfarçadamente o causam? A resposta a essa questão pode enveredar pelo perigoso caminho do senso comum, com a utilização de diversos argumentos que podem conduzir a uma ou outra conclusão, mas que não teriam embasamento científico. Cabe tentar responder da melhor maneira possível, utilizando o que as pesquisas recentes têm aportado.

Antes de discutirmos o que essas pesquisas têm demonstrado, vejamos alguns aspectos clínicos e neuropatológicos.

 

Capítulo 13 - Neuropsicologia das doenças degenerativas mais comuns

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Neuropsicologia das doenças degenerativas mais comuns

LEONARDO CAIXETA

PEDRO HENRIQUE PINTO

VÂNIA LÚCIA DIAS SOARES

CÂNDIDA DIAS SOARES

A neuropsicologia constitui um dos prin­ cipais instrumentos para o diagnóstico,­

­para o monitoramento da evolução do processo demencial e da resposta aos tratamentos propostos e para a programação e execução da reabilitação neurocognitiva.

Médicos e estudantes precisam ser treinados na semiologia neuropsicológica como parte do exame neurológico e psicopatológico, pois, sem esse conhecimento, sua capacitação estará incompleta, e o diagnóstico dos diferentes tipos de demência ficará seriamente prejudicado. Psicólogos e fonoaudiólogos também necessitam de formação específica em neuropsicologia. Um texto geral sobre o exame neuropsicológico encontra-se no primeiro capítulo deste livro, e aspectos específicos da avaliação neurocognitiva encontram-se diluídos em outros capítulos.

A seguir, trataremos de modo mais detalhado dos principais aspectos neuro­ psicológicos das formas mais comuns de demência em nosso país.

 

Capítulo 14 - Neuropsicologia das demências incomuns

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Neuropsicologia das demências incomuns

LEONARDO CAIXETA

PEDRO HENRIQUE PINTO

ROBERTO BRASIL

MYRIAN ORTIZ FUGIHARA IWAMOTO

A avaliação neuropsicológica nos permite avaliar e acompanhar de forma bastante abrangente o acometimento de estruturas do sistema nervoso central (SNC), bem como acessar o universo cognitivo do indivíduo. Quando bem feita, pode nos direcionar para hipóteses diagnósticas e, apesar de não ser um exame específico, é bastante sensível às alterações da esfera cognitiva do paciente, tendo caráter localizador. Essa avaliação por meio de testes bem estruturados e amplamente aceitos revela traços da doença que não podem ser acessados por exames de imagem convencionais.

Cientes da importância dessa ferramenta, realizamos uma compilação de perfis neuropsicológicos de algumas formas de demência menos frequentes e de outras muito incomuns. Vale ressaltar, porém, que os perfis neuropsicológicos aqui relatados nem sempre são aceitos universalmente, uma vez que muitas dessas doenças, por serem raras, ou apenas recentemente caracterizadas, não foram descritas do devido modo na esfera neuropsicológica, o que deixa uma lacuna no estudo de tais entidades.

 

Capítulo 15 - Neuropsicologia da doença de Parkinson e da demência com corpos de Lewy

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Neuropsicologia da doença de Parkinson e da demência com corpos de Lewy

VITOR TUMAS

A demência com corpos de Lewy (DCL) foi reconhecida como uma entidade própria há apenas cerca de 30 anos, enquanto a demência na doença de Parkinson (DDP) só começou a receber a devida atenção dos clínicos e dos pesquisadores nos últimos anos.

Cada vez mais reconhecemos a importância epidemiológica dessas doenças e o impacto que elas causam na vida dos pacientes e de seus familiares.

Para sustentar essa afirmação, vale citar que os corpos de Lewy são detectados em aproximadamente 15% de todos os casos de demência submetidos a necropsia

(Huang & Halliday, 2013; McKeith et al.,

1996) e que a demência afeta 50 a 80% dos pacientes com doença de Parkinson (DP), após 15 a 20 anos de evolução desta (Hely et al., 2008). Além disso, a DCL impinge ao cuidador uma sobrecarga superior

àquela provocada pela doença de Alzheimer

(DA) (Bjoerke-Bertheussen, Ehrt, Rongve,

 

Capítulo 16 - Neuropsicologia das doenças cerebrovasculares no idoso

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Neuropsicologia das doenças cerebrovasculares no idoso

MÁRCIA RADANOVIC

A doença cerebrovascular (DCV) é frequente na população em geral, constituindo a segunda causa de mortalidade no mundo – 9,7% dos óbitos em 2004, de acordo com a World Health Organization

([WHO], 2008). Estudos brasileiros listam a DCV ­como a primeira causa de óbito em nosso País, sendo responsável por 10% deles, ou 51,1 óbitos/100 mil habitantes (Brasil, 2009). Estima-se que a incidência de acidentes vasculares encefálicos (AVEs) no

Brasil situe-se entre 138 e 167/100 mil habitantes (Oliveira-Filho et al., 2012).

Algumas incertezas dificultam a precisão do diagnóstico de alterações neuropsicológicas decorrentes da DCV. Primeiramente, devemos ter em mente que infartos cerebrais são comuns em idosos: estudos populacionais demonstram que cerca de 25% dos indivíduos com 65 anos apresentam infartos silenciosos à ressonância magnética (RM).

(DeCarli et al., 2005). Estudos epidemiológicos em idosos cognitivamente preservados revelam que existe um aumento da ocorrência de ­infartos silenciosos e lesão de substância com o avançar da idade (Vermeer, Longstreth, & Koudstaal, 2007). Embora tenha sido encontrada associação entre o aumento de evidência de DCV em exames de neu­ roimagem e declínio em funções neuropsicológicas ligadas ao lobo frontal (atenção,

 

Capítulo 17 - Neuropsicologia dos transtornos cognitivos potencialmente reversíveis em idosos

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Neuropsicologia dos transtornos cognitivos potencialmente reversíveis em idosos

THIAGO CARDOSO VALE

ANTONIO LUCIO TEIXEIRA

As demências podem ser classificadas em degenerativas primárias, de natureza progressiva e irreversível, e em potencialmente reversíveis, na qual há um caráter progressivo, porém secundárias a uma etiologia subjacente tratável. A busca de uma causa secundária diante de quadros demenciais em sua fase inicial deve ser realizada sistematicamente na prática clínica. Embora a história clínica e o exame clínico neurológico sejam essenciais para identificar sinais de causas secundárias de demência, os exames complementares laboratoriais, de líquido cerebrospinal, eletrofisiológicos e, principalmente, de neuroimagem também têm papel relevante nesse processo (Lowenthal,

Paran, Burgos, & Williams, 2007).

Não há uma definição consensual para

“demência reversível”. Seu conceito envolve condições que cursam com declínio cognitivo suficientemente grave para preen­cher os critérios formais (p. ex., DSM-IV) de demên­ cia, mas também condições que cursam com sintomas de declínio comportamental e cognitivo, sem preencherem, no entanto, os critérios de comprometimento sócio-ocupacional. O conceito abrange ainda condições com potencial variável de reversibilidade, não implicando necessariamente em reversibilidade total. Não é possível estabelecer o grau de reversibilidade a priori, apenas após o tratamento da causa subjacente (Burke,

 

Capítulo 18 - Neuropsicologia das neuroinfecções em idosos

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Neuropsicologia das neuroinfecções em idosos

CLÁUDIO HENRIQUE RIBEIRO REIMAR

LEONARDO CAIXETA

O grupo de demências infecciosas, como um todo, tem sua prevalência mais representativa nas faixas etárias pré-senis e adultas, podendo, no entanto, ocorrer entre as crianças, adolescentes e idosos.

A importância do estudo dos aspectos cognitivos das neuroinfecções em idosos ocorre por diversos aspectos (Reimer,

Caixeta, Siqueira, Jácomo, & Ribeiro, 2010):

Os prejuízos cognitivos não necessariamente ocorrem em todos os pacientes com alguma sequela de neuroinfecção, mas algumas delas se destacam de modo especial devido à localização da lesão. Algumas das possíveis demências de etiologias infecciosas encontram-se indicadas na Figura 18.1.

n

AIDS

alta prevalência de doenças infecciosas

(e neuroinfecções) no Brasil; n maior suscetibilidade do idoso a apresentar prejuízos cognitivos como sequela de neuroinfecção; n diagnóstico diferencial das neuroinfecções com outros transtornos cognitivos senis.

 

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