Questões Sociais Desafiadoras na Escola

Autor(es): Denise L. McLurkin
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Como os professores devem abordar temas como discriminação, bullying, orientação sexual, uso de drogas, violência e diversidade cultural em sala de aula? Este guia prático prepara profissionais da educação para lidar com essas e outras questões sociais desafiadoras que fazem parte da realidade do ensino de crianças e jovens no século XXI. A partir de relatos de situações reais vividas por professores, Denise L. McLurkin discute questões complexas, trazendo conselhos e sugestões de docentes experientes sobre como trabalhar esses temas em sala de aula. Esta obra é um excelente ponto de partida para refletir sobre questões sociais contemporâneas e aprimorar as práticas de ensino no dia a dia, trazendo o debate para dentro da escola.

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Capítulo 1 - Crianças com necessidades especiais

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Crianças com necessidades especiais

De jeito nenhum!

Caio no sofá, provo meu chá, fecho os olhos e respiro fundo. Enrolada na colcha que minha mãe fez quando me formei na graduação, estou vestindo meu pijama e meias folgadas e aconchegantes. Sinto-me tão tranquila. Se ao menos o ambiente fosse assim em minha sala de aula. Educar é muito mais difícil do que eu esperava. Não me entenda mal, gosto de dar aula para o 4o ano, mas, com o planejamento de aulas, a correção dos trabalhos e todo o resto, estou exausta. Sei que é o começo do ano letivo, e todos em minha equipe, professores há mais de 10 anos, asseguraram-me que melhora. Mas nesta noite estou cansada, e não é fácil.

Sobre minha mesa estão as pilhas de testes de ortografia e de matemática e seis diários que eu trouxe para casa para corrigir. Tomo outro gole de chá e espero o líquido quente acalmar minha garganta. Então, me inclino e pego os testes de ortografia. Olho para o relógio e ele marca 20h30min. “Droga!”, penso. “Provavelmente não vou conseguir me deitar antes das 23h de novo”. Respirando fundo, pego minha caneta verde e começo a dar as notas. Quando chego ao teste de

 

Capítulo 2 - Multiculturalismo

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Multiculturalismo

Índio ou indiano?

“Espera aí”, Ryland diz quando eu o chamo. “Não vai ter peru recheado na festa?” Ele franze o nariz e faz beiço. Tentar explicar para uma sala cheia de crianças pequenas que teremos um jantar tradicional de Ação de Graças* igual ao dos peregrinos e ameríndios é bem complicado. “Acredito que iremos nos divertir.”

Digo para a turma: “Lembrem-se, a ideia não é comer bastante, mas aprender mais sobre as culturas representadas e sobre como foi o primeiro dia de Ação de Graças”. Ryland, ainda de braços cruzados e sem parecer convencido, murmura: “Mesmo assim quero peru recheado”.

Chelsea, a professora que trabalha comigo, interrompe e diz: “A maioria de vocês terá peru recheado no dia de Ação de Graças comemorado com suas famílias.

Mas, na nossa família escolar, apreciaremos as comidas do primeiro jantar de Ação de Graças”. Ela olha para o tapete onde as duas turmas estão sentadas e diz: “Alguém mais quer fazer perguntas?”. Noelle levanta sua mão e diz: “Nós seremos os peregrinos ou os índios?”. Chelsea diz: “Minha turma será os peregrinos, e a da Sra. Lowell será os nativos”. Noelle levanta sua mão novamente e diz: “Sra. Lowell, a gente pode usar penas no cabelo e maquiagem?”. Respondo: “Podem, não vejo problema algum”.

 

Capítulo 3 - Discriminação

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Discriminação

Qualquer pessoa, menos ela

“Margô, Margô”, digo, “Pare de brincar com o aquário, por favor”. Margô está sentada na fila da frente perto da minha mesa, onde se encontra o aquário, e batendo nele com o dedo. Acho que está tentando chamar a atenção de algum peixe porque não para de dizer “Aqui, peixinho, aqui, peixinho”. “Sr. Pardue”, ela diz, “o peixe não vai vir até mim se eu não bater no aquário”. “Margô”, digo pela enésima vez hoje,

“Você não precisa se preocupar com o peixe porque deveria estar lendo seu livro agora. Então, por favor, sente, pegue seu livro e comece a ler”. Olho para o cronômetro e me pergunto quantas vezes terei de chamar sua atenção novamente. Temos apenas 10 minutos para o tempo de leitura individual. Margô pega seu livro, zangada. Porém, ela ainda observa o peixe e se inclina sobre o aquário. “Margô”, digo antes que ela comece a bater novamente. “Eu sei, Sr. Pardue”, ela diz, “Comece a ler!”.

No começo do ano letivo, soube por meio de Maxine Holloway, a professora de Margô no 5o ano, que ela me daria trabalho. Segundo Maxine, “Nunca tive, em todos os meus 27 anos de trabalho, um aluno que simplesmente não conseguisse prestar atenção. Sério, é incrível a dificuldade dela em se concentrar”. Depois dessa conversa, conferi o histórico escolar de Margô, e todos os seus professores anteriores relataram características semelhantes – “boa menina, mas com dificuldade para se concentrar”, “ótima presença em sala de aula, mas precisa que lhe chamem a atenção todo o dia”, “Margô é uma menina inteligente. Gostaria que ela conseguisse se concentrar mais nas tarefas de aula em vez de em todo o resto que acontece a sua volta”. Muitas e muitas vezes, professores, funcionários da secretaria, a enfermeira, os atendentes da cafeteria e os supervisores do pátio relataram que Margô era uma boa menina que frequentemente tinha problemas por não conseguir se concentrar.

 

Capítulo 4 - Aprender inglês

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Aprender inglês

Podemos conversar?

Ao sair da sala dos professores e me dirigir à minha sala para preparar a aula, escuto alguém me chamando. Quando me viro, vejo a Sra. Conrad, secretária da escola, esperando por mim. “Sim”, respondo, parando. A Sra. Conrad respira fundo e diz: “Não sei se você percebeu, mas hoje terá um novo aluno”. Busco, atrapalhada com as correspondências que carrego, minha pasta com a chamada.

Abro-a e vejo um novo nome no final da lista – George Parlan.

“Ah”, digo, “O que você pode me dizer sobre George?”. A Sra. Conrad me olha e diz: “Bem, sua família é das Filipinas. Não sabemos bem se ele frequentou a educação infantil lá, então você precisará lidar com isso. O que sabemos é que ele fala muito pouco inglês”. Ela pausa e, então, continua: “Aliás, a senhora que veio com a mãe dele disse que ele só sabe falar banheiro, água e não”.

Olho para a Sra. Conrad preocupada. “Por favor, desculpe a minha ignorância, mas você sabe que língua se fala nas Filipinas?”. Ela responde: “tagalo”.

 

Capítulo 5 - Uso da língua não culta

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Uso da língua não culta

Apenas inglês

Admiro como minha sala de aula está bonita. Os retratos das crianças estão pendurados em um dos quadros de aviso. O Sr. Manchego, pai de um dos meus alunos do 2o ano, é artista e se dispôs a ajudar as crianças com seus retratos.

Embaixo de cada um, as crianças escreveram várias informações interessantes sobre elas mesmas. Descobri o que gostam de comer, o que fazem fora da escola e o que gostam de ler. Observo o resto da sala. O aquário está limpo e, finalmente, conseguimos tirar todas as manchas de tinta das mesas. Também observo a biblioteca da sala com orgulho. Neste ano, dediquei-me a diversificar os livros e as revistas. Há livros escritos em diferentes línguas, sobre diferentes culturas e com diferentes estruturas familiares. Enquanto continuo observando o resto da sala, ainda vejo biscoitos laranjas no tapete perto dos escaninhos, mas Johnny, o zelador, garantiu-me que resolverá isso.

Quando sento para arrumar minha mesa, ele entra na sala com um aspirador.

 

Capítulo 6 - Analfabetismo funcional

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Analfabetismo funcional

O diretor executivo

“Que horas é a oficina amanhã?”, pergunto a Alexander, outro professor do

2o ano. Ele responde: “Sei lá!”. Virando-se, ele se dirige a Maria, a outra professora do

2o ano, “Maria, que horas é a oficina amanhã?”. Pensando, Maria diz: “Começa às 9h”.

Alexander se vira, olha para mim e pergunta: “Que horas você acha que devemos sair daqui?”. Levanto os ombros, “Realmente não sei”. Maria faz o mesmo gesto e diz:

“Também não sei”. Eu recém me mudei, então não conheço muito bem esta área.

Nesse momento, lembro que o folheto da oficina de desenvolvimento profissional sobre ensino de vocabulário está em minha caixa de correio. Olho para Alexander e

Maria e digo: “Ah, não se preocupem. Tenho o folheto na minha caixa de correio com o endereço e posso olhar um mapa na internet para saber que horas devemos nos encontrar aqui”. Pensando um pouco mais, digo: “Mas, por enquanto, vamos deixar marcado às 8h”. Maria e Alexander concordam. “Nos mande uma mensagem com a hora.” Enquanto saem da sala dos professores, gritam “Obrigado”.

 

Capítulo 7 - Identidade de gênero

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Identidade de gênero

Quando eu era menina

“1, 2, 3...” Canto para os meus alunos do 2o ano levantando três dedos.

Embora ainda estejamos no início do ano letivo, eles já sabem que esse sinal significa que quero total atenção. Quando param o que estavam fazendo e me olham com suas mãos sobre os ombros, reconheço seu bom comportamento com um aceno de cabeça e um leve sorriso. Ao sentir que todos estão prestando atenção, anuncio: “É hora de limpar nossos núcleos de alfabetização. Então, é isso que quero que façam”, digo, caminhando até a tabela com a lista de nomes de quais crianças estavam em qual grupo e quando. “Quero que coloquem em ordem os núcleos de alfabetização onde estavam.” Então, o grupo de Marcus limpará a Cafeteria, o de Wilhem limpará o Correio, o de Maria limpará o grupo de leitura Chicka Chicka Boom Boom, o de

Pamela limpará a Escola de Arquitetura Frank Lloyd Wright e o de Celine limpará o Museu Metropolitano de Arte. Quando me viro, coloco na terceira música do CD e anuncio: “Vocês têm cerca de 4 minutos e meio para limpar seu grupo. Quando terminarem, encontrem-me no tapete. Podem começar”. Meus alunos do 2o ano começam a limpar ouvindo sua música favorita. Eles sabem que, quando a música acabar, precisam ter terminado qualquer tarefa que estiverem fazendo e devem sentar em seus lugares no tapete. Enquanto caminho pela sala, vejo que eles con­ versam, mas continuam arrumando seus núcleos.

 

Capítulo 8 - Orientação sexual

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Orientação sexual

Não é contagioso

“Minha festa será na Yoyo's Fantastic Playhouse”, diz Miriam empolgada, e meus outros alunos do 3o ano respondem, “Nooossa!”. Miriam continua: “Vai ter pizza, sorvete, bolo, balões e tudo mais”. Olho em volta e vejo rostos sorridentes.

Embora eu não conheça a Yoyo’s Fantastic Playhouse, ouvi comentários positivos sobre o lugar. Minhas sobrinhas e meus sobrinhos adoram as pequenas montanhas russas, os jogos e a comida. Quando Miriam termina de descrever a festa, pergunto:

“Alguma dúvida?”. Jose levanta a mão: “Você vai ganhar da sua mãe um monte de fichas para jogar vários jogos e ganhar um monte de tíquetes?”. Miriam balança a cabeça: “Sim. Eles me disseram que me darão 50 fichas para eu tentar ganhar o coelhão cor-de-rosa”. Novamente, todos dizem em coro, “Nooossa!”.

Olho para a turma e pergunto: “Alguma outra dúvida?”. Sarah levanta a mão,

“Quem você vai convidar?” Miriam olha em volta e diz: “Eu posso convidar toda a turma”. Eu lhe alcanço os convites que suas mães me entregaram nesta manhã para distribuir à turma. Quando ela começa a caminhar pela sala e entregar os convites,

 

Capítulo 9 - Bullying

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Bullying

Eu simplesmente não aguento mais

“Sra. Stevens”, diz Danny, um aluno do 5o ano que é tímido e acima do peso, enquanto pego meu apito, “Eu poderia ser o juiz do jogo de softball?”. Sempre que começa a aula de educação física, ele se oferece para ser juiz. “Danny”, digo, “É importante que todos se exercitem. Então, você precisa entrar em um time, como todo mundo”. Danny perambula, olhando para o chão. “OK, turma”, digo, “Vamos fazer uma fila para a educação física”.

“Hmm”, diz Justin respirando fundo, “Eu escolho a Violet”. Posso ouvir o outro time resmungando baixinho. “Com licença”, digo, “vocês sabem que vou guardar o equipamento de softball e que vamos voltar para a sala de aula se eu ouvir isso de novo”. Justin e Samantha, a capitã do outro time, tentam silenciar seus colegas. “OK, Samantha”, continuo, “quem você escolhe?”. Samantha pensa um pouco e diz: “Acho que Sylvester”. Vejo que o time de Justin está bem chateado, mas eles sabem que posso acabar com o jogo de softball antes mesmo que comece. “OK, e Danny, você está no time de Justin.” Danny não levanta a cabeça. Percebo que está envergonhado. Odeio essa parte da educação física.

 

Capítulo 10 - Abuso infantil

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Abuso infantil

Que menino!

“Meninos!” Sopro o apito e, então, grito para o grupo de alunos do 3o ano perto do escorregador, “Por favor, saiam do caminho para que Justin possa descer com segurança”. Shawn, um dos meus alunos do 2o ano do ano passado, faz sinal positivo e grita: “Sem problema, Sra. Merritt”. Então, abre um grande sorriso e ele e seus amigos se afastam para o lado do escorregador.

Enquanto observo as crianças durante a supervisão do pátio, cuido para não ficar de costas para os brinquedos. Lembro-me de quando ainda não tinha me formado e uma de minhas amigas, Morgan, também professora em formação, não conseguiu evitar que uma criança pulasse de cima do escorregador e quebrasse o braço e a perna porque ela estava de costas falando com outros alunos. Quando chegou o momento de preencher o relatório oficial, ela não podia relatar nada, pois não havia visto nada. Mas não me entenda mal. Sei que professores não têm olhos nas costas, mas Morgan ainda tem problemas e se sente culpada por causa desse

 

Capítulo 11 - Abuso sexual

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11

Abuso sexual

Não coma os cachorros-quentes!

“Isso é tão legal”, diz Melanie Miller. Melanie é a mãe voluntária da turma e é uma pessoa muito criativa e querida. Todas as festas deste ano foram ótimas.

Se a sua filha, Stephanie, disser que deseja que os amigos tenham uma piñata,*

Melanie fará uma piñata. Enquanto observo a área do piquenique em nosso parque local, fico impressionada com sua capacidade de organização. Todos os pais que se dispuseram a ajudar sabem exatamente o que devem fazer, e as crianças estão se divertindo com jogos, cantando músicas e procurando os objetos de sua gincana. Tudo o que precisei fazer foi comparecer e trazer as crianças com segurança. Que mordomia!

Melanie diz: “Sra. Chan, acho que vamos aprontar os cachorros-quentes, os hambúrgueres e os sanduíches vegetarianos para as crianças”. Fico novamente impressionada. “Você se lembrou até de fazer sanduíches vegetarianos?”, pergunto.

Melanie sorri e diz: “Stephanie me contou que Jamal e Katie são vegetarianos e insistiu que eu trouxesse coisas que eles também pudessem comer”. Concordo com a cabeça e vou até a área dos brinquedos encontrar meus alunos do 2o ano. Eles estão se divertindo tanto. “Sra. Chan”, ouço Corrine dizer, “Venha brincar com a gente, por favor”. Caminho até os balanços e sento em um. A maioria dos meus alunos ri quando começo a me embalar com as pernas. “Nossa”, diz Samantha,

 

Capítulo 12 - Violência

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Violência

Brincadeira infantil

“Bom dia, turma”, digo para os alunos da pré-escola sentados no tapete.

“Bom-dia, Sr. Frazier”, eles respondem. Muitas pessoas se chocam ao ver um homem de mais de 1,90m de altura dando aula na educação infantil, mas é uma fase tão importante na vida das crianças, eu me sinto obrigado a dar aula para essa idade.

“Todos colocaram o seu dever na caixa do dever de casa?”, pergunto. Vejo a maioria das mãozinhas levantadas. “Aqueles que ainda não colocaram, por favor, vão até seus escaninhos e coloquem o dever na caixa.” Vários alunos que esqueceram se levantam e colocam suas pastas ali. Eles demoram um pouco para se acostumar com as novas rotinas.

“Oi, Sr. Frazier”, diz Bianca entrando atrasada na sala. “Aqui está meu bilhete de atraso.” “Os atrasos de Bianca estão cada vez mais frequentes”, penso. Quando estou prestes a fechar a porta, a mãe de Bianca entra na sala e entrega para a filha uma folha de papel. “Aqui, querida, você esqueceu o dever de casa.” Bianca logo pega seu dever, vai até seu escaninho e, então, se lembra da nova rotina. Ela silenciosamente coloca seu dever na caixa dos deveres de casa e se senta com o resto da turma no tapete. Viro-me e digo: “Sra. Johnson, eu gostaria de falar com você sobre...” e minha voz fica quase inaudível quando percebo que está com um olho roxo e que seus lábios estão inchados. Ela logo coloca seus óculos e diz: “Sei que ela tem se atrasado, Sr. Frazier. Meu marido mudou de trabalho e estamos tentando acertar as coisas”. Ela abana para Bianca e sai da sala.

 

Capítulo 13 - Religião

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Religião

Eu não faço a oração

“Está muito quente lá fora”, digo para os alunos do 4o ano enquanto se organizam. Seus rostos avermelhados e cabelos suados confirmam minha afirmação.

“Sra. Connors”, diz Tatiana, “Será que daria para cozinhar um ovo no chão?”. Alguns alunos param o que estão fazendo e olham para ela. “Eu vi em um desenho animado.

Aposto que funcionaria”. Digo para os alunos: “Isso me soa como um projeto de ciências. Teremos de pensar muito sobre isso e realizar esse projeto em uma aula”.

A maioria começa a vibrar com a ideia. Enquanto descansam, inicio o momento de leitura em silêncio. Dou 20 minutos, todos os dias, no início da aula, para que peguem sua leitura preferida e leiam antes de começarmos a aula de língua inglesa.

Penso que isso permite que os alunos reflitam, preparem-se para a aula, relaxem e façam algo que dá prazer à maioria deles. Esse momento também me dá um tempo para fazer a chamada, a contagem dos alunos após o almoço, recolher os deveres de casa, ler recados dos pais e todas as outras coisas que um professor deve fazer.

 

Capítulo 14 - Pobreza

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Pobreza

Chega de livros

“Sr. Wallis”, diz Greg, “Posso levar o livro da biblioteca para o recreio? Estou numa parte muito boa”. Olho para ele e digo: “Sem problema, querido. Só cuide bem do livro porque custa caro para substituir”. Greg responde, ao sair rapidamente da sala com seu livro: “Obrigado, Sr. Wallis”.

A maioria dos meus alunos do 5o ano gosta de ler. Porém, nunca vi um aluno que gostasse tanto como Greg. Ele se empolga muito com ficção científica, não ficção, mistérios, poesia, histórias com humor, histórias sérias... seja o que for, ele adora. Gostei muito de sua decisão de retirar, na biblioteca, livros com imagens para ler para seu irmão mais novo em casa. “Sr. Wallis”, ele escreveu em seu diário. “Não temos muito dinheiro, então não temos livros em casa. Eu gostaria de começar a retirar livros para crianças pequenas, porque meu irmãozinho adoraria que eu lesse para ele. Ele tem adorado livros com trens, caminhões, carros e leões. Vou tentar achar alguns desses livros quando formos para a biblioteca na quarta-feira.” Então, embora ele adore retirar livros para si mesmo, também se dispôs a sacrificar um dos três livros a que tem direito para retirar um para seu irmão.

 

Capítulo 15 - Gangues

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Gangues

Farinha do mesmo saco

“Sra. Watson”, ouço minha diretora, Dra. Elliott, dizer, “você está disponível agora para uma conversa rápida?”. Deixo de olhar minhas correspondências e pergunto: “Eu poderia apenas ir ao banheiro antes?”. Ela ri e responde: “Sem pro­ blema. Depois me encontre na diretoria”.

Essa é minha rotina após as aulas. Conferir as correspondências, conferir os recados de telefonemas e ir ao banheiro. Após lavar minhas mãos, vou à sala da Dra.

Elliott. Bato levemente na porta, e ela me autoriza a entrar. “Como posso ajudar a senhora?”

Ela responde: “Eu adoro essa sua hospitalidade comigo, típica do sul. Minha mãe é do

Mississippi e ela sempre insistiu que disséssemos ‘senhora’ e ’senhor’ para demonstrar respeito”. E continua: “Você ensina essas boas maneiras aos seus alunos do 4o ano?”. Penso um pouco e nego com a cabeça. “Na verdade, nem penso sobre isso. Talvez devesse”, falo sinceramente. “Você realmente deveria”, diz a Dra. Elliott, concordando.

 

Capítulo 16 - Uso de drogas

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Uso de drogas

Ficar bonita

“Meninas”, digo para April, Amanda, Brittany e Chelsea, que estão no fundo da sala de aula, “se vocês não guardarem as escovas, os batons e os espelhos, eles vão para minha mesa e seus pais terão de vir à escola retirá-los”.

April olha para mim e diz: “Mas Sra. Crane, está quase na hora do almoço. Eu tenho que ficar bonita”. As outras meninas começam a rir junto com April.

Balanço minha cabeça e digo: “Eu entendo, mas vocês precisam esperar até o intervalo ou horário do almoço para se escovarem”. Carlton, que está sentado à mesa ao lado da delas, interrompe, debochando: “Se escovarem”. Ele dá uma risada e diz: “Eu pensei que só cachorros eram escovados”. Vários dos meninos de sua mesa o cumprimentam batendo os punhos, e ouço Johnny dizer: “Então, a Sra. Crane está certa. Só os cachorros são escovados”. E então toda a última fileira cai na risada. Para retomar o controle da sala de aula, digo rapidamente:

“Só por isso, Johnny, sua mesa acaba de perder 100 pontos”. Ponho as mãos nos quadris e lanço um olhar severo. Posso ver em seus rostos que eles não gostaram nem um pouco e estão desapontados. Então, me viro levemente e corrijo a tabela de pontos no quadro branco. Agora toda a turma ficou quieta.

 

Capítulo 17 - Alcoolismo

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Alcoolismo

Aprendi com eles

“A ‘Noite da Volta às Aulas’ é tão estressante para mim”, diz Yvonne na sala dos professores. Yvonne leciona para o 2o ano do ensino fundamental há 15 anos.

Geraldine, uma professora que começou a trabalhar este ano, parece surpresa. “Achei que com o tempo ficaria mais fácil”, ela diz com ingenuidade. Yvonne balança a cabeça, indicando que não. “Mas você dá aulas há tanto tempo... Você já deve ter aprendido como manter baixo o nível de estresse”, insiste Geraldine. Yvonne pensa durante um minuto e, por fim, responde: “Não mesmo. Cada ano é diferente. E eu sempre fico estressada”. Após alguns segundos de silêncio, Yvonne continua. “Mas o motivo pelo qual me estresso é diferente a cada ano. Ele nunca é o mesmo”. Os outros professores veteranos presentes na sala balançam a cabeça, concordando com Yvonne.

Geraldine olha para mim. “Bob, o que você preparou para a Noite da Volta

às Aulas? Você escreveu um discurso? Já decidiu o que vai vestir?” “Uau”, penso.

 

Capítulo 18 - Divórcio

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Divórcio

As crianças se adaptam tão rapidamente!

“Não consigo acreditar que Beverly tenha esquentado seu peixe no micro-ondas”, me diz Jéssica. “Odeio o cheiro de peixe”. Olho para Jéssica e digo: “Pelo menos o almoço dela é saudável”. Nós duas rimos, debochando do almoço da

Jéssica: um enorme sanduíche, batatas fritas, biscoitos e refrigerante. Não sei como ela consegue comer um almoço tão pesado e se manter acordada de tarde. Nesse exato momento, Bill, outro professor, vem da secretaria e pulveriza um aromatizador de ar por toda a sala dos professores. “Ainda bem que Beverly foi ao banheiro”, digo a Jéssica, “Talvez ela ficasse magoada ao saber que todo mundo acha que seu almoço apresenta mau cheiro”.

Após alguns minutos almoçando em silêncio, Jéssica interrompe meus pensamentos ao perguntar: “Então – o que vocês todos vão fazer hoje de tarde,

Melissa?”. Engulo um bocado de minha salada e digo: “Vamos estudar ciências e escrever nossas cartas à gerente da Hometown para lhe agradecer por doar os materiais para nossa campanha de coleta de fundos para a escola”�. Hometown, um mercado do bairro, doou suco de laranja, lanches e frutas para todos nossos alunos do 3o ano que participaram da campanha de conscientização sobre o diabetes infantil. Nossos alunos conseguiram levantar 1.276,50 dólares para a Fundação do

 

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