Educar por Competências

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Este livro reúne alguns dos mais importantes educadores da realidade e apresenta discussões sobre os novos rumos da educação por competências.

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Capítulo 1. Dez teses sobre a aparente utilidade das competências em educação

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1

Dez teses1 sobre a aparente utilidade das competências em educação

José Gimeno Sacristán

A consciência da complexidade nos faz compreender que não poderemos escapar jamais da incerteza e que jamais poderemos ter um saber total:

“a totalidade é a não verdade”.

(Morin, 1994, p. 101)

Há uma grande tradição de planejamentos, práticas e realização de experiências educacionais que utiliza o conceito de competência para denominar os objetivos dos programas educacionais, entender e desenvolver o currículo, dirigir o ensino, organizar a aprendizagem das atividades dos alunos e enfocar a avaliação dos mesmos. Representa uma forma de identificar aprendizagens substantivas funcionais, úteis e eficazes. Os planejamentos que têm o construto competências como base ou referência costumam ter em comum alguns traços definidores:

1. Reagem às aprendizagens academicistas frequentes das práticas educacionais tradicionais que não tenham o valor de agregar capacitação alguma ao sujeito porque, memorizadas e avaliadas, se perdem na memória ou ficam como mera erudição. A organização da aprendizagem por competências pretende consolidar o que se aprende, lhe dando algum tipo de funcionalidade. Assim, se um idioma estrangeiro é ensinado, se deve fazê­‑lo de modo que traga melhora à capacidade de falá­‑lo e compreendê­‑lo, para que aqueles que aprendem essa competência sejam proficientes, fim natural, por outro lado, da introdução de idiomas no currículo escolar. Como hoje isso não acontece normalmente nos sistemas escolares, o enfoque nas competências orienta o ensino de maneira que tal competência linguística seja aprendida e melhorada com a prática. As experiências

 

Capítulo 2. Competências ou pensamento prático? A construção dos significados de representação e de ação

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Competências ou pensamento prático?

A construção dos significados de representação e de ação

Ángel I. Pérez Gómez

Além disso, no mundo do século XXI, o conteúdo é tão abundante que se torna um pobre sustento para assentar o sistema educacional. Ao contrário, o contexto e o significado se tornam mercadorias desejadas, tão escassas quanto relevantes. Por isso, o propósito atual da educação se concretiza na ação de ajudar os alunos a se comunicarem com as outras pessoas, encontrar informação adequada e relevante para a tarefa empreendida, e a serem coaprendizes e parceiros dos professores e dos colegas em diversos cenários e comunidades de aprendizagem que transpassam os muros da escola.

(McCombs, 2007)

O termo competências tem para mim a imagem de uma serpente sinuosa que acompanhou minha vida acadêmica desde meus primeiros contatos com o território da pedagogia como estudante no final dos anos de 1960 até os dias atuais. O réptil sedutor apareceu poderoso nas primeiras aulas que recebi na disciplina de Didática com a aparência da melhor vestimenta científica amparada pelo condutismo (Skiner, Thorndike, Bloom, Popham...), dominando orgulhosamente a cena educacional até começo dos anos de 1980. Desapareceu em um longo e calmo inverno, embora com efeitos sempre presentes, até seu despertar atual sob as propostas, entre as quais, as da OCDE. O termo

 

Capítulo 3. A cidadania se torna competência: avanços e retrocessos

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3

A cidadania se torna competência

Avanços e retrocessos

Juan Bautista Martínez Rodríguez

Por que era preciso criar a disjunção entre família e cidade?

Para impedir que a igualdade democrática se infiltrasse na vida privada.

Geneviève Fraisse (2003, p. 144)

A incorporação das competências básicas no currículo, apesar de na Espanha se dar de forma precipitada e de maneira parcial no desenvolvimento da Lei Orgânica da Educação (LOE), e de maneira geral no âmbito universitário, é um primeiro passo para aproximar o sistema educacional espanhol

às exigências internacionais que, por um lado, são de inclinação europeia do sistema educacional e, por outro, de orientação em direção à aprendizagem.

Ambas as decisões ou tendências devem ser analisadas em nosso contexto para identificar de que maneira afetam as decisões curriculares e quem as adotam. Ao mesmo tempo, o governo espanhol assume na legislação (Lei

Orgânica de Educação 2/2006, de 3 de maio) as conclusões dos organismos internacionais, a OCDE e a Comissão Europeia, e se incorpora ao programa para a avaliação internacional dos alunos da própria OCDE (PISA) sobre o ensino e a aprendizagem das competências básicas, como um meio para melhorar a qualidade e a equidade do sistema educacional. (Incorporar as competências básicas ao currículo nasce – de novo – com o olhar em direção

 

Capítulo 4. Evitando o debate sobre a cultura no sistema educacional: como ser competente sem conhecimento

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4

Evitando o debate sobre a cultura no sistema educacional

Como ser competente sem conhecimento

Jurjo Torres Santomé

D

esde finais da década de 1980 é muito comum ver como foram introduzidos conceitos e filosofias novos nos documentos oficiais que regulam nosso sistema educacional, muitos deles de enorme interesse, mas que sempre terminam em meros slogans, desfigurando por completo seu significado e as funções que se espera que desempenhem. Expressões como autonomia pedagógica, currículo aberto e flexível, currículo e aprendizagem construtivista, projeto curricular da escola e da aula... são um bom exemplo de algumas políticas educacionais vindas do Ministério da Educação*, mas sem a verdadeira implicação e participação de seus destinatários, de maneira especial, os professores. Pensa­‑se que basta introduzir nas legislações determinados conceitos, apresentando­‑os como mais atuais e relevantes, para que o corpo docente se sinta estimulado a adotá­‑los; que modifique todas as suas práticas e rotinas, e até mesmo seus conhecimentos adquiridos e reconstruídos durante seus anos em sala de aula, pela influência dessas novas filosofias.

 

Capítulo 5. O desejo de separação: as competências nas universidades

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O desejo de separação

As competências nas universidades1

Félix Angulo Rasco

Porque o costume, na verdade, é um mestre violento e traidor. Estabelece em nós, pouco a pouco, às escondidas, sua autoridade; no entanto, por meio desse suave e humilde início, uma vez assentado e implantado com a ajuda do tempo, imediatamente descobre em nós um rosto furioso e tirânico, contra o qual não nos resta sequer a liberdade de levantar os olhos.

Michel de Montaigne. Ensaios

Não deixa de me assombrar como algumas ideias ou algumas tendências se agarram, com bastante profundidade, nas práticas, pelo menos superficiais, de certas instituições e de seus membros responsáveis. Não importa o nível intelectual dos grupos e indivíduos ou da força, digamos assim, “burocrática” de sua estrutura organizacional; uma vez introduzida se estende e chega a ser adotada como um pensamento e uma prática comum. Quando isso ocorre não se costuma ir à origem da ideia, nem sequer se analisa com detalhe seu substrato racional e muito menos nos questionamos sobre o que tem de razoável. Não apenas aderimos à ideia, e a aderimos a nosso vocabulário e nossa ação, como também esperamos que novas propostas nos ajudem a melhorar a maneira como devemos adotá­‑la. Um desses casos é, a meu entender, o movimento em prol das competências em educação e, especialmente, na educação superior.

 

Capítulo 6. Avaliar a aprendizagem em um ensino centrado nas competências

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Avaliar a aprendizagem em um ensino centrado nas competências

Juan Manuel Álvarez Méndez

As pessoas aprendem não porque se lhes transmita a informação, mas sim porque constroem sua versão pessoal da informação.

Rita Levi­‑Montalcini1

Em contextos educativos, a avaliação é chamada a desempenhar funções essencialmente formativas. Isso quer dizer que a avaliação deve estar a serviço de quem aprende e, ao fazê­‑lo, simultaneamente estará a serviço de quem ensina. Os dois serão os beneficiados diretos da ação pedagógica. Em torno dessa ideia básica articulo a exposição de minhas ideias.

Do poder da retórica discursiva e os efeitos da verdade

A expressão “ensino centrado em competências” encerra mais uma aspiração que um conceito com significação clara. Com ela, criou­‑se a necessidade de mudança. Sente­‑se a urgência de melhorar os sistemas educacionais – em um mundo globalizado as reformas são transnacionais – e a primeira tentação, talvez o caminho mais fácil de concretizar a aspiração que há no fundo, seja a de propor novas reformas, antes de avaliar as precedentes, e antes de conhecer o que funciona bem e o que não funciona no atual estado do sistema educacional ou o que impede que o que as outras reformas prometiam chegue a ser implementado.

 

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