Saberes e Incertezas Sobre o Currículo

Visualizações: 305
Classificação: (0)
José Gimeno Sacristán, professor e autor de diversas obras paradigmáticas sobre currículo, reúne, em Saberes e incertezas sobre o currículo, um grupo de destacados pensadores que oferecem ao leitor uma reflexão sobre os pressupostos nos quais se baseia a organização do currículo, bem como sobre os elementos e as fases de seu desenvolvimento.Partindo de um panorama de como era entendido o papel do currículo no passado e de como ele é visto hoje, os autores apresentam ideias, análises e propostas que, de forma ordenada, resultam dos consensos, das polêmicas e dos dilemas que devem ser levados em conta em uma educação democrática, atualizando a discussão sobre o tema.

FORMATOS DISPONíVEIS

28 capítulos

Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta

Capítulo 1 - O que significa o currículo?

PDF Criptografado

1

O que significa o currículo?

José Gimeno Sacristán

Universidade de Valência

À

s vezes, tornamos as coisas um tanto complicadas para entender sua simplicidade óbvia; em outros casos, elas parecem ser simples, e perdemos de vista sua complexidade. Temos uma sensação contraditória ao falar do currículo, pois sentimos, por um lado, a necessidade de simplificar para que nos façamos entender, o que nos transforma em seus promotores. Nesse sentido, afirmamos que o currículo é algo evidente e que está aí, não importa como o denominamos. É aquilo que um aluno estuda. Por outro lado, quando começamos a desvelar suas origens, suas implicações e os agentes envolvidos, os aspectos que o currículo condiciona e aqueles por ele condicionados, damo-nos conta de que nesse conceito se cruzam muitas dimensões que envolvem dilemas e situações perante os quais somos obrigados a nos posicionar.

A potencialidade reguladora do currículo

O conceito de currículo tem sua história, e nela podemos encontrar vestígios de seu

 

Capítulo 2 - Política, poder e controle do currículo

PDF Criptografado

2

Política, poder e controle do currículo

Francisco Beltrán Llavador

Universidade de Valência

O

título poderia sugerir que uma coisa

é o currículo e outra a política, o poder e o controle que estes possuem em relação a ele; o que não fica claro – depende da leitura feita – e se é o próprio currículo que “possui” política, poder e controle

(e logo falaremos se essas são características que o currículo pode ter ou ações relativas às características com as quais se está comprometido), ou seja, se ele cumpre um papel ativo a partir desses pressupostos ou então – uma segunda possibilidade – se o currículo está submetido a processos políticos, ações de poder e mecanismos ou dispositivos de controle; em outras palavras, se ele cumpre um papel passivo. O sentindo coloquial que se continua atribuindo com maior frequência a essa expressão é justamente o primeiro: que o currículo está submetido ao jogo das três forças que lhe antecedem no título. Mas é tão imprópria uma explicação restritiva quanto a outra: o currículo, uma vez que acaba sendo formado por esses três (por ora, os chamemos de agentes), converte-se em um fator que, na transformação, adquire a capacidade de atuar em nome de um ou de outro. Como

 

Capítulo 3 - As forças em ação: sociedade, economia e currículo

PDF Criptografado

3

As forças em ação: sociedade, economia e currículo

Mariano Fernández Enguita1

Universidade de Salamanca

P

or trás do termo currículo, há dois pressupostos que é preciso explicitar. Primeiro, que não falamos de aprendiza­ gem, e sim de ensinamento, isto é, de uma ação consciente, deliberada e encaminhada para que a aprendizagem siga certas pautas e alcance certos objetivos. Segundo, que tal ação acontece fora das instituições primárias, ou seja, não como resultado inevitável nem como um anexo voluntário das funções próprias destas: a criança na família de origem, a sobrevivência e a reprodução na família de destino, a exploração da terra ou a defesa coletiva na comunidade de um povoado, etc.; que se trata, em contraste, de uma ação independente realizada em uma instituição específica (a escola) por agentes cuja função social é apenas essa (os docentes). Podemos, obviamente, forçar o sentido da palavra: quem se propõe a aprender por conta própria, por exemplo, a andar de bicicleta, pode estabelecer seus objetivos, uma sequência e, portanto, um currículo: primeiro, começar os impulsos com as pernas abertas, na continuação, pedalar, depois frear e se sustentar com um pé no chão, etc.; obedecer aos 10 mandamen­

 

Capítulo 4 - Currículo, justiça e inclusão

PDF Criptografado

Currículo, justiça e inclusão

4

Jurjo Torres Santomé

Universidade de La Coruña

A

presente crise econômica mundial é um bom momento para repensarmos para que tipo de sociedade estamos nos encaminhando, dado o enorme e autoritário poder das grandes corporações econômicas e a insuficiência de regulações políticas sobre seus modos de operar. Essa situação foi favorecida pelas políticas de enfraquecimento da cidadania e os impedimentos e entraves que, continuamente, vêm surgindo para dificultar a análise e as avaliações do que ocorre.

Todas as organizações sociais e comunitárias de orientação progressista têm sido objeto, nas últimas décadas, de tantos ataques que acabaram completamente debilitadas, ao pas­ so que as pessoas que costumam se preocupar com as dimensões do público se converteram em suspeitas. Romperam-se os laços comunitários, mas agora começamos a ver com clareza que, somente recuperando o valor dessas mesmas instituições comunitárias, reforçando o sentido de uma cidadania democrática, responsável e solidária ou, o que dá no mesmo, recuperando o verdadeiro valor e significado da política, podemos sair dessa crise. Essa saída deve ser guiada por

 

Capítulo 5 - A igualdade e a diferença de gênero no currículo

PDF Criptografado

A igualdade e a diferença de gênero no currículo

5

Carmen Rodríguez Martínez

Universidade de Cádiz

A

s diferenças estão na origem das desigualdades sexuais construídas sob o amparo de teorias acerca do domínio histórico do poder e da cultura por parte dos homens. As diferenças entre homens e mulheres por seu dimorfismo sexual têm justificado desigualdades sexuais e culturais sobre as quais têm se estabelecido tarefas, funções e uma consideração diferente para ambos os sexos em todas as sociedades conhecidas.1

Essas diferenças foram hierarquizadas dando

às mulheres um valor mais baixo na escala social. A maneira como são interpretadas as diferenças e qual é o projeto político de uma sociedade para seus cidadãos e suas cidadãs têm consequências importantes para a definição que fazemos do currículo, do conhecimento e sobre a proposta ética de uma educação que tenha como norte a justiça curricular.

Mesmo que, desde o Iluminismo, mulheres e homens tenham clamado pela igualdade entre os sexos, não foi até os movimentos feministas dos anos de 1960 e 1970 que se conseguiu uma transformação global na situação de vida das mulheres.2 Nessas décadas, foram conquistadas mudanças impor-

 

Capítulo 6 - Os coletivos empobrecidos repolitizam os currículos

PDF Criptografado

6

Os coletivos empobrecidos repolitizam os currículos

Miguel González Arroyo

Universidade de Minas Gerais

A

pobreza está próxima às escolas e se aproxima delas. Entra nas aulas. Não está fora, distante, em sociedades remotas. Não está apenas nos noticiários, em estatísticas chocantes, nem em estudos e análises que poderiam estar nos conteúdos de nossos estudos ou ser objeto de um projeto de trabalho: “a pobreza no mundo” ou “as crianças pobres de rua”.

A pobreza está próxima e se aproxima por meio de corpos famintos, desprotegidos, sem horizontes e lutando pela sobrevivência em vários milhões de meninos e meninas e de adolescentes que frequentam as escolas públicas nas cidades e nos campos, em contextos e sociedades empobrecidas. A pobreza está até mesmo em sociedades desenvolvidas, onde ela vai entrando cada vez mais nos corpos dos filhos de imigrantes, de pais e famílias sem trabalho, desempregados e em condições de miséria absoluta. A pobreza nunca deixa de estar evidente nas formas de viver de tantas crianças e jovens que vão às escolas. Não é uma planta exótica.

 

Capítulo 7 - Educar a partir da interculturalidade: exigências curriculares para o diálogo entre culturas

PDF Criptografado

7

Educar a partir da interculturalidade: exigências curriculares para o diálogo entre culturas

José Antonio Pérez Tapias

Universidade de Granada

É

famosa a declaração de Fernando de los

Ríos nas Cortes Constituintes da II República quando, ao abordar a questão crucial da laicidade do Estado, disse que “na

Espanha, o revolucionário é o respeito”. Recordamo-nos frequentemente desse lúcido diagnóstico de um político socialista – que foi Ministro da Justiça e de Estado e também ocupou a pasta de Ensino Público – não somente porque na Espanha atual continua sendo necessário aprofundar a aprendizagem do respeito recíproco, mas porque, em nossas so­ciedades complexas onde convivem pessoas de diversas procedências e de diferentes culturas, o respeito se converte na indispensável chave necessária para afirmar que seja possível uma vida em comum à altura da dignidade humana.

Respeito significa reconhecer o outro, cuidando para que seus direitos não sejam menosprezados, recebendo-o no espaço comum da convivência enquanto possibilitamos a expressão de sua alteridade. É a atitude moral básica que torna possível a relação entre seres humanos, deixando para trás, de um lado, a imposição mediante a força que mantém as

 

Capítulo 10 - O currículo formal: legitimidade, decisões e descentralização

PDF Criptografado

10 O currículo formal:

legitimidade, decisões e descentralização

Francisco Beltrán Llavador

Universidade de Valência

O

currículo que passará a ser empre­ gado, assumindo para isso os for­ matos outorgados, dependerá, tanto em seu conteúdo quanto nos próprios for­ matos, não apenas das determinações trata­ das no restante desta obra, mas também e, sobretudo, das decisões adotadas para cada caso e situação, por parte das instâncias administrativas que estão legitimadas para assumir essa capacidade; ainda que isso não negue a faculdade de ações mediante as quais outros níveis – inclusive, às vezes, o mesmo nível – improvisem ou articulem diferentes modos de oferecer resistência à adoção prá­ tica de tais decisões.

A macropolítica do currículo e suas implicações nos âmbitos micro: Estruturas curriculares e relações de poder

No Capítulo 2 foi dada uma definição ad hoc de “política” que permite seu entendi­ mento em termos de luta (Mouffe, 1999) e, consequentemente, não pretende eliminar uma das contrapartes; ao contrário, acarreta

 

Capítulo 11 - O currículo interpretado: o que as escolas, mos professores e as professoras ensinam?

PDF Criptografado

11 O currículo interpretado: o

que as escolas, os professores e as professoras ensinam?

Javier Marrero Acosta

Universidade de La Laguna

Os profetas podem ensinar conhecimentos privados; os professores devem tratar de conhecimentos públicos. (Stenhouse, 1984, p. 31)

U

ma primeira resposta seria afirmar que o que as escolas, os professores e as professoras ensinam é uma adaptação pedagogicamente transfigurada da cul­tura valiosa disponível na sociedade.

O que os professores transmitem não é somente aquilo que fazem em aula ou na escola com os alunos. Às vezes, vai além do espaço e do tempo. Torna-se mais fácil falar do que eles devem ensinar e como isso deve ser feito do que falar do conteúdo que eles, de fato, ensinam. Por que o que é ensinado é somente aquilo que se comunica aos estudantes em aula? E quanto à visão do conhecimento do professor demonstrada diariamente aos alunos? E a relação emocional e afetiva que se mantém entre professores e alunos? Quando um pro­fessor ou uma professora diz que ensina matemática, está dizendo que ensina os conceitos e procedimentos básicos, os mecanismos de análise

 

Capítulo 12 - O currículo e o livro didático: uma dialética sempre aberta

PDF Criptografado

O currículo e o livro didático: uma dialética sempre aberta

12

Jaume Martinéz Bonafé

Universidade de Valência

Jesús Rodríguez Rodríguez

Universidade de Santiago de Compostela

E

m plena era digital, os livros didáticos continuam sendo o dispositivo didático hegemônico para o desenvolvimento curricular nas aulas de educação primária e secundária e, com uma intensidade crescente, também na educação infantil. Nesse capítulo, pretendemos problematizar essa prática pedagógica, colocando em dia o conhecimento científico a respeito desse fato, situando o enfoque problematizador tanto na análise do livro didático quanto na teoria curricular que o sustenta e nas políticas curriculares que o revitalizam.

Currículo, modernidade e texto: O discurso

O currículo foi pensado como o dispositivo escolar que concretiza o texto para a sua reprodução. Na análise de Lundgren (1992), o currículo é o texto que leva à reprodução social e cultural. Da mesma forma, Gimeno Sacristán (1989) diz que o currículo concretiza, em um complexo cruzamento de práticas de diferentes níveis institucionais, a seleção cul-

 

Capítulo 13 - Elaborar o currículo: prever e representar a ação

PDF Criptografado

13 Elaborar o currículo:

prever e representar a ação

María Clemente Linuesa

Universidade de Salamanca

Elaborar o currículo: RepresenTar e prever a ação educaCIONAL

ob uma perspectiva histórica, elaborar o currículo é uma atividade relativamente recente no âmbito educacional. Iniciou nas décadas de 1940 e 1950 nos Estados Unidos e, embora, em 1918, Bobbit, em seu livro

The curriculum, já tivesse estabelecido as bases para o planejamento da organização escolar, seu discurso foi retomado por outros autores para a elaboração curricular apenas três décadas depois.

A ideia de planejar os processos de ensinar surgiu com a pretensão de torná-lo tão eficiente quanto a produção empresarial, por isso não podemos estranhar que os primeiros modelos, gerados a partir de tais pressupostos, tenham imitado os modelos empresariais.

Como veremos, esta não é, em absoluto, a

única forma de entender o projeto curricular; o planejamento da ação pode ser entendido a partir de outros pontos de vista e de outra filosofia. Elaborar e planejar são ações que devem ser preenchidas com conteúdo e existem distintas formas de concebê-lo. Então, o que significa elaborar ou planejar o currículo?

 

Capítulo 14 - O projeto de escola: uma tarefa comunitária, um projeto de viagem compartilhado

PDF Criptografado

14 O projeto de escola: uma tarefa comunitária, um projeto de viagem compartilhado

Miguel Ángel Santos Guerra

Universidade de Málaga

A

s metáforas iluminam certas partes da realidade e escurecem outras. Elas possuem, contudo, uma excelente capacidade de explicação (Morgan, 1990). Apesar dessa obscuridade que elas projetam, irei utilizar a metáfora de uma viagem para falar do pro­ jeto de uma escola. Uma viagem que a tripulação de um barco faz, às vezes, em mares agitados e, em outras, em águas calmas. Trata-se de uma viagem que, necessariamente, tem de seguir uma única direção, já que o barco não po­ de se dirigir a vários destinos ao mesmo tempo.

Quem decide para onde se vai? Como fazem? O que cada membro da tripulação tem de fazer?

Não existe vento favorável para um barco

à deriva. Dito de uma maneira mais contundente: não há nada mais estúpido do que se atirar de cabeça na direção equivocada.

Seria patético ver todos os membros da tripulação exaustos, pondo carvão na caldeira, limpando, conferindo os motores ou cozinhando para todos e completamente alheios

 

Capítulo 15 - O currículo em ação: os resultados como legitimação do currículo

PDF Criptografado

15 O currículo em ação:

os resultados como legitimação do currículo

José Gimeno Sacristán

Universidade de Valência

N

a tradição mais difundida do pensa­ mento educacional, o currículo é ent­en­dido como o texto que reúne e estru­tura o conhecimento que deverá ser com­partilhado e reproduzido ou produzido nos estudantes sob a ordem de um deter­mi­ nado formato. A educação não pode deixar de ser reprodução, e o currículo é seu texto e a partitura na qual a encontramos codificada.

Esse é um dado da realidade, não uma ideia ou tentativa de valorização. O processo de ensinar não deixa de ser mais um aspecto de socialização cultural que dá continuidade à sociedade e à cultura. Outra questão é o que

é re­pro­duzido e como é feita a reprodução.

Eviden­temente, não é o mesmo entender que o cur­rículo res­ponde à função de selecionar aca­de­mi­­ca­mente, que a tradição seja repro­ du­zida de maneira tradicional como se fosse um legado incontestável ou que se faça de forma crítica.

 

Capítulo 16 - O currículo em ação: as tarefas de ensinar e aprender – uma análise do método

PDF Criptografado

O currículo em ação: as tarefas de ensinar e aprender

– uma análise do método

16

Rosa M. Vázquez Recio

J. Félix Angulo Rasco

Universidade de Cádiz

O método equivale a dizer “ordem”.

(Titone, 1976, p. 465)

Introdução

ma das definições de currículo que mais tem nos guiado em nossos respectivos trabalhos e atuações educacionais é, sem dúvida, a definição de Stenhouse (1987), quando afirmou que um projeto curricular são duas coisas: uma nova maneira de entender o conhecimento e uma nova maneira de ensiná-lo. Recordar essa frase em um momento no qual o conhecimento tem sido praticamente esquecido e substituído pelas chamadas competências, agregando, além disso, a questão do método de ensino, não deixa de ser no mínimo paradoxal. Porém, sem dúvida, não seremos nós que deixaremos de nos espantar, nem evitaremos notar os paradoxos nos acontecimentos que estamos vivendo. Mas a razão principal de mencionar tal definição se encontra no fato de que, nela, Stenhouse, com a simples e elegante perspicácia que sempre teve,

 

Capítulo 17 - O currículo como marco de referência para a avaliação educativa

PDF Criptografado

O currículo como marco de referência para a avaliação educativa

17

Juan Manuel Álvarez Méndez

Universidade Complutense de Madri

A avaliação educacional: Entre a simplicidade do exame e a complexidade da aprendizaGEM

A

avaliação educacional ocupa um lugar de destaque no currículo. Não é exagero pensar que as práticas habituais, mais do que as explicações conceituais, o estruturam profundamente, incidindo no programa e no valor do que entra ou não no currículo, do que vale e do que não vale, do que conta e do que é simplesmente para ocupar espaço. Fala-se de avaliação, que é um processo, mas, na realidade, estamos nos referindo a um exame, uma ação pontual e isolada, e os dois termos são transformados impropriamente em sinônimos. Assim, a parte

é confundida com o todo, bem como o instrumento com o objeto de conhecimento, o adjetivo com o substantivo, o que foi ensinado com o que foi aprendido, o medido com o avaliado, o que mais pontua com o que mais vale, até se transformarem no motivo condutor do processo educativo. O exame e, com ele, a qualificação ao final do ano letivo, mais que a avaliação, determina e dá forma ao currículo. O exame passa a desempenhar

 

Capítulo 18 - O sentido do currículo na educação obrigatória

PDF Criptografado

18 O sentido do currículo

na educação obrigatória*

Rafael Feito Alonso

Universidade Complutense de Madri

O

Artigo 6 da Lei Orgânica da Educação (LOE, 2/2006 de 3 de maio) entende por currículo “o conjunto de objetivos, competências básicas, conteúdos, métodos pedagógicos e critérios de avaliação de cada um dos ensinos regulados na presente Lei”. Enfim, o currículo se refere às pretensões explícitas que a escola pretende alcançar.

Diferente é o que ocorre na realidade, que se detecta por meio da análise do currículo oculto. Por exemplo, a escola tem a pretensão de ser igualitária. Todavia, o fracasso e o êxito escolar são distribuídos entre as diferentes classes sociais de um modo desigual. O mesmo pode ser dito a respeito do desejo de não ser sexista. Apesar de a escola ser muito provavelmente a esfera menos sexista da sociedade, é certo afirmar que as meninas têm desempenho inferior – salvo a exceção de alguns países – que os meninos em matemática e que elas tendem a ser a maioria esmagadora em certos cursos universitários como Enfermagem, Magistério, Psicologia, Serviço

 

Capítulo 19 - O currículo da educação infantil

PDF Criptografado

19 O currículo da educação infantil

Justa Bejarano Pérez

Universidade de Valência

A

educação infantil corresponde à primeira etapa da escolarização da criança, ela precede a educação obrigatória;

é uma etapa que compreende a educação dos mais jovens oferecida sob as denominações de educação maternal, de infantes, pré-escolar, pré-primária, jardins de infância, escolas infantis, creches, etc. A educação infantil hoje se preocupa com os meninos e as meninas de idade entre 0 e 6 anos.* Na Espanha, ela está dividida em dois ciclos: o primeiro ciclo para crianças de 0 a 3 anos e o segundo ciclo para crianças de 3 a 6 anos. Ambos os ciclos acontecem em instituições específicas e têm características próprias quanto ao seu funcionamento, aos profissionais que nelas trabalham, por seu caráter assistencial e educativo, pelas características próprias do desenvolvimento da criança pela importância social que têm, assim como pelas preocupações que geram.

Na elaboração do currículo da educação infantil, as atuações para seu desenvolvimento são determinadas, como assinalam Apple e King (apud Gimeno sacristán, 1983),

 

Capítulo 20 - O currículo da educação primária

PDF Criptografado

O currículo da educação primária*

20

Jesús Jiménez Sánchez

Inspetor de Educação de Aragão

D

esde sua configuração como etapa eduedu­­cacional, a educação primária na

Espanha tem mudado de nome (grau elementar, primeiro ensino, educação geral básica, etc.), mas mantém suas “constantes vitais”. Em seus mais de 150 anos de história, as sucessivas leis educacionais classificaram de formas diferentes os professores (educação geral básica – EGB) e as escolas (grupos escolares, colégios, etc.), incrementaram progressivamente a obrigatoriedade, estenderam a gratuidade até chegar a toda a população e aumentaram os conteúdos curriculares. Mas, no fundo, a educação primária não mudou tanto: inicia aos 6 anos e se prolonga até a pré-adolescência, conserva uma estrutura interna dividida em séries (anos letivos) e ciclos, e a leitura, a escrita e a aritmé­tica continuam sendo o eixo central do currículo escolar.

Raízes históricas da etapa

Para entender como o currículo é configurado na educação primária atual, convém

 

Carregar mais


Detalhes do Produto

Livro Impresso
Book
Capítulos

Formato
PDF
Criptografado
Sim
SKU
MFPP000001723
ISBN
9788565848503
Tamanho do arquivo
4,6 MB
Impressão
Desabilitada
Cópia
Desabilitada
Vocalização de texto
Não
Formato
PDF
Criptografado
Sim
Impressão
Desabilitada
Cópia
Desabilitada
Vocalização de texto
Não
SKU
Em metadados
ISBN
Em metadados
Tamanho do arquivo
Em metadados