Autismo e Educação: Reflexões e Propostas de Intervenção

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Com essa leitura, será possível modificar a forma de conceber o autismo, vislumbrando as pessoas envolvidas, com suas semelhanças e peculiaridades, e buscando nas diferenças um meio de transformação.

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Capítulo 1 - Autismo e educação: atuais desafios

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AUTISMO E EDUCAÇÃO:

ATUAIS DESAFIOS

1

Cleonice Bosa

Claudio Roberto Baptista

O presente capítulo tem sua origem associada a uma experiência de formação de educadores cuja temática central é o autismo1.

O que garante a singularidade e a importância dessa experiência?

Por que acreditamos que essa trajetória deva ser compartilhada em um livro que analise as questões centrais que caracterizaram o curso? Por que reunir as pistas de reflexão e expor as incertezas que continuam presentes no trabalho daqueles que acreditam na pesquisa? Esses são alguns dos aspectos que pretendemos analisar neste espaço introdutório.

Quanto à singularidade e à importância da experiência em questão, consideramos que sejam justificadas com base em alguns fatores como, por exemplo, a direção atual do debate relativo à educabilidade dos sujeitos com autismo; o desconhecimento sobre essa síndrome, que resiste às recentes investidas em termos de debates e investigações; a proposição de abordagem do desafio “formação e autismo” com base em uma perspectiva transdisciplinar, concebida como uma meta. Na realidade, nosso desafio como organizadores desta obra era, em um primeiro plano, viabilizar a interlocução entre as diferentes áreas envolvidas (educação, psicologia e medicina). As iniciativas de compartilhamento do conhecimento que se tem (e o que não se tem) sobre esse assunto em suas mais variadas formas de troca de experiências ainda são tímidas, é verdade. Em meio à diversidade de opiniões e teorias a respeito do assunto, surgem controvérsias e mesmo verdadeiras polêmicas, principalmente sobre diagnóstico e formas de intervenção. A despeito do valioso conhecimento acumulado desde a década de 1940, quando ocorreram as primeiras publicações na área,

 

Capítulo 2 - Autismo: atuiais interpretações para antigas observações

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Autismo e educação: reflexões e propostas de intervenção

AUTISMO:

ATUAIS INTERPRETAÇÕES

PARA ANTIGAS OBSERVAÇÕES

21

2

Cleonice Bosa

Escrever sobre o autismo tem sido, historicamente, um desafio para todos os profissionais envolvidos com essa questão. Pensamos que poucas patologias do desenvolvimento suscitaram tanto interesse e controvérsias, situação que se tem tornado aparente pelo volume crescente de artigos, livros e trabalhos apresentados em congressos sobre esse tema. Tal acúmulo de estudos reflete não apenas interesse, mas, sobretudo, nossa ignorância sobre vários aspectos que ainda permanecem obscuros que serão o foco da presente discussão, dentre os quais destaca-se a questão da definição, a etiologia, o diagnóstico, a avaliação e a intervenção. Contudo, longe de ser o caos, são justamente as incertezas que permeiam essa condição e que incitam os profissionais de diferentes áreas a realizarem um trabalho conjunto, que não seja apenas o somatório de suas experiências isoladas. Na prática, acreditamos que avançamos pouco nessa tarefa.

 

Capítulo 3 - A psiquiatria da infância e da adolescência e o autismo

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A PSIQUIATRIA DA INFÂNCIA E DA

ADOLESCÊNCIA E O AUTISMO

3

Ana Soledade Graeff Martins

Cíntia Medeiros Preussler

Maria Lucrécia Scherer Zavaschi

A psiquiatria é a especialidade da medicina que trata dos transtornos

(doenças, problemas) mentais. O psiquiatra da infância e adolescência é um médico, psiquiatra, especialmente treinado para atender os pacientes portadores de transtornos mentais entre o nascimento e os 18 anos, aproximadamente.

O autismo é, para o psiquiatra, um dos transtornos invasivos do desenvolvimento. Essas são condições que se iniciam muito precocemente, caracterizadas pelo atraso e pelo desvio no desenvolvimento de habilidades sociais e de comunicação, dentre outras. Respostas comportamentais diferentes ao ambiente são típicas, incluindo maneirismos, resistências a mudanças e interesses e preocupações estranhos e sem justificativa. Os transtornos invasivos do desenvolvimento incluem o transtorno autista, os transtornos de Rett e Asperger, o transtorno desintegrativo da infância e o transtorno invasivo do desenvolvimento sem outra especificação.

 

Capítulo 4 - Distúrbios da linguagem nos transtornos invasivos do desenvolvimento

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DISTÚRBIOS DA LINGUAGEM

NOS TRANSTORNOS INVASIVOS

DO DESENVOLVIMENTO

4

Cláudia Scheuer

Neste capítulo propomo-nos percorrer os principais aspectos do desenvolvimento da linguagem em crianças consideradas normais e a forma como aquelas com transtornos invasivos do desenvolvimento se comunicam, as dificuldades que apresentam e quais as estratégias ou meios que utilizam para compreender e produzir a linguagem.

Para o desenvolvimento da criança, os dois primeiros anos de vida são cruciais; portanto, deve-se considerar que a comunicação e a linguagem têm início no momento em que o bebê nasce.

Assim, desde o nascimento o bebê se faz comunicar por meio de um choro que de indiferenciado passa a ser diferenciado, que diz sobre necessidades. Esse choro é uma efetiva forma de comunicar e interagir (Kaye,

1988), e nesse momento somente a mãe o compreende. Mas para chegar a isso, faz inúmeras tentativas, as quais vêm ao encontro do tipo de choro produzido pelo bebê, marcado por diferentes padrões entonacionais, intensidades e ritmos (Bee, 1995)

 

Capítulo 5 - Organização cerebral das funções cognitivas envolvidas na sociabilização

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Autismo e educação: reflexões e propostas de intervenção

ORGANIZAÇÃO CEREBRAL DAS

FUNÇÕES COGNITIVAS

ENVOLVIDAS NA SOCIABILIZAÇÃO

63

5

Maria Alice de Mattos Pimenta Parente

Os sintomas bastante intrigantes de uma criança com autismo têm sido explicados por diferentes teorias, as quais podem ser divididas nas que acreditam em um desenvolvimento básico do comportamento social e nas que crêem que a falha no desenvolvimento social é secundário a outras falhas cognitivas. Nesse segundo grupo, encontram-se aquelas que se apóiam na observação de falhas de funções executivas, de mudanças atencionais, de planificação e monitoramento da ação, que poderiam explicar o comportamento repetitivo e rígido das crianças com autismo. Por exemplo, para teoria de Courchesne, Yeng-Couechesne, Hesselink e

Jernigan (1988), a dificuldade dos autistas em dividir a atenção entre diferentes estímulos interfere no dinamismo exigido pelo relacionamento social, alterando seu desenvolvimento. De mesma forma, dificuldades em reconhecer expressões faciais, assumir perspectivas subjetivas (pessoais) e de outras pessoas, descritas por Baron-Cohen, Leslie e Frith (1985), podem estar associadas às falhas de interação social e de comunicação.

 

Capítulo 6 - O diagnóstico transdisciplinar como dispositivo para o trabalho de inclusão

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Autismo e educação: reflexões e propostas de intervenção

O DIAGNÓSTICO TRANSDISCIPLINAR

COMO DISPOSITIVO PARA O

TRABALHO DE INCLUSÃO

73

6

Isac Nikos Iribarry

O DIAGNÓSTICO TRANSDISCIPLINAR E O

TRABALHO DE INCLUSÃO

Este capítulo não propõe um conhecimento anterior acerca da realidade institucional ou, mesmo, do panorama político das instâncias que definem, de alguma forma, o destino de aprendentes e ensinantes das redes estadual e municipal. Isso não está ao alcance da proposição que enunciamos aqui. Nossa intenção é, muito precisamente, propor uma abordagem para a situação em que se encontram professores e alunos, os quais designaremos, daqui para a frente, como ensinantes e aprendentes.

Também iremos aludir à compreensão dos ensinantes diante do chamado trabalho de inclusão do aprendente portador de uma etiqueta que o classifica sob a égide das necessidades especiais, bem como, outras vezes, de aprendente portador de deficiência. Dessa compreensão nasce uma articulação, que é o discurso. Discurso atualizado pela queixa e pela angústia dos ensinantes que vão em busca de um sentido para essa circunstância atual. Assim, imediatamente após uma avaliação dessa circunstância, iremos propor uma direção para esse sentido reivindicado, direção que está inspirada no modelo do diagnóstico transdisciplinar, o qual será examinado posteriormente.

 

Capítulo 7 - Lobos e médicos: primórdios na educação dos "diferentes"

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LOBOS E MÉDICOS:

PRIMÓRDIOS NA EDUCAÇÃO

DOS “DIFERENTES”

7

Claudio Roberto Baptista

Aniê Coutinho de Oliveira

Lobos e médicos podem ser considerados elementos significativos na busca de compreensão da história social da “anormalidade”. Os primeiros evocam a vida selvagem que habita nosso imaginário e que, em parte, nos constitui. Os segundos representam a ruptura com a tradição medieval relativa às explicações místico-religiosas, explicações que durante séculos conseguiram preencher as lacunas do nosso desconhecimento acerca de fenômenos variados.

Os lobos ocupam, na história da educação especial, o lugar de “pais/ semelhantes” para os sujeitos encontrados em florestas, provavelmente abandonados em função de suas limitações e diferenças.1 As semelhanças entre as crianças selvagens e os animais atuam, para além dos relatos descritivos, como representantes simbólicos da nossa “animalidade”.

Bettelheim (1987) destaca a semelhança entre relatos de casos de crianças selvagens e as crianças com autismo com as quais trabalhou. No entanto, o autor questiona a suposta relação dessas crianças com seus pais/ animais, afirmando tratar-se de um mito. A idéia de uma natureza que

 

Capítulo 8 - A criança com autismo: propostas de apoio cognitivo a partir da "teoria da mente"

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A CRIANÇA COM AUTISMO:

PROPOSTAS DE APOIO COGNITIVO

A PARTIR DA “TEORIA DA MENTE”

8

Hugo Otto Beyer

Educar é um ato que se ramifica em duas vias, ou que se dimensiona principalmente por intermédio de sujeitos que interagem. A concepção autoritária do professor que ensina, e que se julga constituir na origem do conhecimento, e do aluno que aprende, implicitamente como receptor passivo do conhecimento, tem sido ressignificada de diversas formas e por diferentes autores, sendo um dos pioneiros nesse sentido o brasileiro Paulo

Freire. Não mais se imagina um ato educativo que desconsidere ou se sobreponha ao espaço ativo em que o aluno ou o educando ocupa ou deve ocupar. Pelo contrário, o ato educativo é tão mais legítimo quanto mais este é incluído como ativo participante.

Educar, assim, pressupõe a consideração de quem são os sujeitos participes desse processo, quem se assume como educador, qual a finalidade do ato de educar, para quem é dirigido o ato de educar, quais os espaços de participação criados nesse ato. Particularmente, na situação diferenciada que o ato de ensinar representa quando indivíduos em situações específicas encontram-se envolvidos no mesmo, aguça-se a necessidade da consideração de tais diversidades.

 

Capítulo 9 - Integração e autismo: análise de um percurso integrado

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INTEGRAÇÃO E AUTISMO:

ANÁLISE DE UM PERCURSO INTEGRADO1

9

Claudio Roberto Baptista

O desafio de abordar a temática integração2 estimula-nos a buscar fragmentos de histórias recentes que permitam ao leitor articular as suas respostas em relação à possibilidade de uma educação integradora/inclusiva. Nós, professores, somos, também, contadores de histórias. O que nos diferencia dos trovadores é que, além de contá-las, devemos ser facilitadores de processos, para que outras histórias se constituam. Esse é um dos objetivos deste capítulo.

Essas histórias organizam-se por meio de um contexto específico – a realidade italiana – onde estivemos entre os anos de 1992 e 1996, estudando o projeto nacional de integração dos alunos com deficiência na escola regular e os dispositivos necessários para a implementação dessa experiência. Recordamos que o projeto italiano possui uma história de mais de duas décadas e constitui, sem dúvida, uma das iniciativas mais inovadoras pela sua “radicalidade”. Na Itália, um amplo processo de crítica ao lugar das instituições diferenciadas resultou na promulgação da Lei 517, de 1977, a qual determina o fechamento das escolas e classes especiais

 

Capítulo 10 - Vamos brincar de Giovani? A integração escolar e o desafio da psicose

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VAMOS BRINCAR DE GIOVANI?

A INTEGRAÇÃO ESCOLAR E O

DESAFIO DA PSICOSE1

10

Mauren Lúcia Tezzari

Claudio Roberto Baptista

O desafio associado ao atendimento escolar de alunos psicóticos tem sido alvo de reflexões e propostas diferenciadas. A produção teórica em educação especial tem sido marcada pelo predomínio de uma tendência que tem destacado as vantagens de percursos educativos integrados (aluno com necessidades educativas especiais no ensino comum). No entanto, observa-se que, na maioria dos casos, a possibilidade de integração é associada a alunos que não exijam da escola uma forte capacidade de adaptação. O aluno identificado como psicótico e aquele com deficiência mental (que apresenta forte comprometimento) têm sido sinalizados como exceções, ou seja, para esses alunos seriam necessários espaços diferenciados e atendimento que se distanciaria da escolarização no ensino comum.

Apesar de freqüente, não consideramos que essa análise exposta seja a única possível, por entendermos que os limites para um processo educativo integrado não podem ser determinados pelas características do aluno, mas pela análise conjunta dessas características e do contexto (considerada a sua flexibilidade de organização, nível de recursos de apoio e capacidade inovadora). Nesse sentido, há experiências consolidadas que têm destacado as vantagens do atendimento educacional, no ensino comum, dirigido a alunos psicóticos (Rigon, 1996). O projeto italiano de integração apresenta – na concepção radical de educação inclusiva/ integradora – iniciativas que articulam as disposições legislativas de garantia de escolarização, oferecimento de suportes por meio de serviços públicos e acompanhamento desenvolvidos por centros de pesquisa

(Canevaro, 1988; Maselli e Di Pasquale, 1997; Baptista, 1999).

 

Capítulo 11 - Um espaço educacional possível: interdisciplinaridade e ensino especial na rede municipal de ensino de Porto Alegre

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Autismo e educação: reflexões e propostas de intervenção

UM ESPAÇO EDUCACIONAL

POSSÍVEL:

INTERDISCIPLINARIDADE E ENSINO

ESPECIAL NA REDE MUNICIPAL DE

ENSINO DE PORTO ALEGRE

157

11

Maria Dolores Marrone Castanho

Representamos a Escola Municipal Especial de Ensino Fundamental

Prof. Luiz Francisco Lucena Borges e vamos destacar o trabalho de construção de um projeto pedagógico interdisciplinar no qual estamos envolvidas há cinco anos, inicialmente como professora e, atualmente, como vice-diretora, compondo a equipe diretiva.1

A primeira turma com a qual trabalhamos era composta por crianças que estavam ingressando na escola. Após essa experiência, trabalhamos com uma turma infanto-juvenil e mais adiante com alunos adolescentes.

Ao longo desses anos, pudemos participar de mudanças significativas na trajetória da escola, período em que um modelo educacional se firmou, contrapondo-se a um modelo clínico de intervenção.

 

Capítulo 12 - políticas públlicas de/para educação especial

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Autismo e educação: reflexões e propostas de intervenção

POLÍTICAS PÚBLICAS

DE/PARA EDUCAÇÃO ESPECIAL

165

12

Francéli Brizolla

As idéias que esboçamos neste capítulo são fruto de um período investigativo sobre o binômio “educação especial” e “políticas públicas”, o qual tomamos como objeto de pesquisa por ocasião da realização do curso de Mestrado em Educação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Tendo vindo a considerar a importância fundamental da inserção das análises em/sobre educação especial a partir da égide do que chamamos “dimensão política” inerente ao processo educacional, apontamos e apostamos na necessidade de produção de pesquisas na área da educação especial, que possam dar conta dessa dimensão e, assim, compreender e vislumbrar tal modalidade de ensino inserida no contexto maior da educação, posição que certamente a coloca em um patamar de entendimento muito diferenciado daquele que tradicionalmente ainda impera na área.1

 

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