Manual de terapia familiar – Volume I

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A terapia familiar brasileira alcançou sua maioridade! Este livro oferece ao leitor uma amostragem ímpar do pensamento dos principais terapeutas familiares brasileiros, bem como as técnicas mais eficazes em terapia familiar. Quer no âmbito da prática clínica como no da pesquisa acadêmica, a evolução da terapia familiar brasileira está situada na linha de vanguarda dos desenvolvimentos da especialidade no mundo todo e esse manual reúne o estado da arte dessa técnica psicoterápica tão promissora.

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Capítulo 1: Ciclo vital da família brasileira

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Ciclo vital da família brasileira

Ceneide Maria de Oliveira Cerveny

Cristiana Mercadante Esper Berthoud

O CONCEITO DE CICLO VITAL

Ciclo vital familiar envolve as várias etapas definidas sob alguns critérios pelas quais as famílias passam, da sua constituição em uma geração até a morte dos indivíduos que a iniciaram (Cerveny, 1997).

Esses critérios podem ser a idade (de pais ou filhos), o tempo de união e a entrada e saída de membros, considerando-se que famílias são constituídas sob diferentes configurações. Assim, há o casal tradicional heterossexual, o casal homossexual, o casal reconstituído, todos eles passando por etapas com desafios e tarefas específicos no ciclo de vida familiar.

É certo que existem diversos ângulos sob os quais definimos a instituição família, e a lente escolhida – o ciclo vital – permite simultaneamente uma visão panorâmica e focal, porquanto não é um conceito rígido; ao contrário, permite sobreposições e reconstituições. Esta é uma forma de olhar que tem sido útil não só na orientação prática – por exemplo, nas diferentes modalidades de terapia familiar –, mas também na interpretação teórica de dados de pesquisas e no subsídio de políticas públicas.

 

Capítulo 2: Comunidade e família

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Luiz Carlos Osorio, Maria Elizabeth Pascual do Valle & cols.

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Comunidade e família

Dilson Cesar Marum Gusmão

INTRODUÇÃO

Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus.

Clarice Lispector (2004)

O trabalho desenvolvido com grupos de famílias possibilita aos participantes identificar, nomear e compartilhar suas emoções. Nesses momentos, há troca de experiências, com histórias compartilhadas que despertam no indivíduo a percepção de que existem outras formas de ver o mundo. Tal processo é vivido pela equipe técnica como um aprendizado que traz muita satisfação.

Muitos aspectos teóricos foram pensados a partir de encontros com as famílias, e a questão mais citada nas sessões, girou em torno do pertencimento.

Nos relatos, surgiu a denúncia de que coabitar o mesmo espaço físico e conviver nele não é suficiente para que as pessoas se conheçam ou para que haja intimidade entre elas. As queixas apontam que elas não conversam entre si, não brincam, não contam histórias. As fronteiras interpessoais são difusas, o que gera sentimentos de desordem, angústia e solidão. O que predomina na relação é o desejo individual e, como decorrência, a luta pelo poder.

 

Capítulo 3: Os impactos damigração para a família:uma temática contemporânea

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Os impactos da migração para a família: uma temática contemporânea

Maria Gabriela Mantaut Leifert

A economia, a técnica, as comunicações de massa convertidas em instâncias planetárias. A transformação internacional da natureza em artifício uniforme. O homem contemporâneo vive sem raízes, foi desterrado de si mesmo. A “pátria universal” do presente é a homogeneidade imposta às distintas formas de experiência. Nem os indivíduos nem as culturas humanas podem viver sem traumas um processo similar. O homem é um ser de diferenças. E sua auto-afirmação reclama o particularismo, o acento próprio.

Por isso, o sentir-se estrangeiro, uma nova e radical condição de nomadismo profundo e generalizado, define a situação da cultura contemporânea.

(José Jiménez, 1994)

Vivemos em um mundo de mudanças constantes, o acelerado desenvolvimento tecnológico, a crescente internacionalização dos mercados, a rapidez da transmissão de informações e transporte aproxima pessoas de diferentes nacionalidades e etnias. Compreender esse mundo globalizado e intercultural e interagir com ele representa um dos grandes “desafios” da atualidade tanto para os indivíduos como para as famílias.

 

Capítulo 4: Questões de gênero naterapia de família e casal

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Luiz Carlos Osorio, Maria Elizabeth Pascual do Valle & cols.

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Questões de gênero na terapia de família e casal

Rosa Maria Stefanini Macedo

As questões de gênero têm uma importância fundamental na terapia de família e casal por serem um aspecto da identidade do homem e da mulher que qualifica seus comportamentos marcados por expectativas transformadas em estereótipos frequentemente reguladores das relações sociais que se tornam, em consequência, envolvidas de preconceitos.

De acordo com Maturana (1995), conhecer é fazer distinções; portanto, é justificável a preocupação com a diferença entre homens e mulheres existentes nas ciências biológicas, humanas e sociais, pela necessidade de conhecer e melhor descrever seu objeto de estudo.

Às ciências biológicas interessam as diferenças do ponto de vista anatômico e fisiológico, e suas descrições são em termos de diferenças entre os sexos quanto à forma e ao funcionamento dos organismos de homens e mulheres, ou seja, funções específicas do organismo feminino ou masculino relacionados à evolução e à genética.

 

Capítulo 5: Conjugalidades interculturaise relações de gênero

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Luiz Carlos Osorio, Maria Elizabeth Pascual do Valle & cols.

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Conjugalidades interculturais e relações de gênero

Maria Cristina Lopes de Almeida Amazonas

Cristina Maria de Souza Brito Dias

Gilzacarla Alcântara dos Santos

Costumo dizer que todo fascínio e toda dificuldade de ser casal reside no fato de o casal encerrar, ao mesmo tempo, na sua dinâmica, duas individualidades e uma conjugalidade, ou seja, de o casal conter dois sujeitos, dois desejos, duas inserções no mundo, duas percepções do mundo, duas histórias de vida, dois projetos de vida, duas identidades individuais que, na relação amorosa, convivem com uma conjugalidade, um desejo conjunto, uma história de vida conjugal, um projeto de vida de casal, uma identidade conjugal (Féres-Carneiro,

1998, p.1).

A citação de Terezinha Féres-Carneiro (1998) chama a atenção do leitor para as dificuldades que envolvem qualquer situação de conjugalidade. O termo conjugalidade (um neologismo) será empregado para falar em um tipo de vínculo afetivo resultante da união formal ou consensual entre duas pessoas adultas que decidem constituir uma família, por sua forte sugestão de processo e de dinâmica, de instituição em vias de formação, em vez da solidez e da formalidade de termos mais consagrados, como matrimônio e casamento, que poderiam ser associados a um mo-

 

Capítulo 6: A terapia familiar no Brasil

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A terapia familiar no Brasil

Helena Centeno Hintz

Marli Olina de Souza

A terapia de família teve início na metade do século passado. Foi algo que encantou muitos estudiosos, profissionais ávidos por formas mais abrangentes de entender o indivíduo e poder ajudá-lo em seu contexto relacional mais próximo: a família. Inicialmente, o foco de estudo de maior expressão foi nos Estados Unidos e em alguns países da Europa. Logo após, expandiu-se para vários outros países.

Ao iniciarmos um estudo sobre o movimento da terapia familiar no Brasil, não poderíamos deixar de mencionar a forma como ela surgiu. Muito já foi escrito sobre a história da terapia familiar, incluindo diferentes personalidades pioneiras, ideias, movimentos ou ações. Certamente o percurso da história é amplo, tornando-se difícil seu relato sem haver alguma lacuna em sua descrição no tempo. Neste capítulo, serão nomeados alguns pioneiros que contribuíram de forma relevante para o desenvolvimento da terapia familiar, introduzindo estudos significativos para o atendimento de famílias, desenvolvendo conceitos, pesquisas e técnicas que enriqueceram o tratamento realizado com a família e que de alguma forma influenciaram o pensamento e a prática dos terapeutas no Brasil.

 

Capítulo 7: Desenvolvimentos emterapia familiar: das teoriasàs práticas e das práticas às teorias

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Desenvolvimentos em terapia familiar: das teorias

às práticas e das práticas às teorias

Marilene A. Grandesso

As ciências exatas são uma forma monológica de conhecimento: o intelecto contempla uma coisa e pronuncia-se sobre ela. Há um único sujeito: aquele que pratica o ato de cognição

(de contemplação) e fala (pronunciase). Diante dele, há a coisa muda.

Qualquer objeto do conhecimento (incluindo o homem) pode ser percebido e conhecido a título de coisa. Mas o sujeito como tal não pode ser percebido e estudado a título de coisa porque, como sujeito, não pode, permanecendo sujeito, ficar mudo; consequentemente, o conhecimento que se tem dele só pode ser dialógico.

Bahktin (1992, p. 403)

O exercício de uma prática de terapia envolve sempre um processo reflexivo entrelaçando teoria e prática de uma forma tal, tão intrinsecamente amalgamada, que fica difícil, senão impossível e mesmo sem muita utilidade, determinar que instância prevalece sobre a outra. Todo terapeuta, antes mesmo de definir-se como tal, pertence a uma tradição que estabelece um contexto paradigmático informando suas crenças e seus valores, em um tempo e espaço histórica e localmente situados. Portanto, traçar os desenvolvimentos de um campo, como o da terapia familiar, pressu-

 

Capítulo 8: A psicanálise das configuraçõesvinculares e a terapia familiar

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A psicanálise das configurações vinculares e a terapia familiar

Ana Margarida Tischler Rodrigues da Cunha

Maria Cecilia Rocha da Silva

Marilda Goldfeder

Ruth Blay Levisky

INTRODUÇÃO

Família: é este o grupo específico que pretendemos analisar sob a ótica da psicanálise das configurações familiares. Todavia, situar os marcos teóricos práticos de nosso referencial implica articular historicamente nossa trajetória como “área de família” do NESME (Núcleo de Estudos em Saúde

Mental e Psicanálise das Configurações Vinculares). Ao mesmo tempo, é colocado o desafio de acompanhar o desenvolvimento dos conceitos que propiciaram e engendraram nosso conhecimento e nossa prática. Com essa finalidade, tivemos que escolher entre os vários caminhos possíveis e nos propusemos então a examinar inicialmente as contribuições psicanalíticas para a abordagem dos grupos e a mudança de paradigma que implicam, até porque não se saltou da psicanálise individual para o vértice grupal e deste para o familiar sem um longo percurso. Nele, outros referenciais foram sendo usados e assimilados para dar conta de um outro objeto de estudo, ou seja, a família, a qual articula o indivíduo, o grupo, a sociedade e a cultura, seja como produto, seja como produtor de seus vínculos intra, inter e transubjetivos. A bus-

 

Capítulo 9: O psicodrama e a terapia familiar

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O psicodrama e a terapia familiar

Maria Cecilia Veluk Dias Baptista

O psicodrama projeta processos, situações, papéis e conflitos em um meio experimental – o teatro terapêutico

(...). Aplicado ao problema conjugal, abre novas perspectivas para pesquisa e tratamento. (Moreno, 1978, p.

386)

INTRODUÇÃO

Partindo dos paradigmas de nossa sociedade atual (a complexidade, a instabilidade e a intersubjetividade), percebe-se que cada vez menos pode-se ter modelos fechados como padrões para as ações profissionais do psicoterapeuta de família. É importante fazer-se inclusões e evitar exclusões. Para que isso aconteça, a tarefa desafiante que a pós-modernidade epistemológica pede aos psicoterapeutas é a de gerar práticas que promovam compreensão e consequentemente a apropriação do saber científico, religando-o aos saberes do senso comum.

A psicologia da pós-modernidade define o psicólogo como um agente de transformação social para o qual contribuem o pessoal, o político e o profissional, implicando necessariamente uma ética das relações, cujos traços mais significativos são a consciência da auto – reflexividade e a consciência de que suas práticas e seus mé-

 

Capítulo 10: Cibernética e terapia familiar:que relação distinguimos hoje?

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Cibernética e terapia familiar: que relação distinguimos hoje?

Maria José Esteves de Vasconcellos

Desde que publiquei os resultados de minhas pesquisas sobre as bases cibernéticas da terapia familiar sistêmica (Esteves de

Vasconcellos, 1992, 1995), passei a receber frequentemente perguntas sobre as relações da cibernética com a terapia familiar sistêmica. Uma delas, de que nunca me esqueci, foi formulada mais ou menos assim:

A cibernética e o construtivismo são a epistemologia do pensamento sistêmico ou o pensamento sistêmico é a epistemologia da cibernética e do construtivismo?.

Apesar de serem bastante variadas as dúvidas, muitas delas se dissipariam se houvesse uma compreensão clara das diferenças entre epistemologia, teoria e prática sistêmicas.

Quando se referem à cibernética, algumas vezes as pessoas a estão tomando como uma epistemologia, um conjunto de premissas, pressupostos ou crenças; enfim, um pensamento, um paradigma ou uma visão de mundo sistêmica. Outras vezes, estão falando em uma teoria, em um conjunto de princípios explicativos sobre o funcionamento de um objeto de estudo.

 

Capítulo 11: Terapia de casais com enfoquecognitivo-comportamental

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Terapia de casais com enfoque cognitivo-comportamental

Adriana Selene Zanonato

Luiz Carlos Prado

INTRODUÇÃO

A terapia cognitivo-comportamental constitui-se de um modelo teórico e de um conjunto de práticas desenvolvidas a partir dos anos 60, nos Estados Unidos, por alguns pioneiros. Sua denominação tem origem nas duas vertentes principais que a compõem: o enfoque cognitivo e o comportamental.

Originalmente separados, esses enfoques foram unidos nos anos 80, dentro de um movimento integrativo que tem abrangido também outras abordagens terapêuticas, inclusive a própria terapia familiar sistêmica.

A psicologia identifica basicamente três áreas do funcionamento humano: o pensamento, o comportamento e as emoções. Os enfoques psicodinâmicos tradicionalmente centraram-se mais nas emoções, enquanto os comportamentalistas sempre buscaram atuar diretamente sobre as ações, buscando, a partir delas, alterar as emoções e as cognições. Os enfoques cognitivistas passaram a destacar o papel do pensamento na determinação das emoções e dos comportamentos. Em uma visão integradora, entendemos que se podem realizar mudanças atuando em qualquer uma dessas três áreas.

 

Capítulo 12: Neurociências e terapia familiar

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Neurociências e terapia familiar

Maria Elizabeth Pascual do Valle

O homem deve saber que de nenhum outro lugar, mas do encéfalo, vêm a alegria, o prazer, o riso e a diversão, o pesar, o ressentimento e a lamentação.

E, por isso, de uma maneira especial adquirimos sabedoria e conhecimento, e enxergamos e ouvimos e sabemos o que é justo e injusto, o que é bom e o que é ruim, o que é doce e o que é amargo... E pelo mesmo órgão tornamo-nos loucos e delirantes, e medos e terrores nos assombram...

Todas essas coisas suportamos do encéfalo quando não está sadio... Nesse sentido, sou da opinião de que o encéfalo exerce o maior poder sobre o homem.

Hipócrates, em

“Acerca das Doenças Sagradas”, citado em Gomes, 2005.

POR QUE UM CAPÍTULO DE

NEUROCIÊNCIAS EM UM LIVRO

SOBRE TERAPIA FAMILIAR?

Por neurociências entendemos o conjunto de disciplinas, como a neuroanatomia, a neurofisiologia, a neurobiologia, a neurologia clínica e outras disciplinas correlatas

 

Capítulo 13: Terapia familiar e resiliência

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Terapia familiar e resiliência

Marilza Terezinha Soares de Souza

O navarro diz que uma maneira de mostrar que um tapete foi feito por mãos humanas é a presença de falhas.

(Walsh, 1998, p. 155)

O conceito de resiliência, aplicado às ciências da saúde, particularmente no campo da psicologia, foi compreendido e definido sob diferentes prismas ao longo dos

últimos 30 anos. Encontramos entre suas diversas definições a existência de traços de personalidade individuais especiais, a capacidade de recuperação de traumas, a capacidade de superação de obstáculos, um conjunto de habilidades e competências individuais, invulnerabilidade, o resultado do equilíbrio entre fatores de risco e fatores de proteção e resultados do enfrentamento de situações de estresse, entre outros (Souza, 2003, 2004; Souza e Cerveny,

2006a e 2006b).

Entretanto, com a ampliação e com o aprofundamento nas pesquisas, a resiliência deixa de ser considerada uma qualidade ou uma capacidade individual para ser compreendida como um processo dinâmico inter-relacional, sistêmico, inserido no contexto histórico, social e cultural (Souza, 2004).

 

Capítulo 14: Terapia familiar e educação:conversações que ampliam

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Terapia familiar e educação: conversações que ampliam

Elizabeth Polity

UM BREVE HISTÓRICO

A epistemologia sistêmico-construcionista1 adota o pressuposto de que o ser humano, por sua estrutura ou biologia, não tem acesso objetivo à realidade. Adotar essa epistemologia significa escolher uma maneira particular de descrever a relação que se estabelece entre as pessoas, entendendo que a realidade é a que construímos no convívio com os demais, tornando-nos, portanto, os responsáveis por ela.

Os pressupostos da terapia familiar – seu constructo teórico – bem como sua atuação prática – o olhar para a família – ampliam e acrescentam possibilidades de compreensão ao processo educacional, dentro ou fora da escola.

Educação, nesse caso, foca o que ocorre no meio familiar e principalmente escolar, embora não se privilegie a formação acadêmica, e sim, como processo amplo de desenvolvimento.

 

Capítulo 15: Terapia comunitária: acircularidade nas relações sociais

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Terapia comunitária: a circularidade nas relações sociais

Maria Henriqueta Camarotti

Doralice Oliveira Gomes

Seja bem-vindo, oh lê lê, seja bem-vindo, oh lá lá.

Paz e bem pra você que veio participar.

(Música utilizada na terapia comunitária.)

POR QUE A TERAPIA COMUNITÁRIA

NO “BANQUETE” DA FAMÍLIA?

A terapia comunitária (TC) é um espaço em que membros de diferentes famílias se encontram para partilhar vivências e descobrir soluções para as questões do cotidiano, tendo como alvo o sofrimento, e não a patologia. Entende-se nessa prática não só o sofrimento intrínseco do indivíduo, como também o produto de processo histórico, político, social e econômico de exclusão (Brandão, 2004). Essa abordagem possibilita a promoção de encontros interfamiliares, nos quais o pensamento sistêmico subsidia a compreensão circular dos problemas e suas soluções. No contexto de partilhas de experiências, busca-se reforçar a compreensão de co-responsabilidade nas situações vivenciadas (circularidade), superando a visão de culpabilização (linearidade).

 

Capítulo 16: Famílias com bebês

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Famílias com bebês

Olga Garcia Falceto

José Ovidio Copstein Waldemar

INTRODUÇÃO

Neste capítulo, será abordado todo o universo das famílias em que há bebês, e não o das famílias só com bebês, definindo bebê como uma criança menor de 2 anos. Será dada especial atenção à chegada do primogênito – à “fundação” da família – mas descrevemos também vários tipos de situações envolvendo bebês que chegam ao consultório do terapeuta de família, desde casos simples até problemas psiquiátricos bem complexos. Será relatada uma pesquisa epidemiológica que demonstra a magnitude dos problemas descritos e serão assinaladas as semelhanças e as diferenças entre o que se chama psicoterapia paisbebê e a abordagem familiar sistêmica. Por fim, há a apresentação de vários casos clínicos que ilustram a diversidade dos desafios para as famílias e terapeutas.

A DEMOGRAFIA DAS FAMÍLIAS

COM BEBÊS E O ESTUDO DE

UM BAIRRO DE PORTO ALEGRE

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2005, havia no Brasil 3.500.482 crianças de menos de 1 ano, de uma população total de 179.556.501.

 

Capítulo 17: Terapia de famíliascom crianças pequenas

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Terapia de famílias com crianças pequenas

Helena Maffei Cruz

Roseli Righetti

Este texto é resultante de processos que nasceram de nossa prática clínica, de nossas “mãos na massa”; recortes de nossas teorias em ação e descrições de ações informadas pelas teorias que adotamos. Nesse sentido, manuais.

Já que vamos apresentar, através da escrita, um produto que se destina principalmente a pequenos usuários que não dominam a leitura, propomos uma metáfora que denominamos “Convite para visitar uma exposição de enunciados sobre terapia de famílias”.

Imaginemos que nossos visitantes podem ser novos praticantes na área ou experimentados colegas, e que ambos nos ajudarão a ampliar esta exposição. Para ingressar, pedimos que você traga, pela mão, a criança que já foi um dia.

Nós nos inspiramos nas metáforas do livro The performance of practice, (2007, p.18) de Jim Wilson, um terapeuta do País de Gales, o qual, nas palavras de John

 

Capítulo 18: Famílias com adolescentes

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Famílias com adolescentes

Solange Maria Rosset

ADOLESCÊNCIA, PAIS,

FAMÍLIAS E ADOLESCENTES

Quando comecei a trabalhar como psicoterapeuta, existia um senso comum na psicologia e na população em geral sobre a relação entre adolescentes e pais. Era esperado que adolescentes tivessem problemas com seus pais, pois existia a ideia inquestionável do chamado “conflito de gerações”. A inevitabilidade do conflito entre pais e filhos por causa de hábitos, moral e regras diferentes justificava as dificuldades de uma forma simplista e dava uma explicação linear a elas. Além disso, oferecia a comodidade de um bom álibi e deixava pais, filhos e terapeutas sem ter muito o que fazer. Eu sempre tive dificuldade em aceitar essa explicação simplificadora, e todas as propostas que já fiz para trabalhar com os adolescentes e com suas famílias visavam a outras alternativas.

Algumas teorizações sobre a adolescência acabam colocando no mesmo patamar sintomatologias mais sérias e comportamentos desagradáveis, mas sem gravidade. No entanto, corre-se o risco de pais e adolescentes terem álibis para não se responsabilizarem. Ao mesmo tempo, ao se dizer “adolescente típico”, pode-se estar justificando uma enorme variedade de comportamentos anti-sociais e autodestrutivos, alguns dos quais deveriam ser reconhecidos e tratados como problemas reais e sérios.

 

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