Microeconomia e Comportamento

Autor(es): Robert H. Frank
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Microeconomia e Comportamento apresenta um conteúdo que vai além das ferramentas técnicas essenciais para a análise da economia comportamental, e lança aos estudantes uma provocação crítica de como desenvolver “o pensar como um economista”, com base em fatos cotidianos.Com essa metodologia desafiadora e a abordagem dos tópicos com grau de dificuldade crescente, Frank propõe uma série de exercícios recolhidos de contextos conhecidos para que a aplicação dos conceitos seja concreta. Destaques desta 8ª edição:• Hipertextos na lateral das páginas ajudam na fixação de conceitos-chave.• Apêndices em capítulos específicos trazem aplicações adicionais dos seguintes temas: teoria da demanda, teoria da produção, teoria dos interesses próprios, teoria dos jogos, teoria das escolhas racionais, teoria dos custos, outros modelos de concorrência monopolista e a alocação de recursos não renováveis.• Um novo capítulo, “Equilíbrio geral e eficiência de mercado”, analisa as propriedades de um sistema de mercados interconectados, tornando explícitas as relações existentes entre os mercados individuais.

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Capítulo 1 - Pensando como um economista

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C A PÍ T U L O 1

PENSANDO COMO

U M ECONOMISTA

G

rande parte da microeconomia exige o estudo de como as pessoas fazem escolhas sob condições de escassez, embora muitas delas reajam negativamente a essa descrição, dizendo que o assunto possui pouca relevância real nos países desenvolvidos, onde a escassez material, de modo geral, é uma coisa do passado.

Essa reação, no entanto, assume uma visão muito estreita do termo escassez, pois sempre há importantes recursos com oferta reduzida. Quando morreu, Aristóteles

Onassis possuía vários bilhões de dólares, uma vez que tinha mais dinheiro do que jamais poderia ter gasto, e o utilizava para coisas como mandar esculpir à mão apoios para os pés feitos de mármore no formato de baleias para os bancos do bar de seu iate.

Mesmo assim, ele enfrentou um problema de escassez muito maior do que a grande parte de nós um dia já pensou enfrentar. Onassis era vítima de miastenia grave, uma doença neurológica autoimune debilitante e progressiva, e, por esse motivo, para ele, a escassez que importava não era a de dinheiro, mas sim de tempo, energia e habilidade física necessários para realizar atividades comuns do dia a dia.

 

Capítulo 2 - O ferta e demanda

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C A PÍ T U L O 2

OFERTA E DEMANDA

E

m 1979, eu estava trabalhando para o governo federal e morando em Washington

D.C., e, da janela do meu apartamento, dava para ver um posto de gasolina. Com

16 bombas, ele era maior do que a maioria, mas, exceto por isso, era como os modernos postos urbanos de autoatendimento.

Em abril daquele ano, ocorreu uma grande interrupção da oferta de petróleo no

Oriente Médio, o que fez os preços da gasolina dispararem. Para evitar que os preços subissem ainda mais, a administração do governo Carter implementou um complexo sistema de alocações de combustível e controles de preço, cujo resultado foi que muitos mercados urbanos obtiveram substancialmente menos gasolina do que a quantidade que os motoristas queriam comprar pelos preços regulados. No posto que eu via de minha janela, uma fila de carros se estendia regularmente por vários quarteirões.

Era comum haver discussões sobre a posição ocupada na fila, e muitos motoristas entravam em brigas físicas e gritarias. Um dos motoristas chegou até a levar um tiro e foi morto por furar fila. As tensões continuaram até as filas da gasolina diminuírem com o passar dos meses das viagens de férias.

 

Capítulo 3 - Escolhas racionais dos consumidores

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C A PÍ T U L O 3

ES COLHAS RACIONAI S

DOS CONSUMIDORES

V

ocê acaba de descontar o cheque de sua mesada e está a caminho da loja de música local para comprar um CD do Radiohead que você estava querendo, cujo preço é $10. No cenário 1, você perde $10 a caminho da loja e, no cenário 2, você compra o CD e, então, tropeça e cai saindo da loja; o disco se quebra quando bate na calçada. Tente imaginar como você reagiria em cada cenário. a. Você compraria o CD mesmo assim no cenário 1? b. Você voltaria e compraria outro CD no cenário 2?

Essas perguntas1 foram feitas recentemente a uma grande turma de alunos de graduação que nunca haviam feito nenhum curso de economia. Em resposta à primeira pergunta, 54% responderam sim, dizendo que eles comprariam o disco mesmo depois de perder a nota de $10. Mas apenas 32% responderam sim para a segunda pergunta

– 68% disseram que não comprariam um segundo disco depois de ter quebrado o primeiro. Não existe, é claro, nenhuma resposta “correta”. Os eventos descritos terão um impacto maior, por exemplo, sobre um consumidor mais pobre do que sobre um consumidor mais rico, contudo, um curto momento de reflexão revela que, pela lógica, seu comportamento deveria ser exatamente igual em ambos os cenários. Afinal, em ambos, a única mudança economicamente relevante é que agora você tem $10 a menos para gastar do que antes, e isso pode muito bem significar que você desistirá do CD; ou pode significar economizar menos ou abrir mão de algum outro bem que você teria comprado. Mas sua escolha não deve ser afetada pela forma específica como você ficou $10 mais pobre. Em ambos os cenários, o custo do CD é $10, e o benefício que você receberá escutando-o também é o mesmo. Ou você deve comprar o CD em ambos os cenários ou não comprá-lo em nenhum dos dois. Mesmo assim, como observado, muitas pessoas se comportariam de maneira diferente nos dois cenários.

 

Capítulo 4 - Demanda individual e demanda de mercado

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C A PÍ T U L O 4

DEMANDA INDIVIDUA L E

DEMANDA DE MERC A D O

U

ma libra de sal custa 30 centavos (de dólar) no supermercado onde faço compras.

Minha família e eu usamos a mesma quantidade de sal por esse preço que usaríamos se, em vez disso, ele fosse vendido por 5 centavos/lb ou mesmo $10/lb. Consumo também aproximadamente a mesma quantidade de sal que consumia durante a faculdade, quando minha renda era menos de um décimo do que é hoje.

Sal é um caso incomum. As quantidades que compramos de muitos outros bens são muito mais sensíveis a preços e rendas. Recentemente, por exemplo, eu e minha família passamos um ano de licença na Cidade de Nova York, onde o preço da moradia é mais de quatro vezes o que se paga em Ithaca. Enquanto estávamos lá, moramos em um apartamento que era menos da metade do tamanho de nossa casa atual.

PRÉVIA DO CAPÍTULO

Visto dentro da estrutura do modelo de escolhas racionais, meu comportamento em relação à compra de sal e moradia é perfeitamente compreensível. Nosso foco neste capítulo é usar as ferramentas do Capítulo 3 para esclarecer por que, exatamente, as respostas de várias decisões de compra a mudanças na renda e nos preços diferem tanto. No Capítulo 3, vimos como as mudanças nos preços e nas rendas afetam a restrição orçamentária. Agora, veremos como mudanças na restrição orçamentária afetam decisões de compra reais. Mais especificamente, usaremos o modelo de escolhas racionais para gerar uma curva de demanda do consumidor individual por um produto e empregaremos nosso modelo para construir uma relação que resuma como as demandas individuais variam de acordo com a renda.

 

Capítulo 5 - Aplicações da teoria de escolhas racionais e da teoriada demanda

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APLIC AÇÕES DA

T EO RIA DE ESCOLHAS

R ACIONAIS E DA TEO R I A

DA DEMANDA

N

o ano acadêmico de 2009-2010, as anuidades e outras taxas da Cornell University passavam de $36.000. A universidade tem uma política especial segundo a qual os filhos de docentes que a frequentarem terão de pagar somente as taxas, que chegam a aproximadamente $2.500/ano. Nem é preciso dizer que essa política é um forte incentivo financeiro para os filhos de docentes frequentarem a Cornell.

O comitê de remuneração dos docentes discutiu durante muitos anos que a universidade deveria oferecer os mesmos benefícios aos filhos de docentes que frequentassem outras universidades além da Cornell, porém a resposta tradicional da universidade é que ela não podia arcar com tal oferta. Incitada pelos economistas do comitê, no entanto, a administração finalmente deu um passo nessa direção, comprometendo-se a pagar um terço das anuidades e das taxas em outras universidades. Para sua surpresa, essa nova política não custou nenhum dinheiro à universidade. Na verdade, ela economizou muito, pois o número de filhos de docentes que frequentava a

 

Capítulo 6 - A economia da informação e escolhas sob condiçõesde incerteza

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A ECONOMIA DA

IN FO RMAÇ ÃO E

ES COLHAS SOB

C ONDIÇÕES DE

IN CERTEZA

Q

uando um sapo e seu rival competem pela mesma companheira, cada um deles enfrenta uma importante decisão estratégica. Eles devem lutar por ela ou sair em busca de outra? Lutar é enfrentar o risco de se ferir, mas continuar a busca também acarreta custos e, na pior das hipóteses, consumirá tempo. Além disso, não há garantia de que a próxima companheira em potencial não será também o objeto da afeição de algum outro sapo.

A avaliação de cada sapo das capacidades de luta do outro desempenha um importante papel nessa decisão. Se a capacidade de um rival é consideravelmente maior, a probabilidade de vencer será baixa e a probabilidade de se ferir será alta, então, é prudente continuar a busca. Caso contrário, pode valer a pena lutar.

Muitas dessas decisões têm de ser tomadas à noite, quando é difícil de enxergar, então os sapos consideram adequado contar com várias pistas não visuais, cuja mais confiável é o tom do coaxar do rival. Em geral, sapos maiores têm cordas vocais mais longas e mais grossas, e, consequentemente, seu coaxar é mais grave. Ao ouvir um coaxar grave à noite, um sapo pode razoavelmente inferir que foi um sapo grande que o emitiu. De fato, experimentos mostraram que o sapo comum tem muito mais chances de ser intimidado por um coaxar grave do que por um agudo.1

 

Capítulo 7 - Explicando gostos: a importância do altruísmo eoutros comportamentos não egoístas

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C A PÍ T U L O 7

EX PLIC ANDO GOSTO S :

A IMP ORTÂNCIA DO

ALTRUÍSMO E OUTRO S

C OMPORTAMENTOS

N ÃO EGOÍSTAS

A

premissa central da análise microeconômica é que as pessoas são racionais; no entanto, está longe de haver um consenso universal sobre o que isso significa.

Duas importantes definições de racionalidade são os chamados padrões do objetivo presente e do interesse próprio.1 Uma pessoa é racional sob o padrão do objetivo presente se for eficiente na busca de qualquer objetivo que ela possa ter no momento da ação. Sob esse padrão, não há nenhuma tentativa de avaliar se os meios usados para se alcançar esses objetivos fazem sentido. Se alguém tem preferência por comportamentos autodestrutivos, por exemplo, a única exigência para que esse comportamento seja racional sob o padrão do objetivo presente é que a pessoa busque-o da maneira mais eficiente disponível. Sob o padrão do interesse próprio, ao contrário, supõe-se, já no início, que as motivações da pessoa sejam congruentes com seus interesses materiais estritos. Motivações como o altruísmo, fidelidade a princípios, desejo de justiça, entre outros, simplesmente não são consideradas sob o padrão do interesse próprio.

 

Capítulo 8 - Limitações cognitivas e comportamentodo consumidor

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C A PÍ T U L O 8

L IM I TAÇÕES COGNITI VAS

E COMPORTAMENTO D O

C ONSUMIDOR

A

Cornell University possui dois conjuntos de quadras de tênis para o corpo docente: um de quadras cobertas e um de quadras externas. Pode-se entrar como sócio nas quadras externas por uma taxa fixa por pessoa, sem nenhuma taxa adicional baseada no uso efetivo da quadra. As quadras cobertas, ao contrário, possuem não somente uma taxa sazonal, mas também uma taxa de $20/hora pelo uso da quadra. Os valores mais altos cobrados pelas quadras cobertas refletem os custos adicionais de aquecimento, eletricidade e manutenção do prédio. Elas são liberadas no início de outubro, quando o tempo em Ithaca, N.Y., pode variar de dias ensolarados e temperaturas amenas a vento e chuva com neve. As quadras externas permanecem abertas, se o tempo permitir, até o início de novembro.

A demanda pelas quadras cobertas é intensa e as pessoas que querem jogar com regularidade têm de se comprometer a reservar uma hora específica toda semana, pagando pela hora mesmo que a quadra não venha a ser usada. Quando o tempo está bom, quase todos preferem jogar nas quadras externas, que ficam localizadas em um dos pitorescos desfiladeiros de Ithaca.

 

Capítulo 9 - Produção

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C A PÍ T U L O 9

PRODUÇ ÃO

M

uitas pessoas pensam em produção como um processo altamente estruturado, geralmente mecânico, por meio do qual matérias-primas são transformadas em bens acabados. E, sem dúvida, grande parte da produção – como um pedreiro assentando tijolos para formar as paredes de uma casa – é mais ou menos desse tipo. Os economistas enfatizam, no entanto, que a produção também é um conceito muito mais geral, que engloba muitas atividades que, normalmente, não são pensadas como tal.

Definimos produção como qualquer atividade que crie utilidade presente ou futura.

Assim, o simples ato de contar uma piada constitui produção. Woody Allen

(Figura 9.1) conta a história de um homem que reclama com seu analista que seu irmão pensa que é uma galinha. “Por que você não diz a ele que ele não é uma galinha?”, pergunta o analista, ao que o homem responde: “Não posso, preciso dos ovos”. Quando uma piada é contada, ela não deixa nenhum traço tangível além de uma memória agradável, mas segundo a definição econômica de produção, Woody

 

Capítulo 10 - Custos

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C USTOS

L

ogo depois de terminar a faculdade, fui professor de matemática e ciências no ensino médio em Sanischare, um pequeno vilarejo no Nepal ocidental. Durante os dois anos que passei lá, uma das poucas estradas do país que cortava Sanischare estava em construção. Quando o caminho para a construção da estrada foi aberto e as galerias e pontes foram incorporadas, o passo seguinte era espalhar cascalho sobre o leito da estrada. Assim como em quase todas as outras etapas do processo, os métodos empregados nesta etapa eram uma página rasgada de outro século. Os trabalhadores nepaleses se agachavam à beira da estrada debaixo de um sol escaldante, batendo em grandes pedras com suas marretas. Em um dia de trabalho de 12 horas, cada trabalhador produzia um pequeno montinho de cascalho, que não era suficiente nem mesmo para cobrir meio metro de estrada. Entretanto, havia muitas pessoas trabalhando e, finalmente, o trabalho foi concluído.

Nos Estados Unidos, é claro, não contratamos pessoas para transformar pedras em cascalho à mão. Em vez disso, temos máquinas enormes que pulverizam várias toneladas de pedra a cada minuto. O motivo dessa diferença me parecia óbvio na época: o Nepal, sendo um país muito pobre, simplesmente não podia arcar com os equipamentos caros usados nos países industrializados. Mas essa explicação, hoje percebo, está errada. Como veremos, ainda assim teria feito sentido para o Nepal fazer cascalho com trabalho manual mesmo que ele tivesse um vasto excedente de receitas em seu tesouro nacional, pois lá a mão de obra é muito barata em relação ao capital (equipamentos).

 

Capítulo 11 - Concorrência perfeita

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C ONCORRÊNCIA

PER FEITA

I

magine-se como membro da assembleia legislativa do Colorado. Você foi solicitado para votar em um projeto de lei cujo propósito é diminuir a pobreza entre os fazendeiros de uma zona rural. Os fazendeiros dessa zona alugam as terras de proprietários e podem ficar com os lucros da venda das colheitas que eles plantam. Por causa da escassez de chuvas, suas colheitas normalmente são parcas, resultando em rendas muito baixas para o trabalhador médio. O projeto de lei em consideração autorizaria fundos públicos a construírem um sistema de irrigação que dobraria o rendimento das colheitas nas terras desta região.

Você apoia o projeto de lei e está a ponto de votar a favor, quando encontra sua assistente legislativa, uma estagiária que se formou em economia. Ela o instiga nos termos mais fortes possíveis a não votar a favor do projeto de lei, admitindo que o projeto dobraria o rendimento das colheitas e que também é solidária ao objetivo de oferecer melhores condições aos fazendeiros. Mesmo assim, insiste que o projeto de lei teria pouco ou nenhum efeito de longo prazo sobre os lucros dos fazendeiros. Sua assistente lhe deu sólidos conselhos sobre assuntos similares no passado e você decide escutá-la.

 

Capítulo 12 - Monopólio

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M ONOP ÓLIO

P

raticamente todo cinema cobra valores diferentes de ingressos de espectadores que pertencem a diferentes grupos. Estudantes e idosos pagam um preço diferente do preço pago por adultos. Alguns cinemas vendem pacotes de ingressos a um preço unitário mais baixo do que os ingressos vendidos na hora, e as pessoas que frequentam as sessões na hora do almoço às vezes pagam muito menos do que os que frequentam sessões à noite. Nenhuma dessas práticas seria esperada sob nosso modelo de concorrência perfeita, que defende que todos os compradores paguem um único preço por um produto totalmente padronizado (a chamada lei do preço único).

Os mesmos operadores de cinema que cobram diferentes preços de ingressos de diferentes grupos adotam outra prática quando o assunto é venda de itens nas lojinhas de conveniência do cinema. Nesse caso, a lei do preço único quase sempre prevalece.

Estudantes, adultos, idosos, jogadores da liga nacional de basquete, clérigos, frentistas e todos os outros clientes pagam exatamente o mesmo preço pela pipoca. A mesma observação se aplica aos preços de refrigerantes e balas. Esses preços, no entanto, são normalmente muito mais altos do que os que vemos para os mesmos itens vendidos em supermercados e outros estabelecimentos de varejo, certamente muito mais altos do que qualquer medida razoável do custo marginal de oferecê-los.

 

Capítulo 13 - Concorrência imperfeita: Uma abordagem baseadana teoria dos jogos

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C ONCORRÊNCIA

IM PERFEITA: UMA

AB ORDAGEM B ASEADA

N A TEORIA DOS JOGO S

C

onta-se que três advogados e três economistas se encontram em uma manhã ao chegar à estação 30th Street, na Filadélfia, para pegar o trem Metroliner para

Nova York, onde eles têm uma reunião anual da Law and Economics Association.

Cada um dos advogados compra uma passagem só de ida. Para sua surpresa, no entanto, eles percebem que os economistas que estão na fila ao lado compram apenas uma passagem só de ida para os três. “O que eles estão aprontando?”, pergunta um dos advogados em voz alta para seus colegas enquanto os seis homens se sentam no trem.

Pouco depois de o trem partir, os advogados percebem que o condutor que perfura as passagens está no carro da frente. Nesse momento, os três economistas rapidamente se apertam em um dos banheiros no fundo do carro. Logo o condutor vem e pede as passagens de cada um dos advogados e, a caminho do carro seguinte, bate na porta do banheiro ocupado, dizendo: “a passagem, por favor.” Eles abrem só uma frestinha da porta e uma mão se estica para fora e apresenta uma passagem, que o condutor se encarrega de perfurar e devolver.

 

Capítulo 14 - Trabalho

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T R AB ALHO

D

urante a temporada de 1931, o rebatedor Babe Ruth, do Yankees, era o jogador mais bem pago do beisebol, com um salário anual de $85 mil. Quando lhe perguntaram como ele sentia ganhando mais do que o Presidente Herbert Hoover, Ruth respondeu, com sua característica bravata, que ele merecia aquilo. “Tive um ano muito melhor do que o de Hoover”, ele explicou.

As diferenças de produtividade, no entanto, nem sempre são suficientes para explicar diferenças salariais entre os trabalhadores. Por exemplo, há um amplo movimento de funcionários entre os setores público e privado e, observando o que acontece nesses movimentos, sabemos que as pessoas altamente produtivas quase sempre ganham drasticamente menos no setor público. Assim, o antigo presidente do Conselho de Diretores da Reserva Federal dos Estados Unidos, Alan Greenspan, que ocupava talvez o cargo mais importante do governo norte-americano, ganhava menos de um décimo do salário que recebia em Wall Street.

 

Capítulo 15 - Capital

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C A PITAL

A

revista Fortune certa vez realizou uma pesquisa solicitando que empresas líderes identificassem as “empresas mais bem administradas na América do Norte”. Os participantes não podiam citar suas próprias empresas e houve uma sobreposição considerável nas listas enviadas. Algumas empresas, como a Procter & Gamble, apareceram em praticamente todas as listas.

As pessoas pesquisadas eram, talvez, as observadoras mais informadas a quem tal pergunta pudesse ter sido feita, e há todos os motivos para se crer que as empresas citadas, de fato, estavam entre as mais bem administradas. No entanto, um estudo complementar descobriu que as pessoas que compraram ações dessas empresas depois da publicação da pesquisa ganharam um pouco menos com seus investimentos do que o retorno médio da bolsa de valores como um todo.

Vemos um padrão similar no que diz respeito aos conselhos de investimento publicados em boletins informativos de investimento. Esses boletins informativos são compilados pelos melhores analistas financeiros do país e muitas vezes são vendidos por centenas de dólares por ano. As listas de assinatura incluem alguns dos mais sofisticados membros da comunidade de investimentos. E, contudo, as ações recomendadas na maioria desses boletins não têm um desempenho melhor, em média, do que as ações escolhidas por um macaco jogando dardos no caderno de finanças do jornal.

 

Capítulo 16 - Externalidades, direitos de propriedade e o teoremade Coase

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EX TERNALIDADES,

DIREITOS DE

PROPRIEDADE E O

T EO REMA DE COASE

N

a esquina das ruas 22nd e M, em Washington D.C., houve um famoso restaurante chamado Blackie’s House of Beef. Durante um boom imobiliário na década de

1970, esse local surgiu como um ponto nobre para a construção de altos edifícios comerciais. Com a passagem de cada mês, o custo de oportunidade de continuar a operar um restaurante de apenas um andar naquele ponto da cidade continuava a subir rapidamente. No entanto, os proprietários do Blackie’s não tinham a intenção de abandonar seu local. O restaurante era o negócio da família há muitos anos, e eles estavam determinados a mantê-lo.

Finalmente, eles chegaram a uma solução criativa: negociaram um acordo multimilionário em que, sem tocar em um único tijolo do restaurante, um arranha-céu seria construído sobre pilotis acima do estabelecimento. O Blackie’s continuou aberto até

2006, uma excêntrica taberna do velho mundo aninhada sob o enorme Hotel Marriott.

 

Capítulo 17 - Governo

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G OVERNO

A

s empresas de telefonia local nos Estados Unidos são monopólios regulamentados e, por isso, as agências reguladoras governamentais têm de decidir todos os seus encargos para o público. Historicamente, as agências reguladoras evitavam que se cobrassem pelas ligações para serviços de auxílio à lista por acreditar que esses encargos

“diminuiriam o valor de uma rede vital de comunicações públicas”. Essa conclusão, obviamente, parecia irremediavelmente vaga para a maioria dos economistas. As ligações para o serviço de auxílio à lista custam muito à empresa telefônica (e, logo, à sociedade), e o temor imediato do economista é que as pessoas não sejam econômicas em seu uso desse ou de qualquer outro recurso pelo qual elas não tenham de pagar.

Há alguns anos, a Comissão de Serviços Públicos do Estado de Nova York (que regula as empresas de telefonia da cidade) propôs que as empresas começassem a cobrar 10 centavos por cada ligação feita para o serviço de auxílio à lista. Essa proposta sensata de dar às pessoas um incentivo para procurar os números sozinhas na lista telefônica alegrou os economistas, mas gerou uma resposta muito diferente dos grupos de defesa do consumidor. Esses gupos contrataram sociólogos e outros peritos, que testemunharam dizendo que a malha social deterioraria fortemente se as pessoas fossem penalizadas por tentar entrar em contato umas com as outras. Outras testemunhas reclamaram que os encargos imporiam um ônus inaceitável sobre os pobres.

 

Capítulo 18 - Equilíbrio geral e eficiência de mercado

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EQUILÍBRIO GERAL

E EF ICIÊNCIA DE

M ERC ADO

O

s barbeiros ganham hoje mais do que há 50 anos, não porque eles cortam cabelos mais rápido do que antes, mas porque a produtividade cresceu muito rapidamente nas outras ocupações que eles poderiam ter escolhido. Seguindo a mesma linha de raciocínio, o papel de tamanho 8 1/2” x 11” hoje é vendido em quantidades muito maiores, não porque descobrimos uma maneira mais barata de produzi-lo, mas porque muito mais pessoas hoje têm suas próprias impressoras e copiadoras. E sabemos que quando uma geada destrói metade da colheita de café no Brasil, o preço do chá plantado em Darjeeling, na Índia, normalmente aumenta substancialmente.

Nos capítulos anteriores, vislumbramos ocasionalmente as ricas relações entre os mercados no mundo real. Mas, na maior parte do tempo, ignoramos essas ligações a favor do que os economistas chamam de análise de equilíbrio parcial – o estudo de como os mercados individuais funcionam isoladamente. Uma de nossas tarefas neste capítulo é investigar as propriedades de um sistema de mercados interconectado. Isso é chamado análise de equilíbrio geral e seu foco é tornar explícitas as relações que existem entre os mercados individuais. Ela leva em consideração, por exemplo, o fato de os insumos fornecidos para um mercado serem indisponibilizados para qualquer outro e que um aumento na demanda em um mercado implica uma redução na demanda em outros.

 

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