O Capital, 8ª edição

Autor(es): MARX, Karl
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Ame ou odeie. Mas, antes, conheça._x000D_
A clássica edição do livro O Capital, de Karl Marx, _x000D_
organizada por Julian Borchardt, é o melhor resumo para um dos livros _x000D_
mais influentes e complexos do pensamento humano moderno. Chega agora às_x000D_
livrarias a nova edição comemorativa pelos 200 anos de Karl Marx. _x000D_
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O principal mérito de Borchardt é selecionar e reordenar passagens dos três volumes de O Capital que tratam dos principais conceitos de Karl Marx,_x000D_
evitando qualquer interferência e inserindo apenas notas para _x000D_
esclarecer os conteúdos mais complexos e obscuros do texto original. _x000D_
Deste modo, as teorias marxistas sobre trabalho, lucro, juros, capital, preço, mercadoria, acumulação, valor e mais-valia tornam-se acessíveis a todos que estudam a história do pensamento econômico e filosófico e se interessam pela história política dos últimos dois séculos, incluindo questões sobre capitalismo, neoliberalismo, socialismo e comunismo. A leitura também é indicada para pessoas que querem ter um primeiro contato com o pensamento de Karl Marx. _x000D_
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Não à toa, mesmo após cinquenta anos do lançamento no Brasil, O Capital, resumido por Borchardt, ainda hoje é lido por estudantes de graduação em Ciências Econômicas, Ciências Sociais, Ciência Política, História, _x000D_
Comunicação Social e Filosofia, além de adotado por professores dessas _x000D_
áreas. _x000D_
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Disponível nas versões livro impresso e e-book.

27 capítulos

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Capítulo 1 - Mercadoria, preço e lucro

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capítulo

1

Mercadoria, Preço e Lucro*

A Economia Política trata do modo pelo qual os homens procu‑ ram os bens dos quais têm necessidade para viver. Nos Estados capi‑ talistas modernos, os homens procuram esses bens unicamente pela compra e venda de mercadorias; tomam posse delas, comprando‑as com dinheiro, que constitui sua renda. Há formas bastante diversas de renda, que podem, todavia, ser classificadas em três grupos: o capital rende cada ano ao capitalista um lucro, a terra rende ao proprietário rural uma renda fundiária, e a força de trabalho – em condições normais e enquanto permaneça útil – rende ao operário um salário. Para o capitalista, o capital; para o proprietário rural, a terra e, para o operário, sua força de trabalho, ou, mais ainda, seu próprio trabalho, aparecem como fontes diferentes de suas rendas: lucro, renda fundiária e salário. E essas rendas lhes aparecem como frutos, para consumir anualmente, de uma árvore, ou, mais exata‑ mente de três, que não morrem jamais; essas rendas constituem as rendas anuais de três classes: a dos capitalistas, a dos proprietários

 

Capítulo 2 - Lucro e venda de mercadorias

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capítulo

2

Lucro e Venda de Mercadorias*

Mas como pode um lucro nascer de si próprio a partir do capital?

Para a produção de uma mercadoria, o capitalista tem necessidade de certa soma, digamos 100 xelins. Esta soma deve representar todas as suas despesas em matéria‑prima, salários, manutenção das máqui‑ nas, aparelhos, construções etc. Ele vende em seguida a mercadoria fabricada por 110 xelins. Admitir que a mercadoria fabricada vale real‑ mente 110 xelins seria admitir que este valor que aí foi acrescentado no curso da produção nasceu do nada. Porque todos os valores pagos à razão de 100 xelins pelo capitalista já existiam antes da produção desta mercadoria. Ora, tal criação do nada repugna ao bom senso. Porque sempre se achou e ainda se acredita que o valor da mercadoria não aumenta durante o curso da produção, mas que o capitalista após a fabricação da mercadoria continua tendo em mãos o mesmo valor que antes, ou seja, em nosso exemplo, 100 xelins.

De onde provêm então os 10 xelins suplementares que ele recebe com a venda da mercadoria? O simples fato de que a mercadoria passe das mãos do vendedor para as do comprador não seria sufi‑

 

Capítulo 3 - Valor de uso e valor de troca – o trabalho socialmente necessário

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capítulo

3

Valor de Uso e Valor de Troca – O Trabalho

Socialmente Necessário*

A mercadoria é de início um objeto externo, uma coisa que satis‑ faz para seus proprietários uma necessidade humana qualquer. Toda a coisa útil, tal como o ferro, o papel etc., deve ser considerada sob um duplo aspecto: a qualidade e a quantidade. Cada uma é um conjunto de qualidades numerosas e pode ser útil às mais diversas finalidades. É a utilidade de uma coisa que lhe dá um valor de uso.

Mas essa utilidade não surge no ar. É determinada pelas proprieda‑ des físicas das mercadorias e não existe sem isso. A mercadoria em si, tal como o ferro, o trigo, o diamante etc., é, pois, um valor de uso, um bem.

O valor de troca aparece de início como a relação quantitativa pela qual os valores de uso de uma espécie se trocam pelos valores de uso de outra. Uma quantidade tal de mercadoria troca‑se regu‑ larmente por outra tal quantidade de outra mercadoria: é seu valor de troca – relação que varia com tempo e lugar. O valor de troca

 

Capítulo 4 - Compra e venda de força de trabalho

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capítulo

4

Compra e Venda de Força de Trabalho*

Após ver que o valor das mercadorias corresponde apenas ao trabalho humano nelas contido, voltemos agora à questão de saber como o fabricante pode tirar da produção de suas mercadorias um valor superior àquele que foi dispensado nelas.

Coloquemos ainda uma vez os termos do problema. Para a produ‑

ção de certa mercadoria, ele tem necessidade de certa quantia, diga‑ mos de 100 xelins; em seguida, vende a mercadoria fabricada por

110 xelins. Tendo mostrado, após examinar, que o valor suplementar de 10 xelins não pode provir da circulação, é preciso que ele pro‑ venha da produção. Por exemplo, para fazer o fio com certos meios de produção, tais como máquinas, algodão e acessórios, é realizado um trabalho na fiação. Como esse trabalho é socialmente neces‑ sário, ele gera valor. Acrescenta, pois, a determinadas matérias da produção – em nosso exemplo, ao algodão bruto – um novo valor, incorporando simultaneamente ao fio o valor das máquinas utiliza‑ das etc. Permanece, todavia, o problema de que o capitalista parece ter incluído no preço de custo o trabalho fornecido. Porque, ao lado

 

Capítulo 5 - Como se forma a mais valia

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5

Como se Forma a Mais‑Valia*

A utilização da força de trabalho é o trabalho. O comprador da força de trabalho consome fazendo o vendedor trabalhar. Com uma olhada sagaz de conhecedor, o fabricante escolheu os meios de pro‑ dução apropriados para certos serviços especiais: a fiação, a sapata‑ ria etc. Ele se apressa, pois, em consumir a mercadoria comprada, a força de trabalho, fazendo que os próprios meios de produção sejam consumidos pelo detentor da força de trabalho, pelo operário com seu trabalho. O capitalista é forçado a aceitar de início a força de trabalho, tal como ele a encontra no mercado, e o trabalho, tal como ele nasceu em uma época em que não havia ainda capitalistas. A transformação do modo de produção em virtude da subordinação do trabalho ao capital não pode operar‑se senão mais tarde.

O processo de trabalho, enquanto processo de consumo da força de trabalho pelo capitalista, apresenta dois fenômenos particulares.

O operário trabalha sob o controle do capitalista, a quem pertence seu trabalho. O capitalista zela para que o trabalho se processe como

 

Capítulo 6 - Capital constante e capital variável – capital fixo e capital circulante (ou líquido)

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capítulo

6

Capital Constante e Capital Variável – Capital

Fixo e Capital Circulante (ou Líquido)*

Agora que sabemos que uma mais‑valia resulta da produção de mercadorias, e de que modo ela se faz, fica claro que a mais‑valia produzida em cada empresa particular deve ser necessariamente dife‑ rente, e isso sem levar em conta a grandeza do capital. Vimos, com efeito, que a mais‑valia nasce unicamente do trabalho vivo, nova‑ mente realizado, e não dos meios de produção já existentes. Em nosso exemplo, do fiador do algodão, o capitalista pagou 24 xelins pela totalidade dos meios de produção (algodão e instrumentos de trabalho), mais 3 xelins do salário. A fiação não modificou em nada os 24 xelins, isto é, o valor dos meios de produção; ela transmitiu ao fio esse valor, que permaneceu exatamente o mesmo. Os 3 xelins de valor, ao contrário, foram consumidos sob forma de salários, e em seu lugar nasceu um novo valor de 6 xelins.

A parte do capital que se transforma em meios de produção, isto

 

Capítulo 7 - Formação de uma taxa de lucro uniforme (ou média)

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capítulo

7

Formação de uma Taxa de Lucro Uniforme

(ou Média)*

Retornemos agora à questão da influência exercida sobre a taxa de lucro pela diferença existente entre o capital fixo e o capital circu‑ lante. Em nosso quadro havíamos admitido que todo o capital cons‑ tante aparece imediatamente no valor do produto (que é então intei‑ ramente capital circulante). Isso pode acontecer, mas não é regra. É preciso levar em conta que geralmente é apenas uma parte do capi‑ tal constante que se consome, o resto permanece intacto. Conforme o que permaneça intacto seja maior ou menor, as mais‑valias geradas

– contanto que permaneçam iguais as outras circunstâncias – por capitais de iguais importâncias devem naturalmente ser diferentes.

Consideremos o quadro seguinte (supondo sempre que a mais‑valia

é de 100%, isto é, que a força de trabalho produza além de seu pró‑ prio valor uma mais‑valia exatamente igual a este):

* Vol. III, 1a parte, Cap. 9.

 

Capítulo 8 - Métodos para o aumento da mais valia

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capítulo

8

Métodos para o Aumento da Mais‑Valia*

A mais‑valia é produzida pelo emprego da força de trabalho.

O capital compra a força de trabalho e paga, em troca, o salário.

Trabalhando, o operário produz um novo valor, que não lhe per‑ tence, e sim ao capitalista. É preciso que ele trabalhe certo tempo para restituir unicamente o valor do salário. Mas isso feito, ele não para, mas trabalha ainda mais algumas horas por dia. O novo valor que ele produza agora, e que passa então ao montante do salário, se chama mais‑valia.

O capital, consequentemente, obtém de início uma produção de mais‑valia prolongando simplesmente a jornada de trabalho além do tempo de trabalho “necessário” (“necessário” no sentido de substi‑ tuição do valor da força de trabalho). De início, o capital subordina o trabalho às condições técnicas nas quais ele se encontra histori‑ camente. Ele não transforma imediatamente o modo de produção.

* Vol. I, Caps. 8, 9 e 10.

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Capítulo 9 - A revolução operada pelo capital no modo de produção

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capítulo

9

A Revolução Operada pelo Capital no Modo de Produção* a)

A cooperação

A produção capitalista começa quando o mesmo capital individual ocupa simultaneamente um grande número de operários, quando o processo de trabalho estende seu campo de ação e fornece produtos em grande quantidade. A atividade de um número maior de operá‑ rios, trabalhando ao mesmo tempo e no mesmo lugar (ou, se qui‑ sermos, no mesmo campo de trabalho), sob as ordens do mesmo capitalista, visando à produção da mesma espécie de mercadorias, constitui o ponto de partida histórico e formal da produção capitalista.

Em relação ao modo de produção, a manufatura, no seu início, pouco distingue‑se da indústria artesanal corporativa, a não ser pelo fato de ela ocupar simultaneamente um número maior de operários. A oficina do mestre simplesmente cresceu.

* Vol. I, Cap. 11.

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A Revolução Operada pelo Capital no Modo de Produção  45

 

Capítulo 10 - Efeitos desses progressos na situação da classe operária

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capítulo

10

Efeitos desses Progressos na Situação da Classe Operária* a) Trabalho de mulheres e de crianças

O emprego das máquinas torna supérflua a força muscular e torna‑se meio de emprego para operários sem força muscular, ou com um desenvolvimento físico não pleno, mas com uma grande flexibilidade. Façamos trabalhar mulheres e crianças! Eis a solução que pregava o capital quando começou a utilizar‑se das máquinas.

Essa potência que substituía o trabalho e os operários se tornou assim um meio de aumentar o número dos assalariados, englobando todos os membros da família e submetendo‑os ao capital. O trabalho forçado em proveito do capital substituiu os brinquedos da infância e mesmo o trabalho livre, que o operário fazia para sua família no círculo doméstico e nos limites de uma moralidade sã.**

* Vol. I, Cap. 13, n. 3‑10.

** Durante a crise da indústria algodoeira que assolou a Inglaterra depois de 1860 – devido à guerra civil norte‑americana – o governo inglês enviou, para alguns distritos onde essa indústria se localizava, um médico, o Dr. Smith, encarregado de levantar o

 

Capítulo 11 - Queda da taxa de lucro

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capítulo

11

Queda da Taxa de Lucro*

A constante diminuição relativa do número de operários emprega‑ dos deve influenciar de modo particular a taxa de lucro.

A finalidade das máquinas (do mesmo modo que a dos pro‑ gressos técnicos dos períodos anteriores) é economizar trabalho. A mesma quantidade, ou mesmo uma quantidade maior, de mercado‑ rias é produzida por um menor número de operários. O trabalho vivo, adquirindo um rendimento elevado, torna‑se mais produtivo.

Aumentar a produtividade: eis o alfa e o ômega de todo progresso econômico.

Porém, isso significa que um mesmo número de operários traba‑ lha uma quantidade sempre maior de matéria‑prima e de meios de trabalho. Se, por exemplo, graças à ajuda das máquinas, os operários podem fabricar dez vezes mais fio de algodão do que fabricavam antes no mesmo tempo, passam a necessitar dez vezes mais algo‑ dão, acrescentando‑se o corpo potente e precioso da máquina de um valor muito maior que o das antigas ferramentas dos artesãos.

 

Capítulo 12 - A acumulação do capital

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capítulo

12

A Acumulação do Capital* a)

A continuidade da produção (reprodução)

Uma sociedade assim como não pode parar de consumir também não pode parar de produzir. Nenhuma sociedade pode constante‑ mente produzir sem transformar continuamente uma parte de seus produtos em meios de produção. Permanecendo as mesmas todas as outras circunstâncias, ela não pode reproduzir ou manter sua riqueza em um grau, a não ser que os meios de produção consumidos, por exemplo, durante o ano (meios de trabalho, matérias‑primas e maté‑ rias acessórias), sejam substituídos por uma quantidade igual de outros artigos da mesma espécie, que é preciso separar do volume anual de produtos e incorporar de novo no processo de produção.

Determinada parte da produção anual pertence à produção e deve ser fabricada com esta finalidade.

Em uma sociedade capitalista, todo meio de produção serve de capital, porque acarreta a seu possuidor, devido ao trabalho assala‑ riado, a mais‑valia. Com efeito, o capitalista não quer tirar a mais‑valia

 

Capítulo 13 - O efeito da acumulação sobre os operários. O exército industrial de reserva. Teoria da pauperização

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capítulo

13

O Efeito da Acumulação sobre os Operários.

O Exército Industrial de Reserva.

Teoria da Pauperização*

Se uma parte da mais‑valia se acrescenta ao capital, e consequen‑ temente é empregada como capital adicional, é evidente que este capital adicional tem necessidade de operários. Permanecendo inal‑ teradas todas as outras circunstâncias, em particular a mesma quan‑ tidade de meios de produção (capital constante), é exigida sempre a mesma quantidade de força de trabalho (capital variável) para ser posta em valor; assim, a procura de trabalho aumentará necessaria‑ mente, tanto mais rapidamente quanto mais rápido for o aumento do capital. Ora, o capital produz cada ano uma mais‑valia cuja fração se acrescenta anualmente ao capital primitivo; esta própria mais‑valia aumenta cada ano, pois que – com a acumulação – o capital torna‑se maior; enfim, com o aguçamento do instinto de enriquecimento, com

* Vol. I, Cap. 23.

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Capítulo 14 - A chamada acumulação primitiva

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14

A Chamada Acumulação Primitiva*

Já vimos como o capital produz a mais‑valia e como a mais‑valia produz um novo capital. Mas a acumulação do capital pressupõe a mais‑valia, como esta pressupõe a produção capitalista, e esta, por sua vez, a concentração nas mãos dos produtores de mercadorias de massas consideráveis de capital ou força de trabalho. Todo esse movi‑ mento parece, assim, mover‑se em um círculo vicioso, de onde não podemos sair a não ser pressupondo, anteriormente à produção capi‑ talista, uma acumulação primitiva que seria não o resultado, mas o ponto de partida ao modo de produção capitalista.

Essa acumulação primitiva desempenha na Economia Política quase o mesmo papel que o pecado original na Teologia. Adão comeu a maçã, e o pecado caiu sobre todo o gênero humano. Explicam‑nos a origem dessa acumulação por meio de um conto reportado a um passado longínquo. Certa vez, faz muito tempo, havia uma elite labo‑ riosa, inteligente e, sobretudo, econômica, e, por outro lado, um bando de preguiçosos que esbanjavam o que tinham e o que não tinham em festas e farras. A lenda do pecado original nos conta, é

 

Capítulo 15 - A tendência da acumulação capitalista

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15

A Tendência da Acumulação Capitalista*

Qual a tendência da acumulação primitiva do capital, ou seja, sua gênese histórica? Na medida em que ela não é simplesmente a transformação direta de escravos e servos em assalariados – em consequência uma simples mudança de forma –, configura apenas a expropriação do produtor direto, quer dizer, a dissolução da pro‑ priedade privada fundada no trabalho pessoal.

A propriedade privada do operário sobre os meios de produção

é a condição necessária da pequena indústria, e esta é a condição necessária do desenvolvimento da produção social e da livre indivi‑ dualidade do próprio operário. É verdade que esse modo de produ‑

ção existe também na escravidão, na servidão e outros regimes de dependência. Mas ele não prospera, não libera toda a sua energia e não adquire a forma clássica adequada senão no lugar em que o operário é livre proprietário pessoal das condições de trabalho que ele mesmo determina; o camponês possui a terra que cultiva, o arte‑ são, o instrumento que maneja com talento. Esse modo de produção pressupõe a fragmentação do solo e dos outros meios de produção.

 

Capítulo 16 - O salário

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capítulo

16

O Salário* a) Aspectos gerais

Na superfície da sociedade burguesa, o salário do operário apa‑ rece como o preço do trabalho, soma determinada de dinheiro paga em troca de uma quantidade determinada de trabalho. Fala‑se em valor do trabalho e se dá à sua expressão monetária o nome de preço necessário ou natural. Fala‑se igualmente em valores comer‑ ciais do trabalho, quer dizer, em preços superiores ou inferiores que oscilam em torno do preço necessário.

Mas o que é o valor de uma mercadoria? É a soma objetiva do trabalho social dispensado em sua produção. E pelo que mediremos a grandeza do seu valor? Pela quantidade de trabalho encerrada na mercadoria. Como seria determinado, por exemplo, o valor de uma jornada de trabalho de 12 horas? Pelas 12 horas de trabalho contidas em uma jornada de 12 horas. Mas isso é uma tautologia absurda.**

* Vol. I, Cap. 17.

** Tautologia: aparência de explicação que consiste, em vez de explicar, em dizer a mesma coisa com outras palavras. (J. B.)

 

Capítulo 17 - A moeda

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capítulo

17

A Moeda*

As mercadorias não podem ir sozinhas ao mercado nem trocar‑se por si mesmas. Devemos, dessa forma, voltar os olhos para seus guardiões, ou seja, seus possuidores.

Para seu possuidor, a mercadoria não tem valor de uso imediato.

Senão ele não a levaria ao mercado. Mas ela tem valor de uso para outro. Para ele mesmo, ela não tem diretamente outro valor de uso que o de representar um valor de troca, de ser permutável.** É por isso que ele quer desfazer‑se dela em troca de outra mercadoria cujo valor de uso lhe satisfaça. Essa mudança de mãos constitui a troca de mercadorias.

Para alienar um objeto de uso é preciso, primeiramente, que seu possuidor o tenha em uma quantidade que ultrapasse suas neces‑ sidades imediatas. Nesse caso, basta que, em um acordo tácito, os

* Vol. I, Caps. 2 e 3.

** “Pois o uso de toda coisa é duplo. Um é próprio à coisa enquanto tal, o outro, não; assim uma sandália serve como calçado e como objeto de troca. Os dois são valores de uso da sandália, pois aquele que troca a sandália por aquilo que lhe falta

 

Capítulo 18 - O processo de circulação e o tempo de circulação do capital

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capítulo

18

O Processo de Circulação e o Tempo de

Circulação do Capital*

Uma vez reconhecida a natureza do dinheiro – isto é, que ele é a figura material e tangível do valor de troca de todas as outras merca‑ dorias – uma vez determinadas as funções do dinheiro na circulação simples das mercadorias, resta estudar o dinheiro enquanto capital.

É preciso aqui não perder em nada de vista que convém entender por capital uma soma de valor que produz – ou ao menos deve produzir – mais‑valia. Já vimos de que maneira a mais‑valia é engendrada na produção de mercadorias. O capital‑dinheiro deve assim ser empregado na produção de mercadorias, quer dizer, nos meios de produção e na força de trabalho. Isto feito, a produção pode‑se realizar. Quando é concluída, é preciso ainda vender os produtos, a fim de tornar ao capital‑dinheiro – e ao mesmo tempo à mais‑valia engendrada – sua forma monetária.

O movimento de circulação do capital se opera em três estágios que constituem a série seguinte:

 

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