Cidades Sustentáveis, Cidades Inteligentes

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A obra oferece um panorama da sustentabilidade das cidades, abordando seus maiores desafios: questões ambientais, moradia, mobilidade, exclusão e segurança, oportunidades, governança. O autor propõe o debate de como tornar as cidades sustentáveis e inteligentes, apresentando os conceitos mais importantes do urbanismo sustentável, os novos paradigmas e exemplificando as iniciativas bem-sucedidas com casos reais.

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Capítulo 1 - As cidades se reinventam

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AS CIDADES SE

REINVENTAM

Em 1930, o economista John Keynes previu que a humanidade, dali a cem anos, iria enfrentar seu problema permanente: como usar a liberdade de preocupações econômicas prementes, como ocupar o lazer que a ciência e os ganhos econômicos lhe trariam para viver bem, sábia e agradavelmente?

Agora que faltam apenas 20 anos para o cenário proposto por Keynes, talvez seja oportuno nos debruçarmos sobre a grande questão do século: o planeta urbano.

Afinal, se o século 19 foi dos impérios e o 20, das nações, este é o das cidades. E as imensas inovações que ora se anunciam ocorrerão no território urbano.

Domingo, 18 de abril de 2010, 9h30. Uma elegante jovem negra corre pela calçada limpa e com piso semipermeável, concentrada no exercício matinal na primavera de sol. Ao virar na King Street, algumas cédulas caem de seu short sem que ela perceba. Ato contínuo, o jovem loiro, aparentemente um junkie típico das metrópoles contemporâneas ricas, deixa seu banco onde lia o jornal – mobiliário urbano de design impecável –, pega as notas no chão e berra pela atenção da garota que segue em frente sem escutá-lo, iPod ligado. Fico cada vez mais atento à cena urbana. Ele põe-se a correr atrás dela e, na outra esquina, onde ela para esperando a sinalização sonora para travessia da rua após a passagem do MUNI (o moderno trem urbano), finalmente consegue abordá-la. Conversa rápida, sorrisos trocados, agradecimentos gentis. Ele adentra o café da esquina.

 

Capítulo 2 - Planeta urbano, desenvolvimento sustentável

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Colocar um homem na Lua foi um dos maiores desafios conquistados pela humanidade no século 20. Agora o desafio talvez seja maior: o combate às mudanças climáticas requer a participação de bilhões de pessoas que habitam um planeta com recursos finitos e hábitos que urgem ser revistos. As cidades são o território onde a diferença é possível.

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PLANETA URBANO,

DESENVOLVIMENTO

SUSTENTÁVEL

Desde 2007 o mundo presencia uma realidade nova, historicamente radical: há mais gente nas cidades do que no campo. Há cem anos, apenas 10% da população mundial vivia em cidades. Atualmente, somos mais de 50%, e até 2050 seremos mais de 75%. A cidade é o lugar onde são feitas todas as trocas, dos grandes e pequenos negócios à interação social e cultural, mas também é o lugar onde há um crescimento desmedido das favelas e do trabalho informal: estimativas da ONU indicam que dois em cada três habitantes estejam vivendo em favelas ou sub-habitações. A cidade é também o palco de transformações dramáticas que fizeram emergir as megacidades do século 21 – as cidades com mais de 10 milhões de habitantes, que já concentram 10% da população mundial.

 

Capítulo 3 - Mutações urbanas

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MUTAÇÕES URBANAS

Cidades genéricas

A noção de território tem variado ao longo do tempo. O conceito de território foi-nos passado pela modernidade e assim tem vindo até o presente, quando, claramente, já não satisfaz à dinâmica da vida contemporânea, à fragmentação espacial das metrópoles e à realidade do mundo globalizado.

As novas tecnologias e a globalização econômica têm alterado os significados das nossas noções de geografia e distância. Após estudos exaustivos das alterações urbanas provocadas pelo processo de globalização, Saskia Sassen (2008) conclui que há, na verdade, uma geografia da centralização e não da dispersão ou descontinuidade, que não respeita fronteiras urbanas ou nacionalidades. No final do século

20, a globalização impôs ao território uma dinâmica até então inesperada. Deve-se ter em mente, porém, que, mesmo nos lugares onde os vetores da globalização estão mais presentes, o território habitado e com vida local mantém características próprias, cria novas sinergias que se contrapõem à globalização. Vive-se, portanto, uma realidade de crise, um conflito cultural da sociedade que se apresenta na escala do território. Esses processos simultâneos – globalização e fragmentação – geram territórios contraditórios, desconexões e intervalos na mancha urbana.

 

Capítulo 4 - Nova economia e cidade

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Cada vez mais são pesquisadas as correlações cidade-economia e as externalidades espaciais.

Por um lado, há uma concentração de capital humano e econômico nas grandes cidades com maiores externalidades, que concentram diversidade e empreendedorismo, que mais geram inovação e conhecimento.

Por outro lado, os territórios informais cada vez mais se reinventam, fazendo emergir externalidades bottom-up e práticas criativas inovadoras também nas grandes cidades.

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NOVA ECONOMIA E CIDADE

Um dos sintomas de que a nova economia ainda está em seus estágios iniciais

é sua diversidade de rótulos e conceitos: nova economia, economia do conhecimento, economia dos serviços avançados (ou do terciário avançado) e, ainda, os correlatos economia criativa, inovadora e inteligente. Mais recentemente ainda, surgem a economia do compartilhamento (wikinomics), a economia verde (green economics ou eco-eco – ecology economics) e até a economia do capitalismo natural.

O fato concreto, no entanto, é que um mundo global bastante diverso começou a emergir no final do século 20 e ganhou maior dinamismo no início do século 21.

 

Capítulo 5 - Regeneração urbana e reestruturação produtiva

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As metrópoles são o lócus da diversidade

– da economia à ideologia, passando pela religião e cultura, gerando inovação – externalidades espaciais que têm avançado projetos de regeneração urbana e processos de reestruturação produtiva através de políticas de inovação urbana.

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REGENERAÇÃO URBANA

E REESTRUTURAÇÃO

PRODUTIVA

A partir da década de 1970, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, houve profundas modificações estruturais no sistema de produção, com grande aumento do desemprego, aliado à alta da inflação e ao baixo crescimento econômico, principalmente após a crise do petróleo de 1973. Os princípios da organização industrial, baseados na produção em massa, passaram a ser questionados. Eram urgentes as transformações no aparato produtivo e no mercado de trabalho. Essas modificações alteraram o paradigma da produção industrial capitalista e tiveram grandes repercussões no desenvolvimento das regiões metropolitanas, principalmente naquelas inseridas na cadeia de fluxos internacionais, produtivos, financeiros e culturais.

 

Capítulo 6 - Economia criativa, inovação e clusters urbanos

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A capacidade de inovação atual se dá em ambientes de competitividade, cooperação, compartilhamento e prosperidade. A economia do conhecimento, um sistema de mobilidade inteligente, ambientes inovadores/criativos, capital humano de talento, habitação acessível e diversificada para todos, e sistemas inteligentes e integrados de governo (transporte, energia, saúde, segurança pública e educação) constroem cidades mais inovadoras e interessantes.

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ECONOMIA CRIATIVA,

INOVAÇÃO E CLUSTERS

URBANOS

Praticamente esquecidos até a década de 1980, os distritos industriais de Alfred

Marshall foram resgatados na tentativa de reproduzir as condições de sucesso dos distritos industriais italianos, estruturas extremamente dinâmicas na região da

Emilia-Romagna, Vêneto e Lombardia, que passou a ser chamada de Terceira Itália.

Segundo Marshall (1890 apud Simmie, 2001), os distritos industriais são uma aglomeração geográfica de empresas do mesmo ramo ou de ramos similares, em que há concentração de mão de obra especializada, fornecedores e serviços, e onde inovações são continuamente produzidas. Segundo o autor, o que define essa concentração geográfica é a presença de um mercado de trabalho fortalecido, da transmissão de conhecimento e tecnologia, e de consumidores e fornecedores localizados no mesmo lugar.

 

Capítulo 7 - Cidades sustentáveis: cidades compactas, cidades inteligentes

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CIDADES SUSTENTÁVEIS:

CIDADES COMPACTAS,

CIDADES INTELIGENTES

Se a cidade é “tudo o que nos resta” neste planeta urbano, como atestam os urbanistas contemporâneos de maior destaque, de Rem Koolhaas a Richard Rogers, por acreditarem que é através da cidade que existirão saídas para um mundo mais sustentável, justo e democrático, algumas premissas devem ser consideradas:

• As metrópoles são o grande desafio estratégico do planeta neste momento.

Se elas adoecem, o planeta fica insustentável. No entanto, a experiência internacional – de Barcelona, Vancouver e Nova York, para citar algumas das cidades mais verdes – mostra que as metrópoles se reinventam, se refazem. Já existem diversos indicadores comparativos e rankings das cidades mais verdes do planeta. Além dos países ricos, Bogotá e Curitiba têm-se colocado na linha de frente como casos a serem replicados.

• Uma cidade sustentável é muito mais do que um desejável conjunto de construções sustentáveis. Ela deve incorporar parâmetros de sustentabilidade no desenvolvimento urbano público e privado.

 

Depoimentos

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DEPOIMENTOS

Brian McGrath, Parsons The New School for Design, Nova York

O século 21 foi designado como o século urbano pela ONU identificando o planeta tendo passado um ponto fundamental de inflexão: já não somos predominantemente rural. A tendência global de urbanização só aumentará nos próximos anos,

à medida que cada vez mais somos uma espécie de cidadãos-moradores urbanos que varia muito em tamanho, densidade e composição. A pegada ecológica inegável resultante desta mudança urbana tornou-se um outro refrão global familiar.

Com a percepção de que as formas tradicionais de urbanização desenvolvidas pela sociedade industrial são inadequadas às exigências de mitigação e adaptação à mudança climática ou urbana – a natureza humana ou segunda – ao invés de uma ideia de “vida selvagem” se tornou o campo mais importante dos estudos ecológicos. Soluções para um conjunto tão complexo de “problemas perversos” cercando a rápida urbanização e as mudanças climáticas têm contrariado as áreas tradicionais do pensamento racional e do conhecimento como governança, políticas e planejamento, bem como desenvolvimento orientado a modelos financeiros e de negócios.

 

A orla ferroviária de São Paulo (Diagonal Sul)

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A ORLA FERROVIÁRIA

DE SÃO PAULO

(DIAGONAL SUL)

Projetos Carlos Leite e equipe I 2002-2010

As novas dimensões que operam na fábrica urbana contemporânea – sua fragmentação, retalhamento e desarticulação, os terrenos vagos, a fluidez e a rede de fluxos – estão todas presentes no território da orla ferroviária paulistana.

A Orla Ferroviária na Região Metropolitana de São Paulo configura-se como o território ao longo da linha férrea, iniciando no bairro da Lapa, na Zona Oeste da cidade de São Paulo, passando pela região central (Moinho Central e Luz) e pela região Sudeste (Brás, Mooca e Ipiranga) até o ABC (ao longo do eixo ao longo do rio Tamanduateí).

Antiga linha férrea Santos-Jundiaí no início do século 20, este corredor estabeleceu-se como o vetor principal da industrialização pesada - predominantemente automotiva - no Brasil em meados do século.

Como tantas metrópoles industriais mundiais, no final do século 20 estes imensos territórios industriais entraram em declínio e desocupação devido às fortes transformações da economia pós-fordista e à inserção dessas cidades no ciclo produtivo de serviços avançados.

 

Cluster Urbano | Montreal Ateliers Angus

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CLUSTER URBANO I

MONTREAL ATELIERS

ANGUS

Trata-se do caso pioneiro em grandes projetos urbanos envolvendo recuperação de brownfields e promoção de regeneração urbana e reestruturação produtiva no

Canadá.

Pioneiro também na presença das agências canadenses de remediação do solo, a reconversão industrial de um antigo pátio ferroviário da Canadian Pacific Railway que esteve ativo de 1904 a 1992, em uma mistura de usos residenciais, comerciais e industriais ocorreu em duas fases:

• de 1978-94, 44,5 hectares, não remediação do solo;

• de 1998-2006, 50 hectares de terra com remediação de áreas contaminadas.

O urbanista Pierre St-Cyr, autor do projeto urbano de redesenvolvimento urbano do

Atelier Angus junto à Canadian Pacific Railway Company, deu um depoimento preciso sobre este trabalho pioneiro que estabeleceu um marco na maneira de intervir em territórios de antigo uso industrial no Canadá:

“Na verdade, a remodelação dos Ateliers Angus gerida pela Canadian Pacific Railway Company definiu muito mais do que um padrão no Canadá. Ela demonstrou que um grande território industrial urbano contaminado (93 hectares de wastelands) poderia ser trazido de volta à vida e proporcionar benefícios para a comunidade, a cidade e o proprietário do terreno. Isso trouxe confiança. O desafio original em 1998 tinha a ver com a gestão de tal operação de reabilitação em grande escala que nenhum contratante tinha feito.

 

Cluster Urbano | 22@ Barcelona

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CLUSTER URBANO I

22@ BARCELONA

As metas estipuladas pela agência 22@BCN são ambiciosas.

Os recentes processos de reestruturação produtiva de territórios industriais em transformação e as novas possibilidades geradas por projetos de inovação urbana e econômica, que se baseiam em atividades produtivas locais, como estratégias de regeneração urbana em cidades “pós-industriais”, encontram sua expressão de maior escala na experiência do projeto urbano 22@Barcelona.

O projeto 22@Barcelona prevê a transformação do antigo distrito industrial do

Poblenou, localizado na região central de Barcelona. A origem histórica desse bairro foi a expansão da cidade durante os séculos 18 e 19, período que o concretizou como uma zona industrial baseada, primeiramente, no setor têxtil. Sua conversão em uma zona espacialmente atrativa para a implantação de novas atividades econômicas, como serviços avançados, novas tecnologias e gestão do conhecimento, se tornou a nova meta de desenvolvimento local da cidade.

 

Cluster Urbano | São Francisco Mission Bay

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CLUSTER URBANO I SÃO

FRANCISCO MISSION BAY

Projeto urbano baseado em estratégia de inovação urbana e cluster de biotecnologia, estabelecendo o desejável processo de reestruturação produtiva de um vazio urbano de 122 hectares, São Francisco Mission Bay ainda enfrenta lentidão na sua implementação.

O objetivo é voltar a fazer a metrópole crescer para dentro, reabilitar funcionalmente suas áreas centrais, em contraposição ao espraiamento periférico típico da urbanização californiana, o que, por si só, já estabelece grande desafio urbanístico.

O projeto urbano de Mission Bay, junto à área portuária de São Francisco, é coordenado pela agência governamental San Francisco Redevelopment Agency e vem sendo construído pelo developer Catellus Development (recentemente incorporada pelo grupo FOCIL-MB LLC) e pretende ser um modelo completo e inovador de desenvolvimento urbano sobre uma área metropolitana deteriorada: um vazio urbano de 122 hectares, mais de 120 quateirões. Cria-se uma área habitacional para mais de 10 mil moradores, uma zona de comércio de alta qualidade, uma área de laboratórios e empresas biotecnológicas, uma zona empresarial de alta tecnologia, um hotel de 500 quartos e o novo campus de bioinvestigação da Universidade da

 

Conclusão

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CONCLUSÃO

As cidades são o maior artefato já criado pelo homem. Sempre foram objetos de desejos, desafios, oportunidades e sonhos.

E as nossas cidades? Decisão política, boas ideias e competência na gestão urbana sempre serão bem-vindas, e algumas cidades atuais demonstram isso claramente e jogam otimismo no futuro das nossas cidades. Curitiba iniciou, há 20 anos, o processo, e suas boas práticas (sistema integrado de transportes coletivos, com destaque para os corredores de ônibus expressos, BRT, ligados a corredores planejados de adensamento; coleta seletiva de lixo; rede polinucleada de parques) devem ser replicadas cada vez mais, pois a sociedade civil organizada exigirá.

Nossas duas megacidades, São Paulo e Rio de Janeiro, trazem parâmetros oportunos importantes. O incrível boom imobiliário atual (terceiro maior do planeta), aliado à pujança do setor da construção civil e à força econômica de São Paulo e

Rio, além da concentração, rara no Brasil, dos famosos 3Ts – Talento, Tecnologia e

 

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