Gigantes do Xadrez Agressivo

Autor(es): Neil McDonald
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O autor seleciona cinco grandes enxadristas que empregaram o xadrez agressivo – estilo que é uma mistura potente de dinamismo, preparação e psicologia e que visa deixar o adversário sob constante pressão.Analisa as contribuições de cada enxadrista, as diferenças sutis em seus métodos e, de Morphy a Topalov, como eles seguiram os passos uns dos outros.• Guia agradável e instrutivo para o xadrez agressivo• Aprenda com os grandes nomes do xadrez• Descubra como as mais famosas mentes do xadrez funcionam

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Introdução

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Introdução

Os enxadristas podem ser divididos entre os estrategistas e os agressivos. A batalha pela supremacia entre estes dois estilos de jogo levou a combates criativos como Capablanca-Alekhine, Botvinnik-Bronstein e Kramnik-Topalov.

O objetivo deste livro é examinar e celebrar as ideias de cinco enxadristas famosos que contribuíram para o desenvolvimento do estilo agressivo. Espero que o leitor ache as partidas emocionantes e agradáveis. Com um pouco de sorte, uma pequena parte do talento e da mágica destes cinco gigantes pode acabar reaparecendo no nosso próprio xadrez.

Mas antes vejamos um exemplo do estilo estratégico em ação:

Partida 1

V.Kramnik – M.Carlsen

Dortmund, 2007

Abertura Catalã

1 f3 f6 2 c4 e6 3 g3 d5 4 d4 e7 5 g2 0-0 6 0-0 dxc4 7 c2 a6 8 xc4 b5

9 c2 b7 10 d2 c6 11 e3 b4 12 xb4 xb4 13 a3 e7 14 bd2 c8 15 b4 a5 16 e5 d5 17 b3!

8

Neil McDonald

17...axb4 18 a5 a8 19 ac6 xc6 20 xc6 d7 21 xd5 exd5 22 axb4 fe8 23 a5 f8 24 e5 e6 25 xb5 b8 26 xb8 xb8 27 xc7 d6 28 a5 xb4 29 b1 d6 30 a4 1-0

 

Capítulo 1 - O Elemento Dinâmico

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O Elemento

Dinâmico

Como descrito na introdução, considero o estilo agressivo como uma união de dinamismo, psicologia e preparação para aberturas agudas. De certa forma, isso é o ideal, mas em hipótese alguma todas as partidas neste livro contêm o segundo e o terceiro elementos em um grau acentuado. No entanto, quase sem exceções, essas partidas são testemunhas de uma disputa dinâmica.

Então o que é o dinamismo?

Arturo Pomar foi um famoso prodígio do xadrez (e mais tarde campeão da Espanha) que atingiu uma posição ganhadora contra Alekhine em seu confrontamento em Gijon, em 1944. Aquele jogo acabou empatado, um ótimo resultado para um garoto de 12 anos enfrentando o Campeão Mundial da época. Na partida seguinte, que ocorreu um ano depois, Alekhine sentiu-se obrigado a correr alguns riscos para criar possibilidades de vitória para as Pretas com a Defesa Francesa,

Variante das Trocas.

Partida 2

A.Pomar Salamanca – A.Alekhine

Madri, 1945

 

Capítulo 2 - Perseguindo o Rei no Centro

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Perseguindo o Rei no Centro

Deixar o rei no centro por muito tempo é um risco ocupacional para os enxadristas. Há muitas razões para arriscarmos a segurança de nossa peça mais importante, incluindo incompetência, falta de senso de perigo e um sutil erro de cálculo. Apesar de parecer um erro cometido por culpa própria, enxadristas do estilo agressivo empregam várias técnicas para persuadir seus adversários a correr riscos desnecessários com seu rei.

Então, imaginemos que tenhamos motivado o adversário a manter o seu rei centralizado. Qual é a melhor maneira de puni-lo? Um método clássico do xadrez agressivo é trazer as torres rapidamente para o ataque. É improvável que o adversário responda trazendo as próprias torres para a defesa, mesmo porque seu rei estará no meio do caminho. Portanto, mesmo que se faça um sacrifício de material muito grande para envolver suas torres na investida, provavelmente ainda se terá muito poder de fogo ao qual a defesa terá que resistir.

 

Capítulo 3 - Abrindo Feridas Antigas (e Novas)

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Abrindo Feridas

Antigas (e Novas)

A questão das posições “aberta” e “fechada” é uma das mais complicadas em se tratando de estratégia de xadrez. É muito fácil para um jogador imaginar que está desobstruindo seu jogo ao avançar um peão, quando, na verdade, está abrindo linhas que as peças do adversário poderão aproveitar. Neste capítulo, iremos analisar como a energia que está em equilíbrio entre os dois exércitos é afetada por um desbloqueio repentino na formação dos peões.

Dois exemplos deslumbrantes de liberação de linhas

Às vezes, pode valer a pena sacrificar a dama a fim de desbloquear uma linha de ataque crucial. Aqui está um exemplo impressionante de uma das partidas de

Geller em seus últimos anos de enxadrista.

No jogo entre Bronstein e Korchnoi (ver Capítulo Um), uma torre se sacrificou para abrir espaço para a dama dar o golpe mortal. Aqui, a gentileza é retribuída:

Partida 19

P.Delekta – E.Geller

Cappelle la Grande, 1992

 

Capítulo 4 - A História de Vida de um Cavalo

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A História de Vida de um Cavalo

Neste capítulo, veremos as vicissitudes da fortuna pelas quais um cavalo pode passar em um tabuleiro de xadrez. Começaremos por seus momentos mais felizes, quando ele pode combinar o seu poder único com o da dama. A seguir, o veremos avaliando todo o campo de batalha, a partir de um posto avançado, encantado e não temeroso de estar na linha de frente do ataque. Depois disso, o clima fica obscuro, quando o cavalo é apanhado em um ataque que fracassou. E, finalmente, para sua vergonha completa, ele é paralisado pela ação de meros peões.

Combinações com o cavalo

Como será demonstrado neste livro, Morphy possuía um domínio de estratégia maior que qualquer outro de seus contemporâneos. Mesmo assim, ele entrou para a crença popular como um tático brilhante e aventureiro, não muito diferente de Anderssen. Certamente, quando o americano enfrentava adversários relativamente fracos, em partidas não oficiais, manifestava completamente seus poderes táticos surpreendentes. Eis o meu exemplo favorito de seu talento para uma combinação.

 

Capítulo 5 - A Dama dos Cachinhos Dourados

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A Dama dos

Cachinhos Dourados

A dama é de longe a peça mais forte no tabuleiro e, portanto, um cuidado extremo deve ser dado ao seu desenvolvimento. Na grande maioria das partidas de xadrez agressivo, a presença ou a ausência da dama é o fator decisivo para saber se um ataque romperá a posição ou se a defesa triunfará.

Isso cria um dilema posicional, pois, se ela ficar muito longe da ação, as chances de êxito são reduzidas. Por outro lado, se ela se aproximar muito da linha de frente, os defensores ganharão tempo importunando-a com ameaças das quais ela deve esquivar-se constantemente (as únicas exceções são os momentos gloriosos em que a mente supera a matéria, os chamados “sacrifícios da dama”).

A solução é encontrar-lhe um local na partida que não seja nem muito quente nem muito frio, como o mingau escolhido pela Cachinhos Dourados na literatura infantil. Em hipótese alguma isso é uma tarefa fácil. A habilidade no uso da dama permanece como uma das marcas de maestria no xadrez.

 

Capítulo 6 - Energizando os Peões

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Energizando os Peões

Uma maneira certeira de medir o nível de energia de uma posição é perguntar: quão bem estão cooperando as peças e os peões? Neste capítulo, nossos gigantes demonstram como um peão, ou um grupo de peões, pode ter um efeito totalmente desproporcional ao valor que geralmente recebem.

Criando um peão passado no centro

A próxima partida mostra a marca registrada de Geller: uma ameaça posicional envolvendo peões (neste caso o desejo do peão passado de avançar) é combinada com ameaças táticas ao rei inimigo.

Partida 50

E.Geller – J.Pribyl

Sóchi, 1984

Defesa Pirc

1 e4 d6 2 d4 f6 3 c3 g6 4 f3 g7 5 e2 0-0 6 0-0 g4 7 e3

Um sistema de abertura comedido que tornou-se popular no início dos anos de 1980, depois de ser utilizado muitas vezes pelo então Campeão Mundial Karpov. Ainda assim, não podemos dizer que Geller estava seguindo a moda, pois foi provavelmente ele quem ensinou esta abertura para Karpov.

7... c6 8 d2 e8 9 fe1 a6 10 ad1 e5 11 dxe5 dxe5 12 c1 e7?

 

Capítulo 7 - Um Aríete na Coluna f

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Um Aríete na Coluna f

A caminho de seu match no Campeonato Mundial de 1951, Bronstein superou seus adversários nos três componentes do xadrez agressivo: psicologia, preparação de abertura e conhecimento de dinâmica. Como resultado, ele venceu partidas importantes contra Najdorf e Keres ao introduzir energia de ataque em seu peão na coluna f. Neste capítulo, analisaremos essas partidas e observaremos como os nossos outros quatro gigantes utilizaram o peão da coluna f como uma

“varinha mágica”.

A maestria de Bronstein no xadrez agressivo

Na partida seguinte, Miguel Najdorf, um dos melhores enxadristas fora da URSS naquela época, será arrasado em 21 lances. Aqui estão os elementos do xadrez agressivo que tornam isso inevitável:

1) Preparação de abertura em variantes forçadas: Bronstein havia chegado ao Torneio de Candidatos de 1950 tendo estudado detalhadamente as variantes agudas da Defesa Nimzo-Índia com 4 a3.

2) Conhecimento de dinâmica: Najdorf é arruinado pelo poder do peão f4-f5 que serve de aríete. Parece que demorou muito tempo para que o mundo do xadrez tomasse conhecimento do poder deste avanço.

 

Capítulo 8 - Peões Atrasados e Bispos Indianos

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Peões Atrasados e

Bispos Indianos

Nos anos de 1920, tanto Lasker quanto Capablanca temiam que os melhores enxadristas do mundo aperfeiçoassem o conhecimento sobre abertura e estratégia.

Todas as partidas entre os enxadristas com esse conhecimento iriam acabar inevitavelmente em empates e, como consequência, o xadrez competitivo de alto nível chegaria ao fim. Esse fenômeno foi chamado de “a morte por empate”.

Deve-se mencionar que Capablanca demonstrou sua preocupação enquanto ainda era Campeão Mundial, portanto, não eram resmungos de um homem derrotado. Além disso, o próprio cubano conseguiu manter-se sem derrotas entre

10 de fevereiro de 1916 e 21 de março de 1924. Portanto, em suas condições era sensato supor que outros enxadristas da elite desenvolveriam uma invencibilidade parecida com o passar do tempo.

Felizmente essa profecia nunca se concretizou, por duas razões: em primeiro lugar, há um dinamismo inerente em posições alcançadas até pelas aberturas mais simétricas ou clássicas, isto é, começando por 1 d4 d5 ou 1 e4 e5. Isso quer dizer que nem tudo pode ser resolvido somente por lógica ou senso comum. É preciso calcular variantes e tomar decisões baseando-se em intuição, o que dá espaço à criatividade humana, a julgamentos ruins e à boa e velha sorte e, portanto, a perdas e ganhos. Como Capa ficou oito anos sem perder? Bem, ele era um gênio. Sua intuição espantosa guiou-o em posições pouco claras que desafiavam as ciências exatas. Enxadristas “comuns” da elite não seguiram os seus passos.

 

Capítulo 9 - A Psicologia da Preparação

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A Psicologia da

Preparação

Nossos cinco gigantes tiveram destinos distintos na busca pelo reconhecimento de melhor enxadrista do mundo. Morphy nasceu antes mesmo do Campeonato Mundial ser inventado; Alekhine morreu com o título de Campeão Mundial; Bronstein provou ser do mesmo nível do Campeão Mundial da época, mas nunca ganhou a mesma honra; Geller derrotou uma porção de Campeões Mundiais em torneios sem alcançar um match pelo título; Topalov venceu o Campeonato Mundial em um torneio e, no momento em que escrevo, pode ainda vencê-lo em um match.

Neste capítulo pretendo analisar como a preparação psicológica, incluindo uma análise profunda do estilo do adversário, tem agido nas tentativas de nossos cinco enxadristas de atingirem o desempenho ideal.

O match entre Morphy e Harrwitz

Daniel Harrwitz (1823-1884) havia se tornado o enxadrista profissional residente do Café de la Régence, em Paris, após a morte de Kieseritzky. Ele era, portanto, um dos mais formidáveis adversários que Morphy teria de enfrentar em sua conquista da Europa, em 1858. Um match foi organizado: o vencedor seria aquele que primeiro conseguisse sete vitórias.

 

Capítulo 10 - A Arte da Surpresa

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A Arte da

Surpresa

Uma variante forçada é uma sequência longa de lances na abertura que envolve uma colisão violenta entre os dois exércitos. Mesmo nos tempos de Morphy, muitas variantes forçadas estavam bem estabelecidas na teoria, embora, principalmente, apenas após 1 e4 e5.

Um enxadrista do estilo agressivo gosta do desafio de encontrar novos lances tanto durante quanto no final de uma variante forçada. É desnecessário dizer que a expressão “tudo que foi esquecido é novo” aplica-se aqui. A descoberta não precisa ser necessariamente um bom lance, mas deve impor problemas ao adversário, de forma que terá probabilidades de produzir um resultado melhor do que o lance habitual.

Em alguns pontos os enxadristas do xadrez agressivo me recordam do monstro no filme O Planeta Proibido. Essa terrível criatura não pode ser destruída pois está sendo recriada a cada segundo pelos sonhos maldosos do Dr. Morbius e fortalecida por uma usina nuclear subterrânea de dimensões inimagináveis. Da mesma forma, o enxadrista do xadrez agressivo recria seu estilo a cada partida, sempre um passo à frente dos golpes do seu adversário, e possui seu próprio “laboratório” secreto, onde suas inovações nas aberturas são criadas e testadas.

 

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