Os Tortuosos Caminhos da Educação Brasileira

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“Durante décadas, intelectuais e gurus da educação denunciaram o capitalismo, o imperialismo e a função da escola de reproduzir a estratificação social. Outros pregaram uma visão hipnotizada por um relativismo infantil, em que não há errado ou certo, tudo depende de ponto de vista. Enquanto isso, países como a Coreia ignoraram tais debates e melhoraram as suas escolas.”   Por meio de um estilo contundente, que questiona as opiniões vigentes, este livro traz reflexões pouco comuns no ambiente de discussão sobre a educação brasileira. Nele, o autor, já conhecido pelos artigos publicados em sua coluna na revista Veja, nos instiga a pensar sobre a maneira como hoje são conduzidas as pesquisas e as políticas públicas sobre a educação no Brasil.   Os capítulos foram organizados de modo a abordar diversos problemas que abrangem todos os níveis de ensino, do fundamental à pós-graduação.

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Capítulo 1 - As leis do bem pensar

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As leis do bem pensar

Vós, investigadores, não deveis confiar em autores que, apenas pelo emprego da imaginação, se fazem intérpretes entre a natureza e o homem, mas somente naqueles que exercitaram seu intelecto com os resultados de experimentos.

Leonardo da Vinci

A educação tem muito a ver com aprender a pensar. É preciso evitar tropeços mentais que, infelizmente, tendem a se repetir ao longo do tempo.

Vendo outro ângulo, por pensar mal, criam-se dificuldades para entender os próprios temas da educação que são tratados no presente livro.

Este capítulo lida com a razão e com as regras e os hábitos do bem pensar. Ilustra também equívocos frequentes, resultantes de pre­conceitos e confusão entre fatos e opiniões e da falta de disciplina intelectual.

Grotões da razão

Junto com os notáveis avanços da humanidade em muitas áreas, há também cantos esconsos em que ainda prevalece um lastimável primitivismo intelectual. Na educação, há assuntos ainda mergulhados na lenda, no mito, na crença emocional. A eles, parece que a razão não consegue chegar.

 

Capítulo 2 - Alfabetização e seus dilemas

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Alfabetização e seus dilemas

Embora aparente uma relativa simplicidade, os assuntos de alfabetização geram batalhas ferozes por conta de divergências teóricas, doutrinárias e ideológicas. No lado da alfabetização de crianças, há divergências ásperas e defesas apaixonadas de diferentes métodos de alfabetização. Para os adultos analfabetos, além das mesmas colisões, não há acordo sobre a prioridade ou os resultados de tentar alfabetizar adultos bem mais velhos.

O “Novo Mobral” e os adultos analfabetos

É preciso insistir; a prioridade nacional deveria ser melhorar a escola básica. Há forte controvérsia acerca da prioridade a ser dada a programas para alfabetizar adultos, sobretudo, os bem mais velhos. Há sérias dúvidas a respeito da eficácia de programas curtos. Seja como for, o que importa é evitar os erros do passado. Deus nos livre dos “programas de emergência”. Tudo o que não focalizar a máquina em seu cotidiano passará longe do problema. O ensaio termina com uma surpresa!

 

Capítulo 3 - Ensino fundamental: o alicerce de tudo mais

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Ensino fundamental: o alicerce de tudo mais

De tudo que precisamos saber sobre o nosso ensino, há um aspecto que se sobressai: as maiores deficiências estão nos anos iniciais de escolaridade. Portanto, ali está a grande prioridade nacional. Todas as outras deficiências empalidecem diante do fracasso da escolarização inicial. Aliás, essa é uma das grandes causas das dificuldades que aparecem depois.

Prioritária é só a qualidade

No passado, a escola atendia a poucos e a qualidade era deficiente.

Hoje, demos um grande salto, pois a matrícula entre 7 e 10 anos foi universalizada. Contudo, a qualidade permanece lamentavelmente ina­ dequada.

A qualidade do ensino fundamental: o óbvio que não é óbvio

Somos herdeiros de uma sociedade elitista, em que a educação atendia apenas aos níveis mais altos. Criamos ensino superior antes de ter uma rede pública fundamental. Criamos ciência antes de alfabetizar a todos. Após cinco séculos de descaso, finalmente avançamos na

 

Capítulo 4 - Ensino médio: órfão de ideias, herdeiro de equívocos

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Ensino médio: órfão de ideias, herdeiro de equívocos

O ensino médio era nanico e só começou a crescer na década de 1990.

Essa expansão pôs a descoberto os problemas e indefinições que antes eram menos sérias ou não chamavam a atenção. Entre preparar para cidadania, para o mercado e para o ensino superior, o médio se vê afogado com excesso de tarefas e não faz nenhum bem. Ainda pior, é o

único no mundo que nem oferece alternativas diferentes para diferentes perfis de alunos nem permite escolhas dentro do curso.

Um aluno fez uma bela descrição do ensino médio. Segundo ele, quando cursava o fundamental, estudava coisas interessantes. Caminhando pelas ruas ou pelos campos, via no mundo real o que havia aprendido na escola. Ao galgar o médio, olhando na rua, não via nada do que havia aprendido. Era tudo abstrato e distante do mundo real. Estava frustrado.

Por tudo que sabemos, o médio é o nível mais engasgado. Está no meio do caminho. Não sabe o que fazer com a diversidade crescente de alunos – que também não sabem o que querem. Tem demasiadas missões: precisa arredondar a formação inicial do aluno, oferecer uma competência mínima nas ciências e nas humanidades e consolidar os valores de cidadania e identidade cultural.

 

Capítulo 5 - Vestibular: traumatismos e enganos

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Vestibular: traumatismos e enganos

Por definir o futuro de boa parte da juventude, o vestibular é traumático, sendo visto como culpado de crimes abjetos. Em torno dele se criam mitos e fantasias. Os ensaios adiante tentam ver por meio do opaco véu de preconceitos e mal-entendidos.

As crendices no vestibular

Perpetuam-se equívocos no vestibular. Ano após ano, repetem-se as mesmas tolices. Uns querem acabar com ele, outros acreditam na sorte. É acusado de permitir a analfabetos entrar nos cursos superiores.

De tudo que se diz, só uma afirmativa é verdadeira: o vestibular introduz distorções no ensino médio.

Abaixo está uma coleção de afirmativas sobre os vestibulares e seus pecados. Quase todas não passam de rematadas tolices. O vestibular é um dos maiores focos de crendices e antipatias, por ser um ícone da meritocracia, tão avessa aos gostos tupiniquins. Vejamos outras.

“Vou acabar com o vestibular!”

Quantos ministros da Educação prometeram isso ao tomar posse? Tolice. Pode mudar de nome, mas, se há mais candidatos do que vagas, é pre-

 

Capítulo 6 - Os desencontros no ensino superior

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Os desencontros no ensino superior

Por muitas razões, o ensino superior é um grande campo de batalhas verbais. Mas não segue daí que haja muitas luzes e discernimento nas trocas de ideias – ou de impropérios. Uns querem salvar a universidade, outros mercadejar suas ideologias. Há de tudo, exceto discussões serenas sobre o que realmente acontece. Os ensaios abaixo exploram a variedade dos temas que polarizam as discussões, e mais outros que jazem esquecidos, mas não carecem de importância.

As encrencas e a politicagem

Quem deve mandar na universidade, reitores ou funcionários? Educação é mercadoria? O governo deve impedir a abertura de novas faculdades? Precisamos internacionalizar ou devemos temer a ingerência estrangeira no nosso ensino superior? Eis uma coleção de temas espinhosos, em cuja discussão os contendores se engalfinham.

Para salvar a universidade

Desde a Idade Média, a universidade é a pátria da meritocracia. Não obstante, convivemos com uma avalanche de imposições sindicais que

 

Capítulo 7 - Enguiços e promessas da formação profissional

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Enguiços e promessas da formação profissional

Não há país de primeira linha que não tenha um sistema excelente e volumoso de preparação de operários especializados e técnicos. No todo, o Sistema S apresenta bom desempenho, mas a formação de técnicos é cronicamente conflituosa e a de tecnólogos, ainda incipiente.

O ensino das profissões manuais

Um bom curso de formação profissional combina a prática de oficinas com uma formação teórica e conceitual. Mas, diante das transformações tecnológicas, muda-se a forma de combinar esses dois ingredientes. Em geral, tornam-se necessários mais anos de educação formal e mais ênfase na formação geral e teórica. Há bons modelos e o desempenho do Brasil é respeitável, mas os desafios não são poucos.

As fórmulas para operar escolas acadêmicas são claras, embora possa haver dificuldades na fase de implementação. Ao longo de séculos de experiência, estabeleceu-se que a escola ensina a lidar com a linguagem e com os números, evoluindo progressivamente para lidar com as ideias. E, durante todo esse processo, o aluno aprende ciências e muitas coisas mais.

 

Capítulo 8 - Estudo com trabalho e trabalho com estudo

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Estudo com trabalho e trabalho com estudo

Nem sempre o estudo acaba antes de se começar a prática profissional. Na aprendizagem e nos estágios, coexiste o estudo e o trabalho.

A ideia é consagrada por séculos de história. Porém, cada vez mais, a legislação está atrapalhando o funcionamento dessas fórmulas. Na

ânsia de proteger os alunos da cobiça capitalista, cada vez mais, evaporam-se os incentivos para que as empresas recebam estudantes.

Aprendizagem de fingidinho?

Rigorosamente, todos os países desenvolvidos têm programas estruturados e bem-sucedidos de aprendizagem. Lamentavelmente, o Brasil quase arruinou o que tinha graças a uma legislação tola, que tira das empresas toda a motivação para contratar aprendizes.

Ao completar o 10o ano, com 16 anos, Fritz (poderia ser Hans) é contratado como aprendiz na gigantesca fábrica da Volkswagen, na cidade de Volksburg

(Alemanha). Durante três anos e meio, vai trabalhar e aprender, sob a tutela de um mestre. Um dia por semana, frequentará uma escola pública especial, onde estudará línguas, humanidades, ciência e tecnologia. Reza a lei que

 

Capítulo 9 - Educação com tecnologia?

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Educação com tecnologia?

A cada nova tecnologia que surge no horizonte, predica-se uma revolução definitiva no ensino. Não é bem assim. Contudo, cada vez mais, as tecnologias revelam um enorme potencial, seja como atores coadjuvantes, seja como elemento essencial.

Os computadores e seus mitos

É difícil não ser seduzido pelo potencial educativo dos computadores.

De fato, pesquisas em usos específicos mostram excelentes resultados.

Porém, a sociologia da escola não convive bem com eles. Daí que o seu impacto nos sistemas educativos tende a ser nulo ou próximo disso.

Tão logo inventados, os computadores foram usados na educação, ainda na década de 1950. Eram os mastodontes mainframe e a orientação era imitar os professores, ensinando as matérias, como se fossem mestres de carne e osso.

Escrevendo em 1966, P. Suppes (da Universidade de Stanford) predicava que, com os computadores, “[...] milhões de alunos poderiam ter acesso ao que Alexandre, filho de Felipe da Macedônia, teve como prerrogativa real: os serviços pessoais de um tutor tão bem informado e intencionado quanto Aristóteles [...]”.

Depois disso, evoluíram os computadores e aumentou a sua confiabilidade. Houve um extraordinário avanço nos softwares educativos e na variedade

 

Capítulo 10 - Avaliação: o GPS do ensino

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Avaliação: o GPS do ensino

Houve momentos em que a avaliação de alunos era um tabu inexpugnável. Contudo, as assombrações foram vencidas e o país embarcou na mesma tendência que se disseminou pelo mundo afora. Ao fim e ao cabo, se não avaliamos não sabemos onde estamos nem para onde vamos. A boa notícia é que temos um sistema sofisticado e abrangente para avaliar alunos e instituições, em todos os níveis.

Medimos bem a ruindade da nossa educação

Com o desenvolvimento dos mecanismos de avaliação, passamos a ter excelentes termômetros para avaliar o nosso ensino. E o que mostram esses termômetros não é alvissareiro. Ficamos sabendo com confiança e precisão que nossa educação é muito ruim.

Estamos no pior dos mundos. Pais, alunos e professores encontram-se redondamente enganados na ideia generosa que fazem da nossa educação.

E isso, apesar da existência de indicadores altamente confiáveis para medir a sua qualidade. De resto, todos dão a mesma notícia: nossa educação é péssima. Mas estamos nos antecipando.

 

Apêndice – Conselhos para escolas e pais

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Apêndice

Conselhos para escolas e pais

É difícil decifrar certas questões da educação. Algumas controvérsias e até mis­térios persistem, ano após ano. Mas aprendemos muito. Em alguns assun­ tos, sabemos o que fazer. Mais ainda, é possível apresentar conselhos muito sintéticos e fáceis de entender. No presente texto, apresentamos uma boa co­ leção de sugestões simples e confiáveis.

O decálogo dos pais

Há um papel político para os pais. Quando passarem a ver com desconforto e impaciência a falta de qualidade da educação, estaremos no caminho de uma solução definitiva. Se isso não acontecer, é difícil imaginar um cenário de mudanças profundas e rápidas.

Contudo, há um papel para os pais em outro registro. Quando um aluno pisa pela primeira vez em uma sala de aula, mais de cinco anos já transcorreram durante os quais frequentou outra escola: sua casa. Ou seja, para o bem ou para o mal, os alunos são educados em casa, até que cheguem à idade de ir para a escola.

 

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