Saúde Mental na Escola

Visualizações: 244
Classificação: (0)

Como promover a saúde mental de crianças e adolescentes? Como diferenciar transtornos mentais, como o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade, de características do desenvolvimento normal, como agitação? Qual o papel da escola, em particular o do professor em sala de aula, no auxílio a alunos e famílias com problemas no âmbito da saúde mental? - Estas e outras questões são abordadas neste livro, repleto de dicas e exemplos que auxiliarão os profissionais da educação a compreender e lidar com questões de saúde mental na escola.

19 capítulos

Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta

Capítulo 1 - Saúde mental na escola

PDF Criptografado

1

Saúde mental na escola

Marlene A. Vieira

Gustavo M. Estanislau

Rodrigo Affonseca Bressan

Isabel A. Bordin

PROBLEMAS DE SAÚDE MENTAL NAS ESCOLAS BRASILEIRAS

Contrariando a crença de que a infância é um período invariavelmente feliz, dados epidemiológicos brasileiros vêm alertando que 10 a 20% das crianças e adolescentes apresentam algum tipo de transtorno mental. Um desses estudos, envolvendo jovens de 7 a 14 anos vivendo na Região Sudeste do Brasil, constatou que 1 a cada 8 alunos matriculados na escola tem algum tipo de dificuldade que justifica a necessidade de atendimento especializado na área de saúde mental. Além da alta prevalência, o impacto dos transtornos psiquiá­ tricos na vida do indivíduo – aferido pelo Índice de Incapacidade por Doença

(Global Burden of Disease) – é considerado o mais prejudicial entre todos os problemas médicos na população dos 10 aos 24 anos. A situação no Brasil é particularmente alarmante se considerarmos a proporção continental do País e as enormes diferenças culturais e sociais entre suas regiões.

 

Capítulo 2 - Saúde e transtornos mentais

PDF Criptografado

2

Saúde e transtornos mentais

Bacy Fleitlich-Bilyk

Graccielle Rodrigues da Cunha

Gustavo M. Estanislau

Maria Conceição do Rosário

Ensinar é uma tarefa que, por si só, impõe desafios diários e variados ao educador. Ensinar uma criança com qualquer dificuldade ou problema, pessoal ou familiar, é ainda mais desafiador, pois as adversidades frequentemente afetam o processo de aprendizado. O inverso também é verdadeiro, já que uma criança com dificuldades de aprendizagem também pode passar a apresentar alterações em seu funcionamento pessoal ou familiar.

Considerando que o educador tem importante papel e real responsabilidade em relação ao processo de aprendizagem de seus alunos, torna-se extremamente importante que ele esteja atento para identificar o mais rápido possível qualquer problema que possa comprometer o aprendizado da criança.

Os professores têm uma condição privilegiada de observação do comportamento das crianças sob seus cuidados, pois as observam em uma grande variedade de situações, como atividades individuais dirigidas, atividades de trabalho grupal, atividades de lazer, durante a interação com outros adultos e com crianças de diversas idades. O fato de os professores terem experiência com um grande número de crianças possibilita a distinção entre os comportamentos esperados para uma faixa etária e comportamentos atípicos.

 

Capítulo 3 - Promoção da saúde mental e prevenção de transtornos mentais no contexto escolar

PDF Criptografado

3

Promoção da saúde mental e prevenção de transtornos mentais no contexto escolar

Rodrigo Affonseca Bressan

Christian Kieling

Gustavo M. Estanislau

Jair de Jesus Mari

EM BUSCA DE UM ENFOQUE NA SAÚDE

Até pouco tempo, as pesquisas em saúde mental estavam voltadas predominantemente para o estudo dos transtornos mentais, como a depressão e a esquizofrenia. Isso nos permitiu compreender melhor como tais transtornos se desenvolvem, como nos afetam e quais são as possibilidades de tratamento. Essa abordagem “centrada no transtorno” beneficiou um número enorme de indivíduos; porém, ao enfatizar a doença, induziu o público leigo a associar, de forma indiscriminada, saúde mental a transtornos mentais, alimentando preconceitos e distanciando as pessoas de um assunto tão importante.

Com o tempo, a constatação de que os transtornos mentais são muito mais prevalentes do que se imaginava e de que os tratamentos disponíveis apresentam limitações fez com que estratégias com enfoque no fortalecimento da saúde e na redução dos riscos para a doença passassem a ser cada vez mais valorizadas.

 

Capítulo 4 - Aprendizagem socioemocional na escola

PDF Criptografado

4

Aprendizagem socioemocional na escola

Cristiane Tacla

Leandra de Souza Pereira Ferreira

Gustavo M. Estanislau

Adriana Fóz

Crescer é um processo complexo, repleto de desafios. Fazer amigos, alcançar boas notas, aceitar as frustrações por não ter o corpo que se quer e escolher uma profissão são apenas alguns deles. Independentemente das dificuldades que possam representar, as situações desafiadoras, se enfrentadas de maneira competente, oferecem a oportunidade única da aprendizagem socioemocional, processo fundamental para um crescimento saudável e assunto abordado neste capítulo.

DEFININDO APRENDIZAGEM SOCIOEMOCIONAL

O termo “aprendizagem socioemocional” (social and emotional learning –

SEL) foi definido no ano de 1994, em uma conferência que reuniu especialistas em saúde e educação no Instituto Fetzer (Michigan, EUA). A partir dela, a aprendizagem socioemocional (ASE) passou a ser compreendida como o processo de aquisição e reforço de habilidades socioemocionais (HSEs), ou seja, habilidades que auxiliam a pessoa a lidar consigo mesma, a relacionar-se com os outros e a executar tarefas (estudar, trabalhar, etc.) de maneira competente e ética. De acordo com os pesquisadores da Colaborative for Academic, Social and Emotional Learning (CASEL), essas competências referem-se a pensamentos, sentimentos e comportamentos e podem ser agrupadas em cinco aspectos centrais:

 

Capítulo 5 - Educação em saúde mental: uma nova perspectiva

PDF Criptografado

5

Educação em saúde mental: uma nova perspectiva

Stan Kutcher

Yifeng Wei

Gustavo M. Estanislau

As últimas décadas de pesquisa revelaram que os transtornos mentais, como os transtornos de ansiedade, a depressão e o uso de substâncias, afetam uma em cada três pessoas ao longo da vida, causando impactos emocional e econômico consideravelmente maiores se comparados a outros problemas de saúde bastante conhecidos, como as doenças cardiovasculares e até o câncer.

Além disso, sabe-se, hoje, que a maioria dos transtornos mentais tem seu início durante a infância e a juventude (Figura 5.1). Uma vez que estes são períodos de grande crescimento pessoal – nos quais os jovens aproveitam a escola, constroem sua identidade e começam uma carreira –, é evidente que tais transtornos podem prejudicar muito as pessoas­acometidas. Duas das principais causas para que problemas como esses sejam tão comuns – e, em algumas situações, tão debilitantes – são a falta de informação pública a respeito de saúde mental e o estigma associado a essas condições.

 

Capítulo 6 - A escola e a família

PDF Criptografado

6

A escola e a família

Gustavo M. Estanislau

O envolvimento da família com a educação de seus filhos é um fator crucial não apenas para o sucesso acadêmico do jovem como também para seu desenvolvimento emocional e social. Portanto, demonstrar interesse por questões escolares, criar um ambiente de estímulo ao estudo e expressar expectativas positivas em relação ao desempenho educacional dos filhos são atitudes que favorecem a formação desses indivíduos como um todo. Além disso, durante o processo de desenvolvimento da personalidade e do caráter, o questionamento das figuras de autoridade é um evento esperado e adaptativo.

Nesse cenário, a família e a escola devem funcionar como uma equipe (que se complementa, valoriza e dá suporte), a fim de, como “forte equipe”, resistir aos enfrentamentos e manter a estrutura necessária para o crescimento do jovem.

A condição mais importante para que tal envolvimento ocorra é a boa comunicação com a escola, que consiste basicamente em um diálogo harmônico pautado em respeito e colaboração.

 

Capítulo 7 - Desenvolvimento normal no período escolar

PDF Criptografado

7

Desenvolvimento normal no período escolar

Andrea P. Jacowski

Maura Regina Laureano

Gustavo M. Estanislau

Luciana Monteiro de Moura

O desenvolvimento humano é um processo extraordinariamente complexo que tem início assim que o embrião é concebido. A partir desse momento, uma sucessão incontável de eventos transforma uma única estrutura celular em um ser humano completo, capaz de pensar, sentir e interagir com o mundo a sua volta. Durante essa longa trajetória, observam-se parâmetros – também chamados de marcos do desenvolvimento – que, mesmo admitindo variações de uma pessoa para outra, permitem uma compreensão global e esquematizada desse conjunto de transformações.

Compreender o desenvolvimento nos dá a oportunidade de estimular o crescimento, identificar fatores de risco, reconhecer “falhas de percurso” e diferenciar com mais segurança uma criança que tem um funcionamento dentro do esperado de outra que apresenta um quadro merecedor de um cuidado maior.

 

Capítulo 8 - Transtornos de ansiedade (transtorno de ansiedade generalizada, ansiedade de separação e fobia social)

PDF Criptografado

8

Transtornos de ansiedade

(transtorno de ansiedade generalizada, ansiedade de separação e fobia social)

João Paulo Machado de Sousa

Flávia de Lima Osório

Bruno Zanotti Schneider

José Alexandre de Souza Crippa

“Ansiedade” é um termo amplo que descreve um estado de preparação para enfrentar situações de perigo. Quando ansiosos, animais e seres humanos apresentam reações como o aumento da atenção voltada para o ambiente e a ativação de respostas corporais, que dependem da proximidade e da intensidade do perigo. Uma característica importante da ansiedade natural é que ela

é temporária e manifesta-se na expectativa de perigos reais, desaparecendo assim que se percebe que o perigo acabou. Quando analisamos as coisas dessa forma, fica claro que a ansiedade em si está mais relacionada à manutenção da integridade do indivíduo do que a quadros que perturbam sua saúde.

As respostas de ansiedade dependem de estruturas cerebrais que participam do processamento de informações ameaçadoras que interagem por meio de um delicado equilíbrio de substâncias químicas conhecidas como neurotransmissores, dos quais a serotonina e a dopamina são os mais importantes.

 

Capítulo 9 - Transtorno obsessivo-compulsivo: como o professor pode ajudar

PDF Criptografado

9

Transtorno obsessivo-compulsivo: como o professor pode ajudar

Maria Conceição do Rosário

Patricia Velloso

Rosana S. Mastrorosa

Um caso real

José tem 10 anos de idade e está no 5o ano do ensino fundamental.

Apesar de ter sido sempre um bom aluno, participativo na sala de aula, com muito interesse em aprender coisas novas e notas muito boas, há cerca de quatro meses começou a ter baixo rendimento nas atividades. Passou a apagar o que escrevia durante as aulas, reescrevendo várias vezes a mesma frase, e a pedir para sair da sala várias vezes para ir ao banheiro. Começou a demorar muito tempo para finalizar provas, e suas notas pioraram muito. Apesar de sempre ter sido um pouco tímido, passou a se isolar e reduziu o convívio com os colegas.­

QUAIS AS CARACTERÍSTICAS DO

TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO?

O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é conhecido também como a “doen­

ça das manias”, ou “doença das dúvidas”. É caracterizado pela presença de obsessões e/ou compulsões que tomam tempo (pelo menos uma hora por dia), causam incômodo ou interferem na vida do paciente e/ou de seus familiares.

 

Capítulo 10 - Transtornos do humor – depressão e transtorno bipolar

PDF Criptografado

10

Transtornos do humor – depressão e transtorno bipolar

Stan Kutcher

Érika Leonardo de Souza

Pedro Mario Pan

Roberta Paula Schell Coelho

Gustavo M. Estanislau

O QUE É HUMOR?

“Humor” é uma palavra usada para definir um estado emocional. As pessoas têm diversos humores e podem identificá-los em si com base nos seus sentimentos e, nos outros, com base no que é expresso. As emoções podem surgir em resposta a alguma situação ou espontaneamente. Por exemplo, todos já se sentiram tristes ou “para baixo” sem razão aparente, assim como já se sentiram tristes ou “para baixo” depois de viver algo ruim. As emoções são “criadas”, expressas e mantidas em equilíbrio pelo cérebro. Assim, ao ficarmos tristes com algo negativo, nosso humor não fica “triste” para sempre. Para a maioria das pessoas, depois de um tempo, o cérebro conduz o humor de volta ao seu estado normal (Figura 10.1).

Gráfico do humor “normal”

+3

Mudança transitória para (+) polo consequente (+) eventos de vida

 

Capítulo 11 - Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade

PDF Criptografado

11

Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade

Gustavo M. Estanislau

Paulo Mattos

O QUE É TRANSTORNO DE DÉFICIT

DE ATENÇÃO/HIPERATIVIDADE?

O transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) é o transtorno mental mais comum na infância (Jensen et al., 1999), caracterizado por sintomas de desatenção/desorganização, hiperatividade e impulsividade. É considerado um transtorno neurocomportamental, ou seja, a partir de uma disfunção cerebral o indivíduo passa a apresentar problemas de comportamento.

TODO MUNDO TEM TDAH?

Não. Embora a prevalência do TDAH seja considerável, apenas uma pequena parte da população apresenta o transtorno. Polanczyk e colaboradores (2007), em seu importante estudo sobre a frequência do TDAH em diferentes países, constatou que 5,29% das crianças com menos de 18 anos têm TDAH. Com esse dado, podemos concluir que pelo menos 1 em cada 20 alunos tem TDAH.

Em relação à distribuição do TDAH por sexo, ele é igual entre meninos e meninas.

 

Capítulo 12 - Manejo do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade em sala de aula

PDF Criptografado

12

Manejo do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade em sala de aula

Angela Alfano

Bruno Sini Scarpato

Gustavo M. Estanislau

O ambiente escolar é fonte de múltiplos desafios para crianças e adolescentes.

É na escola que eles passam grande parte do dia, estabelecem relações sociais com seus pares e, ao mesmo tempo, são submetidos a situações de aprendizagem formal e a todas as experiências inerentes a esse processo. Para aqueles que apresentam o quadro de transtorno de déficit de atenção/hiperatividade

(TDAH), em suas diversas expressões clínicas (ver Capítulo 11), a vida escolar pode ser ainda mais difícil.

Atualmente, diversas fontes de pesquisa comprovam os benefícios do tratamento medicamentoso adequado para portadores de TDAH. Porém, mesmo com o auxílio dos medicamentos, a resposta dessas crianças e adolescentes não costuma ser plenamente satisfatória sem o trabalho de orientação que modifica o ambiente familiar e escolar. A partir disso, os chamados practice guidelines, ou “guias de tratamento”, propostos pelas associações de saúde mental e de pediatria, endossam os tratamentos denominados multimodais, ou seja, mesmo quando a criança ou o adolescente estão medicados adequadamente, intervenções psicossociais com a família e a escola são, em diversos aspectos, muito importantes, como na qualidade da relação com os pais e os professores, na execução de deveres de casa e no funcionamento dos pais com a criança. Nessa linha, diferentes estratégias de mudança comportamental podem ser utilizadas por pais e educadores, dentro e fora da sala de aula, para auxiliar em aspectos acadêmicos e sociais. Se implementadas de maneira consistente, a partir da orientação de um profissional especializado com conhecimento teórico sólido e embasado em evidências, elas podem ajudar essas crianças e adolescentes a enfrentar os desafios e construir uma história de sucesso em sua vida escolar.

 

Capítulo 13 - Comportamentos disruptivos na escola

PDF Criptografado

13

Comportamentos disruptivos na escola

Daniela Ceron-Litvoc

Elisa Kijner Gutt

Patricia Zukauskas

Guilherme V. Polanczyk

O convívio dos professores com crianças e adolescentes que manifestam alterações de comportamento caracterizadas por irritabilidade, oposição e agressividade é desgastante e, muitas vezes, frustrante. Esses comportamentos, por sua vez, causam impacto negativo nos jovens que os apresentam nos diversos ambientes em que estão inseridos, assim como no desempenho acadêmico. Muitas reações agressivas ou opositoras podem ocorrer como expressão de sofrimento, repreensão pela inadequação, julgamentos morais, punições e até mesmo em função da sensação de ameaça ou de vulnerabilidade diante da agressividade do ambiente. A intenção deste capítulo é auxiliar o professor a reconhecer, intervir e auxiliar as crianças e os adolescentes que apresentam esses comportamentos.

Desenvolvimento infantil e aspectos relacionados à irritabilidade e à agressividade

 

Capítulo 14 - Transtornos de aprendizagem

PDF Criptografado

14

Transtornos de aprendizagem

Alessandra Gotuzo Seabra

Natália Martins Dias

Gustavo M. Estanislau

Bruna Tonietti Trevisan

O QUE SÃO TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM?

Aprendizagem refere-se a uma mudança no comportamento conquistada por meio da experiência. Vários fatores podem interferir no processo de aprendizagem. Embora os transtornos de aprendizagem sejam objeto de estudo há muito tempo (o primeiro relato de dislexia data de 1878), aspectos cruciais, como as definições dos termos “transtorno”, “distúrbio”, “problema” e “dificuldade de aprendizagem”, ainda não são consenso. A discussão sobre a forma mais adequada de classificar esses quadros transcende os objetivos deste livro, portanto, utilizaremos aqui os termos dificuldades de aprendizagem e transtornos específicos de aprendizagem como referenciais de classificação.

Dificuldades de aprendizagem: são o conjunto de causas mais comuns de rendimento acadêmico abaixo do esperado. Podem ser físicas/cognitivas (problemas de visão, rebaixamento intelectual, etc.), psicológicas (falta de interesse, baixa autoestima, transtornos mentais como depressão e transtorno de déficit de atenção/hiperatividade [TDAH], etc.) ou ambientais (falhas na estratégia pedagógica, falta de estimulação dos pais, etc.).

 

Capítulo 15 - Esquizofrenia

PDF Criptografado

15

Esquizofrenia

Tais S. Moriyama

Cristiano Noto

Rodrigo Affonseca Bressan

Gustavo M. Estanislau

Um caso de esquizofrenia na escola

Cláudio está com 15 anos agora, e, apesar de sempre ter sido uma criança mais calada e reservada, nos últimos seis meses, esse isolamento tem-se acentuado. A professora nota que está mais alheio, disperso, “parece estar em outro mundo”. No entanto, diferentemente das outras crianças que devaneiam, Claudio parece angustiado. De vez em quando, balbucia consigo mesmo coisas fora do contexto, como “Me deixa em paz!” ou “Sai daqui!”. Nos últimos quatro meses, passou a ficar muito cismado com os colegas de classe, acha que todos estão falando mal dele e queixa-se de que existe um complô para prejudicá-lo. Se uma criança ri em um canto qualquer da sala, acha que estão rindo dele. A escola avisou a família que os professores estavam preocupados com o menino, e os pais disseram também estar preocupados, pois achavam que era um problema espiritual. Levaram Cláudio a um centro espírita, mas mesmo lá foram orientados a procurar um psiquiatra. Ainda assim, hesitaram em iniciar um tratamento tão sério e preferiram a ajuda de uma psicóloga. O jovem permaneceu em terapia por três meses, mas foi piorando gradativamente. Há um mês, os pais tiveram de recorrer ao SAMU para levá-lo a um pronto-socorro porque estava agitado, agressivo, gritando coisas sem sentido, referindo ouvir vozes que diziam que iriam matá-lo. De lá para cá, Cláudio vem fazendo um tratamento psiquiátrico e está melhor. No entanto, não é mais o mesmo. Está calmo, não escuta mais vozes nem se sente perseguido, porém parece mais distante e apático. Os pais foram informados da possibilidade do diagnóstico de esquizofrenia e têm tido muita dificuldade de lidar com a ideia.

 

Capítulo 16 - Transtornos do espectro autista

PDF Criptografado

16

Transtornos do espectro autista

Daniela Bordini

Ana Rita Bruni

Um caso de autismo

Sou professora do 1o ano de uma escola municipal e tenho um aluno que me parece muito diferente. Ele passa a maior parte do tempo isolado, não se interessa por conversar nem brincar com as outras crianças. Quando o chamo pelo nome, ele não olha, não responde, parece surdo.

Nas aulas, fica avoado, não se concentra na explicação do conteúdo, passa a maior parte do tempo rodando um lápis bem próximo aos olhos e se balançando para a frente e para trás. Estou muito preocupada, pois não sei como agir com ele em sala de aula e como vou alfabetizá-lo. Já conversei com os pais sobre esses comportamentos, mas eles têm dificuldade de enxergar o que eu enxergo. Cobram avanços na parte pedagógica e atenção individualizada, mas tenho-me sentido muito desamparada quanto aos recursos que devo usar com ele. Não conto com mais ninguém para me ajudar em uma sala com 20 crianças da mesma idade.

 

Capítulo 17 - Uso de drogas na escola

PDF Criptografado

17

Uso de drogas na escola

Carolina Meneses Gaya

Gustavo M. Estanislau

Patricia Manzolli

Clarice Sandi Madruga

O uso de substâncias psicotrópicas é um dos problemas de saúde pública mais importantes do Brasil. Nosso país tem maiores índices de consumo de drogas comparado a outros países em desenvolvimento, e esse consumo tende a aumentar conforme o crescimento econômico. Entre os jovens, a fiscalização das leis que proíbem a venda de cigarros e bebidas alcoólicas para menores de idade é quase inexistente, enquanto medicamentos e drogas inalantes podem ser comprados sem dificuldade. O fácil acesso, combinado a diversos fatores de risco pessoais e ambientais, estabelece os adolescentes como o grupo mais vulnerável ao uso nocivo dessas substâncias na população.

Nesse contexto, o objetivo deste capítulo é abordar a questão das drogas no ambiente escolar, dando maior ênfase ao álcool, ao tabaco e à maconha, devido a sua utilização mais prevalente, e apresentar alguns princípios da prática preventiva em escolas.

 

Capítulo 18 - Transtornos alimentares

PDF Criptografado

18

Transtornos alimentares

Manoela Figueiredo

Gizela Turkiewicz

Bacy Fleitlich-Bilyk

A ALIMENTAÇÃO E A RELAÇÃO COM O

CORPO NA INFÂNCIA E NA ADOLESCÊNCIA

A preocupação com peso e alimentação pode começar por volta dos 8 anos, em geral se intensifica com a chegada da puberdade e, na adolescência, frequentemente cursa com insatisfação com a imagem corporal.

Essa insatisfação está diretamente associada às mudanças corporais que acontecem em função da puberdade, com o crescimento e o desenvolvimento físico muito intensos (e que não serão necessariamente permanentes, como, por exemplo, o aumento de gordura das meninas). Associadas às mudanças físicas, alterações emocionais também são muito significativas – a “rebeldia”, a baixa autoestima e a busca por independência.

Nesse período, acontecem também mudanças importantes no modo de se alimentar. Os jovens passam a ter maior autonomia para escolher o que, quando e como vão comer – bem diferente do padrão alimentar da infância, que é, de certa forma, “imposto” pela estrutura familiar.

 

Carregar mais


Detalhes do Produto

Livro Impresso
eBook
Capítulos

Formato
PDF
Criptografado
Sim
SKU
BPPD000265197
ISBN
9788582711057
Tamanho do arquivo
18 MB
Impressão
Desabilitada
Cópia
Desabilitada
Vocalização de texto
Não
Formato
PDF
Criptografado
Sim
Impressão
Desabilitada
Cópia
Desabilitada
Vocalização de texto
Não
SKU
Em metadados
ISBN
Em metadados
Tamanho do arquivo
Em metadados