Os Tempos da Vida nos Tempos da Escola - 2.ed.

Autor(es): Jaqueline Moll
Visualizações: 164
Classificação: (0)

Esta obra reúne reflexões de diversos educadores brasileiros sobre os desafios postos para a educação contemporânea. As discussões ancoram-se na reorganização e ampliação dos tempos e das práticas escolares estabelecidas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) e, sobretudo, pelas novas Diretrizes Curriculares da Educação Básica. Afirmando a importância e o lugar da escola na convivialidade e na educação das novas gerações, a reflexão proposta nesta obra procura colaborar para a reconceitualização da escola e sua reinvenção no contexto das novas configurações sociais e culturais da contemporaneidade. Em outras palavras, este livro pensa e propõe uma escola possível, organizada a partir das teias de significado do presente.

19 capítulos

Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta

Capítulo 1 - Tempos e saberes: interações possíveis nos ciclos da escola e da vida

PDF Criptografado

1

TEMPOS E SABERES

Interações possíveis nos ciclos da escola e da vida

Nilton Bueno Fischer

INTRODUÇÃO

A mudança da escola, em sua reorganização por ciclos, exige, para a compreensão da sua radicalidade, criatividades analíticas, entre tantas já desenvolvidas. Uma das possíveis pistas que desenvolvo neste capítulo é tentar mergulhar nas diversas formas como a categoria “tempo” se manifesta nas vidas de seus protagonistas.

Escolas pulsam vida! E vida linda, curiosa, desafiadora e geracional. As relações entre os saberes produzidos por todos os atores e em todas as áreas do conhecimento, no território escolar, demandam cada vez mais a sua visibilidade sem precisar do disfarce das formas, dos legalismos que compõem as externalidades desse processo. Sustento minha argumentação querendo compreender Freire,1 em seu legado humanista via diálogo, a partir daquilo que foram suas ideias e proposições em estimular a livre expressão do universo cultural dos educandos, interagindo, dessa forma, quando das interações com seus mestres e colegas.

 

Capítulo 2 - Propostas e práticas que interpelam as teorias pedagógicas

PDF Criptografado

2

PROPOSTAS E PRÁTICAS QUE INTERPELAM

AS TEORIAS PEDAGÓGICAS

Miguel G. Arroyo

INTRODUÇÃO

Este texto se aproxima das propostas pedagógicas que nas últimas décadas vêm acontecendo nos projetos político-pedagógicos das escolas, das Redes dos quais são autores coletivos docentes-educadores e educandos. Entre essas propostas e intervenções, estão as experiências que reorganizam a escola, respeitando os educandos, seus tempos humanos de formação, objeto das análises deste livro.

Cada texto destaca aspectos dessas propostas. Nesta análise, pretendo destacar as contribuições teóricas que elas afirmam ou alguns dos aspectos em que interpelam as teorias pedagógicas e interpelam a organização dos tempos da escola. A hipótese que me guia

é que o pensamento educacional, as teorias pedagógicas e a organização escolar não são interpeladas apenas por novas pesquisas, novas teorias, mas por práticas sociais e pedagógicas novas carregadas de indagações teóricas que exigem ser explicitadas, reconhecidas e incorporadas no pensamento e na gestão educacional. Nos aproximamos das propostas e práticas pedagógicas analisadas neste livro assumindo que delas emergem questões, saberes e concepções e que toda teoria se legitima como teoria, à medida que se enraíza em práticas sociais que têm tido consequências nas relações sociais e políticas e no fazer educativo.

 

Capítulo 3 - Os tempos da vida nos tempos da escola: em que direção caminha a mudança?

PDF Criptografado

3

OS TEMPOS DA VIDA NOS TEMPOS DA ESCOLA

Em que direção caminha a mudança?

Jaqueline Moll

Quais foram os aspectos do mundo moderno e de sua crise que efetivamente se revelaram na crise educacional para que, durante décadas, se pudessem dizer e fazer coisas em contradição tão flagrante com o bom senso?

O que podemos aprender dessa crise acerca da essência da educação – não no sentido de que sempre se pode aprender, dos erros, o que não se deve fazer, mas sim refletindo sobre o papel que a educação desempenha em toda civilização, ou seja, sobre a obrigação que a existência de crianças impõe a toda sociedade humana?

Arendt (1954, p. 234)

INTRODUÇÃO

É possível mudar a escola? Muitos dirão que não, afirmando ser a escola uma instituição milenar (ledo engano!) ou “apenas” uma fase da vida a superar ou a antessala da “fábrica”

(ou do mercado de trabalho), portanto desenhada com características próprias da seletividade, da hierarquização e dos silenciamentos que constituem o cerne dos processos de adaptação social.

 

Capítulo 4 - Tempo de aprendizagem, tempo de desenvolvimento, tempo de gênese:a escola frente à complexidade do conhecimento

PDF Criptografado

4

TEMPO DE APRENDIZAGEM, TEMPO DE

DESENVOLVIMENTO, TEMPO DE GÊNESE

A escola frente à complexidade do conhecimento

Fernando Becker

O padrão que liga. Por que as escolas não ensinam quase nada sobre o padrão que liga? Será porque os professores sabem que levam consigo o beijo da morte, que tornará sem graça tudo o que tocarem, e assim estão sabiamente não desejosos de tocar ou ensinar qualquer coisa de real importância? Ou será que carregam o beijo da morte porque não ousam ensinar alguma coisa de real importância? O que há de errado com eles?

Que padrão relaciona o caranguejo

à lagosta, a orquídea à prímula e todos os quatro a mim? E eu a você? E nós seis à ameba em uma direção e ao esquizofrênico retraído em outra?

Bateson (1986, p. 17)

INTRODUÇÃO

A escola é um sistema complexo. Tudo o que acontece na sociedade, de alguma forma, repercute nela: a violência, o preconceito, a discriminação, a exclusão e até a guerra, mesmo longínqua. A impressão que me passa é a de que a escola tem como hábito fazer de conta que os acontecimentos nada têm a ver consigo. Não importa o que sucede no entorno

 

Capítulo 5 - Das políticas públicas ao interior da sala de aula: os sonhos possíveis

PDF Criptografado

5

DAS POLÍTICAS PÚBLICAS AO

INTERIOR DA SALA DE AULA

Os sonhos possíveis

Ivany Souza Avila

[...] passemos da vida cotidiana da escola real para os sonhos da escola possível.Também as utopias têm lugar na história [...]

Manacorda (1999, p. 115)

SUPERAÇÃO DA REPETÊNCIA – UM

POUCO DA HISTÓRIA

Neste percurso enunciativo, que ora desejo compartilhar com possíveis leitores e leitoras, pretendo trazer abordagens relativas aos sonhos da escola possível de Manacorda (1999), incluindo-me nas interrogações, mas também nas proposições, considerando que as “utopias têm lugar na história”.

Vivemos em Porto Alegre a escola organizada por ciclos de formação. Esta constituiu-se e constitui-se, ainda, como mais uma tentativa para a inclusão, visto que se propõe a conquistar a permanência das crianças na escola, onde se devem efetivar aprendizagens e onde se devem produzir relações sócio-afetivo-culturais que possibilitem um cotidiano de situações de ensino produtoras, de fato, de aprendizagens, dentro dos tempos e dos espaços destinados a essas aprendizagens.

 

Capítulo 6 - Infância, escola e uma nova compreensão da temporalidade

PDF Criptografado

6

INFÂNCIA, ESCOLA E UMA NOVA

COMPREENSÃO DA TEMPORALIDADE

Maria Carmen Silveira Barbosa

CICLOS – DIMENSÃO TEMPORAL DA VIDA

Melucci (1991) apresenta três grandes imagens que são aquelas que a humanidade construiu para realizar a compreensão da temporalidade. Ele inicia falando do modelo circular, um retornar cíclico de regularidade muito presente nos mitos, no sagrado e na natureza. A alquimia, como um sistema simbólico, sempre pregou a ideia de que a natureza é cíclica, e em sua visão quadripartite apresenta: os quatro elementos, as quatro estações, os quatro momentos do dia e, consequentemente, as quatro idades do homem (infância, juventude, maturidade e velhice) estabelecendo a união do homem, da natureza e do cosmos. Também nas culturas orientais é comum a ideia da reencarnação ou do retorno repetido, o grande círculo é considerado uma propriedade da vida e caracteriza essa visão.

A segunda imagem foi constituída pelo cristianismo, que mantém alguns aspectos do cíclico, mas introduz o linear: da gênese ao fim do mundo, passando pelo pecado e pela salvação. Para esse autor, a modernidade – ocidental e técnica – tomou essa ideia de linearidade e, laicizando-a, transformou-a no ideal do progresso. Uma das características mais comuns na cultura ocidental é pensar a mudança como uma transição suave, cumulativa, constante e uniforme.

 

Capítulo 7 - Ciclos da vida e escola por ciclos: a adolescência na escola

PDF Criptografado

7

CICLOS DA VIDA E ESCOLA POR CICLOS

A adolescência na escola

Tânia Ramos Fortuna

INTRODUÇÃO

Ao longo dos últimos anos, tenho participado de várias atividades no campo da formação de professores na Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre, movida pelo reconhecimento de que sua perspectiva de educação tem produzido importantes transformações no cenário educacional, com consequências decisivas para a escolarização das classes populares da região.

Ao orientar a criação de espaços lúdicos na Rede Municipal de Ensino (RME), ao discutir com os professores temas como o papel da atividade lúdica no ensino e na aprendizagem, os laboratórios de aprendizagem, sexualidade e aprendizagem, a vida afetiva do professor e a adolescência na escola, e ao pesquisar sobre a abordagem da disciplina escolar, percebi que a nova estrutura escolar, baseada em ciclos de formação, introduz novas dúvidas para o velho problema do desenvolvimento humano e suas relações com o desenvolvimento escolar. Trata-se de um velho problema, porque é constante nas preocupações dos educadores com o processo de escolarização a indagação sobre quais comportamentos, estruturas cognitivas e conhecimentos específicos são próprios de cada idade, são típicos de cada período do ciclo vital, e o que fazer com os alunos que não se enquadram nesses padrões de desenvolvimento. As novas dúvidas

 

Capítulo 8 - Organização da escolaridade em ciclos: um panorama da situaçãoatual no contexto brasileiro

PDF Criptografado

8

ORGANIZAÇÃO DA ESCOLARIDADE EM CICLOS

Um panorama da situação atual no contexto brasileiro

Jefferson Mainardes e Silvana Stremel

INTRODUÇÃO

Neste capítulo, apresentaremos a trajetória da história dos ciclos e os elementos da situação atual da política de ciclos no Brasil. Com relação à situação atual, destacamos as diversas modalidades de ciclos que têm sido implementadas no Brasil, bem como a retomada dos ciclos a partir da implantação do ensino fundamental de nove anos. Tendo em vista que a gestão educacional e a gestão escolar ocupam um papel essencial na formulação de políticas de ciclos e sua “implementação”1 no contexto da prática, destacamos, também, algumas relações dos ciclos com a gestão educacional e escolar.

ASPECTOS DA EMERGÊNCIA DA

ORGANIZAÇÃO DA ESCOLARIDADE EM

CICLOS2

As experiências e discussões sobre a escola em ciclos são encontradas em diferentes países, principalmente naqueles que, historicamente, têm adotado o sistema seriado e a reprovação anual, como, por exemplo: França, Suíça, Canadá (Québec), Bélgica (comunidade francesa), Brasil, Portugal, Espanha, Argentina, entre outros.3

 

Capítulo 9 - Ciclos de formação: permanências, rupturas e ressignificados de rituais na escola

PDF Criptografado

9

CICLOS DE FORMAÇÃO

Permanências, rupturas e ressignificados de rituais na escola

Silvio Rocha

INTRODUÇÃO

O objetivo deste capítulo é apresentar um conjunto de ideias que explicite o panorama da lógica e dos princípios estruturantes da organização das escolas por ciclo de formação1 e de suas rupturas com o modelo de escola tradicional.

Assim, este texto se situa entre aqueles que defendem a organização dos ciclos de formação mesmo sabendo que tratar dos ciclos de formação é emergir em uma questão complexa, posto que sejam múltiplas, por vezes contraditórias, as implicações sobre a concepção de educação e a prática pedagógica.

O ponto de partida é reconhecer que o debate sobre a organização das escolas por ciclos, em suas diversas proposições – ciclo básico, ciclos de aprendizagem, ciclos de formação (não

é minha intenção entrar aqui no detalhe dessa distinção, embora existam diferenças conceituais) – na última década, foi largamente realizado, algumas vezes de modo “acalorado”, por professores, gestores, pedagogos, especialistas da educação e pela mídia e, outras vezes, de modo deturpador que reduziu a proposta dos ciclos à ideia de promoção automática.2

 

Capítulo 10 - Políticas de democratização do conhecimento escolar:ciclos e o Programa Mais Educação

PDF Criptografado

10

POLÍTICAS DE DEMOCRATIZAÇÃO DO

CONHECIMENTO ESCOLAR

Ciclos e o Programa Mais Educação

Andréa Rosana Fetzner

INTRODUÇÃO

Este capítulo propõe a análise da organização escolar em ciclos em suas possibilidades de democratização do conhecimento escolar, à medida que as contribuições das discussões sobre interculturalidade (WALSH, 2009; CANDAU,

2008; MOREIRA; CANDAU, 2008) possam ser consideradas no currículo escolar. De forma especial, o Programa Mais Educação (2010) é tratado com suas potencialidades na ampliação do entendimento do currículo na escola, provendo de valor conhecimentos e práticas culturais outras, antes desvalorizadas pela escola tradicional. O trabalho apresenta a democratização do conhecimento escolar como diretriz capaz de transformar as relações tradicionais entre professoras/es e estudantes e o conhecimento escolar. Para esta transformação das relações, percebe-se necessário questionar os conhecimentos escolares em sua relevância, por meio da pergunta “tem mais valor o conhecimento de quem?” (APPLE et al., 2008). Para desenvolvimento da análise, apresentam-se diferentes conceitos de ciclos, situa-se a discussão da interculturalidade no campo do currículo e discorre-se sobre algumas experiências no âmbito do Programa Mais Educação, tratadas em um curso de formação de professores oferecido pela Universidade Federal do Estado do Rio de

 

Capítulo 11 - Cenários políticos e pedagógicos das inovações

PDF Criptografado

11

CENÁRIOS POLÍTICOS E PEDAGÓGICOS DAS INOVAÇÕES

POLÍTICO-PEDAGÓGICAS NA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DE

PORTO ALEGRE

Maria Beatriz Pauperio Titton

Dividir o poder de pensar, elaborar e decidir requer sistematicamente a socialização de informações e a capacidade de conviver e experimentar as tensões e contradições inerentes

à democracia. Isto só não acontece quando o autoritarismo impera e mata a riqueza e as dificuldades próprias de qualquer processo que tenha a participação como pressuposto.

Cortella (1992, p. 63)

INTRODUÇÃO

Ao recuperar a trajetória de escolas da Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre, certamente irão se identificar, no seu fazer pedagógico, os inspiradores, as ênfases e as intervenções político-educacionais das diferentes administrações da cidade, principalmente no período compreendido entre 1989 e 2004, considerado denso em contribuições e construções teóricas.

Esse período foi significativo em provocações e rupturas nas concepções acerca de educação, de escola, de ensino, de aprendizagem, bem como de democracia, de participação, de cultura, de ecologia, de comunidade, de sociedade, de cidade e de planeta. Elas representam movimentos de inovação pedagógica que passam a influenciar a vida das escolas e de seus profissionais, de alunos, de pais e de-

 

Capítulo 12 - Ciclos de formação na EMEF Vila Monte Cristo: vestígios de uma história

PDF Criptografado

12

CICLOS DE FORMAÇÃO NA EMEF VILA MONTE CRISTO

Vestígios de uma história

Regina Maria Duarte Scherer

E assim prosseguimos, botes contra a corrente, impelidos incessantemente para o passado.

Fitzgerald (2007, p. 199)

INTRODUÇÃO

Quando me solicitaram um capítulo sobre os ciclos na EMEF1 Vila Monte Cristo, mas que fosse atual, ficava clara a lacuna anterior em que esta experiência não foi contemplada.

Chegara o momento de expor, na coletânea, a experiência da escola. Entretanto, este capítulo, mais do que sobre o presente, teria de retomar uma trajetória de quase 18 anos. Falarei de um lugar que ao mesmo tempo tem a marca do pertencimento do sonho e também da busca de rigor do estudo acadêmico.2

Desta maneira, retomei meus estudos e pesquisas anteriores3 em que o foco talvez seja o nascimento e sustentação por uma comunidade escolar e, em especial, por educadores de um projeto educacional escolar. Tratei da trajetória de um grupo de professores que, movidos pelo desejo de mudança e provocados pelo desafio proposto pela administração pública da cidade de Porto Alegre, por meio coordenação da sua Secretaria Municipal de Educação, aceitou o desafio de organizar uma proposta pedagógica que rompesse com entraves como repetência e evasão esco-

 

Capítulo 13 - A gramática do verbo aprender: reflexões sobre a aprendizagem da escritae da leitura nas escolas municipais de Porto Alegre

PDF Criptografado

13

A GRAMÁTICA DO VERBO APRENDER

Reflexões sobre a aprendizagem da escrita e da leitura nas escolas municipais de Porto Alegre

Maria Luiza Moreira

Os seres humanos só mudam seus hábitos de pensamento quando há razões prementes.

Denny (1995)

INTRODUÇÃO

Costumamos apelar para figuras quando queremos significar nossas teorias acerca de qualquer coisa. Já se falou sobre o mundo usando a metáfora do relógio, do homem como de uma máquina, sobre a relação ensino/aprendizagem comparando-a à operação bancária de depositar, sobre o conhecimento como uma bagagem.

Quando as explicações que temos sobre algo não mais nos satisfazem, servimo-nos de novas figuras. Em que pese a limitação de uma troca de metáforas aparentemente simples, é esse um dos papéis da linguagem: oferecer-nos novas imagens para podermos pensar. É nesse ponto que a tensão entre ser sujeito (no sentido de submetido) e sujeito

(no sentido de agente) revela-se como uma potencial fonte de riquezas e não como uma maldição. Somos assujeitados pela linguagem, mas podemos tomá-la e, mediante processos de ressignificação, encontrar novas maneiras de ver e explicar a realidade.

 

Capítulo 14 - Turmas de progressão na escola por ciclos: um debate sobre uma das proposiçõesdo projeto Escola Cidadã

PDF Criptografado

14

TURMAS DE PROGRESSÃO NA ESCOLA POR CICLOS

Um debate sobre uma das proposições do projeto Escola Cidadã*

Maria Luisa Merino Xavier

INTRODUÇÃO

Apresento inicialmente, de forma sintética, alguns aspectos identificadores do projeto Escola Cidadã – uma iniciativa da Secretaria

Municipal de Educação de Porto Alegre desencadeada a partir de 1995 – que embasou o modelo de escola municipal da Rede, no período em que o Partido dos Trabalhadores esteve à frente da administração do município.

GESTAÇÃO DO PROJETO

O Partido dos Trabalhadores assumiu a Prefeitura Municipal de Porto Alegre em 1989, com uma proposta de gestão popular e de implementação de uma administração diferenciada das que vinham sendo propostas até então pelos demais partidos políticos. A nova proposta tinha como ponto de partida a defesa da participação da população nas decisões sobre o rumo que deveria tomar a cidade, para que ela viesse a pertencer de fato a todos os cidadãos. O trabalho educacional então proposto enquadrava-se em políticas públicas que defendiam a democratização e a possibilidade de construção da cidadania, bem como tentava romper com a tradição histórica po-

 

Capítulo 15 - Laboratórios de aprendizagem: funções, limites e possibilidades

PDF Criptografado

15

LABORATÓRIOS DE APRENDIZAGEM

Funções, limites e possibilidades

Beatriz Vargas Dorneles

INTRODUÇÃO

Este capítulo analisa o papel dos laboratórios de aprendizagem em um sistema de ensino, especialmente quanto às possibilidades desse “espaço-recurso” de enfrentar o fracasso escolar. Após uma breve reflexão sobre o fracasso escolar, discutem-se as definições de

“laboratório de aprendizagem”, suas possíveis funções como um espaço alternativo de aprendizagem e suas limitações, bem como as possibilidades que ele cria para professores e alunos. Discutem-se as características que os laboratórios precisariam ter para serem locais efetivos de aprendizagem, bem como os recursos técnicos e pessoais os professores poderiam desenvolver para construir esses espaços.

Conclui-se o capítulo apontando algumas limitações dos laboratórios, considerando-se especialmente a complexidade do fenômeno do fracasso escolar e suas diferentes dimensões que ultrapassam a escola.

 

Capítulo 16 - Ciclos de formação, educação especial e inclusão: frágeis conexões?

PDF Criptografado

16

CICLOS DE FORMAÇÃO, EDUCAÇÃO

ESPECIAL E INCLUSÃO

Frágeis conexões?

Claudio Roberto Baptista

Para sempre, é sempre por um triz [...]

Buarque (1983)

INTRODUÇÃO

O debate relativo à inclusão continua atual porque, de fato, ao se discutir inclusão, discute-se uma utopia e não uma meta a ser implementada em um tempo prestabelecido. Discute-se, sim, uma perspectiva, um movimento de colocar-se em uma certa direção, suportando as instabilidades de um caminho que se sabe, em princípio, que será incompleto. Essa perspectiva possui fundamentos éticos, teóricos, além daqueles de ordem “técnica”. Do ponto de vista ético, podem-se evocar proposições, como aquelas freirianas, que destacam o lugar, em sentido amplo, que deveria ser conferido ao outro, ao nosso interlocutor. Um lugar que tenha a reciprocidade como aspecto caracterizador das relações. No que se refere

à teorização e às técnicas, podem-se identificar as aproximações entre a educação chamada “especial” e a educação. Mas a abordagem de fenômenos ligados às dinâmicas de inclusão/exclusão exige que a análise conte com a contribuição de outras áreas de conhecimento. A busca de uma lógica analítica que trans-

 

Capítulo 17 - Recomeços e aprendizagens: reflexões sobre a formação docente nasescolas municipais de Porto Alegre

PDF Criptografado

17

RECOMEÇOS E APRENDIZAGENS

Reflexões sobre a formação docente nas escolas municipais de Porto Alegre

Maria Luiza R. Becker

INTRODUÇÃO

Neste capítulo, serão examinadas as convergências encontradas pela autora, entre sua pesquisa de doutorado, intitulada Epistemologia genética e prática de psicopedagogia na escola: difusão de teoria e os expurgos da razão, concluída em 1998, e os resultados da dissertação de mestrado Movimentos de exclusão escolar oculta, de Linch, concluída em 2002. As investigações diferem quanto aos objetos de estudo específicos e procedimentos metodológicos utilizados, porém ambas abordam relações entre as transformações do cotidiano escolar, almejadas nas propostas político-pedagógicas da Secretaria Municipal de Porto

Alegre, e sua assimilação, seja por assessorias, seja por professores. A abordagem do texto, como a das pesquisas, é psicopedagógica, e o referencial teórico principal é a epistemologia genética.

Há um intervalo de quase 10 anos entre os dois períodos considerados e caracterizados como alfabetização construtivista (1989-1993) e Escola Cidadã (1999-2001). O impacto dos dados recentes relatados por Linch

 

Capítulo 18 - O que os professores de educação física têm a dizer sobre os ciclos de formação

PDF Criptografado

18

O QUE OS PROFESSORES DE EDUCAÇÃO FÍSICA

TÊM A DIZER SOBRE OS CICLOS DE FORMAÇÃO

Vicente Molina Neto

Rosane Kreusburg Molina

INTRODUÇÃO

Será desenvolvida, neste capítulo, a questão da participação dos professores de educação física no currículo escolar do ensino fundamental organizado por ciclos de formação. Nossa pretensão é participar da pluralidade de sons que constitui este livro, apresentando as vozes que circulam e ganham significado nos ambientes escolares da Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre, onde a educação física e o ciclo de formação acontecem e ganham visibilidade.

Essas vozes estão gravadas, transcritas, registradas e categorizadas em diferentes projetos de pesquisa e dissertações de mestrado recentemente concluídos na linha da pesquisa Formação de Professores e Prática Pedagógica do Programa de Pós-graduação em

Ciências do Movimento Humano (GUNTHER,

2000; WITTIZORECKI, 2001; BOSSLE, 2003), e fazem parte da produção científica do Grupo de Estudos Qualitativos Formação de Professores e Prática Pedagógica em Educação Física e Ciências do Esporte, que está sob a coordenação dos autores deste texto.

 

Carregar mais


Detalhes do Produto

Livro Impresso
eBook
Capítulos

Formato
PDF
Criptografado
Sim
SKU
BPPD000265238
ISBN
9788565848589
Tamanho do arquivo
3,1 MB
Impressão
Desabilitada
Cópia
Desabilitada
Vocalização de texto
Não
Formato
PDF
Criptografado
Sim
Impressão
Desabilitada
Cópia
Desabilitada
Vocalização de texto
Não
SKU
Em metadados
ISBN
Em metadados
Tamanho do arquivo
Em metadados