Exercícios de Arquitetura

Autor(es): Simon Unwin
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Livro singular com relação ao tema, à didática e à linguagem. Escrito por um renomado e experiente professor de arquitetura, a obra pretende, por meio de exercícios propostos, fazer o leitor perceber o funcionamento da arquitetura e seu ilimitado potencial. O autor acredita que quanto mais se pratica arquitetura, mais se aprende sobre o que se pode fazer com ela.

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Exercício 1: A substância sem substância

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EXERCÍCIO 1: A substância sem substância

Neste exercício, você começará a explorar as atividades de dar forma e criar lugares, que são a base de toda a arquitetura. O exercício introduz as duas substâncias fundamentais da arquitetura: o material e o espaço. Você achará familiar a ideia de dar forma ao material – argila, papelão, blocos de construção...

–, mas a ideia de dar forma ao espaço talvez pareça um pouco estranha.

Tendemos a ver o mundo como uma coleção de objetos, coisas físicas que podemos ver e provavelmente tocar: um livro, uma árvore, um automóvel, uma folha, um blusão, um oceano, um sanduíche... Tais objetos consistem em materiais físicos: papel, madeira, metal, celulose, lã, água, pão, queijo... As edificações são feitas de materiais físicos: pedra, tijolo, vidro, concreto, madeira, titânio, cobre... e também podemos vê-las como

objetos. Mas a primeira coisa que devemos entender sobre arquitetura (e a mais complicada) é que com ela damos forma tanto ao material físico quanto ao espaço.

 

Exercício 2: Percepções fugazes

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EXERCÍCIO 2: Percepções fugazes

Juntos, a torre e o círculo (do Exercício 1) constituem o “Big Bang” da arquitetura. Eles manifestam o

“momento” em que a mente aplica uma ideia ao mundo natural (força seu desejo sobre ele). Quando a mente começa a intervir, o mundo é modificado.

A torre e o círculo tornam o lugar identificável de maneiras diferentes, mas juntos eles constituem as substâncias recíprocas da arquitetura: a matéria (o material físico) e o espaço (habitável).

No Exercício 2, veremos como a percepção de uma obra de arquitetura pode se alternar entre a percepção da matéria e a do espaço.

1

2

EXERCÍCIO 2 a. O co n t êin er p ara u m f alecid o .

Um dos tipos mais antigos de edificação permanente é a câmara mortuária. Podemos usá-la neste exercício como um exemplo simples de como a matéria e o espaço trabalham juntos na arquitetura.

Primeiramente, deite seu boneco articulado, como se fosse um cadáver, no centro do círculo que já desenhou em sua prancheta (1).

 

Exercício 3: O eixo (e sua negação)

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EXERCÍCIO 3: O eixo (e sua negação)

Você talvez tenha percebido que o que tem feito até agora nestes exercícios sofre influência de diferentes tipos de geometria. Voltaremos a eles mais adiante, mas antes trataremos de mais um: o eixo. É provável que você o tenha visto aparecer em suas maquetes de blocos (e no contexto de “O Artista está Presente” de

Abramovic). Depois do centro e do limite, o eixo é um recurso fundamental na arquitetura. Embora possa ser visto na forma material – como na linha que desce pelo centro de um corpo humano ou na elevação frontal (no pórtico) de um templo clássico – o eixo, formado pelo alinhamento entre a porta e o olho (a linha de visão), pertence antes de tudo ao espaço.

EXERCÍCIO 3 a. O eixo d e uma p o r t a.

A porta da casa estabelece um lugar de transição entre o mundo externo e o refúgio interno. Seu limite está voltado tanto para dentro quanto para fora.

Posicione a pessoa em pé, do lado de fora, voltada para dentro.

 

Exercício 4: Alinhamento

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EXERCÍCIO 4: Alinhamento

EXERCÍCIO 4 a. A s geo m et rias d o m u n d o e d a p esso a.

Sem a casa, sua prancheta tem sua própria geometria. Tem quatro lados, é retangular, seus lados opostos são paralelos, suas quinas formam

ângulos retos, é plana e horizontal.

Sua prancheta também tem um centro, em volta do qual um círculo de lugar pode ser desenhado.

Com os dois eixos indicando os quatro pontos cardeais, sua prancheta pode ser vista como um diagrama simples do mundo.

OESTE

SUL

NORTE

LESTE

Neste exercício, utilizando a prancheta, os blocos e o(s) boneco(s) articulado(s), você irá modelar as geometrias do mundo e da pessoa. Também irá sentir algumas das restrições ou dos condicionantes que a geometria da construção impõe (isto é, transformar as obras de arquitetura em formas físicas – materiais e espaciais – reais). Seus simples blocos de construção não são materiais de construção de verdade, mas compartilham algumas características com os materiais patenteados disponíveis para a construção de edificações reais que devem se manter em pé sob a força da gravidade. A característica principal desses blocos é relativa a sua geometria: sua forma retangular

 

Exercício 5: Antropometria

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EXERCÍCIO 5: Antropometria

A arquitetura acomoda diferentes tipos de coisas

– animais, obras de arte, móveis e até mesmo atmosferas, “espíritos”, etc. –, mas seu conteúdo principal e mais desafiador são as pessoas. Os seres humanos podem ver (em linha reta) e têm reações emocionais a diferentes situações. Também temos forma física. Embora as pessoas tenham todo o tipo de formatos e tamanhos, essas variações estão em uma faixa bastante limitada. Os seres humanos raramente ultrapassam determinada altura e em geral se movem e movimentam suas articulações da mesma maneira. O corpo – seu tamanho, alcance e mobilidade – representa outro tipo de geometria

– a antropometria – que pode ser diferenciado da geometria com quatro direções que conferimos ao mundo e à geometria de quatro vistas da pessoa no espaço (ambas foram o tema do Exercício 4). A antropometria (as medidas da pessoa) é um terceiro fator geométrico a ser levado em conta quando damos forma ao espaço por meio da arquitetura.

 

Exercício 6: A geometria social

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EXERCÍCIO 6: A geometria social

A arquitetura acomoda não só um indivíduo, mas também pessoas reunidas. Quando se reúnem, as pessoas se organizam em geometrias particulares.

A arquitetura – o ato de dar forma ao espaço – estabelece essas geometrias sociais e se relaciona com elas.

Além de definir um centro, um círculo de lugar e talvez a geometria do mundo, um círculo de pedras eretas também pode ser interpretado como a representação da geometria de um grupo de pessoas juntas em pé, talvez presenciando uma cerimônia.

EXERCÍCIO 6 a. A geo m et ria so cial d e u m a casa circu lar.

A distribuição espacial de nossa casa circular estabelece uma geometria social entre os dois moradores. Com uma cama de cada lado da lareira, eles podem sentar frente a frente e conversar enquanto aquecem seus pés.

A relação de cada cama com a lareira e a mesa

(altar) é a mesma.

Se alguém entrasse no local, haveria uma relação igualitária entre cada um dos moradores sentados em suas camas e o visitante, criando um triângulo social entre as camas e a porta (que se expande em um quadrilátero se o “altar” for incluído).

 

Exercício 7: A geometria da construção

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EXERCÍCIO 7: A geometria da constr ução

Todas as maquetes que você fez até agora com seus blocos de construção foram condicionadas por dois fatores: a constante força vertical da gravidade agindo em direção perpendicular à superfície horizontal da prancheta (1); e a geometria retangular e regular dos próprios blocos, provavelmente ordenados de acordo com um módulo comum (2) – isto é, os blocos têm as proporções de 1:1, 0,5:2, 1:2, 0,5:3. A gravidade e a geometria dos componentes da construção constituem as condições básicas da geometria da construção.

1

0,5

1

1

2

EXERCÍCIO 7 a. A f o rm a e a geo m et ria d o s co m p o n en t es da co n st r u ção .

No Exercício 2, construímos uma casa circular.

Podemos agora analisá-la – ou, pelo menos, examinar sua parede externa – em termos da geometria da construção.

A prancheta criava uma superfície plana e horizontal para a construção. As superfícies opostas, planas e paralelas, dos blocos retangulares permitiram que eles se mantivessem estáveis sobre a prancheta e que várias fiadas fossem construídas, uma em cima da outra. Você utilizou blocos de diversos comprimentos, de modo que pudesse alterná-los – colocar cada bloco sobre dois, isto é, cobrir uma junta vertical da fiada inferior – para obter maior estabilidade. O comprimento do bloco mais longo (0,5:3) determinou a largura da porta.

 

Exercício 8: A geometria do planejamento

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EXERCÍCIO 8: A geometria do planejamento

A geometria da construção, como já vimos, influencia os formatos de recintos e espaços. Sugere que os recintos sejam ortogonais e tenham paredes opostas paralelas, de modo a facilitar sua construção. Os tijolos retangulares padronizados constroem com mais facilidade paredes planas, verticais e ortogonais com fiadas horizontais e regulares. Também podem se adequar perfeitamente a quinas com ângulos retos.

Além da facilidade para construir pisos e coberturas distribuindo vigas de tamanho regular entre paredes paralelas, a geometria da construção predispõe o arquiteto (que quer facilitar a vida) a fazer recintos ortogonais.

Neste exercício, você começará a observar – e avaliar – como os recintos e espaços ortogonais também facilitam o planejamento. É mais fácil construir os recintos lado a lado, compartilhando paredes-meias, se eles forem retangulares ou quadrados. É mais fácil combinar recintos e espaços em plantas mais complexas do que recintos isolados se estes e os espaços tiverem ângulos retos. Essa é a situação para a qual tende o bom-senso, embora não signifique necessariamente que sempre será a maneira certa (mais prática, mais interessante, mais poética...) de seguir determinado programa de necessidades.

 

Exercício 9: A geometria ideal

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EXERCÍCIO 9: A geometria ideal

Nos exercícios anteriores, exploramos as influências de vários tipos de geometria na arquitetura, mas a primeira na qual você provavelmente pensou como “geometria” vem por último. Essa é o senso de geometria na matemática pura, o tipo de matemática que você aprendeu na escola ou quando brincava com uma régua, um compasso ou um transferidor. É a geometria das figuras perfeitas: círculos, quadrados, esferas, cubos. É uma forma abstrata de geometria, que pode ser distinta das formas

“existenciais” (as geometrias reais) dos exercícios anteriores (o círculo de lugar, o eixo da porta, a geometria da construção, etc.). Para lhe dar um nome, A Análise da

Arquitetura chama essa forma abstrata de geometria de

“geometria ideal”.

Embora o lar natural das geometrias reais seja o mundo – nas características dos materiais

(tijolos, blocos, tábuas de madeira), em nossos corpos

–, o lar da geometria ideal está na esfera abstrata da superfície de uma folha de papel ou no espaço cibernético de um programa de computador. O fato de que a geometria ideal não pertence totalmente a este mundo contribui para seu misticismo, em especial para os arquitetos. Construir uma edificação perfeita como um cubo, apesar de não haver qualquer razão pragmática ou empírica para tal, confere a ela uma qualidade percebida pela mente como transcendente.

 

Exercício 10: Simetria e assimetria

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EXERCÍCIO 10: Simetria e assimetria

Enquanto você coletava (para o exercício anterior em seu caderno de croquis) exemplos orientados pela geometria ideal, provavelmente percebeu diferentes estratégias dividindo as plantas em recintos ou espaços constituintes. Já exploramos a geometria do planejamento no Exercício 8, mas aqui temos outras questões a considerar, relativas à hierarquia espacial, ao movimento e às relações com o mundo externo.

A tendência ao longo de toda a história tem sido associar a geometria ideal com a simetria axial.

Esta pode ser facilmente confundida com o eixo da porta, pois muitas vezes estão ligados. Porém, a simetria axial, tanto em elevação quanto em planta,

é diferente, no sentido de que constitui uma ideia intelectual expressa primeiramente nos desenhos abstratos que os arquitetos fazem – plantas e elevações

– e, como tal, é distinta de um efeito fenomenológico; isto é, somente quando você olha a planta de um arquiteto é que pode ver se ela é ou não organizada de forma simétrica em relação a um eixo, mas consegue sentir a força do eixo de uma porta quando se posiciona diante dele.

 

Exercício 11: Brincando com a geometria

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EXERCÍCIO 11: Brincando com a geometria

Você, como outros arquitetos, pode jogar de maneiras diferentes com a geometria ideal, sobrepondo, rompendo e distorcendo as geometrias. Assim, rapidamente nos aproximamos dos limites do que pode ser explorado por meio de seus blocos de construção infantis e sua prancheta.

Em seu projeto da Casa Johnson, em Sea Ranch (na costa norte da Califórnia, 1965), William Turnbull começou com um quadrado, que relacionou com a geometria da construção

(em madeira). Então fez adições e subtrações nesse quadrado para adequá-lo à implantação e às atividades que a casa acomodaria.

EXERCÍCIO 11a. A sobreposição de geometrias.

Talvez você não pensasse sobre isso ao construir diretamente no mundo real, mas quando começa a desenhar plantas de edificações antes de executálas permite a interferência de recursos gráficos.

Podemos imaginar (de maneira lúdica e totalmente sem evidências) Andrea Palladio experimentando com um par de compassos enquanto tentava ter uma ideia para seu novo contrato de construção de uma grande casa para o religioso Paolo Almerico.

 

Exercício 12: Criandolugares na paisagem

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EXERCÍCIO 12: Criando lugares na paisagem

Este exercício tem mais dimensões e sutilezas do que você pode pensar de início. Ele introduz muitos aspectos da arquitetura que permanecem relevantes e mantêm seu potencial mesmo nas obras mais sofisticadas. Ainda que se destine ao mundo real, a maior parte da arquitetura é criada de maneira abstrata, por meio de desenhos e maquetes (na mesa de desenho ou no computador), mas neste exercício você trabalhará com a realidade, em terrenos reais, com materiais reais, criando lugares reais.

Isso significa que você pode se adequar de maneira mais sensível (do que quando trabalha de maneira abstrata) às particularidades do contexto com o qual estiver trabalhando: sua topografia (o relevo do terreno, corpos d’ água, belvederes, o horizonte...); as condições dominantes (brisas, o sol, condições do solo...); os recursos disponíveis (materiais de construção, ajuda de outras pessoas); as coisas que já se encontram no local (naturais ou criadas por outras pessoas, próximas ou distantes).

 

Poslúdio: desenhando plantas baixas e cortes

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POSLÚDIO: Desenhando plantas baixas e cor tes

A arquitetura deve ser representada não apenas como a vemos, mas como a concebemos em nossa mente.

Em seu livro Meu nome é vermelho (1998, página 90), o escritor Orhan Pamuk descreve pinturas em miniatura tradicionais:

“Você conhece aquelas figuras de palácios, banhos turcos e castelos que outrora eram feitas em Tabriz e Shiraz; para que a figura consiga reproduzir o olhar profundo do Glorioso Alá, que tudo vê e entende, o miniaturista representaria o palácio em corte, como se fosse seccionado ao meio com uma enorme lâmina mágica, e pintaria todos os detalhes interiores – que senão jamais poderiam ser vistos pelo lado de fora – até mesmo panelas, pratos, copos, enfeites nas paredes, cortinas, papagaios engaiolados, as quinas mais privadas e os travesseiros sobre os quais deitava uma bela virgem que nunca vira a luz do dia.”

Você poderia desenhar uma figura do exterior de sua casa ou de um cômodo interior. Porém, se desenhar um corte e uma planta baixa, pode representar o interior e o exterior ao mesmo tempo. Pode representar como eles se relacionam por meio de janelas e portas, sob as árvores e além das cercas vivas.

 

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