A Revista e seu Jornalismo - Coleção Comunicação

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Passados dois séculos desde a publicação das primeiras revistas no Brasil, este livro sem similar reúne diversos profissionais brasileiros que se dedicam ao estudo e à produção desse produto jornalístico com o intuito de colaborar com o aprofundamento do pensamento sobre suas peculiaridades. A primeira parte do livro, “Ângulos e processos”, inclui a revista em um quadro de referências que problematiza sua constituição jornalística e sua inserção social. A segunda, “Práticas e produto”, reúne um apanhado reflexivo sobre os aspectos estruturais. O tradicional “como se faz” dá lugar a uma abordagem das características que envolvem esse fazer.

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Contexto

Revista e contemporaneidade: imagens, montagens e suas anacronias

Daisi Vogel

Revistas têm temporalidade expandida já por sua periodicidade alongada. São semanais, quinzenais, mensais; organizam, a cada edição (ou na série das coleções), um tempo mais dilatado que o do jornal e, com isso, desmontam e remontam os noticiários, as atualidades, as vivências. Selecionam as imagens do presente, enredam-nas, justapõem umas com outras, propõem perspectivas para elas conforme as rotinas e vocações de cada veículo. Configuram, desse modo, montagens em que se justapõem fotografias, ilustrações, informações, narrativas, materiais diversos; pequenas súmulas de imagens do contemporâneo. Toda revista propõe, de algum modo, uma reflexão sobre o contemporâneo; nunca uma representação do contemporâneo, mas uma apresentação materialmente estável de imagens justapostas, do presente e de quaisquer tempos. Sejam quais forem os temas a que se dedique, o noticiário recente ou a efeméride, a revista implica a reunião espacial – o número, a edição – de materiais cuja temporalidade é diversa, heterogênea. Refletir

 

Configurações

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Configurações

Revista e instituição: a escrita do lugar discursivo

Reges Schwaab

O objetivo deste capítulo é trabalhar um modo de apreensão da revista por meio do lugar que as próprias publicações criam para a construção de sua resposta ao tempo presente. Nossa visada é discursiva, abordando, de forma correlata, a editora como instituição e a revista como instituição. Vamos propor que um projeto editorial, como encontro de ambas, sintetiza um lugar discursivo para a revista, cujos efeitos estão, por sua vez, colados ao lugar social de cada publicação.

Consideramos a revista como dispositivo jornalístico altamente elaborado, com capacidade de promover mediações entre diferentes dizeres. Instituir relevância a um conjunto de fatos e assuntos, pelo inerente princípio ordenador que a caracteriza,

é outro de seus atributos simbólicos. A revista oferta modos de conhecer a atualidade, informa e quer orientar sobre nossa temporalidade complexa. Para tal proposição interpretativa, concorrem variáveis jornalísticas, institucionais e mercadológicas, componentes de um quadro identitário em torno de um “saber dizer” os temas

 

Diálogos

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Diálogos

Revista e segmentação: dividir para reunir

Dulcilia Schroeder Buitoni

Segmentação e jornalismo são formas que interagem, embora o conceito de segmentação só tenha começado a ser aplicado em tempos mais recentes, bem depois do surgimento da imprensa. Segmentação pressupõe divisão, pressupõe grupos, pressupõe um trabalho analítico e conceitual da produção jornalística e do universo editorial.

Os jornais quase sempre tinham uma vocação generalista, isto é, tratavam de muitos assuntos para um público também sem caracterizações específicas. As primeiras revistas, mesmo trazendo temas diversos, já aceitavam mais rótulos definidores do que os jornais. Por isso mesmo, o universo das revistas vai incorporar e exercitar diversos tipos de segmentação.

O que constitui a segmentação? Seria a especialização por temas? Seria a busca de determinados públicos? Seria o tratamento dos textos e das imagens? É possível buscar no desenvolvimento histórico do jornalismo algumas pistas, e estudos sobre jornalismo especializado também trazem elementos para a discussão. Já sua relação com mercado, consumo e pesquisas de marketing aparece, soberana, desde o século passado.

 

Texto

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Texto

O aprofundamento como caminho da reportagem de revista

Thaís Furtado

O TEMPO DA REPORTAGEM

Se você acompanhou a Copa do Mundo de

1998, deve se lembrar da expectativa dos brasileiros na partida final entre Brasil e França.

Até o dia do jogo, como em qualquer evento desse porte, jornalistas faziam matérias sobre os mais diversos assuntos: os jogadores, os resultados, as torcidas, os hábitos dos franceses, os locais que poderiam ser visitados no país sede do espetáculo.

Na hora de o Brasil entrar em campo contra a França, no entanto, surgiu uma notícia: Ronaldo, o fenômeno, não estava na escalação, e Edmundo foi anunciado em seu lugar. Minutos mais tarde, uma nova mudança: Ronaldo tinha, sim, condições de jogar. Jogou, mas sua atuação foi apagada.

O resultado foi uma derrota de três a zero e um vice-campeonato cheio de dúvidas sobre o que teria acontecido com um dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos.

Até aquele momento, durante a

 

Imagem e visualização da informação

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Imagem e visualização da informação

Projeto gráfico: a forma de um conceito editorial

Ana Gruszynski

Márlon Uliana Calza

A revista impressa propicia, a partir de sua própria materialidade, efeitos de sentido.

Vinculada à tradição escrita e com uma apresentação gráfica, em sua origem, próxima à dos livros, compartilha com outros veículos impressos a relação de distância entre quem edita e quem lê, bem como a fixação das informações em um suporte de modo que é possível retornar a elas por meio de um olhar multiorientado. Se o espaço da página é percebido inicialmente como um todo, as operações lógicas postas em jogo a seguir são sobretudo analíticas, onde a hierarquização tem papel fundamental na construção da narrativa, possibilitando associações entre os elementos presentes (Charaudeau, 2007).

Como um objeto gráfico portátil ao qual o leitor pode recorrer em diferentes momentos, gerenciando também o tempo e a velocidade investidos na leitura, a revista impressa vincula-se à cultura letrada. Ainda que os primeiros exemplares publicados não fossem denominados como “revista”, já tinham como características o foco em públicos específicos, a periodicidade e o tratamento de temas com maior profundidade,

 

Mercado, ensino e pesquisa

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Mercado, ensino e pesquisa

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Rotinas produtivas em revista: padrões e transformações no fazer de uma publicação segmentada

Sílvia Amélia de Araújo

As revistas segmentadas são o reino jornalístico da especificidade. Quem passa desatento pela banca pode ver um mundo de repetições; porém, cada publicação tem seu próprio cardápio de assuntos, uma forma específica de organizá-lo e um leitor imaginário padrão diferente dos leitores das demais publicações, da mesma editora ou da concorrência. Os projetos editoriais das revistas em circulação nacional são únicos

(mesmo as marcas licenciadas de títulos internacionais são diferentes das originais).

Para se consolidar, uma revista segmentada precisa, obviamente, encontrar um segmento que queira consumi-la. A divisão mais geral feita pelas editoras implica uma classificação de seus títulos de acordo com o sexo, a idade e a classe econômica do público. Em linhas gerais, podemos dizer, por exemplo, que Claudia é uma revista voltada para a mulher acima dos 30 anos e pertencente às classes A e B, enquanto Ana

 

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