Pensando no futuro da educação: Uma nova escola para o século XXII

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Este livro reúne o pensamento de um grupo excepcional de autores sobre alguns dos temas mais importantes da educação atual, analisados em um contexto ainda desconhecido: o século que está por vir. No século XXII, nossas sociedades, culturas e instituições de ensino enfrentarão dilemas e preocupações ainda inimagináveis. O que os autores aqui apresentam são perspectivas e temáticas diversas cujo objetivo é fazer o leitor analisar os problemas e os acertos da educação de hoje, e a partir deles pensar como será a educação de amanhã. Este é um exercício de reflexão importante e necessário para começar a trabalhar a educação na escola do futuro.

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Capítulo 1 - Escola e sociedade no século XXII

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Escola e sociedade no século XXII

Juan Carlos Tedesco

Instituto Internacional de Planejamento Educacional

(Buenos Aires)

Introdução

Refletir sobre o futuro da sociedade no marco do atual sistema capitalis­ ta traz problemas particulares. Sennett, em sua análise sobre a cultura do novo capitalismo, apontou que um dos seus traços mais importantes é a ideia do

“nada a longo prazo” (Laidi, 2000; Sennett, 2006). O passado está associa­ do ao obsoleto, e o futuro aparece como incerto e ameaçador. Nesse contexto, existe uma forte tendência de se concentrar tudo no presente, no aqui e ago­ ra.1 Esse traço da cultura atual gera um impacto significativo na educação, já que se supõe que a tarefa educativa consiste em transmitir o patrimônio cultu­ ral e em preparar para um determinado futuro. Se o patrimônio cultural care­ ce de vigência e o futuro é incerto, ficam desgastados os pilares fundamentais em que se apoiam a missão, as instituições e os papéis dos atores do pro­ cesso pedagógico, tanto escolares quanto não escolares.

 

Capítulo 2 - A escola contínua e o trabalhono espaço-tempo eletrônico*

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A escola contínua e o trabalho no espaço-tempo eletrônico*

Javier Echeverría

Universidade do País Basco

Pensar o futuro: reflexões prévias

No começo da sua obra Meditação da técnica, Ortega e Gasset (1996, p. 21, tradução nossa) escreveram a seguinte reflexão:

Um dos temas que nos próximos anos vai ser debatido com maior ênfase é o do sentido, vantagens, danos e limites da técnica. Sempre considerei que a missão do escritor é prever com folgada antecipação o que vai ser problema, anos mais tarde, para seus leitores e lhes proporcionar a tempo, ou seja, antes de que o debate surja, ideias claras sobre a questão, de modo que entrem no fragor da contenda com o ânimo sereno de quem, em princípio, já a tem resolvida.

Este livro quer pensar no futuro e propõe como tema de reflexão uma das questões que mais se discutirão nas próximas décadas, o futuro da escola. Se dá por certo que haverá um nova escola, ou seja, que os atuais sistemas educacionais experimentarão profundas transformações. Não se trata, portanto, de pensar o futuro, nem muito menos de prevê-lo, mas de pensar no futuro, o que é algo muito diferente. Aqueles que nascerão no final do século XXI, supondo que a mudança climática ou alguma catástrofe nuclear não tenham transformado radicalmente a face do planeta, terão de aprender, educar-se e socializar-se, ou seja, adquirir conhecimentos, desenvolver capacidades e estabelecer relações com seus conterrâneos, assim

 

Capítulo 3 - Os professores daqui a cem anos. Brincando com o tempo

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Os professores daqui a cem anos.

Brincando com o tempo

Atuara Zirtae e Ocsicna Nonreb*

Universidade de Anolecra

Se olharmos a história da educação, poderemos ver que na primeira década do século anterior, o XXI, ocorreram reformas curriculares na formação dos professores, mas não na mesma proporção com relação à organização das escolas. Em muitos países isso foi um avanço. Pouco a pouco, em todos os países, esses estudos passaram a ser universitários com pleno direito. Os currículos foram melhorando, mas ainda estavam envolvidos nas grandes mudanças que tinham acontecido no final do século XX e início do século XXI. Ainda predominava o denominado grande desconcerto educacional de início do século XXI, que durou décadas.

Hoje em dia, depois de já entrarmos no ano de 2111, ser professor é totalmente diferente de como era há cem anos. De um lado, temos os professores de carne e osso, melhor dizendo, os chamados humanos; de outro, os tracks, que são máquinas de ensinar e praticamente predominam nas tarefas atuais de ensino. São os antigos computadores que hoje são quase humanos, pois estão capacitados para aprender mediante sua inteligência artificial.

 

Capítulo 4 - Os alunos na escola do amanhã

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Os alunos na escola do amanhã

Francesco Tonucci

Instituto de Ciências e Tecnologias da Cognição

Conselho Nacional de Pesquisas, Roma (Itália)

Quando me propuseram este tema para este livro, achei um tanto trivial. Pensei que a resposta era muito fácil, previsível. Que escola? Pois, exatamente, uma escola para todas aquelas crianças que soli­citam uma vaga em escolas de educação infantil, para os que estão em idade de escola­ rização obrigatória e para aqueles que desejam completar sua formação profissional ou acadêmica. Logo, existe também a necessi­dade de se dar uma resposta à exigência dos mais pequenos e de suas fa­mílias de uma oferta educativa durante os três primeiros anos de vida. Ainda assim, é desejável e necessário oferecer, para todos, uma formação permanente ao longo de toda a nossa vida. Na verdade, eu não achava que pudessem existir dúvidas sobre isso e, portanto, desejava mudar o título deste texto.

Mas, pensando um pouco mais, dei-me conta de que a questão proposta era muito mais rica e profunda do que parecia em um primeiro momento, simplesmente porque minha primeira ideia não era certa: a es­cola não havia sido de todos no passado, não é no presente e terá de fazer um grande esforço para que seja no futuro. Está em jogo a própria susten­ tabilidade de nossa escola.

 

Capítulo 5 - Adiantar-se ao futuro: agrupamentos de alunos

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Adiantar-se ao futuro: agrupamentos de alunos

Miguel Ángel Santos Guerra

Universidade de Málaga

Há dois tipos de alunos em uma escola: os inclassificáveis e os de difícil classificação.

Um dos problemas da escola é que ela está muito amarrada ao pas­ sado por um presente rotineiro. As dinâmicas institucionais se repetem de um ano para o outro sem que haja a mediação de uma análise intensa dos resultados da ação. As práticas profissionais se reproduzem, imitando mo­ de­los que correm o risco de se converter em estereótipos (Brunsson,

1986; FulLan, 1994; Santos Guerra, 1994, 1997).

Quando apliquei a técnica do brainstorming, solicitei a meus alunos que imaginassem uma escola em que tudo – sem limitações de nenhum tipo

– po­deria ser pensado, pude comprovar como todas as realidades conhecidas condi­cionam as respostas. Quando falam da escola ideal, da escola do futuro ou da escola possível, fazem referência à escola real que conhecem. Dizem, por exemplo: “sem carteiras”, “sem professores”, “sem horários”, “sem no­ tas”, “sem livros”. E também: “as salas seriam maiores”, “os pátios teriam ba­ lanços”, “ha­veria uma lousa gigante”. Além da negação que às vezes aparece nessas indi­cações, manifesta-se um submetimento da imaginação à realidade conhecida, um poderoso mimetismo com o que já existe.

 

Capítulo 6 - Na escola, o futuro já nãoé o passado, ou é. Novos currículos, novos materiais

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Na escola, o futuro já não

é o passado, ou é.

Novos currículos, novos materiais

Jaume Martínez Bonafé

Universidade de Valência

Não me atrevo a imaginar como será a escola do século XXII. Alguém pode se atrever com os transportes, a comunicação ou a medicina, mas ser um Isaac Asimov* da Pedagogia é muito arriscado, porque falamos de uma prática institucional que pode permanecer inalterável enquanto tudo se desmorona ao seu redor. Mas, obrigado ao esforço, me vêm à mente dois cenários: no primeiro, o mundo caminha em uma direção e incorpora as novidades que produz, enquanto a escola se fecha em uma espécie de autismo teimoso, sem capacidade para novas adaptações. Enfim, algo assim como o que viemos conhecendo há séculos, a imobilidade institucional nas formas de reprodução cultural. No segundo, pelo contrário, tudo pode ser diferente, e talvez os muros insondáveis da escola desapareçam para dar lugar a outras formas de relação do sujeito com o conhecimento. Em cada um desses cenários, há implícita uma teoria do currículo e, portanto, uma teoria do texto que concretiza e apresenta o currículo, ou seja, uma teoria dos materiais e recursos para o desenvolvimento curricular. Vejamos uma descrição desses cenários em tom de livro-texto.

 

Capítulo 7 - A construção escolar no século XXII

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A construção escolar no século XXII

Pere Pujol Paulí

Arquiteto

Falar da construção escolar do século XXII é, sem dúvida, uma di­ versão, porque nenhum dos que escrevam sobre isso viverá para contras­ tar nossas atuais hipóteses com a realidade. Sem dúvida, é interessante a es­peculação proposta, um desafio de imaginação-realidade. E é especial­ men­te interessante se vermos o que acontecia no final do século XIX em com­paração à realidade atual. Porém, as mudanças na construção escolar sempre são produzidas pelas mudanças pedagógicas, que, quan­to mais são novida­de, mais influenciam na construção.

Pensemos na escola do final do século XIX e início do século XX e na beleza de suas construções. Elas corres­pondem aos movimentos pe­dagó­gicos que se produziam em todo o país. A arquitetura escolar dessa época está certa­ mente ligada ao progressivo método pedagógico e é apenas a sua inter­pre­tação espacial. Escolheram-se os melhores arqui­te­tos para reinter­pretar espacialmente esse método, e existem inúmeras cons­truções que são seus exemplos, as quais, mesmo com o passar do tempo, continuam fun­cionando muito bem.

 

Capítulo 8 - Aprender línguas estrangeiras nas aulas dos séculos XXI e XXII . O caminho para uma escola conectada, global e plurilíngue

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Aprender línguas estrangeiras nas aulas dos séculos XXI e XXII. O caminho para uma escola conectada, global e plurilíngue

Pilar Pérez Esteve e Vicent Roig Estruch

Ocupa-te do significado, e os sons se ocuparão de si mesmos.

(Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas)

Entre o previsível e o desejável. À guisa de introdução

Tentar definir como pode ser o ensino e a aprendizagem das línguas nos próximos decênios é, sem dúvida, um exercício de imaginação ou um esforço de previsão que nos aventuramos a realizar a partir de duas referências: a reali­dade atual e as tendências que já podemos observar nas salas de aula. Em am­bos os casos existe o perigo de nos deixarmos influenciar por nossos dese­ jos, mas também a convicção de que estamos avançando na direção certa e a esperança de que as mudanças que se aproximam oferecerão melhores possibi­ lidades a nossos descendentes em sua formação e em sua vida.

A análise da realidade está inlfuenciada por nosso olhar, sempre subje­tivo, e ninguém pode prever com segurança a evolução das tendências que observamos em nossa sociedade e em nosso meio de convívio. Estamos assistindo, nesses últimos anos, a mudanças de uma magnitude e uma velo­ cidade que apenas conseguimos vislumbrar. Se compararmos as escolas, os professores, os materiais e recursos, os programas e as múltiplas atividades de nossas escolas com os de 20 ou 30 anos atrás, as diferenças serão evi­ den­tes e enormes, como não poderia deixar de ser. No entanto, uma análise mais profunda também nos faz reparar nas semelhanças e permanências que mereceriam algumas produtivas e interessantes reflexões, mas que deixa­

 

Capítulo 9 - Pensar na avaliação como recurso de aprendizagem

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Pensar na avaliação como recurso de aprendizagem

Juan Manuel Álvarez Méndez

Universidade Complutense de Madrid

Tal como estão as coisas na atualidade, muitos professores se veem impossibilitados de fazer tudo o que podem. Para isso há numerosas razões, algumas mais ou menos acidentais, outras profundamente arraigadas. Para começar com as primeiras: muitos professores trabalham excessivamente e assim se veem obrigados a preparar seus alunos para um exame, em vez de lhes proporcionar uma educação mental libertadora. As pessoas que não estão acostumadas a ensinar (e isso inclui, praticamente, todas as autori­da­ des educacionais) não fazem ideia da derrota de espírito que isso repre­sen­ ta (Russell, 2003, p. 218).

Pré-texto

Estimado professor

Quero aprender... me avalie por favor. E faça-o com rigor, mas, sobretudo, faça-o com honestidade e, se possível, faça-o contando comigo.

Quero comprovar que entendo o que o senhor quer me transmitir, que estou compreendendo as ideias que expõe e que eu devo assimilar, que estou en­ tendendo o texto que devo analisar, o problema que devo resolver, que en­ frento apropriadamente a pergunta à qual devo dar uma resposta, que compreendo o fato histórico que explica os acontecimentos mais destacados de nossa história recente, que sou capaz de interpretar adequadamente um texto, que estou no caminho certo para enfrentar as situações em que devo co­locar à prova meus argumentos, minhas ideias, meus conhecimentos, que estou capacitado para defender minhas ideias.

 

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