Psiquiatria da infância e da adolescência

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Esta obra tem por objetivo enfatizar a importância da visão clínica no estabelecimento do diagnóstico psiquiátrico de crianças e adolescentes.  Partindo de uma discussão sobre a avaliação e o diagnóstico multidisciplinar dos pacientes nessa faixa etária, os autores apresentam, por meio de casos clínicos, alguns dos transtornos mentais encontrados nessa população e o passo a passo para seu diagnóstico.

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Capítulo 1 - Avaliação da criança: dificuldades e contradições

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1

AVALIAÇÃO DA CRIANÇA:

DIFICULDADES E CONTRADIÇÕES

A psiquiatria da infância é uma especialidade bastante recente, tendo atingido

­status acadêmico em 1938, com a primeira cátedra na Universidade de Paris regida pelo Prof. Georges Heuyer. Sua atividade engloba fenômenos com características biológicas, psicológicas e sociais1 de tal forma imbricados que são impossíveis a linearidade direta e a compreensibilidade linear de todos os quadros por ela estudados da forma como vem sendo exercida nos últimos tempos.

Metodologicamente, a psiquiatria da infância tem características das ciências naturais, com busca de pensamento causal, com base analítico-dedutiva, sendo muitos de seus dados fornecidos pelas neurociências, a partir de um conhecimento cada vez maior dos mecanismos de neurotransmissão e das estruturas cerebrais, compreendendo-se cada vez melhor as patologias psiquiátricas na infância e na adolescência, em que pesem os riscos de uma neurologização excessiva que a descaracteriza.

 

Capítulo 2 - Diagnóstico multidisciplinar da criança

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2

DIAGNÓSTICO

MULTIDISCIPLINAR DA CRIANÇA

Para realizar o diagnóstico da criança são necessários vários passos. O primeiro deles, a observação, subentende o exame do doente, bem como a descrição dos dados colhidos, só tendo valor quando realizado detalhadamente a partir de uma semiologia definida que se constitua em um conjunto harmonioso de dados, com sequência lógica dos sintomas e sinais, previamente pesquisados pelo examinador, com finalidade clara de construir um todo organizado.

Assim, é muito mais que um mero relato das atividades ou do diálogo com o paciente, pois, a partir da observação, ajuíza-se a capacidade do técnico envolvido de captar o ser-no-mundo do paciente em questão.

O exame da criança com transtornos mentais é, por si só, um exame realizado de maneira peculiar, originado da natureza predominantemente funcional dos sintomas psicopatológicos. Não corresponde a um exame médico típico, embora exija do profissional uma técnica precisa, para

 

Capítulo 3 - Transtornos do desenvolvimento

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3

TRANSTORNOS DO

DESENVOLVIMENTO

TRANSTORNOS GLOBAIS DO DESENVOLVIMENTO

Transtorno autista

Transtorno de Asperger

Transtorno desintegrativo da infância

Transtorno de Rett

Transtorno global do desenvolvimento sem outra especificação (TGD-SOE)

RETARDO MENTAL

Retardo mental leve

Retardo mental moderado

Retardo mental grave e profundo

TRANSTORNOS ESPECÍFICOS DO DESENVOLVIMENTO

Dislexia

Disgrafia

Discalculia

TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO/HIPERATIVIDADE

44

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FRANCISCO B. ASSUMPÇÃO JR. (ORG.)

TABELA 3.1

Principais diferenças entre os transtornos globais do desenvolvimento

Transtorno

Transtorno desintegrativo Transtorno

Transtorno

autista da infância de Rett de Asperger

Características Autismo

padrão

Início atrasado Autismo de com autismo segunda muito grave infância

TGD-SOE

Autismo de

Atípico alto funcionamento

 

Capítulo 4 - Transtornos de ansiedade e de somatização

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4

TRANSTORNOS DE ANSIEDADE

E DE SOMATIZAÇÃO

TRANSTORNO DE ANSIEDADE DE SEPARAÇÃO

TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA

FOBIA SOCIAL

TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO

TRANSTORNO CONVERSIVO

TRANSTORNO DE SOMATIZAÇÃO

SÍNDROME DE MUNCHAUSEN POR PROCURAÇÃO

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FRANCISCO B. ASSUMPÇÃO JR. (ORG.)

TABELA 4.1

Principais características dos quadros de ansiedade

Incidência Razão H:M

Quadro clínico

Transtorno de

5%

Não ansiedade de esclarecida separação

Ansiedade excessiva em relação ao afastamento do lar ou das figuras de proteção

Transtorno de

3-8%

2:1 ansiedade generalizada

Ansiedade, tensão, hiperatividade, irritabilidade

Fobia social

1%

1:2

Medo incontrolável diante de situações sociais

Transtorno

0,3%

1:1 obsessivo-

-compulsivo

Ideias ou impulsos levando a medo e atitudes contrárias

Transtorno conversivo

 

Capítulo 5 - Transtornos do humor

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5

TRANSTORNOS DO HUMOR

DEPRESSÃO

DISTIMIA

TRANSTORNO BIPOLAR

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DEPRESSÃO

O QUE É?

Conforme o Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-IV-TR),1 a depressão na criança e no adolescente

é semelhante à do adulto. Assim, os mesmos critérios diagnósticos da depressão no adulto podem ser utilizados nessa população.2 Entretanto, em crianças na fase pré-verbal, deve-se atentar para manifestações como inquietação, retraimento, choro frequente, recusa alimentar, alterações do sono, apatia e piora da resposta aos estímulos visuais e auditivos. Crianças pré-escolares com frequência apresentam sintomas somáticos (dores abdominais, etc.), prejuízo no desenvolvimento pôndero-estatural, fácies tristonha, irritabilidade, anorexia, hiperatividade e alterações do sono, além de auto e heteroagressividade. Escolares também podem apresentar lentificação, distorções cognitivas de cunho autodepreciativo, pensamentos de morte ou suicidas e queda acadêmica, além de irritabilidade, sintomas ansiosos e transtornos da conduta. Na adolescência, as manifestações depressivas se assemelham muito ao quadro na adultez, mas é frequente a comorbidade com uso de psicotrópicos, o que dificulta sua detecção.3 Pais e profes-

 

Capítulo 6 - Síndromes orgânicas

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6

SÍNDROMES ORGÂNICAS

SÍNDROME MENTAL ORGÂNICA AGUDA

SÍNDROME MENTAL ORGÂNICA CRÔNICA

EPILEPSIA GENERALIZADA

EPILEPSIA AUSÊNCIA DA INFÂNCIA

SÍNDROME DE WEST

SÍNDROME DE LENNOX-GASTAUT

SÍNDROME DE LANDAU-KLEFFNER

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FRANCISCO B. ASSUMPÇÃO JR. (ORG.)

TABELA 6.1

Principais características das síndromes orgânicas

Principal alteração

Eletrencefalograma

Prevalência

SMOA

Alteração de consciência

Globalmente lentificado

n/a

SMOC

Alteração de memória e cognição

Sem anormalidades significativas

n/a

Epilepsia generalizada

Perda brusca de

Pode ser normal no consciência, contração período intercrítico tônica generalizada seguida Pontas ondas de contrações clônicas

Epilepsia

Perda total de consciência ausência da por 5 a 25 segundos infância

Síndrome de West

Complexos espícula-onda simétricos, ritmados a 2-4 Hz

 

Capítulo 7 - Esquizofrenia na infância

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7

ESQUIZOFRENIA

NA INFÂNCIA

O QUE É?

A esquizofrenia faz parte de um conjunto de transtornos muito graves, com limites ainda mal definidos pelos nomes “psicoses infantis”, “grupo das esquizofrenias” ou “espectro esquizofrênico”. À semelhança dos transtornos globais do desenvolvimento, é frequentemente crônica e, embora na maioria dos casos só se inicie ao fim da adolescência e começo da idade adulta, pode atingir crianças e adolescentes, ocasionando considerável sofrimento e inadaptação.1 É uma patologia caracterizada por distorções no pensamento, na

Essa similaridade com os transtornos globais do desenvolvimento pode levar a um diagnóstico precipitado de retardo mental.

percepção e nas emoções,2 e, na sua forma clássica (forma paranoide), estão presentes delírios e alucinações auditivas e visuais. De acordo com o Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais

(DSM-IV-TR),3 os seguintes sintomas são citados no critério diagnóstico A: a) Sintomas característicos: no mínimo dois dos seguintes quesitos, cada qual presente por uma porção significativa de tempo durante o período de 1 mês:

 

Capítulo 8 - Tiques (síndrome de Gilles de la Tourette)

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TIQUES (SÍNDROME DE

GILLES DE LA TOURETTE)

O QUE SÃO?

Os tiques são caracterizados pela ocorrência abrupta de movimentos (tiques motores) ou emissão de sons (tiques vocais) repetitivos. São geralmente precedidos por uma sensação premonitória de urgência, tensão, desconforto ou outro fenômeno sensorial.1 Shapiro e Shapiro e Mattos e

Rosso2,3 conceituam tiques como a contração involuntária de músculos agonistas e antagonistas em uma ou mais partes do corpo. Caracterizam-se, clinicamente, como um movimento clônico, breve, rápido, súbito, inesperado, recorrente, estereo­ tipado, sem propósito e irresistível. São exacerbados por ansiedade e tensão emocional e atenuados pelo repouso e por situa­ções que exijam concentração. Podem ser suprimidos pela vontade, por segundos ou horas, logo seguidos por exacerbações secundárias.

Existem muitas causas orgânicas conhecidas para os tiques. Mejia e Jankovic,4 analisando prontuários de 155 pacientes

com tiques e transtornos comórbidos, relatam que 9% deles apresentavam tiques secundários a lesão dos gânglios da base, decorrentes de trauma craniano, acidente vascular cerebral, encefalite, entre outros. Algumas drogas, toxinas e complicações pós-infecciosas também puderam ser etiologicamente associadas aos tiques. Os transtornos globais do desenvolvimento e o retardo mental também podem estar as-

 

Capítulo 9 - Transtornos da alimentação

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TRANSTORNOS DA

ALIMENTAÇÃO

O QUE É?

Os transtornos da alimentação são síndromes comportamentais descritas como transtornos (e não como doenças), por ainda não se conhecer bem sua etiopatogenia.1 O modelo etiológico mais aceito atualmente para explicar sua gênese e manutenção é o modelo multifatorial, que se baseia na hipótese de que vários fatores biológicos, psicológicos e sociais estejam envolvidos.2

A influência da “cultura do corpo” e da pressão para a magreza que as mulheres sofrem nas sociedades ocidentais (especialmente as adolescentes) parece estar associada com o desencadeamento de comportamentos anoréticos. Assim, aquelas profissões que exigem leveza para melhor desempenho (como ginastas e bailarinas) ou mesmo para “comercialização” da imagem (modelos, atrizes) constituem grupos de risco para o desenvolvimento de tal síndrome.3 O papel da cultura, valorizan-

do o corpo delgado da mulher, está ligado ao aumento da ocorrência desses transtornos. Apesar de não haver dúvidas quanto à importância dos fatores culturais, especialmente o culto à magreza, é importante ter em mente que a anorexia foi descrita pela primeira vez em uma época em que o este-

 

Capítulo 10 - Transtornos externalizantes

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10

TRANSTORNOS

EXTERNALIZANTES

TRANSTORNO DESAFIADOR DE OPOSIÇÃO

TRANSTORNO DA CONDUTA

TRANSTORNO DA PERSONALIDADE BORDERLINE

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FRANCISCO B. ASSUMPÇÃO JR. (ORG.)

TRANSTORNO DESAFIADOR DE OPOSIÇÃO

O QUE É?

Geralmente descrito entre os transtornos de comportamento diruptivo, comórbidos ao transtorno de déficit de atenção/hiperatividade, ao lado do transtorno da conduta de mais alta prevalência (30 a 50%),1 o transtorno desafiador de oposição caracteriza-se por um padrão recorrente de comportamento negativista, desafiador, desobediente e hostil para com figuras de autoridade.2

Na Classificação internacional de doen­

ças e problemas relacionados à saúde (CID10),3 o transtorno desafiador de oposição é

Embora seja um quadro digno de diagnóstico, não seja superficial, confundindo-o com falta de educação ou de limites.

classificado como um tipo de transtorno da conduta, divergindo deste apenas quanto à presença de atos antissociais ou agressivos mais graves.

 

Conclusão

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CONCLUSÃO

Esta obra buscou enfatizar a questão clínica para o psiquiatra que se dedica à criança. Essa preocupação ocorreu pelo rumo que essa área vem tomando, o qual foi determinado por enormes influências político-ideológicas que fazem o exíguo número de indivíduos a ela dedicados defrontar-se com um número enorme de outros sem qualquer formação e que, por diletantismo ou outros interesses, passou a atender e falar sobre crianças, algumas vezes sem mesmo jamais tê-las visto.

Assim, passamos a ter um panorama surreal, com professores que nunca estudaram ou trabalharam na área, sendo seu conhecimento derivado da leitura de papers ou da “coleta de sangue” dos petizes durante a confecção de suas teses de doutoramento. Sem contar que alguns declaram, publicamente, não gostar de atendê-las...

Não que isso seja incorreto.

O incorreto é achar que isso é clínica e esquecer que esta tem por finalidade o bem-estar e a diminuição do sofrimento

do paciente (e não a publicação dos seus casos).

 

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