O Sistema Toyota de Produção: Do Ponto de Vista da Engenharia de Produção

Autor(es): Shigeo Shingo
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Shigeo Shingo propõe uma guerra sistemática, objetivando descobrir, analisar e eliminar as perdas nas fábricas. Mostra os aspectos conceituais básicos para a construção dos Sistemas Produtivos de forma geral, e do Sistema Toyota de Produção de forma particular.

14 capítulos

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Capítulo 1 - Introdução

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Introdução

O MECANISMO DA PRODUÇÃO

Antes de se estudar o Sistema Toyota de Produção, é necessário entender a função da produção como um todo.

Produção é uma rede de processos e operações. A Figura 1 ilustra como um processo – transformação de matéria-prima em produto acabado

– é efetivado a partir de uma série de operações.

Um processo é visualizado como o fluxo de materiais no tempo e no espaço; é a transformação da matéria-prima em componente semiacabado e daí a produto acabado. Por sua vez, as operações podem ser visualizadas como o trabalho realizado para efetivar essa transformação – a interação do fluxo de equipamento e operadores no tempo e no espaço.

A análise do processo examina o fluxo de material ou produto; a análise das operações examina o trabalho realizado sobre os produtos pelo trabalhador e pela máquina. Um exemplo típico é o corte de eixo em um torno: o eixo é furado, desbastado e recebe o acabamento final. Essa série de transformações é processo. O torno fura, desbasta e dá acabamento à superfície externa. Essa série de ações é a operação.

 

Capítulo 2 - Melhoria do Processo

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Melhoria do Processo

ELEMENTOS DO PROCESSO

Cinco elementos distintos de processo podem ser identificados no fluxo da transformação de matérias-primas em produtos:

• Processamento - Uma mudança física no material ou na sua qualidade (montagem ou desmontagem)

• Inspeção - Comparação com um padrão estabelecido

• Transporte - - Movimento de materiais ou produtos; mudanças nas suas posições

• Espera - Período de tempo durante o qual não ocorre qualquer processamento, inspeção ou transporte

Há dois tipos de espera:

• Espera do processo - Um lote inteiro permanece esperando enquanto o lote precedente é processado, inspecionado ou transportado

• Espera do lote - - Durante as operações de um lote, enquanto uma peça é processada, outras se encontram esperando. As peças esperam para serem processadas ou pelo restante do lote ser fabricado.

Esse fenômeno também ocorre na inspeção e no transporte

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Capítulo 3 - Melhoria das Operações

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Melhoria das Operações

FATORES COMUNS NAS OPERAÇÕES

No Capítulo 2, descrevi as quatro atividades que constituem qualquer processo: operações de processamento, inspeção, transporte e espera. Neste capítulo, iremos analisar as operações (p. 77).

Embora as operações reais possam variar bastante, elas podem ser classificadas da seguinte maneira:

Operações de setup. Preparação antes e depois das operações, tais como setup, remoção e ajuste de matrizes, ferramentas, etc.

Operações principais. Executar o trabalho necessário. Isso inclui as operações essenciais (aquelas ações que executam realmente a operação principal), ou seja:

• Processamento – usinagem de um produto

• Inspeção – medição da qualidade

• Transporte – movimentação de material

• Estocagem – manter ou estocar peças

Isso também inclui as operações auxiliares (ações que auxiliam a concluir a operação essencial), como por exemplo:

• Processamento – ação de colocar os materiais ou peças na máquina e remoção deles, quando a operação estiver concluída.

• Inspeção – encaixe do produto no aparelho de medição e, posteriormente, sua remoção.

 

Capítulo 4 - Conclusões sobre o Desenvolvimento da Produção com Estoque Zero

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Conclusões sobre o

Desenvolvimento da

Produção com Estoque Zero

A principal característica do Sistema Toyota de Produção consiste em sua ênfase na produção sem estoque, ou com estoque zero. Para entender o sistema, é necessário compreender antes o significado de “estoque”.

Antigamente, estoques, ou inventários, eram considerados um “mal necessário”, com ênfase no “necessário” sendo o “mal” encarado como inevitável e talvez até útil. Há dois tipos de estoque: aquele que ocorre naturalmente como resultado de determinadas práticas de produção e o estoque

“necessário”. Ambos são discutidos abaixo:

ESTOQUE NATURAL

Razões para a geração de estoque:

• Previsões incorretas da demanda do mercado

• Superproduzir somente para evitar riscos

• Produção em lotes

• Diferenças no turno de trabalho: por exemplo, executar o recozimento em três turnos e elaborar o acabamento em um turno

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ESTOQUE “NECESSÁRIO”

 

Capítulo 5 - Os Princípios do Sistema Toyota de Produção

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Os Princípios do Sistema

Toyota de Produção

O QUE É O SISTEMA TOYOTA DE PRODUÇÃO?

A resposta mais comum a essa pergunta (80% das pessoas) irá reproduzir a visão do consumidor médio e dirá: “É um sistema Kanban”; outras, 15% talvez, venham a saber, de fato, como ele funciona na fábrica e responderão:

“É um sistema de produção”; somente algumas poucas compreendem realmente o objetivo desse sistema e dirão: “É um sistema que visa a eliminação total das perdas”.

Algumas pessoas imaginam que a Toyota veste agora um novo modelo de roupa, o sistema Kanban. Elas então saem de casa, compram e experimentam o mesmo modelo. Descobrem rapidamente que são muito gordas para vesti-lo! Elas devem eliminar as perdas e efetivar as melhorias fundamentais em seu sistema de produção antes que técnicas como o Kanban possam ser de alguma utilidade. O Sistema Toyota de Produção é 80% eliminação das perdas, 15% um sistema de produção e apenas 5% o Kanban .

A confusão provém de uma má compreensão da relação entre os princípios básicos de produção na Toyota e o Kanban como uma técnica para ajudar a implementar esses princípios. No prefácio do seu livro, The Toyota

 

Capítulo 6 - A Mecânica do Sistema Toyota de Produção: Melhoria do Processo, Controle da Programação e Just-in-Time

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A Mecânica do Sistema Toyota de Produção: Melhoria do

Processo, Controle da

Programação e Just-in-Time

A função processo consiste em processamento, inspeção, transporte e estocagem. Porém, apenas o processamento agrega valor. Isso todos sabem na Toyota, onde a meta é a redução de custo a partir da eliminação da perda, especialmente a perda por superprodução. Lá, a inspeção, o transporte e especialmente a estocagem, ou a prática de manter estoque, são considerados perdas e eliminados sempre que isso for possível.

Muitas pessoas consideram o just-in-time a característica proeminente do Sistema Toyota de Produção. Porém, o just-in-time não é mais que uma estratégia para atingir a produção sem estoque (ou estoque zero). O mais importante é o conceito de produção com estoque zero.

Os controles da programação e da carga são dois importantes conceitos na ótica do Sistema Toyota de Produção. O controle da programação garante que o produto será concluído dentro do prazo. O controle da carga garante a viabilidade da fabricação do produto, ou seja, que há um equilíbrio adequado entre a capacidade e a carga. Por exemplo, se você não chegar na hora certa, irá perder o trem (controle da programação); mas, mesmo que você esteja dentro do horário, não poderá embarcar se não houver mais lugares no trem (controle da carga).

 

Capítulo 7 - A Mecânica do Sistema Toyota de Produção: Melhoria do Processo, Balanceamento e Sistema Nagara

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A Mecânica do Sistema Toyota de Produção: Melhoria do

Processo, Balanceamento e Sistema Nagara

No passado, o controle de processo tinha duas importantes funções na produção:

1. Controle da programação — Quando será feito (ritmo da produção)

2. Equilíbrio da carga e controle da capacidade — O trabalho pode ser executado? (A capacidade e a carga estão equilibradas?)

É muito importante que a capacidade e a carga estejam equilibradas. Elas estão assim definidas: carga é o volume de trabalho que precisa ser executado, e capacidade é a habilidade da máquina e do operador em concluir o trabalho.

A Toyota usa o termo “balanceamento” para descrever esse equilíbrio.

O QUE É BALANCEAMENTO?

O balanceamento da produção é um dos pilares do Sistema Toyota de

Produção. Seu objetivo é fazer um processo produzir a mesma quantidade do processo precedente. Nesse sistema, os processos de produção estão dispostos de forma a facilitar a produção da quantidade necessária, no momento necessário. Também, os trabalhadores, equipamento e todos os outros fatores estão organizados para atingir esse fim.

 

Capítulo 8 - A Mecânica do Sistema Toyota de Produção: Melhoria das Operações

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A Mecânica do Sistema

Toyota de Produção:

Melhoria das Operações

As operações são o segundo pilar de sustentação das atividades de produção. Como observado anteriormente, as operações dizem respeito ao acompanhamento dos equipamentos e operadores no tempo e no espaço. No

Sistema Toyota de Produção, há bastante tempo, é dada ênfase às melhorias nas operações.

Nesta seção, discutiremos os seguintes tópicos: os componentes das operações, operações-padrão, a interação homem-máquina e a “Inteligência humana” e, por fim, a redução do custo das operações manuais. Cada um deles é analisado tendo como referência o Sistema Toyota de Produção.

COMPONENTES DAS OPERAÇÕES

Como explicado em capítulos anteriores, as operações têm três componentes básicos: preparação e pós-ajuste, operações básicas e folgas marginais. As melhorias operacionais devem ser desenvolvidas em cada uma dessas categorias.

Preparação e Pós-ajuste

Essas são as chamadas operações de preparação, que normalmente ocorrem antes e depois da produção de cada lote. Elas são operações

 

Capítulo 9 - A Evolução do Sistema Kanban

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A Evolução do Sistema Kanban

Além de ser um método de controle, projetado para maximizar o potencial do “Sistema Toyota de Produção”, o sistema Kanban também é um sistema com suas próprias funções independentes.

No livro O Sistema Toyota de Produção, Taiichi Ohno afirma:

Os dois pilares do “Sistema Toyota de Produção” são o just-in-time e a automação com toque humano, ou autonomação. A ferramenta empregada para operar o sistema é o Kanban*.

Ohno segue argumentando contra a visão simplista de que o Sistema

Toyota seja meramente um sistema Kanban.

MEU PRIMEIRO ENCONTRO COM O SISTEMA KANBAN

Por volta de 1960, visitei a Toyota porque tinha trabalho a fazer no escritório da planta de máquinas. Lá, encontrei-me casualmente com o Sr.

Ohno, naquela época gerente de fabricação. Ele manifestou sua vontade de discutir comigo a respeito de um “sistema Kanban”, que ele pensava pôr em funcionamento. Eu jamais havia ouvido aquele termo antes, de forma que respondi apenas que a ideia parecia extremamente interessante. Contei a ele que tinha experiência no ramo das ferrovias e aquilo que ele estava descrevendo me parecia o chamado “sistema-tabuleta” que utilizávamos.

 

Capítulo 10 - Algumas Questões Periféricas porém Importantes

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Algumas Questões Periféricas porém Importantes

O SISTEMA TOYOTA DE PRODUÇÃO: UMA EXPLANAÇÃO

Eliminação dos Sete Tipos de Perda

Este capítulo trata de três questões que, embora parecendo secundárias, são essenciais para o completo entendimento do Sistema Toyota de Produção: as perdas, a extensão do sistema aos fornecedores e o Planejamento das

Necessidades de Materiais (MRP).

O Sistema Toyota de Produção identifica sete tipos de perda:

1.

2.

3.

4.

5.

6.

7.

Superprodução

Espera

Transporte

Processamento

Estoque

Desperdício nos movimentos

O desperdício na elaboração de produtos defeituosos

Essas diversas perdas não são iguais em status ou efeito. Iremos discuti-las com relação à estrutura da produção.

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Processos

Processamento. Nesse caso, melhorias voltadas à Engenharia de Valor e à

Análise de Valor devem ser realizadas em primeiro lugar. Em vez de tentar fazer com que aumentos da velocidade de corte sejam mais eficientes, por exemplo, devemos perguntar por que fazemos determinado produto e usamos um determinado método de processamento (perda no processamento – perda 4).

 

Capítulo 11 - O Rumo do Sistema Toyota de Produção

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O Rumo do Sistema Toyota de

Produção

O futuro do Sistema Toyota de Produção envolve a eliminação total da perda com o objetivo de reduzir os custos ao máximo.

EM DIREÇÃO AO JUST-IN-TIME

Just-in-time, segundo me dizem, significa simplesmente “a tempo”, ao passo que, para transmitir o sentido de “no momento exato”, dever-se-ia dizer apenas just on time. Qualquer que seja a diferença entre os dois significados, a meta do Sistema Toyota de Produção é clara: efetuar as entregas no momento exato, com o propósito de eliminar o estoque.

Esse objetivo é controlado em grande parte pela relação entre o prazo de entrega (E) e o ciclo de produção (P). Como mencionado anteriormente, se o prazo de entrega é maior que o ciclo de produção (E>P), a produção iniciada após um pedido firme será recebida exatamente no prazo marcado, sem geração de estoque.

A pesquisa de mercado pode tornar as previsões de demanda mais precisas, mas também necessitamos de políticas para estender o prazo de entrega. Algumas estratégias para prolongar esse período são explicadas a seguir.

 

Capítulo 12 - Implementação do Sistema Toyota de Produção

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Implementação do Sistema

Toyota de Produção

Este capítulo discute a introdução e o desenvolvimento do Sistema

Toyota de Produção nos meios de produção americanos, especificamente, leitores deste livro. O capítulo responde a duas perguntas:

O que deve ser levado em conta ao considerar a introdução do Sistema

Toyota de Produção em uma empresa média?

Que considerações e procedimentos devem ser adotados ao trazer o

Sistema Toyota de Produção para sua empresa?

Ao responder a essas questões, o capítulo, inicialmente, reitera os princípios básicos do Sistema Toyota de Produção, para então fazer recomendações específicas e comentários sobre sua implementação.

Acredito que seria um erro simplesmente copiar as características externas do Sistema Toyota de Produção. O sistema não pode ser aplicado corretamente sem uma compreensão geral dos princípios sobre os quais está embasado. Além disso, é importante empreender a sua implementação somente após um claro entendimento de como as técnicas individuais se encaixam no quadro geral. Essas precauções aplicam-se igualmente ao sistema Kanban.

 

Capítulo 13 - O Sistema Toyota de Produção em Resumo

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O Sistema Toyota de Produção em Resumo

O Sistema Toyota de Produção evoluiu até sua presente condição após repetidas tentativas e erros. Este capítulo resume os princípios básicos sobre os quais ele foi erigido e apresenta a filosofia, a metodologia e a perspectiva dessa revolucionária abordagem da produção moderna na sequência do seu desenvolvimento.

1. O Princípio do Não Custo

O primeiro conceito desenvolvido como base para o gerenciamento da produção é o princípio da minimização dos custos. Ele vê a origem dos lucros de uma perspectiva totalmente diferente: ao invés de aderir à fórmula fácil

Custo + Lucro = Preço de Venda os produtores devem deixar que o mercado determine o preço, empregando a fórmula

Preço – Custo = Lucro

Com essa abordagem, a única maneira de aumentar os lucros dá-se por meio da redução dos custos. Para reduzir os custos, o único método é a eli-

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minação total da perda. Esse é o fundamento sobre o qual todos os outros princípios se desenvolvem.

 

Capítulo 14 - Posfácio

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Posfácio

Em dialética, principia-se com uma ideia a qual chamamos tese. Oposta a ela existe uma antítese. Na lógica comum, o antagonismo entre tese e antítese é geralmente resolvido com uma solução conciliatória.

No entanto, esse problema de contradição e oposição pode ser visto a partir de uma perspectiva diferente. Por meio da ascensão, uma síntese de mais alto nível será atingida. A oposição desaparece e ambos os lados ficam satisfeitos. Esse método de cognição é chamado de processo dialético.

Utilizemos agora a dialética para pensar sobre o Sistema Toyota de Produção. Vamos supor, por exemplo, que uma sugestão (tese) seja proposta para redução de estoques, na forma do desejo de que as entregas ocorram quatro vezes ao dia. O argumento oponente a essa sugestão (antítese) diz que entregas mais frequentes irão reduzir a eficiência no carregamento dos caminhões. Debater esses argumentos com a mesma lógica levará apenas à contradição e oposição – e não se chegará a conclusão alguma.

 

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