O que é Inteligência?

Autor(es): James R. Flynn
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Ocorreram inúmeros avanços nos resultados de testes de QI nos últimos anos. Diversos psicólogos procuram compreender o que esses resultados representam. Significariam que cada geração está mais inteligente que a última? Eles sugeririam a forma como cada um de nós pode melhorar a própria inteligência? Esses avanços nos resultados de testes de QI foram chamados de “efeito Flynn”, uma referência ao papel central que o professor James R. Flynn teve ao mensurá-los. Contudo, na época da divulgação de suas pesquisas, o próprio professor Flynn confessou que não tinha certeza da implicação desses resultados. Agora, em O que é Inteligência?, ele está pronto para assumir uma posição clara e segura.

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Capítulo 1 - Uma bomba na caixa do correio

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UMA BOMBA NA CAIXA

DO CORREIO

A principal função da explicação científica

é transformar o inesperado, ao máximo possível, no esperado.

(Stephen Toulmin, Reason in ethics, p. 88)

Sou professor, e raramente escrevo apenas para especialistas. Tento evitar a prosa estéril que os editores de periódicos tanto adoram. Qualquer pessoa com uma boa formação ou com um diploma de psicologia poderá ler este livro, e a primeira é mais importante que o segundo – pressupondo, é claro, que todos se interessam pela inteligência e que gostariam de obter algo que lhes desse uma razão para aprender mais a respeito. Os especialistas verão que muita coisa foi omitida, mas também, segundo espero, encontrarão algo novo no argumento e algo que mereça ser investigado nos modelos de pesquisa recomendados.

Uma advertência a todos: existem problemas que podem ser resolvidos simplesmente com evidências – por exemplo, se certos cisnes são pretos. No entanto, existem problemas mais profundos que representam paradoxos. Às vezes, as evidências que os resolveriam se encontram em um passado inacessível. Isso significa que devemos retroceder do nível científico de explicação para o nível histórico, em que exigimos apenas uma plausibilidade que seja compatível com os fatos conhecidos. Creio que as minhas tentativas de resolver os paradoxos históricos que iremos discutir serão julgadas pelo fato de se alguém tem uma solução mais satisfatória a oferecer. O leitor deve se manter atento para distinguir os argumentos que fundamento com evidências e os argumentos a que confiro apenas plausibilidade.

 

Capítulo 2 - Além do efeito Flynn

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ALÉM DO EFEITO FLYNN

Ontem na escada

Vi um homem que não estava lá

Hoje ele não estava novamente

Como eu queria que ele desaparecesse

(cantiga de ninar)

Vou tentar fazer com que os problemas criados pelos ganhos em QI desapareçam, mas não creio realmente que possa dar a palavra final. Acredito apenas que possa propor uma interpretação que elimine os paradoxos. Esses paradoxos são tão intimidantes que congelaram nossas ideias sobre a significância dos ganhos de QI desde que começamos a levá-los a sério (Flynn, 2006a).

A INTELIGÊNCIA E O ÁTOMO

Antes de afirmar os paradoxos, existem alguns conceitos a apresentar.

Minha linha de argumentação básica será que entender a inteligência é como entender o átomo: não devemos saber apenas o que agrega os seus componentes, mas também o que os separa. O que reúne os componentes da inteligência é o fator geral de inteligência, ou g. O que atua como destruidor de átomos é o efeito Flynn, ou os enormes ganhos de QI ao longo do tempo. O melhor teste de QI para exemplificar ambos se chama WISC

 

Capítulo 3 - Rumo a uma nova teoria da inteligência

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RUMO A UMA NOVA TEORIA

DA INTELIGÊNCIA

Não podemos evitar os problemas criados pelo conceito de bem universal.

Naturalmente, relutamos porque ele foi inventado por nossos amigos. Porém, para um filósofo...um amigo ainda melhor deve ser a verdade.

(Aristóteles, Ethics, i, 6, 1096a, 11-16)

A teoria não é tão animadora quanto tentar captar o pensamento dos nossos ancestrais. De um modo geral, os leitores verão que este capítulo exige uma certa ponderação. Creio que vale o esforço. Entre outras coisas, ele apresenta minhas visões sobre o que pode promover o nosso conhecimento da inteligência. O capítulo tem uma seção sobre como um chimpanzé vence seres humanos em um importante teste cognitivo. Tenham fé: mais adiante, discutiremos coisas como a maneira pela qual as pessoas podem desenvolver as suas habilidades mentais (o conselho é simples senso comum, mas vale a pena), o destino de condenados no corredor da morte e se podemos alcançar a sabedoria necessária para lidar com os problemas do século XXI.

 

Capítulo 4 - Testando o modelo de Dickens/Flynn

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TESTANDO O MODELO

DE DICKENS/FLYNN

A marca do homem educado...é que ele, em qualquer questão, busca o máximo de certeza que sua natureza permitir.

(Aristóteles, Ethics, i, 3, 1094b, 24-26)

Dickens e Flynn acreditam que seu modelo é importante. No Capítulo 2, ele foi usado para resolver o paradoxo de como o ambiente pode parecer tão desprezível nos estudos de gêmeos e, ainda assim, tão forte em relação aos ganhos observados no QI ao longo do tempo. Portanto, ele serve como uma tentativa séria de integrar o nível das diferenças individuais (estudos de gêmeos) e o nível das tendências sociais (ganhos de QI ao longo do tempo).

Atualmente, não existe modelo que possa reivindicar que integre o nível das diferenças individuais e o nível da fisiologia cerebral. Se tivéssemos um, faltaria apenas uma coisa: a integração dos dois modelos naquela que seria verdadeiramente uma teoria da inteligência envolvendo o cérebro, as diferenças individuais e as tendências sociais (CDITS). O modelo também é importante porque tem implicações em aumento de QI.

 

Capítulo 5 - Por que demorou tanto?

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POR QUE DEMOROU

TANTO?

Uma lição básica de sociologia é que aquilo que acontece dentro de um sistema social não é totalmente determinado pelas características individuais de seus membros.

(Carmi Schooler, Environmental complexity and the Flynn effect, p. 72)

Talvez o leitor questione por que levamos 20 anos para resolver nossos quatro paradoxos. A razão foi que a solução está em uma análise abrangente das forças sociais que atuam à medida que a sociedade muda ao longo do tempo. Fui distraído por três obstáculos à compreensão de tudo que diminuía o papel da evolução social. Dois deles identificavam tendências sociais muito específicas como centrais: a tendência de mobilidade social e acasalamento com uma variedade mais ampla de parceiros; e a tendência a uma nutrição melhor. O terceiro foi um erro metodológico que fez as forças sociais parecerem desprezíveis demais para explicar muita coisa.

TÓQUIO E A HISTÓRIA NORTE-AMERICANA

E se a melhora genética no último século tiver sido uma causa importante dos ganhos de QI ao longo do tempo? Se esse for o caso, tenho exagerado a significância da evolução cultural. Não creio que alguém possa propor que os genes foram melhorados pela reprodução eugênica, ou seja, por padrões reprodutivos causados pelo fato de que pessoas com QI alto tiveram mais filhos que pessoas com QI baixo. Nos Estados Unidos, pessoas com mais formação educacional tiveram menos filhos do que aquelas com menos educação ao longo da maior parte ou todo o século XX. Os dados atuais sugerem que os padrões reprodutivos, talvez reforçados pela imigração, podem ter custado aos Estados Unidos cerca de um ponto de QI por geração (Herrnstein e Murray, 1994, cap. 15; Lynn e Van Court, 2004).

 

Capítulo 7 - E se os ganhos acabarem?

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E SE OS GANHOS

ACABAREM?

Um sábio tem a capacidade de chegar a conclusões sólidas sobre...o que conduz

à boa vida.

(Aristóteles, Ethics, vi, 1094b, 25-28)

Não existe razão para crer que os ganhos no QI continuarão para sempre.

Talvez existam poucos que não tenham absorvido a linguagem da ciência no grau que podem. A tendência atual de uma razão maior de adultos por crianças no lar pode mudar, e uma redução maior na taxa de natalidade provavelmente será compensada por um aumento no número de lares uniparentais. Deve haver um ponto de saturação em nossa disposição para sermos desafiados por atividades conceitualmente mais difíceis no trabalho e no lazer. Embora os ganhos ainda sejam robustos nos Estados Unidos, o QI parou de aumentar na

Escandinávia (Flynn e Weiss, no prelo; Schneider, 2006). Talvez a Escandinávia seja mais avançada que os Estados Unidos, e suas tendências se tornem universais, pelo menos nas nações desenvolvidas.

A consequência mais óbvia do final dos ganhos no QI seria que parariam de matar pessoas no corredor da morte. Se não houvesse ganhos por

 

Capítulo 8 - Conhecendo nossos ancestrais

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CONHECENDO

NOSSOS ANCESTRAIS

Sábia é a criança que conhece seu próprio pai.

(Homero, The Odyssey, I, 215-216)

As coisas são o que são, e nada mais.

(Bispo Joseph Butler)

Mesmo aqueles que acreditam que fiz uma interpretação coerente dos enormes ganhos observados no QI ao longo do tempo talvez queiram algo mais. O fato de que as diferenças entre nossas mentes e as de nossos ancestrais são sutis somente torna mais difícil a tarefa de ler. Ah, se pudéssemos entrar em uma máquina e voltar no tempo para estudar nossos ancestrais diretamente!

Colom, Flores-Mendoza e Abad (no prelo) talvez nos tenham dado algo crucial. Eles estudaram crianças de 7 a 11 anos no Brasil, onde compararam uma amostra urbana da cidade de Belo Horizonte (testada em 1930 com o desenho da figura humana) com uma amostra da mesma cidade

(testada em 2002) e uma amostra rural (testada em 2004). Durante 72 anos, as crianças ganharam 17 pontos de QI, mas a disparidade contemporânea entre o meio urbano e o rural foi ainda maior, de 31,5 pontos. Crianças urbanas e rurais atuais também foram comparadas usando as Matrizes Coloridas de Raven e os subtestes de Aritmética e Dígitos no WISC. A disparidade entre rural e urbano foi de 31 pontos de QI no teste Raven e de 15 pontos do

 

Capítulo 9 - A arte de escrever a história cognitiva

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A ARTE DE ESCREVER

A HISTÓRIA COGNITIVA

Como diz o prefácio, a publicação desta edição permite a oportunidade de expandir certos temas e, mais importante, de esclarecer que tipo de livro é este. Não sou o primeiro a escrever uma história da cognição. Oesterdiekhoff escreveu sobre a transição das mentes de indivíduos pré-industriais para a mente moderna. Ele também acaba de traduzir um de seus trabalhos seminais para que, pela primeira vez, estudiosos de língua inglesa possam compreender a interpretação piagetiana dos ganhos de QI desde a revolução industrial (Oesterdiekhoff, 2008).

Todavia, até onde sei, este livro é a primeira tentativa de escrever a história cognitiva de uma nação específica no século XX com base em uma análise detalhada de tendências diferenciais em uma variedade de testes e subtestes de QI. Podemos escrever uma história cognitiva com base apenas nos efeitos da educação formal, na ascensão da cultura visual, e assim por diante; mas, sem dados de QI, esse livro certamente não compreenderia certas características que diferenciam nossas mentes das de nossos ancestrais. E como temos os dados de QI, existem paradoxos que devem ser resolvidos. Por outro lado, o fato de as tendências nos testes de QI terem sido os artefatos que, pelo menos inicialmente, deram início à minha tarefa como historiador teve um sentido dúbio. Os testes de QI são instrumentos de mensuração. Portanto, criam uma barreira singular entre meu livro e os psicometristas. Eles estão acostumados a usar testes de QI como medidas da inteligência, ou g, e não a usá-los como matéria-prima da história. Desse modo, tentarei distinguir a arte de escrever história da ciência da mensuração.

 

Capítulo 10 - GUT: A Grande Unificação Teórica da Inteligência

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GUT: A GRANDE UNIFICAÇÃO

TEÓRICA DA INTELIGÊNCIA

Refleti um pouco mais sobre a tarefa de unificar o conhecimento das habilidades cognitivas, no que tange às diferenças individuais, às tendências sociais e aos níveis da fisiologia cerebral. Na página 77, creio que cometi um erro em minha visão de como isso pode ser feito. Sugeri três passos: (1) um modelo integrando os fatores que causam as tendências cognitivas ao longo do tempo

(no nível social) aos que causam as diferenças individuais – uma tarefa feita experimentalmente pelo modelo de Dickens/Flynn; (2) um modelo integrando as diferenças individuais à fisiologia cerebral, usando algo semelhante ao modelo de Dickens/Flynn; (3) finalmente, um supermodelo que integraria os dois.

Essa proposta ignora um fato central: as mentes resolvem problemas cognitivos, mas os cérebros não. O nível social e o nível das diferenças individuais compreendem mentes resolvendo problemas, o primeiro com as mentes evoluindo ao longo do tempo e o segundo, com mentes individuais operando em conjunto dentro de uma mesma geração. Portanto, esses dois níveis precisam de integração. A relação do cérebro com esses dois níveis é diferente. O substrato biológico é que sustenta ambos e, portanto, estabelece a tarefa de reduzir o que está acontecendo na mente àquilo que acontece no cérebro. Em outras palavras, para colocar o cérebro no contexto geral da inteligência atuando nos três níveis, precisamos de um modelo reducionista, ao invés de um modelo integrativo como o modelo de Dickens/Flynn. Buscar algo semelhante ao segundo seria impossível e desnecessário.

 

Capítulo 11 - Howard Gardner e o uso de palavras

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HOWARD GARDNER

E O USO DE PALAVRAS

Maradona foi um gênio do futebol (para qualquer um que o tenha visto jogar).

Alguns leitores pediram que eu expressasse minhas opiniões sobre

Howard Gardner. Em 1983, ele definiu um pré-requisito e oito critérios para se dizer que algo é uma inteligência:

Pré-requisito: um conjunto de habilidades que resolvem problemas e progridem do nível elementar ao avançado. Os indivíduos que as possuem muitas vezes criam novas performances e descobrem problemas até então desconhecidos. As habilidades devem ser valorizadas socialmente. z Critério 1: autonomia no nível fisiológico, ou seja, possui seu próprio lócus no cérebro, de modo que um trauma naquela área pode destruí-la ou poupá-la. z Critério 2: autonomia no nível psicológico, ou seja, encontramos indivíduos que são ótimos em uma área de competência, mesmo que não sejam em outras. z Critério 3: é desencadeada por um estímulo específico, ou seja, por determinados tipos de informações apresentadas por via interna ou externa. z Critério 4: deve ter uma história de desenvolvimento, ou seja, amadurece em estágios. z Critério 5: deve ter antecedentes evolutivos. z Critério 6: sua autonomia é confirmada por testes que a diferenciam de outras inteligências. z Critério 7: sua autonomia é confirmada por mensuração, ou seja, instrumentos que classificam as pessoas com seus testes específicos indicam que ela não tem correlação (em um grau significativo) com outras inteligências mensuradas. z Critério 8: é suscetível a ser expressada em um sistema simbólico. z

 

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