Desenvolvimento Psicológico e Educação - V1 - 2.ed.

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Em uma segunda edição inteiramente renovada, apresenta-se agora o primeiro volume da série Desenvolvimento psicológico e educação. Nele foram incluídos o período adulto e a velhice, ao mesmo tempo em que foram mantidos e aprofundados a análise conceitual introdutória e o estudo da infância e adolescência. Em sua nova edição, esta obra completamente atualizada será o texto de referência mais relevante da psicologia evolutiva no início do século XXI.

23 capítulos

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Capítulo 1. Psicologia evolutiva: conceito, enfoques, controvérsias e métodos

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Psicologia evolutiva: conceito, enfoques, controvérsias e métodos

JESÚS PALACIOS

O DESENVOLVIMENTO PSICOLÓGICO E

SEUS DETERMINANTES FUNDAMENTAIS

Como tantas outras disciplinas científicas

(como a história ou a geologia, por exemplo), a psicologia evolutiva trabalha com a mudança ao longo do tempo. Como as outras disciplinas nas quais se divide o amplo campo da psicologia, a psicologia evolutiva trata da conduta humana. O que diferencia a psicologia evolutiva das disciplinas não-psicológicas mencionadas anteriormente é que seu objeto de estudo é a conduta humana, tanto em seus aspectos externos e visíveis como nos internos e não-diretamente perceptíveis. Mas em relação

às outras disciplinas psicológicas, o que a diferencia é seu interesse pela conduta humana do ponto de vista de suas mudanças e transformações ao longo do tempo.

O fato de existirem outras disciplinas psicológicas que também estudam a mudança ao longo do tempo nos obriga a acrescentar algum outro traço diferenciador na definição anterior. Sem dúvida, a psicoterapia também estuda as mudanças ao longo do tempo, e podemos dizer o mesmo das diferentes disciplinas que estudam os processos de aprendizagem; em um e em outro caso, parte-se de um estado inicial da pessoa (um determinado problema psicológico, por exemplo, ou uma conduta que não é capaz de realizar) e procura-se conseguir que esse estado inicial se transforme em uma situação diferente (a superação do problema ou a aquisição da conduta). Dois

 

Capítulo 2. Crescimento físico e desenvolvimento psicomotor até os dois anos

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Crescimento físico e desenvolvimento psicomotor até os dois anos

JESÚS PALACIOS E JOAQUÍN MORA

Já faz muitos anos que Wallon salientou que o psiquismo humano é uma conseqüência do entrecruzamento entre o que ele metaforicamente chamava de dois “inconscientes”: o inconsciente biológico e o inconsciente social (Wallon, 1931). Conforme já foi indicado no capítulo anterior, as influências modeladoras exercidas pelas interações sociais sobre o desenvolvimento não incidem no interior de um organismo que funciona como um recipiente vazio a espera de ser preenchido.

Desde o próprio momento da concepção, e como ocorre com o de qualquer outro ser vivo, o organismo humano tem uma “lógica biológica”, uma organização e um calendário maturativo. Já que, por outro lado, nosso organismo biológico é a infra-estrutura em que se assentam nossos processos psíquicos, a psicologia evolutiva não pode prescindir da consideração do desenvolvimento físico, pois tal desenvolvimento abre, constantemente, possibilidades evolutivas e impõe limitações à mudança possível em cada momento.

 

Capítulo 3. Desenvolvimento cognitivo durante os dois primeiros anos

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DESENVOLVIMENTO PSICOLÓGICO E EDUCAÇÃO, V.1

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Desenvolvimento cognitivo durante os dois primeiros anos

JESÚS PALACIOS

No Capítulo 1, ao falarmos sobre a história social da infância, fizemos referência às análises históricas de Ariès (1960), segundo as quais, até o final do século XIII, as crianças pequenas eram representadas na pintura como adultos em miniatura, com traços, roupas e atitudes mais próprias de crianças maiores ou de adultos do que de bebês. Curiosamente, no entanto, as capacidades que lhes eram atribuídas estavam longe de ser as dos adultos e, de fato, a imagem dos bebês que prevaleceu até poucas décadas estava relacionada muito mais com o isolamento sensorial e com a incompetência motora e cognitiva do que com capacidades mais complexas. Foi Piaget que, na década de 1930, primeiro mostrou os bebês como ativos exploradores da realidade e como incansáveis construtores de sua própria inteligência em interação com os objetos de seu entorno.

 

Capítulo 4. O início da comunicação, da representação e da linguagem

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COLL, MARCHESI, PALACIOS & COLS.

O início da comunicação, da representação e da linguagem

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IGNASI VILA

A comunicação e a representação são duas capacidades intimamente relacionadas no ser humano. De fato, o instrumento mais importante que as pessoas empregam para se comunicar é a linguagem, sistema de natureza simbólica que, entre outras coisas, permite “representar” a realidade (voltar a torná-la presente quando não está). A estreita relação da linguagem com a comunicação e a representação não implica que a origem e o desenvolvimento desses processos respondam ao mesmo tipo de mecanismos psicológicos. Assim, ao longo da história da psicologia evolutiva sucederam-se diferentes posições: algumas, como a teoria operatória de Jean Piaget, invocam origens e mecanismos comuns, enquanto outras proclamam origens distintas, como os chamados “teóricos da mente”, que distinguem entre mente social e mente física. Hoje é difícil manter a posição piagetiana sobre sua origem comum, teoria segundo a qual a ação solipsista do bebê sobre seu ambiente o leva a construir a função simbólica ou semiótica que traduz ou permite tanto a comunicação como a representação. Mas a alternativa não tem por que ser a dicotomia entre mente física e mente social; assim, desde posições mais próximas da teoria sociocultural de Vygotsky defende-se que a atividade comunicativa se encontra na gênese da representação e vice-versa (Rodríguez e Moro,

 

Capítulo 5. Desenvolvimento socioafetivo na primeira infância

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DESENVOLVIMENTO PSICOLÓGICO E EDUCAÇÃO, V.1

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Desenvolvimento socioafetivo na primeira infância

MARÍA JOSÉ ORTIZ, MARÍA JESÚS FUENTES E FÉLIX LÓPEZ

Neste capítulo, são analisadas as origens da vida social e emocional, as diferenças individuais nos diversos processos socioafetivos e os fatores individuais e contextuais que explicam tais diferenças. Um tema central, portanto, será o desenvolvimento do vínculo afetivo da criança com os cuidadores principais e a análise dos variados fatores que intervêm no estabelecimento de um laço afetivo seguro ou inseguro. O desenvolvimento dos diversos aspectos da vida emocional e o modo como fatores temperamentais e relacionais marcam diferenças em todos esses campos será objeto de uma revisão geral. Finalmente, são analisadas as primeiras relações com os iguais e o papel dos pais e educadores na aquisição e no desenvolvimento precoce da competência social infantil.

O APEGO

O que é o apego e quais suas funções

 

Capítulo 6. Desenvolvimento físico e psicomotor depois dos dois anos

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Desenvolvimento físico e psicomotor depois dos dois anos

JESÚS PALACIOS, ROSARIO CUBERO, ALFONSO LUQUE E JOAQUÍN MORA

No Capítulo 2, expusemos as características e leis do processo de crescimento, os traços mais marcantes desse processo ao longo dos dois primeiros anos da vida humana e também o conceito de psicomotricidade; aproveitamos para analisarmos alguns pormenores do desenvolvimento psicomotor nos dois primeiros anos. Agora continuaremos com os processos de crescimento e de desenvolvimento psicomotor exatamente como ocorrem após os dois anos até o início do ensino fundamental, momento a partir do qual as mudanças são cada vez menos significativas até a chegada da puberdade. Na faixa etária que trataremos agora, o aspecto mais relevante está ligado à extensão e ao refinamento do controle sobre o corpo e seus movimentos; podemos, por isso, afirmar que estamos diante de uma etapa de grande importância para o desenvolvimento psicomotor, na qual ocorrem notáveis transformações tanto no âmbito prático (da ação) quanto no simbólico (da representação).

 

Capítulo 7. Desenvolvimento intelectual e processos cognitivos entre os dois e os seis anos

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COLL, MARCHESI, PALACIOS & COLS.

Desenvolvimento intelectual e processos cognitivos entre os dois e os seis anos

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MARÍA JOSÉ RODRIGO

DA CRIANÇA PRÉ-LÓGICA À CRIANÇA

QUE PROCESSA INFORMAÇÃO

O objetivo deste capítulo é familiarizar o leitor com o repertório de capacidades cognitivas com que contam as crianças de dois a seis anos. Começaremos utilizando o guia autorizado de Piaget para percorrer esses anos que correspondem à chamada etapa pré-operatória.

Nela se desenvolvem alguns conteúdos importantes, como, por exemplo, a função simbólica. No entanto, nessas idades, o pensamento infantil descrito por Piaget é caracterizado como se estivesse à espera das grandes transformações operatórias que ocorrerão em etapas posteriores. De fato, as revisões críticas da obra de Piaget alertaram sobre o perigo dessa estratégia comparativa ao avaliar a competência das crianças dessas idades.

Neste capítulo, a descrição “negativa” das capacidades da criança pré-lógica se completa com uma descrição “positiva” que procura conhecer o que as crianças sabem e o que fazem nessas idades. Isso é muito necessário se queremos fazer justiça a suas verdadeiras capacidades e às possibilidades de educação que essas sugerem. Por isso, após o próximo item, mudaremos o tom do discurso para entrarmos em uma análise mais pormenorizada de suas capacidades de processamento. O objetivo deste tipo de análise é descobrir como crianças nessa faixa etária codificam, transformam e organizam os diferentes tipos de informação.

 

Capítulo 8. Desenvolvimento da linguagem

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COLL, MARCHESI, PALACIOS & COLS.

Desenvolvimento da linguagem

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MIGUEL PÉREZ PEREIRA

A linguagem provavelmente é uma das faculdades mais típicas da espécie humana, se não a mais típica. Não se conhece nenhuma outra espécie que tenha desenvolvido por si mesma um sistema de comunicação e simbólico tão complexo como a linguagem humana.

Também não parece que as espécies mais próximas a nós, os macacos antropóides, tenhamno desenvolvido com a mesma plenitude e da mesma forma que os humanos em situações de contato com eles, e isso apesar de, às vezes, terem sido submetidos a programas muito estritos de instrução no uso de sinais manuais ou de símbolos (fichas de plástico). E mais, não foi possível observar se podem transmitir isso que aprenderam com os humanos a seus filhotes. No entanto, qualquer humano que não tenha suas faculdades danificadas é capaz de aprender a falar simplesmente pelo fato de estar em interação com outros seres humanos e sem necessidade de um treinamento específico. Dessa potencialidade humana, dão testemunho as milhares de línguas humanas existentes hoje em dia. Por mais isolado que esteja, não existe grupo social humano sem linguagem (Miller, 1981).

 

Capítulo 9. Desenvolvimento da personalidade entre os dois e os seis anos

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DESENVOLVIMENTO PSICOLÓGICO E EDUCAÇÃO, V.1

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Desenvolvimento da personalidade entre os dois e os sete anos

VICTORIA HIDALGO E JESÚS PALACIOS

As pessoas se parecem muito umas com as outras, porque compartilham influências genéticas como membros da mesma espécie e influências ambientais como membros de um determinado grupo sociocultural. Mas por essas mesmas razões, as pessoas diferem notavelmente umas das outras: cada qual tem uma herança particular, e cada uma vive em uma série de contextos e recebe uma série de influências ambientais que têm também muito de pessoal. A conjunção dessas influências, junto ao fato de que, à medida que crescemos, vamos participando de contextos mais numerosos, mais variados e mais pessoais, faz com que, pouco a pouco, vá se configurando uma trajetória de vida própria e única para cada pessoa. Muito do caráter próprio e particular que a realidade psicológica de cada pessoa tem está ligado ao âmbito da personalidade, uma faceta crucial do desenvolvimento que não tem uma definição simples, que, às vezes, é entendida como o conjunto de todos os traços psicológicos (todos eles participam na configuração de nossa individualidade) e outras vezes se limita aos aspectos afetivos e emocionais. Partindo de uma perspectiva pouco restritiva, neste capítulo e no Capítulo 13 entraremos nesse âmbito evolutivo a partir de um marco conceitual que defende o estudo do desenvolvimento da personalidade não de forma isolada, como conjunto de propriedades intrínsecas que evolui nas crianças independentemente de outros aspectos de seu desenvolvimento e à margem do mundo que os rodeia e no qual estão imersos, mas a partir de uma visão integral do desenvolvimento das crianças e entendendo estas

 

Capítulo 10. Conhecimento social e desenvolvimento de normas e valores entre os dois e os seis anos

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DESENVOLVIMENTO PSICOLÓGICO E EDUCAÇÃO, V.1

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Conhecimento social e desenvolvimento de normas e valores entre os dois e os seis anos

JESÚS PALACIOS, MARÍA DEL MAR GONZÁLEZ

E MARÍA LUISA PADILLA

Neste capítulo, procuramos assentar as bases para compreender boa parte das condutas descritas no Capítulo 11 (no qual será analisado como evoluem a conduta social e as relações com os demais ao longo dos anos que antecedem o ingresso nas séries iniciais): a maneira como nos relacionamos com os demais depende de determinadas idéias que temos sobre o que eles esperam de nós, sobretudo sobre seus sentimentos, sobre suas necessidades e sobre seu ponto de vista; do mesmo modo, boa parte de nossa conduta está condicionada pelo fato de considerarmos determinados comportamentos bons e aceitáveis, enquanto outros são vistos como inadequados e inaceitáveis. Ao primeiro desses dois âmbitos (como são os demais, como se sentem, o que pensam, o que esperam de nós, mas também como está organizada a sociedade em que vivemos, como funciona a rede social), habitualmente se dá o nome de conhecimento social, que se costuma diferenciar em dois grandes âmbitos: por um lado, o conhecimento dos demais e das relações com eles e, por outro, o das instituições e da maquinaria social. Ao segundo, referente às idéias sobre o que é aceitável, bom e justo, dá-se o nome de desenvolvimento moral, que, por sua vez, se refere também a vários conteúdos, se estivermos falando de normas morais, de valores sociais ou de regras convencionais.

 

Capítulo 11. Desenvolvimento e conduta social dos dois aos seis anos

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COLL, MARCHESI, PALACIOS & COLS.

Desenvolvimento e conduta sociais dos dois aos seis anos

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MARÍA DEL CARMEN MORENO

Este capítulo trata de um dos temas que hoje em dia desperta mais interesse entre os pesquisadores: o estudo do desenvolvimento social, que permaneceu, durante décadas, escondido pela ênfase dada aos diferentes processos de natureza cognitiva. Além disso, até a década de 1980, os conhecimentos sobre o desenvolvimento social estiveram vinculados ao estudo do desempenho das figuras de socialização paternas, especialmente a mãe, a partir de então se produziu um avanço espetacular na pesquisa centrada nos processos próprios do desenvolvimento social e especialmente em torno do que mais adiante definiremos como relações horizontais.

Tanto este capítulo como o Capítulo 15, que serve como sua continuação, estão dedicados à análise dessas relações horizontais entre os dois e seis anos e entre seis e doze anos, respectivamente; essa análise já foi feita sobre os dois primeiros anos no Capítulo 5. Nas páginas seguintes, após analisarmos o significado da conduta e da experiência social, iremos nos deter em um primeiro momento nas relações entre irmãos; depois, passaremos a esmiuçar as características da experiência social com iguais e, para isso, seguiremos as recomendações que diferentes autores vêm fazendo de diferenciar entre as interações, as relações e o grupo (por exemplo, Rubin, Bukowski e Parker,

 

Capítulo 12. Processos cognitivos básicos e desenvolvimento intelectualentre os seis anos e a adolescência

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Processos cognitivos básicos e desenvolvimento intelectual entre os seis anos e a adolescência

EDUARDO MARTÍ

Como vimos no Capítulo 7, as crianças menores de seis anos adquirem uma série de novas habilidades cognitivas que lhes permite entender e organizar o mundo de uma maneira muito mais ampla e precisa do que os bebês. Apesar desses avanços, a competência cognitiva das crianças de dois a seis anos apresenta algumas limitações se comparada com a das crianças do ensino fundamental. Poderíamos dizer que, durante essa nova etapa, as crianças raciocinam de forma mais lógica, que são menos dependentes da aparência perceptiva dos estímulos, que possuem uma atenção mais seletiva e uma memória mais segura e estratégica e que ampliam de maneira espetacular a qualidade e a quantidade de conhecimentos sobre diversos aspectos da realidade. Essas conquistas são traduzidas em habilidades cotidianas claramente identificáveis: são crianças que, diferentemente das menores, sabem orientarse em um percurso espacial complexo, conseguem entender e se lembrar das pontuações exatas de suas equipes favoritas de futebol, podem dar testemunhos fiéis de acontecimentos passados, são capazes de captar o humor e a ironia ou sabem corrigir os erros de um texto que acabaram de escrever. Não é de estranhar que a educação formal, na maioria das culturas, comece nessa etapa, caracterizada por uma nova maneira de pensar, mais lógica e mais estratégica, e por uma ampliação e melhor organização dos conhecimentos, aspectos essenciais nas aprendizagens escolares.

 

Capítulo 13. Desenvolvimento da personalidade dos seis anos até a adolescência

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COLL, MARCHESI, PALACIOS & COLS.

Desenvolvimento da personalidade dos seis anos até a adolescência

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JESÚS PALACIOS E VICTORIA HIDALGO

No Capítulo 9, referimo-nos à personalidade como um âmbito do desenvolvimento que

é necessário abordar no contexto das relações interpessoais e não à margem delas. Durante esses primeiros anos da infância, o principal contexto no qual a grande maioria das crianças cresce e se desenvolve é a família. À medida que avançam no desenvolvimento, as crianças vão tendo acesso e participando de novos contextos, e, como conseqüência, vão aparecendo novas fontes de influência no desenvolvimento da personalidade. A escola e a família se transformam, então, nos dois contextos mais influentes voltados para a configuração da personalidade infantil; os pais, os professores e o grupo de iguais irão transformar-se nos agentes sociais mais importantes e decisivos durante esses anos. Por meio das interações que estabelecem com todas essas pessoas, as crianças irão diversificando suas relações e enriquecendo suas experiências sociais, obtendo novas informações e recebendo influências que lhes permitem consolidar ou modificar muitos dos aspectos do desenvolvimento social e pessoal que haviam começado a ser configurados nos anos anteriores.

 

Capítulo 14. Conhecimento social e desenvolvimento de normase valores entre os seis anos e a adolescência

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COLL, MARCHESI, PALACIOS & COLS.

Conhecimento social e desenvolvimento de normas e de valores entre os seis anos e a adolescência

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JESÚS PALACIOS, MARÍA DEL MAR GONZÁLEZ E MARÍA LUISA PADILLA

Como nos dois capítulos anteriores, os conteúdos abordados a seguir são um prolongamento de seus equivalentes para o segmento de idade de dois a seis anos. Em nosso caso, retomamos a trajetória evolutiva descrita no

Capítulo 10 sobre o desenvolvimento do conhecimento social e dos raciocínios sobre normas e valores. Como já foi feito anteriormente no capítulo citado, analisaremos, em primeiro lugar, o domínio do conhecimento social nos três âmbitos da compreensão dos demais, das relações interpessoais e dos sistemas sociais.

Em relação ao raciocínio sobre questões morais e de valores, faremos, em primeiro lugar, a inevitável referência às descrições clássicas, bem representadas por Piaget e por Kohlberg, e dedicaremos mais espaço aos conteúdos e

 

Capítulo 15. Desenvolvimento e conduta social dos seis anos até a adolescência

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DESENVOLVIMENTO PSICOLÓGICO E EDUCAÇÃO, V.1

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Desenvolvimento e conduta social dos seis anos até a adolescência

MARÍA DEL CARMEN MORENO

A EXPERIÊNCIA SOCIAL DURANTE O

PERÍODO ESCOLAR

Grande parte da experiência social que nossas crianças recebem é produzida por meio de um processo de segregação em função da idade; tanto a experiência escolar como muitas das atividades extra-escolares (equipes desportivas, aulas de música ou idiomas, etc.) estão estruturadas em função da data de nascimento.

Por outro lado, e como conseqüência principalmente de duas mudanças sociais importantes, como são a incorporação da mulher-mãe ao trabalho extradoméstico e as reformas educativas que ampliaram a escolarização obrigatória, o certo é que a inserção no grupo de iguais ocorre antes mesmo do que ocorria há uma década e, ao mesmo tempo, permanece-se formalmente vinculado a ele durante mais anos.

Os contatos com iguais, especialmente com os amigos, servem a funções muito significativas no desenvolvimento (ver Asher e

 

Capítulo 16. A adolescência e seu significado evolutivo

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A adolescência e seu significado evolutivo

JESÚS PALACIOS E ALFREDO OLIVA

Este capítulo tem como finalidade situar o desenvolvimento durante a adolescência no lugar evolutivo que corresponde a ele, estabelecendo seus limites, esclarecendo seu significado, diferenciando os componentes biológicos dos psicológicos, acentuando seu caráter fortemente psicossocial e ressaltando seu papel como transição evolutiva. O capítulo começa procurando mostrar o caráter recente do fenômeno adolescente tal como o conhecemos no ocidente em princípios do século XXI. No segundo tópico, são revisadas as mais significativas teorias sobre a adolescência propostas durante o século XX. Na seqüência, são analisadas as mudanças físicas que transformam os corpos infantis em corpos adultos, prestando uma especial atenção às implicações psicológicas dessas mudanças. Os dois últimos itens procuram situar, respectivamente, a adolescência em uma dupla encruzilhada: a das mudanças evolutivas que levam da infância à vida adulta, e das circunstâncias sociais do princípio do século XXI.

 

Capítulo 17. Do pensamento formal à mudança conceitual na adolescência

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DESENVOLVIMENTO PSICOLÓGICO E EDUCAÇÃO, V.1

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Do pensamento formal à mudança conceitual na adolescência1

MARIO CARRETERO E JOSÉ ANTONIO LEÓN

Como todos sabemos, a adolescência abre as portas para um novo mundo que sofre importantes e profundas mudanças não somente na própria imagem do indivíduo e na forma de interagir com seus iguais e com as outras pessoas, mas que também se estende a novas formas de pensamento. Os adolescentes alcançam um novo e mais complexo nível de pensamento que permitirá conceber os fenômenos de maneira diferente de como haviam feito até então. Esse pensamento, caracterizado por uma maior autonomia e rigor em seu raciocínio, foi denominado na tradição piagetiana de pensamento formal e representa o estágio do mesmo nome, o estágio das operações formais.

Nosso objetivo neste capítulo consiste em apresentar uma exposição geral sobre esse tipo de pensamento, ao mesmo tempo em que também daremos espaço a algumas importantes críticas à posição piagetiana. Apresentaremos também uma panorâmica de alguns estudos atuais sobre o raciocínio científico em diferentes domínios, assim como o processo de mudança conceitual na adolescência. Antecipando o que será visto posteriormente, podemos dizer que, em termos gerais, a visão piagetiana do pensamento formal é hoje muito universalista e otimista em relação às capacidades lógicas e de solução de problemas dos adolescentes. Inúmeros estudos demonstraram que o raciocínio que costumamos encontrar nessa etapa de vida não está isento de distorções e de erros, estando, em todo caso, muito influenciado pelo conhecimento prévio que o sujeito possui sobre as tarefas que forem pesquisadas.

 

Capítulo 18. Desenvolvimento da personalidade durante a adolescência

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DESENVOLVIMENTO PSICOLÓGICO E EDUCAÇÃO, V.1

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Desenvolvimento da personalidade durante a adolescência

ALFREDO OLIVA

Os anos da infância são muito importantes para a formação da personalidade; antes da puberdade já podemos ver nas crianças muitos traços que configuram uma forma de ser e de agir muito definida: no entanto, o período da adolescência será definitivo para a consolidação da personalidade. São muitas as mudanças que ocorrem no nível físico, cognitivo e social para que a personalidade não se veja afetada por eles e permaneça inalterada.

O adolescente deverá responder a pergunta fundamental “Quem sou eu?”, e, para encontrar a resposta, deverá enfrentar algumas tarefas durante os anos que seguem à puberdade.

Assim, terá de delinear a imagem que tem de si mesmo, adotar alguns compromissos de caráter ideológico e religioso, escolher uma profissão, definir sua orientação sexual, optar por um estilo de vida e de relações, assumir valores do tipo moral, etc. Se o adolescente é capaz de solucionar a maioria dessas tarefas, terá dotado seu eu de conteúdos que antes estavam ausentes, dando um passo de gigante para a formação de seu caráter. No entanto, ainda que depois da adolescência a personalidade tenha adquirido muita estabilidade, isto não significa que não ocorrerão mudanças durante a idade adulta, pois o processo que teve início na primeira infância continuará ao longo de todo o ciclo vital, conforme é mostrado nos

 

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