Introdução à História da Arquitetura

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Este livro é uma introdução à história da arquitetura e do urbanismo ocidental, desde a pré-história até século XXI. Extremamente atual, o texto é ao mesmo tempo enxuto e profundo. Além de apresentar um panorama histórico, o autor critica e analisa a arquitetura e o seu desenvolvimento.

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Capítulo 1 - Considerações Gerais: das Origens ao Século XXI

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1

Considerações Gerais: das Origens ao

Século XXI

Introdução à arquitetura

Este livro resume, numa visão geral e unitária, o desenvolvimento da arquitetura ocidental através do tempo, desde suas origens remotas até nossa própria contemporaneidade; não é nem pretende ser uma história convencional da arquitetura, mas uma introdução ao seu estudo que desvele seus códigos e permita compreender sua realidade tanto ao profissional quanto ao amador, especialmente para quem se aproxima da arquitetura pela primeira vez. Esta obra busca propor uma reflexão sobre a especificidade da arquitetura, tentando abrir nossos olhos para ela e percebê-la como uma realidade ontologicamente nova e diferente de quaisquer outras já conhecidas.

Uma característica diferencial que identifica a arquitetura para um arquiteto é o caráter de experiência e de processo com que ela se apresenta. De um ponto de vista eminentemente arquitetônico, esta publicação se volta, portanto, ao processo de projeto de arquitetura, formulando o saber histórico como meio fundamental para o conhecimento da composição e da construção das edificações, atendendo aos problemas que cada sociedade e seus arquitetos tentaram resolver, e focando aquelas questões que explicam o porquê das permanências e das evoluções. Afinal, a história não pertence a um passado mais ou menos distante, mas faz parte operativa do presente. E, conforme se diz, fazer edifícios novos sempre foi uma crítica aos edifícios do passado, não é verdade?

 

Capítulo 2 - Menir, Caverna e Cabana

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Menir, Caverna e Cabana

As origens e os limites da arquitetura

Os pesquisadores e os críticos não estão de acordo sobre qual realmente seria a origem e a essência da arquitetura: o menir, a caverna ou a cabana, entendidos como os símbolos físicos da arte, do abrigo e da racionalidade construída.

Contudo, ainda que ao longo da história vejamos que esta última, a cabana, se tornará o foco efetivo de desenvolvimento da atividade arquitetônica, convém começar refletindo não sobre ela, mas sobre o menir e a caverna como as arquiteturas primárias ou iniciais da humanidade – uma vez que todo o conceito e desenvolvimento histórico da arquitetura estão resumidos e polarizados nos princípios que elas representam.

O menir é o monumento mais primitivo, mais simples e há mais tempo em utilização ou elaboração. É a arquitetura como símbolo, como signo, como significação; uma arquitetura não habitável, mas com capacidade comunicativa intrínseca.

A caverna constitui o princípio oposto. É a arquitetura como abrigo. É a necessidade de habitar, de se abrigar e de se proteger de um mundo agressivo; é o reflexo do eterno retorno ao claustro materno. A caverna como arquitetura muda, sem significação nem capacidade de transmissão, vem a ser uma necessidade materializada na própria terra – a mãe terra –, pois certamente as primeiras habitações humanas foram as cavernas que a natureza oferecia como local de refúgio contra os animais e os humores do clima.

 

Capítulo 4 - O Presente Eterno: da Geometria à Forma

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O Presente Eterno: da

Geometria à Forma

Dos ideogramas aos signos

Tudo o que foi exposto anteriormente – o plano horizontal, a diretriz vertical, a retícula e a ortogonalidade, a axialidade, a simetria e a série – contribui para reforçar a posição fundamental da geometria como base da arquitetura. Mas é necessário dar mais um passo até a forma arquitetônica.

As enchentes anuais do Nilo obrigam a aparição da geometria para a medição das terras; da mesma forma, se faz necessário incluir nos registros os limites das terras e das plantações. Por conseguinte, é necessário criar algum sistema de símbolos para os diferentes números, as diferentes pessoas, os distintos tipos de cereais e produtos e os diversos acontecimentos.

Os habitantes das regiões dos rios Tigre e Eufrates haviam inventado pouco antes de 3000 a.C. um sistema pictográfico rudimentar no qual a escrita era uma imitação dos objetos representados.

Os habitantes do vale do Nilo utilizaram esse conceito de escrita, mas o adaptaram a seus próprios fins e necessidades. Assim, através de belos símbolos, os egípcios elaboram o que os gregos denominam escrita hieroglífica (signos gravados sagrados), com um grande número de símbolos, alguns dos quais representavam palavras, e outros, partes de palavras (Figura 4.1).

 

Capítulo 5 - O Território da Arquitetura Clássica

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5

O Território da

Arquitetura Clássica

As contribuições gregas

Imhotep, o arquiteto de Sakkara, era chanceler do rei, juiz supremo, superintendente dos arquivos reais, chefe das obras reais, supervisor das dádivas do Céu, da Terra e do Nilo e protetor do país.

Mil e quinhentos anos depois, Senenmut ainda era o grande administrador das propriedades de Amon, gestor das posses reais, chefe do tesouro real e gerente de obras da corte.

No Egito e em toda a Antiguidade pré-clássica tanto o homem quanto as coisas que o cercavam eram considerados como seres naturais que formavam parte do cosmos e aos quais se aplicavam de modo genérico as concepções cósmicas, atendendo mais a critérios e tradições religiosas do que a estudos filosóficos ou científicos.

Já na Grécia clássica do século V a.C. a consideração filosófica muda de orientação: na passagem do mythos ao logos se deixam de lado os problemas divinos e se foca no homem e no humano. Por isso, apesar da filiação da cultura clássica à egípcia, o arquiteto grego já não será nenhuma daquelas coisas que era seu homólogo egípcio, mas centrará sua atenção na arquitetura, considerando-a como um território próprio separado dos demais.

 

Capítulo 6 - Ordem e Linguagem

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Ordem e Linguagem

O conceito de ordem

A contribuição inicial da arquitetura grega – como já mencionamos

– é a delimitação de seu território próprio. Pois bem, essa contribuição vai permitir compreender a arquitetura, como as outras artes, quase como se fosse uma ciência. Aqui se origina a distinção entre as artes (arquitetura, escultura, pintura, etc.) que se consideram categorias permanentes e absolutas da atividade humana.

Para qualquer uma delas se supõe que existam algumas regras objetivas, análogas às leis da natureza, e que o valor de cada obra particular consiste em se adequar a elas. Na pintura ou na escultura, essa lei é denominada cânone: cânone de Policleto, cânone de Lisipo, etc.

Em arquitetura, essas regras são conhecidas pelo nome de ordem.

Cânone e ordem são categorias abstratas. A transferência da ordem (abstrata, ideal) às ordens (concretas, reais) se verifica – como veremos a seguir – através da construção arquitetônica, que dá lugar à ordem dórica, à ordem jônica, etc.

 

Capítulo 7 - A Cabana Clássica

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A Cabana Clássica

Da ordem à edificação

As primeiras manifestações conhecidas da arquitetura grega são pequenas cabanas construídas no campo ou em lugares sagrados relacionados aos deuses. Elas eram construções frágeis e, às vezes, desmontáveis, mas pertencem a uma tradição à qual a arquitetura clássica deve muito.

O templo grego que nasceu no século VII a.C. como evolução da mégaron micênica – uma simples sala retangular precedida de um pórtico de colunas – não tem as mesmas proporções do egípcio nem aquelas que terá o templo cristão. Construído para guardar uma imagem divina, ele apresenta, em geral, dimensões médias e exclui o altar de seu recinto, deixando-o no exterior.

Suas origens estão em uma plataforma horizontal ou estilobata

– quase sempre de planta retangular – sobre a qual se elevava uma caixa de paredes e uma cobertura ou telhado com duas águas que projetava ao exterior um triângulo ou frontão, rematando o prédio e recebendo uma decoração de esculturas.

 

Capítulo 8 - Arquitetura e Edificação Romanas

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Arquitetura e

Edificação Romanas

Contribuições romanas

Várias são as contribuições que, ausentes na edificação grega – embora apareçam parcialmente no helenismo –, constituem a colaboração de Roma à arquitetura ocidental. A mais importante, porém, será o fim da limitação tradicional das experiências, que traz consigo a ampliação e a pluralidade do programa construtivo romano e, consequentemente, a enorme ampliação e pluralidade do território da arquitetura romana.

Extraordinariamente complexas desde o fim das guerras púnicas e a expansão mediterrânea, a sociedade e a arquitetura romanas se confrontam com temas construtivos que não apenas revolucionam a forma de abordar a arquitetura doméstica (o palácio e a casa), mas também multiplicam os conteúdos de lazer e funcionais que a arquitetura pública deve enfrentar, englobando o território da edificação e dele se apropriando. Termas e basílicas; teatros, anfiteatros e circos; cisternas, aquedutos, pontes e construções utilitárias de todo tipo vão ser incorporados, aos poucos, ao campo da arquitetura.

 

Capítulo 9 - A Cidade Romana

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A Cidade Romana

A cidade clássica como cidade política

Para José Ortega y Gasset, “a cidade é um ensaio de parcelamento do solo que o homem faz para viver no espaço externo e voltado para o cosmos, tomando dele porções seletas e reservadas”, uma definição que se baseia na diferenciação radical entre cidade e natureza, considerando a primeira como uma criação abstrata e artificial do homem.

Por isso, a cidade por excelência é a cidade mediterrânea clássica (Figura 9.1), onde o elemento fundamental é a praça. “A urbe” – escreve Ortega – “é, antes de tudo, isto: praça, ágora, lugar para a conversa, a discussão, a eloquência, a política. A rigor, a urbe clássica não deveria ter casas, apenas as fachadas que são necessárias para fechar uma praça, cenário artificial que o animal político reserva do espaço agrícola. A cidade clássica nasce de um instinto oposto ao doméstico. Se constrói a casa para se estar nela; se funda a cidade para sair da casa e reunir-se com outros que também saíram de suas casas”.

 

Capítulo 10 - A Civitas Dei Medieval

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A Civitas Dei Medieval

Realidade social e realidade urbana

Quando, em 410, Roma foi tomada e saqueada pelos bárbaros de

Alarico, o Império foi profundamente abalado. Os cristãos foram responsabilizados por essa decadência, e Santo Agostinho, bispo de

Hipona (354-430), saiu em defesa destes redigindo De civitatis Dei, obra grandiosa que define a redenção de Cristo e não a glória de

Roma como centro e chave de toda a história da humanidade. Por isso, perante a queda do Império, a Roma pagã deveria ser substituída por um novo império espiritual. “Desde o princípio dos tempos” – escreveu Santo Agostinho – “estão em constante luta duas cidades: a Jerusalém celeste e a Babilônia terrena; ambas andam misturadas no mundo, mas no final dos séculos será feita a separação, com o triunfo definitivo da cidade de Deus.”

Após a cidade dos homens, surge a cidade de Deus: a civitas

Dei. Este conceito idealista e platônico terá influência decisiva no mundo ocidental ao longo de toda a Idade Média, e dele partiremos para a definição e o estudo da cidade medieval.

 

Capítulo 11 - A Cabana Cristã

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A Cabana Cristã

Relação entre igreja e cidade

Para definir um movimento arquitetônico, costuma-se considerar seus edifícios mais importantes. Porém, começar falando deles na

Idade Média seria absolutamente artificial, porque na época cada obra arquitetônica era considerada como parte e uma continuidade que se estendia no espaço e no tempo, não como um objeto abstrato e imutável. Como afirma Leonardo Benevolo, o resultado mais importante da experiência medieval é “a continuidade das modificações impressas no entorno”. O sistema unitário dessas modificações, ou seja, a cidade medieval, tem um significado preponderante sobre os edifícios concretos, ainda que estes sejam notáveis.

Enquanto a cabana clássica é uma construção isolada, a cabana cristã se combina com outras construções e se prolonga nelas, apresentando um caráter orgânico de expansão e articulação dos edifícios. Nas catedrais, nos monastérios, nos castelos e nas casas aparece o mesmo caráter, já que a importância do fator temporal se opõe ao sentido unívoco clássico.

 

Capítulo 12 - O Românico, o Primeiro Estilo do Ocidente

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O Românico, o Primeiro

Estilo do Ocidente

A ideia de progresso no mundo ocidental

Os territórios ocidentais do antigo Império Romano são ocupados a partir dos séculos IV e V pelos reinos bárbaros do norte; a partir do século VIII precisam resistir à pressão dos árabes, que dominam a Espanha e passam para França e Itália; nos séculos IX e X são os vikings e os magiares que os perseguem no norte e no leste. Nas vésperas do ano 1000 parece que chega o fim da Europa, e um cronista do século X chega a exclamar desalentado: mundus senescit...

Porém, após a virada do milênio começa um movimento oposto de expansão. No final do século X há uma estabilização dos últimos povos invasores, que no século XIII entram em franca retirada em um processo geral de reconquista. No século XV, consolidam-se os primeiros estados modernos e começa a expansão rumo à América, seguida mais tarde do domínio de todo o planeta e pela conquista do espaço em um processo de expansão que não parou até hoje.

 

Capítulo 13 - Lógica e Esplendor da Arquitetura Gótica

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Lógica e Esplendor da

Arquitetura Gótica

Álgebra, escolástica e arquitetura

A ideia de progresso é consubstancial ao mundo ocidental, mas nela tem singular importância o papel da contribuição islâmica durante a Idade Média, de maneira tanto geral quanto particular no campo da arquitetura.

O mundo islâmico é uma estrutura social e cultural que teve de responder a diversas exigências, homogeneizando problemáticas muito diferentes que obrigavam a um determinado grau de abstração, a qual teve sua aplicação prática na álgebra – do árabe al-yabra, “a redução” –, entendida como síntese abstrata de estruturas de conhecimento.

O mundo cristão conheceu o sistema algébrico como parte do trabalho realizado em Toledo nos séculos XII e XIII, onde sábios de diversos países traduziram numerosas obras conservadas no mundo muçulmano, colocando assim à disposição do Ocidente a cultura clássica e islâmica. Sem conhecer seu processo prévio nem sua importância, para o mundo cristão medieval a álgebra é uma ciência como a gramática, a retórica ou a dialética; mas extrai dela consequências importantes através de outro sistema análogo de pensamento: a escolástica, que, buscando conciliar filosofia e teologia, estabelece toda uma teoria da abstração relacionada com a analogia do ser e sua validade epistemológica.

 

Capítulo 14 - O Renascimento

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O Renascimento

O conceito de renascimento

Com o enfraquecimento dos controles racionais do sistema escolástico e algébrico, o repertório estilístico da arquitetura gótica se amplia extraordinariamente, mas a falta de disciplina prejudica, no longo prazo, o processo compositivo.

Como na escolástica tardia, o ponto de partida fica oculto pela excessiva carga de deduções acumuladas. Pois, como afirma

Leonardo Benevolo: “Se os últimos desenvolvimentos do pós-gótico são interrompidos pela difusão do classicismo italiano, é porque o classicismo traz justamente o que falta à cultura do pós-gótico: um novo método de controle geral capaz de satisfazer as necessidades da sociedade na Idade Moderna”.

Este novo método de controle é sustentado não tanto no pensamento algébrico – que tanto no mundo islâmico quanto no mundo cristão medieval pressupora uma avançada estrutura mental –, mas no retorno a uma estrutura mais simples de conhecimento, ao conhecimento próprio da Antiguidade clássica (geométrico e aritmético), ainda que tal retrocesso deva ser entendido como um meio de retomada para um novo impulso progressista, como se demonstrará nos séculos XVII e XVIII.

 

Capítulo 15 - O Projeto e a Perspectiva Renascentista

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O Projeto e a

Perspectiva Renascentista

A figura moderna do arquiteto

A forma urbis se torna realidade mediante a arquitetura, mediante a construção da cidade. Mas o tradicional conceito desta como obra coletiva entra em crise no Renascimento, iniciando o princípio da criação artística como a obra de um autor. Assim nasce a figura do arquiteto como artista.

Se o fator temporal tão ligado ao Ocidente nos faz questionar, estando em frente de uma obra arquitetônica, “De quando é?”, a partir deste momento nos perguntaremos também “De quem é?”, e a importância do fator pessoal que atribuímos à resposta nos fará valorizar a obra em questão.

A arquitetura se insere no movimento humanista de revisão da herança recebida da Idade Média. Nela, o mestre de obras era, em geral, um artesão que estava em estreito contato com suas obras.

Somente pouco a pouco ele começou a se distanciar delas, assumindo sua posição de artesão-arquiteto e deixando as questões práticas da estrutura, de custo e o processo construtivo ao engenheiro, ao pedreiro e ao empreiteiro. A este mestre de obras, pertencente a um grupo ou corporação de ofício, sucede o arquiteto, figura individual que se encarrega de projetar e desenhar a imagem do edifício, enquanto ao construtor somente cabe a execução das obras definidas em seu projeto. O primeiro possui a ciência e se apropria da teoria, diferenciando-a da prática.

 

Capítulo 16 - A Linguagem Clássica nos Séculos XV e XVI

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A Linguagem Clássica nos Séculos XV e XVI

O classicismo e a interpretação vasariana da história

A memória do mundo clássico não chegou a se extinguir durante a

Idade Média. Na aurora da Idade Moderna, essa memória já é um amor que não demora em se converter em culto. Os deuses pagãos penetram no interior dos palácios e alternam a decoração das catedrais com os santos. No fervor desse entusiasmo, a arte europeia se esforça para imitar os modelos clássicos. Arquitetos, escultores e pintores acreditam que em suas obras renasce a arte daquelas ruínas romanas tão admiradas. Mas, na realidade, eles produzem uma arte nova e original.

A Idade do Humanismo volta a empregar os elementos construtivos e decorativos clássicos, mas com uma liberdade e certas preferências que levam à reformulação da gramática da Antiguidade como disciplina universal. Afinal, nunca será intenção do Renascimento copiar abertamente os edifícios antigos; o que se propõe

 

Capítulo 17 - Escalas e Cenografias Barrocas

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Escalas e

Cenografias Barrocas

Michelangelo e o problema da escala

A escala dos deuses e a escala da casa do homem, a escala do móvel e a escala da cidade permitem estabelecer arquétipos de significação muito diferentes, onde a escala entra como dado para definir a qualidade e identidade do modelo imaginado e caracterizar sua arquitetura, através da correspondência entre as partes que o compõem e suas métricas respectivas.

De qualquer maneira, a escala humana envolve uma concepção especial do mundo; e analogamente o faz a escala monumental.

Por isso, no passado, algumas épocas e suas respectivas arquiteturas eram antropomórficas ou humanas, e outras eram hierárquicas e monumentais. Eram dois termos opostos de uma dialética sem conexão possível.

Porém, na Idade do Humanismo, as coisas começam a mudar, de forma que em certas ocasiões podem ser reconhecidas diferentes escalas em um mesmo edifício, como nas partes do Escorial, ou na comparação anterior entre São Pedro de Montorio e São Pedro do Vaticano.

 

Capítulo 18 - A Cidade Barroca

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A Cidade Barroca

Arquitetura e cidade

A arquitetura barroca é um grande cenário urbano que faz dialogar entre si todas as edificações e transfere as experiências das obras maiores às obras menores, em uma passagem gradual da arquitetura da cidade à arquitetura das edificações.

Se o século XIII havia estruturado a realidade urbana e territorial europeia, os séculos barrocos irão edificá-la: vão construir e dar forma a suas cidades, até nos legar, ao final do período, a imagem definitiva e consolidada da cidade histórica. Mantendo, na maioria das vezes, a estrutura territorial, o traçado urbano e os lotes preexistentes como permanências, pode-se dizer que toda a Europa renova sua edificação nos séculos XVII e XVIII de uma forma mais ou menos ligada ao barroco.

O barroco difunde e generaliza os princípios ideais do urbanismo renascentista, com certo caráter cenográfico, sacro e profano. A arquitetura, entendida como uma obra total, como um grande projeto que se torna realidade no tempo, antes concentrada nas igrejas e palácios, agora amplia seu domínio. A extensa lista de construções religiosas mantém um forte componente eclesial nas cidades; contudo, ao longo do período barroco começa um importante desenvolvimento da arquitetura secular, promotora tanto de novos edifícios de utilidade pública como de uma arquitetura residencial que estende capilarmente os conceitos e as formas barrocas.

 

Capítulo 19 - Revisão e Ruptura com o Classicismo

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Revisão e Ruptura com o Classicismo

Revolução social e revolução científica

O início da Revolução Francesa em 1789 normalmente separa a

Idade do Humanismo da Idade Contemporânea. Essa revolução de caráter político tem como antecedentes a revolução social e cultural representada pela ideologia do Iluminismo, difundida pelos pensadores do século XVIII e pela Enciclopédia (1751-1772).

Influenciada por ideais enciclopedistas, a burguesia desejava uma reforma econômica e política que se via freada pelas rígidas estruturas sociais do ancien régime. Seus anseios renovadores tiveram como marco ideal a revolução industrial surgida na segunda metade do século XVIII quando, ao se reduzirem as transações com as colônias – base do enriquecimento burguês desde o século XVI –, os empresários se sentiram impelidos a investir em novas atividades industriais e capitalistas.

A independência norte-americana (1775-1783), a Revolução

Francesa de 1789, as revoluções espanholas a partir de 1812 e a emancipação ibero-americana (1810-1824) são todas partes de um mesmo fenômeno geral: de uma mesma revolução social que acarreta o fim dos antigos regimes e põe em manifesto uma aceleração social que será incrementada ao longo do século XIX.

 

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