Compêndio de Psiquiatria - 11.ed.

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Compêndio de psiquiatria, recurso fundamental para a formação e a atualização nas áreas relacionadas à saúde mental, chega à sua 11a edição totalmente atualizado. Entre outros destaques, inclui novos casos que auxiliam na compreensão dos conteúdos abordados, critérios diagnósticos do DSM-5, além de capítulos ampliados sobre psicofarmacologia e psiquiatria da infância.

37 capítulos

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Capítulo 1: Ciências neurais

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Ciências neurais

䉱 1.1 Introdução

O cérebro humano é responsável por nossos processos cognitivos, emoções e comportamentos – ou seja, tudo o que pensamos, sentimos e fazemos. Embora o desenvolvimento inicial e o funcionamento do cérebro adulto sejam moldados por inúmeros fatores (p. ex., epigenéticos, ambientais e experiências psicossociais), ele é o integrador final dessas influências. Apesar dos muitos avanços nas ciências neurais ao longo das últimas décadas, incluindo a “década do cérebro”, nos anos de 1990, e da ampla aceitação do cérebro como substrato biológico para funções mentais normais e anormais, não houve um avanço transformacional verdadeiro no tratamento de transtornos mentais por mais de meio século. A razão mais óbvia para a ausência de mais progresso é a profunda complexidade do cérebro humano. Uma razão talvez menos óbvia é a prática atual do diagnóstico psiquiátrico, que, para a maioria dos médicos, é fundamentado em sistemas de classificação baseados em síndromes.

 

Capítulo 2: Contribuições das ciências psicossociais

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Contribuições das ciências psicossociais

䉱 2.1 Jean Piaget e o desenvolvimento cognitivo

Jean Piaget (1896-1980) é considerado um dos maiores pensadores do século XX. Suas contribuições para o entendimento do desenvolvimento cognitivo tiveram uma influência paradigmática na psicologia do desenvolvimento e implicações importantes para as intervenções com crianças, tanto educacionais como clínicas.

Piaget nasceu em Neuchatel, na Suíça, onde estudou e concluiu o doutorado em biologia aos 22 anos de idade (Fig. 2.1.1).

Interessando-se por psicologia, estudou e realizou pesquisas em diversos centros, incluindo Sorbonne, em Paris, e trabalhou com Eugen Bleuler no Hospital Psiquiátrico de Burghöltzli.

Piaget criou um sistema teórico amplo para o desenvolvimento das habilidades cognitivas; nesse sentido, seu trabalho foi semelhante ao de Sigmund Freud, enfatizando, porém, a maneira como as crianças pensam e adquirem conhecimento.

Amplamente renomado como psicólogo infantil (ou do desenvolvimento), referia-se a si mesmo como um epistemologista genético que definia a epistemologia genética como o estudo do desenvolvimento do pensamento abstrato com base em um substrato biológico ou inato. Essa autodesignação revela que seu projeto central era mais do que a articulação de uma psicologia de desenvolvimento infantil, como esse termo costuma ser compreendido, mas uma narrativa do desenvolvimento progressivo do conhecimento humano.

 

Capítulo 3: Contribuições das ciências socioculturais

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Contribuições das ciências socioculturais

䉱 3.1 Sociobiologia e etologia

SOCIOBIOLOGIA

O termo sociobiologia foi criado em 1975 por Edward Osborne

Wilson, um biólogo norte-americano cujo livro, Sociobiology, enfatizou o papel da evolução para moldar o comportamento. Sociobiologia é o estudo do comportamento humano com base na transmissão e modificação de traços comportamentais de influência genética.

Ela explora a questão última de por que comportamentos ou outros fenótipos específicos vieram a existir.

EVOLUÇÃO

É descrita como qualquer mudança na constituição genética de uma população. É o paradigma fundamental do qual surge toda a biologia. Ela une etologia, biologia populacional, ecologia, antropologia, teoria dos jogos e genética. Charles Darwin (1809-1882) postulou que a seleção natural opera por meio de reprodução diferencial, em um ambiente competitivo, pela qual certos indivíduos são mais bem-sucedidos do que outros. Visto que as diferenças entre os indivíduos são pelo menos um tanto hereditárias, qualquer vantagem comparativa resultará em uma redistribuição gradual de traços em gerações sucessivas, de modo que as características favorecidas serão representadas em maior proporção ao longo do tempo. Na terminologia de Darwin, aptidão significava sucesso reprodutivo.

 

Capítulo 4: Teorias da personalidade e psicopatologia

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Teorias da personalidade e psicopatologia

䉱 4.1 Sigmund Freud: fundador da psicanálise clássica

A psicanálise foi fruto do gênio de Sigmund Freud. Ele colocou sua marca nela desde o princípio, e pode-se afirmar razoavelmente que, embora a ciência e a teoria da psicanálise tenham evoluído muito além de Freud, sua influência ainda é forte e onipresente. Ao relatar os estágios progressivos na evolução das origens do pensamento psicanalítico de Freud, não se deve esquecer de que o próprio Freud estava trabalhando no contexto de seu próprio treinamento e conhecimento da neurologia e do pensamento científico de sua época.

A ciência da psicanálise é o alicerce do entendimento psicodinâmico e forma a estrutura de referência teórica fundamental para uma variedade de intervenções terapêuticas, compreendendo não apenas a própria psicanálise, mas várias formas de psicoterapia de orientação psicanalítica e formas relacionadas de terapia que empregam conceitos psicodinâmicos. Atualmente, tem havido um considerável interesse nos esforços para relacionar o entendimento psicanalítico do comportamento humano e da experiência emocional com os achados que surgem da pesquisa neurocientífica. Por consequência, uma compreensão informada e clara das facetas fundamentais da teoria e da orientação psicanalítica é essencial para o entendimento dos estudantes de um segmento grande e significativo do pensamento psiquiátrico atual.

 

Capítulo 5: Exame e diagnóstico do paciente psiquiátrico

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Exame e diagnóstico do paciente psiquiátrico

� 5.1 Entrevista psiquiátrica, história e exame do estado mental

A entrevista psiquiátrica é o elemento mais importante na avaliação e no tratamento de pessoas com doença mental. A finalidade principal dessa entrevista inicial é obter informações que irão estabelecer um diagnóstico com base em critérios. Esse processo, útil na previsão do curso da doença e de seu prognóstico, leva a decisões de tratamento. Uma entrevista psiquiátrica bem conduzida resulta em uma compreensão multidimensional dos elementos biopsicossociais do transtorno e fornece as informações necessárias para que o psiquiatra, com a colaboração do paciente, desenvolva um plano de tratamento centrado na pessoa.

Igualmente importante, a própria entrevista é, com frequência, uma parte essencial do processo de tratamento. Desde os primeiros momentos do encontro, a entrevista molda a natureza do relacionamento entre o paciente e o médico, que pode ter influência profunda no resultado do tratamento. Os cenários em que a entrevista psiquiátrica ocorre incluem unidades de internação psiquiátricas, unidades de internação não psiquiátricas, prontos-socorros, consultórios e ambulatórios, casas de repouso, outros programas residenciais e instituições correcionais. A duração da entrevista e seu foco irão variar de acordo com o local, o propósito específico da entrevista e outros fatores (incluindo demandas concorrentes simultâneas por serviços profissionais).

 

Capítulo 6: Classificação em psiquiatria

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Classificação em psiquiatria

Classificação é o processo pelo qual a complexidade dos fenômenos é reduzida por meio de sua organização em categorias de acordo com alguns critérios estabelecidos para um ou mais propósitos.

Atualmente, a classificação de transtornos mentais consiste em transtornos mentais específicos que são agrupados em várias classes com base em algumas características fenomenológicas compartilhadas. O objetivo final da classificação é melhorar os esforços de tratamento e prevenção. De maneira ideal, uma classificação de transtornos é baseada no conhecimento da etiologia ou da fisiopatologia porque isso aumenta a probabilidade de alcançar esse objetivo. Porém, os neurocientistas ainda não produziram dados suficientes para criar um sistema diagnóstico com biomarcadores que possibilitem aos diagnósticos psiquiátricos terem por base mais as causas do que os sintomas. Em vez disso, o diagnóstico de transtornos mentais é embasado em observações clínicas de agrupamentos de sinais e sintomas reunidos em transtornos ou síndromes que são, então, acordados por um consenso de psiquiatras e de outros profissionais da saúde mental.

 

Capítulo 7: Transtornos do espectro da esquizofrenia e outros transtornos psicóticos

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Transtornos do espectro da esquizofrenia e outros transtornos psicóticos

䉱 7.1 Esquizofrenia

Embora seja discutida como se fosse uma única doença, a esquizofrenia engloba um grupo de transtornos com etiologias heterogêneas e inclui pacientes com apresentações clínicas, resposta ao tratamento e cursos da doença variáveis. Os sinais e sintomas variam e incluem alterações na percepção, na emoção, na cognição, no pensamento e no comportamento. A expressão dessas manifestações varia entre os pacientes e ao longo do tempo, mas o efeito da doença

é sempre grave e geralmente de longa duração. O transtorno costuma começar antes dos 25 anos, persiste durante toda a vida e afeta pessoas de todas as classes sociais. Tanto os pacientes como suas famílias muitas vezes sofrem de cuidados deficientes e ostracismo social devido a ignorância sobre o transtorno. A esquizofrenia é um dos mais comuns dos transtornos mentais graves, mas sua natureza essencial ainda não foi esclarecida; portanto, às vezes, ela é referida como uma síndrome, como o grupo de esquizofrenias ou, como na quinta edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-5), o espectro da esquizofrenia. Os médicos devem entender que o diagnóstico de esquizofrenia tem base inteiramente na história psiquiátrica e no exame do estado mental. Não existe um exame laboratorial para esse transtorno.

 

Capítulo 8: Transtornos do humor

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Transtornos do humor

䉱 8.1 Depressão maior e transtorno bipolar

O humor pode ser definido como uma emoção ou um tom de sentimento difuso e persistente que influencia o comportamento de uma pessoa e colore sua percepção de ser no mundo. Os transtornos do humor – às vezes chamados de transtornos afetivos – constituem uma categoria importante de doença psiquiátrica, consistindo em transtorno depressivo, transtorno bipolar e outros transtornos, os quais são discutidos nesta seção e na seguinte.

Diversos adjetivos são usados para descrever o humor: deprimido, triste, vazio, melancólico, angustiado, irritável, desconsolado, excitado, eufórico, maníaco, jubiloso e muitos outros, todos de natureza descritiva. Alguns podem ser observados pelo médico

(p. ex., um rosto infeliz), e outros podem ser sentidos apenas pelo paciente (p. ex., desesperança). O humor pode ser lábil, flutuar ou alternar rapidamente entre os extremos (p. ex., rindo alto e de modo expansivo em um momento, choroso e desesperado no seguinte). Outros sinais e sintomas de transtorno do humor incluem mudanças no nível de atividade, nas capacidades cognitivas, na fala e nas funções vegetativas (p. ex., sono, apetite, atividade sexual e outros ritmos biológicos). Esses transtornos quase sempre resultam em comprometimento do funcionamento interpessoal, social e ocupacional.

 

Capítulo 9: Transtornos de ansiedade

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Transtornos de ansiedade

� 9.1 Visão geral

A ansiedade representa um fenômeno fundamental em torno do qual diversas teorias psiquiátricas foram organizadas. Portanto, o termo

“ansiedade” tem desempenhado um papel central na teoria psicodinâmica, bem como na pesquisa focada na neurociência e em várias escolas de pensamento fortemente influenciadas pelos princípios cognitivo-comportamentais. Os transtornos de ansiedade estão associados com morbidade significativa e com frequência são crônicos e resistentes a tratamento. Eles podem ser vistos como uma família de transtornos mentais relacionados, mas distintos, que inclui (1) transtorno de pânico, (2) agorafobia, (3) fobia específica, (4) transtorno de ansiedade social ou fobia e (5) transtorno de ansiedade generalizada. Cada um desses transtornos é discutido em detalhe nas seções que seguem.

Um aspecto fascinante dos transtornos de ansiedade é a extraordinária interação entre fatores genéticos e experiência. Existe pouca dúvida de que genes anormais predispõem a estados de ansiedade patológica; entretanto, as evidências indicam com clareza que acontecimentos de vida traumáticos e estresse também são etiologicamente importantes. Assim, o estudo desses transtornos apresenta uma oportunidade única de entender a relação entre natureza e criação na etiologia dos transtornos mentais.

 

Capítulo 10: Transtorno obsessivo-compulsivo e transtornos relacionados

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Transtorno obsessivo-compulsivo e transtornos relacionados

� 10.1 Transtorno obsessivo-compulsivo

O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é representado por um grupo diverso de sintomas que incluem pensamentos intrusivos, rituais, preocupações e compulsões. Essas obsessões ou compulsões recorrentes causam sofrimento grave à pessoa. Elas consomem tempo e interferem significativamente em sua rotina normal, em seu funcionamento ocupacional, em atividades sociais ou nos relacionamentos. Um indivíduo com TOC pode ter uma obsessão, uma compulsão ou ambos.

Uma obsessão é um pensamento, um sentimento, uma ideia ou uma sensação recorrentes ou intrusivos. Diferentemente de uma obsessão, que é um evento mental, uma compulsão é um comportamento. De forma específica, uma compulsão é um comportamento consciente, padronizado e recorrente, como contar, verificar ou evitar. Um indivíduo com TOC percebe a irracionalidade da obsessão e sente que tanto ela quanto a compulsão são egodistônicas (i.e., comportamentos indesejados).

 

Capítulo 11: Transtornos relacionados a trauma e a estressores

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Transtornos relacionados a trauma e a estressores

䉱 11.1 Transtorno de estresse pós-traumático e transtorno de estresse agudo

O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e o transtorno de estresse agudo são marcados por aumento do estresse e da ansiedade após exposição a um evento traumático ou estressante. Esses eventos podem incluir ser testemunha ou estar envolvido em um acidente ou crime violento, combate militar ou agressão, ser sequestrado, estar envolvido em um desastre natural, ser diagnosticado com uma doença com risco de morte ou vivenciar abuso físico ou sexual sistemáticos. A pessoa reage à experiência com medo e impotência, revive persistentemente o acontecido e tenta evitar lembrar-se dele.

O evento pode ser revivido em sonhos e em pensamentos ao quando desperto (flashbacks).

Os estressores que causam transtorno de estresse agudo e

TEPT são suficientemente devastadores para afetar quase todas as pessoas. Eles podem surgir de experiências na guerra, tortura (discutida em detalhes a seguir), catástrofes naturais, agressão, estupro e acidentes graves, como, por exemplo, em carros e em edifícios em chamas. As pessoas revivenciam o evento traumático em seus sonhos e em seus pensamentos diários; são persistentes em evitar qualquer coisa que o traga à mente e experimentam um entorpecimento da responsividade junto com um estado de hipervigilância.

 

Capítulo 12: Transtornos dissociativos

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Transtornos dissociativos

Em psiquiatria, a dissociação é definida como um mecanismo de defesa inconsciente envolvendo a segregação de qualquer grupo de processos mentais ou comportamentais do resto da atividade psíquica da pessoa. Os transtornos dissociativos envolvem esse mecanismo de modo que haja uma interrupção em uma ou mais funções mentais, tais como memória, identidade, percepção, consciência ou comportamento motor. O transtorno pode ser repentino ou gradual, transitório ou crônico, e os sinais e sintomas costumam ser causados por trauma psicológico.

A amnésia gerada por conflito intrapsíquico é codificada diferentemente daquela gerada por uma condição médica, como a encefalite.

No último caso, de acordo com a quinta edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-5), um diagnóstico de transtorno neurocognitivo devido a uma condição médica seria feito; no entanto, no primeiro caso, o diagnóstico seria de amnésia dissociativa. (Veja a

 

Capítulo 13: Medicina psicossomática

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Medicina psicossomática

� 13.1 Introdução e visão geral

A medicina psicossomática tem sido uma área de interesse no campo da psiquiatria há mais de 50 anos. O termo psicossomático é derivado das palavras gregas psique (alma) e soma (corpo). O termo refere-se literalmente a como a mente afeta o corpo. É lamentável que esse termo venha sendo usado, pelo menos pelo público leigo, para descrever um indivíduo com queixas médicas que não têm causa física e estão “apenas em sua cabeça”. Em parte devido a essa conceituação equivocada, em 1980, o Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM), da American Psychiatric Association, suprimiu o termo “transtornos psicofisiológicos” (ou psicossomáticos) e o substituiu por “fatores psicológicos que afetam as condições físicas”

(veja a Seção 13.5), e o termo não reapareceu em edições posteriores, incluindo a edição mais recente (DSM-5). No entanto, ele continua a ser usado por pesquisadores e é encontrado nos títulos dos principais periódicos da área (p. ex., Psychosomatic Medicine, Psychosomatics e Journal of Psychosomatic Research). Também é usado pelas principais organizações norte-americanas da área (Academy of

 

Capítulo 14: Síndrome da fadiga crônica e fibromialgia

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Síndrome da fadiga crônica e fibromialgia

SÍNDROME DA FADIGA CRÔNICA

A síndrome da fadiga crônica (SFC) (chamada de encefalomielite miálgica no Reino Unido e no Canadá) é caracterizada por seis meses ou mais de fadiga grave e debilitante, frequentemente acompanhada de mialgia, dores de cabeça, faringite, febre baixa, reclamações cognitivas, sintomas gastrintestinais e nódulos linfáticos frágeis. Continua a busca por uma causa infecciosa para essa síndrome, devido à alta porcentagem de pacientes que relatam início repentino após doença grave tipo gripe.

A síndrome da fadiga crônica debilitante tem sido uma importante síndrome clínica para a psiquiatria e a neurologia desde o período pós-Guerra de Secessão, no século XIX. Nessa época, a condição era conhecida como neurastenia ou astenia neurocirculatória. A frequência do transtorno diminuiu em meados do século XX, mas ele reapareceu nos Estados

Unidos na década de 1980. Em 1988, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) definiram critérios diagnósticos específicos para a SFC. O transtorno é citado na Classificação internacional de doenças e problemas relacionados à saúde, 10ª edição (CID-10), como uma condição mal definida de etiologia desconhecida sob o título “Mal-estar e Fadiga”, sendo subdividida em astenia e deficiência não especificada.

 

Capítulo 15: Transtornos alimentares

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Transtornos alimentares

� 15.1 Anorexia nervosa

A expressão anorexia nervosa é derivada do termo grego para “perda do apetite” e de uma palavra latina implicando origem nervosa.

A anorexia nervosa é uma síndrome caracterizada por três critérios essenciais. O primeiro é uma inanição autoinduzida até um grau significativo – um comportamento. O segundo é uma busca incessante por magreza ou um medo mórbido de engordar– uma psicopatologia. O terceiro critério é a presença de sinais e sintomas resultantes da inanição – uma sintomatologia fisiológica. Essa síndrome, com frequência, mas nem sempre, está associada a distúrbios da imagem corporal, à percepção do indivíduo de que ele é angustiantemente grande apesar da inanição médica óbvia. A distorção da imagem corporal é perturbadora quando presente, mas não patognomônica, invariável ou necessária para o diagnóstico. Existem dois subtipos de anorexia nervosa: restritiva e compulsão alimentar purgativa.

O tema em ambos é a ênfase altamente desproporcional colocada na magreza como uma fonte vital, às vezes a única fonte, de autoestima, sendo o peso e, até certo ponto, a forma física transformados na preocupação principal e desgastante que toma conta dos pensamentos, humor e comportamentos durante o dia inteiro.

 

Capítulo 16: Sono normal e transtornos do sono-vigília

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Sono normal e transtornos do sono-vigília

� 16.1 Sono normal

O sono é um dos comportamentos humanos mais significativos, ocupando aproximadamente um terço da vida. Trata-se de um comportamento universal demonstrado em toda espécie animal estudada, de insetos a mamíferos. É um processo que o cérebro requer para um funcionamento adequado. Privação prolongada do sono leva a prejuízos físicos e cognitivos graves, podendo levar à morte. Ele pode parecer um processo passivo, mas costuma estar associado com alto grau de ativação cerebral. Existem diversos tipos distintos de sono que diferem quantitativa e qualitativamente. Cada tipo tem características únicas, importância funcional e mecanismos regulatórios. Privar uma pessoa seletivamente de um tipo específico de sono produz rebote compensatório quando o indivíduo pode dormir à vontade. O sono é relevante sobretudo para a psiquiatria, visto que perturbações do sono podem ocorrer em praticamente todas as doenças psiquiátricas e costumam fazer parte dos critérios diagnósticos para transtornos específicos.

 

Capítulo 17: Sexualidade humana e disfunções sexuais

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Sexualidade humana e disfunções sexuais

� 17.1 Sexualidade normal

A sexualidade sempre foi uma área de interesse para a comunidade médica. Na Era Clássica, Hipócrates se referiu ao clitóris como o local da excitação sexual feminina, o primeiro médico, com registros históricos, que fez essa avaliação. Na Idade Média, os médicos islâmicos recomendavam o coito interrompido como uma forma de controle da natalidade. No fim da Renascença e início da Reforma

Protestante, foi desenvolvido um envoltório de linho como preservativo, não para o controle da natalidade, mas como proteção contra a sífilis. Durante a Era Vitoriana, sexólogos como Havelock Ellis

(Fig. 17.1-1) e Richard von Krafft-Ebing (Fig. 17.1-2) apresentaram perspectivas divergentes sobre o comportamento sexual. Durante aquele mesmo período, Sigmund Freud desenvolveu suas teorias inovadoras sobre a libido, a sexualidade infantil e os efeitos do impulso sexual no comportamento humano. Na Era Moderna, as pesquisas de Alfred Kinsey, o trabalho de William Masters e Virginia

 

Capítulo 18: Disforia de gênero

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Disforia de gênero

O termo “disforia de gênero” aparece como um diagnóstico pela primeira vez na quinta edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-5) para se referir àquelas pessoas com marcante incongruência entre seu gênero vivenciado ou expresso e aquele com o qual nasceram. Era conhecido como transtorno de identidade de gênero na edição anterior do DSM.

O termo “identidade de gênero” diz respeito à noção de que se tem de ser masculino ou feminino, que costuma corresponder ao sexo anatômico da pessoa. Pessoas com disforia de gênero expressam seu descontentamento com seu sexo como um desejo de ter o corpo do outro sexo ou de ser visto socialmente como uma pessoa do outro sexo.

Transgênero é um termo geral usado em referência àqueles que se identificam com um gênero diferente daquele com o qual nasceram

(às vezes chamado de gênero designado). As pessoas transgênero são um grupo diversificado: há aquelas que desejam ter o corpo do outro sexo, conhecidas como transexuais; aquelas que sentem que estão entre gêneros, ou são de ambos, ou de nenhum gênero, conhecidas como genderqueer; e aquelas que vestem roupas tradicionalmente associadas com o outro gênero, mas que mantêm a mesma identidade de gênero de seu gênero designado, conhecidas como crossdressers.

 

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