Adolescência em Cartaz

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Os autores de nossos best-sellers Fadas no divã e Psicanálise na Terra do Nunca abordam, neste novo livro, a adolescência. Partindo de exemplos retirados do cinema, tanto de filmes considerados clássicos, como Juventude transviada e Carrie, a estranha, quanto de sucesso atuais, como Juno e As vantagens de ser invisível, lançam um olhar psicanalítico sobre questões pertinentes a esse período da vida, como relação com pares e familiares, amor e sexualidade, violência, angústias, imagem corporal, entre outros.

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Adolescentes pioneiros

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Filme:

TEMAS:

A construção social da imagem do adolescente

Conflito de gerações

Abismo geracional da década de cinquenta

Simbolismo do automóvel

Velocidade como afirmação viril

Disputas letais de prestígio

Virgindade e iniciação sexual

Percepção do tempo na adolescência

DESEMBARCANDO EM UM MUNDO CONFLAGRADO

Seus cabelos estavam cortados quase até o couro cabeludo, com exceção de uma pequena tira no cocuruto da cabeça, puxada para baixo sobre a testa para formar uma franja. Assim o jornal britânico Daily Graphic descrevia um jovem infrator que estava sendo julgado. A imagem era esmiuçada em detalhes literários, em matéria que, além do corte de cabelo moicano, chamava a atenção para a vestimenta e a postura do jovem. Em suas atraentes narrativas sobre gangues juvenis, a imprensa ajudou a construir o estilo dos jovens delinquentes típicos de uma época turbulenta. Detalhe: estamos falando de 1898, século XIX, na Inglaterra.

 

Diga-me com quem andas

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FILME:

TEMAS:

Performances pré-pubertárias

Paixões fraternas

Complexo da lagosta

Angústia e pânico

Furar e cortar o corpo

Consumismo

Distúrbios alimentares

Na língua inglesa, aos treze, thirteen, nos tornamos teenagers, ou seja, adolescentes. Seguindo o vocabulário à risca, seremos teens até os dezenove anos, nineteen. Idades são parâmetros variáveis; nesse caso, porém, a idade se colou na palavra. Vamos nos ocupar de um filme norte-americano no qual uma garota entra de chofre em uma adolescência frenética e perigosa aos treze anos. Acompanhamos nessa história o ritmo sideral em que Tracy sucumbe aos clássicos problemas de comportamento que ameaçam as meninas. Essa passagem rápida, como um city tour pelos dilemas que podem surgir na adolescência das meninas, pode nos ajudar a pensar várias situações similares.

O filme chama-se, justamente, Aos treze (Thirteen). Foi dirigido por Catherine Hardwicke, com um roteiro dela mesma, parcialmente baseado na experiência pessoal de uma das protagonistas. A atriz Nikki Reed, na época da filmagem com quatorze anos, assina junto a autoria do roteiro, enfocando experiências muito recentes de sua própria vida. É claro que elas tomaram muitas liberdades literárias, mas acreditamos que a história traga tintas fortes das suas vivências, cuja elaboração deve ter-se beneficiado da experiência artística de escrever e atuar.

 

Tristeza que tem fim

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FILME:

TEMAS:

Dificuldades na socialização

Abuso

Puberdade

Angústia, crises de pânico

Comunicação virtual

O valor das amizades

Cultura como suporte

Internação de adolescentes

Olivro As vantagens de ser invisível foi lançado em 1999, quando seu autor, o norte-americano Stephen Chbosky, tinha vinte e nove anos. É um romance epistolar, construído a partir de cartas enviadas por Charlie, um garoto de dezesseis anos, a um destinatário anônimo, que acaba por ser o próprio leitor. A história é ambientada em Pittsburgh, no início dos anos noventa. O filme homônimo chegou às telas em 2012, roteirizado e dirigido pelo próprio Chbosky, com os papéis principais a cargo de um trio já consagrado de jovens atores: Logan Lerman, como Charlie; Emma Watson, como Sam; e Ezra Miller, como Patrick.

Ambos, livro e filme, tornaram-se um duradouro sucesso entre o público jovem, necessitado de um personagem sensível, frágil, mas consistente, capaz de gerar empatia. Sempre foram bem-vindos aqueles que mostram a dureza que é a entrada na adolescência propriamente dita, na qual, não bastando a confusão interna, é imprescindível tentar sobreviver à sociabilidade escolar, que assume enorme importância. Charlie não tinha problemas com a aprendizagem; era bom aluno, inteligente, capaz de ajudar até os mais velhos a estudar. Seu desafio era sair do isolamento e deixar de habitar um mundo de pensamentos obsessivos e fantasias. Não conseguia enfrentar a convivência cotidiana com outros adolescentes pois ruminava traumas e pensamentos obsessivos e sofria de inibições que consumiam toda sua energia. É claro que não se trata de uma decisão consciente, uma covardia explícita, mas apenas de um palpite de que precisava ficar quietinho e isolado.

 

O mochileiro romântico

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TEMAS:

A busca da autonomia

Herança como peso

A ingratidão dos filhos

Individualismo

Ascetismo contemporâneo

Idealização da natureza

Pensamento romântico

Certos grandes sucessos são fruto de um cruzamento feliz entre um bom livro e um bom filme. Nesse caso, foi o que aconteceu. Um ajudou o outro, e cada um tornou o outro mais conhecido. O livro Na natureza selvagem é do jornalista Jon Krakauer, que se apaixonou pela história do jovem aventureiro Christopher Johnson McCandless e a registrou em livro em 1996. Pessoalmente tocado pela história, por ter sido ele mesmo um ousado alpinista, Krakauer abre-se para outras experiências similares, incluindo as próprias, e questiona o sentido dessas perigosas jornadas. O filme homônimo, com roteiro e direção de Sean Penn (2007), baseou-se no livro, mas ficou centrado na vida e nas viagens de Christopher.

Este capítulo é uma exceção aos outros que desenvolvemos. Todos tratam de ficção, e aqui partimos de uma vida real, porém, a trajetória narrada está distante de ser a verdadeira vida de Chris, que deu origem ao livro. O autor confessa que ficou profundamente identificado com a história quando tomou contato com ela, como jornalista, e por isso mergulhou no passado de nosso infortunado herói. Ele nos conta a vida e os sonhos de McCandless, porém mesclando com algumas experiências suas e de outros jovens obcecados por desafiar a natureza, a solidão e a morte. Insiste que estava tão tomado pelo tema que uma visão desapaixonada seria impossível e que, ainda, preencheu lacunas do que não se sabia sobre o périplo de Chris com interpretações advindas de suas investigações e sentimentos. Apesar de o eixo ter sido a vida de Christopher McCandless, que rompeu com seu passado e caiu na estrada adotando o nome de Alex Supertramp, no texto de Krakauer, o narrador e o narrado, não raro, se confundem. O escritor encontra uma alma gêmea, não esconde isso, e a história passa a ser esse bom encontro.

 

A ópera da delinquência

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TEMAS:

Violência e virilidade

Agressão contra mulheres

Comportamento antissocial

O dialeto adolescente

Dificuldade na transmissão da experiência

Laranja mecânica é um livro de Anthony Burgess (1962), um filme de Stanley Kubrick (1971) e uma polêmica sem fim sobre as razões de seu sucesso. Como o filme traz imagens perturbadoras de violência gratuita, perpetradas por uma gangue de jovens, desde seu lançamento, colocou questões sobre o limite da arte. Discutia-se o quanto ela poderia, em vez de denunciar a violência, ser tomada como uma apologia dela.

A violência é um desconcerto teórico, especialmente quanto ao fascínio que pode causar. Na dúvida, passe os olhos sobre a quantidade de títulos que a incluem à disposição em qualquer catálogo de filmes, seriados ou games. Como todos os assuntos para os quais temos poucas ferramentas teóricas para dar conta, este acaba envolvido em querelas tolas como essa. É muito mais fácil encontrar suas causas na influência da mídia do que olhar com coragem para dentro de nós e ver como nossa agressividade é epidérmica e atinge principalmente os jovens, tanto por serem mais vulneráveis como por usá-la para expressar-se pelos mais variados motivos. Especialmente os pais estão interessadíssimos na tese de que a violência nasce da mídia, pois os livra da acusação de uma educação omissa quando perdem um filho para a marginalidade, ou quando seus filhos usam a violência como dialeto constante de suas reivindicações.

 

Inesperada concepção

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FILME:

TEMAS:

Gravidez na adolescência

Aborto

Maternidade e paternidade precoces

Juno não é uma garota fácil. Tem fama de estranha na escola, é impulsiva, rápida com as palavras, apaixonada por música e por um garoto tímido. O filme Juno (direção Jason Reitman, 2007), protagonizado por Ellen Page, em um papel que lhe rendeu indicação ao Oscar de melhor atriz, é a história de uma gestação adolescente. Começa com o teste de gravidez e termina imediatamente após o parto. Tudo gira em torno do que fazer com uma barriga que invadiu a cena em momento inoportuno e pede um destino.

O filme tem uma leveza que esse tema não costuma ter, mas que talvez seja necessária para tratar de algo tão espinhoso, que dá rumos bruscos e inesperados para tantos adolescentes e está no topo das principais preocupações de seus pais.

Adolescentes aprontam, fazem burradas, más escolhas, tomam desvios custosos, porém muitas dessas coisas tendem a ser reversíveis. Já um filho é um caminho sem volta; temos um novo personagem em cena, e é preciso fazer algo a respeito.

 

Morrer para viver

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FILME:

TEMAS:

Características do pensamento adolescente

Obsessão com a morte

Morbidez performática

Suicídio

Épreciso convencer um adolescente de que viver vale a pena. Isso não condiz com a primeira imagem que temos deles: pessoas no auge da beleza e da existência, desfrutando uma vitalidade de primavera. Os fatos não combinam com esses pressupostos: temos uma época delicada, na qual se flerta com a morte, seja de modo estético, lúdico, seja de modo filosófico, e, às vezes, alguns dão um passo a mais e tentam o suicídio. Ignorar a extensão desse problema pode nos levar ao descuido; já quando temos consciência dos riscos, o desafio é não infantilizar os adolescentes, impedindo que tenham suas experiências, ou não escutando as agudas questões sobre as quais precisam pensar. Falar com eles sobre o valor da vida e sobre o suicídio é para corajosos, porque todo adolescente é involuntariamente um filósofo, e o sentido da vida não é uma questão de fácil resposta.

 

Amor entre iguais

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FILME:

TEMAS:

Sair do armário

Amizades e amores

Confinamento em guetos

Exclusão da família

Identidade de gênero

Homossexualidade

Clémentine está em pleno desabrochar erótico. Aos quinze anos, sofre a pressão das amigas para fazer sua iniciação e partilhar com elas o relato da experiência. Ela não tem dificuldade em encontrar alguém: um garoto de sua escola se interessa por ela e é correspondido. Ele é delicado, atento ao despertar de seu corpo; sua estreia não teria por que ser problemática. Apesar desse provável bom começo, ela suspeita que algo diferente se desenha em sua vida.

Um simples encontro na rua deixa Clémentine em chamas. Após um momento fortuito, um cruzar de olhares com uma garota de cabelo azul, os sonhos de conteúdo homossexual e as fantasias eróticas proliferam. O desejo por outras meninas se torna evidente, levando-a a suspeitar de que não terá o destino que dela se espera. Este é o ponto em que este capítulo vai se centrar: no surgimento de desejos sexuais que o adolescente supõe serem socialmente condenáveis. Admitir a própria excitação já é difícil, e, quando ela indica caminhos que levarão à discriminação, a preconceitos e à marginalidade, todo cuidado é pouco.

 

A droga ou a vida

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FILME:

TEMAS:

Drogas e consumo

O dever da felicidade

Toxicomania nas vidas sem sentido

Abstinência e combate à adição

Drogas legais e ilegais

Existe, de fato, uma dimensão de escolha na droga? Ela nos escraviza com sua tentação irrecusável, ou os humanos teriam em relação a ela uma opção ética, reveladora de seu valor e força de vontade? É assim que começa o filme Trainspotting.

Na cena de abertura, Renton, o personagem principal, foge da polícia enquanto somos introduzidos a seus pensamentos, e ele filosofa sobre nosso destino medíocre, servil aos horizontes de uma sociedade de consumo:

Escolha uma vida. Escolha um emprego. Escolha uma carreira – escolha uma família! Escolha a porra de uma TV enorme! Escolha uma máquina de lavar, carros, discman, abridor de latas elétrico. Escolha uma boa saúde, baixo colesterol, plano de saúde dentária. Escolha uma hipoteca a bons juros. Escolha uma casa. Escolha seus amigos. Escolha roupas confortáveis, malas que combinem. Escolha um maldito terno de aluguel. Escolha uma punheta num domingo de manhã pensando nessa vida de merda. Escolha sentar no sofá para ficar vendo programas de auditório imbecis, socando um monte de lixo para dentro. Escolha, no fim, acabar apodrecendo num lar miserável, com nada além da vergonha de seus fedelhos fudidos e malcriados que você gerou para te substituir. Escolha o seu futuro. Escolha a vida.

 

Treze razões para nunca crescer

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SÉRIE:

TEMAS:

Risco de suicídio

Visibilidade e prestígio entre os pares

Adolescência e estados limítrofes

Bullying e mal-estar na escola

Abusos sofridos pelas adolescentes

A HISTÓRIA DE HANNAH E SUAS REPERCUSSÕES

Um encontro bem-sucedido entre a indústria de entretenimento e seu público acendeu o alarme de pânico dos adultos: o temor de que seus adolescentes se suicidassem. 13 Reasons Why, um seriado de treze capítulos, chegou às telas caseiras dez anos depois do livro que lhe deu origem: Os 13 porquês, de Jay Ascher, lançado em 2007. Produzida e exibida pela Netflix, a série conta a história do suicídio de Hannah Baker, uma garota norte-americana de classe média. Rapidamente os jovens jogaram-se em maratonas para assisti-lo, enquanto seus pais e parte da mídia lhe atribuíam o poder de ser uma espécie de Flautista de Hamelin, cuja melodia levaria os jovens a jogar-se de um precipício como os ratos daquele conto.

 

A bailarina que cai

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FILME:

TEMAS:

Loucura na adolescência

Identificações alucinadas

Fragilidade da imagem corporal

Ferimentos autoinfligidos

Delírios e risco de suicídio

Nina, nossa personagem, é esquiva e delicada. Seus olhos de animalzinho acuado contrastam com a musculatura apurada de um corpo capaz de realizar os movimentos árduos e precisos exigidos de uma bailarina clássica. O filme Cisne negro (Black Swan), dirigido por Darren Aronofsky, lançado em 2010, deu a Natalie Portman todos os maiores prêmios de melhor atriz do ano seguinte. O papel revelou a mestria da intérprete em retratar o processo de enlouquecimento de uma jovem cujo corpo domado, capaz de alta eficiência, contrastava com uma frágil constituição psíquica.

Sua história se entrelaça com o honroso convite para dançar como solista do O lago dos cisnes. O papel principal era óbvio motivo de cobiça para todas as bailarinas do elenco. Embora muito bem treinada para os passos, giros e piruetas do palco, Nina não tinha o mesmo preparo para a visibilidade e o sucesso. A oportunidade que ela, como todas, sempre esperou a fez cair em uma espiral de loucura que a levou à destruição.

 

Sem o luxo de adolescer

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FILME:

TEMAS:

Oportunidade para adolescer

Imposição do legado familiar

Existe um filme simples, mas duro, que mostra o avesso de uma das facetas mais valorizadas da adolescência: a liberdade para escolher um destino. Admiramos nos jovens seu supostamente infinito leque de opções, o fato de que eles ainda não escolheram o que serão. Idealizamos a aparente possibilidade de ser quem quiserem, constituir seus próprios valores, decidir se ficar ou partir, criar versões de sua origem, abandonar suas raízes. Ree, nossa personagem, não pode fazer nada disso. A palavra “luxo”, no título deste capítulo, é para lembrar que a adolescência, tal como hoje concebemos a juventude, não é o único caminho possível para crescer e que necessita de quem a banque.

Inverno da alma (Winter’s Bone, 2010), dirigido por Debra Granik, tem a atriz Jennifer Lawrence como Ree, em sua primeira grande interpretação. Por esse papel, a jovem atriz, de vinte anos na época, foi indicada ao Oscar e a outros prêmios cinematográficos daquele ano. Baseado no livro de Daniel Woodrell, Ossos do inverno (Ed. Martins Fontes, 2011), o filme conta a história da jornada de uma jovem em busca do pai, logo transformada na procura pelo corpo deste.

 

Primeira estação do amor

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TEMAS:

O primeiro amor

Construção da identidade de gênero

O preço da fantasia romântica

Perda e rompimentos dilacerantes

Acaso versus predestinação

Restos infantis no amor

Aadolescência é considerada a estação do amor, mais especificamente a primavera do ser humano, época do cio. Talvez devêssemos pensar o contrário: que seria o amor a chave do estado adolescente, independentemente da idade do apaixonado. De qualquer maneira, seja exercido, seja fantasiado, o amor é o espaço mais propício para elaborar tudo o que é imprescindível à formação de nossa identidade. Os primeiros são os amores de dentro de casa, paixões incestuosas, inaugurais, fundamentais e fabricantes da neurose. A partir da adolescência, chegam as experiências que vão colocar em jogo todo esse acervo de fantasias que sobreviveram ao fim da infância. As vivências que virão a partir daí também ajudam a lapidar nossa identidade, porque no amor estamos sempre aprendendo a ser.

 

Vampirizando a juventude dos filhos

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FILME:

TEMAS:

Silêncio, paralisia e deriva adolescentes

Inveja e a idealização da adolescência

Dilema da maturidade dos pais

Otítulo do filme em português, A primeira noite de um homem, entrega o enredo, mas entrega errado. O nome original, The Graduate, teria uma tradução mais próxima de “O recém-formado”, que talvez não atraísse tanto o público. De fato, o filme retrata o envolvimento sexual de um rapaz de vinte e um anos com uma bela e madura amiga de seus pais. Essa relação, mais de sexo do que de amor, é suficientemente lúbrica para atiçar fantasias e motivar os espectadores. Tornou-se a marca da obra, porém, de nenhuma forma é o que ela tem de melhor para nos oferecer.

Na verdade, o filme de 1967, dirigido por Mike Nichols, presta-se para falar da inveja que os adultos têm da juventude, especialmente da de seus filhos. A obra é extraordinariamente fiel ao livro homônimo de Charles Webb, ambos de rara sutileza e originalidade, pois as histórias sobre adolescentes que os precederam centravam-se nos clichês do desajuste e da marginalidade. O que temos aqui é um tratamento mais complexo do desânimo que pode abater um jovem, mesmo entre aqueles que estão longe de se considerar fracassados. Outra grande novidade desse filme é a abordagem do conflito de gerações com direito a acesso aos desejos velados dos pais. Até então, os conflitos, quando retratados, reduziam-se a abordar os problemas de limites dos adolescentes e as diferenças de valores entre as gerações.

 

A menarca assassina

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TEMAS:

Fantasias e simbolismo da menarca

Tensões pré-menstruais

Advento da fertilidade

Bruxaria e feminilidade

Vamos concordar que “estranho” mesmo é que ainda haja tanto apelo, no século XX, para uma obra que associa a chegada da menarca com bruxaria. Afinal, trata-se da história de uma jovem que, a partir do advento da menstruação, aprende a controlar seus poderes paranormais e, tendo sido ofendida, promove a destruição de sua cidade.

Nos dias atuais, as garotas passam sem maiores traumas pela sua primeira menstruação, são apoiadas pela família, e supõe-se que já estarão previamente informadas a respeito. Além disso, graças à evolução dos métodos contraceptivos, a confirmação da fertilidade não significa uma associação do sexo com a maternidade inevitável. Portanto, as perspectivas que se abrem para as mulheres estreantes são, hoje, menos ameaçadoras. Quando essa obra surgiu, nos anos setenta, já fazia mais de dez anos da descoberta e difusão da pílula anticoncepcional, e a revolução sexual dos anos sessenta já tinha deixado boas heranças mesmo entre os mais conservadores.

 

Sonhos roubados

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FILMES:

TEMAS:

Cooptação para o tráfico de drogas

Desvalorização do trabalho

Fascínio das armas

Rituais de passagem

Abuso e prostituição juvenil

Cultura da pedofilia

Violência contra mulheres

Adolescendo na adversidade

Há milhões de vidas que transcorrem na fronteira ou mesmo no interior da extrema pobreza. São crianças e jovens privados de incentivo e proteção, mas destinatários de todo tipo de preconceito. Para crescer nessas condições, meninos e meninas precisam enfrentar diferentes ciladas.

Quanto aos garotos, trabalharemos em torno do retrato daqueles a quem o Estado e a sociedade mais observam: os que sucumbiram à tentação da delinquência. Nessa atenção dedicada às avessas, combater e encarcerar esses jovens é a única ação cuja eficácia é socialmente reconhecida e conta com ampla simpatia popular.

No que diz respeito às meninas, sua trajetória acaba sempre associada ao corpo. As garotas de que nos ocupamos aqui enfrentam sistemáticos abusos, violência, maternidades precoces e, acuadas por esses traumas, muitas acabam transitando pela prostituição. Apesar disso, tentam ser adolescentes românticas, festeiras e livres.

 

Um mundo sem adultos

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TEMAS:

Suspensão temporária da vida

Comunidade adolescente

Simbolismo das praias

Maconha, uso e cultura

Viagem como modo de vida

Ofilme A praia, de 2000, dirigido por Danny Boyle, é baseado em um livro homônimo de Alex Garland, publicado em 1996. A história presta-se como uma parábola sobre a vontade adolescente de fundar um lugar livre de tudo que significa vida adulta. De algum modo, eles precisam tomar distância de seus pais e da herança civilizatória que receberam, que pode ser sentida como uma carga insuportável. Essa fantasia imagina como seria uma sociedade organizada por jovens, de acordo com valores comuns a sua geração. No caso dos nossos personagens, eles priorizaram a criação das próprias regras sociais, a simplicidade, os prazeres, a vida em contato com a natureza e a maconha como rito e combustível.

Trata-se da história de uma comunidade livre, alternativa, cujas peripécias nos fazem ver como um sonho de liberdade pode se transformar em um mundo tão duro quanto o nosso. Apesar disso, não é uma história pessimista, que desaconselhe que fantasiemos sobre outras formas de encarar a vida e que ridiculariza as críticas que uma geração faz ao modo como as anteriores dispuseram as coisas. Garland lançou esse livro com vinte e seis anos, provavelmente em um acerto de contas com o fim de sua adolescência. Ele nos mostra que a experiência do grupo fechado, em um lugar isolado, sempre oportuniza a expressão de impasses humanos, nesse caso, os tipicamente juvenis. Lembra, também, que uma geração precisa da outra: não existe harmonia possível em uma só ilha geracional.

 

Um mundo sem adolescentes

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TEMAS:

Evitação da adolescência

Infantilização dos filhos

Superproteção

Educação para o medo

Comportamento adolescente dos pais

Se existe uma hora adorável para os pais é aquele momento da noite em que seus pequenos ressonam tranquilos na proteção do lar. Mesmo que lá fora esteja escuro e perigoso, eles têm a sensação de que tudo está onde deveria e de que nenhum mal pode acontecer a sua prole. Quando os filhos se afastam, todas as fantasias de desgraças que os ameaçam se precipitam na mente dos progenitores. Só muda o conteúdo: receber um telefonema da escola com a notícia de uma doença, um ferimento, um constrangimento ou problema causado pelo filho; ser avisado de um acidente de trânsito; sofrer algum tipo de violência, sequestro ou abuso; estar sob más influências e ser preso; ou voltar para casa com ideias incompatíveis com o pensamento familiar.

Imagine se estivesse ao alcance dos pais a criação de um mundo totalmente controlado e protegido, onde as coisas ruins pudessem ser banidas e os filhos nunca precisassem sair de seu perímetro amoroso. Esse lugar é A vila (The Village), imaginado por M. Night Shyamalan, cineasta americano, no filme de 2004, protagonizado pelo quarteto Sigourney Weaver, William Hurt, Adrien Brody e Joaquin Phoenix.

 

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