Condutas em Psiquiatria: Consulta Rápida - 2.ed.

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Condutas em psiquiatria: consulta rápida chega à sua 2ª edição totalmente atualizado, contemplando os avanços ocorridos na área na última década. Com formato acessível e informações concisas, aborda temas como psicofarmacologia geral, interações farmacológicas e urgências em psiquiatria, bem como os tratamentos usados em condições especiais e em diferentes etapas da vida, constituindo-se em ferramenta indispensável para a prática psiquiátrica, tanto no ambiente hospitalar como no consultório.

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Capítulo 1. Princípios gerais da ação de psicofármacos

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CAPÍTULO 1

PRINCÍPIOS GERAIS DA

AÇÃO DE PSICOFÁRMACOS

CLARICE GORENSTEIN

TANIA MARCOURAKIS

Os psicofármacos distinguem-se de outros tipos de medicamentos por atua­ rem obrigatoriamente no sistema nervoso central (SNC). Isso implica a necessidade de que eles e/ou seus metabólitos atravessem uma barreira adicio­ nal – a barreira hematencefálica. Os princípios básicos que determinam os demais processos, ou seja, absorção, distribuição, biotransformação e excreção, são essencialmente os mesmos que para os demais fármacos (Fig. 1.1).

Alguns desses conceitos básicos de farmacologia serão brevemente revistos, com ênfase em sua aplicação na psicofarmacoterapia.

FARMACOCINÉTICA ►

ABSORÇÃO ► Todos os processos que ocorrem desde a administração de um

fár­maco até sua eliminação envolvem a passagem por meio de barreiras representadas pelas membranas celulares. A absorção refere-se à passagem do fármaco de seu sítio de aplicação para a corrente sanguínea.

 

Capítulo 2. Medicamentos que causam sintomas psiquiátricos

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CAPÍTULO 2

MEDICAMENTOS QUE

CAUSAM SINTOMAS

PSIQUIÁTRICOS

BRUNO PINATTI FERREIRA DE SOUZA

RENÉRIO FRÁGUAS

A associação entre medicamentos e sintomas psiquiátricos é bastante extensa. No entanto, a literatura relacionada a esse tema, de modo geral, apresenta limitações metodológicas importantes, sendo composta principalmente por relatos de caso e estudos observacionais.

Diante da suspeita de sintomas psiquiátricos induzidos por medicamentos, deve-se ter em mente não só o potencial do fármaco de induzir tais sintomas, mas também o potencial do quadro clínico e/ou psiquiátrico do paciente de ser o responsável pelos sintomas. Essa diferenciação nem sempre é ­simples.

Um exemplo clássico é o paciente com lúpus eritematoso sistêmico (LES) que recebe tratamento com corticoide: os sintomas psiquiátricos podem decorrer tanto do corticoide como do acometimento do sistema nervoso central

(SNC) pelo LES. Outro aspecto a ser considerado é a semelhança entre sinto­ mas psiquiátricos e sintomas de outras patologias. Como exemplo, pode-se citar a perturbação do sono decorrente de insuficiência cardíaca que é interpretada como insônia devida a algum medicamento. Tais sintomas também podem ser decorrentes de um transtorno psiquiátrico não diagnosticado previamente ou de fatores psicossociais. Por fim, vale lembrar que ansiedade, sintomas psicóticos, agitação, depressão ou mesmo delirium podem decorrer da interrupção de certos medicamentos, e não da introdução de um novo fármaco. Também é importante ter em mente que transtornos mentais estão associados à maior taxa de comorbidades clínicas, e, consequentemente, pacientes sob tais condições estão mais propensos a fazer uso de medicamentos fora do âmbito psiquiátrico.

 

Capítulo 3. Antipsicóticos

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CAPÍTULO 3

ANTIPSICÓTICOS

MARIO R. LOUZÃ

A descrição do efeito antipsicótico da clorpromazina feita por Delay e colabo­ radores1 revolucionou o tratamento dos quadros psicóticos, especialmente o da esquizofrenia. Alguns anos depois, em 1958, Divry e colaboradores2 publicaram os primeiros resultados do uso do haloperidol na agitação psicomotora. Surge, então, uma nova classe de medicamentos psicotrópicos, inicialmente denominada neurolépticos ou tranquilizantes maiores. Nos dias atuais, o termo utilizado de forma mais corrente para denominar esses medi­ ca­mentos é antipsicóticos.

CLASSIFICAÇÃO ►

Os antipsicóticos podem ser classificados segundo sua estrutura química (Quadro 3.1) ou seu mecanismo de ação (Quadro 3.2).

Os antipsicóticos sintetizados logo após a descoberta da clorpromazina, ao longo das décadas de 1950 a 1980, são denominados antipsicóticos tradicionais, típicos ou de primeira geração. Sua característica principal é o bloqueio intenso de receptores dopaminérgicos de tipo D2, o que a­ carreta os efeitos colaterais extrapiramidais e o aumento da prolactina sérica.

 

Capítulo 4. Antidepressivos

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CAPÍTULO 4

ANTIDEPRESSIVOS

RICARDO ALBERTO MORENO

FERNANDO FERNANDES

DORIS HUPFELD MORENO

A depressão tornou-se uma condição médica tratável farmacologicamente, tal qual doenças como o diabetes e a hipertensão arterial sistêmica, a partir da descoberta acidental das substâncias antidepressivas (iproniazida e imipramina) na década de 1950. Esses fármacos atuavam modificando o metabolismo das aminas biogênicas e aumentando a disponibilidade de neuro­ transmissores na fenda sináptica. A partir disso, estava lançada a base da teoria monoaminérgica da depressão.1 Nos últimos 60 anos, a psicofarmacologia da depressão evoluiu muito e rapidamente. Até a década de 1980, havia duas classes de antidepressivos, os tricíclicos (ADTs) e os inibidores da monoaminoxidase (IMAOs). Os ADTs apresentavam boa eficácia devido a sua ação de aumentar a biodisponibilidade de norepinefrina (NE) e serotoni­ na (5-HT) na fenda sináptica. Porém, sua ação não era seletiva, atuando em outros sistemas monoaminérgicos (histamina, acetilcolina [ACh], α1 e

 

Capítulo 5.1. Lítio

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5

ESTABILIZADORES DO HUMOR

5.1

LÍTIO

RICARDO ALBERTO MORENO

GIOVANI MISSIO

DORIS HUPFELD MORENO

O uso do lítio em psiquiatria data de meados do século XIX. Os primeiros trabalhos a respeito dessa substância foram esquecidos, e credita-se ao Dr.

John Cade sua reintrodução na psiquiatria, em 1949, para o tratamento da mania. Com essa indicação, o primeiro estudo controlado, randomizado, foi conduzido, em 1954, por Mogens Schou, que ficou curioso sobre seus efeitos na profilaxia da doença depressiva. Em 1970, os Estados Unidos se tornaram o 50º país a comercializá-lo. Nesse meio tempo, o interesse pelo lítio na profilaxia da depressão teve um rápido aumento, e hoje o medicamen­ to é amplamente prescrito para tal indicação, embora não seja aceito pela

Food and Drug Administration (FDA), órgão regulador norte-americano. O lítio sofreu ataques de grupos oponentes ao seu uso, do Maudsley Hospital de Londres, e seu status é atualmente ameaçado pelos chamados “outros medicamentos estabilizadores do humor”.1 Entre os fatores apontados como possíveis responsáveis pela diminuição no uso do lítio estão a necessidade de conhecimento do psiquiatra sobre o manejo do medicamento e a necessi­ dade de monitoração sérica e do perfil de tolerância aos efeitos adversos.

 

Capítulo 5.2. Anticonsulsivantes

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5.2

ANTICONVULSIVANTES

RICARDO ALBERTO MORENO

DIEGO FREITAS TAVARES

DORIS HUPFELD MORENO

Estabilizadores do humor são medicamentos utilizados no tratamento das fases agudas e de prevenção de recorrências do transtorno bipolar (TB) e que, além de melhorar os episódios agudos de mania/hipomania, depressão e mistos, não induzem ciclagem para o polo oposto ao que está sendo trata­ do e nem aceleram os ciclos. Além do lítio, que trata adequadamente boa parcela dos pacientes, alguns anticonvulsivantes também figuram entre os fármacos internacionalmente reconhecidos no tratamento do TB.1-4 Nos dias de hoje, o princípio que norteia a intervenção terapêutica é o de tratar o TB, independentemente da fase aguda atual, seja maníaca, seja hipomaníaca ou depressiva, com ou sem características mistas, visto que a doença é unitária e o uso de estabilizadores independentemente das fases controlaria a recorrência, que é um aspecto cardinal da psicopatologia. Isso implica um planejamento terapêutico amplo agudo e em longo prazo. Nesta seção, vamos abordar os anticonvulsivantes aprovados pela Food and Drug Administration5

 

Capítulo 5.3. Antipsicóticos

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5.3

ANTIPSICÓTICOS

RICARDO ALBERTO MORENO

DIEGO FREITAS TAVARES

DORIS HUPFELD MORENO

Os antipsicóticos de segunda geração (ASGs) são moléculas que se diferem dos antipsicóticos de primeira geração (APGs) pelo antagonismo simultâneo de receptores D2 e 5-HT2A, conferindo aos primeiros menor risco de efeitos extrapiramidais e maior ação em sintomas de cognição e humor.1 Os ASGs variam farmacologicamente entre si e apresentam diferentes perfis de a­ finida­de a receptores e de efeitos colaterais.2 A melhora dos sintomas positivos da esquizofrenia e dos sintomas maníacos está relacionada ao bloqueio de receptores

D2 nas vias do sistema nigroestriatal, que, por sua vez, se correla­cio­na com os efeitos colaterais extrapiramidais. Comparados ao protótipo dos APGs, o haloperidol, a maioria dos ASGs induz menos ciclagem para depressão depois de um episódio maníaco. Portanto, eles parecem s­ uperiores aos APGs como estabilizadores do humor no tratamento do transtorno bipolar (TB), além de serem úteis na potencialização antidepressiva na depressão resistente.3

 

Capítulo 6. Ansiolíticos e hipnóticos – benzodiazepínicos e não benzodiazepínicos

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CAPÍTULO 6

ANSIOLÍTICOS E

HIPNÓTICOS –

BENZODIAZEPÍNICOS E NÃO

BENZODIAZEPÍNICOS

WAGNER DE SOUSA GURGEL

ANTONIO EGIDIO NARDI

Após a descoberta do clordiazepóxido, no fim de 1950, por Leo Sternbach, e sua introdução na prática clínica, em 1961, os benzodiazepínicos (BZDs) tornaram-se amplamente disponíveis, sendo prescritos para milhões de pacientes nas mais diversas situações clínicas. A maioria dos BZDs que chegaram ao mercado foi selecionada por sua elevada potência ansiolítica em detrimento de sua função de depressão do sistema nervoso central (SNC). No entanto, todos os BZDs têm propriedades sedativo-hipnóticas em diferentes graus. Essas propriedades são exploradas extensivamente na clínica, em especial para facilitar o sono. Em função da ausência de efeitos tóxicos agudos, combinada com eficiência e segurança terapêutica, os BZDs substituíram os barbitúricos como os principais agentes sedativo-hipnóticos.1

No fim dos anos de 1980, a partir do lançamento do zolpidem, surgiram no mercado os hipnóticos não benzodiazepínicos, com ação agonista provavelmente mais seletiva sobre receptores do ácido gama-aminobutírico (GABA), os mesmos receptores onde agem os BZDs, os barbitúricos, o álcool e outras substâncias ansiolíticas. O grupo que posteriormente passou a ser chamado de “compostos Z” ou “drogas Z” prometia eficácia terapêutica hipnótica com menor ação ansiolítica, miorrelaxante ou anticonvulsivante. Na última década, esses agentes substituíram em grande parte os BZDs no tratamento da insônia.2

 

Capítulo 7. Psicoestimulantes

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CAPÍTULO 7

PSICOESTIMULANTES

MARIO R. LOUZÃ

TÁKI ATHANÁSSIOS CORDÁS

CONCEITO E HISTÓRIA ► Psicoestimulantes são medicamentos que aumentam a atividade do sistema nervoso central (SNC) e do sistema nervoso periférico (SNP).

A primeira anfetamina foi sintetizada pelo químico romeno Lazăr Edeleanu

(1861-1941), em Berlim, por volta de 1887, como parte de seu doutorado em Química. A substância existe na forma racêmica, dextro e levanfetamina

(racêmico conhecido com o nome comercial benzedrina), sendo que, em

1937, Charles Bradley (1902-1979) relatou melhora significativa em crianças com transtornos do comportamento tratadas com esse medicamento.1,2

O metilfenidato foi sintetizado por Leandro Panizzon (1907-2003) em

1944, mas, apenas em 1954, passou a ser utilizado como estimulante, inicialmente em quadros geriátricos.

Nos anos de 1950, os psicoestimulantes foram testados e aprovados para o tratamento do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) em crianças e, a partir dos anos de 1970, passaram a ser utilizados também no

 

Capítulo 8. Terapias de Neuromodulação Invasiva: ECT e DBS. Estimulação encefálica profunda em psiquiatria

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CAPÍTULO 8

TERAPIAS DE

NEUROMODULAÇÃO

INVASIVA: ECT E DBS.

ESTIMULAÇÃO ENCEFÁLICA

PROFUNDA EM PSIQUIATRIA

ANTONIO CARLOS LOPES

EDOARDO FILIPPO DE QUEIROZ VATTIMO

Em 1888, Gottlieb Burckhardt, pela primeira vez, empregou um procedimen­ to neurocirúrgico para tratar seis pacientes psiquiátricos. Esse estudo, no entanto, não teve boa aceitação na literatura da época e acabou sendo praticamente esquecido. Em 1935, Egas Moniz, com base em estudos de neuroanatomia do sistema límbico de animais, propôs operar pacientes psiquiátricos com variados diagnósticos por meio de uma técnica denominada leucotomia pré-frontal. Os resultados preliminares sugeriam algum controle dos sintomas.1 Naquele período, dado o aumento vertiginoso de ­pacientes psiquiátricos internados de forma asilar e a inexistência de tratamentos farmacológicos e psicoterápicos eficazes para transtornos mentais graves, as neurocirurgias psiquiátricas (mais conhecidas por “psicocirurgias”) tornaram-se uma das poucas intervenções disponíveis em psiquiatria. O emprego dessas técnicas se disseminou rapidamente na Europa e nos Estados Unidos.

 

Capítulo 9. Terapias não invasivas de neuromodulação (EMT e ETCC)

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CAPÍTULO 9

TERAPIAS NÃO INVASIVAS

DE NEUROMODULAÇÃO

(EMT E ETCC)

BERNARDO SAMPAIO-JUNIOR

ANDRE R. BRUNONI

O uso da eletricidade como forma de tratamento para doenças psiquiátricas não é novo. Há relatos de utilização médica da neuromodulação mesmo antes da invenção de armazenamento e descarga de energia elétrica. Por exemplo, Scribonius Largus, médico do imperador romano Claudius (43-48 d.C.), descreveu a descarga elétrica do “peixe torpedo” para o tratamento da cefaleia em seu livro Compositiones Medicae. A partir do século XVIII, após o desenvolvimento da “pilha voltaica”, de Alessandro Volta, a investigação do uso terapêutico da estimulação elétrica foi impulsionada.

O maior avanço nessa área, entretanto, acontece no século XX, com o desenvolvimento da técnica de eletroconvulsoterapia (ECT), introduzida por Ugo

Cerletti e Lucino Bini, como uma forma mais segura de induzir convulsão em pacientes com transtornos psiquiátricos graves em comparação às alternativas vigentes na época, como injeção intramuscular de óleo de cânfora ou choque insulínico. Quase 50 anos depois, o desenvolvimento da estimulação magnética transcraniana (EMT), por Barker, em 1985, a reutilização da estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC), novas formas de ECT e EMT profunda revelaram a importância da neuromodulação como modalidade terapêutica.

 

Capítulo 10.1. Tratamento farmacológico das dependências químicas

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10

MANEJO DAS SÍNDROMES PSIQUIÁTRICAS

10.1

TRATAMENTO

FARMACOLÓGICO DAS

DEPENDÊNCIAS QUÍMICAS

ANDRE MALBERGIER

MONTEZUMA PIMENTA FERREIRA

Os transtornos por uso de substâncias (TUSs) geram custos enormes na

área da saúde, na economia e na esfera social, bem como grande sofrimento pessoal e familiar. Apesar disso, o nível de eficácia dos tratamentos farmacológicos ainda parece insuficiente para abordar o problema. Para exemplificar, no caso da dependência de álcool, a adição de farmacoterapia adjuvante aos tratamentos psicossociais tradicionais pode melhorar significativamente

(do ponto de vista estatístico) o sucesso terapêutico. Todavia, os efeitos são modestos, com números necessários para tratar na faixa de 10 e tamanhos de efeito na faixa de 0,1 a 0,3. Os efeitos módicos dos medicamentos podem contribuir, em parte, para a baixa taxa de uso das farmacoterapias por parte dos médicos no tratamento da dependência.1

Um dos fatores que dificulta o desenvolvimento de medicamentos mais eficazes é a extrema complexidade dos mecanismos biológicos responsáveis pelos TUSs, em que a vulnerabilidade genética, os fatores de risco ambientais e suas interações atuam de forma complexa. Visando aumentar nosso conhecimento na área, ao longo das últimas décadas, uma grande quantidade de informações vem sendo acumulada na tentativa de desvendar os mecanismos neurobiológicos responsáveis por comportamentos desadaptados associados ao uso de substâncias. A pesquisa nesse campo tem avançado enormemente, e as funções de vários sistemas de neurotransmissores, vias moleculares e mecanismos transcricionais e epigenéticos começam a ser reveladas.2

 

Capítulo 10.2. Comprometimento cognitivo leve

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10.2

COMPROMETIMENTO

COGNITIVO LEVE

LIS GOMES SILVA

MÁRCIA RADANOVIC

FLORINDO STELLA

ORESTES V. FORLENZA

O comprometimento cognitivo leve (CCL) é considerado a fronteira entre alterações cognitivas relacionadas ao envelhecimento e demência. Seu diagnóstico requer a percepção de declínio por parte do indivíduo, de alguém de seu convívio ou do médico que o assiste, associada a alterações objetivas em testagem cognitiva.1 Tais alterações, no entanto, não devem ter intensida­de suficiente para comprometer a funcionalidade, o que caracterizaria a demência.1

O uso da terminologia está presente na literatura desde a década de 1980 e surgiu com o desenvolvimento de escalas clínicas para avaliação da doença de Alzheimer (DA), admitindo-se a condição de CCL como um estágio ­dentro do continuum da doença. Dessa forma, os indivíduos portadores de tal quadro eram classificados no estágio 3 da Global Deterioration Scale (GDS)2 e

0,5 na Clinical Dementia Rating (CDR).3

 

Capítulo 10.3. Transtornos do sono

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10.3

TRANSTORNOS DO SONO

E DA VIGÍLIA

ANDREA CECILIA TOSCANINI

JOÃO GUILHERME DE MELLO E GALLINARO

STELLA TAVARES

TRANSTORNOS DE INSÔNIA

A insônia pode ser definida como uma dificuldade persistente no início, na duração, na consolidação ou na qualidade do sono, ocorrendo apesar de circunstâncias e oportunidade adequadas, resultando em algum tipo de prejuízo diurno. É o transtorno do sono mais comum, e sua prevalência está estimada em 10 a 15% da população em geral, dependendo do critério diagnóstico utilizado.1 Acomete principalmente mulheres, idosos e pessoas com transtornos mentais.2 Existem diversos modelos que tentam explicar a fisiopatologia da insônia, porém sabe-se que ela é dependente de fatores neurobiológicos e comportamentais.3 Na última edição da Classificação internacional dos distúrbios do sono (ICSD), a insônia foi dividida em três subtipos: insônia crônica, insônia de curto prazo e outros transtornos de insônia.

INSÔNIA CRÔNICA ► Casos que preenchem todos os critérios estabelecidos

 

Capítulo 10.4. Terapêutica nos transtornos mentais associados à epilepsia

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10.4

TERAPÊUTICA NOS

TRANSTORNOS MENTAIS

ASSOCIADOS À EPILEPSIA

RENATO LUIZ MARCHETTI

EPILEPSIA: CONCEITO, EPIDEMIOLOGIA E ETIOLOGIA ►

Uma crise epiléptica resulta de uma descarga síncrona anormal e excessiva de uma rede ­neuronal do cérebro. Os mecanismos normalmente presentes são desregulação neuro­ nal (membranas neuronais anormais) ou defeito de rede (desequilíbrio regio­ nal ou global do sistema excitação-inibição). Suas manifestações clínicas dependem do local e da extensão da descarga. Uma crise epiléptica sinto­ mática aguda pode ocorrer em associação a eventos sistêmicos ou c­ erebrais agudos, em geral de maneira isolada, o que não representa epilepsia.

Quando ocorrem crises epilépticas de maneira recorrente e sem associação com eventos sistêmicos ou cerebrais agudos, então há epilepsia. As possíveis etiologias da epilepsia são: causas genéticas, malformações congênitas, trauma de parto, infecções e infestações do sistema nervoso central (SNC), traumatismo craniencefálico (TCE), doença cerebrovascular, doenças degenerativas do SNC e tumores do SNC.

 

Capítulo 10.5. Condutas para transtornos alimentares

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10.5

CONDUTAS PARA

TRANSTORNOS

ALIMENTARES

ANA CLARA FRANCO FLORESI

EDUARDO W. ARATANGY

MARIA ANTÔNIA SIMÕES REGO

ALEXANDRE PINTO DE AZEVEDO

FÁBIO TAPIA SALZANO

TÁKI ATHANÁSSIOS CORDÁS

Os transtornos alimentares (TAs) são síndromes psiquiátricas que acometem principalmente mulheres durante a adolescência e o início da idade adulta.

Tais transtornos se associam a importante aumento de morbidade e morta­ lidade e causam grande prejuízo no funcionamento global do paciente.1

Pacientes com TA apresentam comportamentos alimentares disfuncionais, como restrição alimentar, práticas purgativas (vômitos autoprovocados, uso de laxativos e diuréticos), atividade física extenuante com a intenção de perder peso e compulsão alimentar,1 em alguns casos. A combinação de alguns desses comportamentos promove a identificação de diagnósticos como anorexia nervosa (AN), bulimia nervosa (BN) e transtorno de compulsão alimentar (TCA), de acordo com a quinta edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-5), da American Psychiatric Association.2

 

Capítulo 11.1. Emergências em psiquiatria

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11

MANEJO EM SITUAÇÕES PSIQUIÁTRICAS

ESPECIAIS

11.1

EMERGÊNCIAS EM

PSIQUIATRIA

DANIEL KAWAKAMI

DÉBORA LUCIANA MELZER-RIBEIRO

TENG CHEI TUNG

DEFINIÇÃO ► Emergência psiquiátrica é definida como uma situação na qual existe uma alteração do comportamento ou do estado mental, percebida por alguém (não necessariamente pelo próprio afetado), que pode culminar rapidamente em uma situação catastrófica. Nela, há o risco iminente à integridade física ou psíquica do paciente ou de outras pessoas.1

A definição de emergência psiquiátrica difere um pouco da de outras emergências médicas uma vez que o risco à sociedade também é levado em conta.2

SERVIÇOS DE EMERGÊNCIAS PSIQUIÁTRICAS ► Os serviços de emergências psiquiátricas (SEP) são os locais mais preparados para tais situações e desempenham um importante papel na articulação da rede de saúde mental.3

Diversos motivos têm levado ao aumento da procura por atendimentos nos

SEP no Brasil (o aumento da violência, o maior conhecimento do público em relação aos transtornos mentais, a epidemia do uso de álcool e drogas e a política de fechamento de leitos hospitalares) e no mundo.4,5

 

Capítulo 11.2. Condutas em psiquiatria para crianças e adolescentes

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11.2

CONDUTAS EM PSIQUIATRIA

PARA CRIANÇAS E

ADOLESCENTES

LEE FU-I

MIGUEL ANGELO BOARATI

Diversos fatores devem ser levados em consideração para o planejamento e a instituição de tratamento para crianças e adolescentes com sintomas ou transtornos psiquiátricos. Os procedimentos terapêuticos devem ser planejados para cada caso individualmente. Guias de tratamento, recomendações da literatura ou sugestões de especialistas não são suficientes se o psiquiatra responsável pelo paciente não tem a compreensão plena das particularidades do caso.1-3

Crianças e adolescentes que apresentam problemas emocionais e/ou comportamentais podem estar manifestando os primeiros sinais, muitas vezes inespecíficos, de algum transtorno psiquiátrico. Os sinais e sintomas psiquiá­ tricos podem se manifestar de forma insidiosa até atingir situação que prejudique o funcionamento global da criança ou de forma aguda com ruptura inesperada e interrupção do funcionamento habitual. É necessária a realização de uma avaliação clínica abrangente para determinar se o quadro em questão se refere a um episódio de um transtorno psiquiátrico que está se instalando (p. ex., um episódio de mania), se trata-se da reagudização de um quadro preexistente (p. ex., agitação psicomotora no autismo) ou se é reativo a alguma situação estressora aguda. O sucesso do tratamento depende muito da fase inicial da avaliação, considerando o diagnóstico clínico, a presença de comorbidades e a observação de fatores de confusão, como a existência de estressores ambientais. É importante também avaliar o curso da doença, o tipo de evolução (p. ex., episódica ou crônica) e a resposta a tratamentos realizados anteriormente.

 

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