Você, Eu e os Rôbos - Pequeno Manual do Mundo Digital

Autor(es): GABRIEL, Martha
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“Quais os impactos da Revolução Digital na humanidade? Que transformações ela nos traz? Como lidar com essas transformações, seus desafios e oportunidades?_x000D_
Pensando nisso, em 2013, escrevi o livro Educ@r: a (r)evolução digital na educação, em que discutia essas questões com foco exclusivo na educação. No entanto, de lá para cá, em poucos anos, testemunhamos uma explosão da penetração digital e de assistentes computacionais na vida das pessoas, transformando a sociedade._x000D_
Assim, esses questionamentos, que antes constituíam apenas campos específicos, como educação, marketing, negócios etc., passaram a fazer parte de todas as áreas e da vida cotidiana._x000D_
Com isso em mente, escrevi esta obra. A primeira parte, que trata dos seres humanos (você e eu), é uma nova versão ampliada e atualizada de vários capítulos do livro Educ@r, com o objetivo de atender a qualquer tipo de público._x000D_
As duas outras partes (robôs e humanos + robôs) levam a discussão para outro patamar, adicionando as questões da tecnologia que nos cerca e a fusão entre humanos e tecnologias, que tanto nos encanta e, ao mesmo tempo, nos assusta.“_x000D_
Martha Gabriel_x000D_
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“Você, eu e os robôs: pequeno manual do mundo digital é um mapa do presente e uma ponte de preparação para o futuro.”_x000D_
Pyr Marcondes_x000D_
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“Com passos serenos e firmes, Martha Gabriel vai introduzindo o leitor pelos temas e conceitos mais atuais que afetam a vida social, cultural e psíquica dos seres humanos no planeta. Não há um só tema e um só conceito relativos às tecnologias digitais que estejam faltando neste livro, um verdadeiro compêndio explicitador.”_x000D_
Lucia Santaella_x000D_
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19 capítulos

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Introdução

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INTRODUÇÃO

Participando ativamente do cenário tecnológico nos últimos 30 anos e atuando como consultora, palestrante e professora nas áreas de tecnologia, negócios, inovação e educação, tenho testemunhado a velocidade extraordinária com que o cenário tecnossocial tem se modificado. Na última década, vimos a internet se tornar a principal plataforma planetária de comunicação, entretenimento, negócios, relacionamento e aprendizagem, e também a infraestrutura responsável pelo novo tecido global da humanidade conectada. Esse cenário é deslumbrante e torna a internet (com todas as suas ramificações e plataformas) o cérebro global coletivo, onipresente, onisciente e onipotente. No entanto, esse novo panorama repleto de possibilidades, conexões e ampliação do potencial do ser humano traz consigo, também, profundas transformações e, consequentemente, novos desafios.

Estamos vivendo a Quarta Revolução Industrial1, em que o modelo de sociedade baseado em máquinas mecânicas dá lugar a um modelo baseado em máquinas computacionais, fragmentado em bits e bytes, hipertextual, complexo, não linear. Redes sociais on-line, tecnologias mobile, realidades mistas, tecnologias de voz, vídeo imersivo, impressão 3D, inteligência artificial, internet das coisas, chatbots e robôs são algumas das tecnologias e plataformas digitais que se apresentam para ampliar o nosso cenário. Con1.

 

CAPÍTULO 1 – A tecnologia recria a realidade

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Capítulo

1

A TECNOLOGIA RECRIA

A REALIDADE

Os humanos são o órgão reprodutor da tecnologia.

Kevin Kelly

Tecnologia e humanidade andam de mãos dadas desde o início da nossa história. O ser humano é uma tecnoespécie: criamos tecnologias e somos transformados por elas, em um ciclo contínuo que tem se retroalimentado durante todo o processo evolutivo da humanidade. Esse casamento tecno-humano, que na pré-história era com paus e pedras, culmina hoje com as tecnologias digitais, revolucionando o mundo e nos levando a uma nova era: a Era Digital.

No entanto, apesar de a Revolução Digital ser importantíssima, devemos lembrar que ela não é a primeira e nem será a última da história humana. Já tivemos outras revoluções tecnológicas tão importantes quanto a digital, como o fogo, a escrita, a eletricidade etc. (ver infográfico disponível por meio da Figura 1.1). Quando uma revolução tecnológica acontece, ela transforma o que até então era impossível em possível e comum, recriando a nossa realidade. Antes do século XX, voar era im-

 

Capítulo 2 – Hiperconexão & a transformação do poder “Estar” conectado vs. “ser” conectado

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Cap. 2 • Hiperconexão & a transformação do poder   |   17

aquilo que a fala e escrita propiciaram), ela também nos permite conectar e interagir com cérebros computacionais. Assim, além da descentralização e democratização ainda maior da informação entre seres humanos, a internet acrescenta outro “ser”, o computacional, nas relações de troca. Em função das diferentes capacidades que o cérebro computacional tem, quando comparado com o humano, essas interações têm o potencial de alçar nossa cognição para um nível totalmente diferente, gerando verdadeiramente uma nova civilização.

Quando mudam as tecnologias cognitivas, mudamos profundamente. E quando elas são descentralizadoras (como a oralidade, a escrita, a prensa e a internet/mídias sociais), entramos em processo de revolução civilizacional, como o que estamos vivendo atualmente.

Assim, incontáveis tecnologias colaboraram para chegarmos ao ambiente tecno-info-social em que vivemos hoje – fala, escrita, telégrafo, telefone, carro, satélite, computador pessoal, impressora, fax, internet, telefone celular, GPS

 

Capítulo 3 – Explosão do conteúdo: distração vs. foco

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CAPÍTULO

3

EXPLOSÃO DO CONTEÚDO:

DISTRAÇÃO VS. FOCO

Pela facilidade de se criar, publicar e compartilhar conteúdo na internet hoje, teoricamente qualquer pessoa ou instituição pode exercer simultaneamente o papel de produtor, editor e disseminador de informações em grande escala, nos conduzindo a um cenário hiperinformacional.

Ao mesmo tempo em que o crescimento informacional é bom, dando voz e acesso a todos, também é desafiador, pois quanto maior o volume de informações ao nosso dispor, maior o nosso esforço para conseguirmos extrair sentido delas: análises, filtros, tempo etc., levando-nos a uma sobrecarga informacional cognitiva. Por mais que a quantidade de informação cresça no mundo, o dia tem, desde o início dos tempos, apenas

24 horas, e continuará tendo. A atenção humana também é limitada: os nossos sensores e capacidade de processamento biológicos evoluem em um ritmo infinitamente menor do que a explosão informacional. Assim, o tempo e a atenção são recursos inelásticos, ou seja, não temos como

 

Capítulo 4 – Conhecimento distribuído: poder & restrições

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CAPÍTULO

4

CONHECIMENTO DISTRIBUÍDO:

PODER & RESTRIÇÕES

Conforme as tecnologias digitais foram gradativamente possibilitando a maior conexão das pessoas e se disseminando no cotidiano, o modelo social predominante mudou de centralizado e hierarquizado para distribuído. Hoje, em virtude da facilidade de se conectar com qualquer pessoa, temos mais conexões com colegas e conhecidos (laços fracos) do que com amigos e família (laços fortes). A maior parte das informações que recebemos e trocamos que influenciam nossa vida é proveniente de pessoas que não conhecemos ou conhecemos pouco. Além disso, as fontes de publicação, informação e disseminação do conhecimento aumentaram consideravelmente, causando uma explosão de conteúdo, como vimos anteriormente.

Vimos também que esse ambiente tecnológico hiperconectado facilita a criação, edição e propagação de conteúdo por qualquer pessoa, e não mais apenas por profissionais de mídia, informação e educação. Esse fenômeno gera um ambiente extremamente fértil para a criatividade, de forma que a apropriação e remixagem de conteúdos previamente produzidos possam ser combinados gerando novos conteúdos criativos, que talvez jamais pudessem ser criados sem esse processo.

 

Capítulo 5 – Controle & espetáculo: liberdade vs. privacidade

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CAPÍTULO

5

CONTROLE & ESPETÁCULO:

LIBERDADE VS. PRIVACIDADE

Uma das principais dimensões das tecnologias de informação ao longo da história é o controle da informação – quando mudam as tecnologias informacionais, mudam também os controles dos fluxos de informação que dão poder a quem os detém. Quanto mais descentralizadoras são essas tecnologias, maior a reestruturação social que elas trazem. Exposição e controle são as duas faces da moeda da informação.

Os caminhos de evolução tecnológica dos últimos séculos trouxeram transformações profundas nas possibilidades de exposição e controle da informação, nos conduzindo de uma sociedade disciplinar e analógica para a sociedade atual digital, que é, ao mesmo tempo, uma sociedade do controle e do espetáculo.

Os termos Sociedade do espetáculo (DEBORD, 2013) e Sociedade de controle (Foucault, 1975 & Deleuze, 1990) têm origem no século XX, mas as transformações sociais que eles discutem vêm sendo observadas de forma cada vez mais significativa nos dias atuais, conforme o tecido social se torna mais conectado. Até o final do século XX, a conexão no mundo privilegiava as instituições – governos, empresas de mídia, mul-

 

Capítulo 6 – Rastros digitais: hiperexposição vs. segurança

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CAPÍTULO

6

RASTROS DIGITAIS:

HIPEREXPOSIÇÃO VS.

SEGURANÇA

A liberdade de expressão, associada aos riscos relativos à diminuição da privacidade nos ambientes digitais, pode nos levar a uma situação de hiperexposição, que pode trazer também riscos pessoais, presentes ou futuros, tanto de segurança quanto de reputação.

Em 2010, o Facebook disponibilizou a funcionalidade de check-in, para permitir que seus usuários compartilhassem suas informações de localização na rede social. Um mês após o lançamento dessa funcionalidade, uma rede de assaltantes nos Estados Unidos roubou o equivalente a US$ 100 mil em bens de 50 casas, mirando nas pessoas que faziam check-in em lugares longe de suas residências (SCHONFELD, 2010).

Da mesma forma que o Facebook e o Foursquare permitem informar a localização geográfica, vários outros serviços de compartilhamento de informações também o fazem. Hoje, quando postamos fotos on-line, elas normalmente carregam a informação do local onde foram tiradas (isso pode ser desativado pelo usuário, mas muitas pessoas não o fazem).

 

Capítulo 7 – Hábitos e vícios digitais

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CAPÍTULO

7

HÁBITOS E VÍCIOS DIGITAIS

Como vimos anteriormente, as tecnologias transformam profundamente a vida humana, tanto biológica quanto socialmente. Uma das principais consequências dessas transformações é que elas trazem consigo novos hábitos que impactam a qualidade da vida humana. Esses hábitos e impactos podem ser tanto positivos quanto negativos. Podemos, por exemplo, em virtude da conexão constante com a internet, adquirir o hábito bom de consultar diversas fontes de informação antes de fazer uma reflexão, ou, então, adquirir o hábito ruim de acreditar em tudo que se vê on-line.

Portanto, as novas tecnologias trazem consigo novos hábitos, bons e ruins, e, esses hábitos podem, eventualmente, também se transformar em vícios, agravando suas consequências.

 �Hábitos vs. vícios

Existe uma linha tênue entre hábitos e vícios, de forma que o primeiro pode facilmente se transformar no último. De acordo com o dicionário

Merriam-Webster, as definições de hábito e vício são:

 

Capítulo 8 – Gerações digitais – Y e Z

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CAPÍTULO

8

GERAÇÕES DIGITAIS – Y E Z

Em ciências sociais, uma geração é considerada um grupo de pessoas dentro de uma população que experimenta os mesmos eventos significantes em determinado período de tempo (PILCHER, 1994, n. 45, v.3, p. 481-495).

O conceito de geração1 é usado desde a antiguidade para localizar grupos de nascimento em circunstâncias culturais e histórias específicas, como forma de diferenciação e comparação. No entanto, o estudo das gerações está relacionado a diversas outras áreas do conhecimento, trazendo muitos desafios referentes à análise das gerações.

No mundo ocidental, as principais classificações recentes de gerações nos últimos 50 anos são:

Baby boomers (nascidos de 1946 a 1964) – é a geração que nasceu

1. � após a Segunda Guerra Mundial, que foi marcada por um aumento das taxas de natalidade.

2. �Geração X (nascidos entre 1960 e início dos anos 1980).

3. �

Geração Y (nascidos entre 1980 e início da década de 2000) – também conhecida como Millennials, Generation Next e Echo Boomers.

 

Capítulo 9 – Ética & liberdade: o que nos separa dos robôs?

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CAPÍTULO

9

ÉTICA & LIBERDADE: O QUE

NOS SEPARA DOS ROBÔS?

Vimos anteriormente que as tecnologias e mídias digitais ampliaram a voz dos indivíduos e que, por um lado, isso é excelente, pois dá vazão à liberdade de expressão, mas, por outro, pode ser terrível, porque, infelizmente, muitas vezes, a liberdade é confundida com libertinagem!

A liberdade está intimamente associada à responsabilidade, e não se pode ser verdadeiramente livre sem assumir a responsabilidade decorrente dessa liberdade. E de todas as liberdades que podemos ter, acredito que a de expressão é a que mais revela uma pessoa – seu pensamento, seu caráter, suas atitudes, sua educação, seu coração. William M. Bulger tem uma frase que gosto muito, que diz: “Não há nada que melhor defina uma pessoa do que aquilo que ela faz quando tem toda a liberdade de escolha”.

Pois bem, agora as tecnologias digitais interativas deram às pessoas a liberdade para escolher o que falar, como falar e onde falar, à vontade.

 

CAPÍTULO 10 – Era exponencial e a aceleração tecnológica

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CAPÍTULO

10

ERA EXPONENCIAL E A

ACELERAÇÃO TECNOLÓGICA

Até o final do século XX, o ciclo de vida das tecnologias era maior do que o ciclo de vida humano, mas a situação se inverte a partir da década de 1990: hoje, o ciclo de vida das tecnologias é muito menor do que o ciclo de vida humano. Se no século XX havia poucas mudanças tecnológicas entre o nascimento e morte das pessoas (o rádio, a TV, o carro, o telefone etc., sofreram poucas transformações em décadas), hoje, em questão de meses apenas, as tecnologias mudam. Em algumas áreas, como nas de informação e comunicação, as tecnologias (TICs1) chegam a mudar várias vezes por ano. Assim, a mudança do ambiente tecnológico tem se tornado cada vez mais rápida e intensa, de forma que a nova e decisiva variável na equação da história humana hoje é a velocidade vertiginosa com que tudo isso acontece.

Uma das pessoas a perceber que a velocidade de mudança no mundo estava acelerando2 foi o brilhante arquiteto visionário Buckminster Fuller,

 

Capítulo 11 – Tecnologia: macro e microtendências

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CAPÍTULO

11

TECNOLOGIA: MACRO E

MICROTENDÊNCIAS

Viver é isso: ficar se equilibrando, o tempo todo, entre escolhas e consequências.

Jean Paul Sartre

Como nos ensinou Charles Darwin, a sobrevivência das espécies depende de sua adaptação ao ambiente em transformação ao seu redor.

Simples assim: adaptação ou morte. Nesse processo, os indivíduos que não só se adaptam, mas que também têm mais domínio do seu ambiente, não apenas sobrevivem, mas também, e principalmente, vivem melhor. E é exatamente isso que a humanidade tem buscado e que impulsionou a sua evolução, e todo desenvolvimento tecnológico até aqui.

Assim, na tentativa de controlar o ambiente para obter melhores resultados, existem duas forças que nos dividem: 1) viver bem agora, usando todos os recursos que tenho no momento; e 2) abrir mão de alguns recursos agora para me preparar e garantir sobrevivência longa e uma vida futura melhor. Dessa forma, a continuidade da espécie se resume a como fazemos

 

Capítulo 12 – Inteligência artificial

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CAPÍTULO

12

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Desde o momento em que o ser humano começou a projetar computadores, a inteligência artificial tem sido a última fronteira: conseguir construir um ser artificial com as mesmas habilidades humanas.

Apesar de a inteligência artificial e a robótica popularem o imaginário da humanidade há milênios1 e o seu desenvolvimento remontar ao século passado, o ritmo exponencial do crescimento tecnológico na última década impulsionou o seu avanço de forma espetacular, nos conduzindo para um cenário em que ambas as coisas estão se tornando realidade. Estamos cada vez mais cercados por assistentes pessoais computacionais, como

Siri (Apple), Cortana (Microsoft), Echo (Amazon), entre tantos outros, e eles estão transformando nossas vidas e o modo como nos relacionamos, não apenas com outros humanos, mas também com tecnologia2. Soluções como o Watson da IBM, Einstein da Salesforce, Sensei da Adobe começam a permear nossas vidas em todas as dimensões: finanças, educação, design, pesquisa, marketing, relacionamentos etc.

 

Capítulo 13 – Inteligência artificial: como funciona?

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CAPÍTULO

13

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL:

COMO FUNCIONA?

Existem duas linhas principais de pensamento no que se refere à definição da inteligência humana e que influenciaram o desenvolvimento da computação: a simbólica e a conexionista (HOFFMANN, 1990). A abordagem simbólica da inteligência é fruto do pensamento orientado pela matemática em descrever de forma abstrata os processos que geram comportamento inteligente – essa linha deu origem a sistemas computacionais lógicos, culminando com o desenvolvimento dos computadores.

Por outro lado, a linha conexionista é orientada para a fisiologia humana, considerando que a inteligência humana é resultado da forma como o nosso cérebro funciona e é organizado, dando origem às teorias de machine learning e redes neurais, favorecendo a modelagem das funções cerebrais para fazer engenharia reversa da inteligência. Assim, de modo geral, essas linhas de pensamento inspiraram a evolução da computação seguindo essas duas abordagens: simbólica (programação) e conexionista

 

Capítulo 14 – Corpos artificiais: robótica

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CAPÍTULO

14

CORPOS ARTIFICIAIS:

ROBÓTICA

Se, por um lado, a inteligência artificial se refere a “mentes” artificiais, a robótica1, por sua vez, relaciona-se a “corpos” artificiais. Ambas, IA e robótica, são interdisciplinares, complexas, e se sobrepõem da mesma forma que acontece entre a mente e o corpo humanos, hardware e software. No entanto, os corpos dos seres humanos seguem um padrão estrutural físico constante e bastante homogêneo, enquanto no caso da IA ocorre o oposto: ela pode ocupar uma gama enorme de variações de tipos de corpos, e, inclusive, não ter corpo definido.

A palavra “robô” foi introduzida pelo escritor checo Karel Čapek em

1921, na sua peça R.U.R.2 (Rossum’s Universal Robots). O termo deriva de

1.

Ver mais em: . Acesso em: 24 nov. 2017.

2.

A peça começa com uma fábrica que produz pessoas artificiais, chamadas de roboti (robots), feitas de material sintético. Eles não são exatamente robôs conforme a definição atual da palavra, pois são criaturas de carne e osso ao invés de máquinas, estando, assim, mais próximos da ideia moderna de clones. Eles podiam ser confundidos com humanos e podiam pensar por si mesmos. Inicialmente, eles parecem felizes em trabalhar para os humanos, mas uma rebelião de robôs causa a extinção da raça humana. Na obra War in the Newts, posterior, o autor escolheu uma outra abordagem, na qual os não humanos se tornam uma classe de servidores da sociedade humana. Ver mais em: . Acesso em: 24 nov. 2017.

 

CAPÍTULO 15 – Tecno-humanidade: empoderamento & COI

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CAPÍTULO

15

TECNO-HUMANIDADE:

EMPODERAMENTO & COI

Considerando a evolução das tecnologias em nossa história, provavelmente a dimensão mais importante que elas afetam no mundo é a nossa percepção, inteligência, cognição e, consequentemente, o modo como agimos no mundo. Friedrich Nietzsche dizia que a máquina de escrever influenciou profundamente seu modo de pensar e escrever1; a experiência da leitura (que é possível devido à introdução e disseminação de tecnologias relacionadas com a escrita) tem nos tornado mais inteligentes e empáticos2.

Marshal McLuhan também refletiu sobre o impacto das tecnologias no ser humano, afirmando que “nós moldamos as nossas ferramentas, e depois nossas ferramentas nos remoldam”.3

1.

Mais em: .

2.

Ver discussão em: . Acesso: 24 nov. 2017.

 

Capítulo 16 – Cibridismo

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CAPÍTULO

16

CIBRIDISMO

Apesar de o digital abranger cada vez mais aspectos da vida humana, ainda existimos também fora do digital, no ambiente tradicional material, composto por átomos. Nicholas Negroponte, em seu livro A vida digital

(1995), diz que temos dois tipos de ambiente – o formado de bits e bytes

(ambientes digitais) e o formado de átomos (ambientes materiais). Tendo naturezas completamente diferentes e com características específicas, ambos coexistem na vida humana.

No entanto, a hiperconexão e a proliferação de plataformas digitais passa a permitir ao ser humano transferir parte de si para o mundo digital, possibilitando um estado de viver constantemente em trânsito entre as redes ON e OFF line. O estado de “ser” conectado está reconfigurando o ser humano em um “cíbrido”, que é definido por Peter Anders como:

Cíbridos – híbridos de material e ciberespaço – são entidades que não poderiam existir sem reconciliar a nova classe de símbolos com a materialidade que eles carregam. […] Cíbridos são mais que simplesmente uma separação completa (entre material e simbólico). Entre esses dois podemos ter componentes compartilhados1.

 

Capítulo 17 – O futuro do ser humano & o ser humano do futuro

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CAPÍTULO

17

O FUTURO DO SER HUMANO

& O SER HUMANO DO

FUTURO

Conforme temos discutido ao longo desse livro, desde o início dos tempos, o ser humano e a tecnologia são interdependentes – quando um muda, o outro também muda, em um ciclo contínuo, em ritmo exponencial, que inicialmente era imperceptível, mas que atinge hoje uma velocidade intensa, estabelecendo um ritmo dramático de disrupções que estão reestruturando o mundo constantemente: física, social e economicamente.

Nesse contexto, não apenas estamos nos fundindo com a tecnologia, misturando os nossos códigos biológicos e digitais, mas também, e principalmente, nos tornando um novo tipo de humano, reconfigurado tecnologicamente de formas inéditas – profundas, explícitas e rápidas –, sem precedentes na nossa história. Tratamos até aqui, principalmente, de refletir sobre onde chegamos e como estamos – analisamos inúmeros aspectos disso até o momento: na primeira parte do livro, focamos no ser humano e na sociedade e, na segunda parte, na tecnologia. Nestes capítulos finais, buscamos refletir sobre para onde podemos ir – situações emergentes e cenários possíveis de um futuro próximo.

 

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