Fundamentos de metodologia, 6ª Edição

Autor(es): FACHIN,Odília
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Ao ingressar em cursos superiores, a maior dificuldade enfrentada pelos alunos refere-se à normalização metodológica, em virtude da existência de um número expressivo de regras nas obras destinadas à metodologia de pesquisa. A própria Associação Brasileira de Normas e Técnicas (ABNT) traz, em algumas normas, mais de um modo de transcrever uma informação, o que torna difícil uma unificação. Visando estabelecer uma padronização para os trabalhos científicos, esta obra traz as orientações necessárias para a elaboração e execução de projetos de pesquisa segundo a ABNT, com o objetivo de transformar-se em um instrumento facilitador para alunos, professores e pesquisadores.

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1.1 TIPOS DE CONHECIMENTOS

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Evolução dos conhecimentos

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É bem verdade que em algumas áreas do saber houve avanços científicos mais rapidamente que em outras, porém, existe certa integração entre elas.

As ciências formais têm relações com as ciências factuais – também chamadas de fáticas ou reais –, relacionam-se com a área das ciências naturais e com um elenco das ciências sociais; daí dizer que elas interagem. O entrosamento é evidente quando se examina uma pesquisa científica, pois os cientistas, direta ou indiretamente, trabalham de mãos dadas.

1.1 TIPOS DE CONHECIMENTOS

O progresso científico, de modo geral, é produto da atividade humana, por meio da qual o homem, compreendendo o que o cerca, passa a desenvolver novas descobertas. E, por relacionar-se com o mundo de diferentes formas de vida, ele utiliza-se de diversos meios de conhecimentos, por intermédio dos quais evolui e faz evoluir o meio em que vive, trazendo contribuições para a sociedade.

Entre esses tipos de conhecimentos, encontram-se o filosófico, o teológico, o empírico e o científico.

 

1.2 CONHECER

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FUNDAMENTOS DE METODOLOGIA

1.2 CONHECER

De forma bem simples, no processo do conhecimento, quem conhece consegue, de certo modo, apropriar-se do objeto que conheceu. Os órgãos do sentido atuam como captadores das imagens dos objetos concretos. Nessa imagem, já está a essência geral, o modelo do objeto (coisa) que o intelecto extrai, a qual é recebida pelo entendimento, realizando-se o conhecimento. Segundo São Tomás de Aquino, as coisas concretas nos oferecem imagens sensíveis, e a cognição dos princípios nos é dada pelos sentidos.11

Na maneira de adquirir o conhecimento, existe uma relação que se estabelece entre o sujeito que se conhece e o objeto cognoscente.

Na essência do conhecimento, ou seja, nos aspectos em que se relacionam conhecimento, sujeito e objeto, figuram as seguintes formas mentais:

existência real do sujeito; existência real do objeto; captação real pelo sujeito do objeto; e modelação do objeto pela ação do sujeito.

 

1.3 CIÊNCIA

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Evolução dos conhecimentos

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Toda compreensão exige um contato com o real. O intelecto traça seus contornos por meio da experiência com o real, que nele se concretiza no ato de conhecer. O que conhecemos das coisas depende dos nossos sentidos. Nós conhecemos o mundo objetivo como ele é. Por exemplo, se perante meus olhos está uma gota de

água clara e cristalina, ela é, dessa perspectiva, como ela é. Se, porém, ao microscópio, vejo nela um mundo infinito de seres, gigantescos na proporção, ao lado de outros de minúsculas dimensões, também essa é a sua realidade. Meu conhecimento não destruiu a realidade da gota de água.12

O mundo, tal qual ele é, pode ser captado pelo sujeito. A variedade do conhecimento é dependente da maneira de o sujeito revelá-lo, por exemplo:

[...] dessa montanha vejo a cidade, em brumas, e nítida montanha. Por acaso não são ambos os aspectos reais? O sujeito capta a realidade do objeto, pois sei que é da sua realidade parecer brumosa, vista a distância, e nítida, vista de perto. Em nada modifiquei a realidade do objeto. Se o objeto se presta a múltiplas captações, não é ele diverso por isso, nem essa multiplicidade implica a não captação da realidade do objeto, porque esta

 

1.4 DIVISÃO DAS CIÊNCIAS AO LONGO DOS TEMPOS

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Evolução dos conhecimentos

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suscetível de retificação e questionamentos, porque seu método se apresenta sempre como perfectível.17

A ciência apresenta-se ao cientista como uma maneira uniforme de achar alguma razão na observação dos fatos. Sua estrutura permite a acumulação do conhecimento de forma organizada e fundamentada em sistemas lógicos, sempre sob a direção de um elenco de procedimentos da metodologia científica. A classificação das diversas ciências é importante porque é uma preocupação que, ao longo do tempo, se tem tornado problemática intelectual do ser humano.

1.4 DIVISÃO DAS CIÊNCIAS AO LONGO DOS TEMPOS

Fontes históricas mostram que desde a Antiguidade já existia a preocupação da divisão das ciências. Como os cientistas sentiam dificuldades de dominar as ciências, isso gerou uma necessidade de dividi-las (em razão das proporções universais das ramificações científicas, tornou-se impossível a compreensão das subdivisões que as circundam). Assim, obedecendo a um esquema classi ficatório, as diversas ciências foram agrupadas dentro de suas áreas específicas (de estudo determinado) e com seus objetos particulares. Dessa forma, a compreensão particular de cada ciência foi facilitada, e da divisão inicial foi possível maior abrangência do conhecimento do conjunto científico em seus aspectos gerais e universais.

 

RESUMO

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Evolução dos conhecimentos

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RESUMO

Do exposto, nota-se que, na Antiguidade, já havia preocupação científica, embora faltassem métodos e observação dos acontecimentos. A filosofia procura conhecer a natureza profunda das coisas e seus fins. É um modo de atuação inacabado; é a investigação constante de um interrogar e um exercício reflexivo realizado pela busca de um conhecer, e não de sua posse. O conhecimento filosófico tem por origem a capacidade de reflexão do ser humano, e por instrumento exclusivo, o raciocínio. Pode-se afirmar que, por meio desse conhecimento, chega-se ao científico.

O conhecimento teológico, por sua vez, baseia-se na fé e na crença em algo superior ao ser humano. Provém das revelações do mistério, do oculto, de algo que é interpretado como mensagem ou manifestação da divindade.

Já o conhecimento empírico é adquirido pela aprendizagem informal ou pela experiência do cotidiano. Esse conhecimento não se fundamenta em procedimentos metodológicos, simplesmente desconhece o rigor dos métodos.

 

GLOSSÁRIO

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FUNDAMENTOS DE METODOLOGIA

GLOSSÁRIO

Acumulação – totalidade dos elementos materiais e não materiais que as gerações presentes e todas as antecedentes conseguiram acumular como forma de cultura.

Ciência – progresso permanente de acúmulo de conhecimentos sobre algo e de ações racionais, sistemáticas, exatas e verificáveis, capazes de transformá-los.

Científico – tudo que tem o rigor da ciência, resultante de investigação metódica e sistemática da realidade. Geralmente, transcende os fatos e os fenômenos, analisando-os a fim de descobrir suas causas e concluir as leis que os regem.

Classificação – operação que consiste em repartir os conceitos ou objetos estudados em classes hierarquicamente ordenadas em gêneros ou espécies.

Empírico – conhecimento guiado pelo que se adquire na vida cotidiana ou ao acaso, ou com base na experiência vivida ou transmitida por alguém.

Evolução – sequência de transformações regidas por lei, que pode ser incessantemente renovada.

 

LEITURA RECOMENDADA

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LEITURA RECOMENDADA

ANDER-EGG, Ezequiel. Introducción a las técnicas de investigación social: para trabajadores sociales. Buenos Aires: Humanitas, 1978.

GALLIANO, A. Guilherme (Org.). Método científico: teoria e prática. São Paulo:

Harper & Row do Brasil, 1979.

JASPERS, Karl. Introdução ao pensamento filosófico. São Paulo: Cultrix, 1979.

JOLIVET, Régis. Curso de filosofia. 18. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1990.

MÁTTAR NETO, João Augusto. Metodologia científica na era da informática.

São Paulo: Saraiva, 2002.

PRADO JR., Caio. Dialética do conhecimento. São Paulo: Brasiliense, 1980.

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2.1 MÉTODOS RACIONAIS

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Métodos científicos

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científico. Daí considerarem-se, na atualidade, pelo menos dois aspectos do método científico:

1. sua aplicação de modo generalizado; neste caso, é denominado método geral;

2. sua aplicação de forma particular, ou relativamente a uma situação do questionamento científico; neste caso, é denominado método específico.

Entende-se que o método científico confere ao pesquisador inúmeras vantagens, oferecendo-lhe um conjunto de atividades sistemáticas e racionais, mostrando-lhe o caminho a ser seguido, permitindo-lhe detectar erros e auxi liando-o nas decisões. Sua aplicação correta proporciona segurança e economia, e permite obter conhecimentos eficazes, com qualidades essenciais à sua natureza.

Vale a pena salientar que métodos e técnicas se relacionam, mas são distintos.

O método é um plano de ação, formado por um conjunto de etapas ordenadamente dispostas, destinadas a realizar e a antecipar uma atividade na busca de uma realidade; já a técnica está ligada ao modo de realizar a atividade, fazendo-a transcorrer de forma mais hábil, mais perfeita. O método está relacionado à estratégia, e a técnica, à tática. Para que fique mais clara a distinção entre eles, devemos levar em conta que o método se refere ao atendimento de um objetivo, enquanto a técnica operacionaliza o método. Os métodos aplicados nas ciências humanas não são estanques, eles devem ser adequados a cada tipo de pesquisa. As técnicas de pesquisa, por sua vez, em geral, estão relacionadas à coleta de dados, ou seja,

 

2.2 MÉTODOS ESPECÍFICOS DAS CIÊNCIAS SOCIAIS

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No primeiro argumento, apesar de a evidência sustentar a conclusão, os elementos que a compõem são falsos. No segundo argumento, apesar de as evidências e a conclusão serem verdadeiras, não há relação lógica entre ambos. A ciência busca a verdade a partir de dados fieis e confirmáveis, sempre ao alcance da verdade e em aproximação com ela, por meio de métodos e técnicas, preocupando-se sempre com o constante aperfeiçoamento. Além disso, procura correlacionar os fatos para a obtenção de leis com as teorias universais. Por isso, para explicação racional de argumentos, pressuposições ou hipóteses aceitas, é necessário que: a) o argumento hipotético seja logicamente válido e suas evidências confirmem a conclusão; b) as evidências lógicas dos enunciados sejam transformadas em observações empíricas; c) métodos e técnicas sejam específicos para se chegar à análise de dados lógicos e confiáveis; d) as evidências lógicas dos enunciados justifiquem a escolha das suposições e das correlações estabelecidas pelas hipóteses; e e) os argumentos não sejam produto nem invenção arbitrária; eles devem ser consistentes, compatíveis com o corpo de conhecimento existente e passíveis de testes metodológicos a fim de confirmarem as conclusões.

 

RESUMO

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RESUMO

Os métodos são instrumentos imprescindíveis para o desenvolvimento da investigação científica. Constituem um meio de procedimento sistemático e ordenado para o alcance de novas descobertas. Sem o emprego deles tudo será especulação sem fundamento, pois somente com o embasamento dos procedimentos metodológicos é que se poderá assegurar o desenvolvimento e a coordenação das diversas etapas de uma pesquisa. Todavia, tudo deve ser baseado em um planejamento adequado em função da investigação.

Os procedimentos devem ser invalidados em uma sucessão de etapas pelas quais se descobrem novas relações entre objetos (fatos) de interesse em determinado campo de conhecimento ou aspectos ainda não revelados pela ciência. Com o auxílio dos métodos, outras conclusões são incorporadas ao patrimônio do saber humano por meio dos conhecimentos das diversas ciências.

Se o método consiste em um arsenal instrumental que deve auxiliar o pesquisador na realização de um objetivo, há de se tomar cautela na escolha correta dos métodos e das fases mercadológicas que atendam a cada caso particular com maior eficácia, a qual é medida pela maior ou menor segurança e economia com que propicia a obtenção do fim pretendido.

 

GLOSSÁRIO

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FUNDAMENTOS DE METODOLOGIA

GLOSSÁRIO

Amostragem – conjunto de técnicas estatísticas que possibilita, a partir do conhecimento de uma parte denominada amostra, obter informações sobre o todo.

Argumento – encadeamento lógico do pensamento pelo qual se chega a um resultado.

Atitude – tendência ou disposição de agir sempre de determinada maneira.

Comunidade – localização especial e funcional de seres vivos (humanos, animais e vegetais) em determinado lugar para satisfazer suas necessidades biológicas e sociais.

Desenvolvimento social – mudança social progressiva, acelerada, na qual se alteram os fatores históricos subjacentes da sociedade.

Desvio-padrão – medida estatística da variação ou disposição de uma distribuição de frequência em torno de sua média.

Estatística – ramo da matemática que lida com dados numéricos relativos a fenômenos sociais e naturais com o objetivo de medir ou estimar a extensão desses fenômenos e verificar suas inter-relações.

 

LEITURA RECOMENDADA

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Métodos científicos

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LEITURA RECOMENDADA

ACKOFF, Russel Lincoln. Planejamento da pesquisa social. São Paulo: Edusp, 1975.

BARBOSA FILHO, Manuel. Introdução à pesquisa: métodos, técnicas e instrumentos. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1980.

BRUYNE, Paul de et al. Dinâmica da pesquisa em ciências sociais: polos da prática metodológica. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1977.

BUSSAB, Wilton de O.; MORETTIN, Pedro A. Estatística básica. 5. ed. São Paulo:

Saraiva, 2002.

CRAMER, H. The elements of probability theory. New York: John Wiley, 1984.

DOWNING, Douglas; CLARK, Jeffrey. Estatística aplicada. 2. ed. São Paulo:

Saraiva, 2002.

GALLIANO, A. Guilherme (Org.). Método científico. São Paulo: Harper & Row do

Brasil, 1979.

GOODE, William J.; HATT, Paul K. Métodos em pesquisa social. São Paulo: Editora

Nacional, 1981.

MÁTTAR NETO, João Augusto. Metodologia científica na era da informática.

 

3.1 ELABORAÇÃO DAS HIPÓTESES

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FUNDAMENTOS DE METODOLOGIA

instrumento de trabalho, uma floresta acima do edifício da ciência nem as suas muletas. Entretanto, deve ser uma imagem cognitiva, uma fotografia dos objetos, dos fenômenos, do mundo material e das suas leis de movimento. Portanto, deve ser clara na sua conceituação, sempre partir de uma confirmação e estar relacionada com um sistema teórico.

Como qualquer outro tipo de conhecimento aceito no mundo exterior, a hipótese não é uma cópia de especulação morta da realidade, mas um processo ativamente criador de representações do mundo.2

As técnicas estatísticas auxiliam ao testarem as hipóteses, por meio de seus procedimentos matemáticos e do método amostral. Torna-se possível medir ou estimar a extensão do fenômeno investigado e as inter-relações. As hipóteses não podem ser simplesmente uma representação mental, devem necessariamente passar pelo crivo da experimentação, para chegar a uma resposta.

No decorrer da pesquisa, a hipótese passa por dois processos necessários: a formulação e o seu teste, ambos com o intuito de encontrar soluções para o estudo em questão.

 

3.2 CICLO DAS HIPÓTESES

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Hipóteses

3.2 CICLO DAS HIPÓTESES

Neste estágio, ocorre o procedimento do método dedutivo, que é a etapa da aplicação da hipótese, e sucede a manifestação da prova dos fatos experimentais da hipótese que leva à testagem, resultando na sua aceitação ou sua refutação.

O pesquisador, por meio de seus conhecimentos científicos sobre o assunto pesquisado, elabora sua hipótese, que é um suceder de alternativas de reflexão e de experimentação. Quando confirmado, o conhecimento se amplia; quando não, novo ciclo se origina.

O raciocínio científico é um diálogo exploratório que pode ser resolvido em duas partes ou episódios de pensamento imaginativo e crítico, que se alternam e interagem. No episódio imaginativo, formamos uma opinião, adotamos um ponto de vista e fazemos uma conjectura informada que poderia explicar o fenômeno investigador. O ato gerador é a formulação de uma hipótese.4

Figura 3.1 – Ciclo das hipóteses

Hipótese

SISTEMAS DE HIPÓTESE

 

3.3 QUALIDADE DE UMA HIPÓTESE BEM FORMULADA

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FUNDAMENTOS DE METODOLOGIA

3.3 QUALIDADE DE UMA HIPÓTESE BEM FORMULADA

As formulações das hipóteses de pesquisa devem sempre ser extraídas do problema escolhido sobre o assunto em estudo. Para tanto, a hipótese deve obedecer a certos requisitos básicos, sem os quais todo o trabalho reflexivo poderia ser anulado e, com isso, o estudo poderia ficar sem planejamento e sujeito a interrupções.

Eis alguns requisitos essenciais para a hipótese: a) deve ser conceitualmente exata, explicada por definições manuais e operacionais; b) a redação do seu enunciado deve ser na forma de sentença declarativa; c) deve ser específica e com referências empíricas; d) deve estar necessariamente vinculada a métodos e técnicas que se ajustem

à pesquisa; e) sua relação deve ser com a teoria de base, ou seja, explicitada pela formulação do problema; f) deve estabelecer relação com duas ou mais variáveis; g) deve ser concisa, na sua formulação, e ter a menor quantidade possível de palavras; h) nunca deve contradizer o seu enunciado; e i) deve servir como esclarecimento do fato (objeto) estudado.

 

3.4 TESTAGEM DAS HIPÓTESES

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FUNDAMENTOS DE METODOLOGIA

3.3 QUALIDADE DE UMA HIPÓTESE BEM FORMULADA

As formulações das hipóteses de pesquisa devem sempre ser extraídas do problema escolhido sobre o assunto em estudo. Para tanto, a hipótese deve obedecer a certos requisitos básicos, sem os quais todo o trabalho reflexivo poderia ser anulado e, com isso, o estudo poderia ficar sem planejamento e sujeito a interrupções.

Eis alguns requisitos essenciais para a hipótese: a) deve ser conceitualmente exata, explicada por definições manuais e operacionais; b) a redação do seu enunciado deve ser na forma de sentença declarativa; c) deve ser específica e com referências empíricas; d) deve estar necessariamente vinculada a métodos e técnicas que se ajustem

à pesquisa; e) sua relação deve ser com a teoria de base, ou seja, explicitada pela formulação do problema; f) deve estabelecer relação com duas ou mais variáveis; g) deve ser concisa, na sua formulação, e ter a menor quantidade possível de palavras; h) nunca deve contradizer o seu enunciado; e i) deve servir como esclarecimento do fato (objeto) estudado.

 

RESUMO

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FUNDAMENTOS DE METODOLOGIA

A variável y depende da x. Neste caso, o pesquisador tem condições de determinar a direção da relação da variável y (irritação nervosa) que depende da relação da x (digestão inadequada). Dessa forma, pode-se inferir que os elementos de y dependem dos de x.

3a hipótese: o aumento das irritações nervosas produz um aumento da digestão inadequada do grupo. x

x aumenta y y aumenta x

y

Neste caso, além de se estabelecer a ligação e a dependência entre as variáveis x e y, também é possível determinar a natureza da relação.

As mudanças nos elementos de x produzem mudanças nos de y.

Os três exemplos podem ser adequados para pesquisa, entretanto, vale a pena lembrar que tudo depende muito do objetivo do pesquisador, que deverá aprofundar a natureza de tais associações. Deve-se insistir na perfeição conceitual das definições operacionais das testagens das hipóteses.

RESUMO

As hipóteses são procedentes de uma reflexão sobre observações, porém resultam de um plano intuitivo ou fundamentado em teorias existentes, ou oriundas do conhecimento empírico, sempre em conexão com a busca de explicações para o estudo em questão.

 

GLOSSÁRIO

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Hipóteses

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No decorrer da pesquisa, a partir do problema, as hipóteses passam a reunir-se em sistemas cada vez mais amplos e coerentes, até entrelaçar-se com as conclusões finais.

O ciclo das hipóteses é uma constante para cada pesquisa, sem nunca se alcançar a certeza absoluta, mas sempre obtendo generalidades cada vez mais aprimoradas, mais abrangentes e complexas no domínio do saber.

GLOSSÁRIO

Comportamento – conjunto de normas extremamente complexas de reações ou respostas de um organismo com estímulos recebidos de seu vício.

Fenômeno – mero aparecimento em contraste com a realidade, em especial com a realidade subjacente e inferida.

Hipótese – suposição que antecede a constatação dos fatos; a partir do momento em que é submetida à prova, sendo confirmada e aceita, torna-se teoria.

Objeto – tudo aquilo de que um indivíduo pode ter conhecimento, sobre o que pode tomar qualquer atitude ou o que pode responder.

Sistema – conjunto de elementos unidos por alguma forma de interação e interdependência.

 

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