Como Elaborar Projetos de Pesquisa, 6ª edição

Autor(es): GIL, Antonio Carlos
Visualizações: 1464
Classificação: (0)

Ao desenvolver esta obra, o autor foi guiado por dupla preocupação: em primeiro lugar, apresentar aos iniciantes, de maneira simples e acessível, os elementos necessários para a elaboração de projetos de pesquisa; em segundo, garantir ao profissional de pesquisa, bem como aos estudantes de níveis mais avançados, inclusive dos cursos de pós-graduação, condições para a organização de conhecimentos dispersos, obtidos ao longo da vida acadêmica ou do contato direto com a prática de pesquisa.

De caráter eminentemente prático, mas longe de ser um “receituário”, a obra esclarece os procedimentos a serem adotados para elaboração de projetos referentes aos mais diversos tipos de pesquisa, como pesquisa bibliográfica, pesquisa documental, ensaios clínicos, estudos de coorte, levantamentos de campo, estudos de caso, pesquisa etnográfica, pesquisa narrativa, pesquisa fenomenológica, grounded theory, pesquisa-ação, pesquisa participante e pesquisas de métodos mistos. Procura, ainda, tratar das mais diversas implicações teóricas que envolvem o processo de criação científica. 

Livro-texto para as disciplinas Métodos e Técnicas de Pesquisa e Metodologia de Pesquisa dos cursos de Educação, Psicologia, Ciências Sociais, Pedagogia, Comunicação Social, Serviço Social e Economia, bem como dos cursos de pós-graduação lato sensu. Leitura complementar para as disciplinas Pesquisa de Opinião e Mercadologia e Pesquisa de Opinião dos cursos de Administração e Comunicação Social. Leitura de interesse para profissionais das áreas de Pesquisa Socioeconômica e Pesquisa de Mercado. Livro de referência para estudantes de pós-graduação envolvidos na preparação de teses e dissertações acadêmicas.

Acompanhe as nossas publicações, cadastre-se e receba as informações por e-mail (Clique aqui!)

FORMATOS DISPONíVEIS

19 capítulos

Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta

1 Como Encaminhar uma Pesquisa?

PDF Criptografado

1

COMO ENCAMINHAR

UMA PESQUISA?

1.1  Que é pesquisa?

Pode-se definir pesquisa como o procedimento racional e sistemático que tem como objetivo fornecer respostas aos problemas que são propostos. A pesquisa

é requerida quando não se dispõe de informação suficiente para responder ao problema, ou então quando a informação disponível se encontra em tal estado de desordem que não possa ser adequadamente relacionada ao problema.

A pesquisa é desenvolvida mediante o concurso dos conhecimentos disponíveis e a utilização cuidadosa de métodos e técnicas de investigação científica.

Na realidade, a pesquisa desenvolve-se ao longo de um processo que envolve inúmeras fases, desde a adequada formulação do problema até a satisfatória apresentação dos resultados.

1.2  Por que se faz pesquisa?

Há muitas razões que determinam a realização de uma pesquisa. Podem, no entanto, ser classificadas em dois grandes grupos: razões de ordem intelectual e razões de ordem prática. As primeiras decorrem do desejo de conhecer pela própria satisfação de conhecer. As últimas decorrem do desejo de conhecer com vistas a fazer algo de maneira mais eficiente ou eficaz.

 

2 Como Formular um Problema de Pesquisa?

PDF Criptografado

2

COMO FORMULAR UM

PROBLEMA DE PESQUISA?

2.1  O que é mesmo um problema?

Conforme já foi assinalado, toda pesquisa se inicia com algum tipo de problema, ou indagação. Convém, todavia, tecer algumas considerações acerca do significado de problema, em virtude das diferentes acepções que envolvem este termo.

O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa indica os seguintes significados de problema:

1. Assunto controverso, ainda não satisfatoriamente respondido em qualquer campo do conhecimento, e que pode ser objeto de pesquisas científicas ou discussões acadêmicas.

2. Obstáculo, contratempo, dificuldade que desafia a capacidade de solucionar de alguém.

3. Situação difícil; conflito.

4. Mau funcionamento crônico de alguma coisa que acarreta transtornos, pobreza, miséria, desgraças etc., e que exigiria grande esforço e determinação para ser solucionado.

5. Distúrbio, disfunção orgânica ou psíquica.

6. Pessoa, coisa ou situação incômoda, fora de controle etc.

 

3 Como Construir Hipóteses?

PDF Criptografado

3

COMO CONSTRUIR

HIPÓTESES?

3.1  Que são hipóteses

Foi dito no capítulo anterior que a pesquisa científica se inicia com a construção de um problema passível de solução mediante a utilização de métodos científicos. O passo seguinte consiste em oferecer uma solução possível, mediante a construção de hipóteses. Por hipótese entende-se uma suposição ou explicação provisória do problema. Essa hipótese, que em sua forma mais simples consiste numa expressão verbal que pode ser definida como verdadeira ou falsa, deve ser submetida a teste. Se em decorrência do teste for reconhecida como verdadeira, passa a ser reconhecida como resposta ao problema.

Considere-se, por exemplo, o seguinte problema: Que fatores contribuem para o consumo de cerveja por estudantes universitários? Diversas respostas poderiam ser obtidas. Seria possível afirmar, por exemplo, que estudantes ansiosos tendem a consumir mais cerveja. Que estudantes do sexo masculino são mais propensos ao consumo. Que a proximidade de bares próximos à escola é um fator que estimula um maior consumo. Que estudantes dos cursos noturnos tendem a consumir mais cerveja que os dos cursos matutinos. Essas afirmações podem ser verdadeiras ou falsas e verificadas mediante procedimentos específicos. Logo, essas afirmações podem ser consideradas hipóteses, pois são supostas respostas ao problema proposto.

 

4 Como Classificar as Pesquisas?

PDF Criptografado

4

COMO CLASSIFICAR

AS PESQUISAS?

Como as pesquisas se referem aos mais diversos objetos e perseguem objetivos muito diferentes, é natural que se busque classificá-las. Assim, no presente capítulo procede-se à apresentação de diferentes critérios para classificação das pesquisas. Em seguida, faz-se a apresentação sintética dos principais delineamentos de pesquisa adotados tanto no campo das ciências físicas e biológicas quanto no das ciências humanas e naturais.

4.1 �Que critérios podem ser adotados para classificar as pesquisas

A tendência à classificação é uma característica da racionalidade humana. Ela possibilita melhor organização dos fatos e consequentemente o seu entendimento.

Assim, classificar as pesquisas torna-se uma atividade importante. À medida que se dispõe de um sistema de classificação, torna-se possível reconhecer as semelhanças e diferenças entre as diversas modalidades de pesquisa. Dessa forma, o pesquisador passa a dispor de mais elementos para decidir acerca de sua aplicabilidade na solução dos problemas propostos para investigação.

 

5 Como Delinear uma Pesquisa Bibliográfica?

PDF Criptografado

5

COMO DELINEAR UMA

PESQUISA BIBLIOGRÁFICA?

5.1  Etapas da pesquisa bibliográfica

A pesquisa bibliográfica, como qualquer outra, desenvolve-se ao longo de uma série de etapas. Seu número, assim como seu encadeamento, depende de muitos fatores, tais como a natureza do problema, o nível de conhecimentos que o pesquisador dispõe sobre o assunto, o grau de precisão que se pretende conferir

à pesquisa etc. É possível, no entanto, com base na experiência acumulada pelos autores, admitir que a maioria das pesquisas designadas como bibliográficas segue minimamente as seguintes etapas: a) escolha do tema; b) levantamento bibliográfico preliminar; c) formulação do problema; d) elaboração do plano provisório de assunto; e) busca das fontes; f) leitura do material; g) fichamento; h) organização lógica do assunto; e i) redação do texto.

5.2  Escolha do tema

A pesquisa bibliográfica inicia-se com a escolha de um tema. É uma tarefa considerada fácil, porque qualquer ciência apresenta grande número de temas

 

6 Como Delinear uma Pesquisa Documental?

PDF Criptografado

6

COMO DELINEAR UMA

PESQUISA DOCUMENTAL?

6.1  Etapas da pesquisa documental

A pesquisa documental, como já foi visto, apresenta muitos pontos de semelhança com a pesquisa bibliográfica. Até mesmo porque livros, artigos de periódicos e anais de eventos podem ser considerados como tipos especiais de documentos.

Por isso, em muitos casos, as etapas de seu desenvolvimento são praticamente as mesmas, embora haja pesquisas documentais cujo delineamento se aproxima dos delineamentos experimentais. É o caso de pesquisas ex-post-facto (“a partir do fato passado”), que são elaboradas com dados disponíveis, mas que são submetidos a tratamento estatístico, envolvendo até mesmo teste de hipóteses. Também há pesquisas documentais que se assemelham a levantamentos, diferindo destes simplesmente pelo fato de terem sido elaboradas com dados disponíveis e não obtidos diretamente das pessoas.

De modo geral, é possível identificar as seguintes etapas na pesquisa documental: a) formulação do problema; b) elaboração do plano de trabalho; c) identificação das fontes; d) localização das fontes e obtenção do material; e) análise e interpretação dos dados; f) redação do relatório.

 

7 Como Delinear uma Pesquisa Experimental?

PDF Criptografado

7

COMO DELINEAR UMA

PESQUISA EXPERIMENTAL?

7.1  Etapas do planejamento da pesquisa experimental

O planejamento da pesquisa experimental implica o desenvolvimento de uma série de passos que podem ser assim arrolados: a) formulação do problema; b) construção das hipóteses; c) operacionalização das variáveis; d) definição do plano experimental; e) determinação dos sujeitos; f) determinação do ambiente; g) coleta de dados; h) análise e interpretação dos dados; i) redação do relatório.

7.2  Formulação do problema

Como toda pesquisa, a experimental inicia-se com algum tipo de problema ou indagação. Mais que qualquer outra, a pesquisa experimental exige que o problema seja colocado de maneira clara, precisa e objetiva. As recomendações acerca da formulação do problema, feitas no Capítulo 2, assumem, pois, importância muito maior no caso das pesquisas experimentais.

GIL.indb 65

03/07/2017 18:31:13

7

Como delinear uma pesquisa experimental?

 

8 Como Delinear um Ensaio Clínico?

PDF Criptografado

8

COMO DELINEAR UM

ENSAIO CLÍNICO?

Os ensaios clínicos podem ser definidos como pesquisas experimentais. Logo, iniciam-se com a formulação de um problema, seguido pela construção de hipóteses e demais etapas do processo, que culminam com a redação do relatório.

Em virtude, porém, de seu aprimoramento metodológico, tendem a apresentar maior especificidade e a ser considerados separadamente.

Existem diversas modalidades de ensaios clínicos. O mais conhecido e mais valorizado é o ensaio randomizado cego. Outras modalidades são: o delineamento fatorial, o delineamento randomizado com alocação de grupos, o delineamento com grupo de controle não equivalente, o delineamento de séries temporais e o delineamento cruzado. Assim, procede-se à apresentação das etapas do ensaio clínico randomizado cego e, em seguida, à caracterização das outras modalidades, ressaltando suas especificidades.

8.1  Ensaio clínico randomizado cego

As etapas do ensaio clínico randomizado cego são: a) definição dos objetivos; b) seleção dos participantes; c) medição das variáveis basais; d) definição dos procedimentos de tratamento; e) randomização; f) cegamento; g) acompanhamento da aderência ao tratamento;

 

9 Como Delinear um Estudo de Coorte?

PDF Criptografado

9

COMO DELINEAR UM

ESTUDO DE COORTE?

O delineamento de um estudo de coorte apresenta pontos de semelhança com o dos ensaios clínicos, pois é constituído por uma amostra de pessoas expostas a determinado fator e outra amostra equivalente de não expostos. A exposição, no entanto, não é aplicada aleatoriamente, pois as condições de seleção da amostra são muito limitadas no estudo de coorte.

Os estudos de coorte podem ser classificados em prospectivo e retrospectivo.

Em ambos os casos, o grupo é formado no presente, mas enquanto o retrospectivo é seguido em direção ao futuro, o retrospectivo é estudado em relação ao passado. Assim, procede-se, inicialmente, à apresentação das etapas seguidas nos estudos prospectivos. Em seguida, apresentam-se as diferenças entre as duas modalidades de estudo quanto à sequência das etapas.

9.1  Estudos de coorte prospectivos

As etapas de um estudo de coorte prospectivo são: a) definição dos objetivos; b) seleção dos participantes; c) verificação da exposição; c) acompanhamento dos participantes; d) análise e interpretação dos resultados; e) redação do relatório.

 

10 Como Delinear um Estudo Caso-Controle?

PDF Criptografado

10

COMO DELINEAR UM

ESTUDO CASO-CONTROLE?

O estudo caso-controle tem objetivo semelhante ao do estudo de coorte: esclarecer a relação entre exposição a um fator de risco e a doença. Difere deste, no entanto, porque é de natureza retrospectiva, ou seja, parte do efeito para elucidar as causas.

De modo geral, os estudos de caso-controle seguem as seguintes etapas: a) definição dos objetivos; b) seleção dos participantes; c) verificação do nível de exposição de cada participante; d) análise e interpretação dos resultados; e e) redação do relatório.

10.1  Definição dos objetivos

A lógica subjacente a esta modalidade de pesquisa consiste na busca de evidência de que maior exposição entre os sujeitos que constituem os casos em comparação com os controles pode ser caracterizada como fator de risco. O que significa que seus objetivos devem ser apresentados sob a forma de hipóteses, com a definição clara das variáveis independentes e dependentes. A variável dependente é a variável de desfecho, ou seja, referente à doença ou condição que se pretende estudar. Já as variáveis independentes são as preditoras do desfecho, referindo-se, portanto, à exposição ou a qualquer outra característica que se acredite preditora.

 

11 Como Delinear um Levantamento?

PDF Criptografado

11

COMO DELINEAR UM

LEVANTAMENTO?

11.1  Etapas do levantamento

Os levantamentos dos mais diversos tipos (socioeconômicos, psicossociais etc.) desenvolvem-se ao longo de várias etapas. De modo geral, essas fases podem ser definidas na seguinte sequência: a)

especificação dos objetivos;

b) operacionalização dos conceitos e variáveis; c)

elaboração do instrumento de coleta de dados;

d) pré-teste do instrumento; e)

seleção da amostra;

f)

coleta e verificação dos dados;

g)

análise e interpretação dos dados;

h) redação do relatório.

11.2  Especificação dos objetivos

Os problemas propostos para investigação geralmente o são de maneira bastante geral. Todavia, para que se possa realizar a pesquisa com a precisão requerida,

é necessário especificá-los. Os objetivos gerais são pontos de partida, indicam uma direção a seguir, mas, na maioria dos casos, não possibilitam que se parta para a investigação. Logo, precisam ser redefinidos, esclarecidos, delimitados.

 

12 Como Delinear um Estudo de Caso?

PDF Criptografado

12

COMO DELINEAR UM

ESTUDO DE CASO?

12.1  Etapas do estudo de caso

Diferentemente do que ocorre com outros delineamentos, como o experimento e o levantamento, as etapas do estudo de caso não se dão numa sequência rígida.

Seu planejamento tende a ser mais flexível e com frequência o que foi desenvolvido numa etapa determina alterações na seguinte. Mas é possível definir um conjunto de etapas que, não necessariamente nesta ordem, são seguidas na maioria das pesquisas definidas como estudos de caso: a) formulação do problema ou das questões de pesquisa; b) definição das unidades-caso; c) seleção dos casos; d) elaboração do protocolo; e) coleta de dados; f) análise e interpretação dos dados; g) redação do relatório.

12.1.1  Formulação do problema ou das questões de pesquisa

Como qualquer pesquisa, o estudo de caso inicia-se com a formulação de um problema. Mas há autores que evitam mencionar esse termo em seus estudos, dando preferência a indicar questões de pesquisa Alegam que o termo problema é mais adequado aos estudos quantitativos, que conduzem à definição de metas ou objetivos específicos ou à construção de hipóteses. Também alegam que os problemas de pesquisa são geralmente apresentados como declarações interrogativas, que se

 

13 Como Delinear uma Pesquisa Etnográfica?

PDF Criptografado

13

COMO DELINEAR UMA

PESQUISA ETNOGRÁFICA?

13.1  Etapas da pesquisa etnográfica

O pesquisador que se dispõe a realizar uma pesquisa etnográfica assume uma visão holística com vistas a obter a descrição mais ampla possível do grupo pesquisado. A descrição pode incluir múltiplos aspectos da vida do grupo e requerer considerações de ordem histórica, política, econômica, religiosa e ambiental. Os dados obtidos, por sua vez, precisam ser colocados numa perspectiva bem ampla para que assumam significado. Por outro lado, é preciso garantir que os resultados da pesquisa privilegiem a perspectiva dos membros do grupo investigado.

Essas características da pesquisa etnográfica indicam, portanto, que os pesquisadores tendem a desenvolver o trabalho de campo em períodos significativamente superiores ao despendido em outras modalidades de pesquisas. Indicam também que essas atividades tendem a ser mais integradas e menos sequenciais. Daí por que se torna difícil definir previamente as etapas a serem seguidas na pesquisa etnográfica. É possível, no entanto, identificar um conjunto de etapas que são comuns à maioria das pesquisas dessa natureza: a) formulação do problema; b) seleção da amostra; c) entrada em campo; d) coleta de dados; e) elaboração de notas de campo; f) análise dos dados; e g) redação do relatório.

 

14 Como Delinear uma Pesquisa Narrativa?

PDF Criptografado

14

COMO DELINEAR UMA

PESQUISA NARRATIVA?

Pesquisa narrativa constitui provavelmente a mais antiga modalidade de pesquisa qualitativa, tendo sido muito utilizada pelos pesquisadores da Escola de Chicago, durante as décadas de 1920 e 1930 para investigar trabalhadores em funções de baixo status social e membros de grupos fechados, como gangues de rua. Muitas outras pesquisas de caráter narrativo foram realizadas ao longo do século passado em muitos outros contextos. Foi, no entanto, somente a partir do início do século

XXI que se definiram procedimentos sistemáticos para conduzir essa modalidade de pesquisa, graças, principalmente às contribuições de Clandinin e Connelly

(2000), Czarniawska (2004), Bertaux (2003), Riessman (2008) e Creswell (2014).

Embora sejam muitos os estudos narrativos em que os autores se fundamentam principalmente na “arte de contar boas histórias”, é possível, com base em contribuições dos autores acima citados definir um conjunto de procedimentos capazes de orientar a condução de pesquisa narrativas.

 

15 Como Delinear uma Pesquisa Fenomenológica?

PDF Criptografado

15

COMO DELINEAR

UMA PESQUISA

FENOMENOLÓGICA?

15.1  Etapas da pesquisa fenomenológica

A utilização de métodos filosóficos para investigar no campo das ciências empíricas não constitui tarefa das mais simples, já que ciência e filosofia são disciplinas em que se procede de forma distinta para alcançar seus objetivos. Daí por que não há consenso acerca dos procedimentos a serem adotados numa pesquisa fenomenológica. Diversos autores, no entanto, dedicaram-se a definir modelos de pesquisa fenomenológica. Dentre os mais conhecidos estão: Van Kann (1959),

Giorgi (1985), Colaizzi (1978) e Van Maanen (1988). Todos, no entanto, esclarecem que os passos constantes de seus modelos não devem ser vistos como rígidos nem definitivos. Papel importante cabe, portanto, ao pesquisador, no ajustamento do modelo ao fenômeno em estudo.

A maioria dos modelos propostos refere-se ao processo de análise. Como, porém, o propósito deste trabalho é o de proporcionar ao pesquisador um esquema que possibilite o delineamento de toda a pesquisa, apresenta-se aqui a descrição das etapas do processo de pesquisa desde a formulação do problema, passando pela coleta de dados. Para a análise dos resultados, segue-se o modelo de Colaizzi, que se caracteriza principalmente por sua clareza. Assim, podem ser definidas genericamente as seguintes etapas de uma pesquisa fenomenológica: a) formulação do problema; b) escolha das técnicas de coleta de dados; c) seleção dos participantes; d) coleta de dados; e) análise dos dados; e f) redação do relatório.

 

16 Como Delinear uma Pesquisa para Desenvolver Teoria Fundamentada (Grounded Theory )?

PDF Criptografado

16

COMO DELINEAR

UMA PESQUISA PARA

DESENVOLVER TEORIA

FUNDAMENTADA

(GROUNDED THEORY )?

Dentre os delineamentos de pesquisa qualitativa, o que estabelece com maior rigor as etapas a serem seguidas é o definido para desenvolver teoria fundamentada (grouded theory), embora haja divergências nas orientações definidas por seus criadores. Para Barney Glaser, o pesquisador deve ir a campo sem qualquer concepção prévia para não enviesar sua interpretação. Já para Anselm Strauss, o conhecimento prévio é um meio indispensável para que os dados empíricos tenham sentido. Assim, Strauss, juntamente com Juliet Corbin, escreveu em 1990 o livro Basics of qualitative research: grounded theory procedures, que apresenta de forma detalhada o processo de pesquisa, cujas grandes etapas são: a) formulação do problema; b) seleção da amostra; c) coleta de dados; d) análise dos dados; e e) redação do relatório.

16.1  Formulação do problema

O pesquisador que se dispõe a construir uma teoria fundamentada parte do princípio de que o fenômeno proposto para investigação ainda não foi devidamente

 

17 Como Delinear uma Pesquisa-ação?

PDF Criptografado

17

COMO DELINEAR UMA

PESQUISA-AÇÃO?

17.1  Etapas da pesquisa-ação

O planejamento da pesquisa-ação difere significativamente dos outros tipos de pesquisa já considerados. Não apenas em virtude de sua flexibilidade, mas, sobretudo, porque, além dos aspectos referentes à pesquisa propriamente dita, envolve também a ação dos pesquisadores e dos grupos interessados, o que ocorre nos mais diversos momentos da pesquisa. Daí por que se torna difícil apresentar seu planejamento com base em fases ordenadas temporalmente.

O planejamento de pesquisas qualitativas, como a etnográfica e a fenomenológica, e mesmo dos estudos de caso, também é flexível. Todavia, nesses delineamentos é possível pelo menos ordenar cronologicamente suas fases. Já na pesquisa-ação ocorre um constante vaivém entre as fases, que é determinado pela dinâmica do relacionamento entre os pesquisadores e a situação pesquisada.

Assim, o que se torna possível na pesquisa-ação é apresentar alguns conjuntos de ações que, embora não ordenados no tempo, podem ser considerados etapas da pesquisa-ação: a) fase exploratória; b) formulação do problema; c) construção de hipóteses; d) realização do seminário; e) seleção da amostra; f) coleta de dados; g) análise e interpretação dos dados;

 

18 Como Delinear uma Pesquisa Participante?

PDF Criptografado

18

COMO DELINEAR UMA

PESQUISA PARTICIPANTE?

18.1  Etapas da pesquisa participante

Constitui tarefa difícil, se não impossível, determinar com precisão as etapas de uma pesquisa participante. Muito mais difícil que a determinação das etapas da pesquisa-ação. Isso porque nesta última, de modo geral, existe o empenho de uma instituição governamental ou privada interessada nos resultados da investigação e, como tal, disposta a financiá-la. Dessa forma, torna-se possível definir algum tipo de planejamento. Já na pesquisa participante (pelo menos da forma como é concebida no Terceiro Mundo), os grupos interessados são constituídos por pessoas de parcos recursos (trabalhadores rurais, favelados, índios etc.), o que dificulta a elaboração de um plano rigoroso de pesquisa. Em virtude das dificuldades para contratação de pesquisadores e assessores, para reprodução de material para coleta de dados e mesmo para garantir a colaboração dos grupos presumivelmente interessados, o planejamento da pesquisa tende, na maioria dos casos, a ser bastante flexível. Torna-se difícil, portanto, prever com precisão os passos a serem seguidos numa pesquisa participante. Embora a literatura indique propostas, como a de Freire (1981), Garcia (1984) e Le Boterf (1984).

 

Carregar mais


Detalhes do Produto

Livro Impresso
Book
Capítulos

Formato
PDF
Criptografado
Sim
SKU
BPP0000230142
ISBN
9788597012927
Tamanho do arquivo
4,4 MB
Impressão
Desabilitada
Cópia
Desabilitada
Vocalização de texto
Não
Formato
PDF
Criptografado
Sim
Impressão
Desabilitada
Cópia
Desabilitada
Vocalização de texto
Não
SKU
Em metadados
ISBN
Em metadados
Tamanho do arquivo
Em metadados