Dietoterapia Chinesa - Nutrição para Corpo, Mente e Espírito

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Longe de ser uma proposta intelectual sobre fisiologia e dietética, Dietoterapia Chinesa | Nutrição para Corpo, Mente e Espírito mostra que a nutrição vai além de processos biológicos e engloba a mente e o espírito do indivíduo a partir da medicina tradicional chinesa. Com olhar amplo, integrado e amoroso, a autora sugere a observação das necessidades internas, envolvendo as práticas do autoconhecimento e do autocuidado na promoção da saúde e na escolha alimentar, a fim de que a nutrição seja também terapêutica. Integrar corpo, mente e espírito é o caminho que a ciência acaba de descobrir para manter a vida. Por isso, esta obra apresenta a proposta milenar que até hoje leva os chineses à conquista da saúde e da longevidade.

33 capítulos

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1 Nutrição Integrativa

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Para falar sobre nutrição integrativa, é preciso voltar um pouco no tempo.

Ao longo da história da medicina, diferentes modelos foram utilizados. O modelo biomédico, com uma medicina convencional e atualmente utilizado no Ocidente, apesar de ter oferecido soluções para problemas da saúde, há algumas décadas tem sido fonte crescente de insatisfação. Isso é motivado, em parte, pela superespecialização nas diversas áreas da medicina, fragmentando o ser humano e deixando de lado o olhar integral sobre o indivíduo, o que promove distanciamento entre médico e paciente (Luz et al., 2006).

No final da década de 1990, na tentativa de descrever um novo modelo de saúde que retratasse a integração dos diversos modelos terapêuticos, foi criado o termo “Medicina Integrativa” (MI) (Otani e Barros, 2011). A MI também é definida como uma abordagem médica orientada para a cura, em que a ausência da doença não é o foco do tratamento, mas, sim, o bem-estar do paciente. O objetivo da MI é abordar a pessoa em sua totalidade (mente, corpo e espírito). Esta medicina não despreza a medicina convencional, mas agrega o melhor desta e da medicina complementar, estabelecendo um caminho de equilíbrio entre os diferentes saberes e experiências existentes (Lima, 2009). Nessa mesma linha de raciocínio, com base na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (2006), recentemente surgiu o curso de pós-graduação em Teorias e Técnicas para Cuidados Integrativos da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), com um novo “velho olhar” de cuidar de maneira integrada, enfatizando a saúde e não a doença, levando a cada um a corresponsabilidade por sua saúde – o autocuidado (Fontes, 2011). A epistemologia dos cuidados integrativos é sustentada por três pilares: o autoconhecimento, incluindo a corporeidade; a alteridade, prática saudável de inter-relação; e a transdisciplinaridade, como modelo de ensino que dialoga com as diferentes dimensões da realidade. Além disso, ela oferece nova tomada de consciência do saber, com base no ser que cuida de si, do outro e do planeta (Latterza et al., no prelo). Apesar do avanço tecnológico, da descoberta do genoma humano e de uma extensa lista de medicamentos lançados para os mais diferentes problemas de saúde, a frase imortal de Hipócrates – “Faz do alimento o teu medicamento” – nunca foi tão atual. O ser humano e a medicina modernizaram-se, mas não alcançaram o equilíbrio. Atualmente, com a quebra de paradigmas na área da saúde, os profissionais nela atuantes buscam o caminho do retorno, da essência perdida em um mundo capitalista e imediatista, que visa à busca do prazer, do consumo desenfreado e de escolhas nem sempre racionais que levam à doença e tentam aplacar as “dores da alma”.

 

2 Corpo, Mente e Espírito

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Atualmente, parece cult dizer que o ser humano é a soma de corpo, mente e espírito. Com o advento da medicina integrativa nos EUA, uma profunda reflexão permeia todo o pensamento na área da saúde, ao considerar os aspectos mentais e espirituais do ser humano.

Desde 1998, a Organização Mundial da Saúde (OMS) agrega o fator espiritual à definição de saúde, junto ao bem-estar físico, mental e social, compreendendo também que ela é um estado dinâmico. O conceito de saúde, portanto, está além da cura da doença, e sua origem também se encontra nos valores humanos, como na capacidade de resiliência, no significado e na compreensão, que dão origem à salutogênese, como descreve Antonovsky (apud Moraes, 2006): “A salutogênese parte do princípio de que o ser humano vive em um constante equilíbrio dinâmico entre as funções orgânicas, as psíquicas e as espirituais.”

Antes de pensar em tratar a doença, é preciso conhecer os meios de conquistar a saúde. Isso envolve não apenas se alimentar de modo adequado e praticar exercícios físicos, mas também buscar maneiras positivas de se relacionar, de pensar, de viver em um ambiente ecológico, de olhar a vida com humor e significado, além de praticar valores humanos como a gratidão, a empatia e o amor. Por isso, é importante buscar meios diversificados para que a vida se torne verdadeiramente sustentável.

 

3 Introdução à Medicina Tradicional Chinesa

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A sabedoria chinesa para a vida é mundialmente conhecida. Há milênios os chineses estudam a saúde observando as manifestações da natureza e têm como base o livro Huang Di Nei Jing, o clássico do Imperador Amarelo. “A medicina chinesa foi moldada durante a Dinastia Han, de 200 a 220 d.C.” (apud Mole et al., 2007). Ela é o resultado de uma elaborada proposta para recuperação e manutenção da saúde a partir de ideias “provenientes do Naturalismo, Confucionismo e principalmente do Taoísmo, pois, naquele tempo, nenhuma distinção era feita entre religião, filosofia, ciência e medicina” (Mole et al., 2007).

É importante ressaltar que o conceito de espírito inserido neste livro é oriundo do Taoísmo, vigente na China, nos primórdios da medicina tradicional chinesa. Portanto, é fundamental entender a herança filosófica que influenciou o pensamento dos chineses, para compreender, de fato, por que o ser humano é entendido como corpo, mente e espírito.

 

4 Yin Shi Zhi Liao Fa | Dietoterapia Chinesa

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Entre as modalidades de tratamento oferecidas pela medicina chinesa, está a dietoterapia chinesa (yin shi zhi liao fa). Ela é uma proposta terapêutica em que se utilizam bebidas e comidas como prevenção e promoção de saúde e também como forma de tratamento. Este livro referencia a dinâmica dessa orientação nutricional em caráter terapêutico, com visão abrangente e integrada, podendo ser associada às demais modalidades orientais e ocidentais.

Dietoterapia chinesa não sugere uma nova dieta milagrosa, mas propõe a nutrição em diferentes níveis. São considerados os aspectos físicos, mentais e espirituais do ser humano, evidenciando as características energéticas dos alimentos, sugeridos conforme as condições de saúde do indivíduo, as quais variam de pessoa para pessoa.

A dietoterapia chinesa sugere profundo cuidado na escolha dos alimentos e vai além ao mostrar que as necessidades fisioquímicas do ser humano também surgem por desarmonias emocionais e espirituais.

 

5 Qi | Energia Vital

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O ideograma qi é representado por duas imagens associadas (Figura 5.1). A base da figura representa um grão de arroz cozido, e o topo tem uma imagem que simboliza o vapor. Enquanto o arroz cozido denota algo material e substancial, o vapor dá ideia de algo imaterial e etéreo. A junção dessas imagens carrega a mensagem de algo simultaneamente material e imaterial e que está em constante movimento. Isso é o que os chineses chamam de qi.

A palavra que melhor representa a definição de qi no Ocidente é “energia”; afinal, o qi está em toda parte, mesmo que não possamos ver.

O conceito do qi permeia todas as propostas em saúde dentro da terapêutica chinesa, e seu ideograma demonstra que tudo no universo divide-se em matéria e energia, yin e yang, movimento e repouso, atração e repulsão. Em todas essas manifestações há constante dinamismo.

Figura 5.1 Ideograma qi.

No ser humano, o qi é a origem da vida. Ele é composto pelo qi pré-celestial (o qi do céu) e pelo qi pós-celestial (o qi da terra). Por isso, no Su Wen se lê que “a união do qi do céu e da terra é chamada ser humano”.

 

6 Yin e Yang | Dinâmica da Vida

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Como explicado no Capítulo 5, Qi | Energia Vital, o qi é inerente à vida e está em tudo no universo. Ele apresenta duas características distintas: é funcional e energético, porque tem a característica yang, e também é substancial e material, pois tem a característica yin. Entretanto, ora o qi pode apresentar-se com a natureza yang, de caráter energético e sutil, ora pode apresentar-se com características mais densas e materiais, de natureza yin.

De maneira prática, yang é a energia, e yin é a massa formada pela energia. Enquanto yang corresponde à função, yin corresponde à estrutura. Juntos eles correspondem à dinâmica da vida – estrutura e função, matéria e energia. Por isso, yin e yang são faces de uma mesma moeda, ou ainda, do qi.

Na figura do tai ji (Figura 6.1), as diferenças podem ser observadas. Yin é o lado escuro do círculo, e yang é o lado claro. Supondo que o círculo seja uma montanha em meio à natureza, por exemplo, o lado yin é escuro, em que a luz é difusa e o frio predomina; e o lado yang é ensolarado, e a luz incide e aquece. Enquanto o lado yin tem movimento descendente, a parte clara tem movimento ascendente, nitidamente yang. Essas são as dualidades do qi, que representam a unidade e o todo, e que constantemente sofrem transformações, assim como a natureza e o corpo.

 

7 Wu Xing | Os Cinco Movimentos

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Uma das teorias mais populares da medicina tradicional chinesa é a dos cinco movimentos (wu xing). Ela é parte essencial da diagnose oriental e pode ser utilizada em tratamentos terapêuticos. A teoria dos cinco movimentos, mais do que tudo, é bastante didática e facilita a compreensão da fisiologia do corpo, da mente e do espírito na concepção oriental. Além disso, ela explica como ocorrem as transformações do qi. Kaptchuk (2000) diz:

Sistematizado por Zou Yen entre 350 e 270 a.C. (…) os cinco movimentos são os cinco estágios do yin e do yang.

Inicialmente, o ciclo dos cinco movimentos pode ser exemplificado observando a própria natureza, a partir das estações do ano e dos ciclos de noite e dia. A primavera representa o movimento Madeira e o nascer do sol; o verão representa o movimento Fogo e o meio-dia; o outono representa o movimento Metal e o pôr do sol; o inverno representa o movimento Água e a noite (Figura 7.1).

 

8 Shen | Mente, Consciência e Divindade

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Os chineses atribuem ao coração (xin) a responsabilidade de abrigar a consciência e o espírito do indivíduo, conhecidos em chinês como shen.

Para os chineses, shen tem muitas atribuições. Pode ser entendido como a face e a aparência exterior de alguém, o brilho dos olhos (shen ming), seus movimentos, sua fala, presença e sensibilidade. Ao mesmo tempo, shen também está relacionado com as funções psíquicas, o pensamento, a comunicação, a consciência e a divindade do ser. É curioso notar que a palavra shen em chinês significa consciência. Na realidade, shen é a associação da consciência individual à consciência universal, também entendida como Deus. Por isso, a palavra foi utilizada com o significado de espírito, o deus interior que habita em todos os seres humanos (Figura 8.1).

Figura 8.1 Ideograma shen.

Os rins (shen) abrigam uma parte da mente que é a essência ou o jing. Portanto, a essência (jing) herdada dos pais também serve de base para a formação da mente (shen) dos filhos durante a gestação. Isso poderia explicar por que algumas doenças dos pais se repetem nos filhos como herança genética. Um exemplo disso é a depressão, que, entre diversas origens, também é associada aos genes.

 

9 San Bao | Os Três Tesouros da Saúde

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A longevidade é de plena importância para os orientais e depende da saúde, que, por sua vez, depende do bom funcionamento do organismo. Entretanto, o que mantém o organismo em bom funcionamento não é somente a dinâmica entre os exercícios físicos e a alimentação, mas também a harmonia da mente e do quanto cada um tem de saúde e consegue conservá-la.

Segundo a medicina tradicional chinesa, são três as substâncias fundamentais para a vida: o qi, o shen e o jing. Enquanto o qi é a energia que move o corpo, o shen é a consciência e o espírito, e o jing, a base para que a vida seja desenvolvida.

As três substâncias vitais, qi, shen, jing, formam os três tesouros conhecidos como san bao (Figura 9.1). É a junção e a condição dos três tesouros que determinam a saúde de uma pessoa e, assim como um tesouro, eles precisam ser preservados.

Figura 9.1 Ideograma da saúde.

No corpo, os três tesouros encontram-se nos três aquecedores (san jiao) ao longo do tronco, que são:

 

10 As Origens da Doença

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A medicina tradicional chinesa entende o ser humano como um conjunto de corpo, mente e espírito, e visa promover a harmonia entre essas instâncias.

Quando o indivíduo adoece, apresenta detalhes que são interpretados por um profissional. Na medicina chinesa, a doença é entendida a partir de sinais e sintomas, os quais são entendidos, avaliados e classificados como síndromes. Para chegar ao entendimento da síndrome, é necessário compreender quais fatores levam ao adoecimento. Segundo Kaptchuk (2000), existem três categorias que estimulam a doença: “o ambiente, as emoções e o estilo de vida.”

As origens do adoecimento são:

• Fatores externos (liu yin): relacionam-se com os fatores climáticos, que propiciam a invasão de agentes patogênicos como vento (biao feng), calor (biao re), fogo (biao huo), canícula (biao shu), umidade (biao shi), secura (biao zao) e frio (biao han)

• Fatores internos (qi qing): são todas as emoções e sentimentos negativos vivenciados constantemente, como medo (kong), raiva (nu), euforia (xi), preocupação/obsessão (si) e tristeza (you)

 

11 Emoções Destrutivas e seus Antídotos

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Antes de explanar as emoções e de que modo elas podem contribuir para a doença ou para a saúde, é importante ressaltar que a visão da medicina chinesa acerca do assunto é totalmente distinta dos conceitos da medicina convencional. No Ocidente, “as emoções afetam o sistema límbico dentro do cérebro, os impulsos nervosos são estimulados e finalmente alcançam os órgãos internos” (Maciocia, 1996). Isso coloca o cérebro no “topo da pirâmide do corpo-mente”.

Os chineses entendem que as emoções também são respostas dos órgãos internos (zang) a todo o organismo, porque, para eles, os cinco órgãos (fígado, coração, baço, pulmão e rins) têm características psíquicas interpretadas pelo cérebro, e não são oriundas dele. Assim, as emoções e os sentimentos podem vir à tona tanto como uma resposta emocional como por desequilíbrios físico-energéticos.

Embora a medicina chinesa não aponte todas as emoções que o ser humano pode sentir, ela indica em que área, inicialmente, a emoção vivenciada de maneira crônica pode afetar a vida de um indivíduo e lesar suas funções orgânicas. Isso porque o estímulo emocional provoca uma resposta fisiológica: “Quando as emoções são prolongadas, intensas, reprimidas ou não admitidas, elas se tornam uma causa de desequilíbrio no qi de uma pessoa. (…) Os pacientes todos têm uma história pessoal que moldou sua personalidade única e criou desequilíbrios nos cinco elementos” (Mole, 2007).

 

12 Impactos Sociais e Ambientais na Alimentação

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A nutrição do ser humano pode ser alterada por muitos fatores, entre eles o meio ambiente e o meio social. As condições de saúde, embora inicialmente individuais, também são resultado do sistema alimentar proposto pela sociedade, condicionado a agricultura, geografia, ecologia, cultura, economia e política; afinal, não se vive sozinho, o ser humano está sujeito ao ambiente em que vive.

Conforme o Guia Alimentar para a População Brasileira, proposto pelo Ministério da Saúde em 2006:

Esses são fatores que afetam a saúde de todos. Se esses sistemas produzem alimentos que são inadequados ou inseguros que aumentam o risco das doenças, eles precisam ser mudados. É aqui que se manifesta com maior propriedade o poder do Estado, no que se refere à proteção da saúde da população. O Estado, por intermédio de suas políticas públicas, tem a responsabilidade de fomentar mudanças socioambientais, em nível coletivo, para favorecer as escolhas saudáveis em nível individual ou familiar.

 

13 Doenças Relacionadas com a Alimentação

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Antes de explicar como determinadas doenças são oriundas da alimentação, é importante esclarecer de que modo a medicina tradicional chinesa entende a doença, o que difere em muito da compreensão no Ocidente.

Segundo o Dr. Henry Lu (1997):

A doença pode ser entendida de dois diferentes modos: primeiro, a doença pode ser definida como o oposto da saúde, o que significa que uma pessoa está doente ou saudável. Segundo, a doença pode ser entendida em termos de fraqueza. (…) A segunda definição de doença é usada na medicina tradicional chinesa. (…) Na medicina tradicional chinesa os sintomas são tomados como importantes indícios para localizar a fraqueza da pessoa. (…) Para viver por muito tempo, é necessário tornar forte as pessoas fracas de modo que elas não se tornem doentes tão frequentemente, o que é o primeiro passo à longevidade.

Portanto, além do olhar preventivo, a medicina tradicional chinesa entende o corpo como um sistema integrado e observa os sinais para identificar quais órgãos estão enfraquecidos.

 

14 Alimentação como Recurso de Tratamento

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Embora a acupuntura seja o ramo da medicina tradicional chinesa mais conhecido no Ocidente, “a dietoterapia chinesa tem sua história documentada há mais de 2000 anos” (Flaws, 1998). Ela é o recurso mais próximo das pessoas e, segundo Flaws, “a cada dinastia, a dietoterapia recebeu contribuições, encontradas em obras de Qian Jin Yao Fang, Zhang Zhong-Jing, Sun Si Miao, Yin Shi Xu Shi, Liu Shi-Lin, Che Zi, entre outros”.

Segundo Sun Si Miao, mestre chinês da Dinastia Tang, “quando alguém está enfermo, primeiro é necessário reorganizar a alimentação e o estilo de vida. Na maioria dos casos, uma mudança significativa nestes setores já é o suficiente para que a cura se estabeleça, se isso não for suficiente entram os demais recursos, como a acupuntura e a fitoterapia” (apud Flaws, 1998).

É importante ressaltar que, em dietoterapia chinesa, os alimentos são sugeridos conforme suas respectivas qualidades energéticas, e não por suas características nutricionais como zinco, ferro ou vitaminas. Obviamente não se pode negar os estudos acerca da nutrição. Eles também são válidos; entretanto, na época em que a medicina tradicional chinesa surgiu, não havia o conhecimento de carboidratos, proteínas ou lipídios, e o estudo da direção do qi e das naturezas do yin e do yang permaneceu como fator principal na escolha dos alimentos e das ervas para tratamento, sobretudo porque esse é o olhar que permeia o pensamento oriental.

 

15 Alimentação Conforme as Estações do Ano

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Uma das propostas da dietoterapia chinesa é acompanhar o ritmo das estações do ano para estimular o relacionamento harmônico do ser humano com a natureza e, com isso, facilitar o desempenho do qi dentro do corpo. Assim, segundo a medicina tradicional chinesa, os alimentos podem ser recomendados de acordo com as estações do ano, uma ação sustentável para o planeta.

Segundo a teoria dos cinco movimentos (wu xing), cada estação do ano está relacionada com um movimento. A primavera está ligada ao movimento Madeira e ao sabor ácido; o verão está relacionado com o movimento Fogo e o sabor amargo; o outono relaciona-se com o movimento Metal e o sabor picante; e o inverno, com o movimento Água e o sabor salgado. O período entre uma estação e outra está ligado ao movimento Terra e ao sabor doce. O Quadro 15.1 concede algumas recomendações alimentares segundo as estações do ano.

Quadro 15.1Recomendações alimentares segundo as estações do ano.

Estação

 

16 Metabolismo e Fisiologia Energética da Digestão

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Antes de tudo, é importante ressaltar que o metabolismo é o resultado de todas as reações químicas do corpo e, na visão oriental, tudo o que acontece no corpo está inicialmente relacionado com os cinco órgãos vitais: fígado (gan), coração (xin), baço (pi), pulmões (fei) e rins (shen).

Os órgãos têm estrutura anatômica e, por isso, característica yin. As funções que são tanto fisiológicas como energéticas têm natureza yang. As vísceras têm a função de armazenar e excretar substâncias; são elas: vesícula biliar (dan), estômago (wei), intestino delgado (xiao chang), intestino grosso (da chang) e bexiga (pang guang). Portanto, todo o metabolismo exige a perfeita atuação tanto das vísceras quanto dos órgãos, e qualquer deficiência em suas funções pode atrapalhar o processo.

Para manter as funções, o organismo depende dos alimentos e do equilíbrio adequado entre as atividades e o repouso. Além disso, emoções destrutivas também prejudicam o funcionamento do corpo. Quando o processo digestivo se inicia, o estômago (wei) matura os alimentos, e quem dirige esse trabalho é o baço (pi). Segundo Peter Mole (2006):

 

17 Horários Adequados para a Alimentação

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Embora este livro trate da dietética oriental, é possível encontrar semelhanças com a dietética ocidental, conforme a publicação do Guia Alimentar para a População Brasileira, proposto pelo Ministério da Saúde em 2006:

• Refeições são saudáveis quando preparadas com alimentos variados, com tipos e quantidades adequados às fases da vida, compondo refeições coloridas e saborosas que incluem alimentos de origem vegetal e animal

• Para garantir a saúde, faça pelo menos três refeições por dia (café da manhã, almoço e jantar), intercaladas por pequenos lanches o

• A alimentação saudável tem início com a prática do aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de idade e o complementar até pelo menos os 2 anos, prolongando-se pela vida somado à adoção de bons hábitos alimentares.

Dentro de uma proposta alimentícia é importante saber quais os horários adequados para comer tendo em vista a fisiologia corporal. Em medicina chinesa, os horários para alimentação são pontuados conforme a circulação energética do qi, que enaltece as funções dos órgãos internos (zang).

 

18 Nutrição dos Cinco Sentidos

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Ao longo deste livro, foi relatada a importância que os chineses dão às funções dos cinco órgãos internos (zang). Para eles, as condições do fígado (gan), do coração (xin), do baço (pi), dos pulmões (fei) e dos rins (shen) são primordiais para manter a saúde; afinal, são eles os responsáveis pelo bom funcionamento do organismo.

A medicina ocidental atribui a maioria das funções do organismo ao cérebro (nao), e isso é comprovado. Entretanto, na concepção chinesa, o cérebro (nao) é energeticamente sustentado pela atuação dos órgãos internos (zang), nutrido pelos rins (shen) e dependente da essência (jing). Isso não diminui suas funções, mas confere responsabilidade aos órgãos.

Segundo as palavras de Ted Kaptchuk (2000):

O cérebro (nao) é o mar da medula e é responsável pela fluidez do movimento corporal e pela sensibilidade dos olhos e dos ouvidos. O cérebro, assim como os ossos, é nutrido pela medula (sui). Quando o cérebro não é nutrido por insuficiência da medula, ele perde a coordenação. Há zumbidos, tremores, tontura e visão fraca. (…) Li Shi-Zen, por exemplo, acreditava que o cérebro fosse a sede da consciência. Embora o cérebro, a medula e os ossos sejam entendidos, seus desequilíbrios têm sido tratados com fitoterapia e acupuntura através dos canais dos rins.

 

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