Aconselhamento em Dependência Química, 3ª edição

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Em sua terceira edição, Aconselhamento em Dependência Química traz a atualização necessária aos profissionais da área da saúde que desejam aperfeiçoar o cuidado a dependentes de álcool e outras substâncias. Com linguagem clara e didática, apresenta as substâncias mais comuns de consumo abusivo e, assim, facilita o aconselhamento pelos profissionais em atividade clínica e assistencial, além de auxiliar no estabelecimento de condições de reabilitação aos pacientes em tratamento. Elaborados por especialistas, os capítulos estão divididos de acordo com os temas mais relevantes e atuais na área da dependência química (bases teóricas do uso de substâncias, tratamento e noções de prevenção, organização de serviços e saúde pública), garantindo a todos os profissionais a oportunidade de ampliar sua capacitação.

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1 - Sistemas Diagnósticos em Dependência Química | Conceitos Básicos e Classificação Geral

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1

Sistemas Diagnósticos em Dependência

Química | Conceitos

Básicos e Classificação

Geral

Neliana Buzi Figlie, Neide A. Zanelatto, Selma Bordin, Camila

Garcia de Grandi e Ronaldo Laranjeira

Introdução

A resposta à pergunta O que é dependência química? ainda não está clara, apesar dos inúmeros estudos já realizados. Existe uma grande variedade de modelos que oferecem uma fundamentação teórica para explicar a complexidade da natureza da dependência química. Inicialmente, o modelo moral, hoje em franco desuso, foi utilizado para descrever o fenômeno da dependência como se fosse uma escolha pessoal,1 como se fosse um desrespeito às normas e regras de convivência social e, portanto, passível de punição. Apesar de todos os avanços científicos realizados, ainda encontramos muitas pessoas, inclusive profissionais de saúde, respondendo ao usuário de álcool ou drogas com ideias e atitudes preconceituosas. Expressões como “outra vez bêbado?”, “é um fraco”, “não tem vergonha na cara” são, infelizmente, muito comuns.

 

2 - Neurobiologia da Dependência Química

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2

Neurobiologia da

Dependência Química

Cláudio Jerônimo da Silva e Ronaldo Laranjeira

Introdução

Avanços científicos nos últimos 20 anos mostram que a dependência é uma doença crônica e recorrente, que resulta da interação de efeitos prolongados da droga no cérebro. Entretanto, como muitas outras doenças cerebrais, importantes aspectos sociais, culturais, educacionais e comportamentais são partes integrantes dessa doença.1,2

A discussão sobre uma droga causar maiores ou menores sintomas de síndrome de abstinência, tolerância ou efeitos biológicos mais ou menos pronunciados não esgota todas as questões envolvidas na dependência. Por exemplo, se alguém sob efeito de droga comete um delito, é preso e não recebe tratamento na prisão, corre-se o risco de criar um verdadeiro tráfico de drogas no sistema prisional, como vem ocorrendo no Brasil nos últimos dois anos. Cria-se uma série de problemas sociais da mais alta gravidade e de difícil resolução. Adequado seria tratar as duas dimensões: a dependência química e o conflito com a lei, sem polarizar nem para o lado do crime, esquecendo-se da doença, e nem para o lado da doença, negligenciandose o crime. No Brasil ainda existe uma tendência, observada empiricamente, de tratar a dependência química como uma questão de saúde ou de justiça.

 

3 - Álcool

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3

Álcool

Cláudio Jerônimo da Silva, Selma Bordin, Neliana Buzi Figlie e Ronaldo Laranjeira

Introdução

O uso do álcool é detectado desde os tempos pré-bíblicos, mas somente na virada do século 18 para o século 19, após a Revolução Industrial, é que aparece, na literatura, o conceito do beber nocivo como uma condição clínica.1

A produção do álcool a que o homem estava acostumado até século 18 era artesanal e predominavam, portanto, as bebidas fermentadas

(vinhos e alguns tipos de cerveja). Com a Revolução Industrial Inglesa, passou-se a produzi-las em grandes quantidades, o que diminuiu seu custo.

Além disso, desenvolveu-se o processo de destilação dos fermentados, técnica capaz de aumentar muito as concentrações alcoólicas. Soma-se a isso o fato de que, com a urbanização, o perfil das relações sociais foi modificado, e o álcool tem importante papel nessas relações.2

Todas essas mudanças permitiram que um número muito maior de pessoas passasse a consumir álcool com frequência. Foi a partir daí que alguns médicos começaram a observar uma série de complicações físicas e mentais, decorrentes desse consumo excessivo.2 Dois nomes estão especialmente ligados à introdução do conceito de alcoolismo: Benjamin Rush, dos EUA, e Thomas

 

4 - Tabaco

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4

Tabaco

Selma Bordin, Alessandra Diehl, Rosiane Lopes da Silva,

Neliana Buzi Figlie e Ronaldo Laranjeira

Introdução

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que um terço da população mundial adulta, a qual corresponde a 1 bilhão e 200 milhões de pessoas, seja fumante.1,2

No Brasil, segundo dados do II Levantamento

Nacional de Uso de Drogas Psicotrópicas, realizado pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), em 2005, o uso na vida de tabaco é de 44% e a dependência de nicotina é de 10,1%.3 O Brasil tem porcentagens inferiores às do Chile (72%) e dos EUA (67,3%) quanto ao uso de tabaco na vida.3

As taxas de prevalência do tabagismo no Brasil também são inferiores às dos países vizinhos.

Porém, deve-se considerar que nesses países os dados sobre as taxas de prevalência do tabagismo são deficitários e não regulares quando comparados: Argentina (38,4%), Uruguai (32,3%), Chile

(40,9%) e Bolívia (28,6%).4

 

5 - Cocaína

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5

Cocaína

Selma Bordin, Daniel Cruz Cordeiro, Neliana Buzi Figlie e

Ronaldo Laranjeira

Introdução

Atualmente, acredita-se que um número estimado entre 13,3 e 19,7 milhões de pessoas no mundo sejam usuárias de cocaína e seus derivados. A Organização das Nações Unidas (ONU), em 2012, em seu relatório mundial sobre drogas disse que o número de apreensões de cocaína no

Brasil triplicou entre os anos de 2004 (9 toneladas) e 2010 (com 27 toneladas apreendidas).

Acredita-se que parte desse aumento esteja relacionada com o programa de ação lançado em

2011 e também ao papel do Brasil como país de partida da cocaína contrabandeada pelo Oceano

Atlântico.1

O uso da cocaína começou nos países andinos

(Peru, Bolívia, Equador e Colômbia) há mais de

2.000 anos. Seu isolamento químico foi feito por um alemão, chamado Albert Niemann, cujo trabalho foi publicado em 1860.2 A partir de então, passou a ser usada prescrita e vários de seus efeitos foram relatados como benéficos por diversos autores. Koller, por exemplo, descreveu as propriedades anestésicas da cocaína e introduziu seu uso em cirurgias oftalmológicas.3 Freud a experimentou pessoalmente e descreveu-a como “droga mágica”.3 O uso da cocaína tornou-se tão popular nos EUA, que, em 1863, Ângelo Mariani patenteou um vinho, que se tornou muito popular, cuja fórmula continha cocaína.2 Em 1885, a cocaína foi incorporada a uma bebida que depois ficou conhecida como Coca-Cola e foi banida apenas em 1914.3

 

6 - Crack

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6

Crack

Daniel Cruz Cordeiro, Ronaldo Laranjeira e Neliana Buzi Figlie

Introdução

No início do ano de 2013, Antonio Geraldo da

Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em nome desta instituição, declarou sua preocupação acerca da decisão do governo do Estado de São Paulo em internar em massa e de forma compulsória usuários de crack que estão vivendo nas ruas. A discussão é complexa, devido

às próprias características do consumo de crack e a todos os problemas relacionados a ele.1 A questão é como esta situação chegou a esse ponto?

Como esta droga se transformou em problema de saúde pública?

Sabe-se que o crack, nos últimos anos, vem assumindo progressivamente um papel diferente no contexto atual dos problemas associados ao consumo de drogas. Características como ação mais rápida, quadro de fissura quase incontrolável e graves efeitos sociais colocaram essa droga em posição de relevo, ganhando importante destaque nas mídias e recebendo intervenções publicas até então inéditas.

 

7 - Opioides

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7

Opioides

Selma Bordin, Lygia Merini de Oliveira, Neliana Buzi Figlie e

Ronaldo Laranjeira

Introdução

O termo opioide refere-se a qualquer droga que tenha propriedades semelhantes ao ópio ou a seu princípio ativo, a morfina,1 já o termo opiáceo é frequentemente utilizado para se referir aos opioides naturais e semissintéticos.2 Existem também opiáceos endógenos, de ocorrência natural no corpo humano, que são as endorfinas e as encefalinas – substâncias com papel de mediação do reforço positivo e do prazer nos circuitos de recompensa cerebral.3

Antigamente, os opioides eram comumente chamados de narcóticos, o que os distinguia de outros analgésicos que não causam sedação, como o ácido acetilsalicílico. No entanto, com o passar dos anos, o termo narcótico adquiriu novo significado e, por isso, não tem sido mais utilizado para se referir a essas drogas.1

De origem grega, a palavra ópio significa “suco” e deriva do líquido extraído da planta de papoula,

 

8 - Alucinógenos

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8

Alucinógenos

Daniel Cruz Cordeiro, Selma Bordin, Neliana Buzi Figlie e

Ronaldo Laranjeira

Introdução

Existem muitos relatos desde o Egito antigo, passando pela Ásia ou na Europa, na Idade Média, sobre a utilização de substâncias capazes de produzir estados alterados de consciência com alucinações visuais e outras manifestações dos sentidos.

Diferentes plantas em quase todos os continentes ainda são utilizadas nos dias de hoje devido às suas propriedades alucinógenas, com finalidades místicas, assumindo um papel importante em rituais religiosos ou em manifestações culturais atuais.1,2

Estes mesmos efeitos também puderam ser obtidos por meio da descoberta de drogas sintéticas.

O papel da internet vem tornando o acesso a experimentações com novos alucinógenos uma realidade, e a velocidade de produção de novas drogas muitas vezes não é acompanhada pela informação de órgãos responsáveis e reguladores.2

Em 1965, o congresso americano proibiu a utilização de alucinógenos, mesmo em rituais religiosos. Também na década de 1960, uma controvérsia foi causada por Timothy Leary, professor de psicologia em Harvard: alegava que esse tipo de droga proporcionava o contato consigo mesmo e o alcance de um estado de paz e serenidade. Por essa razão, foi expulso de Harvard; então, fundou uma religião e tentou legalizar o uso da dietilamida do ácido lisérgico (LSD, lysergic acid diethylamide). Foi condenado à prisão por porte de drogas.3 Em 1978, voltaram a ser permitidos, em pequenas quantidades, para membros de determinada igreja. Em 1990, por decisão da

 

9 - Maconha

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9

Maconha

Flavia Serebrenic Jungerman, Selma Bordin,

Neliana Buzi Figlie e Ronaldo Laranjeira

Visão geral

O primeiro registro do uso de Cannabis aparece no Book of drugs, escrito em 2737 a.C. pelo imperador chinês Shen Nung: ele prescrevia Cannabis para tratamento de gota, malária, dores reumáticas e doenças femininas. Aparentemente, os chineses tinham muito respeito pela planta. Durante milhares de anos, utilizaram-na medicinalmente e dela extraíam fibras para fabricação de tecidos.1 Mas foi somente no início do século 20 que o uso da Cannabis como medicamento praticamente desapareceu do mundo ocidental, em razão da descoberta de drogas sintéticas.2

Recentemente, voltou-se a discutir o uso terapêutico da maconha, gerando considerável controvérsia a respeito. Por um lado, estudos já demonstraram que o princípio ativo puro da maconha (THC, ∆-9-tetra-hidrocanabinol) é útil no alívio de náuseas e vômitos e na estimulação do apetite. Os efeitos analgésicos, antiespasmódicos, anticonvulsivantes, de broncodilatação em casos de asma e de alívio da pressão intraocular, em casos de glaucoma, requerem mais pesquisas.3

 

10 - Anfetaminas

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10

Anfetaminas

Selma Bordin, Daniel Cruz Cordeiro, Neliana Buzi Figlie e

Ronaldo Laranjeira

Introdução

Dede outubro de 2011, a Agência Nacional de

Vigilância Sanitária (ANVISA) proibiu o mercado dos remédios emagrecedores. Até então, estudos mostravam que o Brasil correspondia a

50% da produção e consumo de anfetaminas de todo o planeta. A resolução da ANVISA surgiu após estudos mostrarem que esses remédios apresentavam baixa eficácia no tratamento da obesidade e alto potencial para causar dependência. As mulheres de maior escolaridade e poder aquisitivo eram as principais consumidoras desta substância.1

As anfetaminas são potentes estimulantes do sistema nervoso central, capazes de criar dependência em razão de seus efeitos euforizantes e de sua habilidade de reduzir a fadiga e aumentar o estado de alerta.2 São substâncias sintéticas; deste grupo fazem parte, além da própria anfetamina, vários outros derivados, como femproporex, metilfenidato, pemolina, mazindol, dietilpropiona e metanfetaminas.3 Apesar de seus efeitos capazes de causar dependência química, as anfetaminas podiam ser prescritas para fins clínicos. Atualmente, com sua venda proibida, o abuso dessas substâncias é cometido por pessoas que as conseguem de forma ilegal.2

 

11 - Solventes e Inalantes

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Solventes e Inalantes

Selma Bordin, Neliana Buzi Figlie e Ronaldo Laranjeira

Introdução

Os solventes também são chamados de inalantes ou substâncias voláteis. Representam um grupo de substâncias psicoativas quimicamente bastante diversificado e envolvem uma grande variedade de produtos: gasolina, cola, solventes, tintas, vernizes, esmaltes, aerossóis, removedores, fluido de isqueiro, gás de botijão, benzina, inseticidas, extintores de incêndio, laquês, acetonas, lança-perfume, cheirinho da loló etc.1-3 Frequentemente, são divididos em quatro classes: voláteis ou solventes orgânicos, aerossóis, anestésicos e nitratos voláteis.4 Podem ser inalados involuntariamente por trabalhadores da indústria ou utilizados como drogas de abuso.3

O fenômeno da inalação de produtos químicos desenvolveu-se nos países industrializados a partir de 1940, período do início da produção industrial e uso generalizado dessas substâncias. Nos

últimos 50 anos, uma grande variedade de produtos começou a ser inalada visando à obtenção de efeitos psicoativos. O abuso de colas, que deu o nome a seus usuários de “cheiradores de cola”, foi relatado pela primeira vez em 1959, na Califórnia.1

 

12 - Sedativo-hipnóticos

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12

Sedativo-hipnóticos

Selma Bordin, Daniel Cruz Cordeiro, Neliana Buzi Figlie e

Ronaldo Laranjeira

Introdução

Os sedativo-hipnóticos referem-se a vários compostos químicos, assim agrupados em razão da similaridade de seus efeitos. Fazem parte de um grupo maior, conhecido por depressores do sistema nervoso central.1

Em toda sua história, os seres humanos buscaram meios de diminuir ou controlar a ansiedade e a insônia. O álcool é, certamente, o mais antigo agente sedativo-hipnótico utilizado para esse propósito. Historicamente, os opioides também foram utilizados com essa finalidade, mas seu uso ficou limitado em virtude de seu potencial letal. No final do século XIX, o hidrato de cloral e o brometo se tornaram as alternativas mais seguras.2

Os barbitúricos foram introduzidos na prática clínica no início do século XX, com o barbital e o fenobarbital. Entre 1912 e 1950, cerca de outros 50 barbitúricos se tornaram disponíveis no mercado e foram as drogas mais comumente utilizadas no tratamento da ansiedade, da insônia e das convulsões, até a introdução do clordiazepóxido, o primeiro dos benzodiazepínicos, no início dos anos de 1960. Comparados aos barbitúricos, os benzodiazepínicos oferecem vantagens significativas em termos de segurança e opções:1-3 nas décadas de

 

13 - Esteroides Anabolizantes

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13

Esteroides Anabolizantes

Selma Bordin, Neliana Buzi Figlie e Ronaldo Laranjeira

Introdução

Esteroides são hormônios naturais. Existem vários tipos de hormônios esteroides, produzidos em diferentes locais do corpo e com efeitos distintos e necessários para o funcionamento normal do organismo. O isolamento químico dos esteroides aconteceu na década de 1930 e, a partir de então, foi possível sintetizá-los, objetivando-se a reposição naquelas pessoas impossibilitadas de produzi-los.1 Também são utilizados no tratamento de asma, em determinados tipos de anemia, no controle de certos tipos de cânceres e no tratamento de hipogonadismo masculino.2

Os hormônios esteroides podem ter dois efeitos diferentes no metabolismo: catabolizante e anabolizante. O efeito catabolizante refere-se à quebra tanto de proteína quanto de armazenamentos de energia celular. O efeito anabolizante refere-se à produção e ao acúmulo de proteína e

é este o efeito buscado por aquelas pessoas que utilizam os esteroides de maneira errônea.1

 

14 - Outras Drogas de Abuso

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Outras Drogas de Abuso

Alessandra Diehl e Ana Carolina Schmidt

Introdução

Curiosamente, o perfil dos traficantes das antigas drogas (maconha e cocaína) mudou nas

últimas décadas com o advento das chamadas

“drogas sintéticas” (designer drugs), “drogas modificadas” ou, ainda, club drugs. Não vivem mais em morros ou favelas, não estão organizados em quadrilhas com altos comandos, nem se escondem em becos ou enfrentam conflitos diários com a polícia.

Longe de uma visão elitista ou preconceituosa, o fato é que os novos traficantes dessas substâncias são jovens de relativo poder aquisitivo, que frequentam festas nas quais predominam as músicas eletrônicas (raves, trances). As drogas que antes pertenciam aos traficantes passam agora, com as

“drogas modernas”, a ser comercializadas livremente, ora em farmácias, ora em pequenas fábricas caseiras e clandestinas.

Inicialmente, as “drogas sintéticas” eram associadas exclusivamente ao ecstasy. No entanto, a família das “drogas modificadas” tem aumentado.

 

15 - Cafeína

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15

Cafeína

Selma Bordin, Neliana Buzi Figlie e Ronaldo Laranjeira

Introdução

A cafeína é o estimulante mais utilizado e, talvez, a droga mais popular do mundo. O estimulante ativo da cafeína, extraído de grãos de café, foi descoberto por cientistas alemães e franceses no início da década de 1820. Ao longo dos anos seguintes, a cafeína foi identificada em muitos outros tipos de plantas, como mate, nozes-de-cola etc.1 O chá contém quantidade significativa de cafeína e teofilina. O chocolate (cacau) contém quantidades relativamente baixas de cafeína e teobromina. Teofilina e teobromina são parentes químicos da cafeína. A teofilina, em particular, atua de modo semelhante a quantidades proporcionais de cafeína.2 A cafeína é ingrediente de analgésicos, estimulantes e bebidas à base de cola (Coca-Cola®,

Pepsi-Cola®), energéticos e está presente no guaraná (Paullinia cupana).3

Provavelmente, as sementes de café eram comidas antes da criação do processo de torrar, moer e coar os grãos em água quente. Como bebida quente, o café foi consumido pela primeira vez em território árabe, por volta de 1000 d.C. O chá originou-se na China, por volta de 2700 a.C. O chocolate era consumido na forma de bebidas amargas e, graças às freiras suíças, foi convertido em bebidas e derivados doces e saborosos, por volta do início do século 20.2

 

16 - Como Organizar uma História Clínica

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16

Como Organizar uma

História Clínica

Selma Bordin, Neliana Buzi Figlie e Ronaldo Laranjeira

Introdução

Existem evidências científicas demonstrando o potencial do encontro clínico inicial para mudar as atitudes do cliente, aumentar seu comprometimento e esclarecer objetivos na modificação do comportamento aditivo.1,2 A história clínica pode marcar o início do tratamento em termos de engajamento e de aliança terapêutica.

A seguir são esclarecidos alguns pontos-chave que objetivam coletar informações que auxiliarão no planejamento do tratamento, bem como levantar parâmetros diagnósticos.

Aconselhamento

Segundo Carl Rogers, aconselhamento é uma relação na qual uma das partes procura promover na outra o crescimento, o desenvolvimento, a maturidade, um melhor funcionamento e maior capacidade de enfrentar a vida; o outro pode ser uma pessoa ou um grupo. Aconselhamento é uma relação de ajuda que inclui: alguém que procura ajuda; alguém disposto a ajudar; alguém que é capaz ou está preparado para ajudar; e uma situação que permite dar e receber ajuda.3

 

17 - Principais Comorbidades Psiquiátricas na Dependência Química

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17

Principais Comorbidades

Psiquiátricas na

Dependência Química

Lilian Ribeiro Caldas Ratto e Daniel Cruz Cordeiro

Introdução

A ocorrência de uma patologia qualquer em um indivíduo já portador de outra doença, com potencialização recíproca entre estas, é conhecida como comorbidade. O surgimento de um transtorno adicional é capaz de alterar a sintomatologia, interferindo em diagnóstico, tratamento e prognóstico da primeira doença. Essa definição foi utilizada pela primeira vez por Feinstein, em

1970; porém, no meio psiquiátrico, só ganhou uso há pouco mais de 15 anos.1

No que se refere aos transtornos mentais, é comum o consumo de substâncias psicoativas coexistindo com outras doenças. De modo geral, o uso de substâncias psicoativas, mesmo ocasional e em pequenas doses, nessa população pode gerar consequências mais graves que as vistas em pacientes sem comorbidade.2,3

Embora o termo seja utilizado para definir todos os pacientes com diagnóstico concomitante de consumo abusivo/dependência de drogas ou

 

18 - Terapia Cognitiva

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18

Terapia Cognitiva

Selma Bordin, Ana Maria M. Serra, Neliana Buzi Figlie e

Ronaldo Laranjeira

Introdução

Os transtornos associados ao consumo abusivo ou à dependência de substâncias psicoativas constituem problemas graves e crônicos e representam fonte de grande preocupação para profissionais de saúde, devido a fatores como alta incidência, dificuldade de adesão de pacientes aos programas de tratamento e altos índices de recaída.1,2 Adicione-se a esse quadro a compreensível frustração de profissionais clínicos, frente à validade insatisfatória dos modelos teóricos tradicionais e à eficácia limitada dos modelos aplicados.

Nesse contexto, a terapia cognitiva representa um recurso valioso e inovador, que pode ampliar a eficácia dos programas de tratamento.

São descritas na literatura várias abordagens psicoterápicas que propõem a cognição como um construto mediador entre o real e as respostas emocionais e comportamentais dos indivíduos. Contudo, a denominação “terapia cognitiva” é mais habitualmente aplicada à abordagem criada por Aaron Beck e desenvolvida em conjunto com colaboradores ao longo de mais de quatro décadas.3

 

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