Psicologia Hospitalar, Neuropsicologia e Interlocuções - Avaliação Clínica e Pesquisa

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A atuação do psicólogo nas instituições de saúde é uma tarefa complexa e indiscutivelmente necessária. Para que a intervenção psicológica seja possível e eficaz nesse âmbito, as teorias e técnicas desse profissional devem dialogar com os tratamentos empregados aos pacientes e, ao mesmo tempo, levar em conta a singularidade de cada indivíduo.Divididos em três partes (Psicologia Hospitalar, Neuropsicologia e Interlocuções), os capítulos desta obra apresentam ao leitor a atividade dos profissionais que atendem pacientes das diversas especialidades médicas, os protocolos de avaliação neuropsicológica, o estudo das alterações cognitivas e os dois campos epistemológicos que mais contribuíram para a psicologia hospitalar: a psicanálise e a psiquiatria.Psicologia Hospitalar, Neuropsicologia e Interlocuções | Avaliação, Clínica e Pesquisa, leitura fundamental para estudantes, psicólogos e outros profissionais engajados na área da saúde, auxilia a prática das avaliações e o emprego dos métodos clínicos, além de promover o avanço de pesquisas na área.

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1. Função da Avaliação Psicológica no Contexto Clínico

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Função da Avaliação Psicológica no Contexto Clínico

Piero Porcelli*

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Objetivo da avaliação psicológica em Medicina |

Abordagem categórica versus dimensional

Em geral, os objetos da avaliação psicológica (funções, mecanismos e processos psicoló­ gicos) são homogêneos em relação aos sintomas (a experiência dos problemas psico­ lógicos), isto é, são “feitos” da mesma substância, porque ambos são eventos mentais.

Na psicologia da saúde (um dos muitos rótulos da psicologia clínica no âmbito clínico, como medicina psicossomática ou comportamental), os objetos da avaliação psicológi­ ca são idênticos, porém heterogêneos em relação aos sintomas (a experiência dos pro­ blemas somáticos). A maneira mais fácil de resolver o dilema cartesiano consiste em categorizar o paciente com um rótulo diagnóstico. Por exemplo, um paciente que se queixa de dor crônica sem outro sintoma físico e sem uma causa clínica provavelmen­ te receberá um diagnóstico de “transtorno doloroso” na classificação norte-americana de doenças psiquiátricas (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais –

 

2. Clínica com Crianças em Instituição Hospitalar | Prática Interdisciplinar em Uropediatria

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Clínica com Crianças em

Instituição Hospitalar | Prática

Interdisciplinar em Uropediatria

Ana Cristina de Oliveira Almeida Vieira

Introdução

A doença é uma situação de crise, portanto, altera a vida da criança e de sua família, gerando ansiedades, angústias e conflitos.

Durante o desenvolvimento da personalidade, as crianças enfrentam perigos externos e internos, e aprendem a dominá-los (Bergmann e Freud, 1978; Mannoni, 1987). A criança precocemente doente tem na doença um desafio adicional. Vê-se ameaçada na sua integridade egoica, é desafiada pela dor, pela frustração e pela privação decorrente de hospitalizações e dos limites que sua condição médica impõe. A internação é fonte de ansiedade e atualiza vivências de separação dos pais e, por vezes, vivências de internações anteriores.

O Setor de Urologia Pediátrica e Setor de Urologia Neonatal da Divisão de Clínica

Urológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP oferece assistência a crianças e adolescentes acometidos por anomalias congênitas urológicas, muitas vezes, raras na população em geral. Tais patologias requerem tratamentos de alta complexidade, por vezes, ao longo de toda a vida. É neste contexto que o trabalho do psicólogo se insere.

 

3. Avaliação de Sujeitos que Sofreram Queimaduras | Contribuições Psicanalíticas ao Estudo da Violência e ao Protocolo Médico

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Avaliação de Sujeitos que

Sofreram Queimaduras |

Contribuições Psicanalíticas ao Estudo da Violência e ao

Protocolo Médico

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Celeste Imaculada Conceição Gobbi

Partimos da premissa de que sofrer queimaduras exerce uma força tal no psiquismo que este se desorganiza, às vezes, de uma forma passível de elaboração, e outras não. O corpo marcado por queimaduras e limitado fisicamente, mesmo que temporariamente, lembra, tanto para as crianças como para seus pais, que a morte existe.

Para alguns, especialmente aqueles em que a queimadura está associada a uma situação de violência, faltam palavras, mas sobram silêncios e dores mudas, tão ou mais difíceis do que as do tratamento médico. Este reconhecimento, de falta e de excesso, vem provocando uma série de questões na nossa prática clínica com estes sujeitos, seus pais e/ou cuidadores e sobre nossa atuação em equipe multiprofissional. Uma delas é sobre a consideração das primeiras entrevistas como momento de “avaliação ímpar” para identificação de traumas associados, especialmente em crianças que sofreram queimaduras vinculadas a situações violentas.

 

4. Dor Crônica e Síndrome do Desfiladeiro Torácico | Avaliação Psicológica e Desafios Diagnósticos

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Dor Crônica e Síndrome do Desfiladeiro Torácico |

Avaliação Psicológica e Desafios

Diagnósticos

Alessandra Santiago

Erasmo Simão da Silva

Introdução

A dor crônica é característica intrínseca da síndrome do desfiladeiro torácico (SDT), e a avaliação multiprofissional, incluindo a avaliação psicológica nesses casos, é fator determinante para diagnosticar, tratar e obter perspectivas de prognóstico ao paciente. O diagnóstico diferencial da doença tem, nas avaliações psicológicas, uma contribuição eficaz, uma vez que essas questões psíquicas podem ser predisponentes de exacerbação de sintomas.

Avaliar, portanto, os sintomas de dor e seus sentidos na SDT, com a finalidade de compreender o paciente e sua história, é fator fundamental.

Dor crônica e seus sentidos | Da objetividade à subjetividade

A dor é uma experiência sensorial constituída por aspectos emocionais, cognitivos e interpessoais, mas sua definição não é tão simples quanto apresentada, pois é no discurso de cada sujeito que temos acesso a seus sentidos e a suas representações. Na dor crônica, portanto, ocorre uma integração profunda entre processos corpóreos e psicológicos, ou seja, a fisiologia interage de forma peculiar com o sofrimento subjetivo. Nesse entrelaçamento da emoção, cognição e das dinâmicas interpessoais com processos corpóreos é que explica o porquê de abordar as variáveis psicológicas da dor crônica na clínica (Silva et al., 2010; Oliveira, 2000).

 

5. Protocolo de Avaliação Psicológica em UTI | Implicações para a Equipe de Saúde

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Protocolo de Avaliação

Psicológica em UTI | Implicações para a Equipe de Saúde

Luciane De Rossi

Introdução

O adoecer e a hospitalização constituem momentos de crise, que envolvem perdas de diversas ordens (física, emocional e social) e podem gerar sofrimento para pacientes, familiares e equipe de saúde. As intervenções psicológicas nesse contexto promovem alívio da angústia e da ansiedade, favorecendo o desenvolvimento e fortalecimento de recursos psíquicos para enfrentamento da situação e melhor adaptação ao ambiente hospitalar.

Para planejar sua intervenção, é necessário que o psicólogo considere os significados que o indivíduo atribui à doença e à hospitalização, bem como as características de determinado setor do hospital que podem desencadear alterações emocionais.

Na unidade de terapia intensiva (UTI), as reações psicológicas do paciente estão relacionadas à gravidade da doença e aos fatores ambientais do setor. A UTI oferece cuidados contínuos a pacientes em situações críticas, devido à doença grave, traumatismo ou cirurgia. Nesse ambiente, o paciente fica exposto à estimulação sonora dos aparelhos, odores, iluminação artificial constante, movimentação contínua da equipe, superlotação de equipamentos e monitoração para controle dos parâmetros clínicos. A privacidade é mínima e a exposição do corpo, principalmente nos momentos de higiene e passagem de sondas, desencadeia mal-estar, vergonha e constrangimento. O contato social, a comunicação e a mobilidade são limitados. O paciente permanece restrito ao leito e é submetido a procedimentos invasivos. Além disso, presencia cenas e expressões de dor, sofrimento e desamparo, e ouve conversas sobre prognósticos ruins, que algumas vezes fantasia ser dele próprio e, em outras, realmente o são.

 

6. Protocolo de Avaliação e Tratamento Psicológico para Pacientes Transexuais | Indicações e Contraindicações

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Protocolo de Avaliação e

Tratamento Psicológico para

Pacientes Transexuais | Indicações e Contraindicações

Marlene Inácio

Ari Alves de Oliveira Júnior

Introdução

O que é a transexualidade? Um transtorno psiquiátrico, uma maneira de ser/estar no mundo exercendo uma escolha de ordem subjetiva, ou simplesmente a identidade de gênero contrária ao sexo biológico que se manifesta muito precocemente na vida?

Para Benjamin (1953), o transexualismo é um transtorno de identidade sexual, em que existe forte e persistente identificação com o sexo oposto, um descontentamento com a genitália e com os caracteres sexuais secundários, bem como com as atribuições sociais pertinentes ao sexo biológico. Esses pacientes buscam a cirurgia de transgenitalização e o tratamento hormonal para a harmonização de sua imagem corporal interna com a sua imagem corporal externa.

O processo de desenvolvimento e estruturação psicossexual do indivíduo adulto tem como ponto de partida a sexualidade infantil. É durante este período do desenvolvimento humano que muito se define a identidade sexual e de gênero dos indivíduos. Assim, intercorrências e contingências surgidas nas fases precoces do desenvolvimento humano têm influência nestas escolhas. Para muitos autores, entretanto, o desenvolvimento é influenciado por múltiplos fatores, como os genéticos, de estrutura cerebral, exposição aos hormônios durante a gestação, influências socioculturais, dinâmica familiar, e os desejos conscientes e inconscientes parentais, que já influenciaram na relação com o filho antes mesmo do seu nascimento (Nogueira, 2005).

 

7. Gestação e Câncer | Vínculo Materno-fetal Diante da Dualidade Vida e Morte

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7

Gestação e Câncer | Vínculo

Materno-fetal Diante da

Dualidade Vida e Morte

Solimar Ferrari

Introdução

O câncer associado à gestação representa uma vivência impactante do ponto de vista emocional para a mulher, sua família e a equipe de saúde. Em alguns casos, a doença é descoberta durante o pré-natal; em outros, ao inverso, é a gravidez que surge durante o tratamento do câncer. Em ambos os casos, são vivências contraditórias cuja complexidade se dá em função das inúmeras variáveis presentes nesse processo, como o impacto do diagnóstico, o desgaste do tratamento, as reações dos familiares, a expectativa de vida da mãe, as consequências à saúde do bebê, o estabelecimento do vínculo com esse e as decisões a serem tomadas.

Neste capítulo, serão realizadas algumas considerações sobre o câncer associado à gravidez, as representações sociais dessa vivência, os sentimentos decorrentes e as possíveis interferências no vínculo materno-fetal.

Diagnóstico e tratamento

 

8. Risco de Suicídio em Gestantes

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Risco de Suicídio em Gestantes

Gláucia Rosana Guerra Benute

A vida e a morte chegam ao mundo juntas. Os olhos e as órbitas de quem os contém nascem no mesmo momento. No momento que nasço tenho idade suficiente para morrer. À medida que vivo, estou morrendo.

(Hillman, 1993).

Introdução

A maternidade pode ser representada simbolicamente por Maria, mãe de Jesus, presente no inconsciente coletivo como imagem materna idealizada: imaculada, perfeita. Assim, a maternidade é vista e discutida como um tema sagrado e, portanto, reforçada culturalmente como algo bom (Benute, 2002).

Ao ser tão positivamente reforçada, a maternidade tranveste-se de norma cultural, segundo a qual a mulher só estaria desempenhando o seu papel por meio da concepção de filhos. Como consequência, o julgamento social pode ser compreendido no sentido de que toda gravidez deve ser mais do que aceita e desejada: é a responsável por alegrias e prazeres.

Nesse contexto, abordar a temática da gestação envolve, no imaginário popular, aspectos relacionados à vida, à saúde, a alegrias e à satisfação. Como incluir o aspecto sombrio da morte, da perda, da tristeza e do fracasso neste contexto?

 

9. “Graças a Deus Vomito, Senão Morreria” | Sintoma Bulímico e Clínica Psicanalítica

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“Graças a Deus Vomito, Senão

Morreria” | Sintoma Bulímico e

Clínica Psicanalítica*

Marcus Vinícius Rezende Fagundes Netto

Niraldo de Oliveira Santos

Gláucia Rosana Guerra Benute

Mara Cristina Souza de Lucia

Do universal para o particular e retorno

Os manuais de classificação e diagnóstico, como o DSM-IV (2002) e a CID 10 (2011), são bastante objetivos ao descreverem o que é conhecido na literatura especializada como transtorno alimentar. Assim, os critérios diagnósticos para bulimia nervosa (BN), um desses transtornos que aflige, em sua maioria, mulheres jovens, compreendem: (a) preocupação desproporcional com a forma e peso do corpo; (b) grande sentimento de culpa e de descontrole após ingestão, em curto espaço de tempo, de uma grande quantidade de alimento; (c) engajamento em comportamentos compensatórios, objetivando perda e/ou controle do peso que vão desde dietas rigorosas até à autoindução de vômito.

Ainda segundo o DSM-IV (2002), a etiologia da BN é multifatorial e englobaria causas genéticas, sociais e psicológicas. Com relação ao diagnóstico diferencial, deve-se excluir outros quadros que podem apresentar sintomatologia semelhante, como tumores cerebrais, transtornos gastrintestinais e outras doenças psiquiátricas, como o transtorno da depressão maior e a própria anorexia nervosa. Portanto, há consenso de que o tratamento deve ser multidisciplinar, envolvendo profissionais da psiquiatria, da psicologia e da nutrição.

 

10. Grupo de Investigação e Função Terapêutica em Pacientes pós-Cirurgia Bariátrica

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Grupo de Investigação e Função Terapêutica em Pacientes pós-Cirurgia Bariátrica

Mariane Dias Ferreira

Sue Ellen Ferreira Modesto

Niraldo de Oliveira Santos

Dante Marcello Claramonte Gallian

Mara Cristina Souza de Lucia

A obesidade é uma doença de prevalência crescente e que, devido aos riscos associados, vem sendo considerada um dos principais problemas de saúde pública da sociedade mo‑ derna (WHO, 2010). Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), além da obesi‑ dade ser um problema de saúde pública, a obesidade mórbida é uma versão patológica da primeira e é considerada uma doença multifatorial com consequências sérias para saúde e qualidade de vida dos indivíduos (Travado et al., 2004).

O grande problema dos tratamentos clínicos propostos para a obesidade mórbida

é a manutenção da perda de peso em longo prazo (Buchwald, 2005). Nesse contexto, as cirurgias de redução de estômago surgem como tratamento da obesidade, ganhando cada vez mais relevância (Whyte, 2009).

 

11. Avaliação Psicológica em Pacientes Candidatos a Transplante de Fígado

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Avaliação Psicológica em

Pacientes Candidatos a

Transplante de Fígado

Samantha Mucci

Mario Alfredo De Marco

Introdução

A história dos transplantes é marcada por frustrações e conquistas. Várias tentativas em animais foram feitas até que se conseguisse realizar o procedimento no ser humano.

As importantes contribuições dos cirurgiões Aléxis Carrel (1873-1944) e Charles C.

Guthrie (1880-1963) sobre preservação e anastomose de vasos sanguíneos; os experimentos e insucessos com transplantes de rins em cachorros realizados por Emmerich

Ullmann (1861-1937) e sua conclusão sobre a necessidade de semelhança genética entre doadores e receptores; as pesquisas sobre imunologia realizadas no final da década de

1940 por Peter Medawar (1915-1987), que contribuíram para melhor compreensão da rejeição, identificando a importância da imunidade celular no processo de transplantes; as intensas pesquisas realizadas nas décadas de 1960 e 1970 na área de medicamentos imunossupressores, e a descoberta da ciclosporina em 1972 e sua aprovação em 1983; assim como, na década de 1980, a padronização da retirada de múltiplos órgãos do doador cadáver e o desenvolvimento da solução de conservação de Belzer. Todas essas iniciativas foram determinantes para o avanço do transplante de órgãos e tecidos. Este capítulo pretende elucidar os aspectos relacionados com a avaliação psicológica do candidato ao transplante de fígado. Ao final do capítulo, são apresentados os modelos dos documentos utilizados na análise do paciente.

 

12. Identidade do Órgão | Memória Celular e Crenças do Paciente Transplantado

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Identidade do Órgão |

Memória Celular e Crenças do Paciente Transplantado

12

Luciana Leis

Introdução

O transplante de órgãos é uma alternativa terapêutica (na maioria das vezes, única) para pacientes que possuem graves problemas nos órgãos vitais: coração, rins, fígado, pulmões, pâncreas, entre outros. Com o transplante, objetiva-se uma maior sobrevida do paciente, assim como uma melhora de sua qualidade de vida.

A indicação médica desse procedimento costuma configurar-se para o paciente como um momento de grande preocupação, medo e angústia. Sentimentos ambíguos são comuns, já que, ao mesmo tempo em que esse tipo de cirurgia representa a única chance de vida, também pode representar grande risco em razão de sua complexidade.

Alguns pacientes chegam a abandonar o tratamento por considerar que já não têm mais nada a esperar, uma vez que estão clinicamente em estado muito grave e, portanto, acreditam não suportar um transplante e tudo aquilo que esse tipo de cirurgia pode representar emocionalmente a eles; já outros percebem esse processo como mais uma fonte de esperança, uma vez que terão a chance de se recuperar fisicamente (Martins et al., 2006).

 

13. Avaliação da Qualidade de Vida no Pós-transplante Renal | O que Avaliar

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13

Avaliação da Qualidade de

Vida no Pós-transplante

Renal | O que Avaliar

Dnyelle Souza Silva

Introdução

Após um percurso razoável no Serviço de Transplante Renal do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), atuando na assistência e pesquisa de pacientes renais crônicos transplantados, pude perceber que a complexidade não está apenas na doença orgânica que os cercam; está na percepção de vida de cada paciente que se apresenta para, por meio de um “corte”, mudar sua vida. A seguir, buscarei relatar alguns achados da literatura sobre a qualidade de vida e associálos à experiência clínica no Serviço de Transplante Renal, para reflexão do nosso objetivo de ir ao encontro do paciente e da sua percepção de qualidade de vida pós-transplante.

O transplante renal como escolha

O transplante renal é uma possibilidade de tratamento frente ao diagnóstico de doença renal crônica (DRC), considerada por diversos autores (Bohlke et al., 2009; Jofre et al.,

 

14. Cura para a Aids | Repercussões no Comportamento Sexual em Indivíduos Soropositivos

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Cura para a Aids |

Repercussões no

Comportamento Sexual em Indivíduos Soropositivos

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Luiza Azem Camargo

Cláudio Garcia Capitão

Augusto César Penalva de Oliveira

Introdução

Há cerca de três décadas, a humanidade se deparou, pela primeira vez, com a infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) e, desde então, passou a conhecer e conviver com a principal manifestação de doença em decorrência desse vírus – a aids (síndrome da imunodeficiência adquirida), que pode ser transmissível sexualmente, pelo contato com materiais perfurocortantes (sangue ou hemoderivados) contaminados ou, ainda, de mãe para filho (Brasil, 2011). Essa definição aparentemente simples, hoje amplamente conhecida, tem implícita uma complexidade ímpar de significados, dimensões, representações pessoais e sociais, que foram sendo gradualmente construídas ao longo dos anos paralelamente à evolução da epidemia.

Os primeiros casos aparecem nos EUA no final da década de 1970 (Brasil, 2007), ainda como uma doença misteriosa, de causa desconhecida e prognóstico fatal. São casos associados a homossexuais masculinos, procedentes de grandes cidades como Nova York,

 

15. HTLV | Repercussões Psicológicas e Impacto na Qualidade de Vida

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HTLV | Repercussões

Psicológicas e Impacto na

Qualidade de Vida

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Raquel Ferreira dos Santos

Cláudio Garcia Capitão

Augusto César Penalva de Oliveira

Algumas notas preliminares

Como afirmam Capitão et al. (2005), a saúde tem sido considerada um estado multidimensional que envolve três domínios – saúde física, psicológica e social – e não deve ser considerada como a completa ausência de doenças. Sob essa perspectiva, o presente trabalho tem como objetivo refletir sobre os impactos sofridos pelos portadores do vírus linfotrópico de células T humanas (HTLV-1) e paraparesia espástica tropical/mielopatia associada ao HTLV-1 (HAM/TSP), na interface desses três domínios, na tentativa de compreender o adoecimento e as maneiras pelas quais os referidos pacientes podem se manter saudáveis por mais tempo, especialmente no que se pode implementar na sua qualidade de vida.

Sabe-se que a psicologia no contexto da saúde tem como campo de pesquisa e intervenção a interface das três dimensões já mencionadas, constituindo-se uma maneira científica de compreender o adoecimento e as maneiras pelas quais a pessoa pode se manter saudável. Um campo interdisciplinar que tem por finalidade realizar estudos correlacionados à promoção, prevenção e tratamento do indivíduo e da população para melhoria da qualidade de vida (Remor, 1999).

 

16. Impacto do Tratamento Antiviral no Humor e na Qualidade de Vida em Pacientes com Hepatite C

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Impacto do Tratamento

Antiviral no Humor e na

Qualidade de Vida em

Pacientes com Hepatite C

16

Mary Ellen Dias Barbosa

Ana Luiza Costa Zaninotto

Introdução

A infecção pelo vírus C (VHC) deve ser tratada como uma questão de saúde pública, pois se estima que, aproximadamente, 170 a 200 milhões de pessoas em todo o mundo estejam infectadas pelo VHC, com uma prevalência que varia de 0,1 a 5 (WHO, 1999).

No Brasil, a prevalência situa-se ao redor de 1,4% da população, o que re­presenta cerca de 3 milhões de pessoas infectadas (Focaccia et al., 1998). A infecção pelo VHC é a causa mais frequente de hepatopatia crônica e a principal indicação de transplante hepático.

O VHC é classificado em 6 genótipos e 11 subtipos. Existe grande variação na distribuição geográfica dos genótipos. O genótipo 1 é o mais prevalente em todo o mundo, principalmente nos Estados Unidos, Europa, Japão e Brasil (NIH, 2002). No Brasil, o genótipo 3 é mais prevalente na região Sul do país. A principal diferença clínica entre os genótipos é a resposta ao tratamento antiviral, que é pior nos pacientes infectados com genótipos 1 e 4 quando comparada aos pacientes com os genótipos 2 ou 3 (Silva et al., 2007).

 

17. Depressão e Dor | Avaliação Psicológica e Psiquiátrica

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Depressão e Dor |

Avaliação Psicológica e

Psiquiátrica

Danyella de Melo Santos

Renato Lendimuth Mancini

A dor é um sintoma bastante complexo, resultante de alterações de natureza neurobiológica, associadas a fatores afetivos, cognitivos e comportamentais. É o sintoma que mais leva indivíduos ao médico, e pode ser definido como uma experiência sensorial e emocional desagradável associada à lesão tecidual potencial ou de fato.

Por ser uma experiência subjetiva, a dor é um sintoma difícil de acessar, especialmente em pacientes gravemente enfermos. Atualmente, o uso disseminado de escalas que medem a intensidade e gravidade da dor permite um melhor rastreamento desse sintoma, tido como o “5º sinal vital”. Muitos fatores podem influenciar os resultados dessa aferição, como gravidade da doença de base, transtornos mentais, estresse, traços de personalidade, crenças individuais ou interpretações atribuídas à dor (Clark, 2010). Em nosso meio, destacamos a Escala Visual Analógica como um instrumento de fácil aplicação na prática clínica. Porém, mesmo utilizando-se de métodos mais objetivos, ainda

 

18. Efetividade do Tratamento Psicoterápico da Depressão em Pacientes Cardiopatas

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18

Efetividade do Tratamento

Psicoterápico da Depressão em Pacientes Cardiopatas

Éline Batistella

Introdução

“Marlene não sorri!”, diziam as enfermeiras. “Durante todo esse tempo de internação – há quase dois meses – nunca a vimos sorrir!”, completam.

Internada em hospital de cardiologia, Marlene* realizou uma cirurgia de revascularização do miocárdio, mas sua internação se prolongou por infecção na ferida cirúrgica.

Marlene dizia que tinha medo. Perguntei-lhe se temia a morte e ela disse que não. Temia que a ferida não fechasse. Medo de permanecer com essa ferida aberta, apresentação precisa do vazio impossível de ser preenchido do deprimido, que opera uma “hemorragia interna”, sem fim.

Após a cirurgia, houve um prejuízo de seu funcionamento renal, impondo a Marlene sessões de hemodiálise. Antes de quinze dias do início das sessões de hemodiálise, estas não foram mais necessárias, pois os rins recuperaram sua função. Recuperação que mostrou uma potência de vida advinda do corpo. Vida que ia se construindo no corpo enquanto a ferida aberta esvaziava Marlene.

 

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