Intercâmbio das Psicoterapias, 2ª edição

Autor(es): PAYÁ, Roberta
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Uma única definição de conversação é impossível.

Conceitualizar conversas psicoterapêuticas também é, pois, dado o conjunto de procedimentos que são considerados “psicoterapia”, chegar a uma definição completa do termo é difícil.

A obra reúne grandes estudiosos de diferentes abordagens psicoterapêuticas.

É indicada para psicólogos, psiquiatras, terapeutas ocupacionais, profissionais e estudantes da saúde mental, a fluidez entre os capítulos, seus autores e casos clínicos é reflexo do cerne do trabalho do psicoterapeuta: a interação.

 

87 capítulos

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1 - Pacientes em Situação de Risco | Desafios e Impasses na Prática Clínica com Crianças e Adolescentes

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1

Pacientes em Situação de

Risco | Desafios e Impasses na Prática Clínica com

Crianças e Adolescentes

Celina Giacomelli

Sabemos que o terror emudece e trancafia a vítima na sua dor e no seu silêncio.

Isto ocorre no horror quente da Guerra, do genocídio e da tortura ou no horror gélido da marginalização e da exclusão, que privam o sujeito do seu direito a ter direitos. A cura, que em medicina é o silêncio dos órgãos, no trauma é o retorno da vítima à sua condição de sujeito, à sua condição de ser falante (parlêtre) e cidadão.

Percorrer palmo a palmo o caminho da reparação é sempre um caminho singular e diferente, mas invariavelmente passa por resgatar a palavra e restituir uma memória apta a configurar um presente e projetar um futuro.

Marcelo Viñar1

O fato de que o sujeito revive, rememora, os eventos formadores da sua existência, não é tão importante. O que conta é o que ele disso reconstrói. O de que se trata é de menos de lembrar do que reescrever a história.

 

2 - O Luto e a Morte Nossa de Cada Dia

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O Luto e a Morte

Nossa de Cada Dia

Antonio Geraldo de Abreu Filho

Sobre o luto

O luto acontece em diversos momentos de nossas vidas, de situações corriqueiras do cotidiano até a perda de um ente querido, do emprego, a saí­da de um filho de casa, o comunicado de alguma reprovação, perda do status social e econômico, aposentadoria, envelhecimento, separação conjugal, surgimento de uma doen­ça e consequente perda da saú­de etc. Desde que se nasce, depara-se com o luto: perde-se o útero materno para se ganhar a vida fora dele. Luto, perda e morte são temas que se entrelaçam.

Na cultura ocidental as pessoas enlutadas se vestem tradicionalmente de preto, no Japão de azul e na China de branco, segundo consta, para mostrar à sociedade o quanto reconhecem e sentem a perda do finado.

Pode-se entender ainda a palavra luto como advinda do verbo “lutar” (p.  ex., “eu luto”) com seus vários significados dicionarizados: enfrentar em corpo a corpo um adversário com vistas a derrubá-lo; bater-se com ou sem armas; brigar, combater, pelejar, pujar; despender todos os esforços para superar, vencer, conseguir alguma coisa etc.1 Encarar o luto e elaborá-lo é, afinal, uma grande luta.

 

3 - Histeria sob o Ponto de Vista Freudiano

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3

Histeria sob o Ponto de

Vista Freudiano

Berenice Neri Blanes

Introdução

Este capítulo trata da histeria e sua constituição psicopatológica no sujeito nos meandros do pensamento psicanalítico freudiano e pós-freudiano.

O ponto de partida serão as inquietações de

Sigmund Freud, ainda estudante de neurologia, acerca da mente humana. Suas dúvidas e sua imensa curiosidade conduziram-no ao estudo das mais diversas disciplinas e ciên­cias humanas que, de maneira mais expressiva ou tênue, o aproximaram do conhecimento e compreensão do Humano.

O processo germinal da Psicanálise tem início com a visita de Freud à escola Salpêtrière, em Paris, liderada por Charcot, onde desenvolviam-se estudos com a hipnose, seguida da amizade e experiências adquiridas com Breuer e Bernhein na escola de Nancy. Mesmo sob a in­fluên­cia e orientação desses teóricos, Freud dialogava e submetia suas inquietações e pensamentos a outros interlocutores acadêmicos, que lhe apontavam observações e críticas, mas nem sempre eram generosos, muitas vezes sendo rudes e o desacreditando de suas ideias. Freud estabelecia também um diá­logo fecundo com seus pares e amigos sobre literatura, filosofia, antropologia e outras

 

4 - Fobias, Medos, Angústia de Aniquilamento e Angústias Impensáveis

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4

Fobias, Medos, Angústia de

Aniquilamento e Angústias

Impensáveis

Berenice Ferreira Leonhardt de Abreu

Quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir, convence-se de que os mortais não conseguem guardar segredos. Se os lábios estão mudos, eles tagarelam com as pontas dos dedos; a traição força seu caminho por todos os poros.

Peter Gay1

Introdução

Quem observa um fóbico vê a angústia escorrendo no suor do seu corpo, ou na manipulação constante das mãos, na movimentação das suas pernas, que não conseguem parar quietas, na preparação do corpo para uma fuga imediata de uma amea­ça aparentemente iminente; ou ainda nos tremores, na gagueira, perda da fala, deslocamento para um animal, na rigidez que seu corpo adquire etc.

Quando ainda não havia iniciado minha formação em Psicanálise, mas já me interessava pelo assunto, li alguns livros que falavam de medos, fobias e angústias de sujeitos que pareciam revelar um sofrimento constante. Um desses livros foi Medo da Vida, de Alexander Lowen, no qual são descritos vários casos ilustrativos dos tipos de medos que, para o autor, fazem parte do enfrentamento da vida: medo de viver e de morrer; medo do fracasso; medo do sucesso; medo do sexo; medo da insanidade etc.2 Todas as descrições desses medos são fundamentadas em teorias psicanalíticas e demonstravam que, para

 

5 - Psicose | Campo do Estrangeiro e o Lugar da Psicanálise

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5

Psicose | Campo do

Estrangeiro e o Lugar da Psicanálise

Jucely Giacomelli

Pense em algué­m que não seja radicalmente outro para você, que lhe seja inteiramente transparente, constituí­do, de algum modo, com seus próprios raios do mundo […]. Você não poderia amá-lo nem odiá-lo porque, por falta de resistência e opacidade, você o atravessaria sem encontrar ningué­m: ele não seria. E se você mesmo estivesse lá em pessoa, como um homem de vidro tão transparentes quanto invisível, você não existiria. Para existir é preciso que haja em você – em uma profundidade va­riá­vel – essa “tela opaca” que lhe envia de volta às suas próprias palavras, atitudes ou comportamentos […] como “outros”, de tal maneira assim deslocado de você mesmo, você desejaria novamente uma outra expressão sua nessa tela côncava que a refletirá novamente para você. Essa conjunção da alteridade com a realidade começa nesse encontro que é o sentir (humano) em que cada coisa, cada vez, de novo, se esclarece com o meu próprio dia, que só se levanta com ele. Novidade, realidade emergem através do outro em todo encontro.

 

6 - Desafios da Clínica Contemporânea | Manifestações da Sexualidade

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6

Desafios da Clínica

Contemporânea |

Manifestações da Sexualidade

Maria Salete Abrão Nunes

A psicanálise e a sexualidade

Quando chocou a sociedade médica com seus escritos sobre sexualidade infantil em 1904, Freud não poderia prever os efeitos e a importância que suas ideias teriam para o pensamento ocidental e para mudanças de hábitos, costumes e valores.

Mas talvez pudesse imaginar que, muitos anos depois, os psicanalistas que seguissem suas teorias estariam sempre diante de novos desafios relativos às manifestações da sexualidade, já que para ele, naquele momento, era claro que a sexualidade humana estava distante do que era o instintual, animal, previsível filogeneticamente.

No principal texto em que aborda o tema,

“Três Ensaios para uma Teoria da Sexualidade”,

Freud expõe seu primeiro estudo sistemático sobre a questão1, embora a sexualidade estivesse presente em sua obra desde o início, como base de sua proposta etiológica para a compreensão dos fenômenos histéricos.

 

7 - Sintoma Conversivo e Fenômeno Psicossomático | Fronteiras e Interlocuções

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7

Sintoma Conversivo e

Fenômeno Psicossomático |

Fronteiras e Interlocuções

Maria Tereza Viscarri Montserrat

Introdução

O tema deste capítulo surge das inquietações provenientes de uma prática rea­li­zada no Ambulatório de Psicologia do Hospital do Servidor Público Estadual Francisco Morato Oliveira

(HSPE-FMO) e propõe-se a estabelecer linhas divisórias entre os chamados sintomas conversivos e os fenômenos psicossomáticos para situá-los em seus respectivos territórios, a partir do desenvolvimento de um do pensamento teó­rico-clínico.

Inicialmente, será rea­li­zada uma retomada

à teoria psicanalítica em busca de delimitações conceituais para, dentro desse vasto campo, delinear a questão do sintoma. Desse modo, pretende-se situar o sintoma na sua importância enquanto fenômeno subjetivo, como expressão do inconsciente, de uma fantasia e um conflito, demarcá-lo como uma operação de defesa, estabelecê-lo no âmbito do estrutural e do constitutivo do psiquismo.

 

8 - Contribuições da Psicanálise para a Clínica da Toxicomania

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8

Contribuições da Psicanálise para a Clínica da

Toxicomania

Marcos Muniz de Souza

Introdução

O objetivo deste capítulo é elencar possíveis contribuições da Psicanálise para a clínica da toxicomania. Primeiramente será feito um recorte histórico sobre o uso de substâncias psicoativas, considerando a sua presença ao longo do percurso da humanidade. Também serão destacadas as políticas de assistência aos usuários no Brasil, que culminam nos atuais modelos de atenção em ál­cool e drogas e ao que se entende por toxicomania. Por fim, discute-se o entendimento da

Psicanálise acerca da toxicomania e como a primeira pode operar nesse campo, tendo em conta a noção de gozo fálico e ar­ticulando com a atuação cotidiana em instituições de saú­de mental que atendem esse público.

O ser humano e as drogas

O ser humano sempre fez uso de substâncias psicoativas. Formas de expansão da consciên­cia por meio do uso de substâncias estiveram presentes ao longo da história em diferentes povos e culturas. Desde muito antes dos registros bíblicos, somos informados do uso de substâncias que alteram a consciên­cia. Esse fenômeno remonta a todas as épocas, fazendo parte de rituais de diferentes crenças como uma maneira de entrar em contato com ancestrais e deuses, assim como em ritos de linhagens totêmicas.

 

9 - Impasses da Vitimização | Uma Visão Crítica com Base na Psicanálise sobre a Violência

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Impasses da Vitimização |

Uma Visão Crítica com Base na

Psicanálise sobre a Violência

Marta Quaglia Cerruti

Introdução

O objetivo deste capítulo é analisar criticamente, por meio de conceitos psicanalíticos, as políticas públicas voltadas para a questão da violência en­ tre homens e mulheres no ambiente doméstico, sobretudo naquilo que se refere às mulheres. O que se observa é que as atuais políticas públicas, em sua maioria, vêm contemplando a questão da violência entre homens e mulheres pautadas em uma visão dicotômica vítima/agressor, priorizan­ do uma assistência judiciá­ria exclusiva às mulhe­ res. Tal abordagem, advinda de importantes lutas políticas do movimento feminista a partir da dé­ cada de 1970, acaba por difundir uma interpreta­

ção para o fenômeno sob uma perspectiva que define o masculi­no como agressivo e o feminino como passivo, reproduzindo uma lógica adversa­ rial que confere à mulher a posição de vítima de circunstâncias desfavoráveis.

 

10 - Ou Isto ou Aquilo | Neurose Obsessiva segundo a Psicanálise

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10

Ou Isto ou Aquilo | Neurose

Obsessiva segundo a

Psicanálise

Cristina Rocha Dias

Introdução

A associação livre como método de tratamento da Psicanálise propõe que o paciente diga o que lhe vier à cabeça, mesmo que o tema pareça desagradável, pouco importante ou aparentemente sem sentido.

Este capítulo aborda a neurose obsessiva do ponto de vista psicanalítico, com o intuito de ver que, nela, o tormento do sujeito está si­tua­do justamente no fato de que esse “sem sentido”, essa fala vazia dita ao analista e investida da maior seriedade, é o que dá notícias de seu desejo, a despeito de todo o esforço e investimento que faz para livrar-se dele, para produzir um certo esquecimento.

Se a ambivalência se faz presente na neurose, a especificidade da sintomática obsessiva está marcada pela concomitância de afetos contraditórios diante do desejo, experimentado como uma dupla rea­li­zação e, portanto, como uma experiência de horror à qual o sujeito deve constantemente se precaver e estar atento.

 

11 - Um Corpo para Chamar de Seu

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11

Um Corpo para

Chamar de Seu

Ana Cristina Gomes Bueno

Introdução

Uma antropologia do corpo

O corpo que pretendo discutir neste capítulo não

é apenas o corpo enquanto lugar de identifica­

ção, como propõe Ferreira Gullar em seu “Poema sujo”, ainda que seja uma de suas funções.1 O cor­ po além do lugar da identificação também é o lu­ gar de maior intimidade que todos nós podemos ter. É o lugar das necessidades se manifestarem e dos desejos se alojarem e inundarem nosso ser. É o lugar da vivência dos maiores conflitos, certamente, dos maiores prazeres e de algumas grandes dores. No entanto, é preciso, antes de qualquer coisa, ter um corpo para chamar de seu.

A compreensão do que é corpo pode parecer

óbvia, porém é complexa e multifacetada. Como veremos adiante, muitas formas de olhar o corpo se configuraram ao longo da história da huma­ nidade. Inicialmente, apresentarei as variações epocais e culturais, tendo como ponto de refe­ rência a Europa ocidental. Nesse item, estabeleci uma conversa com David Le Breton, mais especi­ ficamente com seu livro Antropologia do corpo e modernidade.

 

12 - Perversão na Visão de Freud, Klein e Seus Seguidores

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12

Perversão na Visão de Freud,

Klein e Seus Seguidores

Berenice Ferreira Leonhardt de Abreu

Introdução

A falta de amor é a mola propulsora de tudo aquilo que é contrário ao que deveria fazer parte da natureza humana: o amor. Porque vai contra todos os princípios que se acredita serem benéficos: inteligência, justiça, diplomacia, riqueza, docilidade, beleza, autoridade, trabalho, simplicidade, oração, lei, fé, vida, afeto. Todos, contraponto ao que nos leva à falta de sensibilidade para com o Outro: perverso, implacável, hipócrita, avaro, servil, orgulhoso, ridículo, tirano, escravo, depreciativo, introvertido, egoí­sta, fanático, torturador e cruel.

Segundo André Green, perverso não é aquele que é sadomasoquista, fetichista, voyeurista ou exibicionista, porque todos nós, na relação com o objeto, lançamos mão de um ou outro tipo de funcionamento, com permissão do objeto, para nos satisfazer sexualmente. Porém, o perverso

é aquele que usa desse tipo de funcionamento com a finalidade de “gozar”, sem se importar com a condição do Outro, sem se importar com o desejo do Outro. Para ele, o perverso é desde o que não segue as éticas de conduta com o Outro, como aquele que se despe na frente de uma criança com a finalidade de se excitar, por exemplo. Nesse sentido, o perverso é aquele que passou pelo processo de castração, curvou-se a ele mas recusa-se a aceitá-lo.1

 

13 - Transtornos Alimentares na Visão Psicanalítica

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13

Transtornos Alimentares na

Visão Psicanalítica

Pedro Belarmino Garrido e Fabiana Hueb Abdala

Introdução

A incidência dos transtornos alimentares aumentou a partir de 1950 e ocupa lugar de destaque na psicopatologia da atua­li­da­de, principalmente em virtude das profundas transformações engendradas pela cultura pós-moderna, em que grupos sociais que detêm o poder de manipular a informação definem parâmetros de conduta que acabam por anular o sujeito na sua singularidade.

O mal-estar na cultura apresenta suas formas contemporâneas, e um dos objetivos da

Psicanálise é compreender os fatores socioculturais que podem atuar como desencadeantes de patologias.

O presente capítulo aborda as questões que envolvem a psicopatologia psicanalítica dos transtornos alimentares (anorexia, bulimia e obesidade mórbida), apelidadas e tratadas como

“doen­ças da moda”. Quando se fala em psicopatologia psicanalítica é necessário esclarecer que há diferenças em relação à psicopatologia psiquiá­trica, da qual a Psicanálise empresta o termo “transtornos alimentares”. Em 1994, a

 

14 - Violência Doméstica na Visão Psicanalítica

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Violência Doméstica na

Visão Psicanalítica

Patrícia França Proença

Todo homem mata aquilo que ama.

Oscar Wilde

Introdução

Este capítulo tem como objetivo compreender a violência doméstica com fundamento em conceitos desenvolvidos pela Psicanálise e discutir as estruturas inconscientes dessa dinâmica, considerando se tratar de uma questão muito ampla e que atinge – de uma maneira terrivelmente silenciosa e dramática – crianças, adultos (homens ou mulheres) e idosos, e atravessa todos os grupos sociais, independentemente de classe, idade, etnia, religião, cultura ou região.

O estudo desse tema é extremamente relevante em virtude do imenso sofrimento a que suas vítimas ficam suscetíveis e que impede seu adequado desenvolvimento mental, emocional e físico. Torna-se necessário, além de entender a questão da vítima da violência, também buscar o entendimento sobre o agressor e como foi seu desenvolvimento psíquico, seus conceitos e valores para que culminassem em determinados comportamentos violentos.

 

15 - Psicanálise, Contemporaneidade e Grupos

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15

Psicanálise,

Contemporaneidade e

Grupos

Mariangela Bento

Psicoterapia de grupo em instituições de saú­de

A psicoterapia de grupo, muitas vezes, é apreendida como uma técnica capaz de resolver apenas a demanda dos pacientes em uma instituição, outras vezes é entendida como um meio de alcançar metas quantitativas.

Atualmente, as psicoterapias de grupo expandiram-se e existem muitas escolas com diferentes objetivos e orientações terapêuticas.

Consequentemente, observa-se uma confusão conceitual e um campo de difícil delimitação.

Além disso, a prática da psicoterapia de grupo também está sob in­fluên­cia de muitas disciplinas, como a psiquiatria, a Psicologia, a sociologia, a educação, entre outras.

Especificamente no campo da Psicanálise, a psicoterapia de grupo durante muitos anos ocupou o lugar de aplicação dos conceitos psicanalíticos, sendo o ponto de muitos questionamentos, na medida em que seu dispositivo de cura – o grupo – não corresponde ao setting necessário para se oferecer o referido tratamento.

 

16 - Depressão do Ponto de Vista Fenomenológico | Uma Abordagem Compreensiva

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16

Depressão do Ponto de Vista

Fenomenológico | Uma

Abordagem Compreensiva

João Laurentino dos Santos

Introdução

Ao abordar o tema da depressão, é importante levar em conta a existência de três áreas do conhecimento: a fenomenologia, a psiquiatria clássica e a psiquiatria fenomenológica.

A depressão é tida como uma enfermidade ligada a um transtorno do humor e tem sido tratada pela psiquiatria e pela psicologia. Considera-se a fenomenologia uma área do conhecimento que busca a compreensão dos fenômenos, bem como o desvelo de seus possíveis significados. Constitui um método de compreensão da construção do real.1-3 Do ponto de vista do comportamento, a fenomenologia se coloca como método de análise da existência humana, que se desdobra em uma miría­de de comportamentos. Assim, procura compreender os modos de existência das pessoas e como os significados são construí­dos por elas a partir do percurso que constroem ao longo da vida, fruto do exercício de sua liberdade, que se expressa pelas escolhas que rea­li­zam.

 

17 - Fenomenologia da Mania

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17

Fenomenologia da Mania

Melissa Garcia Tamelini e Daniela Ceron-Litvoc

Considerações psicopatológicas sobre a mania

Tempo, espaço e contato interpessoal na mania

A psicopatologia fenomenológica clássica elegeu as psicoses e, posteriormente, a melancolia como seus temas maiores, competindo à mania um espaço fortuito na tradição. A despeito do modesto volume de trabalhos, encontram-se passagens notáveis sobre a estrutura manía­ca. As considerações deste texto partem de uma pequena compilação a respeito do tema na obra de autores como

Minkowski, Binswanger, Tellenbach, entre outros.

A concepção nosológica de mania pela agenda psiquiá­ trica contemporânea remete a um conjunto de sinais e sintomas, como humor eufórico, aceleração do pensamento, logorreia, ideias grandiosas e excitação psicomotora. Essa abordagem semiológica privilegia, eminentemente, a esfera dita “objetiva” da experiência manía­ca, reduzindo-a à simples somatória do corrompimento de funções psíquicas autônomas. Tal loteamento da consciên­cia ignora a própria essência da mania, aquilo que lhe define, concebendo-a de maneira epidérmica e inespecífica.

 

18 - Compreensão Fenomenológica da Vivência de Pânico e Fobia Humana

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18

Compreensão

Fenomenológica da Vivência de Pânico e Fobia Humana

Andrés Eduardo Aguirre Antúnez

Introdução

Este capítulo se orienta pela reflexão fenomenológica sobre o ser humano e pela clínica assentada no registro ético e ontológico.1,2 A fenomenologia como escola filosófica nos auxilia a aprofundar o conhecimento do objeto de nossos estudos, e a psicologia clínica põe em prática a vivência real da relação humana.

O rigor fenomenológico é útil ao processo psicoterápico, pois possibilita ampliar o conhecimento de uma pessoa a partir de seu vértice singular e seu idioma pessoal e do sentido da existência, ou da falta dele.2,3 A clínica revela as experiências humanas vividas na relação terapêutica e nas relações do cotidiano.

Assim, a análise fenomenológica e a éticaontológica assentada na situação clínica reposicionam a clínica psicoterapêutica e possibilitam compreensões originais e inéditas aos distintos modos de ser e estar das pessoas em psicoterapia.2,3 O paciente procura encontrar no psicoterapeuta uma testemunha para suas aflições e/ou um interlocutor para auxiliá-la a transformar suas vivências e alcançar um sentido para seu existir.

 

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