Educação para o Século XXI: a era do indivíduo digital, 1ª edição

Autor(es): FAVA, Rui
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Vivenciamos uma realidade classificada por alguns especialistas como a Quarta Revolução Industrial, o que significa educação, economia e modus vivendi com forte presença de tecnologias digitais, mobilidade, conectividade, na qual as diferenças entre pessoas e máquinas se diluem, tendo o conhecimento como valor determinante para qualquer atividade humana, seja na produção de bens e serviços, seja na maneira de ofertar educação. As instituições de ensino têm um desafio e uma oportunidade: o desafio será construir e promover um projeto pedagógico que contemple as inovações tecnológicas, a interatividade, a participação efetiva dos estudantes no processo de aprendizagem. A oportunidade será deixar para trás um modelo pedagógico que se tornou obsoleto para o século XXI. A nova pedagogia exige uma parceria diferente entre docentes e discentes: o estudante utiliza a tecnologia para buscar informações, criar, sugerir, decidir, escolher. O professor deve orientar o uso de tais ferramentas, mostrar caminhos, refletir, avaliar o comprometimento do aluno, criar um contexto de autoaprendizagem favorável. Este novo contexto, repleto de alternativas, conexões, ampliações do potencial humano, traz profundas transmutações e, consequentemente, novas incitações, estímulos, desafios. Como deve ser a escola digital? Qual o impacto da digitalização no processo de ensino e aprendizagem? O que muda na forma como os estudantes aprendem e se relacionam? Como as tecnologias digitais podem contribuir para o desenvolvimento da educação? “Educação Para o Século XXI - A Era do Indivíduo Digital” é uma síntese histórica, que descreve as circunstâncias da educação no contexto das sociedades, povos e civilizações desde o século V a.C. até nossos dias e apresenta uma imagem cuidadosa da educação neste novo contexto tecnológico digital que ganha vida em nosso meio.

11 capítulos

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INTRODUÇÃO

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I N TR O DU ÇÃO

É uma barbaridade o que a gente tem de lutar com as palavras, para obrigar as palavras a dizerem o que a gente quer.

MÁRIO QUINTANA

Uma pujante tormenta tecnológica eclodiu, criando um ambiente insólito, fre-

quentemente imprevidente, imponderável para estudar, trabalhar, constituir família, conceber e instruir os filhos. Neste contexto kafkiano, as companhias remam contra correntezas econômicas extremamente volúveis; os políticos veem suas rotulações subirem e descerem loucamente, os conjuntos de princípios e valores benévolos se estilhaçam, enquanto os botes salva-vidas da família, da escola, da religião, do

Estado são violentamente sacudidos.

Ao analisar essas descomedidas mutações, é possível considerá-las evidências isoladas de instabilidades, colapsos, infortúnios. Se observarmos mais acuradamente é factível averiguar a afluência de vários aspectos, mostrando que muitas mutações não são independentes nem fortuitas. O colapso da família, a constante alomorfia do perfil das gerações, transformações nos comportamentos causadas pelas redes sociais, alterações no processo de ensino e aprendizagem – mais vir­ tual, menos analógico, inusitadamente híbrido. Estes e muitos outros episódios, ou tendências aparentemente desconexas, estão inter-relacionados. Com efeito, são parte de um fenômeno muito maior: o definhamento da Educação 2.0 e o advento da Educação 3.0.

 

1 SÉCULO V A.C. AO SÉCULO XII

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S ÉCU LO V A. C . AO SÉC ULO XI I

Buscar soluções do passado pode ser uma forma de inovar e progredir. Afinal, a história anda em caracol, voltar ao passado faz parte do caminhar e da evolução.

RUI FAVA1

1.1 A luz resplandecente de Atenas

No ínterim de séculos da história moderna do homem, esporadicamente ocor-

rem sucintos períodos de vitalidade que, bem depois de findarem, parecem continuar brilhando como um lume ao longo de uma costa erma e solitária. Tais épocas frequentemente têm sido confinadas a uma pequena parte do mundo, embora o resplendor de sua luminescência possa alcançar muito mais ao redor. A civilização grega, mãe da civilização latina, acendeu essa luz, não somente influenciou como também delineou o modus vivendi de todo o Ocidente.

Na História Antiga, nenhuma civilização se evidencia tão glamorosa, airosa, atraente como a grega. A turma que a produziu suscitou, irresistivelmente, nossa simpatia, afeição pelos méritos físicos e intelectuais indelevelmente grifados nas manifestações literárias, filosóficas, artísticas, políticas. Gnóstico da razão, simpatizante da venustidade, amante da liberdade, arqueante do conhecimento, eis alguns dos atributos salientados como característicos desse magnífico povo helênico.

 

2 - DO IMPÉRIO ROMANO ÀREVOLUÇÃO INDUSTRIAL:DE 27 A.C. AO SÉCULO XVIII

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D O I M P ÉR IO RO MANO À

R EVO LU ÇÃO I NDUSTRI AL :

D E 2 7 A. C . AO SÉC ULO XV I I I

2.1 Roma e sua escola importada da Paideia Grega

Os homens são feitos um para o outro: instrui-os, ou então, suporta-os.

MARCO AURÉLIO, IMPERADOR ROMANO

A supremacia de um tenro império, o romano, avultaria-se por uma região he-

gemonicamente influenciada, e até mesmo transmutada, pela cultura grega, que prosseguiria a agregar grande parte do continente europeu e do norte da África, regiões até então jamais deslocadas à esfera civilizada nem ao mundo helenístico.

De certa forma, Roma também foi um Estado legatário do helenismo, porém sua história, tanto clássica quanto da perspectiva das averiguações modernas, principia bem antes de Alexandre, após a expulsão dos reis etruscos, por volta de 510 a.C.

Seus cidadãos insistiam nas tradições republicanas, embora há muito seu governo aparentasse monárquico. De fato, pode-se no máximo assentir que a República vigorou por 450 anos, até meados do século I a.C. Nesse período, houve muitas transformações, porém uma delas foi mais expressiva do que as outras, porque retratava a moção de Roma na História, conforme enfatiza o historiador britânico

 

3 - REVOLUÇÃO INDUSTRIAL: EDUCAÇÃO TÉCNICA

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R EVO LU ÇÃO I NDUSTRI AL :

ED U CAÇÃO TÉC NI CA

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.

Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.

Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.

FERNANDO PESSOA

No instante em que se transmuta a maneira de enxergar os cenários, altera-se o modo de realizar as coisas; quando se cambia o jeito de fazer algo, modifica-se o resultado. Desenvolvimento quase sempre significou especialização. Antes da

Revolução Industrial, a maioria das pessoas vivia em condições mais simples, com manufaturas e oficinas em casa, com pequenas produções. Aproximadamente há dez milênios, em algum ponto, principiou a Revolução Agrícola, que avançou pelo planeta, espraiando aldeias, campanários, colônias e um renovado modo de vida.

Segundo Alvin Toffler:

A Primeira Onda (Revolução Agrícola) não se tinha exaurido pelo fim do século XVII, quando a Revolução Industrial irrompeu desencadeando a Segunda Onda de mudança planetária.

 

4 -A ERA DA QUALIDADE:QUALIFICAÇÃO

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A ER A DA QUAL I DADE:

Q UAL I F I CAÇÃO

Os valores sociais mudaram. Agora, não podemos vender nossos produtos e serviços a não ser que nos coloquemos dentro dos corações de nossos consumidores, cada um dos quais tem conceitos e gostos diferentes.

TAIICHI OHNO

O grande objetivo da Paideia Grega era ensinar a pensar, sentir, agir para que

cada ser humano pudesse ter condições de atender às necessidades na luta pela sobrevivência com dignidade em todas as etapas de sua vida. Diante disso, uma educação de qualidade é aquela que atende os estudantes integralmente, de forma fidedigna, acessível e responsável, no tempo certo, no ambiente compatível e no espaço adequado às exigências e necessidades deles.

O que determina a qualidade de um sistema acadêmico, e consequentemente da escola, é a preferência dos estudantes. Se o nível for aprazível, deleitoso, afável, com estrutura física adequada e corpo docente motivado e capacitado – se o somatório de tudo isso for veraz –, a captação não será um problema, a evasão será minimizada.

 

5 - A ERA DA COMPETITIVIDADE:ESTRATÉGIA

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A ER A DA CO MPETI TI V I DADE:

EST R AT ÉG IA

A competitividade de um país não começa nas indústrias ou nos laboratórios de engenharia. Ela começa na sala de aula.

LEE IACOCCA

Se até o ano 2000 os diferenciais estavam ligados aos controles e programas de

qualidade, como TQC, lean manufacturing, ISO, Seis Sigma, entre outros, a partir do início do século XXI a perquirição foi pela competitividade. A competitividade entrou em voga devido às drásticas transformações no cenário mundial. As ideias de economistas heterodoxos, como o austríaco Joseph Alois Schumpeter (1883-1950), um dos primeiros a considerar o aprimoramento tecnológico como o motor do desenvolvimento, ajudam-nos a compreender o papel da diversificação e da inovação na tentativa das companhias de evitar a concorrência direta.

Igor Ansoff (1918-2002), influenciado pelas ideais de Peter Drucker, dizia que

“vantagem competitiva” é um dos cinco componentes de uma estratégia empresarial. Diferentemente de Michael Porter, Ansoff atribui à análise da concorrência um papel parcial na formulação da estratégia da empresa.

 

6 - ATRATIVIDADE: CRIATIVIDADE E INOVAÇÃO

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AT R AT I V I DADE: C RI ATI V I DADE

E I N OVAÇÃO

As emoções dirigem a nossa atenção. E a atenção foge do que é desagradável. Atratividade, portanto, é imprescindível.

RUI FAVA1

Assim como Homero era conhecido como o Poeta, Safo de Lesbos (630-612

a.C.), poetisa grega, era reconhecida como a Poetisa, admirada, querida e apreciada durante a Antiguidade. Platão, dizia que: “Há quem afirme serem nove as musas.

Que erro! Pois não veem que Safo de Lesbos é a décima”.

Devido ao conteúdo erótico de sua poesia sofreu censura na Idade Média por parte dos monges copistas, e o que restou de sua obra foram escassos fragmentos.

Safo de Lesbos definiu atratividade como: “Uma relação entre beleza e qualidades positivas, que chamam a atenção, despertam interesse, desejo, atração, inspiram simpatia e confiança”.

Em uma economia global amplamente conectada, plagiam-se com celeridade produtos, serviços e estratégias exitosas. Sem criatividade e inovação ininterruptas, o sucesso é efêmero. Poucas instituições tratam a criatividade e a inovação como tarefa para todos, o tempo todo. Na maioria das organizações, criatividade e inovação ainda intercorrem “apesar do sistema”, em vez de “como parte do sistema”.

 

7 - RE-GENERATION: A ERADO INDIVÍDUO DIGITAL

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7

R E - G E N E R ATI O N: A ERA

D O I N D I V Í D UO DI GI TAL

O ontem se tornou história.

O amanhã é um mistério.

O hoje é um presente.

PROVÉRBIO INDIANO

A evolução da história da humanidade proporciona momentos de transição que

alteram a realidade de modo inimaginável, em uma enorme amplitude de ­áreas ao mesmo tempo. Já passamos por átimos similares: as revoluções democráticas do

Iluminismo, movimento filosófico, social, econômico e cultural do século XVIII que defendia o uso da razão como o melhor caminho para alcançar a liberdade, a autonomia e a emancipação; a Revolução Industrial, um conjunto de mudanças do século XVIII que provocou a substituição do trabalho artesanal pelo assalariado com o uso das máquinas; a Revolução da Informação, também conhecida como

Revolução Técnico-Científica-Informacional, que criou um novo paradigma no qual a informação é a matéria-prima e a tecnologia passa a permear toda a atividade humana, aplicando sua lógica de redes em qualquer sistema ou conjunto de relações, circunstância que cresce exponencialmente.

 

8 - MUNDO NOVO, TRABALHO NOVO: BEM-VINDO A EDUCAÇÃO 3.0

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M U N D O N OVO, TRABAL HO NOVO :

B EM -VI N D O A EDUCAÇÃO 3. 0

No caso da força de trabalho tradicional, o trabalhador serve ao sistema.

Na força de trabalho do conhecimento, o sistema serve ao trabalhador.

PETER DRUCKER

O grande desafio hodierno do mercado de trabalho não é a falta de mão-de-

-obra, mas sim a falta de profissionais qualificados, com acuidade mental, compromissados, envolvidos. Segundo Majority of U.S. Employees do blog Gallup, Inc.,

51% dos profissionais não se identificam com seu trabalho e 17,5% estão ativamente descompromissados.

Estamos transpassando uma metamorfose de gerações no mercado de trabalho. Grande parte dos profissionais qualificados, dos talentos em liderança estão

às portas da aposentadoria. Entretanto, muitos desses expertos ainda se sentem produtivos, possuem valiosos conhecimentos estratégicos da empresa, razão pela qual é importante mantê-los, para não gerar uma desqualificação, uma liderança imatura, ingênua, pueril.

 

9 - CONSTRUÇÃO DE UM SISTEMA PEDAGÓGICO COERENTE PARA A EDUCAÇÃO 3.0

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CO N ST R U ÇÃO DE UM SI STEMA

P EDAG Ó G I CO CO ERENTE PARA

A EDU CAÇÃO 3. 0

Caminante, no hay camino,

Se hace camino al andar.

ANTONIO MACHADO

No mundo real, fora da teoria econômica, uma escola terá sucesso se promo-

ver uma educação diferenciada, distinta e monopolizada que outras não conseguem oferecer. A cultura brasileira não aceita o monopólio, entretanto, este não é uma

­doença, disfunção, patologia, regalia, trata-se de uma condição de um negócio bem-sucedido. Queiramos ou não, a educação hoje é um negócio, tem seu lado social, mas não deixa de ser uma operação comercial.

As companhias fortunadas são díspares, conquistam um açambarque ao sanar uma abnormidade, problema ou anomalia singular. Ao contrário, as empresas sideradas são similares, fracassam por tentar simplesmente copiar, duplicar, imitar a concorrência. Buscar a especificidade significa ofertar produtos e serviços novos que beneficiam a todos, angariam rentabilidade sustentável. Pensar somente na concorrência significa ninguém ou poucos lucrando, nenhuma diferenciação expressiva, somente luta pela sobrevivência.

 

CONCLUSÃO

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CO NC LUSÃO

Se as coisas são inatingíveis, ora! Não é motivo para não querê-las. Que triste seriam os caminhos se não fora a presença das estrelas.

MÁRIO QUINTANA

Tanto uma escola de pequeno porte como um ciclópico ou gigantesco grupo de educação perceberam que idealizar, desenvolver, construir um modelo acadêmico não é similar a arquitetar, edificar uma casa. Está muito mais análogo, símile, correlato a um casamento. Um sistema acadêmico, em ininterrupto processo de incremento, devido à normal evolução do perfil das gerações, da tecnologia e dos novos arquétipos que surgem a todo instante, se não tiver assíduo e persistente zelo, rapidamente irá se degenerar, retrosseguir, dilapidar. Se o único vínculo que mantém a escola em um estado de excitamento for o romance com uma atividade-fim analógica, inerte e intrêmula, isso acabará em pouco tempo; a instituição estacionará, parqueará, desabará. O transcurso de estagnação, retrocesso, depauperamento poderá ser lerdo, moroso, procrastinado, mas indubitavelmente ocorrerá.

 

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