Midias digitais e sociedade (Digital media and society), 1ª edição.

Autor(es): WHITE, Andrew
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As mídias digitais mudaram permanentemente a maneira como interagimos com a sociedade atualmente. Modificou nosso jeito de viver, de trabalhar e até mesmo de nos divertir, inserindo novos hábitos ao cotidiano e novas formas de comunicação. Tendo isso em mente, Andrew White nos mostra como a mídia digital desafia os modelos conceituais existentes de “público” e “privado”, por meio de análises da digitalização do conhecimento e da identidade online. Fala ainda sobre a economia digital global e enfatiza os benefícios que resultaram da incorporação de tecnologias de mídia na economia de maneira geral, procurando construir uma teoria da interação do usuário com a mídia digital que vai além da simples relação instrumentalismo/determinismo tecnológico. Enquanto apresenta essa nova 'era digital', o autor procura sugerir algo concreto e definível, determinando exatamente como as novas tecnologias têm se apresentado em cada aspecto de nossas vidas. Falar sobre como essas tecnologias nos modificam enquanto pessoas e modificam a maneira como nos relacionamos em nossas vidas pessoais e públicas não é tarefa fácil e, por isso, bastante rara. É neste ponto que essa obra se destaca, pois cumpre seu objetivo, que é trazer à tona essa reflexão.

 

11 capítulos

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Prefácio e agradecimentos

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Prefácio e agradecimentos

ESTE LIVRO TEVE UMA

longa gestação, que abrangeu minha pesquisa de mídia

digital de quase uma década na universidade, bem como ideias que colhi em vários projetos de digitalização em que trabalhei antes disso, dos quais o pri‑ meiro começou há quase 15 anos! Esse conhecimento tornou­‑se mais estrutu‑ rado em minha mente nos dois últimos anos, quando lecionei um módulo de final de ano denominado O novo mundo da mídia em um curso universitário na Universidade de Nottingham, campus de Ningbo (UNNC), na China. Desen‑ volvido originalmente com Rena Bivens para a primeira turma de formandos da Universidade em 2007­‑2008, esse módulo também é ensinado em conjunto ou isoladamente por Ned Rossiter e Stephen Quinn. Ser o único coordenador do módulo desde fevereiro de 2012 me permitiu desenvolver os temas tal como estarão disponíveis daqui em diante, para os que quiserem conhecê­‑los por meio desta leitura. Embora o conteúdo apresentado neste livro seja exclusiva‑ mente meu, as contribuições dos professores já mencionados, bem como de todos os estudantes a quem eu tive o prazer de lecionar o módulo, sem dúvida proporcionaram maior clareza ao meu pensamento sobre essas questões com‑ plexas. Gostaria de agradecer também a Chris Penfold e Felicity Plester, da

 

C A P Í T U L O 1 - Do público ao privado: adigitalização do conhecimento

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CAPÍTULO 1

Do público ao privado: a digitalização do conhecimento

Introdução

D E P E N D E N D O DA P E R S P E C T I VA A D O TA DA ,

a mídia digital pode ser vista como

uma ameaça para destruir ou revolucionar práticas acadêmicas existentes há milênios. A maneira pela qual procuramos informação on­‑line como um meio de nos ajudar a construir conhecimento difere significativamente de métodos acadêmicos comprovados e confiáveis. Isso não seria significativo se não usás‑ semos tanto a internet para esse propósito específico. Porém, como delineare‑ mos com mais detalhes neste capítulo, mesmo aqueles que, como nós, se dedicam à pesquisa acadêmica, estão recorrendo cada vez mais à internet. Por essa razão, precisamos entender de que forma procuramos informações on­‑line e até que ponto nossas práticas on­‑line nos ajudam ou nos atrapalham em nossa busca de conhecimento.

Formas tradicionais de criação de conhecimento são baseadas em estrutu‑ ras e processos projetados para conduzir o leitor cuidadosamente ao longo do caminho da coleta de informações brutas até a construção da compreensão.

 

C A P Í T U L O 2 - Do privado ao público: identidade on‑line

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CAPÍTULO 2

Do privado ao público: identidade on­‑line

Introdução

N O C A P Í T U L O A N T E R I O R , A R G U M E N TA M O S

que a mídia digital tem, até certo

ponto, solapado ou, em termos mais generosos, remodelado os métodos tradi‑ cionais da pesquisa acadêmica. Isso tem não somente implicações para a educa‑

ção mas também para a política, já que o modo como construímos e mantemos nossas posições políticas é, em grande parte, dependente da qualidade da gama de informações que recebemos. Isso ocorre particularmente porque a informa‑

ção, que antes era monopolizada por instituições públicas ou de inclinação cívi‑ ca, agora é cada vez mais fornecida por mecanismos de busca comerciais e pela internet, cuja gestão depende cada vez mais do setor privado. As implicações políticas desses fatos serão exploradas mais a fundo no Capítulo 3.

Como aludimos no capítulo anterior, práticas como proveniência e, mais recentemente, crowd sourcing, além da importância mais destacada da reputa‑

 

C A P Í T U L O 3 - Mídia digital e política no Estado democrático liberal

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CAPÍTULO 3

Mídia digital e política no

Estado democrático liberal

Introdução

OS DOIS CAPÍTULOS ANTERIORES

consideraram as implicações do cresci‑

mento da mídia digital para o modo como buscamos informação para perceber o sentido do mundo que nos cerca e conceber identidade. As questões que essa investigação suscita são profundamente políticas em sua orientação. A menos que empreguemos uma forma grosseira de determinismo tecnológico, não po‑ demos discutir essas questões sem analisar a relação entre a mídia digital e a sociedade em seu sentido mais amplo. Um elemento crucial desse tipo de aná‑ lise envolve determinar até que ponto essas mudanças no comportamento dos usuários de tal tecnologia são determinadas pelas propriedades intrínsecas da própria tecnologia, por tendências sociais mais amplas ou por uma combinação das duas. Envolverá também avaliar até que ponto mudanças no modo como interagimos com a mídia digital são política ou socialmente significativas, ou se são marginais a esses assuntos. À guisa de exemplo, poderíamos considerar o conceito de identidade on­‑line. O capítulo anterior identificou mudanças signi‑ ficativas no modo como nossa identidade contemporânea é construída a partir da nossa interação com a mídia digital. Em última análise, a mídia digital é responsável por essas mudanças ou elas são, mais provavelmente, um resultado

 

C A P Í T U L O 4 - A economia digital e asindústrias criativas

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CAPÍTULO 4

A economia digital e as indústrias criativas

Introdução

OS DEBATES SOBRE A aparente

mudança da estrutura econômica das sociedades −

afastando-se da agricultura e da manufatura rumo à indústria de serviços − ocorrem, nos Estados Unidos, no mínimo desde o início da década de 1970. O livro de Daniel Bell, O advento da sociedade pós­‑industrial, publicado pela primei‑ ra vez em 19731, é amplamente considerado o texto seminal, mas foi precedido e sucedido por outros autores, entre eles Machlup, Drucker, Touraine, Toffler,

Porat e Naisbitt. Embora Miller2 se empenhe em fazer uma sutil distinção entre os conceitos de pós­‑industrialismo e de sociedade da informação, as diferenças entre eles são mais temporais do que filosóficas quanto à orientação. Isso é exemplificado no desenvolvimento do próprio trabalho de Bell, cujo “pós­

‑industrialismo” se transformou, ao longo do tempo, na ideia da “sociedade da informação”3 O pós­‑industrialismo descreveu um período na década de 1970 no qual a indústria de serviços estava se tornando mais proeminente sem que

 

C A P Í T U L O 5 - A economia digital e a crise econômica global

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CAPÍTULO 5

A economia digital e a crise econômica global

Introdução

EMBORA O CAPÍTULO ANTERIOR

inclua certa dose de crítica, principalmente

por ter se valido da obra de David Harvey sobre a economia pós­‑moderna, sua intenção global era apresentar os argumentos mais fortes em favor da eficácia da economia digital. A fim de manter certo equilíbrio, este capítulo apresenta uma investigação crítica sustentada e muito mais abrangente sobre o funcionamento da economia digital. O parágrafo final do capítulo anterior traz à mente o seguinte diálogo, que teve lugar após a introdução de uma máquina para automatizar as tarefas em uma linha de montagem de automóveis mais de 60 anos atrás: em 1955, durante uma aparição muito anunciada na fábrica de motores da

General Motors de Cleveland [EUA], na qual a máquina havia sido recente‑ mente instalada, comenta­‑se que o então diretor­‑executivo da GM, Charles E.

Wilson, visualizando uma fábrica totalmente automática, perguntou a Walter

 

C A P Í T U L O 6 - Leitura e uso da mídia digital

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CAPÍTULO 6

Leitura e uso da mídia digital

Introdução

NA E R A DA M Í D I A

de massa, as teorias sobre o uso da mídia foram dominadas

por duas vertentes particulares: o instrumentalismo e o determinismo tecnoló‑ gico. Embora um número muito pequeno de estudos sobre o modo como o público usava várias mídias fosse inteiramente instrumentalista ou determinis‑ ta tecnológico, a maioria tendia a se situar em algum lugar do contínuo entre essas duas posições. Este capítulo fará uma crítica dessas duas posições antes de discutir teorias que tentam ir além desse binário rudimentar, em particular a conceituação do uso da mídia de Joost Van Loon e a teoria da ecologia da mí‑ dia de Postman. Embora este capítulo seja principalmente teórico (seguido por estudos de caso nos Capítulos 7, 8 e 9), nele discutiremos como uma das nossas práticas de mídia mais antigas, a leitura, foi afetada pela disseminação da mídia digital. Esse estudo de caso particular será teorizado por meio da obra de Walter

 

C A P Í T U L O 7 - Os novos movimentos sociais

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CAPÍTULO 7

Os novos movimentos sociais

Introdução

O CAPÍTULO 3 FEZ

uma tentativa de estabelecer um modelo normativo para

uma política de mídia digital infundida em sociedades democráticas liberais.

Embora esse modelo teórico possa ser usado para a maioria dos tipos de ativi‑ dade política − nesse sentido, ele pode ser usado para os tipos de atividade que serão discutidos neste capítulo −, ele é mais crível aplicado à política eleitoral em sociedades democráticas liberais. Para expandir algumas das ideias no

Capítulo 3 a um estudo de atividades políticas extraparlamentares, a obra de teóricos como Michael Hardt e Antonio Negri será usada para ampliar o meu modelo normativo. Ao fazer isso, o capítulo foca principalmente as atividades políticas e as campanhas sociais que ocorrem em grande parte fora da arena política dominante. Essas serão principalmente associadas aos novos movi‑ mentos sociais, e também à campanha presidencial de Barack Obama em 2008, que foi escolhida como estudo de caso aqui, exatamente em razão de sua dife‑ rença em relação à maioria das campanhas de eleições formais.

 

C A P Í T U L O 8 - Vigilância: o papel dos bancos de dados na sociedade contemporânea

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CAPÍTULO 8

Vigilância: o papel dos bancos de dados na sociedade contemporânea

Introdução

Q UA L Q U E R Q U E S E JA O

modo como usamos a mídia digital, há uma questão de

que nunca realmente esquecemos, ainda que, na prática, ela opere principalmen‑ te à distância do nosso olhar. Essa questão é a vigilância. Em geral, não gostamos de ser observados por estranhos e nos sentimos inquietos com os rotineiros re‑ gistros de nossas atividades on­‑line. Todavia, como nos sentimos imensamente impotentes para nos protegermos contra as cada vez mais sofisticadas e ubíquas tecnologias de vigilância, isso é algo que tentamos relegar ao recôndito de nossas mentes − e que lá permanecerá, a menos que sejamos vítimas de um e­‑mail equi‑ vocado ou de uma fotografia constrangedora que se tornou viral. Todavia, esse senso latente de inquietude em relação a ser vigiado frequentemente ganha vida quando o governo tenta editar leis que invadem cada vez mais a nossa privacida‑ de, como aconteceu quando o governo no Reino Unido, no período do Novo Tra‑ balhismo, tentou introduzir carteiras de identidade na primeira década do século

 

C A P Í T U L O 9 - O uso da mídia digital no mundo em desenvolvimento

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CAPÍTULO 9

O uso da mídia digital no mundo em desenvolvimento

Introdução

A M A I O R PA R T E D O

conteúdo deste livro refere­‑se ao mundo anglófono, no

qual o autor foi educado e trabalha.1 Nesse sentido, o livro é semelhante à maioria dos estudos da mídia digital, especialmente monografias, mas seria profundamente problemática a omissão de uma discussão mais séria em rela‑

ção a quantos dos conceitos trabalhados nestas páginas poderiam ser aplica‑ dos fora do mundo anglófono, especialmente em países em desenvolvimento.

De fato, tal discussão é útil, não somente para identificar alguns dos usos in‑ teressantes da mídia digital em diferentes partes do mundo, mas também para acrescentar importantes advertências em relação a declarações de que podemos inventar tecnologias e conceitos no mundo desenvolvido e simples‑ mente aplicá­‑los incondicionalmente em outros lugares; como este capítulo passará a demonstrar, há também exemplos de ideias e inovações que correm na direção inversa. O espaço não permite uma discussão do desenvolvimento e do uso da mídia digital em todas as partes do mundo em desenvolvimento.

 

Epílogo

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Epílogo

A M I N H A R E L U TÂ N C I A E M

aderir à futurologia significa que qualquer leitor

que espere uma previsão de tendências futuras nesta seção final ficará desa‑ pontado. Eu também não pretendo apresentar uma longa recapitulação de te‑ mas que já foram extensivamente abordados nos capítulos anteriores. Não obstante, acho que seria útil terminar destacando os modos mais distintivos pelos quais a mídia digital exerce influência nas esferas política, econômica e social. Dada a ênfase abrangente aplicada aos estudos de caso como um meio possível de explorar a rica variedade do uso da mídia digital, o livro terminará com uma discussão do uso da mídia digital nos dramáticos e trágicos dias que se seguiram ao atentado a bomba na Maratona de Boston (EUA), em 2013.

Em abril de 2013, uma cirurgia para remover um coágulo de sangue me impediu de estar presente na conferência Mídia em Transição no Instituto de

Tecnologia de Massachusetts (MIT). Meu desapontamento por perder esse evento foi logo eclipsado por preocupações mais importantes na forma de notí‑ cias sobre o tiroteio que matou um policial no campus, apenas alguns dias de‑ pois que três pessoas foram mortas em uma explosão ocorrida na maratona de Boston. Eu fiquei sabendo do tiroteio na tarde de 19 de abril, sexta­‑feira,

 

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