Teoria Geral da Administração - Dos Clássicos à Pós-modernidade

Autor(es): GIL, Antonio Carlos
Visualizações: 379
Classificação: (0)

Teoria geral da administração oferece uma síntese das principais teorias aplicáveis à pesquisa e à prática profissional da Administração. São consideradas mais de 50 teorias, com a apresentação do contexto em que cada uma delas surgiu, seus fundamentos, uma síntese biográfica de seus autores, bem como uma resenha das críticas que lhes têm sido apresentadas e suas implicações para a prática profissional dos administradores. As teorias são organizadas em grupos: teorias clássicas, neoclássicas, baseadas na motivação, estruturais modernas, psicossociais, ambientais, baseadas nos atores sociais, econômicas, baseadas em recursos, baseadas na cultura e teorias críticas.

Com o propósito de oferecer uma síntese das principais teorias aplicáveis à pesquisa e à prática profissional da Administração, este livro se destina às disciplinas Teoria Geral da Administração, Teoria Organizacional, Fundamentos de Administração e Teoria das Organizações dos cursos de graduação e pós-graduação em Administração, Economia e Ciências Contábeis. Leitura de interesse para executivos empenhados na aplicação de fundamentos teóricos na gestão de empresas. A obra conta com material suplementar para professores.

12 capítulos

Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta

1. Introdução

PDF Criptografado

1

Introdução

A Administração constituiu-se como disciplina científica ao longo do século XX. Graças aos trabalhos iniciados por Frederick Taylor e Henri Fayol, dispõe-se hoje de um corpo de conhecimentos capazes de proporcionar seu estudo metódico e sistemático. Assim, pode-se falar em Administração Científica, já que constitui disciplina lecionada no âmbito de instituições de ensino superior e amplamente debatida em eventos científicos.

Cabe considerar, no entanto, que não há consenso entre os autores acerca do quão científicos são os conhecimentos derivados da teoria e da pesquisa em Administração. Daí a conveniência de iniciar esta introdução com a conceituação de

Administração, seguida pela discussão de seu caráter científico, antes de se iniciar a discussão acerca do significado e do papel da teoria no âmbito dessa disciplina.

1.1

Significado de Administração

Administração deriva do termo latino administratio, onis, que significa a ação de prestar ajuda. Indica o ato, processo ou efeito de administrar, reger, governar ou gerir negócios públicos ou particulares. Trata-se de conceito bastante difundido e utilizado há muito tempo. Basta considerar que em língua portuguesa seus primeiros usos são identificados já no século XV (HOUAISS;

 

2. Teorias Clássicas

PDF Criptografado

2

Teorias clássicas

Teorias clássicas são as que foram elaboradas pelos “pais fundadores” da Administração: Frederick W. Taylor e Henri Fayol. Também se inclui nessa categoria a teoria formulada por Max Weber, que, embora sem o objetivo expresso de conferir fundamentação à nova disciplina científica, fornece importantes elementos para a compreensão do funcionamento das organizações. Incluem-se, ainda, entre as teorias clássicas trabalhos desenvolvidos até meados da década de 1930 que constituem aprimoramentos dos trabalhos pioneiros e contribuíram significativamente para a difusão e consolidação da Ciência da Administração. Incluem-se, portanto, nessa categoria, os trabalhos elaborados por

Luther Gulick e Lindall F. Urwick, que, embora representando avanço em relação à teoria de Fayol, não divergem significativamente de suas propostas.

O que caracteriza as teorias clássicas é principalmente a ênfase nos aspectos internos e estruturais das organizações. Elas se fundamentam no pressuposto da racionalidade absoluta, ou seja, consideram o ser humano capaz de analisar racionalmente as diversas possibilidades de decisão e, consequentemente, capaz de criar e implantar os melhores sistemas administrativos. Uma característica importante dessas teorias é o seu caráter prescritivo, já que existiria – segundo a perspectiva de seus formuladores – uma maneira mais adequada de fazer com que as organizações funcionem bem.

 

3. Teorias neoclássicas

PDF Criptografado

3

Teorias neoclássicas

Não há consenso acerca do significado do termo neoclássico no contexto das teorias administrativas. A concepção mais frequente, no entanto, é a que o identifica a uma abordagem teórica que revê criticamente as concepções dos autores clássicos. Concebe-se o período hegemônico da Escola Clássica como o que vai do início do século XX até o início da Segunda Guerra Mundial. Já os teóricos neoclássicos apresentaram seus trabalhos, constituídos principalmente por críticas aos clássicos, após o fim desse conflito, e prosseguiram até o final da década de 1950.

Os autores neoclássicos atacaram pontos vulneráveis dos teóricos da Escola Clássica, notadamente a ausência de fundamentação empírica e a pretensão de estabelecimento de princípios administrativos universalmente válidos.

Mas apesar de promoverem ataques aos clássicos, os neoclássicos não foram capazes de desenvolver um arcabouço teórico suficientemente sólido a ponto de representar uma alternativa à abordagem clássica, o que só iria ocorrer, de fato, com o advento da Escola de Relações Humanas, que será abordada no próximo capítulo.

 

4. Teorias baseadas na motivação

PDF Criptografado

4

Teorias baseadas na motivação

As teorias baseadas na motivação assumem que o funcionamento das organizações depende em boa parte do comportamento das pessoas que as integram.

Esse comportamento, por sua vez, é determinado pelos motivos, ou seja, pelas forças que impulsionam as pessoas para o alcance de seus objetivos. São, portanto, teorias de natureza psicológica. As primeiras constituíram-se na década de 1950 e passaram por notável evolução ao longo das décadas seguintes.

A criação dessas teorias deve-se ao movimento das Relações Humanas, que tem como base as pesquisas coordenadas por Elton Mayo na década de

1930. Essas pesquisas contribuíram decisivamente para demonstrar a importância dos fatores psicológicos e sociais na produtividade do trabalhador.

Assim, ao longo das décadas seguintes, desenvolveram-se teorias que, diferentemente das clássicas e neoclássicas, enfatizam mais os aspectos humanos do trabalho do que as estruturas organizacionais. Nessas novas teorias, a ênfase passou a ser colocada em aspectos comportamentais, como motivação, liderança e dinâmica dos grupos.

 

5. Teorias estruturais modernas

PDF Criptografado

5

Teorias estruturais modernas

Como foi visto no capítulo anterior, sob o impacto do movimento das Relações Humanas constituíram-se muitas teorias organizacionais. Essas teorias fundamentam-se em aspectos humanos, como motivação, liderança e constituição de grupos e são designadas como humanistas, contrapondo-se às teorias clássicas.

As teorias clássicas, elaboradas por Taylor, Fayol e Weber, embora apresentando notáveis diferenças entre si, enfatizam os relacionamentos relativamente estáveis entre as unidades e funções observadas no âmbito das organizações.

Assim, essas teorias são frequentemente designadas como estruturais. Outras teorias, no entanto, embora constituídas após o surgimento da Escola de Relações Humanas, também enfatizam as estruturas organizacionais, sendo igualmente designadas como estruturais, ou estruturais modernas (SHAFRITZ;

OTT; JANG, 2011), para distingui-las das clássicas.

Por existirem diversas teorias com essas características, pode-se falar em uma perspectiva estrutural, que se fundamenta nas suposições: 1. as organizações existem para alcançar os objetivos e as metas estabelecidas; 2. as organizações ampliam sua eficiência e melhoram seu desempenho em virtude da especialização e da adequada divisão do trabalho; 3. formas adequadas de coordenação e controle asseguram que os esforços dos indivíduos e unidades de trabalho se engrenem; 4. as organizações funcionam melhor quando a racionalidade prevalece sobre os interesses pessoais; 5. existe uma estrutura mais adequada para qualquer organização em face de seus objetivos, da natureza de seus produtos e do ambiente que a rodeia; 6. a maioria dos problemas da organização decorre de falhas estruturais e pode ser solucionada mediante correções em sua estrutura (BOLMAN; DEAL, 2008).

 

6. Teorias psicossociais

PDF Criptografado

6

Teorias psicossociais

O movimento de Relações Humanas no Trabalho, iniciado por Elton Mayo, incentivou o aparecimento de diversas teorias cuja principal característica é a ênfase em aspectos motivacionais, como as que foram criadas por Maslow,

McGregor, Herzberg e McClelland. Há, porém, teorias que, embora tendo como fundamento o fator humano no trabalho, enfatizam aspectos de natureza psicossocial, como a ação dos grupos e a liderança. As primeiras teorias com essas características surgiram logo após a Segunda Guerra Mundial e se inserem no âmbito da Psicologia Social, disciplina que se consolidou por seu caráter híbrido, já que se vale de fundamentos e métodos tanto da Psicologia quanto da Sociologia.

6.1

Teoria de Campo

A Teoria de Campo em Ciência Social, criada por Kurt Lewin, estabelece que para compreender um comportamento é necessário atentar para a situação em que este ocorre e as forças e condições que atuam sobre o indivíduo em um período específico de tempo. O campo é considerado por Lewin como a totalidade dos fatos coexistentes que são concebidos como mutuamente interdependentes (1951). No âmbito das organizações, são os campos organizacionais que as conectam e as alinham, conduzindo a culturas e perspectivas comuns.

 

7. Teorias ambientais

PDF Criptografado

7

Teorias ambientais

São denominadas teorias ambientais as que enfatizam a influência das forças externas no modo como as organizações funcionam e alocam seus recursos.

De certa forma, as teorias contingenciais de Burns e Stalker (1961) e Lawrence e Lorsch (1969) podem ser consideradas ambientais, pois tratam da adaptação das organizações ao seu ambiente. Nessas teorias, no entanto, a adaptação dá-se principalmente em termos de escolha estratégica. Já as teorias ambientais propriamente ditas alteram dramaticamente essa perspectiva à medida que atribuem ao ambiente um papel determinante sobre as organizações, limitando significativamente a capacidade de decisão de seus dirigentes.

As teorias ambientais constituem-se na década de 1960, graças à perspectiva dos “sistemas abertos” que se sobrepôs aos modelos baseados em “sistemas fechados”. Por causa dessa perspectiva, o foco da teoria e da pesquisa organizacional passou das características internas das organizações para a dinâmica externa da competição, interação e interdependência organizacional

 

8. Teorias baseadas nos atores sociais

PDF Criptografado

8

Teorias baseadas nos atores sociais

O conceito de ator social é utilizado para designar um indivíduo ou agrupamento organizado que em determinadas situações desempenha um papel ativo no âmbito de uma sociedade, de uma organização ou de qualquer outro espaço social. Trata-se, portanto, de conceito de natureza sociológica dos mais relevantes para o estudo das organizações, mas cujo uso só se tornou significativo no âmbito da Teoria da Administração a partir da década de 1970.

A contribuição de sociólogos para a compreensão dos fenômenos administrativos tem sido significativa desde Max Weber. A Sociologia, no entanto, enquanto disciplina científica, ao longo dos três primeiros quartéis do século

XX, conferiu muito mais importância ao estudo de instituições como o estado, a escola e a família do que à empresa. Embora a Sociologia do Trabalho tenha conferido importância às organizações empresariais, estas não foram tratadas propriamente como objeto de estudo, mas principalmente como cenário de fatos ou fenômenos mais amplos, como os relacionados à organização da produção, qualificação profissional e movimentos sindicais.

 

9. Teorias econômicas

PDF Criptografado

9

Teorias econômicas

Embora a firma constitua um das mais importantes instituições capitalistas, sua importância não foi acentuada pelos teóricos da Economia até o final da

última década do século XX. Por muito tempo, a firma foi compreendida como mero agente maximizador de lucro, sem qualquer outro interesse que não fosse o de possibilitar a obtenção do maior excedente possível em suas transações. Essa compreensão baseava-se na crença da habilidade da firma para se ajustar automaticamente às mudanças do mercado, crença esta coerente com o conceito de “mão invisível”, introduzido por Adam Smith para explicar como numa economia de mercado, apesar da inexistência de uma entidade coordenadora, a interação econômica entre os indivíduos se daria em certa ordem capaz de garantir o equilíbrio do mercado.

O pensamento econômico dominante no período compreendido pelas três últimas décadas do século XIX e as quatro primeiras décadas do século

XX foi o da Escola Neoclássica, que enfatizava a formação dos preços, a produção  e a  distribuição  da  renda  através do mecanismo de  oferta e demanda dos mercados. Nesse contexto, a firma ficava reduzida a uma “caixa-preta”, a uma função de produção. A Macroeconomia, por se dedicar ao estudo do comportamento econômico como um todo, privilegiava o estudo dos grandes aglomerados econômicos, tais como renda e produtos, estoque de moeda e balança de pagamentos, conferindo pouca atenção ao estudo das empresas.

 

10. Teorias baseadas em recursos

PDF Criptografado

10

Teorias baseadas em recursos

As teorias baseadas em recursos derivam da perspectiva teórica conhecida como Visão Baseada em Recursos, que vê os recursos de uma firma como o fundamento para conceber e implementar estratégias capazes de melhorar sua eficiência e eficácia. Esses recursos, constituídos por ativos, capacidades, processos organizacionais, atributos e informação, representam a mais importante fonte de vantagem competitiva, heterogeneidade e retorno das firmas a longo prazo (BARNEY, 1991).

Em 2007, Barney passou a designar a Visão Baseada em Recursos como

Teoria Baseada em Recursos. Foram, porém, constituídas outras teorias com o propósito de estudar a natureza e o desempenho das empresas tendo como unidade de análise os recursos que estas possuem, controlam ou acessam preferencialmente. Dentre elas estão a Teoria da Firma Baseada em Conhecimento e a Teoria das Capacidades Dinâmicas.

10.1

Visão Baseada em Recursos

As origens da Teoria Baseada em Recursos podem ser encontradas no livro The theory of the growth of the firm, de Edith Penrose, publicado em 1959. Foi, porém, graças aos trabalhos de Birger Wernerfelt (1984) e Jay B. Barney (1991) que se consolidou a Visão Baseada em Recursos, segundo a qual os recursos e as capacidades internas de uma empresa são a principal fonte de vantagem competitiva sobre outras empresas.

 

11. Teorias baseadas na cultura

PDF Criptografado

11

Teorias baseadas na cultura

É cada vez mais reconhecida na literatura administrativa a existência da cultura organizacional, que é constituída por múltiplos fenômenos intangíveis, tais como valores, normas, crenças e padrões de comportamento. Embora a cultura seja uma entidade invisível, representa para as organizações o mesmo que a personalidade representa para os indivíduos: um tema escondido, mas unificador, que confere significado, direção e mobilização às organizações

(KILMANN; SAXTON; SERPA, 1985).

Durante muito tempo, os teóricos assumiam que as organizações seriam instituições de caráter racional e utilitário que têm como propósito fundamental o alcance dos objetivos que lhes foram atribuídos. Porém, com o advento da perspectiva cultural, passaram a admitir que muitos comportamentos e decisões organizacionais não são determinados por análises racionais, mas por padrões de pressupostos básicos mantidos pelos membros das organizações. Daí, então, a constituição de teorias organizacionais fundamentadas na cultura.

 

12. Teorias críticas

PDF Criptografado

12

Teorias críticas

As teorias críticas fundamentam-se no questionamento da dominação que certos grupos exercem sobre outros no âmbito das organizações. São teorias que acentuam o contexto econômico, social e político em que estas se inserem. Suas intenções vão além do conhecimento das organizações, pois têm como propósito explícito a conscientização, a emancipação e a libertação dos grupos oprimidos pelas organizações.

Essas teorias possuem como ponto de partida os estudos elaborados pela primeira geração de pesquisadores do Instituto para a Pesquisa Social da Universidade de Frankfurt. Esses pesquisadores eram marxistas dissidentes que se tornaram críticos tanto do capitalismo quanto do socialismo aplicado na

União Soviética e atentavam para a possibilidade de um caminho alternativo de desenvolvimento social. Um marco importante na constituição dessa teoria foi o ensaio-manifesto elaborado por Max Horkheimer e publicado com o título Teoria tradicional e teoria crítica em 1937.

 

Detalhes do Produto

Livro Impresso
eBook
Capítulos

Formato
PDF
Criptografado
Sim
SKU
BPPD000207541
ISBN
9788597007855
Tamanho do arquivo
6,3 MB
Impressão
Desabilitada
Cópia
Desabilitada
Vocalização de texto
Não
Formato
PDF
Criptografado
Sim
Impressão
Desabilitada
Cópia
Desabilitada
Vocalização de texto
Não
SKU
Em metadados
ISBN
Em metadados
Tamanho do arquivo
Em metadados