Métodos de Pesquisa em Administração, 6ª edição

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Teoria e método são interdependentes. Ambos buscam realizar o objetivo da pesquisa, oferecendo resposta ao problema que suscitou investigação. Consciente embora da relação teoria/método, este livro elege o método e apresenta alguns postos à disposição do pesquisador. A separação da teoria, dá-se aqui, apenas para fins didáticos.

Trata-se de um livro prático. Ele está estruturado em 22 capítulos, cada um deles apresentando um método diferente, por ordem alfabética. São eles: análise de conteúdo, análise do discurso, analogias e metáforas, construção de desenhos, desconstrução, etnografia, fenomenologia, fotoetnografia, grounded theory, grupos de foco, história oral, historiografia, mapas cognitivos, mapas de associação deidéias, método Delphi, metodologia reflexiva, netnografia, pesquisa-ação, técnicas de complemento, técnicas deconstrução, teste de evocação de palavras e triangulação.

De cada método são explicitadas suas palavras-chaves, suas características principais, como utilizá-lo, além de exemplos de seu uso em pesquisas já publicadas. Na seção sobre como utilizar são apresentados passos básicos e recomendações operacionais para o leitor.

Livro destinado a estudantes de pós-graduação e de graduação dos cursos de Administração, Educação e Ciências Humanas e Sociais
em Sinopse

 

22 capítulos

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1 Análise de Conteúdo

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1

Análise de Conteúdo

A análise de conteúdo é considerada uma técnica para o tratamento de dados que visa identificar o que está sendo dito a respeito de determinado tema.

Bardin (1977, p. 42) a define como: “um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/ recepção (variáveis inferidas) destas mensagens”.

Pode-se dizer que a análise de conteúdo tem se desenvolvido desde o início do século XX. No começo, a técnica era aplicada, sobretudo, ao tratamento de materiais jornalísticos. Hoje, abraça também transcrições de entrevistas, documentos institucionais, entre outros. A disseminação desse método se deu a partir dos estudos da Escola de Jornalismo da Universidade de Columbia, nos

Estados Unidos (BARDIN, 1977).

H. Lasswell é considerado um dos pioneiros na aplicação do método, tendo realizado análises de imprensa e de propaganda. Nas décadas de 40 e 50 do século XX, pesquisadores como B. Berelson e P. Lazarsfeld se dedicaram à sistematização das regras de análise. A partir dos anos 60, a análise de conteúdo passou a contar com o auxílio de recursos da informática. A obra The general inquirer: a computer approach to content analysis in the behavioral sciences, publicada em 1966 por Stone et al., é considerada uma referência no que diz respeito à análise com auxílio de computador (BARDIN, 1977; BAUER, 2002).

 

2 Análise do Discurso

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Análise do Discurso

A análise do discurso é um método que visa não só apreender como uma mensagem é transmitida, como também explorar o seu sentido. Analisar o discurso implica considerar tanto o emissor quanto o destinatário da mensagem, bem como o contexto no qual o discurso está inserido. Seu foco é “a forma como a língua é produzida e interpretada em um dado contexto” (CABRAL, 1999, p. 11).

Ou, como asseveram Putnam e Fairhurst (2001, p. 79), é o “estudo de palavras e expressões, incluindo a forma ou estrutura destas palavras, o uso da linguagem no contexto e os significados ou interpretações de práticas discursivas”.

A relação entre os participantes de um discurso pode, contudo, ir além do esquema emissor-receptor. Explorar o sentido do discurso demanda, então, reconhecer outros personagens: o locutor, o enunciador, o alocutor e os destinatários

(BALLALAI, 1989). O primeiro refere-se ao autor da fala. O enunciador, também conhecido como animador, é aquele que profere uma sequência de palavras. A fala, neste caso, não é sua. O alocutor é o indivíduo a quem o discurso é dirigido, isto é, o verdadeiro destinatário da mensagem. Os destinatários, por sua vez, são ouvintes, pacientes dos atos.

 

3 Analogias e Metáforas

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Analogias e Metáforas

Analogias e metáforas são recursos metodológicos utilizados para o tratamento de dados coletados. Inserem-se na lógica da argumentação.

A analogia é uma comparação entre dois conceitos diferentes por meio da descrição de um elemento e outro. Ocorre no plano concreto. É uma semelhança de relação. Trata-se do confronto entre um tema, conjunto dos termos A e

B, sobre os quais repousa uma conclusão, e um foro, conjunto dos termos C e

D, que servem para estribar o raciocínio (PERELMAN e OLBRECHTS-TYTECA,

1996).

Analogias podem ressaltar semelhanças, ou diferenças, como apresentado por Perelman e Olbrechts-Tyteca (1996), ao tratarem da similitude pelos contrários. Os autores mencionam o seguinte exemplo (PERELMAN e OLBRECHTSTYTECA, 1996, p. 441):

Não, para dizer a verdade, não é como na corrida, na qual aquele que recebe a tocha ardente está mais ágil na corrida de revezamento do que aquele de quem a recebe; o novo general, que recebe um exército, não é superior ao que se retira; pois é o corredor cansado que entrega a tocha a um corredor descansado; aqui é um general experiente que entrega seu exército a um general inexperiente.

 

4 Construção de Desenhos

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4

Construção de Desenhos

A construção de desenhos1 é um método para a obtenção de dados por meio do qual o pesquisador solicita aos sujeitos da pesquisa que elaborem uma imagem gráfica (desenho de livre criação) relacionada ao tema proposto. Trata-se, portanto, da criação de uma resposta visual à situação sob investigação.

A utilização da construção de desenhos em pesquisas empíricas na área de administração visa estimular a manifestação de dimensões emocionais, psicológicas e políticas, pouco enfatizadas por métodos de cunho racional. Com Kolck

(1968, p. 10), há de admitir-se que “um desenho representa uma maneira de ver as coisas, de se colocar diante delas e de senti-las, e como tal nos dá indicações da maneira peculiar de ser e sentir de uma pessoa”. Ou, como afirmam Pagès et al. (1993), desenhos representam o imaginário, teatralizam o inconsciente.

Pode-se dizer, portanto, que a proposta de construção de desenhos representa uma tentativa de resgate da subjetividade dos indivíduos. Trata-se de reconhecer que palavras e números nem sempre são suficientes para expressar sentimentos e percepções de cunho mais afetivo (VERGARA, 2004b).

 

5 Desconstrução

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Desconstrução

A desconstrução é um método1 que visa à exposição de contradições ou dicotomias presentes em qualquer texto. Desconstruir um conceito não significa destruí-lo (CALÁS e SMIRCICH, 1991). Significa analisar as relações entre elementos positivos e negativos, centrais e marginais, essenciais e não essenciais, insiders e outsiders, a fim de revelar a ambiguidade embutida nelas

(BOJE, 1995).

A desconstrução, introduzida pelo filósofo francês Jacques Derrida, nos anos

60 do século XX, insere-se na perspectiva da pesquisa pós-moderna. Pode-se dizer que o termo pós-modernismo tem sido tratado, sobretudo, de duas formas: como período histórico e como perspectiva teórica (COSTA e CAMPOS, 2003; HASSARD, 1999). A primeira refere-se a um momento que se segue à modernidade, enquanto a segunda, marcada pelos trabalhos de Foucault, Derrida, Deleuze,

Lyotard, Guattari, Baudrillard, entre outros, discute questões epistemológicas e ontológicas relacionadas ao modernismo. Para Alvesson e Deetz (1999), o pós-modernismo enfatiza um conjunto de ideias inter-relacionadas no todo. São elas: (a) centralidade do discurso, (b) identidades fragmentadas, (c) crítica da filosofia da presença, (d) perda das fundamentações e das narrativas-mestre, (e) conexão poder/conhecimento, (f) hiper-realidade, (g) pesquisa como resistência e indeterminação. Além da desconstrução, a pesquisa pós-moderna vale-se de

 

6 Etnografia

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6

Etnografia

O método etnográfico, originado no campo da Antropologia, consiste na inserção do pesquisador no ambiente, no dia a dia do grupo investigado. Os dados são, então, coletados no campo, em geral, por meio de observação participante e entrevistas, quase sempre semiestruturadas.

A pesquisa etnográfica é marcada pela obra clássica Argonautas do Pacífico

Ocidental, de Malinowski (1976), cuja abordagem volta-se para a perspectiva de conversão, de viver como vivem os nativos. Outra abordagem antropológica

é a de Geertz (1978), voltada para a perspectiva interpretativa, do viver com o nativo. Uma terceira corrente refere-se à abordagem pós-moderna, uma continuidade da perspectiva interpretativa.

Propostas de utilização do método etnográfico têm sido discutidas, nos

últimos tempos, num contexto de aproximação das disciplinas antropologia e administração (CAVEDON, 1999; JAIME JÚNIOR, 1996; MASCARENHAS, 2002;

SERVA e JAIME JÚNIOR, 1995).

 

7 Fenomenologia

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Fenomenologia

A fenomenologia é originada do campo da filosofia. Consiste no estudo do fenômeno, entendido este como aquilo que se manifesta como é. O que propicia a compreensão de um dado fenômeno são as essências, ou seja, o sentido verdadeiro de alguma coisa (MOREIRA, 2002). Como explica Dartigues (1973), o que não se pode suprimir de um objeto sem destruí-lo é a sua essência. A ênfase da fenomenologia recai sobre o mundo da vida, o mundo cotidiano. É considerado, ao lado do método hipotético-dedutivo e do dialético, um dos grandes métodos de pensamento (VERGARA, 2004a), um método-raiz (ALVESSON, 2003).

A fenomenologia foi introduzida por Edmund Husserl (1859-1938), a partir de uma vertente conhecida como fenomenologia descritiva ou transcendental. Nasceu como uma perspectiva crítica, uma reação ao positivismo e

à negação da subjetividade. Como assevera Dartigues (1973, p. 74): “a objetividade supôs a colocação entre parênteses do sujeito humano e dos modos de apreensão subjetivos da realidade”. A perspectiva fenomenológica busca

 

8 Fotoetnografia

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Fotoetnografia

Na busca pela renovação do conhecimento, métodos tradicionais abrem-se para novas possibilidades. É o caso da etnografia. Uma variante deste método refere-se à fotoetnografia. Trata-se da apresentação de uma outra forma narrativa: a imagem, o texto fotoetnográfico (ACHUTTI, 1997). Esta variante é aqui abordada.

O diário de campo é o companheiro inseparável do pesquisador que se propõe fazer etnografia. A palavra é o meio preponderante para o registro e a narrativa. Imagens são utilizadas, na maior parte das vezes, de forma ilustrativa.

Andrade (2002, p. 18) afirma: “O antropólogo é um fotógrafo que escreve aquilo que vê – e muito pouco fotografa.” Ir além da simples ilustração, narrando por meio de imagens, é a proposta da fotoetnografia. Andrade (2002, p. 20) leva a crer que isto é possível, ao afirmar que “um antropólogo pode escrever visualmente sobre a alma; um antropólogo pode escrever sobre e com as imagens”.

Tal como o vídeo e o filme etnográfico, a fotoetnografia se insere no campo da antropologia visual. Um ponto em comum entre a antropologia e a fotografia

 

9 Grounded Theory

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Grounded Theory

A grounded theory é uma metodologia que visa desenvolver uma teoria sobre a realidade que se está investigando a partir de dados coletados pelo pesquisador, sem considerar hipóteses preconcebidas. É também conhecida como teoria embasada, teoria fundamentada (ICHIKAWA e SANTOS, 2001) ou teoria enraizada nos dados.

Ao fazer a distinção entre teoria formal e teoria substantiva, Bandeira-deMello e Cunha (2003a) e Ichikawa e Santos (2001) afirmam que a primeira

é mais geral e a segunda, mais específica. A grounded theory afirma-se como teoria substantiva que emerge dos dados, por ser representativa da realidade de um determinado grupo ou situação (BANDEIRA-DE-MELLO e CUNHA, 2003a;

ICHIKAWA e SANTOS, 2001). Ao contrário da teoria formal, não visa à generalização. Teorias substantivas ajudam a gerar novas teorias formais enraizadas e a reformular as já estabelecidas (GLASER e STRAUSS, 1967). A construção de teorias substantivas se dá por meio da coleta seletiva, da categorização e da saturação teórica.

 

10 Grupos de Foco

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Grupos de Foco

Grupo de foco (Focus Group) é um método de coleta de dados que consiste na realização de entrevistas em grupo, conduzidas por um moderador. Tem como objetivo a discussão de um tópico específico. Este método é também chamado de entrevista focalizada de grupo, entrevista profunda em grupos, reuniões de grupos, pesquisa diagnóstica e pesquisa da motivação (MATTAR, 1996).

Pode-se dizer que as entrevistas em grupo, na área de ciências sociais, têm sido utilizadas desde a década de 1920. Inicialmente, pesquisadores como

Emory Bogardus e Walter Thurstone utilizaram várias formas de entrevistas em grupo, atendendo a propósitos diversos, como, por exemplo, a elaboração de instrumentos para a pesquisa do tipo survey (MORGAN, 1998). Entretanto, foi com Robert Merton e Paul Lazarsfeld que o método desenvolveu-se, antes da

Segunda Guerra Mundial. Entre os anos de 1950 e 1980 aproximadamente, o método foi utilizado basicamente em pesquisas na área de marketing. Recentemente, tornou-se também popular em outras áreas (MORGAN, 1998).

 

11 História Oral

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História Oral

A história oral é uma metodologia de pesquisa que visa ao estudo e ao registro de acontecimentos, histórias de vida, trajetórias de organizações, enfim, de temas históricos contemporâneos que permitam acessar pessoas que ainda estejam vivas. Sua principal técnica de coleta de dados é a entrevista de história oral, que obtém depoimentos dos entrevistados.

A utilização de depoimentos para a reconstituição de acontecimentos passados não é recente, ocorrendo desde a Idade Média. Contudo, no século XIX essa prática foi desprezada pela corrente de pensamento positivista, a qual sublinhou a supremacia dos dados resultantes de documentos escritos, sobre a história oral (ALBERTI, 1989). Intelectuais cuja posição era mais extrema consideravam que povos desprovidos de documentos escritos não tinham história.

A historiografia clássica, positivista, foi contestada por historiadores franceses e ingleses que, em meados do século XX, defenderam a chamada “nova história”. A história oral foi introduzida nesse contexto, na década de 40, com o lançamento, nos Estados Unidos, do The oral history project, por Allan Nevis

 

12 Historiografia

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Historiografia

A historiografia é um método de pesquisa que visa ao resgate dos acontecimentos e das atividades humanas ao longo do tempo, possibilitando desvendar e compreender as mudanças, as contradições e as tendências da realidade social.

Pode-se dizer que há duas linhas de pensamento orientadoras dos estudos históricos: a historiografia política clássica ou paradigma tradicional e a nova história (CURADO, 2001). Em termos cronológicos, a historiografia conviveu com a supremacia das concepções positivistas até meados do século XX. Contudo, questionamentos a esta postura tradicional emergiram desde fins do século

XIX (CARDOSO, 1981).

No século XX, a historiografia foi fortemente influenciada por duas correntes: o marxismo e o grupo de Annales (CARDOSO, 1981, 1997). Esta última corrente foi marcada pelo lançamento da revista francesa Annales d’histoire

économique et sociale, em 1929, uma iniciativa de Marc Bloch e Lucien Fèbvre

(MOTTA, 2000).

 

13 Mapas Cognitivos

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Mapas Cognitivos

Mapas são representações gráficas que fornecem um quadro de referência acerca de localizações. Mapas geográficos, por exemplo, fornecem às pessoas sua localização no espaço, de modo que possam identificar onde estão, bem como a direção a ser seguida. Valendo-se desta analogia, Fiol e Huff (1992, p.

267) definem mapas cognitivos como “representações gráficas que localizam pessoas em relação a seus ambientes de informação”.

A expressão mapa cognitivo tem sua origem na área de psicologia com os estudos de E. Tolman sobre aprendizagem e orientação de ratos em labirintos

(BASTOS, 2000; EDEN, 1992). Tais estudos foram marcados pela publicação do artigo Cognitive maps in rats and men, em 1948. Pode-se dizer que os mapas cognitivos são representações que se inserem na abordagem cognitiva, cujo surgimento se deu como uma reação ao pensamento behaviorista, hegemônico na psicologia até a década de 50 do século XX (BASTOS, 2001).

O mapeamento cognitivo é o método pelo qual são identificados os elementos que compõem os mapas (BASTOS, 2000). Mapas são, portanto, frutos do mapeamento. São representações dinâmicas, schemas ou modelos mentais, atualizados à medida que novas informações são processadas (SWAN,

 

14 Mapas de Associação de Ideias

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Mapas de Associação de Ideias

Mapas de associação de ideias são instrumentos de visualização cujo objetivo

é subsidiar o processo de análise e interpretação dos dados da pesquisa, a fim de facilitar a comunicação de seus resultados.

O método de análise dos dados por meio da utilização de mapas de associação de ideias foi desenvolvido por Spink e Lima (2000),1 com base em seus estudos sobre produção de sentidos por meio de práticas discursivas, entendendo sentido como uma construção dialógica (SPINK e FREZZA, 2000). Tais estudos têm suporte na perspectiva construcionista, na esfera da Psicologia Social.

A proposta de construção de mapas de associação de ideias está alinhada ao conceito de rigor adotado no âmbito do construcionismo: “possibilidade de explicitar os passos da análise e da interpretação de modo a propiciar o diálogo”

(SPINK e LIMA, 2000, p. 102). O rigor, portanto, deixa de se ater aos critérios do monismo metodológico, ou seja, validade, fidedignidade, generalização dos resultados, passando a ser associado à visibilidade. Para Spink e Menegon

 

15 Método Delphi

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Método Delphi

O método Delphi é aquele que visa obter o consenso de opiniões de especialistas sobre o que está se investigando. É baseado na aplicação de um questionário, durante sucessivas rodadas, a um grupo de especialistas, preservando-lhes o anonimato. A cada rodada, os participantes recebem feedback sobre os resultados da rodada anterior, os quais são submetidos a tratamento estatístico. O questionário pode ser modificado durante o processo de pesquisa, tendo questões incluídas ou suprimidas.

O Delphi se insere nos chamados métodos prospectivos, de cunho qualitativo (GRISI e BRITTO, 2003). Pode-se dizer que o nome dado a esse método tem origem na Grécia Antiga, inspirado no oráculo de Delfos (ZACKIEWICZ e

SALLES-FILHO, 2001). Sua introdução se deu, nos anos 50 do século XX, por

Olaf Helmer e Norman Dalker, pesquisadores da Rand Corporation, nos Estados

Unidos (LINSTONE e TUROFF, 1975). A aplicação do método estava voltada, inicialmente, para a previsão tecnológica (WRIGHT e GIOVINAZZO, 2000). Com o tempo, seu escopo foi ampliado, sendo utilizado, também, como método de apoio à decisão e à definição de políticas. Trata-se da versão conhecida como

 

16 Metodologia Reflexiva

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16

Metodologia Reflexiva

Metodologia reflexiva é aquela que defende a tese segundo a qual a pesquisa empírica é de natureza interpretativa, política e retórica (ALVESSON e

SKÖLDBERG, 2000).

Reflexão deve ser entendida como as próprias interpretações do pesquisador, a capacidade de olhar suas próprias perspectivas da perspectiva de outros, bem como a capacidade de autocrítica acerca da sua autoridade como intérprete e como autor. Estas interpretações são obtidas pelos processos constantes de indução, dedução e abdução desenvolvidos ao longo do processo de pesquisa.

Reflexão significa pensar sobre as condições sob as quais algo é construído.

Implica investigar os modos pelos quais o contexto teórico, cultural, político afeta a interação com o que esteja sendo pesquisado. Reflexão, alertam Alvesson e Sköldberg (2000), é difícil.

Adeptos da metodologia reflexiva argumentam que o conhecimento não pode ser separado daquele que conhece. As informações e os fatos são construções do pesquisador, resultados da sua interpretação. Ainda: creem que a realidade social não é externa à consciência e à linguagem de pessoas, membros da sociedade, o que inclui os pesquisadores.

 

17 Netnografia

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Netnografia

Conforme mencionado no Capítulo 6, métodos tradicionais, como a etnografia, têm-se aberto para novas possibilidades. Uma delas é a fotoetnografia.

Outra refere-se à netnografia. Trata-se de abrir as portas para o estudo de outras

“tribos” e outras culturas: as comunidades virtuais e a cibercultura, como será visto a seguir.

A sociedade atual é caracterizada pela velocidade das mudanças, pelo excesso de informações, pelas novas tecnologias. É uma sociedade acelerada, complexa, que parece não ter mais fronteiras. É a chamada sociedade de informação, em rede, do conhecimento.

Nesse contexto, o desenvolvimento da informática possibilitou a disseminação de uma outra forma de comunicação: a mediada por computadores.

Para Lemos (2002), os computadores pessoais (PC) estão dando lugar aos computadores coletivos (CC). Esta é, para o autor, a quarta fase da informatização da sociedade, na qual o ciberespaço é uma realidade e a cibercultura ganha consistência. A cibercultura se estabelece como “fruto da sinergia entre a sociabilidade contemporânea e as novas tecnologias de base microeletrônica”

 

18 Pesquisa-ação

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Pesquisa-ação

A pesquisa-ação é um método de pesquisa que visa à resolução de problemas por meio de ações definidas por pesquisadores e sujeitos envolvidos com a situação sob investigação. Objetiva, simultaneamente, a intervenção, a elaboração e o desenvolvimento de teoria. Na definição de Thiollent (1988, p. 14), trata-se de

“um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo”.

Este método de pesquisa é, muitas vezes, tratado como sinônimo de pesquisa participante. Como esclarece Thiollent (1987, 1988), a pesquisa-ação é uma forma de pesquisa participante. Entretanto, nem todas as pesquisas participantes são consideradas pesquisa-ação, uma vez que este método é centrado na intervenção planejada em uma dada realidade, por parte dos sujeitos. A participação dos pesquisadores não é suficiente para que a investigação seja considerada pesquisa-ação.

 

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