Macroeconomia do Desenvolvimento - Uma Perspectiva Keynesiana

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A consolidação de um novo paradigma teórico em qualquer disciplina passa necessariamente pela definição da ciência 'normal' que lhe corresponde, a definição de problemas relevantes, a seleção de métodos de investigação aceitos como válidos etc. Uma peça fundamental dessa transformação é a produção de materiais que permitam a divulgação dos resultados já obtidos para um número crescente de estudantes, de modo amplo, consistente, em que esses futuros pesquisadores possam entender a coerência do programa de pesquisa e situar seus próprios interesses dentro dele. Este é o papel do livro-texto: codificar o que se sabe, o que não se sabe e o que se busca saber dentro de um paradigma (ou mais); um mapa para se conhecer a extensão e a cobertura desse paradigma. É para isso que o professor Oreiro dá uma contribuição fundamental com este livro. Mapear, mostrar acidentes geográficos, localizar dificuldades, ilustrar os caminhos já conhecidos e os destinos já explorados. Poucos economistas neste país estão tão bem qualificados para fazê-lo e, tenho certeza: este livro se tornará rapidamente a referência na disciplina.

Fernando José Cardim de Carvalho
Professor Emérito do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro
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"Nos dias de hoje é raro achar um livro no qual as questões empíricas a serem respondidas sejam apresentadas antes dos modelos formais. Este livro faz isso, apresentando logo de início a questão do desenvolvimento desigual em nível mundial e, em particular, as diferenças entre as economias maduras e as economias menos desenvolvidas. O aparato teórico apresentado é, sob qualquer ângulo, forte o suficiente para apresentar uma explicação convincente para o fenômeno, conciliando uma teoria das assimetrias na tecnologia com uma teoria das assimetrias na estrutura produtiva (composição setorial da produção); com a primeira explicando a performance relativa das economias maduras, e a última se aplicando a países como o Brasil, no qual a estratégia de crescimento induzida pelas exportações está associada à especialização em recursos primários. Trata-se de um livro excelente, muito bem escrito, razoavelmente acessível e absolutamente persuasivo. A empreitada corajosa do professor Oreiro (casando Keynes e Kalecki com os aspectos estruturais do processo de desenvolvimento) causa uma séria derrota às explicações simplórias oferecidas até agora pela literatura empírica de crescimento econômico."

Lionello Punzo
Professor da Universidade de Siena, Itália
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"Uma das principais dificuldades da teoria e da política macroeconômicas é combinar o curto e longo prazos. Este novo livro de José Luis Oreiro adota a abordagem pós-keynesiana de forma criativa e competente e, desse modo, avança a economia do desenvolvimento de maneira instigante e fértil."

Mauro Boianovsky
Professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília e Presidente da History of Economics Society

8 capítulos

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PARTE I - CAPÍTULO I - Desenvolvimento Desigual e a Macroeconomia do Desenvolvimento

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CAPÍTU LO 1

DESENVOLVIMENTO DESIGUAL

E A MACROECONOMIA DO

DESENVOLVIMENTO

1.1 INTRODUÇÃO

Este é um livro sobre desenvolvimento econômico, que é entendido como um processo mediante o qual a acumulação de capital e a incorporação sistemática de progresso técnico permitem o aumento persistente da produtividade do trabalho e do nível de vida da população.i Mas não se trata de mais um livro sobre teorias do desenvolvimento econômico, como tantos outros que já foram publicados. Este livro é único no sentido que faz uma apresentação da teoria do desenvolvimento econômico a partir de uma perspectiva eminentemente keynesiana. Alguns leitores poderão se perguntar o que John Maynard Keynes tem a ver com a teoria do desenvolvimento econômico, haja vista que a preocupação fundamental de seu Magnum Opus — a teoria geral do emprego, do juro e da moeda

(1936), doravante teoria geral — era com os determinantes do nível de emprego e de utilização dos recursos produtivos num contexto em que o estoque de capital, o tamanho e a qualificação da força de trabalho e as técnicas de produção são tomados como constantes.

 

PARTE I - CAPÍTULO 2 - Convergência e Divergência nos Níveis de Renda per Capita: Fatos e Crítica aos Modelos Neoclássicos de Crescimento

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CAPÍTU LO 2

CONVERGÊNCIA E

DIVERGÊNCIA NOS NÍVEIS

DE RENDA PER CAPITA: FATOS

E CRÍTICA AOS MODELOS

NEOCLÁSSICOS DE

CRESCIMENTO

2.1 INTRODUÇÃO

Neste capítulo iremos apresentar alguns fatos sobre a experiência de desenvolvimento das economias capitalistas nos últimos dois séculos.

Como veremos na sequência, o desenvolvimento capitalista se caracteriza por ser essencialmente desigual, ou seja, os diferentes países experimentaram taxas diferenciadas de crescimento da renda per capita, com um pequeno grupo de países crescendo sistematicamente mais do que o resto do mundo. Isso não impede, contudo, que alguns países inicialmente retardatários no processo de desenvolvimento econômico sejam bem-sucedidos no sentido de fazer o catching-up ou “alcançamento” com respeito aos países situados na fronteira tecnológica. Em outras palavras, o desenvolvimento econômico é desigual não apenas entre países, mas também ao longo do tempo.

A teoria dominante na área de crescimento/desenvolvimento econômico é a teoria neoclássica, surgida após os trabalhos seminais de Robert Solow (1956-57). Esta teoria apresenta o crescimento econômico como determinado pelas condições de oferta da economia, e a demanda agregada não desempenha nenhum papel relevante nesse

 

PARTE II - CAPÍTULO 3 - Modelos Keynesianos de Crescimento com Restrição de Oferta de Trabalho

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CAPÍTU LO 3

MODELOS KEYNESIANOS

DE CRESCIMENTO COM

RESTRIÇÃO DE OFERTA DE

TRABALHO

3.1 INTRODUÇÃO

Neste capítulo iremos analisar os determinantes do crescimento de uma economia madura, ou seja, uma economia que já terminou o seu processo de industrialização de forma que toda a força de trabalho disponível no setor tradicional ou de subsistência já foi transferida para o setor industrial moderno. Nesse contexto, a oferta de trabalho com a qual a economia se defronta não é ilimitada, mas se expande ao longo do tempo a partir do crescimento da população. No curto e no médio prazo, a força de trabalho pode crescer a uma taxa superior a do crescimento da população em função de mudanças na jornada de trabalho e na taxa de participação. No longo prazo, contudo, tanto a jornada de trabalho como a taxa de participação devem ser constantes, de maneira que o ritmo de crescimento da oferta de trabalho estará determinado pelo ritmo de crescimento da população.

 

PARTE II - CAPÍTULO 4 - Crescimento com Oferta Ilimitada de Mão de Obra

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CAPÍTU LO 4

CRESCIMENTO COM OFERTA

ILIMITADA DE MÃO DE OBRA

4.1 INTRODUÇÃO

Neste capítulo iremos relaxar a hipótese de que a economia se defronta com uma restrição de força de trabalho, assumindo agora a existência de uma oferta ilimitada de mão de obra. Isso pode acontecer em economias que ainda não completaram o seu processo de industrialização, de tal forma que uma parte considerável da população ainda trabalha no setor tradicional ou de subsistência, no qual a produtividade do trabalho é consideravelmente mais baixa do que no setor industrial ou moderno da economia. Nesse contexto, o setor tradicional funciona como um depositário quase inesgotável de mão de obra para o setor moderno, de tal maneira que este último não se defronta com nenhuma restrição do lado da oferta de trabalho. Mesmo para economias que já completaram o seu processo de industrialização, a oferta ilimitada de mão de obra pode ser uma boa aproximação caso a imigração de trabalhadores estrangeiros seja relativamente livre.

 

PARTE II - CAPÍTULO 5 - Crescimento com Subutilização de Capacidade Produtiva: os Modelos Kaleckianos

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CAPÍTU LO 5

CRESCIMENTO COM

SUBUTILIZAÇÃO DE

CAPACIDADE PRODUTIVA:

OS MODELOS KALECKIANOS

5.1 INTRODUÇÃO

Nos capítulos anteriores, analisamos economias nas quais a capacidade de produção operava no seu limite máximo ou “normal” de longo prazo. Dessa forma, o volume produzido a cada período representava a quantidade máxima de bens e serviços que uma economia podia produzir com o estoque de capital, a força de trabalho e a tecnologia disponíveis naquele momento. Em economias com oferta ilimitada de mão de obra, a demanda agregada poderia influenciar no ritmo de crescimento da capacidade produtiva entre períodos, mas não influenciava o nível de utilização da capacidade produtiva num dado período de tempo. Chegou o momento de relaxarmos essa hipótese e verificar as implicações para o crescimento de longo prazo da subutilização da capacidade produtiva, ou seja, da utilização da capacidade de produção num patamar inferior ao máximo ou “normal”.

Desde já devemos deixar claro o que se entende por nível máximo ou “normal” de utilização da capacidade produtiva. Não se trata, como poderia parecer à primeira vista, do limite físico de utilização da capacidade, ou seja, 100 %. Trata-se, isto sim, do grau de utilização da capacidade produtiva que as empresas consideram com “normal” ou “satisfatório” no longo prazo. Dessa forma, o grau

 

PARTE III - CAPÍTULO 6 - Crescimento, Regimes de Política Macroeconômica e o Novo Desenvolvimentismo

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CAPÍTU LO 6

CRESCIMENTO,

REGIMES DE POLÍTICA

MACROECONÔMICA

E O NOVO

DESENVOLVIMENTISMO

6.1 INTRODUÇÃO

Nos capítulos anteriores apresentamos os principais modelos de crescimento e desenvolvimento econômico dentro da tradição key­ nesiana. A discussão foi realizada num elevado nível de abstração, procurando focar nos determinantes e nas restrições ao crescimen­ to de longo prazo das economias capitalistas, tendo um foco na explicação das divergências observadas nas taxas de crescimento da renda per capita, ou seja, o fenômeno do desenvolvimento desigual.

A discussão que faremos a partir deste capítulo é menos abstrata, embora ainda fundamentalmente teórica. Nosso objetivo a partir de agora é analisar o papel da política macroeconômica na trajetória de crescimento de longo prazo das economias capitalistas.

Alguns economistas de tradição mais ortodoxa poderão argu­ mentar que tudo o que a política macroeconômica pode fazer é garantir a estabilidade da taxa de inflação e a solvência das contas públicas. Para garantir um crescimento robusto no longo prazo seria necessário adotar políticas do “lado da oferta da economia” com vistas a estimular o dinamismo da “produtividade total dos fatores de produção”.

 

PARTE III - CAPÍTULO 7 - Metas de Inflação, Mobilidade de Capitais e Taxa de Câmbio em um Modelo de Crescimento Puxado pelas Exportações

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CAPÍTU LO 7

METAS DE INFLAÇÃO,

MOBILIDADE DE CAPITAIS

E TAXA DE CÂMBIO EM UM

MODELO DE CRESCIMENTO

PUXADO PELAS EXPORTAÇÕES

7.1 INTRODUÇÃO

Neste capítulo, iremos aprofundar a discussão sobre a relação entre a política macroeconômica e o crescimento de longo prazo apresentada no capítulo anterior, por intermédio de um modelo de crescimento puxado pelas exportações com o objetivo de discutir os efeitos de mudanças na operação da política monetária e no grau de abertura da conta de capitais e da taxa de crescimento das exportações sobre a trajetória temporal da taxa de crescimento do produto real, da taxa nominal de juros e da taxa de inflação.

A simulação computacional do modelo teórico apresentado a seguir mostra que a forma de condução da política monetária e o regime de abertura da conta de capitais do balanço de pagamentos são fatores pouco relevantes na determinação da taxa de crescimento do produto real no longo prazo; embora possam ser fatores importantes na determinação da amplitude das flutuações da taxa de crescimento do produto real no curto prazo. No modelo aqui proposto, a taxa de crescimento de longo prazo depende fundamentalmente da taxa de crescimento da renda do resto do mundo, da elasticidade-renda das exportações e do diferencial entre a inflação doméstica e a inflação internacional. A contribuição da política monetária para o crescimento resume-se, portanto, na manutenção da taxa de inflação

 

PARTE III - CAPÍTULO 8 - Evolução do Regime de Política Macroeconômica no Brasil (1999-2014): do “Tripé Macroeconômico” a “Nova Matriz Macroeconômica”

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CAPÍTU LO 8

EVOLUÇÃO DO

REGIME DE POLÍTICA

MACROECONÔMICA NO

BRASIL (1999-2014): DO

“TRIPÉ MACROECONÔMICO”

À “NOVA MATRIZ

MACROECONÔMICA”

8.1 INTRODUÇÃO

A condução das políticas macroeconômicas no Brasil passou por uma transformação nos últimos 15 anos. Com efeito, entre 1999 e

2005, o regime de política macroeconômica prevalecente no Brasil era caracterizado pelo “tripé macroeconômico”, no qual a política monetária era conduzida no arcabouço de um regime de metas de inflação, a política cambial seguia um padrão de flutuação relativamente livre da taxa nominal de câmbio e a política fiscal era pautada pela geração de expressivos superávits primários como proporção do PIB. Nesse contexto, as políticas macroeconômicas tinham por meta a estabilidade da taxa de inflação, o equilíbrio “automático” do balanço de pagamentos e a estabilidade/redução da dívida pública como proporção do PIB.

O crescimento econômico não era tido como uma meta para a política macroeconômica, uma vez que o mesmo dependeria essencialmente de fatores do lado da oferta da economia, ao passo que a política macroeconômica está relacionada tradicionalmente

 

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