Fonologia, Fonética e Ortografia Portuguesas

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A compreensão do próprio idioma pode parecer algo obviamente importante e vital para a comunicação em sociedade. Para estudiosos, sobretudo, é preciso conhecer cada detalhe e nuance da língua, de modo a dominar sua estrutura e organização interna.Neste livro, Vicente Masip justamente traz à tona a riqueza e amplitude desses assuntos, mapeando-os a partir dos sons da língua e culminando nos registros dos signos ortográficos. Como destaque, a obra oferece, ainda, conteúdo atual sobre a nova ortografia portuguesa.Em Fonologia, Fonética e Ortografia Portuguesas, o conteúdo diferenciado e único faz desta obra uma importante fonte de referência para estudantes, profissionais da área de Letras e demais interessados em aprofundar o conhecimento sobre o próprio idioma.

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1 – Fundamentação

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CAPÍTULO

1

Fundamentação

1.1 Antecedentes

A Editora Sociedade Cultural Brasil-Espanha do Recife, no Brasil, publicou Fonética Espanhola para Brasileiros em 1998, um livro nosso, resultado de uma tese sobre Fonética Segmental e de uma pesquisa prosódica posterior. Naquela obra, procurávamos analisar com detalhe os sistemas fonológicos português e espanhol e sua fundamentação.

A Editora Pedagógica Universitária (EPU) lançou Fonologia e ortografia portuguesas. Um curso para alfabetizadores, também de nossa autoria, em 2000, com o objetivo de auxiliar os professores de português na árdua tarefa de introduzir os alunos nas atividades da leitura e da escrita com base na reflexão sobre o som.

Desta vez, esgotadas as edições anteriores de ambas as obras, enfrentamos o desafio de aprofundar a dimensão sonora da língua portuguesa de uma perspectiva formal (Fonologia) e funcional (Fonética), abordando tanto seus segmentos

(vogais e consoantes) quanto sua prosódia (tom, intensidade e duração) e transcrição ortográfica segundo as novas regras do Acordo Ortográfico de 1990, que começou a ser implementado em 2009.

 

2 - Emissão e grafia das vogais portuguesas

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CAPÍTULO

2

Emissão e grafia das vogais portuguesas*

O português falado no Brasil tem sete fonemas vocálicos em sílaba tônica (acentuada ortográfica ou prosodicamente): /i/ fita, /e/ mesa, // café, /a/ massa,

// glória, /o/ poço, /u/ susto; cinco em sílaba átona: /i/ felicidade, /e/ esperar,

/a/ artesão, /o/ fogão, /u/ furado; e apenas três em sílaba átona final de palavra:

/i/ verde, júri; /a/ casa; /u/ campo, bizu. O latim tinha vogais longas e breves; algumas destas últimas se ditongaram em espanhol e se abriram em português: pie, pé; prueba, prova (cf. LAPESA, 1991, p. 76-81; TEYSSIER, 1997, p. 24-26; MASIP,

2003, p. 37-47).

Esses fonemas apresentam

��outros

tantos alofones orais (sons) em distribuição complementar: sete em sílaba tônica: [i], [e], [], [a], [], [o], [u]; cinco em sílaba átona: [i], [e],

[a], [o], [u]; e três em sílaba átona, final de palavra: [i], [a], [u], além das semivogais [j] (vai), [w] (água, causa). Duas ressalvas:

 

3 - Articulação e grafia das consoantes portuguesas

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CAPÍTULO

3

Articulação e grafia das consoantes portuguesas*

Do ponto de vista fonológico, as consoantes portuguesas são margens silábicas, cujo centro é a vogal. Do ponto de vista fonético, são articulações, ou seja, emissões com obstáculos.

As consoantes somente se tornam articulações plenas quando estão situadas antes de vogal, no seio da sílaba: /kanáL/, /baRbéiru/, /díSku/, /taléNtu/,

/sóNbra/ canal, barbeiro, disco, talento, sombra. As letras que aparecem em maiúscula na transcrição fonológica, e sem estarem sublinhadas na ortográfica, consideram-se arquifonemas, conjuntos de traços distintivos comuns a dois ou mais fonemas, ou seja, articulações que perdem algum traço distintivo na sua produção por estarem situadas no fim da sílaba. Assim, podemos pronunciar [kanál:] ou

[caná:], [barbéj:ru] ou [babéj:ru], [dís:ku] ou [di:ku], [tale:tu] ou [tale:tu],

[sõ:bra] ou [sõm:bra] canal, barbeiro, disco, talento, sombra.

Existem quatro arquifonemas em português: /N/, /L/, /S/, /R/ (cf. item

 

4 - A entonação portuguesa e sua grafia

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CAPÍTULO

4

A entonação portuguesa e sua grafia*

Fonologia

Fonética

Prosodema

Sons

Oscilações no corpo do enunciado: juntura

Entonação

Tom, modulação, altura, melodia, cadência

Ortografia

Grafemas

Exemplos

vírgula ponto e vírgula dois-pontos hífen travessão parêntese

aspas

Carol, venha.

Estou esgotado; porém, irei.

Vá por mim: não se meta.

Carro-leito.

− Volte amanhã.

Chegarei amanhã

(sábado).

Esta palavra ([kása]) basta.

Saiu “de quatro”.

ponto reticências interrogação exclamação

São sete horas.

São oxítonas: dirá, irás…

Quer água?

Abra a porta!

colchetes

Oscilações no contorno final do enunciado: afirmação, pergunta e exclamação

Unidade métrica: hertz.

*(cf. CANTERO, 1995; DELGADO-MARTINS, 1992; JAKOBSON; HALLE, 1980; JUBRAN, 2004; MATEUS,

1990; QUILIS, 1981, 1988, 1993)

Masip 04.indd 80

 

5 - A intensidade portuguesa e sua grafia

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CAPÍTULO

5

Fonologia

A intensidade portuguesa e sua grafia*

Fonética

Ortografia

Prosodema

Sons

Grafemas

Exemplos

acento

Término, cântico, às vezes, pão, für (para)

Intensidade

Ênfase

Força, vigor energia

signo de exclamação

Ainda bem que chegou!

Unidade métrica: decibel.

5.1 Perfil fonológico da intensidade portuguesa

O português possui um perfil de intensidade, de índole prosódica, paroxítono: normalmente, as penúltimas sílabas das palavras ortográficas se destacam sobre as demais.

• São tônicos (acentuados prosódica ou ortograficamente) verbos (cantar, pensar, ser) e os advérbios (cantar antes, pensar mal, estar bem);

��os

��os

nomes:

∗ os substantivos (homem, burro, casa);

∗ os adjetivos explicativos (homem bom, burro útil, casa verde);

*(cf. CANTERO, 1995; DELGADO-MARTINS, 1992; JAKOBSON; HALLE, 1980; JUBRAN, 2004; MATEUS,

 

6 - A quantidade portuguesa e sua grafia

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CAPÍTULO

6

A quantidade portuguesa e sua grafia*

Fonologia

Fonética

Prosodema

Sons

Grafemas

Exemplos

Duração, pausas compasso, ritmo

ponto vírgula ponto e vírgula crase

Chegarei amanhã.

Quero pão, queijo, leite.

Desculpe; não sabia.

Voltarei às oito.

Quantidade

Tempo

Ortografia

Unidade métrica: milésimos de segundo.

6.1 Perfil fonológico/fonético da quantidade portuguesa

O português se caracteriza pela diacronia silábica: as sílabas tônicas duram mais do que as átonas quando estão situadas no fim da palavra ou grupo fônico, antes de pausa ([ká:za] [kadéj:ra] [estów kõ võtádi di orá:] casa, cadeira, estou com vontade de chorar). Além do mais, a duração portuguesa é enfática. Quando um brasileiro quer transmitir surpresa, interesse, censura etc., serve-se da duração:

[meni:::na] menina! Por outro lado, as sílabas átonas de fim de palavra duram menos que as restantes.

 

7 - Signos ortográficos alheios à dimensão fonológica

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CAPÍTULO

7

Signos ortográficos alheios à dimensão fonológica*

7.1 Maiúscula

Letra inicial de grande tamanho, alografe da minúscula. Usa-se

• ao iniciar um texto (Hoje em dia…), uma carta (Caro Pedro: Recebi o seu cartão hoje pela manhã…) ou uma citação textual (Disse o diretor: “É preciso superar as vendas.”);

• em nomes próprios (Manoel), sobrenomes (Pereira) e apelidos (o Fera); nomes de cidades (Recife); nomes de instituições (Academia Pernambucana de

Letras); nomes de Deus, de Nossa Senhora e dos santos;

• em títulos de livros (Curso de francês); a tendência, hoje, é grafar os títulos empregando maiúsculas apenas na primeira palavra e em nomes próprios;

• em tratamentos de cortesia (D.ª, Sr…) e pontos cardeais (NO → noroeste; SE

→ sudeste) quando referidos a regiões geográficas, ou abreviados.

7.2 Trema (¨)

Duplo ponto que se põe sobre algumas vogais em palavras estrangeiras, especialmente de origem germânica: Dünkel (presunção, petulância), Lösung (so­ lução).

 

8 - Síntese fonológica, fonética e ortográfica

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CAPÍTULO

8

Síntese fonológica, fonética e ortográfica

8.1 Simbologia

8.1.1 Segmentos vocálicos

Fonologia

Fonética

Fonema

Sons

Letras

Exemplos

[i] oral

i, í, e y

pisa, lívido, verde, York

[i] nasalizado

i, í, in,

ín, im, ím

dinheiro, mínimo, indicativo, síntese, simples, ímpeto

[] semivogal oral

i, y

baile, azeite, oito, Clayton

[] semivogal nasalizado

e, i em, en

êm, ém

sermões, mãe, cãibra, muito, cabem, trenzinho têm, também

/e/ Ant Md/Al Pl

[e] oral

[e] nasalizado

e, ê

ê, ém, em, en

cera, você trêmulo, também, tempo, renda

// Ant Md/Bx Pl

[] oral

e, é

festa, quero, filé, papéis, céu

[a] oral

[ã] nasalizado

à, á, a a, â, ân,

âm, am, an

ã, ãi, uão, ão, ãe

à, será, vai ama, tâmara, cândido,

âmbar, campo, ando sã, cãibra, saguão, são, mãe

 

9 - Grafia dos números

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CAPÍTULO

9

Grafia dos números

9.1 Número cardinal. Expressa unidades inteiras em abstrato

0 zero

18 dezoito

1 um/uma

19 dezenove

2 dois

20 vinte

3 três

21 vinte e um

4 quatro

22 vinte e dois

5 cinco

23 vinte e três

6 seis

24 vinte e quatro

7 sete

25 vinte e cinco

8 oito

26 vinte e seis

9 nove

27 vinte e sete

10 dez

28 vinte e oito

11 onze

29 vinte e nove

12 doze

30 trinta

13 treze

31 trinta e um

14 catorze (quatorze)

40 quarenta

15 quinze

50 cinquenta

16 dezesseis

60 sessenta

17 dezessete

70 setenta

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GRAFIA DOS NÚMEROS

131

80 oitenta

1 001 mil e um

90 noventa

1 100 mil e cem

100 cem

1 101 mil cento e um

101 cento e um

10 000 dez mil

200 duzentos

 

10 - Fonética acústica

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CAPÍTULO

10

Fonética acústica

A grande mudança no estudo e na classificação do som se deu com a introdução da metodologia acústica, graças a avanços tecnológicos definitivamente consoli­ dados no fim da década de 1940 com o advento do Sonagraph, um instrumento de pesquisa que permitiu estabelecer a correspondência entre as dimensões ar­ ticulatória e acústica, conseguindo que a fonética acústica ocupasse o lugar que lhe correspondia. Jakobson realizou as pesquisas definitivas para consolidar o bi­ narismo – que já vinha amadurecendo desde 1938, quando conseguiu decompor as consoantes em oposições fundamentais – no Massachusetts Institute of Tech­ nology (MIT) e no laboratório psíquico-acústico da Universidade de Harvard junto com G. Fant e M. Halle, e publicou, em 1963, Preliminaries to speech analysis.

O extraordinário avanço tecnológico acontecido nos últimos anos permite-nos analisar a dimensão física do som e conferir as descobertas de Jakobson em qual­ quer computador portátil.

 

11 - Fonologia gerativa

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CAPÍTULO

11

Fonologia gerativa

11.1 Princípios

M. Halle, antigo colaborador de Jakobson, e N. Chomsky publicaram, em 1968, o livro que constitui o início do que se convencionou chamar posteriormente de fonologia gerativa: The sound patterns of english. Consultamos a obra original na tradução espanhola Princípios de fonología generativa, que recolhe apenas os capítulos “Visão de conjunto” e “A teoria fonológica”, deixando de fora “Fonologia inglesa” e “Evolução do sistema vocálico do inglês moderno” (tradução de José

Antonio Millán. Madri: Fundamentos, 1979). Nessa obra, os dois autores elaboram uma nova teoria dos traços a apresentam-na como uma revisão da teoria jakobsoniana.

É preciso esclarecer, inicialmente, que a fonética é a parte da linguística que sofre menos variações, pois, do ponto de vista articulatório, acústico ou perceptivo, não pode desvincular-se dos dados empíricos. Tais dados, por sua vez, denominados de um ou de outro modo, são os mesmos em cada uma das teorias. Mas essas mudam, às vezes radicalmente. Jakobson fizera uma fonologia clássica, isto

 

12 - O emprego dos signos ortográficos em textos desmembrados

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CAPÍTULO

12

O emprego dos signos ortográficos em textos desmembrados

Um texto desmembrado é uma peça discursiva unitária, que foge ao padrão linear ininterrupto ao ser dividido em itens. Não diverge, do ponto de vista normativo, de um texto corrido, mas percebe-se nos escritores certa hesitação no uso dos signos ortográficos, especialmente antes e depois da introdução de alternativas ou variáveis.

O objetivo deste breve excerto é elaborar uma listagem simples de casos concretos, baseada na normativa ortográfica e na lógica, para auxiliar os profissionais da língua escrita, especialmente os professores que elaboram questionários para concursos.

1. O parágrafo introdutório de um texto desmembrado terminará sem nenhum tipo de signo ortográfico quando mantiver continuidade lógica e sintática com as variáveis, cada uma das quais começará com letra minúscula e terminará em ponto quando não estiver relacionada com as demais.

Exemplo: Assinale apenas a alternativa correta. As pessoas desligadas costumam

 

13 - Atividades resolvidas (gabaritos)

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CAPÍTULO

13

Atividades resolvidas

(gabaritos)

Assinale as grafias que realizam o fonema /i/ (cf. item 2.1.1)

Negrinha olhou para os lados, ressabiada, com o coração aos pinotes. Que aventura, santo Deus! Seria possível? Depois pegou a boneca. E muito sem jeito, como quem pega o Senhor Menino, sorria para ela e para as meninas, com assustados relanços d’olhos para a porta. Fora de si, literalmente… Era como se penetrara no céu e os anjos a rodeassem, e um filhinho de anjo lhe tivesse vindo adormecer no colo. Tamanho foi o seu enlevo que não viu chegar a patroa, já de volta (LOBATO, Monteiro. Negrinha).

Assinale as grafias que realizam o fonema /e/ (cf. item 2.2.1)

Um sábado amanheci enfermo, a cabeça e a espinha doíam-me. O médico ordenou absoluto repouso; era excesso de estudo, não devia ler nem pensar. Não devia saber sequer o que se passava na cidade e no mundo. Assim fiquei cinco dias; no sexto levantei-me, e só então soube que o canário, estando o criado a tratar dele, fugira da gaiola. O meu primeiro gesto foi para esganar o criado; a indignação sufocou-me, caí na cadeira, sem voz, tonto. O culpado defendera-se, jurou que tivera cuidado, o passarinho é que fugira por astuto… (ASSIS, Machado de. Ideias de canário).

 

Glossário

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Glossário

A

a. A. Primeira letra do alfabeto português; grafia do fonema /a/ e dos sons [a] e

[ã]. Maiúscula: A. abreviatura. Representação gráfica de uma palavra ou grupo de palavras com menos letras do que na grafia convencional.

agudo/grave. Traço distintivo próprio da fonética acústica. alfabeto. Conjunto de letras ou caracteres de um código linguístico. alofone. Variante de um fonema; fonema realizado em determinado contexto. alografe. Variante de um grafema.

abscissa. Linha horizontal do gráfico que mede o tempo de uma onda.

alto. Traço distintivo tradicional que caracteriza os fonemas vocálicos /i/ /u/.

acento. Fenômeno linguístico de intensidade que consiste em destacar umas sílabas de outras. Traço prosódico.

alto/não alto. Traço distintivo de cavidade.

Terminologia própria da fonologia ge­ rativa.

acento ortográfico. Signo diacrítico (‘ ^ `

¨ ) que em português serve para indicar peculiaridades fônicas, especialmente de intensidade; representação escrita de alguns acentos prosódicos.

 

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