Linguagem e Linguística - Uma Introdução

Autor(es): LYONS, John
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Escrito por um dos mais conhecidos lingüistas britânicos da atualidade, Linguagem e Lingüística - Uma Introdução começa com uma exposição geral sobre os objetivos, métodos e princípios básicos da teoria lingüística, seguindo-se uma introdução a cada um dos principais sub-campos da lingüística: os sons da língua, a gramática, a semântica, as modificações lingüísticas, a psicolingüística, a sociolingüística, a linguagem e a cultura. Em cada uma dessas seções, o professor Lyons refere-se às tendências atuais mais significativas e examina obras com elas relacionadas, dando ênfase aos aspectos da disciplina que parecem mais fundamentais e duradouros. Ressalta também, por todo o livro, o contexto biológico da linguagem humana e mostra como as preocupações e os interesses dos lingüistas se ligam produtivamente aos interesses das ciências humanas e sociais. Linguagem e Lingüística é uma introdução geral à lingüística e ao estudo da linguagem, destinada particularmente aos estudantes que se iniciam na matéria e aos leitores sem conhecimentos prévios do assunto. Os mais importantes conceitos teóricos e as constatações empíricas mais destacadas da lingüística moderna são apresentados em nível relativamente não-técnico, ressaltando as ligações entre a lingüística e as muitas outras disciplinas ligadas a esse estudo. Para a clareza do livro contribui, sem dúvida, o fato de estarem os poucos termos técnicos, que inevitavelmente surgem bem explicados no próprio texto. A cada capítulo seguem-se um amplo questionário e exercícios de revisão, com o objetivo de testar o aproveitamento da leitura do texto pelos estudantes.

10 capítulos

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Capítulo 1 - Linguagem

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Capítulo 1

Linguagem

1.1 O que é a lingua(gem)?

A linguística é o estudo científico da lingua(gem). À primeira vista essa definição

– que se encontra na maior parte dos livros e tratamentos gerais do assunto – é suficientemente direta. Porém, qual o significado exato de “lingua(gem)” e de “científico”? Poderá a linguística, tal como é praticada atualmente, ser corretamente descrita como uma ciência?

A pergunta “O que é a lingua(gem)?” é comparável – e alguns diriam quase tão profunda quanto – a “O que é a vida?”, cujas pressuposições circunscrevem e unificam as ciências biológicas. Evidentemente, “O que é a vida?” não é o tipo de pergunta que um biólogo tenha constantemente diante de si em seu trabalho cotidiano.

Tem uma natureza muito mais filosófica. E, assim como outros cientistas, o biólogo normalmente está por demais imerso nos detalhes de algum problema específico para poder pesar as implicações de questões tão gerais. Contudo, o suposto significado da pergunta “O que é a vida?” – a pressuposição de que todos os seres vivos compartilham de algumas propriedades ou de algum conjunto de propriedades que os distinguem das coisas não vivas – estabelece os limites das investigações do biólogo e justifica a autonomia, ou a autonomia parcial, de sua disciplina. Embora se possa dizer que a pergunta “O que é a vida?”, nesse sentido, fornece à biologia a sua própria razão de ser, não se trata tanto da pergunta em si quanto da interpretação particular que o biólogo a ela atribui e do desvendar de suas implicações mais detalhadas dentro de uma estrutura teórica atualmente aceita que alimentam a pesquisa e as especulações diárias desses cientistas. O mesmo ocorre com o linguista em relação à pergunta “O que é a lingua(gem)?”.

 

Capítulo 2 - Linguística

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Capítulo 2

Linguística

2.1 Ramificações da linguística

Como vimos, tanto a linguagem quanto as línguas podem ser estudadas sob diferentes pontos de vista. Portanto, o campo total da linguística pode ser dividido em diversos subcampos segundo o ponto de vista adotado ou a ênfase especial dada a um conjunto de fenômenos, ou premissas, em vez de outro.

A primeira distinção a se estabelecer é entre a linguística geral e a descritiva.

É bastante direta em si mesma. Corresponde à que existe entre estudar a linguagem e descrever determinadas línguas. A pergunta “O que é a lingua(gem)?”, que, no capítulo anterior, dissemos ser a indagação central e definidora de toda a disciplina,

é mais adequadamente considerada a indagação central da linguística geral. A linguística geral e a descritiva não são absolutamente estanques. Cada uma depende explícita ou implicitamente da outra: a linguística geral fornece conceitos e categorias em termos dos quais as línguas serão analisadas; a linguística descritiva, por sua vez, fornece dados que confirmam ou refutam as proporções e teorias colocadas pela linguística geral. Por exemplo, o linguista geral poderia formular a hipótese de que todas as línguas possuem nomes e versos. O linguista descritivo poderia refutá-la com base em uma comprovação empírica de que houvesse pelo menos uma língua em cuja descrição tal distinção não se verificasse. Porém, para refutar ou confirmar a hipótese, o linguista descritivo deve operar com determinados conceitos como

 

Capítulo 3 - Os Sons da Língua

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Capítulo 3

Os Sons da Língua

3.1 O meio fônico

Embora os sistemas linguísticos, de uma forma bastante ampla, sejam independentes do meio em que se manifestam, o meio natural primeiro da linguagem humana é o som. Por essa razão, o estudo dos sons tem uma importância maior na linguística do que o estudo da escrita, dos gestos ou de qualquer outro meio, real ou potencial, em que se desenvolve a língua. Mas não é o som em si, e nem toda a gama de sons possíveis, que interessa ao linguista. Ele está interessado nos sons produzidos pelo aparelho fonador humano, na medida em que estes desempenham um papel na língua. Chamemos a essa gama limitada de sons de meio fônico, e aos sons individuais existentes nessa faixa, de sons da fala. Com isso podemos definir a fonética como o estudo do meio fônico.

Precisamos frisar que fonética não é fonologia; e os sons da fala não devem ser identificados com os elementos fonológicos, aos quais já se fez referência em seções anteriores. A fonologia, conforme vimos, é uma das partes do estudo e da descrição dos sistemas linguísticos, sendo outra a sintaxe, e outra a semântica. A fonologia recorre às descobertas da fonética (embora de forma diferente, dependendo das diferentes teorias fonológicas); mas, ao contrário da fonética, não trata do meio fônico enquanto tal. As primeiras três seções do presente capítulo tratam, da forma mais simples possível, dos conceitos e categorias fonéticos básicos, conforme sejam essenciais à compreensão de tópicos levantados em outros pontos deste livro, e da notação empregada para esclarecê-los. Não têm a pretensão de servir como introdução satisfatória ao que se tornou, recentemente, um ramo abrangente e altamente especializado da linguística.

 

Capítulo 4 - Gramática

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Capítulo 4

Gramática

4.1 Sintaxe, flexão e morfologia

A primeira coisa que se deve dizer neste capítulo é que o termo ‘gramática’ será empregado aqui e em todos os pontos deste livro (a não ser nas expressões ‘gramática tradicional’ e ‘gramática gerativa’) em sentido bastante restrito, contrastando, por um lado, com ‘fonologia’ e, por outro, com ‘semântica’. Esse é um dos sentidos tradicionais da palavra, e o que está mais próximo da acepção comum dada ao vocábulo ‘gramatical’. Hoje em dia muitos linguistas classificam a ‘fonologia’, e mesmo a ‘semântica’, sob o rótulo de ‘gramática’, o que pode causar confusão.

Até aqui trabalhamos com a premissa de que as línguas possuem dois níveis de estrutura: sua fonologia e sua sintaxe. Tal premissa será abandonada no que se segue.

Entretanto precisará ser modificada, a menos que estejamos preparados seja para ampliar nosso conceito de fonologia, seja para estender o de ‘sintaxe’ para além das fronteiras de suas interpretações tradicionais. Já pudemos observar que há em algumas línguas naturais, e possivelmente em todas, certas dependências entre os diferentes níveis que tornam impossível uma separação rígida entre a estrutura fonológica e a sintática. Agora veremos que, pelo menos em determinadas línguas, há uma defasagem, por assim dizer, entre a sintaxe (em sua acepção tradicional) e a fonologia.

 

Capítulo 5 - Semântica

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Capítulo 5

Semântica

5.1 A diversidade do significado

A semântica é o estudo do significado. Mas o que é o significado? Os filósofos vêm debatendo a questão, com referência especial à linguagem, já há bem mais de dois mil anos. Ninguém conseguiu ainda apresentar uma resposta satisfatória. Uma das possíveis razões para isso é que, da forma como está elaborada, a pergunta é irrespondível. Apresenta duas pressuposições que são, no mínimo, problemáticas:

(a) de que aquilo a que nos referimos com a palavra ‘significado’ tem algum tipo de existência ou realidade; (b) que tudo aquilo a que nos referimos usando esse termo apresenta uma natureza semelhante, se não idêntica. Podemos chamar a uma de (a) pressuposição de existência e a outra de (b) pressuposição de homogeneidade.

Não quero dizer que ambas sejam falsas, mas simplesmente que são filosoficamente controvertidas. Muitas são as introduções à semântica que passaram por cima desse fato. Neste capítulo tentaremos não nos comprometer com nenhuma das duas.

 

Capítulo 6 - Mudança Linguística

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Capítulo 6

Mudança Linguística

6.1 Linguística histórica

O que hoje se denomina linguística histórica desenvolveu-se, pelo menos em suas linhas gerais, no decorrer do século XIX (v. Seção 2.1).

Os especialistas há muito tinham consciência de que as línguas mudam com o tempo. Sabiam igualmente que muitas das línguas europeias descendiam, de certo modo, de línguas mais antigas. Por exemplo, sabia-se que o inglês tinha se desenvolvido a partir do anglo-saxão, e o que hoje chamamos de línguas românicas – o francês, o espanhol, o italiano etc. – teve sua origem no latim. Entretanto, antes de se estabelecerem os princípios da linguística histórica não se tinha consciência, de um modo geral, de que a mudança linguística é universal, contínua e consideravelmente regular.

Mais tarde discutiremos em detalhes cada um desses três aspectos da mudança linguística. Aqui registramos que a universalidade e a continuidade do processo de mudança linguística – o fato de que todas as línguas vivas são sujeitas a isso e de que o processo em si não para – foram ofuscadas para a maioria das pessoas pelo conservadorismo das línguas literárias padrão da Europa e pelas atitudes normativas da gramática tradicional (v. Seção 2.4). O status do latim é particularmente importante nesse sentido. Tinha sido usado durante séculos na Europa Ocidental como a língua dos sábios, da administração e da diplomacia internacional. A partir do

 

Capítulo 7 - Algumas Escolas e Movimentos Modernos

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Capítulo 7

Algumas Escolas e

Movimentos Modernos

7.1 O historicismo

Neste capítulo discutirei alguns movimentos em linguística, do século XX, que deram forma a atitudes e pressupostos atuais. O primeiro deles, que denominarei historicismo, é normalmente considerado característico de um período anterior de pensamento linguístico. Sua importância neste contexto é a de ter preparado o campo para o estruturalismo.

Escrevendo em 1922, o grande linguista dinamarquês Otto Jespersen começou um dos mais interessantes e controvertidos de seus livros sobre a linguagem em geral com a seguinte frase: “A característica distintiva da ciência da linguagem, tal como concebida hoje em dia, é o seu caráter histórico.” Com isso Jespersen expressava o mesmo ponto de vista que Hermann Paul no seu Prinzipien der Sprachgeschichte (Princípios da história da linguagem), publicado pela primeira vez em 1880 e comumente descrito como a bíblia da ortodoxia neogramática: o ponto de vista de que (citando da quinta edição de seu livro, que apareceu em 1920) “tão logo ultrapassamos a simples apresentação de fatos individuais, tão logo tentamos apreender a sua interligação [den

 

Capítulo 8 - A Linguagem e a Mente

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Capítulo 8

A Linguagem e a Mente

8.1 A gramática universal e sua relevância

Desde os primeiros tempos tem havido uma ligação estreita entre filosofia da linguagem e ramos tradicionalmente reconhecidos da filosofia tais como a lógica (o estudo do raciocínio) e a epistemologia (a teoria do conhecimento). No que diz respeito à lógica, o próprio nome da disciplina que se tornou agora altamente técnica e mais ou menos independente proclama tal ligação: a palavra grega ‘logos’ está relacionada ao verbo que significa “falar” ou “dizer” e pode ser traduzida, segundo o contexto, tanto como “raciocínio” quanto como “discurso”. Não surpreende que tal ligação histórica devesse existir. O bom senso e a introspecção apoiam o ponto de vista segundo o qual o pensamento é um tipo de fala interior; e várias versões mais sofisticadas desse ponto de vista foram apresentadas pelos filósofos através dos séculos. De fato, durante a maior parte dos 2000 anos, ou pouco mais ou menos, em que a gramática tradicional ocidental influenciou vários centros de erudição, não se traçou nenhuma distinção nítida, em nível teórico, entre gramática e lógica. Em determinados períodos – de maneira mais notável no século XIII e novamente no século XVIII – desenvolveramse sistemas do que passou a se chamar gramática universal, nos quais a ligação entre lógica e gramática foi explicitada e recebeu algum tipo de justificação filosófica.

 

Capítulo 9 - Linguagem e Sociedade

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Capítulo 9

Linguagem e Sociedade

9.1 Sociolinguística, etnolinguística e psicolinguística

Até o momento não existe um modelo teórico amplamente aceito dentro do qual a linguagem possa ser estudada, macrolinguisticamente, de vários pontos de vista diferentes, igualmente interessantes: social, cultural, psicológico, biológico etc. (v. Seção

2.1). Além disso, é no mínimo duvidoso que tal modelo teórico geral seja um dia elaborado. É importante ter isso em mente.

Poucos linguistas hoje concordariam com os princípios positivistas do reducionismo da mesma forma que Bloomfield e seus companheiros da Unidade da Ciência o fizeram há meio século (v. Seção 2.2). Mas existem muitos linguistas que defendem um tipo mais limitado de reducionismo, dando prioridade às ligações entre a linguística e uma, em vez de outra, das várias disciplinas pertinentes à linguagem.

Alguns, como Chomsky e os gerativistas, vão enfatizar os pontos de contato entre a linguística e a psicologia cognitiva; outros nos dirão que, já que as línguas são uma instituição social, tanto do ponto de vista de sua manutenção quanto de seu funcionamento, não há, em última instância, nenhuma distinção a fazer entre a linguística e a sociologia ou a antropologia social. É natural que um grupo de estudiosos, em virtude de suas tendências, de sua educação ou de seus interesses especiais, adote um desses dois pontos de vista em detrimento do outro. O que tem que ser condenado é a tendência daqueles que adotam um determinado ponto de vista nesse assunto de apresentá-lo como o único cientificamente justificável.

 

Capítulo 10 - Linguagem e Cultura

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Capítulo 10

Linguagem e Cultura

10.1 O que é cultura?

A palavra ‘cultura’ (e seus equivalentes em outras línguas europeias) tem vários sentidos relacionados, dois dos quais é importante mencionar e distinguir aqui.

Existe, em primeiro lugar, o sentido em que ‘cultura’ é mais ou menos sinônimo de ‘civilização’ e, numa formulação mais antiga e extrema do contraste, oposta a

‘barbarismo’. É esse o sentido, em inglês, do adjetivo ‘cultured’ [“culto”]. Baseia-se, em última instância, na concepção clássica do que constitui excelência em arte, literatura, maneiras e instituições sociais. Revivida pelos humanistas do Renascimento, a concepção clássica foi enfatizada por pensadores do Iluminismo do século XVIII e por eles associada à sua visão da história da humanidade como progresso e autodesenvolvimento.

Essa visão da história foi desafiada, como também muitas das ideias do Iluminismo, por Herder, que disse a respeito do equivalente alemão de ‘cultura’: “Nada é mais indeterminado do que essa palavra, e nada é mais decepcionante do que sua aplicação a todas as nações e períodos” (cf. Williams, 1976:79). Ele criticava especialmente o pressuposto de que a cultura europeia do século XVIII, dominada pelas ideias francesas e pela língua francesa, representasse o ponto alto do progresso humano. É interessante notar, em relação a isso, que a expressão ‘langue de culture’ (literalmente,

 

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