Comportamento Motor - Conceitos, Estudos e Aplicações

Autor(es): TANI, Go
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Comportamento Motor | Conceitos, Estudos e Aplicações apresenta conteúdo rico e abrangente que contextualiza as principais pesquisas sobre o tema. Dividida em sete partes, esta obra aborda estudos sobre o processo adaptativo em aprendizagem motora, discute os fatores que afetam a aquisição de habilidades motoras e analisa as características do controle motor, com ênfase no controle postural de populações específicas, além de trazer reflexões sobre o desenvolvimento da coordenação motora e o envelhecimento motor. Os capítulos que compõem este livro foram elaborados pelos mais prestigiados colaboradores, a fim de traçar um panorama acerca da aprendizagem motora e do controle e do desenvolvimento motor, servindo de referência a alunos de graduação e pós-graduação, pesquisadores e profissionais de Educação Física, Fisioterapia, Terapia Ocupacional e áreas afins.

 

38 capítulos

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1 - Tendências e Perspectivas de Estudo em Comportamento Motor

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1

Tendências e Perspectivas de Estudo em

Comportamento Motor

Flavio Henrique Bastos, Umberto Cesar Corrêa e Go Tani

Considerações iniciais

Observar o que ocorre na área de pesquisa em que se atua é fundamental para não se perder ou se isolar. É a partir dessa observação que se é capaz de traçar as perspectivas que guiarão as tomadas de decisão sobre quais caminhos seguir ou evitar.

Entretanto, embora essa seja uma tarefa essencial, também é extremamente desafiadora, por uma série de fatores. A quantidade de laboratórios e pesquisadores envolvidos atualmente com o estudo do comportamento motor humano, nos diversos níveis e perspectivas de análise, é imensa. Também é amplo o universo de periódicos científicos nos quais se pode encontrar conhecimento sobre o movimento do corpo humano. Isso pode ser facilmente percebido quando se realiza busca em uma base de dados. A área de comportamento motor é abrangente, considerando que ela é composta das subáreas de aprendizagem motora, controle motor e desenvolvimento motor, cada uma com seus movimentos e suas especificidades – fazendo referência à estrutura das revoluções científicas.1 E esses são somente alguns dos desafios relacionados a essa tarefa de observação. No entanto, nem mesmo a dificuldade em fazê-la ou a probabilidade (considerável) de errar se sobrepõem à relevância de buscar por tendências e perspectivas na área de pesquisa na qual se está inserido.

 

2 - Processo Adaptativo | Uma Concepção de Aprendizagem Motora além da Estabilização

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2

Processo Adaptativo | Uma

Concepção de Aprendizagem

Motora além da Estabilização

Go Tani

Considerações iniciais

As teorias de comportamento motor (aprendizagem, controle e desenvolvimento) receberam, ao longo do tempo, fortes influências das teorias psicológicas do comportamento humano em evidência em cada época, dentre as quais se destacaram o behaviorismo, o cognitivismo e a teoria de processamento de informações. Essas teorias psicológicas tiveram fortes influências do paradigma científico vigente no momento de suas formulações. Isso deixa claro que a dinâmica de interação entre as teorias gerais de cunho paradigmático e as específicas de cada área do conhecimento exige da pesquisa em comportamento motor uma constante sintonia com o paradigma científico, para que o problema sob investigação tenha base teórica sólida e consistente com a evolução da própria ciência.

Como enfatiza Kuhn1, a mudança de paradigma não só estabelece novos temas para investigação, como também recoloca os problemas já em estudo sob uma nova perspectiva.

 

3 - Estudo da Aprendizagem Motora Autocontrolada | Fundamentos e Perspectivas

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3

Estudo da Aprendizagem

Motora Autocontrolada |

Fundamentos e Perspectivas

Cinthya Walter, Flavio Henrique Bastos,

Ulysses Okada de Araujo e Go Tani

Considerações iniciais

O conceito de aprendizagem autorregulada emergiu como importante construto nas pesquisas psicológica, educacional e sociológica.

Boekaerts1 o descreve como uma nova abordagem utilizada por psicólogos da educação para investigar a aprendizagem. Entre as principais inovações, o autor destaca o aprendiz como foco dessa nova abordagem. Especificamente, a pesquisa não é mais centrada na capacidade de aprender ou no resultado do processo, mas na capacidade dos aprendizes de regular a própria aprendizagem. Essa capacidade tem sido considerada chave para o aprendizado bem-sucedido em um ambiente escolar. Por exemplo, em relação à aprendizagem verbal ou cognitiva, parece ser consenso que a aprendizagem autorregulada tem efeitos positivos em diferentes aspectos do processo.2

 

4 - Estudo do Desenvolvimento Motor | Tendências e Perspectivas

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4

Estudo do Desenvolvimento

Motor | Tendências e Perspectivas

Luciano Basso, Fernando Garbeloto dos Santos e Rodolfo Novellino Benda

Considerações iniciais

Para a apresentação de tendências e perspectivas do estudo do desenvolvimento motor, faz-se necessário, inicialmente, compreender a trajetória que esse campo de conhecimento percorreu até o presente momento. Nesta análise histórica, vislumbrando inferir sobre o futuro, observa-se uma construção descontínua do conhecimento. Para melhor apreciar a narrativa histórica do estudo do desenvolvimento motor, é importante considerar o paradigma científico vigente em cada momento. Uma leitura contextualizada dos trabalhos de desenvolvimento motor publicados ao longo do último século, em relação ao paradigma vigente em cada época, reflete as revoluções científicas, pois há claras diferenças no modo de interpretação de “o que é e como se promove o desenvolvimento”.1 Além disso, a análise histórica precisa levar em consideração como o próprio objeto de estudo foi abordado, ora com foco no produto, ora no processo.2 O estudo da mudança do comportamento motor ao longo do tempo caracteriza a abordagem com foco no produto, enquanto o estudo dos mecanismos subjacentes às mudanças caracteriza a abordagem centrada no processo. Logo, a definição de “o que” se pretende estudar (desenvolvimento enquanto produto ou processo) também foi e é influenciada pelo paradigma científico vigente, cujos aspectos identificadores devem ser considerados em uma análise prospectiva.

 

5 - Variabilidade e Processo Adaptativo em Aprendizagem Motora

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5

Variabilidade e

Processo Adaptativo em

Aprendizagem Motora

Rodolfo Novellino Benda, Umberto Cesar Corrêa,

Herbert Ugrinowitsch, Natália Fontes Alves Ambrósio e Go Tani

Considerações iniciais

Um dos aspectos mais marcantes dos seres humanos é a sua incapacidade para realizar dois movimentos idênticos. Cada movimento executado pela mesma pessoa nas mesmas condições é diferente, o que conduz ao fenômeno da variabilidade.1

A variabilidade poder ser observada em diversos níveis, desde os microscópicos, como a ativação de unidades motoras ou trajetórias cinemáticas efetuadas, até os macroscópicos, como padrões de movimento e seus resultados no ambiente. De fato, a variabilidade está presente em qualquer ação motora humana, mas, em diferentes escalas, o movimento pode ser mais ou menos variável.2

Há muito tempo sugere-se que a variabilidade tem algum papel no desempenho motor, especialmente para o comportamento humano adaptativo.3-7 Por exemplo, a tese clássica de Woodworth, no final do século XIX, já havia proposto alguns possíveis efeitos positivos da variabilidade para o comportamento motor:

 

6 - Tipos de Perturbação e Processo Adaptativo em Aprendizagem Motora

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6

Tipos de Perturbação e

Processo Adaptativo em

Aprendizagem Motora

Herbert Ugrinowitsch, Rodolfo Novellino Benda,

Umberto Cesar Corrêa e Go Tani

Considerações iniciais

Uma das principais características dos seres humanos como sistemas abertos é a capacidade de enfrentar modificações do ambiente

(perturbações), adaptar-se a elas e evoluir, o que produz ganho de complexidade.1-11

A aquisição de habilidades motoras caracteriza um processo de mudança do comportamento com ganho de complexidade, e isso implica enfrentar perturbações. Historicamente, as teorias de controle motor e de aprendizagem motora lidaram de maneira diferente com essas perturbações. Inicialmente, elas eram vistas como algo negativo e que precisava ser evitado para garantir a consistência das ações motoras. Posteriormente, passaram a ser encaradas como algo positivo, que possibilita ao sistema evoluir em direção a crescente complexidade.12

Cabe descrever, mesmo que de modo sucinto, o contexto em que essas mudanças na maneira de lidar com as perturbações aconteceram. A abordagem teórica predominante na área de comportamento motor até o final da década de 1970 preconiza que o sistema nervoso central (SNC) é responsável por programar cada detalhe da ação a ser realizada. Nessa teoria, conhecida como “teoria motora” ou de “processamento de informações”, a aprendizagem motora é considerada um processo baseado em mecanismo de feedback negativo para diminuir gradativamente a discrepância entre o programado e o efetivado, até alcançar um estágio em que a ação motora era executada com consistência e precisão.13 Infere-se que, quando se chega a esse estágio, uma estrutura se forma (p. ex., programa motor), suficientemente robusta para especificar os comandos motores da ação a ser realizada.

 

7 - Níveis de Estabilização e Processo Adaptativo em Aprendizagem Motora

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7

Níveis de Estabilização e

Processo Adaptativo em

Aprendizagem Motora

Herbert Ugrinowitsch, Luciano Basso,

Natália Fontes Alves Ambrósio e Go Tani

Considerações iniciais abertos.1

A adaptação é uma capacidade marcante dos sistemas

Esses sistemas evoluem e modificam-se ao longo do tempo, respondendo às perturbações.2,3 A perturbação tira o sistema de seu estado estável e leva-o a buscar um novo, isto é, há uma adaptação; esse novo estado estável também é transitório.4 A adaptação pressupõe certo grau de organização ou estabilidade do sistema, e o nível de estabilidade pode influenciar a adaptação.5,6

Conforme apresentado no Capítulo 2, o modelo de processo adaptativo (MPA) proposto por diversos autores propõe duas questões básicas para investigar como acontece a adaptação na aprendizagem motora: “quanto” e “quando” perturbar.7-11 O objetivo deste capítulo é abordar a segunda questão, trazendo à discussão os resultados de pesquisas realizadas no Laboratório de

 

8 - Ciclos de Instabilidade-estabilidade e Processo Adaptativo em Aprendizagem Motora

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8

Ciclos de

Instabilidade-estabilidade e Processo Adaptativo em Aprendizagem Motora

Maria Teresa Cattuzzo e Go Tani

Introdução

Quando se pensa em alguém aprendendo uma habilidade motora, vêm à mente, em um primeiro momento, insucessos ou desempenhos apenas razoáveis até que o aprendiz comece a apresentar bons resultados. A expressão “está aprendendo” também possibilita deduzir que o aprendiz está melhorando, mas que o desempenho ainda é instável, mostrando inconsistências. Professores e treinadores, pautados em sua experiência profissional, afirmam que uma habilidade motora está realmente aprendida no momento em que o desempenho de seu aluno/atleta torna-se consistente, o que acontece quando o resultado é alcançado com sucesso repetidas vezes. De acordo com teorias tradicionais de aprendizagem motora, que estão baseadas em modelo de redução do erro ou neutralização do desvio

– chamado “modelo de equilíbrio” –, quando se alcança esse estado de proficiência, pode-se afirmar que o aprendiz automatizou seu movimento e, portanto, alcançou a última fase da aprendizagem.

 

9 - Liberdade de Escolha e Processo Adaptativo em Aprendizagem Motora

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9

Liberdade de Escolha e

Processo Adaptativo em

Aprendizagem Motora

Cinthya Walter, Ulysses Okada de Araujo e Flavio Henrique Bastos

Considerações iniciais

O ser humano, como um sistema aberto, busca constantemente estados mais complexos de organização por meio de adaptação.1

A sua interação com o meio ambiente se dá por movimentos e, ao longo do tempo, ele é capaz de modificar as ações que utiliza nessa interação. A aquisição de novas habilidades motoras e a modificação das já adquiridas representam um dos processos de mudança do sistema que possibilitam o seu desenvolvimento.2,3

Ao praticar uma determinada habilidade motora, o desempenho e as metas do indivíduo modificam-se com a experiência, e ele apresenta capacidade relativamente estável de realizar a habilidade. Embora a aprendizagem motora possa ser observada nesse primeiro período de estabilização do desempenho, com a prática o indivíduo é capaz de continuar progredindo por tempo indeterminado. Podem-se observar uma pessoa aprendendo a tocar bateria, a qual, após conseguir executar uma série de batidas com consistência, adiciona outras batidas ou pausas

 

10 - Estrutura de Prática e Processo Adaptativo em Aprendizagem Motora

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10

Estrutura de Prática e Processo Adaptativo em

Aprendizagem Motora

Umberto Cesar Corrêa, Herbert Ugrinowitsch,

Rodolfo Novellino Benda e Go Tani

Considerações iniciais

Mais do que uma oportunidade para comemorar realizações científicas ou a formação de recursos humanos para a pesquisa, a publicação deste livro possibilita ao Laboratório de Comportamento Motor (Lacom) da Escola de Educação Física e Esporte da

Universidade de São Paulo (EEFE-USP) avaliar os caminhos percorridos e vislumbrar futuras direções. Este é o foco do presente capítulo.

No livro Comportamento motor: aprendizagem e desenvolvimento, Correa e Tani1 propõem uma nova abordagem teórica sobre a estruturação da prática na aquisição de habilidades motoras com base em três pilares: modelo de aprendizagem motora, conceito de prática e manipulações experimentais de diferentes condições de prática.

No que diz respeito ao primeiro pilar, a aprendizagem motora foi concebida como um processo adaptativo, isto é, um processo contínuo de organização, reorganização e auto-organização de habilidades motoras.2 De acordo com essa concepção, o processo de aprendizagem motora envolve duas fases: estabilização e adaptação. A estabilização diz respeito à formação de padrão que ocorre mediante prática e feedback.

 

11 - Conhecimento de Resultados e Processo Adaptativo em Aprendizagem Motora

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Conhecimento de Resultados e Processo Adaptativo em

Aprendizagem Motora

Cassio de Miranda Meira Junior e Fábio Rodrigo Ferreira Gomes

Considerações iniciais

A associação entre feedback e prática pode ser compreendida mediante uma apreciação do processo pelo qual um indivíduo aprende uma habilidade motora. Em primeiro lugar, o objetivo da performance é estabelecido, uma solução de um problema motor que surge no ambiente externo. Definido o objetivo, o indivíduo procura desenvolver a melhor maneira de alcançá-lo, ou seja, processa informações, selecionando um plano de ação que atenda apropriadamente às demandas do momento e executando o movimento. Durante a execução, o indivíduo recebe informações sobre como está sendo executado o movimento e, após a sua conclusão, recebe informações que possibilitam que ele avalie se o movimento executado alcançou ou não o objetivo almejado.

Essas informações são denominadas, genericamente, de feedback. É comum que as primeiras tentativas de execução resultem em erros grosseiros. O indivíduo toma consciência desses erros mediante feedback e, com base no seu processamento, decide sobre qual mudança introduzir na próxima tentativa; em outras palavras, o mecanismo de detecção e correção de erros é acionado. Como resultado, um novo plano de ação é elaborado, executado e avaliado, e esse processo é repetido até que se alcance o objetivo ou a solução adequada do problema motor. Durante esse processo, é natural que o indivíduo tome consciência do erro cometido, mas ainda não seja capaz de detectar a sua origem e, consequentemente, de corrigi-lo. As informações que ele obtém do próprio sistema sensorial sobre a execução do movimento e o seu resultado no meio ambiente são denominados feedback intrínseco. Na dificuldade para detectar a causa dos erros, o indivíduo necessita receber informações adicionais de fontes externas sobre a execução [conhecimento de performance (CP)] e o resultado do movimento [conhecimento de resultado (CR)].

 

12 - Efeito do Estabelecimento de Metas Autocontrolado na Aprendizagem Motora

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12

Efeito do Estabelecimento de Metas Autocontrolado na Aprendizagem Motora

Jaqueline Freitas de Oliveira Neiva, Ulysses Okada de Araujo,

Herbert Ugrinowitsch e Umberto Cesar Corrêa

Considerações iniciais

Ao longo das últimas décadas, um crescente número de estudos tem investigado o efeito de condições em que se permite ao aprendiz realizar escolhas relacionadas ao processo de aprendizagem.1 De fato, ter a possibilidade de controlar o próprio aprendizado tem sido considerado um aspecto importante em diferentes

áreas do conhecimento, como psicologia, educação e sociologia.2

Na área de aprendizagem motora, diversos estudos têm sido realizados, oferecendo aos aprendizes controle sobre algum aspecto da prática, como o estabelecimento de metas, a utilização de auxílio físico, a modelação e o feedback.3-6 A aprendizagem em tais condições tem sido denominada de aprendizagem autocontrolada.7

De modo geral, dois grupos são manipulados nesses estudos: um de autocontrole, onde se permite ao participante controlar algum fator que influencia a aquisição de habilidades motoras (grupo experimental), e outro externamente controlado (grupocontrole), também conhecido como grupo espelho ou yoked, em que o participante é pareado/espelhado a um participante do grupo experimental, recebendo exatamente o mesmo tratamento, mas sem possibilidade de escolha.8

 

13 - Efeito da Demonstração Autocontrolada na Aprendizagem Motora

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13

Efeito da Demonstração

Autocontrolada na

Aprendizagem Motora

Alessandro Teodoro Bruzi e Flavio Henrique Bastos

Considerações iniciais

A aprendizagem motora, enquanto área de estudo, busca a compreensão dos mecanismos e processos subjacentes e dos fatores que afetam a aquisição de ações habilidosas.1,2 No estudo dos fatores, destacam-se as pesquisas sobre a organização da prática, as instruções apresentadas previamente e as informações fornecidas posteriormente à execução da habilidade motora.

A demonstração, foco deste capítulo, é uma das maneiras de fornecer instrução previamente à execução da habilidade motora. Esse fator tem sido reconhecido como importante fonte de informação no processo de aquisição de habilidades, por possibilitar a compreensão dos aspectos críticos da tarefa a ser praticada.3,4 Em virtude das diferentes perspectivas em que seus efeitos foram investigados ao longo da história, esse tipo de instrução recebeu diferentes denominações, entre as quais, demonstração, modelação e aprendizagem observacional. De maneira geral, essas denominações foram definidas a partir de duas premissas: uma que enfatiza a ação do modelo

 

14 - Efeito do Autocontrole na Aprendizagem por Auto-observação

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14

Efeito do Autocontrole na Aprendizagem por

Auto-observação

Priscila Garcia Marques e Umberto Cesar Corrêa

Considerações iniciais

Conta a mitologia que Jano, um dos deuses mais antigos do panteão romano, filho de Creusa e Apolo, era um orador habilidoso e contundente, deus das portas, dos começos e finais. Existem muitas versões desse mito, mas, em todas elas, Jano é descrito como um deus de duas faces opostas, uma voltada para a frente, e a outra para trás, como se analisasse as questões por todos os seus aspectos; há quem diga que é porque ele olha para o passado e também para o futuro.

Qual relação tem essa breve narrativa com o capítulo que pretende abordar o efeito do autocontrole na aprendizagem motora por observação do próprio desempenho? Pois bem, há muito tempo, estudos em aprendizagem motora sobre os mecanismos e processos subjacentes à aquisição de habilidades motoras e sobre os fatores que os influenciam, como instrução, demonstração, conhecimento de resultados, estabelecimento de metas, entre outros, têm sido realizados em condições experimentais sob o controle do experimentador, ou seja, externamente controladas. No entanto, a partir de

 

15 - Efeito da Estrutura de Prática Autocontrolada na Aprendizagem Motora

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15

Efeito da Estrutura de Prática Autocontrolada na Aprendizagem Motora

Cinthya Walter, Ulysses Okada de Araujo e Flavio Henrique Bastos

Considerações iniciais

Por ser um fator essencial para a aquisição de habilidades motoras, a prática tem sido amplamente investigada com relação a diferentes aspectos da sua organização (fracionamento, distribuição e estruturação). Neste capítulo, a organização da prática será abordada especificamente no que se refere à maneira como ela pode ser estruturada: com ou sem variações. A variação da prática pode ser tanto dos parâmetros físicos de uma mesma habilidade (p. ex., força e direção) quanto de diferentes habilidades.

Desde a década de 1970, os efeitos de diferentes maneiras de estruturar a prática na aquisição de habilidades motoras têm sido intensamente investigados. A maioria desses estudos foi realizada com base na teoria de esquema, comparando os efeitos das estruturas de prática constante e variada (aleatória) e, no princípio da interferência contextual, verificando os efeitos de diferentes estruturas de prática variada (por blocos, seriada e aleatória).1,2

 

16 - Efeito do Feedback Autocontrolado na Aprendizagem Motora

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16

Efeito do Feedback

Autocontrolado na

Aprendizagem Motora

Suzete Chiviacowsky e Ricardo Drews

Considerações iniciais

Ao longo das últimas duas décadas, muitos pesquisadores têm focado seus esforços na descoberta, generalização e compreensão dos efeitos benéficos do fornecimento de suporte à autonomia do aprendiz na aprendizagem de habilidades motoras. A autonomia pode ser experimentada quando os indivíduos atuam seguindo seus próprios valores e crenças, exercendo controle sobre certos aspectos do ambiente. De modo geral, ela tem sido relacionada tanto à satisfação de uma necessidade básica psicológica quanto de uma necessidade biológica do ser humano.1-4 Em diferentes domínios do comportamento, benefícios têm sido observados quando se fornece liberdade de escolha aos indivíduos.5-9

Na aprendizagem motora, o suporte à autonomia do aprendiz tem sido oferecido principalmente em pesquisas que utilizam a prática autocontrolada (PAC). Tal condição de prática difere de abordagens anteriores de pesquisa sobre os fatores que afetam a aquisição de habilidades motoras, em que se observa um controle praticamente total da situação de aprendizagem por parte do pesquisador. Nenhuma ênfase é colocada no aprendiz, nas suas estratégias de aprendizagem e no seu reconhecimento como agente ativo no processo de aprendizagem.10 De fato, por muito tempo, os investigadores foram considerados os únicos “arquitetos” do ambiente de prática.11,12 As investigações sobre os efeitos do fornecimento de autonomia ao aprendiz na aprendizagem motora têm sido realizadas com um grande número de variáveis de prática, como o fornecimento de escolhas relacionadas a quando receber feedback ou observar modelos, à organização da sequência de prática de diferentes habilidades e até mesmo à quantidade de prática e à complexidade da tarefa.13,14

 

17 - Efeito da Meta de Aprendizagem na Aprendizagem Motora Autocontrolada

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17

Efeito da Meta de Aprendizagem na Aprendizagem Motora

Autocontrolada

Flavio Henrique Bastos

Considerações iniciais

A capacidade do ser humano de realizar ações motoras é tão fascinante que os inspira a buscar compreender como isso lhes é possível. O estudo dos processos que subjazem a execução de ações motoras congrega hoje muitos pesquisadores da área de comportamento motor. Alguns desses estão interessados no estudo dos aspectos cognitivos, outros na descoberta de estratégias para auxiliar pessoas com dificuldades motoras, e outros, ainda, são movidos exclusivamente pela curiosidade – inerente

à condição humana.

Neste capítulo, serão apresentadas algumas ideias que compõem essa busca, visando estudar a aprendizagem de habilidades motoras em uma condição na qual o aprendiz controla sua prática.

A questão que constituiu o eixo central é a seguinte: expor aos aprendizes qual é o contexto para o qual devem se preparar com a prática (ou seja, que condição os espera após um período de prática) leva-os a elaborar estratégias de aprendizagem que beneficiam a aprendizagem motora?

 

18 - Efeito da Instrução na Aquisição de Habilidades Motoras

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18

Efeito da Instrução na

Aquisição de Habilidades Motoras

Renata Alvares Denardi, Andrea Michele Freudenheim e Umberto Cesar Corrêa

Considerações iniciais | Instrução e aprendizagem motora

Os profissionais do movimento são responsáveis pela promoção de experiências de aprendizagem benéficas aos aprendizes. Eles têm papel importante na decisão sobre metas a perseguir, informações a transmitir e prática a adotar para uma aprendizagem efetiva e significativa.1 As tomadas de decisão sobre os procedimentos instrucionais a serem aplicados implicam conhecimentos prévios, tanto das fases de aprendizagem em que se encontra o aprendiz quanto da natureza da habilidade motora a ser ensinada.

A instrução merece destaque entre os vários fatores que constituem o contexto de aprendizagem. Ela se refere à informação fornecida ao aprendiz, previamente à execução da ação, com intuito de auxiliá-lo a compreender o objetivo da tarefa e de orientá-lo quanto às melhores soluções.1-3 Esses autores definem a instrução como o conjunto de informações úteis sobre o próprio movimento, como as posições iniciais dos membros em relação ao aparelho usado, para o que olhar, o que ouvir e o que fazer. E o mais importante é transmitir as principais informações, para não sobrecarregar a limitada capacidade de atenção dos aprendizes.4

 

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