Autoconhecimento do Enfermeiro - Instrumento nas Relações Terapêuticas e na Gestão/Gerência em Enfermagem

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Filósofos como Platão, Spinoza, Freud e Moran veem o autoconhecimento como conquista, uma realização que promove saúde mental e liberdade para a pessoa.ssim, não é algo fornecido ou disponível ao sujeito, uma vez que, para conhecer a si mesmo, é preciso autorreflexão e autointerpretação, apenas para iniciar essa caminhada.s filósofos da Antiguidade tinham um olhar sobre o autoconhecimento como algo bom por si ou por fins práticos.ietzsche e outros pensadores viam o assunto como moralmente valioso, mas difícil de ser alcançado por causa da natureza inefável do sujeito.avia também outros ilustres, como Eclesiastes, Heidegger e Sartre, que julgavam o autoconhecimento como autocrítica.
As pesquisas e conclusões reunidas neste livro abordam esse assunto sedutor sobre o autoconhecimento e as relações humanas, especialmente entre enfermeiros e seus clientes.

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1 - Tema do Estudo

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Tema do Estudo

Introdução

Nas últimas décadas houve crescente preocupação dos enfermeiros brasileiros com a relação estabelecida com o cliente, como evidenciam os trabalhos sobre o assunto publicados em livros e revistas especializados.

No entanto, em geral, essa preocupação é centralizada na área de psiquiatria e saúde mental, embora não se acredite que o estudo da relação enfermeiro-cliente deva ser salientado somente nesse âmbito específico.

Focar o tema em apenas uma área ratificaria dois aspectos: a dissociação mente-corpo, não visualizando o cliente como um ser “total” e holístico, e o fato de que, em saúde mental e psiquiatria, só se trata da mente, excluindo as demais especificidades do corpo. O correto é associar, e não dividir o indivíduo em nenhuma

área de estudo.

Na realidade da assistência de enfermagem, cliente e enfermeiro estão envolvidos em um processo interativo, o qual é influenciado pelos valores éticos e pela experiência de vida de ambos. De acordo com Gattás (1984), “na prática de enfermagem, verificamos que toda assistência ao indivíduo se processa no nível das relações interpessoais”.

 

2 - Revisão de Literatura

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Revisão de Literatura

Relações interpessoais

Este capítulo foi construído com base em duas abordagens: a relação entre enfermeiro e cliente e o autoconhecimento do enfermeiro.

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Relação entre enfermeiro e cliente

Do ponto de vista biopsicossocial estrito, o ser humano distingue-se dos animais pela mais alta hierarquização de suas estruturas, faculdades e energias psicofísicas. Nos animais existem graus, tipos e níveis de atividade psíquica,

“localizando-se o ser humano no nível mais alto desta atividade” (Melo, 1970).

Segundo o autor, o ser humano é, efetivamente, uma síntese homogênea, que espelha no conjunto e em cada uma de suas partes os fatores cósmico-geográficos, orgânicos, psíquicos, sociais e culturais de sua formação. Essa síntese exprime a conjugação de tendências inatas e experiências vividas pelo indivíduo praticamente em todo o curso temporal de sua existência. Este, porém, representa qualquer coisa que jamais deve ser entendida como configuração simples e unívoca predeterminada e imutável. A personalidade é, assim, uma estrutura dinâmica em perpétuo “vir a ser”.

 

3 - Metodologia

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Metodologia

Natureza do estudo

Neste capítulo, os procedimentos metodológicos utilizados na pesquisa foram especificados.

Trata-se de um estudo descritivo e exploratório, em que foi utilizado o método dedutivo, com base no conteúdo teórico da literatura encontrada e no material analisado por meio dos instrumentos utilizados. Isso nos possibilitou pressupor a melhor maneira de autoconhecimento do enfermeiro e, consequentemente, a melhor relação terapêutica entre enfermeiro e cliente.

No Apêndice 1 estão as linhas de pesquisa definidas no II Seminário sobre Avaliação e

Perspectivas de Pesquisas em Enfermagem

(Wright, 1982). Dentre elas, estão as áreas 1 e

2 – profissional e assistencial –, nas quais este livro está enquadrado.

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Local do estudo

O estudo foi desenvolvido em um hospital governamental federal de médio porte, cuja lotação é de 100 enfermeiros distribuídos em três turnos, em cargos administrativos e assistenciais.

 

4 - Apresentação dos Resultados

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Apresentação dos

Resultados

Neste capítulo serão apresentados os resultados das entrevistas realizadas com os enfermeiros, incluindo as questões que foram formuladas aos entrevistados e suas respostas, em números inteiros e percentuais.

As questões que deram margem a respostas mais amplas foram listadas, com a finalidade de analisá-las no Capítulo 5, Análise e Discussão dos Resultados.

A capacitação específica de cada enfermeiro e seu setor de lotação na unidade podem ser visualizados, comparativamente, no Quadro 4.1.

A seguir, os resultados serão apresentados:

CC Questão 1. O que julga necessário para a total segurança no exercício da profissão?

Os fatores detectados podem ser divididos em quatro grupos:

•• Relacionados com a infraestrutura institucional: controle de infecção, material adequado, boas condições na estrutura, melhor remuneração, carga horária satisfatória, pessoal suficiente, biblioteca específica para a enfermagem, cursos periódicos de reciclagem e cursos na instituição

 

5 - Análise e Discussão dos Resultados

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Análise e Discussão dos Resultados

Introdução

O objetivo deste capítulo é analisar e discutir os dados observados na entrevista estruturada realizada com os enfermeiros, a respeito de sua relação com o cliente e seu autoconhecimento.

Tudo isso com base nos suportes teóricos de

Hildegard Peplau, Joseph Luft e Harry Ingham,

Lals Loffredi e Robert Carkhuff, e no Capítulo

2, Revisão de Literatura.

CC

Capacitação e alocação

No Quadro  4.1 (Capítulo  4, Apresentação dos Resultados), pode-se visualizar a distorção entre a capacitação específica do enfermeiro e o modo de aproveitamento dessa especialização profissional. Habilitados em Saúde Pública são lotados em centros de tratamento intensivo

(CTI); enfermeiros com licenciatura exercem suas atividades em setores de internação; profissionais com habilitação médico-cirúrgica trabalham em ambulatórios e escolas. Isso significa que o objetivo a que se propõe o enfermeiro ao se enveredar pelo caminho do saber específico não é respeitado, bem como as suas expectativas de aproveitamento do saber adquirido.

 

6 - Conclusões e Sugestões

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Conclusões e

Sugestões

Conclusões

Após este estudo, conclui-se que enfermeiros têm dificuldade em falar sobre autoconhecimento; e a maioria, 66%, confundiu autoconhecimento com conhecimento científico. Eles não se sentem em condições de avaliar qualquer quesito relacionado com outro profissional. A porcentagem de enfermeiros que julga conhecer-se suficientemente é igual aos que julgam sua relação com o cliente excelente, muito boa e boa. A entrevista funcionou como suscitadora de reflexão sobre a relação propriamente dita e sobre o autoconhecimento do enfermeiro.

Existe coerência entre os enfermeiros que acreditam conhecer-se e os analisados. Entre os pontos críticos mencionados pelos enfermeiros como influentes e imprescindíveis ao relacionamento, figura o autoconhecimento. Os enfermeiros não investem eficazmente nele, embora acreditem ser fator importante na relação.

Quanto às expectativas, em virtude de os enfermeiros pesquisados terem sido levados a uma reflexão sobre o assunto, infere-se que outras situações reflexivas possam ocorrer com outros enfermeiros. Estas podem ser proporcionadas pelos próprios entrevistados ao “funcionarem” como agentes multiplicadores.

 

7 - Gestão/Gerência

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Gestão/Gerência

Introdução

Conhece-te a ti mesmo. (Oráculo de Delphus)

Não há profissional interessado em gerenciamento que nas últimas décadas não tenha sido exposto sucessivamente a novas técnicas e teorias que se propõem a revolucionar o processo gerencial das organizações. Todas, de algum modo, contribuíram para melhorar a compreensão e o desenvolvimento do mundo das organizações. No entanto, voltadas à realidade da economia industrial, nenhuma delas é capaz de se antecipar e abarcar a complexidade da sociedade pós-capitalista.

A transição para o que hoje se convenciona chamar de pós-capitalismo ou economia da informação não é a primeira e, provavelmente, não será a última transformação a produzir mudanças profundas nas relações econômicas, na realidade organizacional e na sociedade.

Entretanto, tais mudanças estão produzindo a maior transformação já vivida pela humanidade nos últimos 500 anos. Os contemporâneos

às transformações geralmente não percebem o que está acontecendo à sua volta, assim como os que viviam em 1550 certamente não sabiam que estavam na Idade Moderna. Em 1450, os vizinhos de Gutemberg não compreendiam o impacto na organização social produzido pela invenção da imprensa. Em 1800, ninguém se dava conta de que estava participando da Revolução Industrial; anos depois, alguém descre-

 

8 - Gestão/Gerência nos Tempos Atuais

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Gestão/Gerência nos

Tempos Atuais

Para a reflexão sobre função gerencial, faz-se necessário “desenhar” uma imagem do mundo empresarial. Ele está cada vez mais competitivo e mutável; os negócios acontecem virtualmente em tempo integral, com limites cada vez menos demarcados. Por isso, torna-se obrigatório transformar o modo de gestão empresarial, para que as empresas obtenham vantagem e vençam os desafios e as dificuldades cotidianas que surgiram com a globalização. Para Ianni

(1997), esse fenômeno vem expressando um novo ciclo de expansão do capitalismo como modo de produção e processo civilizatório de alcance mundial, marcante e com amplas proporções. Ele envolve nações, regimes políticos e projetos nacionais, grupos e classes sociais, economias e sociedades, culturas e civilizações, dando origem a uma sociedade global complexa e contraditória – todos desafiados pelos dilemas e horizontes que se mostram nesta era.

Com o advento da globalização, o mundo passa por enormes mudanças, além de um processo de transformações e grandes expectativas. Recentemente, ocorreu o rompimento da sociedade considerada pós-industrial e o início da era da informação; a adesão à informatização e o nascimento da biotecnologia; e a ênfase ao conhecimento, o que ganhou notoriedade no cenário dos novos tipos de relações humanas. Assim, a globalização tornou a concorrência mais acirrada, fazendo com que o ritmo das inovações tecnológicas desafie as estratégias mais brilhantes.

 

9 - Autoconhecimento Associado àGestão/Gerência em Enfermagem

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Autoconhecimento

Associado à

Gestão/Gerência em Enfermagem

Introdução

Tendo em vista as ideias de Marquis e Houston (1999), a enfermagem, em sua evolução histórica, sempre respondeu às mudanças tecnológicas e às transformações sociais. O papel do enfermeiro como gerente e líder a cada dia torna-se mais necessário para a realização de um cuidado com qualidade. Com o objetivo de enfrentar a nova realidade social, esse profissional precisa conhecer novas dimensões no que concerne ao alcance de metas e objetivos estratégicos institucionais.

Há de se destacar a diferença entre ser gerente e ser líder. Para as autoras, os gerentes têm uma posição determinada na organização; dispõem de fonte legítima de poder formal; executam atividades específicas; dão ênfase ao controle, à tomada de decisão, à análise e aos resultados; têm maior responsabilidade formal com relação à racionalidade e ao controle; e dirigem subordinados que podem ser bem colaborativos ou pouco cooperativos. Já os líderes frequentemente não têm autoridade formal, mas obtêm seu poder por outros meios, como a influência. Além disso, têm maior variedade de funções que o gerente; concentramse nos processos grupais, na coleta de informa-

 

10 - Autoconhecimento e sua Influência naGestão/Gerência em Enfermagem

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Autoconhecimento e sua Influência na

Gestão/Gerência em

Enfermagem

Introdução

Neste capítulo, pretende-se abordar as respostas das três questões propostas na dinâmica realizada para este estudo, denominada Janela de Johari. Ela foi criada por dois psicólogos,

Joseph Luft e Harry Ingham, que elaboraram um esquema a fim de ilustrar e subsidiar o processo de dar e receber feedback. O termo “Johari” resulta da junção do nome dos dois autores (Capítulo 1,

Tema do Estudo). Foram colocadas as falas de um grupo composto por oito atores (denominados aqui com nomes de filósofos como pseudônimos), gravadas no momento da discussão final, e as janelas formadas por cada um dos componentes. Por meio da associação desses dados, os resultados são citados com os teóricos, na tentativa de montar uma rede em que se possa avaliar a influência do autoconhecimento do enfermeiro na gerência de enfermagem.

O estudo apresentou as seguintes categorias:

 

11 - Conclusão

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Conclusão

Como procuramos demonstrar neste estudo, o autoconhecimento dos enfermeiros que ocupam o cargo de gestão apresentou-se como um tema difícil, amplo, complexo e polêmico, mas também como uma necessidade sentida pelos profissionais em questão.

Os resultados apontaram para a importância de respeitar o outro em sua alteridade, com suas peculiaridades e diferenças, como afirmado, durante a dinâmica, pelo enfermeiro Platão: “Ninguém é igual a ninguém”. Essa visão foi vislumbrada e incorporada após a realização e as discussões oriundas da Janela de Johari. O enfermeiro sugeriu que o autoconhecimento fosse trabalhado e desenvolvido por meio dessa dinâmica sistematizada, obtendo a concordância dos demais. Essa nos pareceu uma atividade interessante, intrigante, instigante, nova e extremamente animadora, partindo de enfermeiros.

Não é fácil dar feedback de tal modo que ele possa ser recebido sem sombra de ameaça à outra pessoa. Muito mais difícil, porém, é ter receptividade para o feedback, com abertura suficiente para torná-lo sistemático no dia a dia, com aproveitamento para o aprimoramento de si mesmo.

 

Apêndices

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Apêndices

Apêndice 1

Prioridade da pesquisa em enfermagem

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O II Seminário sobre Avaliação e Perspectivas de Pesquisas em Enfermagem (1996)| Definição de linhas de pesquisa em enfermagem foi definido como:

Uma proposta de investigação de um ou vários temas correlacionados, continuamente e ao longo do tempo, englobando questões e problemas relativos às necessidades da população, realizada de modo progressivo e em condições para imediato engajamento de novos pesquisadores.

Nesse seminário, foram propostas as seguintes linhas de pesquisa:

•• Área 1: profissional

•• Área 2: assistencial

•• Área 3: estrutura, organização e funcionamento das instituições, com suas respectivas linhas.

Este trabalho pode ser enquadrado nas áreas profissional e assistencial (Capítulo 3, Metodologia).

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Área 1 | Profissional

Linha 1 | Enfermagem como prática social. Engloba estudos sobre: objeto de trabalho em enfermagem, relações do enfermeiro com sua clientela, espaço que o profissional ocupa no mercado de trabalho, fatores culturais, históricos, políticos, sociais e econômicos determinantes no desenvolvimento profissional, autonomia na profissão, relações internas e externas do trabalho de enfermagem.

 

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