Manual de Psicopatologia, 5ª edição

Autor(es): CHENIAUX, Elie
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Prático e objetivo, este manual constitui uma proposta de síntese e revisão dos conceitos da psicopatologia descritiva, sendo indicado para alunos – de graduação e pós-graduação – e profissionais das áreas de psiquiatria, psicologia e saúde mental. Aprimorada, esta 5ª edição apresenta texto revisado e atualizado, novo projeto gráfico e diversas modificações, como a inclusão de dois novos apêndices, garantindo um conteúdo ainda mais valioso aos leitores. Principais características: - Apresentação das alterações quantitativas e qualitativas de cada função psíquica (com diversos exemplos clínicos); - Introdução psicológica e estudo de como as alterações quantitativas e qualitativas de cada função psíquica se manifestam nos principais transtornos mentais; - Estudo da técnica de exame correspondente a cada função psíquica; - Discussão sobre descobertas das neurociências e formulações teóricas da psicanálise relacionadas à função estudada; - Capítulo sobre as principais síndromes psiquiátricas; - Três apêndices: o primeiro aborda as divergências entre os autores quanto aos termos psicopatológicos e suas definições; o segundo apresenta um modelo de exame psíquico e de súmula psicopatológica; e o terceiro, uma lista de todas as alterações psicopatológicas discutidas no livro, classificadas segundo a função psíquica.

25 capítulos

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1 Psicopatologia | Questões Gerais

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Psicopatologia | Questões Gerais

Definição

O termo psicopatologia foi criado por Jeremy Benthan, em 1817. Psyché significa alma; páthos, sofrimento ou doença; e lógos, estudo ou ciência. No entanto, Esquirol e Griesinger, com seus trabalhos publicados, respectivamente, na França (em 1837) e na Alemanha (em 1845), é que são considerados os criadores da psicopatologia.

A psicopatologia é uma disciplina científica que estuda a doença mental em seus vários aspectos: suas causas, as alterações estruturais e funcionais relacionadas, os métodos de investigação e suas formas de manifestação (sinais e sintomas). Comportamento, cognição e experiências subjetivas anormais constituem as formas de manifestação das doenças mentais.

Segundo Jaspers, “o objeto da psicopatologia é o fenômeno psíquico, mas só os patológicos”.

Contudo, a distinção entre o normal e o patológico em medicina é bastante imprecisa. Podemos citar pelo menos três critérios de normalidade, todos considerados insuficientes: o subjetivo, o estatístico e o qualitativo.

 

2 Avaliação Psiquiátrica | Anamnese e Exame Psíquico

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Avaliação Psiquiátrica | Anamnese e

Exame Psíquico

Entrevista psiquiátrica | Aspectos gerais

A entrevista psiquiátrica possui três objetivos básicos: a formulação de um diagnóstico, a formulação de um prognóstico e o planejamento terapêutico. É a partir da entrevista que se começa a estabelecer, ou não, uma aliança terapêutica entre o paciente e o médico.

A entrevista pode se dar em situações muito diversas: na internação do paciente, que pode ser voluntária ou involuntária; numa consulta no ambulatório; quando o psiquiatra vai responder a um pedido de parecer em uma enfermaria de hospital geral; no domicílio do paciente; e, até mesmo, em via pública.

Para a entrevista, deve-se preferir um ambiente fechado, isolado acusticamente e com uma temperatura agradável. Recomenda-se evitar o máximo possível que haja interrupções. No início é essencial que o médico se apresente, explique o objetivo da entrevista e, se possível, obtenha o consentimento do paciente. Se não há plena consciência de morbidade por parte do paciente, é fundamental que se entrevistem os familiares – ou outras pessoas que possam prestar informações –, de preferência com a concordância (e a presença) do paciente.

 

3 Aparência

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Aparência

Introdução

Pouco foi escrito sobre a aparência nos tratados de psicopatologia. Encontram-se algumas palavras em Vallejo Nágera (1944), Leme Lopes (1980), Pio Abreu (1997), Ey (1988), Mackinnon

& Yudofsky (1988) e Sá (1988).

No exame de paciente psiquiátrico, só podemos observar o que está aparente, não oculto.

Assim, poderíamos chamar de aparência todo o conteúdo do exame psíquico. Mas, no exame psíquico e na súmula psicopatológica, o termo aparência tem um significado bem mais restrito, referindo-se basicamente aos cuidados higiênicos e estéticos relativos ao corpo (incluindo cabelos, barba, unhas, dentes), roupas, maquiagem e adereços (brincos, colares, pulseiras etc.).

Em geral, a aparência é o primeiro elemento observado no paciente, e o seu exame oferece indicações sobre o estado de diversas funções mentais.

Alterações na aparência

A aparência de um paciente ou está cuidada ou descuidada (desleixada). Neste último caso, ele se apresenta com a higiene corporal comprometida; roupas sujas, rasgadas ou desalinhadas; mau cheiro; cabelos despenteados e excessivamente compridos; barba por fazer (em homens) ou pernas não depiladas (em mulheres); dentes estragados, ausentes; ou unhas sujas e compridas.

 

4 Atitude

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Atitude

Introdução

Nos livros de psicopatologia, pouco espaço foi dedicado ao estudo da atitude. Há algumas breves referências ao assunto apenas em Vallejo Nágera (1944), Pio Abreu (1997), Ey (1988),

Mackinnon & Yudofsky (1988) e Sá (1988). E alguns desses autores fazem certa confusão entre psicomotricidade e atitude (ou comportamento).

Na entrevista psiquiátrica, são considerados o relato do paciente (ou de um familiar) – a partir do qual é elaborada a história – e a observação do comportamento do paciente – base do exame psíquico. Dessa forma, o comportamento (ou atitude), num sentido amplo – englobando a fala, os gestos, a mímica e os demais movimentos corporais –, seria tudo no exame psíquico. Todavia, parece mais interessante, na súmula psicopatológica, restringir o termo atitude àquela que está especificamente relacionada ao examinador e à entrevista. Esse, por exemplo, não é o caso da atitude alucinatória (comportar-se como se estivesse ouvindo vozes de pessoas que não estão presentes), expressão muito empregada no meio psiquiátrico. Assim, a atitude alucinatória não constituiria uma alteração da atitude, considerando o sentido aqui adotado.

 

5 Consciência (vigilância)

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Consciência (vigilância)

Introdução

Etimologia

A palavra consciência vem do latim, cum scientia, que, por sua vez, é uma tradução da palavra grega syneidesis. Cum scientia significa literalmente uma ciência acompanhada de outra ciência, ou uma relação cognoscitiva com.

Originalmente, a palavra consciência tinha o significado de consciência moral, que equivale no alemão a Gewissen, e, no inglês, a conscience. Só posteriormente surgiu o conceito de consciência psicológica – mais amplo que o conceito de consciência moral, abarcando este –, que corresponde a Bewusstsein, no alemão, e a consciousness, no inglês. Nas línguas neolatinas, como o português, consciência se refere a ambos os conceitos.

Consciência psicológica

Segundo Jaspers, consciência é “o todo momentâneo da vida psíquica”. Em outras palavras, constitui uma síntese ou integração de todos os processos mentais em determinado momento.

As características da consciência psicológica são as seguintes:

 

6 Atenção

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Atenção

Introdução

Definição e características

Atenção é o processo pelo qual a consciência é direcionada para determinado estímulo (de origem externa ou interna), que pode ser uma imagem perceptiva ou representativa, um afeto ou um pensamento. Há uma concentração da atividade mental sobre um objeto específico (ou poucos objetos) em detrimento dos demais. O que é selecionado pela atividade da atenção adquire maior clareza e nitidez.

Sem a capacidade de seleção exercida pela atenção, a quantidade de informações externas e internas (distratores) que chegaria à nossa mente seria tão grande que inviabilizaria qualquer atividade psíquica. A atenção interfere na sensopercepção e é de vital importância para a memória, tanto para a fixação de novas informações como para a evocação de antigas. O interesse (vontade, afeto) influencia diretamente a atenção.

Atenção e consciência são funções psíquicas muito próximas e conectadas, mas não são a mesma coisa. Se não há lucidez de consciência, a atenção não pode funcionar adequadamente, mas a atenção pode estar alterada mesmo se o nível da consciência está normal. A atenção é um auxiliar da consciência, otimiza o rendimento desta, fazendo com que os conteúdos mentais sejam mais eficientemente processados. Além disso, a atenção é necessária para algo se tornar consciente.

 

7 Sensopercepção

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Sensopercepção

Introdução

A sensopercepção constitui a primeira etapa da cognição, ou seja, do conhecimento do mundo externo. Este se refere aos objetos reais, isto é, àqueles que estão fora de nossa consciência.

Sensação e percepção

A sensação é um fenômeno passivo, físico, periférico e objetivo (Alonso-Fernández, 1976), que resulta das alterações produzidas por estímulos externos sobre os órgãos sensoriais. Através da sensação, podemos distinguir as qualidades mais elementares dos objetos: cor, forma, peso, temperatura, consistência, textura, timbre, sabor etc.

A percepção é um fenômeno ativo, psíquico, central e subjetivo (Alonso-Fernández, 1976). É um fenômeno consciente, que resulta da integração das impressões sensoriais parciais e da associação destas às representações.

A percepção está relacionada à identificação, reconhecimento e discriminação dos objetos. É o que dá significação às sensações.

Exemplos:

■■ Sensações: formas e cores em uma fotografia

 

8 Memória

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Memória

Introdução

O que é memória

Para os antigos gregos, a memória era uma entidade sobrenatural, a deusa Mnemosyne, que dava aos poetas e adivinhos o poder de voltar ao passado.

Aprendizado é o processo pelo qual adquirimos conhecimento sobre o mundo, já a memória representa o armazenamento desse conhecimento. Essas informações armazenadas dizem respeito às nossas experiências perceptivas e motoras, assim como às vivências internas (nossos pensamentos e emoções).

Uma capacidade mnêmica preservada é fundamental para a percepção (gnosia) e para a orientação.

Etapas do processo mnêmico

Didaticamente, a atividade da memória é dividida em três fases: fixação (ou aquisição, ou codificação), conservação (ou retenção, ou armazenamento) e evocação (ou rememoração, ou recuperação) [Figura 8.1].

�� Fixação

A etapa de fixação, termo criado por Wernicke, refere-se à aquisição de novas informações.

A fixação depende da preservação do nível da consciência (vigilância), da atenção (especialmente da tenacidade), da sensopercepção e da capacidade de apreensão (apercepção).

 

9 Linguagem

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Linguagem

Introdução

Definição

Linguagem é um sistema até certo ponto arbitrário de signos – fonéticos e gráficos (as palavras) –, que funciona como um processo intermediário entre o pensamento e o mundo externo.

Funções da linguagem

A linguagem possui as seguintes finalidades: comunicação social, expressão de vivências internas (pensamentos, sentimentos), organização da experiência sensorial e dos processos mentais, tradução dos estímulos externos, indicação e descrição das coisas, transmissão de conhecimentos e regulação da conduta.

Características

A linguagem é uma forma de comunicação especificamente humana. Animais inferiores apresentam formas de comunicação extremamente estereotipadas. Mesmo outros primatas possuem uma capacidade muito limitada para o aprendizado da linguagem humana.

A fala é um processo criativo: a partir de um número finito de palavras e regras gramaticais, produzimos uma infinidade de sentenças e significados. A gramática constitui-se de regras de combinação tanto de fonemas para a formação de palavras (morfologia) quanto de palavras para a formação de frases (sintaxe).

 

10 Pensamento 1 (exceto delírio)

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Pensamento 1 (exceto delírio)

Introdução

O pensar

A palavra pensar vem do verbo latino pendere, que significa ficar em suspenso, examinar, pesar, ponderar.

O pensar está relacionado à antecipação de acontecimentos, à construção de modelos da realidade e simulação do seu funcionamento.

Atributos intelectivos fundamentais

Para Nobre de Melo (1981), os atributos intelectivos fundamentais que sustentam o pensamento são: a compreensão intelectual (apercepção), a ideação, a imaginação e a associação de representações e ideias.1

A ideia difere da imagem representativa (ou mnêmica) por ser imaterial, abstrata e geral, não redutível ao sensorial. Associação é o processo psíquico através do qual se estabelecem relações significativas entre as imagens perceptivas, representativas e imaginativas e as ideias. As conexões do pensamento se fazem passivamente quando o processo associativo segue as leis de semelhança, de contraste ou de contiguidade (no tempo ou espaço). Mas o pensamento também pode possuir uma tendência dominante, que o direciona ativamente a uma certa finalidade: o processo associativo é impulsionado por uma ideia fundamental (ou ideia-alvo, ou representação-diretriz).

 

11 Pensamento 2 (delírio)

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Pensamento 2 (delírio)

Introdução

Etimologia

A palavra delirar é derivada do latim delirare (de = fora; liros = sulcos), que significa literalmente lavrar fora do sulco.

Definição clássica de delírio

De acordo com Karl Jaspers (1987), ideias delirantes (ou delírios) são juízos patologicamente falsos, que possuem as seguintes características externas: acompanham-se de uma convicção extraordinária, não são susceptíveis à influência e possuem um conteúdo impossível.

Delírio como um juízo falso

O delírio constitui uma alteração relacionada à formação de juízos. Através dos juízos, discernimos a verdade do erro. Através do juízo de realidade, distinguimos o que é real do que é fruto de nossa imaginação.

Todavia, nem todos os juízos falsos são patológicos. O erro – que também constitui um juízo falso – distingue-se do delírio por originar-se na ignorância, no julgamento apressado ou em premissas falsas, e por ser passível de correção pelos dados da realidade.

 

12 Inteligência

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Inteligência

Introdução

Definição

É extremamente difícil encontrar uma definição de inteligência que seja categórica ou amplamente convincente. Todavia, algumas definições são dignas de nota. “Inteligência é a capacidade de compreender e de elaborar conteúdos intelectuais que facilitem a realização de novas adaptações, para a obtenção de um objetivo apetecido” (Nobre de Melo, 1981). “Inteligência consiste em especificar um objetivo, avaliar a situação vigente para saber como ela difere do objetivo e pôr em prática uma série de operações para reduzir a diferença” (Pinker, 1999). “Inteligência é a capacidade para aprender a partir da experiência, usando processos metacognitivos para melhorar a aprendizagem, e a capacidade para adaptar-se ao ambiente circundante, que pode exigir diferentes adaptações dentro de diferentes contextos sociais e culturais” (Sternberg, 2000).

A inteligência está relacionada à capacidade de resolver problemas novos; de adaptação; de síntese e análise; de abstração e generalização; de distinção entre o essencial e o acessório; de lidar com conceitos, julgar e raciocinar; e de utilizar o pensamento de forma eficiente e produtiva. A solução de problemas consiste em compreender a situação, fazer associações e correlações, produzir ideias novas (construção de hipóteses), criticar ou testar as hipóteses e, finalmente, adaptarse (Nobre de Melo, 1981). O pensamento inteligente caracteriza-se pela riqueza de conceitos, por juízos que correspondem à realidade e por um raciocínio que segue os princípios da lógica formal.

 

13 Imaginação

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Imaginação

Introdução

Somente Vallejo Nágera (1944) dedica um capítulo à imaginação. Outros poucos (Garcia,

1942; Loyello, 1990; Sá, 1988) a incluem entre as funções psíquicas.

A imaginação, apesar da origem do termo, não está relacionada apenas a imagens – perceptivas e representativas –, mas também a ideias abstratas. Ela pode ser definida como a criação de novas imagens ou conceitos, ou de novas conexões entre as representações e conceitos preexistentes. As representações são transformadas, ou podem ser elaboradas imagens de algo que jamais foi percebido ou que nunca existiu, como, por exemplo, dragão, sereia etc.

A imaginação produtiva (ou imaginação propriamente dita) está relacionada à criação artística, às invenções tecnológicas e às descobertas científicas; distingue-se da imaginação reprodutiva, que se refere à evocação mnêmica. A imaginação, diferentemente da inteligência, resulta de um pensamento divergente – no qual são feitas associações não usuais e inesperadas – e não está restrita à solução de problemas imediatos.

 

14 Conação

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Conação

Introdução

Por conação definimos o conjunto de atividades psíquicas direcionadas para a ação. Incluem-se entre as funções conativas os impulsos e a vontade.

Impulsos

Impulso, também chamado estado motivacional ou pulsão, representa um estado interno, uma vivência afetiva, que induz o indivíduo a atuar no sentido de satisfazer uma necessidade, basicamente uma necessidade corporal.

Os impulsos não devem ser confundidos com os instintos. Estes consistem em predisposições inatas à realização de comportamentos complexos e estereotipados, compartilhados pelos animais de uma mesma espécie, e que servem à conservação da vida ou à perpetuação da espécie.

Vontade

A vontade constitui um processo psíquico de escolha de uma entre várias possibilidades de ação, uma atividade consciente de direcionamento da ação. Trata-se de uma elaboração cognitiva realizada a partir dos impulsos, sendo influenciada por fatores intelectivos e socioculturais.

 

15 Pragmatismo

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Pragmatismo

Pragmatismo é a capacidade de colocar em prática, de rea­li­zar de forma eficaz, aquilo que se deseja ou que foi planejado. Portanto, ele não pode ser avaliado se a conação está diminuí­da: se o paciente nada quer, o distúrbio não está na transposição do querer para a rea­li­zação.

De certa forma, o pragmatismo serve como uma medida do grau de eficácia das funções psíquicas em seu conjunto (Motta, 1995). O pragmatismo só pode se alterar quantitativamente, e para menos: hipopragmatismo e apragmatismo.

O exame do pragmatismo implica, em primeiro lugar, identificar os interesses e objetivos do paciente, e, em segundo, avaliar a adequação do comportamento quanto à rea­li­zação de tais objetivos.

Todos os transtornos mentais levam a certo grau de hipopragmatismo, uns mais, outros menos. O manía­co, apesar da hiperbulia (intensificação da vontade), está hipopragmático: seus objetivos mudam constantemente e ele não consegue terminar nada que inicia.

 

16 Psicomotricidade

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16

Psicomotricidade

Introdução

Motilidade

Nem todos os movimentos corporais se encontram no âmbito da psicologia e da psicopatologia, mas somente as ações psicomotoras. Aqueles movimentos corporais involuntários e independentes do psiquismo interessam apenas à neurologia.

As ações psicomotoras possuem um conteúdo psicológico, são uma expressão do psiquismo.

São voluntárias, isto é, conscientes quanto à motivação e finalidade. Representam a quarta etapa do processo volitivo: a execução.

A motilidade consiste na via final de todo evento psíquico e é a única forma de acesso que temos ao psiquismo de uma outra pessoa.

Na psicomotricidade está incluída a fala, mas esta faz jus a um capítulo à parte [cap. 9 –

Linguagem]. Os movimentos expressivos da mímica – embora estejam diretamente relacionados ao psiquismo, particularmente à afetividade – não são estudados aqui, por não serem, segundo

Jaspers, voluntários nem intencionais.

 

17 Afetividade

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Afetividade

Introdução

Definição

Os afetos consistem em estados psíquicos subjetivos que se caracterizam pela propriedade de serem agradáveis ou desagradáveis.

Os afetos podem ser vistos como uma consequência das ações do indivíduo que visam à satisfação de suas necessidades (corporais ou psíquicas). Se essas ações são bem-sucedidas, o afeto é agradável; caso contrário, o afeto é desagradável.

Os afetos possuem pelo menos quatro componentes: (1) a avaliação subjetiva – o indivíduo se dá conta de que está alegre, por exemplo; (2) as crenças cognitivas – ele atribui sua alegria à ocorrência de um determinado evento positivo; (3) os processos fisiológicos – as alterações viscerais; e (4) a expressão afetiva – mímica, gestos, postura e prosódia, que têm a finalidade de comunicar aos outros como aquele indivíduo está se sentindo.

O conceito de afetividade abrange as emoções, os sentimentos, as paixões e o humor.

Afetos, emoções, sentimentos, paixões e humor

 

18 Orientação Alopsíquica

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Orientação Alopsíquica

Introdução

Definição

Orientação é a capacidade de se situar em relação a si mesmo e ao ambiente. Não é propriamente uma função psíquica; consiste, de fato, no resultado dos rendimentos e da integração de diversas funções psíquicas – como a percepção, a atenção, a memória, o pensamento, a inteligência e o afeto.

A orientação resulta especialmente da atividade de apercepção (ou apreensão). A apercepção representa a capacidade de relacionar entre si as percepções para alcançar a significação do contexto. Por exemplo, na tela do televisor vemos um extenso gramado com algumas marcações brancas e duas traves, além de uma bola e homens uniformizados correndo e, por meio da apercepção, concluímos que se trata de uma partida de futebol.

Tipos de orientação

A orientação divide-se em autopsíquica e alopsíquica, classificação esta proposta por

Wernicke. A orientação autopsíquica refere-se à própria pessoa, e consiste num dos elementos da consciência do eu. A orientação alopsíquica refere-se ao mundo externo e pode ser subdividida em: orientação temporal, orientação espacial, orientação quanto às outras pessoas e orientação situacional.

 

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