Nefrologia intensiva

Autor(es): Vários autores
Visualizações: 412
Classificação: (0)

Nefrologia Intensiva é fruto da reunião do conhecimento de profissionais renomados cuja experiência comprova a importância do trabalho multidisciplinar, aspecto cada vez mais significativo na prática médica.Dividida em seis partes, contempla os princípios da medicina intensiva com ênfase nos aspectos hemodinâmicos e na perfusão tecidual. Além de apresentar as principais síndromes clínicas na terapia intensiva, bem como a prevenção e o tratamento da lesão renal aguda, aborda questões éticas e organizacionais, incluindo a atuação multidisciplinar e a assistência de enfermagem.Indicada para nefrologistas, estudantes e demais profissionais da saúde, esta obra representa um marco no avanço da nefrologia intensiva no Brasil.

FORMATOS DISPONíVEIS

36 capítulos

Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta

1. Avaliação da Perfusão Tecidual no Choque

PDF Criptografado

1

Avaliação da Perfusão

Tecidual no Choque

Eliézer Silva e Thiago Domingos Corrêa

Introdução

O principal objetivo do monitoramento hemodinâmico em pacientes graves

é a detecção precoce de hipoperfusão tecidual.1 Quando se pensa em choque, tem-se em mente a presença de hipotensão arterial, hipoperfusão tecidual e disfunção de órgãos. Entretanto, ao compreender melhor a fisiopatologia dos estados de choque, percebe-se que é possível conceituá-los como um desequilíbrio entre a oferta e o consumo de oxigênio tecidual, sem haver necessariamente queda da pressão arterial sistêmica.2-4

Esse conceito é extremamente importante, pois a avaliação e o tratamento dos pacientes em choque com base nos parâmetros clássicos de hemodinâmica, como a pressão arterial média (PAM), a pressão venosa central (PVC), a pressão de oclusão da artéria pulmonar (POAP), o índice cardíaco e a diurese, mostraram-se pouco eficazes em identificar hipoperfusão tecidual e metabolismo anaeróbio em pacientes críticos nos estudos mais recentes.5 Tais parâmetros são medidas grosseiras do desempenho hemodinâmico e não possibilitam uma avaliação precoce, além de indicarem a necessidade de perfusão tissular, pois, mesmo com sua adequação, pode haver hipoxia oculta. A disfunção orgânica e a falência de múltiplos órgãos ocorrem frequentemente em pacientes graves, mesmo após a aparente restauração da estabilidade macro-hemodinâmica.1,5

 

2. Monitoramento Hemodinâmico

PDF Criptografado

2

Monitoramento

Hemodinâmico

Luiz Marcelo Sá Malbouisson e Estêvão Bassi

Introdução

Não é novo o conceito de que o monitoramento hemodinâmico, objetivando otimizar a perfusão te­ci­dual, minimiza a disfunção multiorgânica (incluindo renal) depois de insulto sistêmico agudo. Entretanto, ao longo das últimas décadas, ficou evidente que a reanimação volêmica agressiva e o uso de ferramentas invasivas de monitoramento em situações clínicas inapropriadas podem trazer malefícios ao paciente.

O objetivo deste capítulo é contextualizar o uso dessas ferramentas para cenários adequados, a fim de definir a melhor estratégia de monitoramento em cada caso.

Conceito de “janela de tempo”

Antes de considerações acerca de ferramentas específicas, deve-se atentar para o conceito de “janela de tempo” para tratamento.

Rivers et  al.1, em seu famoso estudo de 2001, conseguiram melhorar o prognóstico de pacientes com sepse grave e choque séptico alcançando objetivos hemodinâmicos predeterminados: pressão venosa central (PVC) entre

 

3. Síndrome da Disfunção de Múltiplos Órgãos e Sistemas

PDF Criptografado

3

Síndrome da Disfunção de

Múltiplos Órgãos e Sistemas

Marcelo Park

Introdução

A síndrome da disfunção de múltiplos órgãos e sistemas (DMOS) foi definida pelo consenso sobre sepse da American College of Chest Physicians e da

Society of Critical Care Medicine de 1991.1 Em 2001, esse consenso foi revisado e reiterado2, e a DMOS passou a ser definida como a presença de função orgânica alterada em uma doen­ça aguda na qual a homeostase do organismo não possa ser mantida sem intervenções.

Apesar de ser uma definição clássica, ainda causa certa confusão. Alguns autores consideram as alterações funcionais leves “disfunção” e as mais graves

“falência” do órgão em questão.3 Contudo, homeostase alterada não significa obrigatoriamente a necessidade de intervenção, pois, apesar de va­riá­veis reguladas pelos órgãos disfuncionantes estarem fora de um intervalo de normalidade, ainda podem ser absolutamente compatíveis com a vida, trazendo ao ser humano o conceito de alostase, ou seja, de adaptação a um novo patamar fisiológico.4

 

4. Soluções para Expansão Volêmica

PDF Criptografado

4

Soluções para

Expansão Volêmica

Leandro Utino Taniguchi

Introdução

Como a fisiopatologia básica da maioria dos tipos de choque está relacionada com algum grau de redução aguda da pré-carga (sangramentos, alteração de permeabilidade capilar com extravasamento de fluidos para o interstício e/ou terceiro espaço, diurese inapropriada e/ou excessiva, vômitos, venodilatação por vasoplegia inflamatória, obstrução do retorno venoso por pneumotórax etc.), uma de suas primeiras modalidades de tratamento reside na reanimação volêmica.

A infusão de fluidos tem como objetivos: restaurar a perfusão te­ci­dual e normalizar o metabolismo oxidativo; corrigir hipovolemia absoluta e/ou relativa; e melhorar o débito cardía­co por meio do aumento da pré-carga.

Tipos de soluções para expansão volêmica

Os dois principais tipos de soluções para expansão volêmica são os cristaloides e os coloides. Soluções cristaloides são compostas, essencialmente, de partículas pequenas dissolvidas em água, o que possibilita sua passagem através do endotélio e justifica sua curta permanência intravascular. Os coloides são soluções de moléculas de grandes dimensões e pesos moleculares, o que lhes conferem a propriedade de menor permeabilidade pela barreira endotelial e maior eficácia em manter a pressão oncótica plasmática.

 

6. Escores Prognósticos em Pacientes com Lesão Renal Aguda

PDF Criptografado

6

Escores Prognósticos em Pacientes com Lesão

Renal Aguda

Verônica Torres da Costa e Silva

Introdução

Escores ou índices prognósticos são instrumentos utilizados para avaliar a gravidade de pacientes internados em unidade de terapia intensiva (UTI), com os objetivos de fornecer estimativa prognóstica, facilitar a organização e a alocação de recursos dentro da UTI, possibilitar a comparação de intervenções terapêuticas e, principalmente, promover a adequada estratificação dos pacientes.

Este último aspecto é de fundamental importância para estabelecer critérios de inclusão dos pacientes em ensaios clínicos, além de facilitar a comparação e a interpretação dos resultados.

Os parâmetros mais comumente utilizados para avaliação e comparação do desempenho de escores prognósticos são a discriminação, definida pela capacidade do modelo de separar corretamente os sobreviventes dos não sobreviventes, sendo avaliada pela determinação da área sob a curva ROC (receiver operating characteristic) – satisfatória se > 0,70; e a calibração, determinada pelo grau de confiabilidade ou de correspondência entre a mortalidade prevista, criada pelo modelo, e a mortalidade real observada, avaliada pelo teste estatístico de

 

7. Definições de Lesão Renal Aguda

PDF Criptografado

7

Definições de Lesão

Renal Aguda

Ligia Costa Battaini, Maristela Carvalho da Costa e Vitor Brito da Silva

Introdução

A lesão renal aguda (LRA) representa uma situação frequente em hospitais e unidades de terapia intensiva (UTI). Em geral, é definida como uma redução abrupta da filtração glomerular, levando ao aumento de escórias nitrogenadas

(ureia, creatinina), distúrbios do equilíbrio ácido-base e alterações hidreletrolíticas. Trata-se de uma síndrome clínica ampla e que apresenta diversas etiologias, incluindo doen­ças renais específicas (nefrite intersticial aguda, glomerulopatias e vasculites), condições não específicas (lesões is­quêmicas ou tóxicas) e doen­

ças extrarrenais. Frequentemente, mais do que uma dessas condições podem coexistir no mesmo paciente.1 Desse modo, nos últimos anos, o conceito de

LRA vem se aprimorando, bem como as estimativas a respeito de incidência, prevalência e mortalidade. Evidências epidemiológicas atuais demonstram que mesmo casos de LRA reversível apresentam conse­quências clínicas importantes, como a evolução para doen­ça renal crônica (DRC), e que pequenas elevações da creatinina sérica estão associadas, de modo independente, ao aumento da mortalidade, sendo, portanto, incorporadas à definição atual de LRA.1-3

 

8. Biomarcadores na Lesão Renal Aguda

PDF Criptografado

8

Biomarcadores na

Lesão Renal Aguda

Fernanda Oliveira Coelho, Tiago Lemos Cerqueira e

Lilian Pires de Freitas do Carmo

Introdução

A lesão renal aguda (LRA) é uma síndrome de origem multifatorial e complexa, relacionada com alta morbimortalidade. Está associada a vários fatores etiológicos e a diversas manifestações, desde uma elevação mínima da creatinina plasmática até a necessidade de diá­lise. Por muito tempo, a falta de uniformidade dos critérios diagnósticos impediu um conhecimento exato sobre sua incidência e mortalidade, dificultando a comparação entre os estudos e o estabelecimento de uma terapêutica precoce.

Para tentar estabelecer padrões uniformes de diagnóstico e classificação da LRA, o grupo Acute Dialysis Quality Initiative (ADQI) publicou em 2004 a classificação de RIFLE (risk, injury, failure, loss and end-stage kidney disease), a qual definia três classes de gravidade da LRA (risco, lesão e falência) e duas classes prognósticas. A gravidade era ba­sea­da em três critérios: aumento relativo da creatinina sérica (CrS); queda da taxa de filtração glomerular (TFG); e diminuição do fluxo urinário (Figura 8.1).

 

9. Distúrbios Acidobásicos

PDF Criptografado

9

Distúrbios Acidobásicos

Igor Denizarde Bacelar Marques e

Lilian Pires de Freitas do Carmo

Introdução

Distúrbios do equilíbrio acidobásico (DAB) são frequentes na prática clínica, e o tratamento adequado depende do diagnóstico correto do distúrbio em questão. A abordagem tradicional dos DAB é ba­sea­da na teoria de LowryBronsted, que diz que ácidos são substâncias capazes de doar prótons, e bases, de receber prótons. Nesse modelo, o principal sistema tampão é o bicarbonato

(ácido carbônico).

Íons livres de H+ estão presentes nos fluidos corpóreos em concentrações extremamente baixas. O pH é uma medida da concentração hidrogeniônica

[H+] e apresenta uma relação inversa e logarítmica com o ío­n H+. Uma concentração estável desse ío­n é fundamental para o funcionamento normal das células. Existe uma faixa de variação compatível com a vida muito estreita, que varia de 16 a 160 nEq/l (pH de 7,80 a 6,80).

Para a manutenção do pH nos níveis necessários, os mamíferos dispõem de dois sistemas principais de controle: o sistema respiratório, que regula a retenção e a eliminação do dió­xido de carbono (CO2), e o sistema tampão plasmático, sendo o bicarbonato (HCO3–) o principal componente. De modo geral, o controle do pH por esses dois sistemas é expresso pela fórmula de

 

10. Distúrbios do Sódio e Regulação do Volume Extracelular

PDF Criptografado

10

Distúrbios do Sódio e

Regulação do Volume

Extracelular

Claudia Maria de Barros Helou

Introdução

O corpo humano tem aproximadamente 60% de água, sendo que 20% encontra-se fora das células. O volume extracelular (VEC) pode ser definido como o líquido corpóreo localizado fora das células, ou seja, no plasma e no interstício. Isso corresponde a cerca de 14 l para um in­di­ví­duo de 70 kg. O líquido extracelular é dinâmico em razão de sua movimentação do interior do capilar sanguí­neo ao interstício e vice-versa. A movimentação do fluido (MF) é regulada pelas chamadas forças de Starling: permeabilidade hidráu­lica da parede do capilar (kf), diferença da pressão hidráu­lica transcapilar (DP) e diferença da pressão oncótica transcapilar (Dp):

MF = kf × (DP – Dp)

O sódio é considerado o principal ío­n do VEC, e os ajustes na homeostase desse cátion são determinantes para o ajuste do volume extracelular. Para tanto, é necessária a integração de duas vias: as que captam a informação quanto à necessidade de conservar ou de eliminar o volume e as que participam da execução da ação na conservação ou na eliminação do volume. Assim, há sensores que captam os estímulos originários das mudanças na capacitância

 

11. Distúrbios do Potássio e do Magnésio

PDF Criptografado

11

Distúrbios do Potássio e do Magnésio

Caroline de Azevedo Martins e Mauricio Younes-Ibrahim

Distúrbios do potássio

Metabolismo do potássio

O conteú­do de potássio (K+) no corpo humano varia entre 40 e 50 mEq/kg, ou seja, 2.800 a 3.500 mEq em um in­di­ví­duo de 70 kg. Com menos de 2% do

K+ corporal presente no meio extracelular (4 a 5 mEq/l), o cátion predomina no interior das células, onde sua concentração chega a 140 a 150 mEq/l

(Figura 11.1).

O gradiente entre essas concentrações é mantido pela enzima Na,KATPase, que determina o potencial de repouso da membrana celular

(–90 mV). Pequenas alterações na relação molar entre K+ intra e extracelular

Balanço externo

Balanço interno

Intracelular

3.500 mEq

(140 a 160 mEq/)

98%

Fígado

250 mEq

Ingestão diária: 100 mEq*

Fezes

10 mEq

Músculos

2.700 mEq

Intestino

Plasma

17 mEq

(3,5 a 5 mEq/)

 

13. Nefrotoxicidade Induzida por Drogas

PDF Criptografado

13

Nefrotoxicidade Induzida por Drogas

Eduardo Homsi

Introdução

A nefrotoxicidade provocada por drogas usadas para fins diagnósticos, terapêuticos ou “recreacionais” participa da patogênese da lesão renal aguda

(LRA) em cerca de 20% dos casos, principalmente nos casos de LRA hospitalar. As alterações renais provocadas por drogas podem decorrer de um ou mais diferentes mecanismos de agressão, como lesão tubular direta, alterações da hemodinâmica glomerular que reduzem a pressão de filtração no capilar glomerular, nefrite intersticial aguda alérgica, ou em resposta imunológica decorrente de ativação antigênica por interação de medicamentos com proteí­nas tissulares renais, depósito intratubular de cristais decorrentes da precipitação de certos fármacos nos túbulos distais, levando à obstrução tubular, microangiopatia trombótica glomerular e, finalmente, rabdomió­lise induzida por drogas com consequente mioglobinúria, que pode ocasionar lesão tubular aguda.

 

14. Nefropatia por Contraste Iodado

PDF Criptografado

Nefropatia por

Contraste Iodado

14

Elerson Carlos Costalonga

Introdução

A utilização de meios de contraste iodados (MC) é indispensável para intervenções cardía­cas percutâ­neas e outros procedimentos radiológicos. Embora sejam bem tolerados, de maneira geral, os MC podem causar lesão renal aguda

(LRA). Como o número de procedimentos cardía­cos intervencionistas vem aumentado progressivamente, a nefropatia por contraste iodado (NCI) tem sido cada vez mais frequente na prática clínica. Dada a sua importância clínica, os estudos publicados exploram predominantemente a LRA induzida por contraste (LRA-IC) secundária ao uso de contraste iodado; porém, MC que contêm gadolíneo podem, ocasionalmente, causar disfunção renal.

Indivíduos que desenvolvam alterações da função renal após administração de contraste intravascular devem ser avaliados quanto ao diagnóstico de LRA-IC, bem como de outras causas de LRA. Os critérios diagnósticos variam entre os diversos estudos. A definição de LRA-IC adotada pelo Kidney Disease Improving

 

15. Rabdomiólise

PDF Criptografado

Rabdomió­lise

15

Márcia Fernanda Arantes de Oliveira e Janaina de Almeida Mota Ramalho

Introdução

Rabdomió­lise é uma síndrome clínico-laboratorial caracterizada por destruição e necrose m

­ uscular esquelética, com liberação do conteú­do intracelular, incluindo eletrólitos, mioglobina e outras proteí­nas sarcoplasmáticas, como creatinofosfoquinase (CPK), desidrogenase láctica (DHL), alanina aminotransferase (ALT) e aspartato aminotransferase (AST) na circulação. Pode se apresentar desde uma doen­ça assintomática com elevação da CPK até uma condição potencialmente fatal com lesão renal aguda (LRA) e coa­gulação

­intravascular disseminada (CIVD). A maioria dos casos está relacionada com o uso de ál­cool, atividade física excessiva e compressão m

­ uscular (imobilização prolongada).

Nos EUA, são descritos cerca de 26 mil casos de rabdomió­lise por ano, com incidência de LRA em torno de 10 a 50%. Estima-se que a rabdomió­lise seja responsável por 7 a 10% de todas as causas de LRA.

 

16. Síndrome Hepatorrenal

PDF Criptografado

16

Síndrome Hepatorrenal

José Otto Reusing Junior e Daniel Ferraz de Campos Mazo

Introdução

A síndrome hepatorrenal (SHR) é uma grave complicação da doen­ça hepática terminal que ocorre principalmente em pacientes com cirrose avançada e ascite que apresentam acen­tuada disfunção circulatória, assim como naqueles com insuficiên­cia hepática aguda.1 É caracterizada por vasoconstrição renal funcional, que leva à redução da taxa de filtração glomerular (não responsiva à reposição de volume), com mínimas anormalidades renais histológicas.2

Em pacientes com cirrose e ascite, aproximadamente 18% desenvolverão

SHR em 1 ano, e 39% em 5 anos.3,4 É a complicação da cirrose com pior prognóstico, tendo na sua apresentação clínica mais grave (SHR tipo 1) uma média de sobrevida de menos de 1 mês, caso não seja rea­li­zado transplante hepático.5

Fisiopatologia da síndrome hepatorrenal

A SHR representa o estágio mais avançado da disfunção hemodinâmica da cirrose. Essas alterações são progressivas e se iniciam precocemente, mesmo antes do aparecimento da ascite.

 

17. Interações Pulmão-Rim

PDF Criptografado

17

Interações Pulmão-Rim

Débora Miguel Soares e José Mauro Vieira Jr.

Introdução

A lesão renal aguda (LRA), principalmente aquela que acomete pacientes críticos, determina alta mortalidade intra-hospitalar.1-3 O cenário em que ocorre tal falência orgânica envolve pacientes idosos, com diversas comorbidades, como diabetes melito (DM), insuficiên­cia cardía­ca e imunossupressão, e geralmente acometidos por sepse, vítimas de trauma ou cirurgias de grande porte.

Não obstante o prognóstico desfavorável da doen­ça de base, estudos epidemiológicos sugerem que a LRA determina uma elevada mortalidade como fator independente.4,5

Os objetivos deste capítulo são:

• Apresentar evidências que sugerem que pacientes com insuficiên­cia respi-

ratória aguda, par­ticular­mente aqueles sob ventilação mecânica (VM) invasiva, têm risco aumentado de desenvolver LRA

• Discutir algumas evidências experimentais e clínicas que sugerem que a

LRA é uma doen­ça sistêmica e pode, por meio do comprometimento a distância, determinar e/ou contribuir para a lesão pulmonar. Somadas às já conhecidas falências imunológica (imunossupressão) e hematológica (anemia e aumento do risco de sangramentos por disfunção plaquetária), a LRA pode potencialmente contribuir para a lesão/falência respiratória.

 

18. Lesão Renal Aguda no Paciente Oncológico

PDF Criptografado

18

Lesão Renal Aguda no

Paciente Oncológico

Elerson Carlos Costalonga, Verônica Torres da Costa e Silva,

Renato Antunes Caires e James Hung

Introdução

A lesão renal aguda (LRA) é uma complicação grave, relativamente comum e com impacto na morbidade e mortalidade de pacientes com câncer. Estimase que o risco de LRA (definido como aumento > 50% da creatinina sérica) durante o 1º e o 5º ano após o diagnóstico do câncer seja de 17,5 e 25%, respectivamente. A incidência varia conforme o tipo de câncer e é maior em pacientes com câncer renal, tumores do trato geniturinário, hepático e neo­pla­sias hematológicas. A mortalidade dos pacientes com LRA dialítica em unidades de terapia intensiva (UTI) varia, em alguns estudos, entre 72 e 85%.

Os dados disponíveis apontam que a sobrevida de pacientes oncológicos com LRA dialítica na UTI é similar à dos pacientes sem neo­pla­sias. Vale ressaltar que, além das complicações inerentes à disfunção renal, a redução da taxa de filtração glomerular pode limitar ou mesmo contraindicar o tratamento quimioterápico otimizado.

 

19. Leptospirose na Unidade de Terapia Intensiva

PDF Criptografado

19

Leptospirose na Unidade de Terapia Intensiva

Regina Célia Rodrigues de Moraes Abdulkader e Marcos Vinicius da Silva

Introdução

A leptospirose é uma zoonose encontrada em todo o mundo e de extrema gravidade no paí­s. Dados da Secretaria de Vigilância em Saú­de do Ministério da Saú­de do Brasil mostram que, de 2000 a 2011, houve uma tendência ao aumento do número de casos de leptospirose: em 2000, foram confirmados

3.487 casos; e em 2011, 4.832. O maior número de casos ocorreu nas re­giões

Sudeste e Sul. Desses casos 60% ocorreu na faixa etária entre 20 e 49 anos, 80% dos acometidos eram do sexo masculi­no e, na sua maioria, a contaminação se deu em á­ rea urbana. Cabe notar que 73% dos casos confirmados foram doentes que necessitaram de hospitalização. A prevalência no perío­do foi de

24 casos/100 mil habitantes, com uma taxa de letalidade entre 9 e 13%.

A leptospirose está distribuí­da por todo o município de São Paulo, e sua incidência aumenta no perío­do das chuvas. No perío­do seco, os locais de aparecimento dos casos coincidem com as ­áreas de piores condições de moradia e, durante o perío­do úmido, também aumentam em outros distritos, provavelmente em viturde da proximidade de rios e córregos.

 

20. Lesão Renal Aguda na Gestação

PDF Criptografado

20

Lesão Renal Aguda na Gestação

Claudio Luders

Introdução

Apesar de a lesão renal aguda (LRA) na gestação ser um problema amplamente passível de prevenção, sua ocorrência con­ti­nua associada à elevada mortalidade materna e fetal, constituindo-se em um grande desafio médico. Em paí­ses desenvolvidos, a LRA relacionada com a gestação representa menos de 1% de todos os casos; já em paí­ses subdesenvolvidos, nos quais a atenção primária à saú­de é inadequada e o aborto não é legalizado, a incidência de LRA associada

à gestação con­ti­nua contribuindo de maneira importante para a morbimortalidade materna e fetal e pode representar até 20% de todas as causas de LRA.1-4

Desde os anos 1960, observa-se a redução na incidência de LRA associada

à gestação de valores ao redor de 1:3.000 gestações para valores entre 1:15.000 e

20.000 gestações.2-5 A redução na proporção entre as diferentes causas de LRA também foi acen­tuada. No Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da

 

Carregar mais




Detalhes do Produto

Livro Impresso
Book
Capítulos

Formato
PDF
Criptografado
Sim
SKU
BPP0000245647
ISBN
9788527730037
Tamanho do arquivo
7,2 MB
Impressão
Desabilitada
Cópia
Desabilitada
Vocalização de texto
Não
Formato
PDF
Criptografado
Sim
Impressão
Desabilitada
Cópia
Desabilitada
Vocalização de texto
Não
SKU
Em metadados
ISBN
Em metadados
Tamanho do arquivo
Em metadados