A economia da natureza

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Desde que A Economia da Natureza foi lançada em 1976, tem conquistado seguidores fortes e leais. Esta sétima edição conta com a nova colaboração de Rick Relya. Quando conversamos pela primeira vez a respeito do livro, em 2009, imediatamente ficou claro que tínhamos uma visão semelhante sobre manter tudo o que foi bem-sucedido na edição anterior enquanto fazíamos a atualização. Realizamos uma ampla pesquisa na área para nos certificar do que não poderia faltar em um compêndio; portanto, esta edição é o resultado de um esforço de quatro anos para oferecer ao leitor uma obra de excelência e completamente nova.

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Capítulo 1 - Introdução | Ecologia, Evolução e o Método Científico

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Capítulo 1

Introdução |

Ecologia,

Evolução e o Método

Científico

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13/01/16quarta-feira 20:33

A Procura pela Vida no Fundo do Oceano

No início do ­século 19, os cientistas criaram a hipótese de que as águas profundas dos oceanos eram desprovidas de vida. Embora, naquela época, não fosse possível explorar as re­giões mais profundas do oceano, eles sabiam que a luz solar não poderia penetrar em profundidades superiores a 275 m. Sem luz solar não pode haver fotossíntese; sem fotossíntese, não pode haver plantas ou algas, que servem de alimento para outros organismos. Pensava-se que as baixas temperaturas e pressões extremas das águas do oceano profundo contribuiriam para a ausência de vida no fundo do mar. Considerando que as profundezas do oceano podem exceder 10.000 m, era razoá­vel a hipótese de que as ­áreas mais profundas do oceano não poderiam sustentar a vida.

Como a exploração continuou ao longo do ­século 19, os cientistas começaram a coletar organismos de profundidades cada vez maiores do oceano, e as suas ideias sobre os limites da vida começaram a mudar.

 

Capítulo 2 - Adaptações a Ambientes Aquáticos

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Capítulo 2

Adaptações a Ambientes

Aquá­ticos

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04/12/15sexta-feira 08:27

A Evolução das Baleias

A vida na Terra começou na água. Das muitas espécies que vivem na água, algumas das mais carismáticas são as baleias (um grupo par­ticular­mente bem-adaptado à vida aquá­tica). Surpreendentemente, o ancestral das baleias modernas pode ser rastreado até um mamífero terrestre aparentado com o gado, os porcos e os hipopótamos. A princípio, os cientistas propuseram uma relação evolutiva entre as baleias e esse grupo de mamíferos terrestres em 1883, com base em observações de similaridades em seus esqueletos.

Na década de 1990, a tecnologia de DNA revelou que os grupos estão relacionados geneticamente. Em 2007, os cientistas descobriram uma ligação crítica entre hipopótamos e baleias: os ossos fossilizados de um grande mamífero terrestre, até então desconhecido, que pode ter passado pelo menos uma parte do seu tempo na água. Os cientistas es­peculam que nos 50 a

 

Capítulo 3 - Adaptações aos Ambientes Terrestres

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Capítulo 3

Adaptações aos Ambientes

Terrestres

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13/01/16quarta-feira 19:38

A Evolução dos Camelos

Quando você pensa a respeito dos camelos, pode imaginar os animais icônicos dos desertos africanos e asiáticos. Na verdade, o ancestral de todas as espécies de camelos teve origem na América do Norte, há cerca de 30 milhões de anos, e os camelos vagaram por diversas partes da América do Norte até cerca de 8.000 anos atrás. Evidências atuais sugerem que alguns desses ancestrais cruzaram o estreito de Bering pelo Alasca há cerca de 3 milhões de anos, e percorreram seu caminho até a Ásia e a

África. Esses indivíduos evoluíram para as duas espécies de camelos dos tempos modernos: o camelo bactriano (Camelus bactrianus), ameaçado, e o camelo dromedário (C. dromedarius), muito mais comum. Ao mesmo tempo, outros indivíduos se dirigiram para a América do Sul e evoluíram em um segundo grupo: guanacos (Lama guanicoe), lhamas (L. glama), vicunhas (Vicugna vicugna) e alpacas (L. pacos).

 

Capítulo 4 - Adaptações a Ambientes Variáveis

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Capítulo 4

Adaptações a Ambientes

Variáveis

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13/01/16quarta-feira 19:40

Os Fenótipos Finamente

Ajustados das Rãs

A cada primavera, a fêmea da rã-arborícola-cinza (Hyla versicolor) deve escolher onde botará seus ovos. A rã-arborícola tem tamanho médio, vive em grande parte do leste da América do Norte, passando pela região central dos

EUA até a costa do Golfo no Texas. Quando adultas, passam a maior parte do seu tempo nas florestas, alimentando-se de insetos nas árvores. Entretanto, na primavera as rãs machos e fêmeas se deslocam para a água para se acasalarem. Sob condições ideais, as fêmeas botam seus ovos em lagos livres de predadores durante os 2 meses necessários para que eclodam em girinos e em seguida se metamorfoseiem em rãs. Infelizmente, as fêmeas não têm como prever se um lago terá predadores nas semanas seguintes.

Entretanto, seus filhotes desenvolveram uma capacidade impressionante de se ajustar a uma ampla variedade de diferentes ambientes com predadores.

 

Capítulo 5 - Climas e Solos

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Capítulo 5

Climas e Solos

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13/01/16quarta-feira 19:47

Onde Cresce o seu Jardim?

Se você plantou um jardim, sabe que deve tomar uma série de decisões.

Você pode escolher entre uma vasta seleção de frutas e vegetais, sem mencionar uma estonteante coleção de flores, arbustos e árvores. Embora você tenha um grande número de opções, nem todas as plantas crescem bem em todos os locais. Para auxiliar os jardineiros a determinar que plantas conseguem sobreviver e florescer em cada lugar, o Departamento de Agricultura dos EUA desenvolveu um mapa de zonas de robustez das plantas.

As zonas de robustez das plantas levam em consideração as temperaturas mais frias que ocorrem durante o inverno. As plantas mais robustas toleram temperaturas muito frias, enquanto outras são muito sensíveis para sobreviver aos invernos rigorosos. As zonas de robustez das plantas seguem a temperatura mínima tipicamente alcançada em locais em toda a América do Norte. A Zona 10,

 

Capítulo 6 - Biomas Terrestres e Aquáticos

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Capítulo 6

Biomas

Terrestres e

Aquáticos

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04/12/15sexta-feira 14:34

O Mundo do Vinho

A história fascinante da fabricação de vinhos data de milhares de anos atrás. Arqueólogos encontraram sinais de fabricação de vinhos em muitas culturas no Mar Mediterrâneo, incluindo aquelas dos egípcios, romanos e gregos antigos. Mais recentemente, Espanha, Portugal e França tornaramse conhecidos por seus vinhos. Toda a região do Mediterrâneo tem uma longa tradição de cultivo de videiras, e a produção de vinho desempenhou um papel importante no desenvolvimento econômico de muitas sociedades e em rituais religiosos.

Os exploradores europeus difundiram a fabricação de vinhos para outras partes do mundo. Por exemplo, no século 16, exploradores espanhóis trouxeram videiras para o Chile, a Argentina e a Califórnia. As videiras acompanharam os holandeses até a África do Sul no século 17, e os britânicos até a Austrália no século 19.

Embora as uvas possam ser cultivadas em muitas partes do mundo, condições de crescimento específicas são necessárias para as uvas produzirem os melhores vinhos. O clima ideal é uma combinação de verões quentes e secos com invernos úmidos e

 

Capítulo 7 - Evolução e Adaptação

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Capítulo 7

Evolução e

Adaptação

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04/12/15sexta-feira 14:56

Os Tentilhões de Darwin

Como parte de sua viagem ao redor do mundo, Charles Darwin explorou por um tempo as Ilhas Galápagos, onde coletou aves com diferentes tamanhos e formatos. Darwin, originalmente, acreditou que havia coletado diferentes famílias de aves, uma vez que se assemelhavam a tentilhões, melros e pintassilgos. Ele as enviou para a Inglaterra, onde o ornitologista

John Gould determinou que todas essas aves eram tentilhões, mas com aspectos bem diferentes uns dos outros. Algumas espécies comiam insetos; outras se alimentavam de frutos e flores de cactos; outras, ainda, de sementes grandes ou pequenas. Darwin formulou a hipótese de que esses tentilhões, provavelmente, compartilhavam um ancestral comum vindo originalmente da América do Sul para as ilhas. A hipótese de Darwin – de que múltiplas espécies poderiam descender de um ancestral comum – o auxiliou a desenvolver sua teoria de evolução por seleção natural.

 

Capítulo 8 - Histórias de Vida

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Capítulo 8

Histórias de Vida

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04/12/15sexta-feira 15:27

Viver, Reproduzir e Morrer

O salmão-prateado (Oncorhynchus kisutch) é um lindo peixe que vive uma vida dramática; ele deposita seus ovos em rios que desembocam no oceano

Pacífico Norte, desde a Califórnia para o Alasca e para o leste da Rússia.

Os alevinos vivem da energia do saco vitelino por várias semanas, e então começam a se alimentar de pequenas presas. Após crescerem no rio por um ano, o peixe nada para o oceano, onde con­ti­nua a se alimentar e a crescer por 1 a 3 anos. Quando estão prontos para reprodução, migram de volta ao mesmo rio onde eclodiram. As fêmeas fazem ninhos no fundo do rio, onde depositam seus ovos, que serão então fertilizados pelo esperma dos machos. Logo após se reproduzirem pela primeira vez, tanto o macho quanto a fêmea do salmão rapidamente perdem as forças e a capacidade fisiológica e morrem.

O salmão-prateado é apenas uma das muitas espécies de salmão que vivem na América do Norte; cada uma tem uma estratégia reprodutiva única.

 

Capítulo 9 - Estratégias Reprodutivas

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Capítulo 9

Estratégias

Reprodutivas

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07/04/16quinta-feira 09:48

A Vida Sexual das Abelhas

Melíferas

As abelhas melíferas (Apis mellifera) têm uma vida sexual complicada. Elas vivem em colmeias que podem conter dezenas de milhares de abelhas, geralmente progênie da mesma mãe, conhecida como a rainha. Como muitos organismos, a abelha-rainha produz filhos e filhas; no entanto, o faz de maneira única. No início de sua vida, a abelha rainha voa para fora da colmeia e acasala no ar com um grupo de machos. As abelhas machos, conhecidas como zangões, são menores que a rainha. Uma rainha acasala com diversos zangões; contudo, os zangões maiores fornecem mais esperma que os menores. A rainha armazena o esperma desse único evento de acasalamento em um órgão especial em seu corpo, conhecido como espermateca, em que permanece viá­vel por vários anos. Ela usa esse esperma para fertilizar seus ovos e gerar filhas diploides, denominadas operárias; por outro lado, cria zangões ao depositar ovos haploides não fertilizados. Os zangões que uma rainha produz raramente se acasalam com ela; em vez disso, cruzam com outras rainhas fora da colmeia. Após o acasalamento, os zangões morrem.

 

Capítulo 10 - Comportamentos Sociais

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Capítulo 10

Comportamentos

Sociais

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04/12/15sexta-feira 19:14

A vida de uma Fazendeira de Fungo

A formiga-cortadeira é uma fazendeira extraordinária. Vivendo em colônias de vários milhões de in­di­ví­duos, essas formigas deixam a colônia diariamente para colher folhas da floresta ao redor. Usando suas mandíbulas afiadas, elas recortam as folhas para retirar pedaços muito maiores que elas mesmas. Elas carregam então os pedaços para o ninho, os quais podem se erguer vários metros acima do solo, bem como se estender até dezenas de metros abaixo dele. De volta ao ninho, as formigas consomem a seiva das folhas, porém não as comem. Em vez disso, usam as folhas para cultivar uma espécie especializada de fungo que consomem.

Há mais de 40 espécies de formigas cortadeiras, que vivem principalmente no México, Américas Central e do Sul. Assim como as abelhas melíferas, as formigas cortadeiras formam enormes sociedades de in­di­ví­duos cooperativos. Uma colônia de formigas geralmente tem uma única rainha que pode viver de 10 a 20 anos. Logo no início de sua vida, a rainha participa de um voo de acasalamento com machos; os espermatozoides que ela recebe são guardados em seu corpo e permanecem viá­

 

Capítulo 11 - Distribuições Populacionais

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Capítulo 11

Distribuições

Populacionais

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07/04/16quinta-feira 09:50

O Retorno do

Lagarto-de-colar

Quando Alan Templeton era escoteiro, ele encontrou seus primeiros lagartosde-colar (Crotaphytus collaris), também conhecidos como “habitantes” da montanha, nas Montanhas Ozark do Missouri. Ele ficou impressionado com os machos de cores vivas, que corriam pelas aberturas da floresta que pontilhavam as montanhas. Duas décadas depois, ele retornou às Montanhas

Ozark como professor de Biologia na Universidade de Washington em St.

Louis, e ficou chocado ao descobrir que a maioria dos lagartos havia desaparecido. Ele iniciou uma série de pesquisas para identificar as causas do declínio e determinar as etapas que poderiam restaurar a população do lagarto.

O lagarto-de-colar é um animal fascinante que se alimenta de insetos como os gafanhotos. Ele prefere viver em ­áreas secas e abertas e apresenta uma abrangência geográfica que

 

Capítulo 12 - Crescimento e Regulação da População

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Capítulo 12

Crescimento e

Regulação da

População

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13/01/16quarta-feira 19:54

A Explosão Populacional

Humana

Há milhares de anos, cresce rapidamente o número de pessoas que vivem na Terra. Embora as estimativas sejam compreensivelmente grosseiras, os especialistas acreditam que, há 1 milhão de anos, os ancestrais dos seres humanos modernos somassem 1 milhão de indivíduos. Com o advento da agricultura há 10.000 anos, a produção maior de alimentos possibilitou a aceleração do crescimento da população, de modo que, no ano de 1700, a população humana havia crescido para cerca de 600 milhões de pessoas. Durante a Revolução Industrial, o aumento da riqueza trouxe melhores condições de nutrição e saneamento e aprimoramento nos tratamentos médicos. Em consequência,

“Em 2012, nosso planeta a taxa de mortalidade de crianças diminuiu e a expectativa de já continha 7 bilhões de vida dos adultos aumentou. Um pessoas.” aumento exponencial no crescimento populacional se seguiu a esses progressos. De acordo com as Nações Unidas, em 1804, a população mundial alcançou 1 bilhão. Embora tenha demorado mais de 1 milhão de anos para alcançar essa marca, foram necessários apenas 123 anos para chegarmos a 2 bilhões em 1927. Nas últimas décadas, 1 bilhão de pessoas são adicionadas a cada 12 ou 13 anos, e a população dobrou em apenas 40 anos. Em 2012, nosso planeta já continha 7 bilhões de pessoas.

 

Capítulo 13 - Dinâmica Populacional no Espaço e no Tempo

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Capítulo 13

Dinâmica

Populacional no

Espaço e no

Tempo

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07/04/16quinta-feira 09:51

O Monitoramento de Alces no Michigan

A ilha Royale – uma parte do estado de Michigan localizada na costa norte do Lago Superior – há muito tempo tem servido como um laboratório natural para os ecólogos. No início do século 20, a ilha foi colonizada por alces do continente. Essa incrível façanha provavelmente ocorreu durante o inverno, quando o lago estava congelado e os alces conseguiram percorrer os 40 km que separam a ilha da província de Ontário, no Canadá. Os alces encontraram abundância de alimentos na ilha e, durante as décadas subsequentes, a população cresceu rapidamente. Por mais de 100 anos, os ecólogos têm observado o número de alces flutuar amplamente em virtude das variações nos alimentos, predadores e patógenos.

As primeiras alterações no tamanho da população foram

“Por mais de 100 anos, os causadas por mudanças na ecólogos têm observado abundância de alimentos. A poo número de alces pulação cresceu até cerca de

 

Capítulo 14 - Predação e Herbivoria

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Capítulo 14

Predação e

Herbivoria

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13/01/16quarta-feira 20:00

O Mistério Secular do Lince e da Lebre

Durante séculos, naturalistas, caçadores e indivíduos que montam armadilhas observaram que as populações de muitas espécies apresentam, com frequência, grandes flutuações e que algumas espécies flutuam em intervalos regulares. Em 1924, o ecólogo Charles Elton dirigiu sua atenção para as flutuações populacionais regulares em muitas espécies de animais de altas altitudes no Canadá, na Escandinávia e na Sibéria. Em particular, ele enfocou nas lebres-da-neve

“Os ciclos de 10 anos na

(Lepus americanus) e no lince-canadense (Lynx canadensis). Elton abundância de linces e examinou os dados que haviam lebres estavam claros, mas os mecanismos que sido compilados da Companhia

Hudson’s Bay, uma empresa cacausavam tais ciclos nadense que comprava peles de haviam sido debatidos caçadores há mais de 70 anos.

Ele assumiu que a quantidade durante quase um de peles adquiridas ao longo do século.” tempo refletia a abundância das duas espécies. Elton e seus colegas ecólogos ficaram fascinados com os ciclos regulares de alta e baixa densidade entre as populações de linces e lebres que ocorriam aproximadamente a cada 10 anos. Os ciclos de 10 anos na abundância de linces e lebres estavam claros, mas os mecanismos que causavam tais ciclos haviam sido debatidos durante quase um século.

 

Capítulo 15 - Parasitismo e Doenças Infecciosas

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Capítulo 15

Parasitismo e Doenças

Infecciosas

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04/12/15sexta-feira 21:09

A Vida dos Zumbis

Os filmes de zumbis são assustadores porque estes são representados como mortos-vivos em busca de vítimas que serão transformadas em mais zumbis. No entanto, algo semelhante a isso ocorre comumente na natureza – algumas espécies de parasitas infectam um hospedeiro e assumem o controle da sua vida para o seu próprio benefício.

Considere o caso do caracol âmbar (Succinea putris) da Europa. Esse animal vive ao longo das bordas de riachos e lagos e, em geral, passa o seu tempo na sombra da vegetação terrestre, onde mastiga as folhas e permanece escondido dos olhos de aves predadoras. Um caracol âmbar ocasionalmente consumirá fezes de aves, que, por vezes, contêm os ovos de um parasita platelminto (Leu“A capacidade dos cochloridium paradoxum). Esses parasitas de atuar ovos eclodem dentro do caracol e crescem; no entanto, para se como manipuladores reproduzirem, os parasitas dede marionetes sobre o vem realizar o próximo estágio comportamento de suas das suas vidas dentro de uma vítimas é apenas uma das ave. Para conquistar esse objemaneiras que os parasitas tivo, as larvas lentamente percorrem o trajeto até dentro dos desenvolveram para pedúnculos oculares do caracol; melhorar a sua aptidão.” os quais geralmente são pálidos e finos, mas a infecção parasitária faz com que eles se tornem maiores em tamanho e apresentem faixas coloridas que pulsam de um modo parecido com uma lagarta em movimento. Os parasitas também assumem o controle do cérebro do caracol e o forçam a subir pelo caule de uma planta, o que não é algo que um caracol âmbar costuma fazer. Os caracóis que sobem nos caules de plantas são percebidos com mais facilidade pelas aves predadoras e, como os pedúnculos oculares se assemelham a lagartas, as aves consomem os caracóis infectados. O parasita completa o segundo estágio de sua vida dentro da ave e o ciclo continua. O platelminto se reproduz, seus ovos deixam a ave por meio das fezes, e os caracóis os consomem.

 

Capítulo 16 - Competição

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Capítulo 16

Competição

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13/01/16quarta-feira 20:01

A Complexidade da

Competição

Nos desertos do sudoeste americano, muitas espécies de herbívoros sobrevivem de modos únicos. Essas incluem grandes mamíferos, como cervos e antílopes, diversas espécies de roedores e numerosas espécies de formigas.

Durante muito tempo, ninguém considerava a possibilidade de forte competição entre os grupos de animais de tamanhos muito diferentes, porque os ecólogos assumiam que, quando existia competição, apenas os animais de tamanho e tipo similares competiriam entre si. Na década de 1970, os ecólogos James Brown e et al. questionaram essa premissa. Sua pesquisa revelou que herbívoros de tamanhos diferentes competem entre si, e tal competição pode criar uma complexa cascata de efeitos.

“Embora roedores e

Brown et al. realizaram expeformigas compitam no rimentos de campo, nos quais curto prazo, as formigas manipularam roedores e formidependem dos roedores gas que se alimentam de semenno longo prazo.” tes. Construíram grandes cercas ao redor de diversas parcelas de terreno e incluíram os roedores isoladamente, e as formigas do mesmo modo, roedores e formigas juntos, ou nenhuma formiga nem roedor. Isso possibilitou que os pesquisadores determinassem se roedores e formigas competiam por seu recurso alimentar primário, as sementes.

 

Capítulo 17 - Mutualismo

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Capítulo 17

Mutualismo

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07/04/16quinta-feira 09:52

A Vida dos Caranguejos

A vida como um pequeno caranguejo tem os seus desafios. Existe uma necessidade con­tí­nua de encontrar almoço e, ao mesmo tempo, evitar tornar-se o almoço de outro in­di­ví­duo. Consideremos o “caranguejo-trepador-estriado-vermelho” (em inglês, red-ridged clinging crab; Mithrax forceps), que alcança um tamanho adulto de apenas 2,5 cm. O “caranguejo-trepador-estriado-vermelho” vive nos recifes da costa da Carolina do

Norte e passa grande parte do seu tempo entre os muitos ramos do “coralarbusto-marfim” (em inglês, ivory bush coral; Oculina arbuscula), onde se esconde dos predadores. Pesquisadores descobriram que a sobrevivência desse caranguejo é muito mais alta nas ­áreas com aquele coral do que em

­áreas sem ele.

Entretanto, o “coral-arbusto-marfim” é um competidor fraco nos recifes de águas rasas. As macroalgas crescem muito rápido e asfixiam o coral. Como discutimos no Ca“Os caranguejos ajudam pítulo 2, os corais são animais que têm uma relação mutualista os corais reduzindo com pequenas algas, conhecidas a competição com as como zooxantelas, as quais vimacroalgas, enquanto vem no seu interior. Quando são os corais assistem sombreados pelas macroalgas, as zooxantelas não conseguem os caranguejos fotossintetizar, e ambos, corais proporcionando locais e zooxantelas, morrem. Dessa seguros para eles maneira, como os corais, e, porse esconderem dos tanto, os caranguejos, persistem predadores.” nos recifes?

 

Capítulo 18 - Estrutura da Comunidade

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Capítulo 18

Estrutura da

Comunidade

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13/01/16quarta-feira 20:05

Uma Teia de Interações nas

Aranhas Sociais

Se alguma vez você já tiver caminhado por uma floresta ou campo, sem dúvida deve ter visto uma aranha pendurada em uma teia, esperando por algum inseto distraído passar por ali. A maioria das aranhas vive vidas solitárias, exceto na ocasião em que se acasalam. Contudo, algumas espécies de aranhas sociais vivem em grandes grupos compostos de milhares de aranhas.

Estas constroem teias que são tipicamente de 1 a 4 m de largura e, ocasionalmente, montam teias maciças de até 100 m de largura. Essas teias são tão grandes que uma única teia pode funcionar como habitat para mais de 100 espécies de invertebrados, que incluem muitas outras espécies de aranha.

As interações que ocorrem em uma teia como essa são diversas. Algumas das espécies que se juntam à comunidade de invertebrados são aranhas que capturam presas. Os restos que deixam para trás podem ser consumidos pela espécie que

 

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