Biogeografia da América do Sul - Análise de Tempo, Espaço e Forma, 2ª edição

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A Biogeografia tornou-se nos últimos anos uma das disciplinas mais ativas da Biologia, ocupando um lugar central dela. Sua interação com outras áreas dessa ciência, como sistemática, ecologia, paleontologia, biologia molecular e biologia evolutiva, tem aumentado exponencialmente, tornando-se frequentes parceiros. Do mesmo modo, climatologia, geologia e estatística dialogam frequentemente com a biogeografia. Ademais, as novas tecnologias de imagens de satélite, os sistemas de informação geográfica e as modernas bases de dados também fazem parte importante do atual entendimento da disciplina. Tudo isso transformou a Biogeografia, tornando-a atraente não só pelas ferramentas à disposição do biogeógrafo, mas também pelos enormes avanços conceituais que ocorreram nos últimos anos. Por outro lado, a América do Sul sempre cativou as mentes dos biogeógrafos. Claudio J. B. de Carvalho e Eduardo A. B. Almeida projetaram este trabalho em excelente forma. Eles escolheram os temas mais relevantes e convidaram brilhantes biogeógrafos para desenvolvê-los. A combinação de tópicos e autores neste livro é simplesmente perfeita e um marco histórico na biogeografia moderna. Editores e autores comprometeram-se com a difícil e benemérita tarefa de repensar os temas fundamentais, tanto teóricos quanto empíricos, da biogeografia moderna com foco na América do Sul.

21 capítulos

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Capítulo 1 Uma Lógica para a Biogeografia Histórica

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Uma Lógica para a

Biogeografia Histórica

1

Eduardo A. B. Almeida

Charles Morphy D. dos Santos

Introdução

Biogeografia é um conceito aparentemente simples. O termo exprime de maneira direta a ideia de um tratamento conjunto de informações biológicas e geográficas. A biogeografia tem como objetivos descrever a distribuição dos organismos no planeta e dar explicações históricas para tais configurações espaciais.1-5 Trata-se de um campo de investigação interdisciplinar que se dedica à difícil tarefa de compreender por que os táxons são encontrados em determinadas ­áreas e não em outras. Em sua maior escala, a biogeografia fornece a perspectiva histórica necessária tanto para a compreensão da evolução das biotas como também da evolução geológica do planeta.6

O desenvolvimento da biogeografia como ciên­cia, especialmente ao longo dos últimos três ­séculos, teve forte relação com o desenvolvimento e o refinamento de sistemas classificatórios estáveis – que possibilitaram a documentação crescente da diversidade biológica – em paralelo ao aumento do conhecimento da distribuição geográfica das espécies e da geologia do planeta. A reunião de informações sobre a distribuição de um número cada vez maior de táxons possibilitou a formulação de questões cruciais, como a descoberta de padrões biogeográficos e a regionalização do espaço.7

 

Capítulo 2 Filogenética Molecular e Estimativa de Tempos de Divergência

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Filogenética Molecular e

Estimativa de Tempos de

Divergência

2

Marcio R. Pie

Introdução

As últimas décadas têm sido marcadas por mudanças profundas no campo da inferência filogenética. Essas mudanças resultaram não só da velocidade cada vez maior (e do custo cada vez menor) na aquisição de dados moleculares, mas também da incorporação de novas ferramentas metodológicas e conceituais. Termos novos, como algoritmo de Metropolis-Hastings, inferência Bayesiana, máxima verossimilhança e teoria coalescente, começaram a povoar a literatura, levando pesquisadores da á­ rea a uma mistura de empolgação, ansiedade e perplexidade.

O objetivo deste capítulo é fornecer uma breve introdução ao estado atual da filogenética molecular. Tendo em vista a diversidade de abordagens e métodos propostos recentemente, uma revisão exaustiva do estado da arte da sistemática molecular em formato enciclopédico seria não só inviá­vel como também pouco útil. Ao contrário, serão aqui apresentados os elementos principais da inferência filogenética e sua aplicação para a estimativa de tempos de divergência. Por limitações de espaço, não serão abordados os temas de obtenção de dados moleculares ou seu alinhamento em re­giões homólogas.

 

Capítulo 3 Áreas de Endemismo

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Áreas de Endemismo

Claudio J. B. de Carvalho

3

Fazer ciên­cia é a procura por padrões repetidos, não simplesmente a acumu­lação de fatos. E para a ciên­cia de ecologia geográfica é, mais precisamente, a procura por padrões da vida de plantas e animais que podem ser colocados em um mapa.

Robert H. MacArthur

Introdução

Poucos conceitos na biogeografia histórica causam tantas controvérsias como o da área de endemismo. Geralmente, uma

­área de endemismo é definida como uma região geográfica indicada a partir da combinação de ­áreas de distribuição de espécies ou táxons endêmicos, isto é, espécies ou grupos de espécies com ocorrência exclusiva em uma região par­ticular.

A ­área de endemismo tem, claramente, o componente espacial, pois é delimitada e definida com base nas á­ reas de distribuição congruentes de diferentes espécies. Por outro lado, a ­área de distribuição é aquela ocupada por uma espécie em determinado momento e pode ser representada pela disposição dos dados em um mapa. Essa representação indica o estado de conhecimento atual, e não necessariamente a distribuição real das espécies.1

 

Capítulo 4 Biogeografia Cladística

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Biogeografia Cladística

Silvio Shigueo Nihei

Introdução

Deve-se fazer menção a Gareth Nelson, Norman Platnick e

Donn Rosen como os principais responsáveis pelo desenvolvimento da biogeografia cladística ao longo da década de 1970 e no início da de 1980 (p. ex., Nelson1, Rosen2, Platnick e Nelson3,

Nelson e Platnick4). A publicação de Systematics and Biogeography: Cladistics and Vicariance, por Nelson e Platnick4, não representou um marco somente para a sistemática, mas também para a biogeografia histórica, sobretudo a biogeografia cladística, para a qual, sem dúvida alguma, figura como uma das principais referências, mesmo decorridos mais de 30 anos.

A biogeografia histórica está alicerçada sobre três pilares teó­ricos, a partir da integração dos conhecimentos da tectônica de placas (ba­sea­da, sobretudo, na deriva continental de

Alfred Wegener), da sistemática filogenética de Willi Hennig e do processo de vicariância de Leó­n Croizat. A associação entre a história do planeta e a história dos organismos tornava-se cada vez mais evidente e factual aos biogeó­grafos, como foi notoriamente enfatizado por Croizat.5 Entretanto, somente com a integração desses três pilares foi possível sustentar e analisar de modo mais objetivo a correspondência entre o relacionamento filogenético dos táxons, seu padrão de distribuição e a história da Terra.

 

Capítulo 5 Pan-biogeografia da América do Sul

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Pan-biogeografia da

América do Sul*

5

Michael Heads

Introdução

A maior parte do trabalho biogeográfico segue um consenso ortodoxo de teoria e prática; contudo, ciên­cia e filosofia, assim como arte e literatura, podem ser beneficiadas pela diversidade de perspectivas e abordagens. “Puritanos” de todo tipo não conseguem tolerar qualquer um que tenha uma perspectiva distinta do que pensam, enquanto os grandes sistematizadores que aceitam um modelo único do mundo como o definitivo podem atrasar o progresso por décadas.

Em contraste, o método de “hipóteses funcionais múltiplas” sugere que nunca é desejável ter apenas uma hipótese funcional para explicar um dado fenômeno. Este capítulo discute alguns padrões biogeográficos comuns observados na

América do Sul e em seu entorno, as explicações usuais para esses padrões e algumas alternativas possíveis.

A pan-biogeografia difere das abordagens tradicionais de biogeografia, por não se basear nos centros de origem nem em explicações por dispersão para explicar a distribuição espacial e por não usar o fóssil mais antigo de um grupo para determinar a idade absoluta desse grupo. Em vez disso, a pan-biogeografia sintetiza a geografia vegetal, a geografia animal e a geologia.

 

Capítulo 6 Modelos de Eventos Biogeográficos para Reconstrução das Histórias de Distribuição dos Táxons

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Modelos de Eventos Biogeográficos para Reconstrução das Histórias de

Distribuição dos Táxons

6

Eduardo A. B. Almeida

Introdução

O desenvolvimento teó­rico e metodológico da biogeografia ao longo das últimas décadas reflete o interesse crescente na compreensão da relação entre a distribuição geográfica dos organismos e a história geológica da Terra. O reconhecimento da vicariância como um tipo de fenômeno criador de padrões norteou o desenvolvimento teó­rico e as pesquisas empíricas, que se embasaram na busca por congruência entre relacionamentos filogenéticos e a história do planeta.1

Longe de ter sido uma história de simples refinamentos de métodos previamente propostos, a biogeografia analítica foi muitas vezes modificada por propostas de métodos com características muito diferentes das de outros já disponíveis.

Esse foi justamente o caso do desenvolvimento dos métodos de eventos.

Tanto a Biogeografia Cladística quanto a Pan-biogeografia (Capítulos 4 e 5) partem do reconhecimento de evidências de histórias, principalmente de vicariância, a despeito das peculiaridades que distinguem essas escolas da biogeografia histórica. Nesse contexto, as distribuições de táxons que não se encaixam em padrões explicáveis como resultantes de eventos de vicariância comuns são então relegadas à classe de ruí­do biogeográfico (Capítulo  1), cuja origem seria em eventos como dispersão ou extinções de linhagens. No caso das escolas da biogeografia vicariante, análises são rea­li­zadas, portanto, em duas etapas: na primeira buscam-se evidências de relacionamentos filogenéticos afetados por uma causa comum (i. e., vicariância), ao passo que uma avaliação a posteriori indica possíveis hipóteses de como processos distintos da vicariância teriam afe-

 

Capítulo 7 Modelos Probabilísticos em Biogeografia

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Modelos Probabilísticos em Biogeografia

7

Isabel Sanmartín

Introdução

No Capítulo  6, foram apresentados e discutidos modelos determinísticos em Biogeografia, que incorporam de maneira explícita os processos ou eventos biogeográficos (vicariância, dispersão, extinção e duplicação) nas reconstruções históricas. Esses modelos têm possibilitado avanços da disciplina em direção a uma ampla gama de questões evolutivas, incluindo testes estatísticos de cenários biogeográficos alternativos ou estimativas das fre­quências relativas de eventos biogeográficos. Os modelos biogeográficos têm levado ao reconhecimento de que eventos anteriormente considerados linhagem-específicos (p. ex., dispersão) podem também originar padrões biogeográficos gerais em diferentes linhagens, quando moldados ou limitados por fatores abió­ticos (eventos de dispersão concordantes ou em concerto). No entanto, a dependência de métodos fundamentados em reconstruções biogeográficas utilizando o princípio da parcimônia implica uma série de limitações.1-3

 

Capítulo 8 Filogeografia | Uso de Padrões Espaciais e Temporais de Diversificação Recente para Testar Hipóteses Biogeográficas

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Filogeografia | Uso de Padrões

Espaciais e Temporais de

Diversificação Recente para Testar

Hipóteses Biogeográficas

8

Camila C. Ribas

Fernando M. d’Horta

Biogeografia Neotropical |

Hipóteses relacionadas com padrões de diversificação recente

A América do Sul tem sido objeto de interesse desde os primórdios da Biogeografia. Em um primeiro momento foi tratada como uma unidade que se diferenciava das demais re­giões do globo e, posteriormente, com o acúmu­lo de informações, como uma região intrinsecamente complexa e extremamente diversa. Foram percorridas diferentes escalas de aproximação geográfica, assim como diversos níveis taxonômicos, repetindo-se os mesmos caminhos de construção do conhecimento biogeográfico, ou seja: identificando padrões, criando hipóteses sobre a origem desses padrões e testando as previsões derivadas de cada hipótese alternativa.

Essa região estende-se por uma grande amplitude latitudinal, desde 56° de latitude sul até 12° de latitude norte, estando, portanto, submetida a uma grande diversidade climática. Essa característica, associada à alta complexidade de seu terreno, resulta em um intrincado mosaico, que inclui diversos tipos de formações florestais e abertas. O aumento do conhecimento sobre a distribuição das espécies na América do Sul levou ao reconhecimento de complexos padrões biogeográficos. A confrontação desses padrões biogeográficos com o acervo de informações sobre história geológica e climática da América do Sul se desdobrou na proposição de várias hipóteses dedicadas a explicar a origem da diversidade biológica da região.1,2

 

Capítulo 9 Biogeografia Molecular e Reconstruções Espaçotemporais Aplicadas ao Estudo da Diversificação da Biota da Diagonal de Formações Abertas e Zonas de Transição

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Biogeografia Molecular e

Reconstruções Espaçotemporais

Aplicadas ao Estudo da Diversificação da Biota da Diagonal de Formações

Abertas e Zonas de Transição

9

Fernanda P. Werneck

Introdução

A Biogeografia busca explicar a distribuição dos organismos por meio da identificação de padrões e dos processos responsáveis por criar tais padrões. Entre os principais tópicos de interesse da disciplina figuram a investigação da geografia da especiação, estimativas de taxas de extinção de linhagens e clados, identificação de á­ reas de distribuição ancestral e ­áreas de endemismo. Historicamente, registros de ocorrência (latitude e longitude) e padrões de distribuição geográfica constituí­ram a fonte básica de dados para a identificação de padrões biogeográficos gerais e ­áreas de endemismo, uma das unidades básicas da biogeografia (Capítulo 3). Com o reconhecimento de que reconstruções filogenéticas são precursores essenciais para interpretações de biogeografia histórica, os conjuntos de dados usados foram largamente expandidos para incluir inferências filogenéticas com base em dados morfológicos e moleculares.

 

Capítulo 10 Macroecologia e Mudanças Climáticas | Avanços Recentes e Novas Abordagens

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Macroecologia e Mudanças

Climáticas | Avanços Recentes e

Novas Abordagens

10

José Alexandre Felizola Diniz Filho

Levi Carina Terribile

Miguel Bastos Araújo

Introdução

Restam poucas dúvidas de que a crescente intensidade com que as sociedades humanas ocupam o planeta está causando, direta ou indiretamente, um impacto significativo sobre os seus ecossistemas naturais.1 A destruição de habitats e a conversão das ­áreas naturais para uso em atividades antrópicas são certamente os mecanismos que causam maiores impactos diretos sobre a diversidade. Existe, igualmente, evidência de que as mudanças climáticas acarretam impactos indiretos assinaláveis sobre a biodiversidade, com alterações na fenologia e na distribuição das espécies e, em certos casos, a extinção destas.1,2 As mudanças climáticas atuais podem ser encaradas, de fato, como uma oportunidade de rea­li­zar experimentos ecológicos em múltiplas escalas espaciais e temporais3, já que manipulações do clima estão causando nas espécies respostas que podem ser observadas, modeladas e validadas. Sabe-se, por exemplo, que os padrões de distribuição e abundância de muitas espécies de re­giões tropicais e temperadas são resultantes dos processos de expansão e retração de suas á­ reas de ocorrência, em resposta às mudanças cíclicas do clima em perío­dos passados.4

 

Capítulo 11 Biogeografia da Conservação

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Biogeografia da Conservação

Peter Löwenberg Neto

Rafael Loyola

Introdução

A utilização de teorias, princípios e análises biogeográficas na perspectiva da conservação da biodiversidade caracteriza a

Biogeografia da Conservação. Por sua natureza temática e interdisciplinar, a Biogeografia da Conservação partiu da sinergia entre duas disciplinas, a Biogeografia e a Biologia da Conservação.1 Esse campo de estudo foi formalizado como ­área científica em 2005 e emergiu de um problema global: a perda da biodiversidade em decorrência da atividade humana.

A Biogeografia, por definição, é a ciên­cia que estuda a distribuição geográfica dos seres vivos. Ela busca entender a ocorrência espacial e temporal dos seres vivos, levando em consideração aspectos ecológicos e evolutivos dos táxons e aspectos geográficos, geológicos e climáticos das ­áreas. A Biologia da

Conservação é formada por um conjunto multidisciplinar de ciên­cias que tem como meta obter informações e desenvolver abordagens para a prática da preservação da biodiversidade.

 

Capítulo 12 Evolução Geológica da América do Sul nos Últimos 250 Milhões de Anos

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Evolução Geológica da

América do Sul nos Últimos

250 Milhões de Anos

12

Ernesto Luiz Lavina

Gerson Fauth

Introdução

A história evolutiva da América do Sul nos últimos 250 milhões de anos (Ma) está relacionada com uma sucessão de grandes eventos geológicos que modificaram tanto os continentes e as bacias oceânicas quanto o clima e a própria evolução das espécies.

A superfície terrestre está em transformação con­tí­nua ao longo do tempo. Não existe, em termos de história da

Terra, nenhum fator natural que seja constante. A geografia planetária, por exemplo, quando ­visua­lizada em termos de tempo geológico, é extraordinariamente mutável. Cabe destacar que, apenas no último bilhão de anos (cerca de 20% do tempo geológico), dois supercontinentes se formaram a partir da reunião de diversos continentes e ilhas e se fragmentaram, dando origem a novos continentes e ilhas (Rodínia: 650 a 600 Ma e Pangeia: 270 a 220 Ma). Como outros exemplos notáveis de mudanças paleogeográficas, pode-se referir a Antártica, que hoje ocupa a região do polo sul, mas já esteve, com Austrália e Índia, na região polar ártica (há aproximadamente 700 Ma), ou o atual continente africano, uma série de ilhas há um bilhão de anos, agregadas durante a formação de Rodínia. Intimamente associados às modificações paleogeográficas, o vulcanismo e a fotossíntese adquirem papel fundamental na evolução do clima; em verdade, papéi­s antagônicos, pois o vulcanismo adiciona CO2

 

Capítulo 13 Evolução da Região Andina da América do Sul

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Evolução da Região

Andina da América do Sul*

13

Paula Posadas

Edgardo Ortiz-Jaureguizar

Introdução

A diversidade biológica atual da América do Sul é o resultado de extenso e dinâmico processo histórico, que foi par­ticular­mente marcado por mudanças importantes nas condições climáticas e ambientais, longos perío­dos de isolamento geográfico, quebra desse isolamento e amplas flutuações no nível do mar, que isolaram por completo partes do continente. A conjunção das mudanças tectônicas e do nível do mar dirigiu a evolução climática e da paisagem e, por conseguinte, as mudanças da composição da biota, resultando nas atuais condições biogeográficas do continente, como é evidenciado, por exemplo, pela sua fauna de mamíferos.1

Postula-se que, como conse­quência desses processos de isolamento e de conexão com massas continentais diferentes, a América do Sul apresenta uma biota de origem híbrida2, na qual se diferenciam um componente austral relacionado com outras ­áreas meridionais e um componente tropical relacionado com as biotas da América do Norte e da África.

 

Capítulo 14 Padrões e Processos Biogeográficos na Amazônia

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Padrões e Processos

Biogeográficos na Amazônia

14

José Maria Cardoso da Silva

Adrian Antonio Garda

Introdução

O trabalho da biogeografia consiste em três etapas: documentar a distribuição dos organismos (vivos ou fósseis), identificar padrões biogeográficos e determinar os processos biogeográficos que explicam os padrões observados.

Assume-se, portanto, que a ocorrência de um padrão na natureza foi causada por um processo ou um conjunto de processos gerais. Essa relação de causalidade é um elemento essencial em todo o trabalho de um biogeó­grafo.

Como em outras ciên­cias, a biogeografia tem hipóteses sobre padrões e hipóteses sobre processos. Um padrão é um enunciado sobre relações regulares e repetitivas entre várias observações da natureza. O padrão, uma vez estabelecido, requer a compreensão por meio de processos causais que estabeleçam uma relação par­ticular entre observações. De modo geral, as hipóteses sobre padrões precisam ser rigorosamente testadas antes de se propor uma hipótese de processo para explicar o padrão detectado. Em ambos os casos, essas hipóteses devem ser testadas rigorosamente até que sejam consideradas plausíveis para tornarem-se amplamente aceitas. Imagine que uma determinada á­ rea tem várias espécies endêmicas. Então, pode-se propor a hipótese de que essa á­ rea representa uma á­ rea de endemismo; essa é uma hipótese sobre padrão. Para testar essa hipótese, pode-se verificar se o número de espécies restritas à ­área

 

Capítulo 15 Biogeografia da Flora da América do Sul

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Biogeografia da Flora da

América do Sul

15

Pedro Fiaschi

José Rubens Pirani

Gustavo Heiden

Alexandre Antonelli

Introdução

A Biogeografia Histórica busca compreender quais foram os fatores e os processos que resultaram nos padrões de diversidade e distribuição geográfica observados na biota de determinada ­área e como esses padrões relacionam historicamente diferentes á­ reas biogeográficas. Para esse fim, diversos táxons, relacionados proximamente ou não, podem contribuir de maneira significativa para a busca por congruências espaciais (ver Capítulos 1 e 3), para o entendimento de como ­áreas podem estar relacionadas entre si

(ver Capítulo 4) e qual a temporalidade envolvida nos processos que culminaram no panorama biogeográfico atualmente observado (ver Capítulo 8). Por isso, a Biogeografia

Histórica depende fundamentalmente do conhecimento preciso da ­área de distribuição dos táxons e de filogenias, com estimativas confiá­veis da idade dos eventos cladogenéticos inferidos.

 

Capítulo 16 História Biogeográfica da Mata Atlântica | Opiliões (Arachnida) como Modelo para sua Inferência

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História Biogeográfica da

Mata Atlântica | Opiliões (Arachnida) como Modelo para sua Inferência

16

Marcio Bernardino DaSilva

Ricardo Pinto-da-Rocha

Adriano Medeiros de Souza

Introdução

Antes do início da devastação e consequente fragmentação da Mata Atlântica, iniciada há cinco ­séculos com a chegada dos colonizadores europeus, esse bioma cobria quase toda a costa leste do Brasil, desde o Rio Grande do Norte até o

Rio Grande do Sul. Na porção meridional, alcança a bacia do Rio Paraná e, do centro ao norte, é limitada pelo Cerrado e pela Caatinga. Essa grande extensão determina ampla variação nas suas características, desde uma floresta muito

úmida próxima ao litoral a uma mais seca no interior; de uma floresta sempre quente nas menores latitudes a uma com invernos rigorosos nos seus limites ao sul. Toda essa variação geográfica faz com que a Mata Atlântica apresente

“muitas florestas”, ou seja, fisionomias muito diferentes entre porções desse bioma. Na porção leste, próxima ao litoral, está a floresta Ombrófila Densa, caracterizada pela ausência de estação seca, isto é, umidade alta durante o ano inteiro.

 

Capítulo 17 Biogeografia dos Peixes de Água Doce da América do Sul

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Biogeografia dos Peixes de Água

Doce da América do Sul

17

Alexandre Cunha Ribeiro

Flávio César Thadeo de Lima

Naércio Aquino Menezes

Introdução

Ictiofauna sul-americana

As águas continentais da região neotropical abrigam a mais diversificada fauna de peixes de água doce do planeta.

O número de espécies conhecidas se aproxima de 5.000, e estimativas quanto ao número real, considerando aquelas que ainda estão por serem descritas, estão em torno de

6.000 a 8.000 espécies.1

A composição dessa diversidade é resultado de longo processo de irradiação de diversas linhagens ao longo de milhões de anos, mas também da extinção de grupos outrora diversificados. Essa riqueza resulta, em última instância, de processos ecológicos e históricos complexos, contínuos ao longo do tempo geológico. A história de fauna moderna, cujas raí­zes remontam principalmente ao perío­do Mesozoico, ainda não

é compreendida em sua totalidade. Desde as primeiras ideias dos autores precursores das atuais hipóteses fundamentadas no arcabouço conceitual de métodos modernos de reconstrução filogenética e em teorias unificadoras – por exemplo, a tectônica de placas –, houveram avanços significativos. É notório, entretanto, que a história de fauna aquá­tica ainda contém lacunas e grandes questões que poderão ocupar a mente dos biogeó­grafos por muitas gerações.

 

Capítulo 18 Por que os Dípteros Ocorrem na América do Sul? | Um Enfoque a Partir dos Muscidae (Insecta, Diptera)

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Por que os Dípteros Ocorrem na América do Sul? | Um

Enfoque a Partir dos

Muscidae (Insecta, Diptera)

18

Claudio J. B. de Carvalho

Márcia S. Couri

Kirstern Lica F. Haseyama

Introdução

Ao longo dos últimos 100 anos, várias hipóteses e teorias biogeográficas têm sido propostas para explicar os pa­ drões de distribuição dos seres vivos no planeta. Muitos desses estudos tiveram como foco a América do Sul, con­ tinente reconhecido pela complexa composição faunísti­ ca e florística. Desde os estudos primordiais de Augustin

Pyramus de Candolle no início do s­éculo 19, diferentes metodologias têm sido utilizadas para entender a compo­ sição e a evolução da fauna do continente e para explicar a relação evolutiva da biota da América do Sul com outras re­ giões. Essa multiplicidade de hipóteses e teorias para o en­ tendimento da biota é decorrente, em par­ticular, da forma­

ção geológica e biogeograficamente híbrida do continente.1

A América do Sul constitui a maior porção da região neotropical, uma das seis grandes re­giões biogeográficas do planeta e a que concentra a maior biodiversidade. Essa con­ dição pode ser v­ isua­lizada com facilidade pelo reconheci­ mento das duas re­giões biogeográficas encontradas no con­ tinente, neotropical e andina, e de uma zona de transição sul-americana, mais recentemente caracterizada.2 Na Amé­ rica do Sul são encontrados ambientes e formações vegetais muito variados, como biomas de florestas, cerrado, caatin­ ga, pampas, desertos e formações de região semiá­rida, cam­ pos rupestres, altas montanhas, entre outros, além de vários ambientes aquá­ticos com diferentes características. A com­ posição da fauna nesses diferentes ambientes é igualmente diversa, e o desafio da compreensão de suas diversificadas e complexas composições tem estimulado uma série de in­ vestigações.

 

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